THE USE OF VAGINAL DILATORS IN THE TREATMENT FOR VAGINISIMUS: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511101858
Helen Oliveira Albuquerque¹
Leonarda Vasconcelos Libório¹
Luane do Nascimento Vasconcelos¹
Raquel Dutra Ferreira¹
Thaiana Bezerra Duarte²
RESUMO
Introdução: O vaginismo é uma condição caracterizada pela contração involuntária dos músculos do assoalho pélvico, dificultando ou impedindo a penetração. Seu tratamento mais comum envolve o uso de dilatadores vaginais, porém outras técnicas fisioterapêuticas, como exercícios de relaxamento, biofeedback e terapia manual também podem ser utilizadas. No entanto, ainda não existe um protocolo padronizado sobre a frequência e o tempo ideal de uso dos dilatadores. Objetivo: Analisar o uso de dilatadores vaginais no tratamento de mulheres com vaginismo, descrevendo o protocolo de aplicação dessa técnica e observando sua progressão, frequência e duração das sessões. Além de comparar os resultados obtidos com diferentes abordagens terapêuticas e avaliar a eficácia do uso dos dilatadores em combinação com outras formas de tratamento, a fim de identificar as estratégias mais eficazes para a reabilitação das pacientes. Materiais e métodos: Esta revisão de literatura foi realizada a partir de pesquisas nas bases PubMed, SciELO e LILACS, considerando publicações entre 2015 e 2025 e utilizando descritores em português e inglês relacionados ao vaginismo e seu tratamento fisioterapêutico. Devido à escassez de estudos que atendessem aos critérios definidos, a busca foi ampliada para outras fontes científicas. Foram incluídos estudos sobre o uso de dilatadores vaginais em mulheres com diagnóstico de vaginismo e disfunções sexuais associadas, enquanto artigos de revisão, duplicados ou em outros idiomas foram excluídos. Resultados: A revisão analisou quatro diferentes protocolos fisioterapêuticos no tratamento do vaginismo, destacando o uso de dilatadores vaginais de forma gradual e associada a outras técnicas, como biofeedback, exercícios de relaxamento, eletroterapia e massagem pélvica. Observou-se melhora significativa na função sexual, especialmente em relação ao desejo, excitação, orgasmo e redução da dor. Os tratamentos incluíram também orientações para exercícios domiciliares e uso progressivo dos dilatadores. No total, foram avaliadas cerca de 365 mulheres, com média de idade de 30 anos e tempo médio de tratamento de pouco mais de cinco semanas, apresentando altas taxas de sucesso e mostrando a eficácia dessa abordagem terapêutica na reabilitação sexual feminina. Conclusão: O uso de dilatadores vaginais é uma estratégia eficaz no tratamento do vaginismo, especialmente quando associado a outras abordagens fisioterapêuticas. Essa combinação contribui para reduzir a dor, melhorar a função sexual e restaurar a funcionalidade do assoalho pélvico, favorecendo a recuperação e o bem-estar das pacientes. Apesar dos resultados positivos, ainda existem limitações nos estudos, como o número reduzido de pesquisas clínicas e a falta de padronização dos protocolos.
Palavras-chave: Vaginismo. Dilatadores. Tratamento. Fisioterapia. Dor gênito-pélvica.
