O USO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO EM TEMPOS DE PANDEMIA NA ESCOLA DE TEMPO INTEGRAL DRA. ZILDA ARNS NEUMANN NO MUNICÍPIO DE MANAUS-AM/BRASIL, NO PERÍODO DE 2022-2023

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202508191245


Maria Ivanete Enes Maia
Orientadora: Dra. Simone Cecília Paoli Ruiz


RESUMO 

O objetivo da presente pesquisa foi compreender a importância das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) durante o período de aulas remotas na Escola de Tempo Integral Dra. Zilda Arns Neumann, e os métodos e metodologias utilizadas como ferramentas para promover o acesso à educação durante o isolamento social causado pelo novo coronavírus (Covid-19) os quais trouxeram uma nova realidade ao ensino, onde os discentes e docentes tiveram que se adaptar ao sistema emergencial imposto pela pandemia. Haja vista que as TIC ocuparam um papel de destaque na sociedade mundial principalmente na educação que teve novos desafios com o fechamento das escolas. A pesquisa apresenta uma abordagem qualitativa de natureza analítica e descritiva. Para a elaboração da pesquisa qualitativa, foi feita uma revisão bibliográfica e aplicação de um questionário envolvendo o tema elaborado e desenvolvido. O estudo contou ainda, com o suporte teórico de vários autores, destacando os impactos que a pandemia causou no cotidiano dos alunos e no processo ensino aprendizagem. No que se refere ao processo, de modo geral, pôde-se perceber nitidamente o interesse e os impactos nos alunos para além do muro da escola. Apesar das dificuldades encontradas, as TIC foram ferramentas auxiliares necessárias para a continuidade do ano letivo e para que os alunos não tivessem tantas perdas na aprendizagem. 

Palavras-chave: Tecnologias de Informação e Comunicação. Pandemia Covid-19. Ensino aprendizagem. 

RESUMEN 

Esta investigación tuvo como objetivo comprender la importancia de las Tecnologías de Información y Comunicación (TIC), durante el periodo de clases remotas en la Escuela de Tiempo Integral Dra. Zilda Arns Neumann. Los métodos y metodologías utilizadas como herramientas para promover el acceso a la educación durante el aislamiento social provocado por el coronavirus (Covid 19), y que trajo una realidad a la enseñanza, en la cual los alumnos y docentes tuvieron que adaptarse al sistema de emergencia impuesto por la pandemia. En vista de que las TIC ocuparon un papel de destaque dentro la sociedad mundial, principalmente en la educación que tuvo nuevos desafíos con el cierre de las escuelas. La investigación presenta un abordaje cualitativo de naturaleza analítica y descriptiva. En la investigación cualitativa, fue realizada revisión bibliográfica y aplicación de cuestionario con relación al tema elaborado y desarrollado. Además, el estudio tuvo el soporte teórico de varios autores, destacando los impactos que la pandemia causó en el cotidiano de los alumnos, así como en el proceso de aprendizaje. En lo que se refiere al proceso, de manera general, se pudo percibir con claridad el interés y los impactos en los alumnos fuera del ámbito escolar. A pesar de las dificultades encontradas, las TIC fueron herramientas auxiliares necesarias para dar continuidad al año escolar y así los alumnos no tuvieran pérdidas en el aprendizaje.

Palabras clave: Tecnologías de Información y Comunicación. Pandemia Covid- 19. Enseñanza aprendizaje.

INTRODUÇÃO 

A presente pesquisa surge a partir da observação do baixo rendimento dos alunos após o retorno das aulas presenciais no período da pandemia na Escola de Tempo Integral Dra. Zilda Arns Neumann. Dentro do contexto escolar da pandemia a Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) veio como uma ferramenta auxiliar utilizada para tratar a informação e auxiliar na comunicação entre docentes e discentes no atual cenário mundial.  As TIC como ferramentas auxiliares permitiram, em tempo de pandemia, criar soluções para minimizar os impactos na educação com o novo COVID-19, haja vista que as escolas públicas e privadas tiveram que fechar suas portas para os alunos, professores e administrativos. Nesse cenário, a pandemia impulsionou mudanças nas estruturas educacionais que derrubaram padrões há muito tempo enraizados no dia a dia das instituições.   

O cotidiano escolar foi um dos vários setores da sociedade que sofreu um abalo inimaginável e, é dentro desse contexto educacional que a pesquisa se desenvolve, mostrando a importância do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação para levar as aulas remotas aos lares dos alunos, numa missão desenvolvida e voltada para a acessibilidade dos estudantes das escolas públicas da capital e do interior do estado do Amazonas.  

A grande problemática encontrada na pesquisa foi o baixo rendimento dos alunos durante o período da pandemia. Houve uma queda no rendimento dos estudantes em torno de oitenta por cento em matérias importantes como português e matemática, e essa queda no rendimento se deu a fatores relacionados que segundo 

Fernandes (2021), “a piora da avaliação está relacionada ao engajamento dos alunos no ensino remoto, no caso dos alunos que trabalharam por apostilamentos, muitos não conseguiram realizar as atividades da forma correta, seja por não ter alguém para auxiliar ou por falta de interesse” e ainda aponta outro fator a ser levado em consideração: 

“A questão não é só reabrir as escolas e voltamos a ter aula presencial. Houve um recuo no desenvolvimento dos alunos durante os meses em que as escolas ficaram fechadas. Será necessário identificar os problemas e montar uma estratégia de educação de recuperação, senão, vamos somente passar por cima do furacão de problemas causados pela pandemia” (FERNANDES, 2021, apud SILVA, 2021). 

As tecnologias digitais vieram para mudar a realidade dos alunos que saíram das salas de aulas físicas presenciais para as salas virtuais, onde os professores continuaram atuando e cumprindo seus horários de trabalhos, com trabalhos contínuos, com novas mudanças, além do que já se fazia antes nas aulas presenciais. 

Segundo Kenski: 

Estudantes e professores tornam-se desincorporados nas escolas virtuais. Suas presenças precisam ser recuperadas por meio de novas linguagens, que os representem e os identifiquem para todos os demais. Linguagens que harmonizem as propostas disciplinares, reincorporem virtualmente seus autores e criem um clima de comunicação, sintonia e agregação entre os participantes de um mesmo curso. (KENSKI, 2004, p. 67) 

Nesse período de pandemia, houve a necessidade do isolamento social, pois os alunos foram impedidos de irem às escolas por medida de segurança e prevenção da doença. A educação a distância tornou-se um fator essencial nessa nova realidade em que o mundo foi inserido. A Covid -19 trouxe muitos desafios para os vários setores da sociedade e, para a educação, sem dúvida, foi a quebra de paradigmas educacionais, uma vez que, houve a necessidade de montar novas estratégias tecnológicas para levar a educação a todos.  

