REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202511101853
Evilly Emanuelly Mineiro Dutra, Isabelle Vitoria Rocha Barbosa, Layza Luiza Borges de Oliveira, Maria Luisa Correa Araujo, Rayssa Dias Moreira, Renata Lorrana Araújo da Silva, Wesley Eduardo Costa, Orientador (a): José Carlito Do Nascimento Ferreira Júnior
RESUMO
O sarampo é uma doença viral muito contagiosa, porém prevenível por vacina. Nos últimos anos, houve aumento de casos no mundo e no Brasil devido à queda na cobertura vacinal, causada por desigualdade social, dificuldade de acesso aos serviços de saúde, desinformação e influência de movimentos antivacina. A doença pode gerar complicações graves, como cegueira e danos neurológicos. A vacinação é a forma mais eficaz e econômica de prevenção. Para controlar o sarampo, é necessário fortalecer políticas públicas, ampliar campanhas educativas e melhorar o acesso à vacina, garantindo proteção coletiva e evitando novos surtos.
Palavras-chave: Sarampo; Vacinação; Cobertura vacinal; Saúde pública.
ABSTRACT
Measles is a highly contagious viral disease, yet preventable by vaccination. In recent years, there has been an increase in cases worldwide and in Brazil due to a drop in vaccination coverage, caused by social inequality, difficulty accessing health services, misinformation, and the influence of anti-vaccine movements. The disease can cause serious complications, such as blindness and neurological damage. Vaccination is the most effective and economical form of prevention. To control measles, it is necessary to strengthen public policies, expand educational campaigns, and improve access to the vaccine, ensuring collective protection and preventing new outbreaks.
Keywords: Measles; Vaccination; Vaccination coverage; Public health.
1 INTRODUÇÃO
O sarampo é uma infecção viral aguda extremamente contagiosa, provocada por um vírus do gênero Morbillivirus. A doença se espalha com enorme facilidade por meio das secreções respiratórias expelidas quando uma pessoa doente fala, tosse, espirra ou simplesmente respira, alcançando o trato respiratório de indivíduos suscetíveis. Seus sinais clínicos mais comuns incluem febre elevada, tosse persistente, mal-estar acentuado, conjuntivite, coriza e as manchas de Koplik. A evolução da doença ocorre em três etapas: incubação, quando o vírus penetra pelas vias respiratórias, multiplica-se no tecido linfoide e se dissemina sem apresentar sintomas por cerca de 10 a 14 dias; fase prodrômica, marcada por manifestações inespecíficas durante 2 a 8 dias; e fase exantemática, na qual surgem as lesões cutâneas características. Como ainda representa ameaça quando a cobertura vacinal está baixa, o sarampo permanece um importante desafio para a saúde pública (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2020).
O sarampo possui um impacto profundo no sistema imunológico, deixando o organismo vulnerável a outras infecções que podem agravar o estado clínico do paciente. Entre as complicações severas, destaca-se o risco de cegueira, principalmente em crianças com deficiência de vitamina A ou em situação de desnutrição, cujo corpo já se encontra fragilizado. Há também a possibilidade do desenvolvimento da panencefalite esclerosante subaguda (PESS), uma doença neurológica rara, progressiva e devastadora que resulta da permanência do vírus no sistema nervoso central. Essa condição, que acomete especialmente crianças maiores e jovens adultos, tem sua manifestação anos após o episódio inicial de sarampo, geralmente entre seis e oito anos depois, evoluindo rapidamente e com baixa chance de sobrevivência. Diante de tais consequências potencialmente fatais, a imunização por meio da vacina surge como uma medida essencial para evitar tanto a infecção quanto suas sequelas desde de as mais leves até as mais graves (GARCIA et al., 2020).