ABSTRACT
Background: Vaginismus is a condition characterized by the involuntary contraction of the pelvic floor muscles, making penetration difficult or impossible. Its most common treatment involves the use of vaginal dilators, but other physiotherapeutic techniques, such as relaxation exercises, biofeedback, and manual therapy, can also be used. However, there is still no standardized protocol regarding the frequency and ideal duration of dilator use. Purpose: To analyze the use of vaginal dilators in the treatment of women with vaginismus, describing the application protocol of this technique and observing its progression, frequency, and duration of sessions. Additionally, to compare the results obtained with different therapeutic approaches and evaluate the effectiveness of the use of dilators in combination with other forms of treatment, to identify the most effective strategies for patient rehabilitation. Methods: This literature review was conducted based on searches in the PubMed, SciELO, and LILACS databases, considering publications between 2015 and 2025 and using descriptors in Portuguese and English related to vaginismus and its physiotherapeutic treatment. Due to the scarcity of studies meeting the defined criteria, the search was expanded to other scientific sources. Studies on the use of vaginal dilators in women diagnosed with vaginismus and associated sexual dysfunctions were included, while review articles, duplicates, or articles in other languages were excluded. Results: The review analyzed four different physiotherapy protocols for the treatment of vaginismus, highlighting the use of vaginal dilators gradually and in combination with other techniques, such as biofeedback, relaxation exercises, electrotherapy, and pelvic massage. A significant improvement in sexual function was observed, particularly regarding desire, arousal, orgasm, and pain reduction. The treatments also included guidance for home exercises and progressive use of the dilators. In total, approximately 365 women were evaluated, with an average age of 30 years and an average treatment duration of just over five weeks, showing high success rates and demonstrating the effectiveness of this therapeutic approach in female sexual rehabilitation. Conclusion: The use of vaginal dilators is an effective strategy in the treatment of vaginismus, especially when combined with other physiotherapeutic approaches. This combination helps to reduce pain, improve sexual function, and restore pelvic floor functionality, promoting recovery and patient well-being. Despite the positive results, there are still limitations in the studies, such as the small number of clinical trials and the lack of standardization of protocols.
Keywords: Vaginismus. Dilators. Treatment. Physical Therapy. Genito-pelvic pain.
1. INTRODUÇÃO
O vaginismo, caracterizado pela contração muscular involuntária dos músculos do assoalho pélvico e do terço externo da vagina durante as tentativas de intercurso sexual, é uma condição pouco compreendida que pode resultar em aversão à penetração (Carvalho et al., 2017). Estima-se que possa afetar uma parcela significativa da população feminina mundial (Carvalho et al., 2017).
Dentre as abordagens terapêuticas para o tratamento do vaginismo, o mais citado é o uso dos dilatadores vaginais, que são dispositivos em formato cilíndrico com grande variedade de tamanhos e são utilizados para o tratamento e prevenção de alterações e/ou disfunções do assoalho pélvico associados a relações sexuais (Santos et al., 2019)
A execução desta técnica deve ser realizada com dilatadores pequenos, com base na tolerância de cada mulher e de forma gradativa o seu tamanho deve ser aumentado, levando em conta que o tempo de uso é progressivo e individual em cada caso (Tomen et al., 2015).
Diversas técnicas, como exercícios de respiração e relaxamento, dessensibilização tecidual local, dilatadores vaginais, biofeedback e terapia manual, são utilizadas no âmbito da fisioterapia do assoalho pélvico no tratamento do vaginismo (Aras, 2025).
Entretanto, é evidente que não há um protocolo ideal na literatura no que diz respeito à frequência do uso dos dilatadores ou o tempo necessário para se obter resultados significativos.
Diante deste cenário, esta revisão de literatura tem como objetivo analisar o uso de dilatadores vaginais associado ao biofeedback no tratamento do vaginismo, buscando consolidar o conhecimento científico existente e identificar as melhores práticas para a aplicação dessa técnica.
2. MATERIAIS E MÉTODOS
Esta revisão de literatura foi baseada na busca realizada nas bases de dados eletrônicas: PubMed, SciELO, LILACS, abrangendo artigos publicados nos últimos dez anos (2015 a 2025), utilizando os descritores “vaginismo”, “dilatadores”, “tratamento”, “fisioterapia” e “disfunção sexual feminina”, também considerando os termos equivalentes em inglês, combinados aos operadores booleanos AND e OR.
Devido à dificuldade de encontrar artigos relevantes e que se encaixassem nos critérios de inclusão e exclusão, foi necessário expandir a busca por meio de outras fontes, como revistas científicas.
Os critérios de inclusão utilizados foram: estudos que avaliam o uso de dilatadores vaginais no tratamento do vaginismo, estudos com participantes diagnosticadas com vaginismo e estudos que abordem disfunções sexuais femininas e dores pélvicas que se relacionem ao vaginismo. Foram excluídos da análise artigos de revisão, estudos duplicados e estudos publicados em idiomas diferentes de português e inglês.
Após a conclusão da análise dos dados coletados, os achados relevantes foram expressos por meio de tabela informativa.
3. RESULTADOS
A busca nas bases de dados retornou 2662 artigos sobre o tema. Após a exclusão de 2461 duplicatas, os 201 trabalhos restantes foram analisados a partir de seus títulos e resumos. Destas, 180 publicações foram desconsideradas por não se encaixarem nos critérios determinados, restando 21 artigos para leitura na íntegra.