No estado do Amazonas, a Educação a Distância já existia há muito tempo com o objetivo de atender a estudantes dos municípios mais longínquos, atender a essa demanda do interior de forma virtual com professores auxiliares em cada uma das comunidades onde o projeto foi implementado, levando uma educação de qualidade para interior do Estado. Com a pandemia foi impulsionado o Programa Aula em casa também para a capital de Manaus, onde os alunos poderiam ter acesso às aulas de modo televisivo e através da internet. Graças ao desenvolvimento tecnológico, foi possível, através das aulas online, professores e alunos se conectarem pela internet, para realizarem suas atividades, tirarem suas dúvidas diretamente com o professor como se estivessem em uma aula presencial.  

A utilização dos meios remotos para ministrar aulas, estão de acordo com o Ministério da Educação, uma vez que especifica que a educação a distância pode ser considerada como: 

a modalidade educacional na qual alunos e professores estão separados física ou temporalmente e por isso, faz-se necessária a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação. Essa modalidade é regulada por uma legislação específica e pode ser implantada na educação básica e na educação superior. (MEC, 2018) 

Apesar do governo do estado do Amazonas ter feito um grande investimento em tecnologia, para alcançar os alunos nos lugares mais remotos, os discentes não se desenvolveram em relação ao aprendizado. Foi possível fazer essa análise a partir do retorno às aulas presenciais ao perceber que a maioria dos alunos não tiveram um bom êxito na aprendizagem.  

O desenvolvimento na aprendizagem ficou comprometido em uma escala muito grande para ser recuperada durante um ano letivo. Dentro dessa nova realidade imposta aos alunos de ter aula em casa, foi possível observar que muitos alunos não tinham celular, notebook ou computador e internet em casa para assistirem as aulas, e isso gerou um grande problema na questão ensino aprendizagem. Outra questão bastante perceptível foi a indisciplina dos alunos dentro da sala de aula, e a falta de interesse com relação aos estudos. Portanto, dentro desse contexto, a pesquisa busca trazer clareza para os problemas e apontar sugestões para que se possa trabalhar no resgate do aprendizado, para que haja um melhor desenvolvimento do estudante. Situação problema: Esse estudo se dá devido à inquietude por parte da pesquisadora ao perceber as dificuldades de acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) por parte de professores e alunos no período da pandemia da Covid-19, também com o pouco desempenho na aprendizagem observado após o retorno das aulas presenciais na Escola de Tempo Integral Dra. Zilda Arns Neumann. Diante disso, procurou-se saber: Pergunta central: De que maneira o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) em tempo de pandemia contribuem na prática educativa, na escola Tempo integral Dr. Zilda Arns Neumann no município de Manaus-AM/Brasil, no período de 2022-2023? Perguntas específicas: Quais ferramentas tecnológicas (TIC) foram utilizadas pelos professores durante o processo de ensino remoto no período da pandemia de 2022-2023? Quais foram as dificuldades encontradas pelo professor na modalidade remota de ensino? Quais foram as percepções observadas pelo professor como resultado da aprendizagem de seus discentes no período da pandemia?  

Objetivos gerais: Compreender de que maneira as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), utilizadas nas aulas remotas em tempos de pandemia, contribuem na prática educativa na escola Tempo integral Dr. Zilda Arns Neumann no município de Manaus-AM/Brasil, no período de 2022 – 2023. Específicos: Identificar as ferramentas tecnológicas (TIC) utilizadas pelos professores durante o processo de ensino remoto na pandemia na escola Tempo integral Dr. Zilda Arns Neumann no município de Manaus-AM/Brasil, no período de 2022 – 2023; Relacionar as dificuldades encontradas pelo professor na modalidade remota de ensino; Sintetizar as percepções observadas pelo professor como resultado da aprendizagem de seus discentes.  

Hipótese: Se o ensino desenvolvido pelos professores em época pandêmica não viabilizou rentabilidade ao processo ensino aprendizagem. Então se presume que, as metodologias desenvolvidas não estavam em consonância com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e nem tão pouco com as normas da Lei de Diretrizes e Base da educação (LDB). Diante disso, procurou-se saber:  

Justificativa: A pandemia do Covid-19 no início do ano letivo de dois mil e vinte (2020) explodiu no Brasil como uma bomba atômica. Ninguém e nenhum órgão do governo estavam preparados para enfrentar o vírus e as consequências que ele trouxe. No referente à educação, principalmente das escolas públicas, todos ficaram desnorteados.  

Um sentimento de incertezas se apoderou até o momento que a Secretaria de Educação e Desporto do Estado do Amazonas (SEDUC) disponibilizou a plataforma televisiva Aula em Casa (antes somente direcionada ao ensino a distância nas comunidades do interior) e sugeriu o uso de ferramentas e plataformas direcionadas à educação como meio contínuo no processo aprendizagem no modelo Ensino Remoto. Porém, sem levar em consideração a situação socioeconômica da comunidade estudantil das periferias de Manaus e do interior do estado e a falta de conhecimentos de alguns professores relacionada ao uso das tecnologias digitais disponíveis. 

Espera-se com este estudo, contribuir de forma plausível para melhorar os percalços detectados no processo de Ensino Remoto e como essas contribuições poderão ser aplicadas no cotidiano escolar, utilizando as TIC, de forma a atender à comunidade estudantil como uma nova perspectiva metodológica para melhoria no processo educativo. 

Viabilidade: A pesquisa foi realizada através de entrevistas, no âmbito escolar, durante os intervalos das aulas. Fez-se uso de questionário com perguntas fechadas e abertas, elaborado através da plataforma Google (Google Forms) com custo financeiro baixo. Foram entrevistados professores e alunos do Ensino Médio, voluntários, da escola onde foi realizado o estudo.

Limitações: Devido estarem vivenciando uma época epidêmica, as escolas criaram mecanismos para dar continuidade ao processo de ensino aprendizagem de forma remota, uma vez que em Manaus foi imposto, a princípio, o lockdown. Após um período de isolamento social e consequentemente a redução no número de contágios pelo vírus, começaram a retomada das atividades escolares de forma híbrida.  

Neste intervalo, muitos alunos não tinham subsídios para se adequar ao novo método de ensino e aprendizagem. Era preciso ter acesso ao modo televisivo, ter acesso à internet e ter aparatos (computador ou celular) para as atividades online.  

Diante disso, a pesquisadora sentiu a necessidade de verificar quais foram os recursos tecnológicos utilizados pelos professores durante as aulas remotas e semipresenciais e quais foram suas percepções quanto ao percentual de alunos que interagiam e que conseguiram obter um bom resultado na aprendizagem. 

O presente estudo possui cinco capítulos e as considerações finais. A parte introdutória, no qual se apresenta os objetivos e a hipótese da pesquisa. No primeiro capítulo mostra um retrato do período pandêmico, o isolamento social, as ações emergenciais dirigidas à sociedade e ao contexto educacional. No segundo, a metodologia aplicada na pesquisa e quais os meios usados para obtenção dos resultados. O terceiro capítulo apresenta a análise dos dados coletados e a avaliação destes dados. Por fim, apresenta a conclusão e as recomendações finais do estudo. 