Para erradicar o sarampo, é necessário atingir uma cobertura vacinal de 89% a 94%. No entanto, no Brasil, essa meta não é alcançada de maneira consistente em todas as regiões, o que contribui para o aumento de pessoas vulneráveis e o ressurgimento de surtos. As campanhas de vacinação continuam a adotar uma abordagem focada na doença, sem levar em conta de forma adequada os fatores sociais e estruturais que afetam a adesão. Essa visão restrita coloca a responsabilidade pela baixa cobertura nas costas do indivíduo, desconsiderando as falhas do sistema público. A diminuição da vacinação com a tríplice viral enfraqueceu a proteção coletiva, o que possibilitou o ressurgimento do sarampo em 2018. A adesão ainda é afetada por fatores como negligência, desinformação e medo de efeitos colaterais. Ademais, nota-se resistência à vacinação entre jovens e adultos, frequentemente ligada ao temor de agulhas. O aumento das internações e da mortalidade tem sido causado pela baixa adesão ao calendário vacinal completo. Além disso, as altas taxas de abandono desde 2014, que foram agravadas pela pandemia de COVID-19, destacam a urgência de estratégias mais eficientes para vigilância e promoção da saúde. (CHAVES et al., 2024).
A presença de agentes comunitários de saúde é fundamental para aumentar a cobertura de vacinas, especialmente em áreas com maior vulnerabilidade social. Reforçar a Estratégia Saúde da Família e investir em ações integradas entre os diversos níveis de gestão pública são ações essenciais para reconquistar a confiança e a participação da população. Para reverter a diminuição das coberturas, é necessário fortalecer as políticas públicas, estabelecer redes locais de apoio e melhorar a comunicação em saúde, tornando-a mais clara e acessível. Os locais com as menores taxas de vacinação costumam estar associados a situações de desigualdade social e dificuldade de acesso aos serviços essenciais, uma condição que foi intensificada pela pandemia. Portanto, é fundamental promover a equidade no acesso às vacinas, diminuir as barreiras sociais e combater a hesitação vacinal. Isso garantirá oportunidades iguais de imunização e ajudará no controle eficaz do sarampo no país. (CHAVES et al., 2024).
Considerando as evidências científicas a respeito da eficácia da vacinação no combate e até mesmo erradicação de várias doenças imunopreveníveis, esta pesquisa procurou mostrar a relevância da vacinação como estratégia de combate ao sarampo, considerando que o número de vacinados tem diminuído de forma alarmante a cada ano, impulsionado por uma série de fatores, entre os quais se destaca o movimento antivacinas.
2 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados apresentados no estudo demonstram que o sarampo, embora seja uma doença prevenível por vacina, voltou a representar uma preocupação mundial devido ao aumento expressivo de surtos em diversas regiões. Entre 2018 e 2019, o número de casos registrados cresceu de forma alarmante: 30% na Europa, 70% na
África, 10% no Mediterrâneo Oriental, 60% nas Américas e 40% na Ásia e Pacífico Ocidental (GARCIA, 2020).
Gráfico 1 – Aumento percentual dos casos de sarampo por região (2018–2019)
O gráfico a seguir ilustra o aumento percentual por continente:

Esse cenário evidencia que, apesar dos avanços alcançados pela imunização, a queda na cobertura vacinal tem permitido a reintrodução do vírus em vários países, inclusive no Brasil.
O sarampo é de notificação compulsória desde 1968 e apresentou grandes variações em sua incidência ao longo das décadas. O pico de casos ocorreu em 1986, com cerca de 129 mil notificações, equivalendo a 97,7 casos por 100 mil habitantes. Após a implementação do Plano Nacional de Eliminação do Sarampo (1992) e campanhas de vacinação, houve significativa redução.
Entre 2010 e 2012, foram 4.380 casos suspeitos, dos quais apenas 2,6% foram confirmados, todos relacionados a casos importados. A análise genotípica detectou os genótipos G3, D4, D8 e B3, com destaque para os três últimos, até então inéditos no país (SOARES, 2021).