Do total restante, 17 artigos foram novamente descartados por dados insuficientes. Ao final, 4 estudos foram selecionados para compor esta revisão, conforme ilustra o fluxograma do estudo (Figura 1).

A seguir, a Tabela 1 mostra os estudos resultantes da pesquisa nas bases de dados, que se encaixaram nos critérios de inclusão para esta revisão.
Tabela 1 – Síntese dos estudos incluídos na revisão.








No estudo de Jokar et al. (2025), um ensaio clínico randomizado, que incluiu 32 mulheres com vaginismo primário, com idades entre 18 e 45 anos. As participantes foram divididas em dois grupos de 16 pessoas. O grupo experimental recebeu a terapia com dilatadores e também o treinamento com biofeedback, enquanto o outro grupo recebeu apenas a terapia com dilatadores. Ambos os grupos seguiram um programa de tratamento de 6 semanas, com duas sessões por semana. Para medir os resultados, foi utilizado o questionário do Índice de Função Sexual Feminina (FSFI). O questionário foi aplicado antes do tratamento, após 6 semanas e um mês após a conclusão do programa. Os resultados mostraram que a combinação de biofeedback e terapia com dilatador teve um impacto significativamente maior na melhora da função sexual geral e nos domínios específicos de desejo, excitação, orgasmo, satisfação e dor, em comparação com a terapia apenas com dilatador.
O estudo de Tufa e Tedorescu (2024) detalha o caso de uma paciente de 27 anos com vaginismo primário de quarto grau e após o diagnóstico, foi encaminhada para a fisioterapia. O tratamento fisioterapêutico, realizado em 15 sessões, envolveu uma abordagem externa e interna. A abordagem externa incluiu alongamentos da musculatura pélvica, técnicas de contrair-relaxar, massagem, termoterapia e eletroterapia. A abordagem interna, introduzida gradualmente, utilizou técnicas manuais, eletroterapia com sonda vaginal, biofeedback e o aprendizado do uso de dilatadores de silicone. A paciente também foi instruída a realizar auto alongamentos, auto massagem perineal e a usar os dilatadores em casa três vezes por semana. O resultado mais significativo foi que a paciente conseguiu iniciar sua vida sexual com penetração vaginal.
O estudo de Kiremitli (2021) trouxe 91 pacientes, com idade entre 18 e 47 anos, diagnosticadas com vaginismo primário, que foram classificadas em quatro grupos, de acordo com a classificação de Lamont. As pacientes e seus companheiros foram informados sobre as etapas do tratamento e coito foi proibido até o final do tratamento. A anatomia e a função do hímen, assoalho pélvico, clitóris e vagina foram explicadas por meio de modelos e desenhos anatômicos. As sessões foram agendadas a cada 4 a 7 dias, durando cerca de 50 minutos. Na segunda etapa, a paciente foi ensinada a introduzir os dedos na área vaginal e, como lição de casa, a paciente foi instruída a realizar massagem genital (ela mesma ou pelo companheiro) para estimular o clitóris, se masturbar e exercícios com os dedos duas vezes ao dia. Na terceira etapa, os exercícios com os dedos aplicados na segunda sessão foram repetidos pelo ginecologista e pelo companheiro da paciente também foi instruído a realizar em casa exercícios com os dedos e masturbação duas vezes ao dia. Na quarta etapa, após as preliminares, aplicou-se bastante gel lubrificante vaginal, depois exercícios de dilatação digital ou alongamento foram realizados pelo companheiro e, em seguida, coube a sua preferência escolher uma das posições para o coito.
Os pacientes que não realizaram o coito após a quarta sessão de tratamento foram incluídos na quinta etapa. Nesta etapa, dilatadores de estrutura de silicone médico foram aplicados em 4 tamanhos diferentes (1,5/2/2,5/3 cm de diâmetro e 6/8/10/13 cm de comprimento). Primeiro, o menor dilatador foi aplicado e trocado por um maior após 10 minutos, seguindo com a ordem sequencialmente até a tolerância do paciente. A aplicação do dilatador foi dada como uma tarefa domiciliar a ser aplicada pela paciente ou seu companheiro, começando pelo menor tamanho duas vezes ao dia por 15 minutos, aumentando diariamente. Os casais que aplicaram com sucesso o maior dilatador foram solicitados a prosseguir para a tentativa de coito. Após o tratamento, a relação sexual sem dor ocorreu em 85 (93,4%) dos pacientes e gravidez ocorreu em 48,42% das pacientes dentro de um ano após o tratamento.