1. A EDUCAÇÃO NO PERÍODO PANDÊMICO 

Antes de se abordar o tema é preciso lembrar que a educação é universal e tem como princípio atender a todas as pessoas e isso está declarado na Constituição Federal de 1988 no Art. 205: 

A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (BRASIL,1988) 

Durante o período crítico da pandemia, a educação foi um dos setores da sociedade mais afetados, gerando grandes preocupações por parte das instituições de ensino e da sociedade em geral. De acordo com Daros (2020), a interrupção das aulas devido ao Covid-19, foi declarada para assim estar preservando a saúde de todos.  

Desta forma, buscou-se novas formas de levar a educação durante o período da pandemia. Algumas ações foram tomadas em caráter de emergência para minimizar os impactos causados com o isolamento e consequentemente com a perda da aprendizagem e o aumento da evasão escolar. Os alunos mais vulneráveis foram afetados diretamente, principalmente os que tiveram a economia familiar atingida com o aumento do desemprego devido ao fechamento, do comércio, bares, restaurantes e principalmente os trabalhadores informais que perderam muito na primeira onda da pandemia.  

1.1 AÇÕES EMERGENCIAIS COM O USO DA TECNOLOGIA PARA MINIMIZAR PERDAS NA APRENDIZAGEM 

Ações emergenciais foram necessárias e só foi possível devido ao desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação, isso minimizou o impacto negativo na educação global. De acordo com Movplan (2021), com a pandemia a tecnologia se tornou mais frequente na vida das pessoas, pois ela sempre existiu, porém neste período se tornou essencial. Com o fechamento das escolas pelo mundo, as consequências e os danos causados ainda são incalculáveis, apesar de já existir bastantes pesquisas sobre o assunto, ainda há muito a ser pesquisado, sobre a pandemia e as sequelas deixadas por ela na educação em todos os níveis de ensino. Segundo Stefania Giannini, diretora-geral adjunta do Setor de Educação da UNESCO “Nós sabemos que, quanto mais tempo as escolas permanecerem fechadas, mais dramático e potencialmente irreversível será o impacto sobre o bem-estar e a aprendizagem das crianças, especialmente para as mais vulneráveis e marginalizadas.” 

O ensino remoto ministrado nas escolas públicas brasileiras durante o período da pandemia foi levado aos alunos graças ao uso das TIC, que no decorrer do tempo foram ampliadas e aprimorados aplicativos voltados para a educação e esses espaços virtuais chamados de “ciberespaços” foram fundamentais para manter esse link entre os professores e alunos. 

(…) todos aprendem juntos, não em um local no sentido comum da palavra, mas num espaço compartilhado, um “ciberespaço”, através de sistemas que conectam em uma rede as pessoas ao redor do globo. Na aprendizagem em rede, a sala de aula fica em qualquer lugar onde haja um computador, um “modem” e uma linha de telefone, um satélite ou um “link” de rádio. Quando um aluno se conecta à rede, a tela do computador se transforma numa janela para o mundo do saber.  (HARASIM et al., 2005, p.19). 

Com o fechamento das escolas a dinâmica dos docentes tornou-se necessária para essa nova realidade que se apresentava de maneira emergencial, para que não houvesse perdas maiores na aprendizagem dos estudantes. As habilidades no uso das tecnologias foram necessárias, para muitos docentes não foi nenhum desafio que não podia ser cumprido, mas ainda existiam alguns que não usavam com frequência as Tecnologias de Informação e Comunicação e atualizar-se fora extremamente necessário para suprir seu papel de professor e dinamizar o processo de ensino/aprendizagem. Todo esse esforço da parte docente foi para contribuir com o seu conhecimento no ensino remoto conforme descreve Mill: 

O trabalho prático e reflexivo na EAD, no percurso da metaformação põe em questão a noção de autonomia docente, o domínio de uma base de saberes docentes, uma visão de todo o processo de produção na educação e na coletividade no trabalho (MILL, 2012, p. 47) 

Na atualidade, as tecnologias fazem parte integrante no processo de desenvolvimento da sociedade e da cultura, segundo Levy (1999 p.22) “as tecnologias são produtos de uma sociedade e de uma cultura” logo, esse produto foi relevante para manter esse contato social e cultural pela população no mundo inteiro através do uso das tecnologias, principalmente as digitais, tanto na educação quanto para diminuir a distância entre as famílias que não podia conviver, conversar, comer juntos, festejar, se cumprimentar, se abraçar, coisas simples como um aperto de mão foram proibidos.  

A internet trouxe novas formas de se relacionar e de interagir. O WhatsApp, o Messenger, o Meet, Instagram, Facebook entre outros se tornaram os meios de comunicação mais utilizados, não somente pelos jovens mais por todos, para amenizar a distância imposta pela pandemia. Essa visão de o mundo virtual presente, ultrapassa barreiras que permite mitigar a ausência física e manter uma relação de comunicação através de uma linguagem harmônica entre os grupos conforme conceitua Kenski:  

Estudantes e professores tornam-se desincorporados nas escolas virtuais. Suas presenças precisam ser recuperadas por meio de novas linguagens, que os representem e os identifiquem para todos os demais. Linguagens que harmonizem as propostas disciplinares, reincorporem virtualmente seus autores e criem um clima de comunicação, sintonia e agregação entre os participantes de um mesmo curso. (KENSKI, 2004, p. 67) 

Essa nova linguagem proporcionada pelas redes digitais, segundo a autora, criou um elo entre as pessoas através do ciberespaço presente nas redes como o “espaço possível de integração e articulação de todas as pessoas conectadas com tudo que existe no espaço digital, o ciberespaço” (KENSKI, 2012, p.34)   

FIGURA 1: Internet

Fonte: pt. Linkedin.com 

Quintas Mendes e outros autores, contribuem sobre a relevância das redes digitais que segundo ele, o ambiente digital pode:  

Apresentar uma coloração socioemocional muito forte, em muitos aspectos não inferiores à comunicação face-a-face, sendo bastante favorável à criação de comunidades de aprendizagens com relações sociais fortes e desempenhos de tarefa comparáveis à comunicação presencial. (QUINTASMENDES et al, 2010, p. 258) 

1.1.1 Coronavírus e o Impacto na Educação 

No dia 3 de fevereiro de 2020, o mundo recebeu a notícia sobre a inauguração do hospital Huoshensha na cidade de Whuan, capital da província de Hubei na China. A cidade foi o epicentro de uma pneumonia de causa desconhecida, nomeada mais tarde como COVID-19. O Hospital foi construído em uma área de cerca de 25.000 m² e comportaria mil leitos e uma equipe médica composta por mil e quatrocentas pessoas.  

O coronavírus mudou radicalmente a vida das pessoas no mundo todo. Logo nos primeiros meses milhares de pessoas morreram contaminadas pelo vírus que se espalhou rapidamente, não tinha cura e nem vacina para combatê-lo. Os sintomas mais comuns eram: febre, tosse, cansaço, perda de paladar e olfato.  O Corona vírus se espalhou muito rápido pelo mundo e o isolamento social foi uma medida drástica mas necessária para minimizar o contágio que era acelerado. Tais medidas transformaram radicalmente a realidade das sociedades pelo mundo e afetaram diretamente o cotidiano de todos, professores, alunos, famílias, amigos etc. 