Após a certificação da eliminação do sarampo em 2016, o Brasil ficou sem casos confirmados até 2017, demonstrando o sucesso das estratégias de imunização (MS, 2016).
Entretanto, a partir de 2018, observou-se o retorno da circulação viral, associado à queda das coberturas vacinais e ao aumento do fluxo migratório, que facilitou a entrada de casos importados (MS, 2018–2019).
Gráfico 2 – Evolução dos casos de sarampo no Brasil (1986–2025)

A figura mostra a queda expressiva após 1992, seguida pelo ressurgimento entre 2018 e 2019, e nova redução a zero casos em 2023, reflexo das campanhas intensificadas e vigilância ativa. Contudo, surtos localizados voltaram a ocorrer em 2024 e 2025, especialmente em regiões com baixa adesão vacinal.
A diminuição das coberturas vacinais decorre de fatores interligados:
- Dificuldade de acesso aos serviços de saúde, barreiras geográficas e falta de transporte público;
- Desabastecimento de vacinas em unidades básicas;
- Falta de campanhas educativas e conscientização;
- Baixa escolaridade materna, condições socioeconômicas precárias e maternidade na adolescência;
- Falta de consultas pré-natais e tabagismo materno (RODRIGUES, 2020).
Esses fatores, combinados, resultam em oportunidades perdidas de vacinação e maior exposição de grupos vulneráveis ao vírus.
Além do impacto epidemiológico, a não vacinação acarreta custos mais elevados para o tratamento da doença quando comparado ao investimento na prevenção. Assim, a vacinação se mantém como a estratégia mais eficiente, segura e economicamente viável (OLIVERA MESA et al., 2023).
A hesitação vacinal tem sido influenciada por informações falsas disseminadas nas redes sociais, dúvidas quanto à segurança e eficácia das vacinas, e falta de conhecimento científico (GALHARDI et al., 2022).
Os resultados reforçam que a recusa vacinal não é apenas uma decisão individual, pois o sarampo é altamente contagioso e pode causar surtos em larga escala quando a imunidade coletiva é comprometida.
Fatores culturais, socioeconômicos e educacionais influenciam fortemente a adesão à vacinação. A desigualdade de acesso aos serviços de saúde e as crenças pessoais dificultam a compreensão dos benefícios da imunização (GALHARDI et al., 2022).
A análise temporal dos casos mostra uma correlação direta entre queda na cobertura vacinal e ressurgimento da doença, reforçando o papel central da vacinação na prevenção do sarampo.
Em síntese, embora o Brasil tenha atingido a eliminação do sarampo em 2016, a manutenção desse status depende de alta cobertura vacinal, vigilância epidemiológica robusta e respostas rápidas a surtos, especialmente em contextos de mobilidade populacional e vulnerabilidade social (MS, 2025).
O estudo evidencia que a vacinação é essencial não apenas para proteger o indivíduo, mas também para preservar a saúde coletiva, evitando retrocessos nos avanços alcançados ao longo das últimas décadas.
3 METODOLOGIA
Esta pesquisa é de natureza qualitativa e adota a abordagem de revisão bibliográfica integrativa, com o objetivo de reunir e sintetizar informações recentes sobre o sarampo e as consequências da baixa adesão à vacinação. Essa estratégia segue princípios de pesquisa qualitativa propostos por Minayo (2014), permitindo uma análise exploratória e interpretativa da literatura para responder aos objetivos específicos do estudo, como identificar causas da baixa cobertura vacinal e destacar riscos de surtos epidêmicos.
O universo de estudo compreende a produção científica disponível em artigos acadêmicos nacionais e internacionais relevantes ao contexto brasileiro e latinoamericano, onde surtos de sarampo têm sido recorrentes. A busca foi realizada nas plataformas Google Acadêmico e SciELO, utilizando as palavras-chave Sarampo; Vacinação; Cobertura vacinal; Saúde pública. Foram identificados 40 artigos, dos quais 16 foram selecionados para análise, enquanto 24 foram excluídos por não atenderem aos critérios de inclusão.