O estudo de Pacik (2017) acompanhou 241 mulheres, com idade média de 30 anos e que sofriam com o vaginismo por uma média de 7,8 anos. A avaliação das pacientes antes do tratamento incluiu o Índice de Função Sexual Feminina (FSFI) e uma consulta. O tratamento consistiu em injeções intravaginais de toxina botulínica (Botox) e bupivacaína (um anestésico local), seguidas por dilatação progressiva sob sedação consciente. Após o procedimento, um dilatador era mantido no local enquanto a paciente se recuperava, e o tratamento era complementado com um acompanhamento rigoroso e suporte contínuo através de visitas ao consultório, telefonemas, e-mails e registros de dilatação. Os resultados mostraram que 71% das pacientes conseguiram ter relações sexuais sem dor em um tempo médio de 5,1 semanas após o tratamento. Seis pacientes (2,5%) não conseguiram ter relações sexuais dentro de um ano, e 64 pacientes (26,6%) foram perdidas durante o acompanhamento.
Dessa forma, essa revisão incluiu 365 pacientes com média de idade de 29,9 anos e média de tempo de uso de 5,2 semanas, com todos os estudos apresentando resultados positivos.
4. DISCUSSÃO
Os resultados mostram que os dilatadores vaginais são eficazes no tratamento do vaginismo, especialmente quando usados juntamente com outras estratégias complementares. Revisões sistemáticas e estudos realizados na última década confirmam que a dilatação progressiva é uma intervenção eficaz, especialmente quando faz parte de programas multimodais para tratar dificuldades de penetração e dores na região pélvica.
Estudos que testaram protocolos de dilatação relatam reduções significativas da dor e aumento da taxa de penetração bem-sucedida. Miles et al. (2021) descrevem um protocolo de terapia dilatadora baseada em movimentos de baixa dose e alta frequência em 26 pacientes com dor de penetração, sendo utilizado em uma média de 9,6 semanas, de 2 a 5 ou 5 a 10 minutos por dia, relatando redução estatisticamente significativa da dor com melhora clínica em grande parte das participantes, sugerindo que a frequência e o tipo de movimento com o dilatador, e não apenas o uso esporádico, influenciam o sucesso terapêutico.
No estudo de Zarski et al. (2017), foi realizado um ensaio clínico com 77 mulheres que tinham dificuldades de penetração. Elas foram divididas em dois grupos: o de intervenção, com 40 participantes, e o de espera, com 37. O grupo que recebeu a intervenção participou de um programa online com 10 sessões, que incluíram psicoeducação, exercícios de relaxamento, a técnica de sensate focus e exposição gradual com dilatadores. Os desfechos foram avaliados em três momentos: no início do estudo, após 10 semanas e seis meses depois. Os resultados mostraram que 34,5% das mulheres do grupo de intervenção conseguiram ter relações sexuais após o período do estudo, enquanto essa proporção foi de 20,7% no grupo de espera.
Essa pesquisa demonstra que um protocolo de dilatação vaginal realizado em casa, de forma online e usando técnicas como sensate focus e suporte educacional, pode ser eficaz. Além disso, permite fazer boas comparações entre intervenções feitas em casa e aquelas realizadas em ambiente clínico.
Trabalhos que investigaram biofeedback assistido em treino do assoalho pélvico mostram ganho no controle muscular e em desfechos funcionais para condições associadas à hipertonia pélvica. Chiang et al. (2021) demonstram melhora clínica relevante em um programa de treinamento muscular do assoalho pélvico com biofeedback em pacientes com disfunção, tendo um tempo de duração de três meses, com seis sessões em consultório e intervalos de 2 a 3 semanas entre as sessões, sendo praticado em casa 3 vezes por dia, com 10 repetições que gradualmente aumentavam para 20 repetições. Esses achados clínicos sustentam seu resultado de que a combinação de dilatador com biofeedback pode produzir maiores ganhos.