A doença Covid-19 é uma infecção respiratória provocada pelo Coronavírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave 2. O período de incubação é estimado entre dois e dez dias, porém há indicações de que a capacidade de infectar outros indivíduos existe durante este período e que ela é maior na primeira semana após apresentação de sintomas. Supomos um período médio de incubação de 5,1 dias, o isolamento durante esse período é necessário.

FIGURA 2: Coronavírus

Fonte: www.cgtrader.com 

Essa doença foi identificada em 2019 depois de vários diagnósticos de pneumonia de causas não identificadas na cidade de Wuhan, na China. Sua transmissão é por meio das gotículas expelidas quando alguém infectado fala, espirra, tosse etc. e é exalada por pessoas que estejam próximas ao infectado. Logo, as aglomerações em locais fechados ou em locais de grandes concentrações humanas como shopping, estádios, casas de show, supermercados, escolas entre outros, foram considerados locais propícios para a disseminação do vírus que rapidamente se espalhou, inicialmente no continente asiático, e os casos alastraram ao redor do mundo. 

O primeiro caso confirmado de pessoas com o novo coronavírus no Brasil ocorreu em 26 de fevereiro de 2020, o paciente era um homem que esteve na Itália e se recuperou da doença. Desde então foram registrados mais de 35 milhões de casos no país.  

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que trabalharam no sequenciamento do genoma do novo coronavírus (Covid-19) descobriram que as cepas que circulam no Brasil se assemelha às encontradas na Europa, na América do Norte e na Oceania. A descoberta indica que o patógeno que causa a Covid-19 entrou no país por diversos pontos. Foram decodificados 18 genomas completos em amostras de pacientes de cinco Estados – Rio de Janeiro, Alagoas, Bahia, Espírito Santos e Santa Catarina.  

A pesquisadora Paola Cristina Resende, do Laboratório de Vírus, Respiratório e do Sarampo, responsável pelo desenvolvimento do protocolo, disse que as diferenças encontradas no vírus ao redor do mundo ainda são pequenas, segundo ela: 

“Como esse vírus circula há pouco tempo em humanos, ele acumulou um número pequeno de mutações e os genomas são muito parecidos em todo o mundo. Entre cerca de 30 mil bases que compõem o RNA (material genético) do novo coronavírus, observamos que poucas bases diferenciam uma cepa da outra. Isso ainda é muito pouco e não permite apontar alterações do fenótipo do vírus. No entanto, possibilita reconhecer e definir grupos genéticos virais que estão circulando ao redor do mundo” (FIOCRUZ, 2022).  

Após análise inicial, o Ministério da Saúde solicitou a realização de uma contraprova, feita pelo Instituto Adolfo Lutz, que confirmou o diagnóstico de COVID19. Com isso, o Brasil foi o primeiro país da América Latina com casos de coronavírus. Diante do surto global da doença, que provocou um grande medo na população mundial, onde a imprensa através dos jornais televisivos, a internet, como meio de comunicação mais atualizado, passava todas as informações para o público diariamente, pesquisadores de diversas partes do mundo trabalharam para elaborar uma vacina contra a Covid-19. Os primeiros imunizantes foram aprovados ainda no final de 2020.  

Em 20 de janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o surto como Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional e, em 11 de março de 2020, como pandemia. Em 10 de julho de 2022, 554.900.671 casos foram confirmados em 192 países e territórios, com 6.350.392 mortes atribuídas à doença, tornando-se uma das pandemias mais mortais da história. 

A maioria das pessoas se infecta com o coronavírus comum ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem. O coronavírus mais comuns e que já circulam no nosso ambiente são o alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1. Eles geralmente causam sintomas leves a moderados nas vias respiratórias, semelhantes a uma gripe comum. 

O primeiro caso de COVID-19 no Estado do Amazonas foi notificado em 13 de março de 2020 e no dia 23 de março de 2020 o governador do estado decretou emergência 5 de saúde pública e determinou medidas importantes de distanciamento social. Os casos de Covid-19 aumentaram assustadoramente e somando a isso, o Amazonas também teve a pior taxa de mortalidade, com quarenta e cinco óbitos por cada milhão de habitantes, quase o dobro do registrado nos segundos colocados, Pernambuco e Rio de Janeiro, que tiveram vinte e quatro óbitos por milhão de habitantes. 

A taxa de mortalidade do vírus no Amazonas de 8,5%, também estava acima da média nacional de 6,4% no período. De março a dezembro de 2020 foram registrados 5.285 óbitos (cidade), a Vigilância em Saúde (FVS-AM) responsável por esse monitoramento divulgava diariamente o número de mortes por Covid 19. Desde o começo da pandemia até dezembro de 2022, mas 620 mil pessoas foram diagnosticadas com a doença e mais de 14 mil foram a óbito no Amazonas. Fora os casos não notificados, as famílias faziam tratamento em casa devido a superlotação nos hospitais e o medo do familiar morrer e não poder se despedir.

Voltando para 2021, entre os dias 14 e 15 de janeiro Manaus, a capital do Amazonas, viveu cenas de caos total nos hospitais por falta de oxigênio, muitas pessoas foram aos hospitais em busca de socorro e não puderam ser internadas, pois não havia leitos vagos devido à superlotação e a falta de oxigênio que agravou mais o estado de saúdes dos pacientes. Cenas desesperadoras eram presenciadas e noticiadas pelos jornais locais, nacionais e internacionais. O desespero das pessoas virou uma comoção nacional, cenas lamentáveis podiam ser presenciadas, familiares chorando desesperadas e implorando pela vida dos seus entes queridos, suplicavam por uma vaga nos hospitais e eles estavam com sua capacidade lotada, não podia receber novos pacientes em suas unidades hospitalares, hospitais de campanhas foram montados para receber pacientes e diminuir a demanda da superlotação, porém não foram suficientes para suprir o número de pacientes que estavam contaminados pelo vírus. Na figura abaixo mostra o número de casos de covid-19 no período de 2020 a 2022.

FIGURA 3: Casos confirmados de Covid-19 no Amazonas entre 2020 e 2022

Fonte: FGV (http://saude.am.gov.br/painel/corona/) 

1.2 UMA NOVA REALIDADE NO SISTEMA DE ENSINO 

A pandemia de covid-19 trouxe uma nova realidade ao sistema de ensino no mundo todo. No Brasil, as escolas fecharam as portas para evitar a contaminação, os professores trocaram as salas de aulas, os quadros brancos e seus pincéis pelos aplicativos e plataformas digitais, os alunos passaram a ter aulas em casa, utilizando os tabletes, celulares, a televisão e o notebook com as aulas programadas pelo horário da manhã e pelo horário da tarde. Neste sentido, a educação online converteu-se em um processo de transmissão de conhecimento que segundo Santos, Carvalho e Pimentel (2016), esse processo corrobora para a formação do aprendente (discente) na sua autonomia e criatividade com a mediação do professor:   

A educação online é concebida para promover a (co)autoria do aprendente, a mobilização da aprendizagem crítica e colaborativa, a mediação docente voltada para interatividade e partilha, traz a cibercultura como inspiração e potencializadora das práticas pedagógicas, visa a autonomia e a criatividade na aprendizagem (SANTOS; CARVALHO; PIMENTEL, 2016, p. 24) 

Os docentes tiveram que se adaptar a essa nova modalidade de ensino, montar novas estratégias, refazer suas aulas que foram montadas no início do ano durante a semana pedagógica, fazer novas atividades com os conteúdos programáticos de acordo com os ministrados pelo programa Aula em Casa, no qual os alunos acompanhavam as aulas diárias de acordo com a programação do dia.  