Os critérios de inclusão abrangeram: artigos publicados entre 2019 e 2024, disponíveis em português e que abordassem diretamente o sarampo, a importância da vacinação e as implicações da baixa adesão. Foram excluídos estudos fora desse período temporal (para priorizar dados pós-pandemia de COVID-19), com dados incompletos, em idiomas não acessíveis ou sem relação direta com o tema. Essa delimitação garante a relevância e atualidade das fontes, embora reconheça limitações, como a exclusão de literatura em inglês, que poderia enriquecer perspectivas globais.
A análise dos dados foi feita de forma descritiva e interpretativa. Primeiro, foram lidos com atenção todos os artigos escolhidos para ver o que eles tinham em comum, como os motivos da baixa vacinação e os riscos de novos surtos de sarampo. Depois, as informações foram comparadas entre os autores para identificar semelhanças, diferenças e pontos que ainda não foram bem estudados. Por fim, foi feito um resumo com as principais conclusões, mostrando os problemas da baixa adesão e trazendo ideias que podem ajudar nas políticas de saúde pública.
4 CONCLUSÃO
A análise evidencia que, apesar dos avanços no controle do sarampo, a doença ainda representa uma ameaça significativa em decorrência da redução da cobertura vacinal. A vacinação confirma-se como a forma mais eficaz e econômica de prevenir surtos, complicações e óbitos. A queda na adesão está associada a desigualdades sociais, desinformação e dificuldades de acesso, o que reforça a necessidade de fortalecer políticas públicas, ampliar campanhas educativas e valorizar a atuação dos agentes comunitários de saúde.
Diante disso, o estudo cumpre o objetivo de demonstrar a importância da manutenção de altas taxas de imunização para o controle do sarampo, destacando o papel estratégico da informação e da equidade no acesso às vacinas. Conclui-se que o enfrentamento das barreiras sociais e comunicacionais é fundamental para garantir a proteção coletiva, evitar o ressurgimento da doença e manter os avanços obtidos nas últimas décadas.
Recomenda-se que futuras pesquisas e políticas públicas aprofundem a compreensão dos fatores que contribuem para a hesitação vacinal, com o objetivo de subsidiar ações mais eficazes de prevenção e educação em saúde.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Brasil recebe certificado de eliminação do sarampo. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2016/setembro/brasil-recebe-certificado-de-eliminacao-do-sarampo. Acesso em: 2 nov. 2025.
CHAVES, B. S. et al. Desafios e estratégias na vacinação contra o sarampo: Controle e erradicação. Research, Society and Development, V. 13, n. 8, e7413846563, 2024.
GALHARDI, C. P.; FREIRE, N. P.; FAGUNDES, M. C. M.; MINAYO, M. C. D. S.; CUNHA, I. C. K. O. Fake news e hesitação vacinal no contexto da pandemia de COVID19 no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 27, n. 5, p. 1849–1858, 2022.
GARCIA, L. R. et al. A importância da vacinação no combate ao sarampo. Brazilian Journal of Health Review, v. 3, n. 6, p. 16849–16857, 2020.
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OLIVERA MESA, D.; WINSKILL, P.; GHANI, A. C.; HAUCK, K. O custo social da recusa vacinal: um estudo de modelagem utilizando a vacinação contra o sarampo como estudo de caso. Vaccine, v. 2, n. 1, 2023.
RODRIGUES, B. L. P. et al. Atualizações sobre a imunização contra o sarampo no Brasil: uma revisão sistemática. Revista Eletrônica Acervo Saúde, n. 55, p. e3919, 2020.
SOARES, R. R.; FONSECA, C. G.; RUBATINO, F. V. M. Sarampo: revisão sobre o recente cenário mundial da doença. Revista de Ciências da Saúde Básica e Aplicada, v. 4, p. 25–36, 2021.