Na revisão de Saraiva (2023), foi observado a eficiência do uso dos dilatadores associados a técnicas como a massagem perineal, liberação miofascial, biofeedback e dilatadores vaginais, que trouxeram melhora na saúde sexual e promoveu um efeito significativo na vida de mulheres portadoras de disfunções sexuais dolorosas, concordando com o estudo de Tufa e Teodorescu (2024), onde a paciente conseguiu manter relações sexuais com penetração.
Utilizando o FSFI, que se trata de um questionário avaliativo composto por 19 itens de seis domínios da função sexual que incluem desejo, excitação, lubrificação, orgasmo, satisfação e dor (Ferguson et al., 2025), a revisão de Basilio e Souza (2025) mostra a eficácia da terapia manual associada ao uso de dilatadores, onde ambos obtiveram resultados positivos, mesmo que os resultados não tenham mostrado grande diferença em seus grupos, que foram divididos em dois, um apenas recebendo terapia manual e o outro, terapia manual associada ao uso de dilatadores.
Desai et al. (2024) afirmam em seu estudo que o uso de toxina botulínica produz uma melhora significativa nas pacientes que sofrem de vaginismo, onde a mesma consegue manter relações no período entre 48 a 72 horas após a aplicação, tendo uma duração de 4 meses em seu efeito. Porém, é importante utilizar dilatadores vaginais após o procedimento e antes do início da relação sexual.
Em concordância, Helmi (2022) sugeriu que injeção de toxina botulínica tipo A em mulheres com vaginismo pode resultar em melhora rápida de dor/ansiedade à penetração, uso de dilatador e intercurso, com taxa de sucesso de 92 %, em um tratamento com média tempo de uso de 2 semanas.
A literatura também destaca o papel fundamental da orientação e do acompanhamento na utilização de dilatadores. Segundo o estudo de Macey et al. (2015), experiências de mulheres que usam esses dispositivos mostram que ter informações claras, contar com suporte profissional e um bom apoio emocional fazem toda a diferença. Esses fatores ajudam a aumentar a adesão ao tratamento e contribuem para melhores resultados.
A escassez de estudos focados especificamente no uso de dilatadores associados a outras técnicas foi a principal limitação encontrada nesta revisão, indicando um campo importante para pesquisas futuras. Isso é particularmente relevante para o desenvolvimento de ensaios clínicos que testem múltiplas abordagens de intervenção no tratamento para o vaginismo.
Por fim, as evidências sugerem que o sucesso depende não apenas da técnica, mas de fatores contextuais: adesão ao protocolo domiciliar, suporte do parceiro quando aplicável, e qualidade do acompanhamento profissional, fazendo-se necessário mais pesquisas acerca do tema para maior consolidação de informações para o tratamento do vaginismo.
5. CONCLUSÃO
A revisão revelou que o uso de dilatadores vaginais é uma estratégia bastante eficaz no tratamento do vaginismo, especialmente quando combinado com outras abordagens, como biofeedback, terapia manual e técnicas de relaxamento. Os estudos analisados mostraram melhorias significativas na função sexual, redução da dor e maior facilidade na penetração sem desconforto. Isso sugere que a combinação de recursos fisioterapêuticos potencializa os resultados e ajuda na recuperação da funcionalidade do assoalho pélvico.
Os dados também indicam que o trabalho do fisioterapeuta deve ser individualizado, levando em conta a evolução gradual do uso dos dilatadores e a importância de um acompanhamento profissional adequado, esses fatores ajudam a aumentar a adesão ao tratamento e sua eficácia. Além disso, destaca-se a importância da orientação às pacientes durante o processo terapêutico.
Apesar de os resultados serem promissores, é importante reconhecer algumas limitações nos estudos existentes, principalmente pelo número reduzido de pesquisas clínicas controladas e pela diversidade nos protocolos utilizados, o que torna difícil estabelecer um método padrão e universal. Para avançar nesse campo, recomenda-se que futuras pesquisas envolvam amostras maiores, adotem instrumentos de avaliação mais padronizados, fortalecendo assim as evidências científicas sobre o tema. Essa abordagem pode contribuir significativamente para melhorar a qualidade de vida e o bem-estar das mulheres que enfrentam essa condição.
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1Discente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE.
2Doutorado em Reabilitação e Desempenho Funcional, Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE e do Curso de Medicina da Afya Faculdade de Ciências Médicas Itacoatiara.
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