Essas atividades seriam novas atribuições para os professores em período de pandemia, seriam mudanças das quais os professores teriam que se adaptar e se desenvolver de acordo com a nova modalidade, o ensino remoto (aula em casa). Criou-se assim uma relação com os alunos pela internet, também trouxe a aproximação entre professores e os familiares dos alunos.  

Também foi possível perceber dentro desse novo contexto de ensino, que os alunos que tinham o acompanhamento dos pais para a realização das atividades, ou seja, os alunos que os pais eram mais presentes conseguiam entregar as atividades em dia, se organizavam de acordo com a programação das atividades programadas pelo professor, se mostravam muito pontuais e responsáveis. Já os alunos que não tiveram o acompanhamento dos pais ou responsáveis, foi possível constatar a falta de comprometimento com as atividades a serem realizadas, sempre atrasando na entrega ou simplesmente sem entregar as atividades, o reflexo dessa falta de comprometimento demonstraremos posteriormente através das análises.  

De acordo com a pesquisa do Instituto Crescer, no período, 46% dos educadores não sabiam avaliar se os alunos estavam realmente aprendendo com as aulas online, que foram idealizadas para que eles não perdessem tanto conteúdo durante o fechamento das escolas, que não tinham previsão para a volta às aulas. Além disso, 57% sentiam-se frustrados ao perceber que, por mais que se empenhassem, poucos estudantes aproveitaram os conteúdos por falta de infraestrutura. Essa é a realidade de muitos alunos das escolas públicas. Com a pandemia o número de pais que perderam o emprego, foi uma realidade comprovada estatisticamente no Brasil, e isso comprometeu muito o rendimento dos alunos. 

1.2.1 O Isolamento Social Durante a Pandemia 

Com o grande número de pessoas contaminadas pelos vírus, houve a necessidade do distanciamento social para diminuir a contaminação. As instituições de ensino públicas e privadas tiveram que fechar suas portas para as aulas presenciais por tempo indeterminado. O Conselho Nacional de Educação (CNE) publicou em 28 de abril de 2020 parecer favorável à possibilidade de cômputo de atividades pedagógicas não presenciais para fins de cumprimento da carga horária mínima anual e proposta de parecer sobre a reorganização do Calendário Escolar, em razão da Pandemia da COVID-19, homologado pelo Ministério da Educação (MEC), em despacho de 29 de maio de 2020. 

Acredita-se que o distanciamento social poderia contribuir para uma redução na taxa de transmissão, causando uma alteração e desaceleração dos números de contaminados, evitando o contato entre pessoas saudáveis e pessoas contaminadas. Com o isolamento social haveria um controle na dinâmica de contaminação que estava acontecendo de uma maneira muito rápida, causando um caos no sistema de saúde. Logo, foi possível perceber nos últimos dias do mês de abril e nos primeiros dias do mês de maio, que houve uma queda no número de contaminados e no número de óbitos na cidade de Manaus. 

Com o decreto que determinava o fechamento do comércio e o funcionamento de repartições públicas, algumas delas passaram a trabalhar no sistema de home office, e a redução da mobilidade da população em determinados locais, reduziria o número de contaminados. Houve também a obrigatoriedade do uso de máscaras em qualquer ambiente e isso se tornou um hábito saudável, pois as pessoas tinham a consciência que era uma forma de evitar o contágio. Dentro desse cenário pandêmico, muitos profissionais da saúde abraçaram a causa em combater a proliferação do covid-19 sacrificando a própria vida – muitos destes profissionais da saúde perderam a vida ao serem contaminados. Precisava-se urgentemente de nova estratégia para diminuir esse impacto, falta de profissionais da saúde, foi então que o governador do Amazonas convocou profissionais de outros estados para reforçar e ficar na linha de frente no combate ao vírus mortal.  

Com o isolamento, as pessoas tiveram que reinventar suas relações sociais evitando o contato físico, evitando as reuniões familiares e confraternização, passou-se a utilizar mais as redes sociais, como Whatsapp, chamadas de vídeos, Meet, email, Instagram e outros. Esse novo método de se comunicar e relacionar já existia, mas a pandemia fez crescer de uma maneira acelerada, esses meios de comunicação. As lives, os vídeos, as conferências on-line, mensagens, reuniões através do Meet, áudios, imagens e sons, fariam parte desse novo cenário pandêmico. 

O trabalho home-office se desenvolveu muito. 

1.3 TECNOLOGIA DIGITAIS E EDUCAÇÃO 

As tecnologias digitais nas escolas públicas brasileiras são realidades apenas para algumas delas. Muitas escolas contam com laboratórios de informática que funcionam e onde os alunos têm professores ministrando aulas dentro desses espaços. Porém, para muitas outras, esses recursos tecnológicos são escassos conforme descreve Menezes: 

[…] é preciso lembrar a disparidade de condições entre as escolas do país, pois enquanto algumas trocam por tablet ou notebook com que os alunos acessem a internet, outras carecem de meios elementares, como espaços físicos, mas fazem um trabalho digno nas condições que atuam. (MENEZES, 2012, p.90) 

Isso acontece por questões de políticas públicas, principalmente na aquisição de equipamentos tecnológicos midiáticos e na formação continuada dos professores. Essa temática vem sendo palco de vários debates de investimento e desenvolvimento das práticas docentes e, precisa ser revisto pois os recursos e a formação continuada de professores nas tecnologias digitais contribuirão para uma aprendizagem significativa como coloca os pesquisadores: 

A implantação efetiva da informática educativa só poderá ocorrer a partir de mudança da concepção do uso das ferramentas com fins efetivamente pedagógicos. Disponibilizar computadores na escola é, sem dúvida, um ponto relevante para a inclusão digital. Entretanto, há que se investir na formação dos profissionais que farão uso pedagógico deles, pois somente com professores aptos para o trabalho com recursos digitais, abre-se a possibilidade de criação de ambientes mais significativos de aprendizagem o que contribuirá para a melhoria da educação brasileira (BARRETO e MAIA, 2012) 

[…] uma atenção maior em nível de políticas públicas nacionais pode oferecer um suporte mais consistente sobre o uso das mídias no cotidiano escolar, que seja de modo transdisciplinar, integrador e transversal, E não apenas como um recurso isolado de tecnologia educacional e informática com fins voltados apenas ao mercado de trabalho. É preciso superar também os enfoques fragmentários, de orientações funcionalistas e tecnicistas. Uma pedagogia dos meios solicita que as mídias estejam voltadas aos modos de integração, relação e problematização de conteúdos e realidades (OROFINO, 2005, p.34) 

Por isso, a inclusão digital, na sociedade atual, se faz necessária para o desenvolvimento dos docentes e discentes independentes da questão social que a comunidade escolar esteja inserida. De acordo com Warschauer (2006) e Cazeloto (2019), a inclusão digital somente terá sentido se promover a inclusão social. Durante o período de pandemia um dos grandes obstáculos encontrados para a realização das aulas online, estava na formação do professor e na falta de conhecimento nas tecnologias, outro grande obstáculo percebido na pesquisa, foi o grande número de alunos sem acesso internet, esse foi um grande desafio para as escolas, que precisaram montar estratégias diferenciadas para os alunos acompanharem as aulas e realizar suas atividades e entregar para os professores, nas datas solicitadas seguindo o calendário de atividades propostas.  

No CETI Dra. Zilda Arns Neumann foi possível perceber a grande desigualdade social entre os alunos, quando se trata do uso das tecnologias como ferramentas auxiliares para o desenvolvimento da aprendizagem, a maioria dos alunos da escola onde a pesquisa foi realizada vêm de comunidades carentes, e a realidade dos alunos envolve muito a questão familiar e o meio em que eles estão inseridos. E as escolas públicas, mesmo tendo sala de informática, não dispõem de professores capacitados e qualificados para trabalhar ou ensinar os alunos a se desenvolveram na área tecnológica digital. Diferente das escolas privadas onde a tecnologia é uma realidade, eles aprendem por meio de recursos tecnológicos, como vídeo aulas, slides, aulas ao vivo ou gravados e lousas interativas. 

Muitos alunos da escola, na qual foi realizada a pesquisa, não têm celulares para uso pessoal, geralmente emprestam dos pais, dos irmãos ou de algum parente para poder ter acesso e acompanhar as aulas. Muitos relatos nesse sentido foram feitos durante o período de aulas online, por pais de alunos. Alguns deles vinham buscar as atividades impressa na escola, porque não tinham as ferramentas necessárias para a realização das atividades, a coordenação pedagógica da escola fazia a impressão das atividades da semana e os pais/responsáveis vinham buscar na escola e na semana seguinte devolvia as atividades respondidas e levava outras e assim aconteceu, durante o período de fechamento da escola.  

Além disso, o governo do Amazonas e a prefeitura de Manaus através das secretarias municipais e estaduais tiveram que adaptar, conforme as possibilidades de cada município, estruturas que pudessem levar os conteúdos elaborados pelos professores a cada estudante. Nas cidades sedes, os responsáveis dos alunos pegavam o material impresso nas escolas enquanto nas comunidades ribeirinhas um grupo de professores e/ou apoio pedagógico levavam o material didático por via aquática. Era fundamental que nenhum aluno fosse deixado de lado, porém, mesmo com todos os esforços tomados, alguns não tiveram esse privilégio.   

1.3.1 Ensino Remoto: Realidade 

O período estabelecido de quarentena no início da pandemia foi essencial para que o número de contagiados pelo covid-19 fosse minimizado, uma vez que não se sabia a cura e os casos eram graves levando a óbito várias pessoas. As medidas de precaução recomendadas pelos órgãos de saúde deveriam ser levadas a sério em todas as esferas, pois o vírus se alastrou a nível mundial atingindo a toda classe social e idade, claro que os mais vulneráveis foram os mais atingidos. Porém, todos os setores tiveram impacto, seja ele econômico, pessoal, profissional e educacional. Este último segundo a UNESCO apresentou um número preocupante conforme apud da UNICEF quanto ao aumento no índice de estudantes de escola públicas sem acesso à internet:        

No que tange à educação, o desencadeamento da pandemia desnudou exclusões existentes e/ou ocultas que se consolidaram e ampliaram com as medidas sanitárias de prevenção à Covid-19. Por sua vez, a Organização das Nações Unidas para Educação e Cultura (UNESCO,2020) mensurou, em mais de 192 países, que cerca de 1,6 bilhão de crianças e jovens, correspondentes a 91,4% dos estudantes, se encontravam fora dos ambientes educacionais, em virtude dos fechamentos parciais ou total das universidades e escolas, em todas modalidades e níveis de ensino, tanto públicas quanto privadas. […]. Por outro lado, pelos preliminares coletados ao longo de dois semestres no ano de 2020, aferiu-se nos indicadores que as desigualdades educacionais entre famílias pobres e ricas se ampliaram em todas as regiões da federação brasileira, considerando a quantidade de crianças e adolescentes não matriculadas devidamente na escola. Por consequência, houve um aumento no percentual de 4% para 18% de estudantes de escolas públicas regulares sem disponibilidade de redes de internet para darem continuidade aos seus estudos a distância (UNICEF, 2020).  

O ensino remoto na pandemia, apesar das grandes dificuldades enfrentadas, e o isolamento social foram medidas preventivas para conter o contágio e a proliferação do COVID-19. E essa era a nova realidade a qual os estudantes tiveram que se adaptar. Com isso, as ferramentas tecnológicas, antes utilizadas apenas como um recurso para tornar as aulas diversificadas, passa a ser um recurso necessário para dar continuidade ao ano letivo através do ensino remoto emergencial conforme apontam os autores:  

O ensino remoto emergencial exige uma nova postura por parte dos professores e discentes, sendo que ambos devem ocupar um espaço ativo no processo de ensino aprendizagem. Assim, as ferramentas tecnológicas que eram utilizadas como recursos de apoio ao processo de aprendizagem, tornaram-se o artefato principal para a continuidade do período letivo em instituições de diferentes níveis de ensino (RONDINI; PEDRO; DUARTE, 2020, s/p) 

Porém, como apontado anteriormente, nem todos os estudantes tiveram acesso às aulas remotas e terão consequências no processo de aprendizagem e essas perdas ainda serão contabilizadas, sabe-se que houve um grande impacto no desenvolvimento cognitivo dos alunos, mas a sua proporção ainda não se pode quantificar corretamente. Vários estudos estão sendo realizados para reorganizar as práticas pedagógicas a fim de minimizar esse impacto negativo na aprendizagem.          Ainda dentro dessa nova realidade onde a comunidade educacional está inserida, muitas medidas foram adotadas para que não houvesse perda do ano letivo, o Conselho Nacional de Educação (CNE) autorizou a oferta de atividades não presenciais (Ensino remoto), desde a educação básica com aulas online, para cumprir a carga horária/ano necessária conforme parecer aprovado em abril de 2020: 

O desenvolvimento do efetivo trabalho escolar por meio de atividades não presenciais é uma das alternativas para reduzir a reposição de carga horária presencial ao final da situação de emergência e permitir que os estudantes mantenham uma rotina básica de atividades escolares mesmo afastados do ambiente físico da escola. (CNE: Parecer CNE/CP Nº: 5/2020) 

No parecer também apresenta algumas possibilidades relacionada ao cumprimento da carga mínima anual para que não houvesse queda no padrão de qualidade da aprendizagem previsto na LDB e na CF como: reposição de aulas na forma presencial no fim do período emergencial; realização de atividades mediadas ou não por tecnologias digitais em aulas não presenciais e a ampliação da carga horária diária também mediada por tecnologias digitais. Porém, deveria ser levado em consideração alguns percalços que estas possibilidades acarretariam, como espaço nas estruturas físicas e material das escolas e questões trabalhistas, pois haveria uma sobrecarga dos professores. Essas medidas abrangeria todos os níveis de ensino.  O Conselho Nacional de Educação recomendou que quando fosse possível retornar às atividades presenciais, que as escolas realizem testes para validar o aprendizado do aluno no período de isolamento e através dessas avaliações seria possível mediar o nível de aprendizado e desenvolvimento cognitivo dos alunos.  

O ensino remoto emergencial apresenta um formato de ensino não presencial, que ocorreu como alternativa ao modelo tradicional presencial, para que os alunos tivessem, durante a pandemia, aulas online. Na prática, o professor ministrava as aulas por meio de gravação de vídeo aulas que poderiam ser vistas, no celular, no notebook ou pela televisão ao vivo ou gravadas (Aula em Casa) e enviava os conteúdos e atividades pedagógicas através dos aplicativos e plataformas digitais disponíveis. Porém, devido à desigualdade social aumentada por causa do desemprego na pandemia, muitos alunos tiveram dificuldades de acompanhar as aulas online e tiveram sua rotina de estudo prejudicada, além disso, alguns professores tiveram dificuldade de se adaptar a este novo método de ensino, entre outros percalços enfrentados tanto pelo discente quanto pelo docente.  Alguns desses fatores deixaram marcas positivas e negativa no ensino remoto que são apontados por Edméa Santos:  

Parece plausível afirmar que o ensino remoto tem aos poucos deixado algumas marcas. Para o bem e para o mal. Para o bem porque, em muitos casos, permite encontros afetuosos e boas dinâmicas curriculares emergem em alguns espaços, rotinas de estudo e encontros com a turma são garantidos no contexto da pandemia. Para o mal porque repetem modelos massivos e subutilizam os potenciais da cibercultura na educação, causando tédio, desânimo e muita exaustão física e mental de professores e alunos. Adoecimentos físicos e mentais já são relatados em rede. Além de causar traumas e reatividade a qualquer educação mediada por tecnologias. Para o nosso campo de estudos e atuação, a reatividade que essa dinâmica vem causando compromete sobremaneira a inovação responsável no campo da educação na cibercultura (SANTOS, 2020, p.68). 

Quão grande foi a relevância das TIC durante a pandemia, pois foi possível perceber durante as aulas remotas que os alunos estavam desmotivados, depressivos com a perda de familiares e amigos e isso lhe causava uma tristeza profunda, desânimo, angústia e ansiedade. Essas questões estavam diretamente ligadas ao contexto da pandemia de um modo geral. Durante esta pesquisa, foi possível acompanhar os relatos dos alunos sobre suas relações sociais, seu cotidiano totalmente modificado e adaptado, serão apresentados no decorrer da pesquisa. 

1.3.2 Ferramentas Utilizadas Durante o Período da Pandemia 

A palavra mídia deriva da palavra meio, do latim médius, significando aquilo que está no meio ou entre dois pontos. A partir dessa definição, pode-se inferir que uma mídia educacional é um meio através do qual se transmite ou constrói conhecimentos/aprendizagem em tempo de aula remota.  

Na sociedade atual, a linguagem digital se faz presente e está inserida no nosso cotidiano. Essa linguagem está ligada com a tecnologia de informação e comunicação (TIC), que vem crescendo e se destacando em todos os setores da sociedade. No período de isolamento da pandemia, as tecnologias forneceram informações, interação, transmissão de conteúdo de desenvolvimento e aprendizagem, onde se foi possível aprender.  

Quanto à acessibilidade, às mídias, as tecnologias permitiram durante a pandemia o manuseio e a criatividade na utilização desses recursos em todos os níveis de ensino, foram possíveis utilizá-los em todas as disciplinas. Segundo Neto, as tecnologias juntamente com o pensar científico estão intrinsecamente ligados e indissolúvel, já não se pode mais pensar em sala de aula sem o uso desses recursos tecnológicos como um modelo emergente de autonomia e aprendizagem:  

As tecnologias e o pensar científico nunca estiveram tão imbricados nesta nova perspectiva – e necessidade – de ensinar em tempos de reclusão. Talvez seja um dos aspectos positivos a ser herdado pós-pandemia: a reconexão e reafirmação do pensar em sala de aula sob a ótica da ciência e da informação, juntas e indissociáveis. Um modelo emergente de autonomia à aprendizagem (NETO, 2020, p.29) 

Durante o período em que as escolas permaneceram fechadas, professores e alunos encontraram nas plataformas recursos para a continuação do ensino. Essas plataformas passaram a ser utilizadas diariamente como recursos para as aulas remotas e teve a importância de assegurar que o ensino chegaria a todos durante as aulas online. Muitos alunos já conheciam e utilizavam algumas plataformas, com objetivos variados e durante a pandemia percebe-se que os objetivos do uso das plataformas foram ampliados para a assimilação e o desenvolvimento da aprendizagem.  

O uso das mídias não foi um obstáculo impossível de se ultrapassar tanto para professores como para os alunos, pois como citado anteriormente, a tecnologia está inserida em todos os seguimentos da sociedade, ela é uma ferramenta que auxilia o professor durante as aulas expositivas na utilização de data show, notebook, lousas interativas etc. É uma realidade dentro do processo educativo atual, o professor mediador precisa da tecnologia como aliada para o desenvolvimento do ensino aprendizagem de qualidade. Segundo Sibilia (2008), em menos de uma década, os computadores interconectados por meios das redes digitais de abrangência global se converteram em inesperados meios de comunicação. Moran também já falava da importância da mídia no processo de formação e interação da criança e quanto ela influencia no processo de construção e desconstrução do conhecimento, segundo ele:  

A criança também é educada pela mídia, principalmente pela televisão. Aprende a informar-se, a conhecer – os outros, o mundo, a si mesma –, a sentir, a fantasiar, a relaxar, vendo, ouvindo, ‘tocando’ as pessoas na tela, pessoas estas que lhe mostram como viver, ser feliz e infeliz, amar e odiar. A relação com a mídia eletrônica é prazerosa – ninguém obriga que ela ocorra; é uma relação feita através da sedução, da emoção, da exploração sensorial, da narrativa – aprendemos vendo as histórias dos outros e as histórias que os outros nos contam. Mesmo durante o período escolar, a mídia mostra o mundo de outra forma – mais fácil, agradável, compacta – sem precisar fazer esforço. Ela fala do cotidiano, dos sentimentos, das novidades. A mídia continua educando como contraponto à educação convencional, educa enquanto estamos entretidos. (MORAN, 2001, p.33) 

A seguir será apresentada uma breve descrição das ferramentas digitais utilizadas durante o período da pandemia no contexto aula remota.

TABELA 1: Funcionalidade dos Aplicativos.

Aplicativo Funcionalidade do Aplicativo 
Sistema Moodle O programa permite a criação de cursos “on-line”, páginas de disciplinas, grupos de trabalho e comunidades de aprendizagem, estando disponível em 75 línguas diferentes. A plataforma é gratuita e riquíssima, aceitando vídeos, arquivos diversos. 
Google Classroom O Google Sala de aula (Google Classroom) é um serviço grátis para professores e alunos. A turma, depois de conectada, passa a organizar as tarefas online. O programa permite a criação de cursos “on-line”, páginas de disciplinas, grupos de trabalho e comunidades de aprendizagem. 
YouTube Plataforma de compartilhamento de vídeos e de transmissão de conteúdo (ao vivo – “Lives” ou gravados). O docente pode criar o “seu canal” e ser acompanhado pelos discentes, já acostumados com a plataforma. 
Facebook Mais destinado ao Ensino Médio e à Educação Superior, o docente pode criar um “Grupo Fechado”, onde ele realiza perguntas iniciais de identificação dos usuários. Nessa plataforma, o docente pode incluir conteúdos e realizar “lives” (aulas on-line), que já ficam automaticamente gravadas. 
Google Drive Além de economizar o espaço do equipamento tecnológico, o Google Drive permite o compartilhamento de arquivos pela internet para os alunos. Por exemplo, após carregar o arquivo para a “nuvem” da internet, o docente pode criar um link compartilhável. Até 15 Gb de memória o Google Drive é gratuito. Excelente ferramenta de criação de arquivos de recuperação. 
Google Meet Aplicativo para fazer videoconferências on-line, com diversos participantes, até 100 na versão gratuita, tendo o tempo máximo de 60 minutos por reunião, nessa versão. Existe uma versão paga, quando o tempo é livre e a quantidade de participantes aumenta para 250. 
Jitsi Meet Aplicativo para fazer videoconferências on-line, gratuito, com até 20 participantes e não tem limitação de tempo. Possui as mesmas funcionalidades do Google Meet. 
WhatsApp O WhatsApp deixou de ser uma ferramenta de comunicação familiar de compartilhamento social e aplicativo de mensagem instantânea para ser uma das ferramentas mais usadas por alunos e professores durante a pandemia. Os professores enviavam as atividades pelo Whatsapp e os alunos 
Reenviavam com questões respondidas, foi uma ferramenta muito usada pelo setor pedagógico para se comunicar com pais de alunos. 
Google forms O Google Forms possibilita através de suas funcionalidades a criação de um formulário que pode atuar como uma prova teste para alunos. Ainda, ele traz funções como: entrega única de formulários, tempo de disponibilidade do formulário, correção automática das atividades, etc. Todas estas características que estão presentes no Google Forms o tornam ideal para aplicação de trabalhos, provas, formulários e questionários para os alunos. 
Telegram Messenger O Telegram Messenger é um programa de mensagens instantâneas gratuito criado em 2013 em linguagem C++. Todo conteúdo do Telegram fica armazenado na nuvem, sendo assim mais eficiente e rápido na hora de enviar mensagens e até conteúdos mais “pesados”, como formato PDF, por exemplo. E, ainda possui as funcionalidades de áudio, imagem, vídeo, emojis e stickers. 
Teams O Microsoft Teams. A ferramenta permite a criação de equipes e a entrada em grupos já formados, possibilitando a colaboração e a troca de experiências entre uma turma de mesmo interesse. Ajudando professores e alunos a cultivarem a Educação para além da sala de aula. O melhor de tudo é que o Microsoft Teams pode ser usado gratuitamente já que faz parte do Office 365 Education. 
Explicaé É uma empresa startup e faz parcerias com instituições públicas e privadas e oferece conteúdos digitais educativos e gratuitos para os alunos da rede estadual. Plataforma Online e disponibiliza videoaulas e apostilas, organizado por disciplina. 
Saber Mais A Plataforma oferece conteúdos e recursos digitais, faz parcerias com instituições públicas e privadas e tem por objetivo aprimorar a aprendizagem. Conta com diversos recursos voltados a aprendizagem como jogos, apresentações multimídias, e-books, animações vídeos, simuladores, entre outros. Seu acesso pode ser online ou em off-line. 

 Fonte: Pesquisa da Autora 

Dentro dessa nova realidade, é preciso que os professores estejam capacitados ou tenham noção básica do uso das tecnologias para poderem ministrar suas aulas usando as tecnologias disponíveis a ele. A orientação para os professores em relação a essa nova etapa do ensino precisava ser bem elaborada para que não houvesse perda de conteúdo neste momento tão sensível em que a educação vinha atravessando. O professor deveria aprender as novas tecnologias para manusear as ferramentas auxiliares dentro dessa nova dinâmica educativa. Porém, ainda existem muitos educadores que encontram barreiras nas questões tecnológicas, muitos não fazem questão de utilizar a tecnologia dentro das salas de aulas, impactando o seu próprio aprendizado e desenvolvimento.  

Portanto, o mundo em tempo de pandemia precisou muito mais do professor conectado, multidisciplinar, flexível com o aprendizado dos alunos e principalmente criativo na elaboração do conhecimento para as aulas online se tornarem mais dinâmicas e atrativas. 

1.4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (EaD) 

A Educação a Distância, conhecida pela sigla EaD, é uma modalidade de ensino na qual os estudantes e os professores não estão presentes fisicamente no mesmo espaço físico e ao mesmo tempo e, fazem uso das tecnologias para a comunicação e troca de informação. Segundo os pesquisadores, Bezerra, Brito e Oliveira o EaD vem evoluindo em todo o mundo e devido às novas Tecnologias da Informação e das Comunicações as instituições veem a educação através da EaD como uma forma de democratizar o conhecimento: 

O ensino da educação a distância está numa ordem crescente em todo o mundo. Com o apoio e incentivo devido às diversidades de opções decorrentes das novas Tecnologias da Informação e das Comunicações, e por sua inserção em todos os processos produtivos, cada vez mais cidadãos e instituições veem, nessa forma de educação, uma forma de democratizar o acesso ao conhecimento e de expandir oportunidades de trabalho, como também, oportunidade de aprendizagem ao longo da vida (BEZERRA, BRITO, OLIVEIRA, 2015) 

Segundo estudos, o EaD capacitava pessoas que buscavam cursos profissionalizantes e ainda não estavam associadas às tecnologias digitais como atualmente. O primeiro relato de um curso feito sem aulas presenciais, e no tempo do aluno, foi no ano de 1728, descrito no jornal norte-americano Gazeta de Boston, isso há aproximadamente três séculos atrás. Fato ocorrido no século XVIII, onde um professor de taquigrafia anunciou em um jornal, em Boston, que se propunha a ensinar a matéria por correspondência. Segundo os autores, Pitman iniciou o primeiro curso regular de taquigrafia por correspondência nesse período. (ALVES; ZAMBALDE; FIGUEIREDO, 2004) 

A Educação a Distância no Brasil já era uma realidade presente, segundo dados, já existiam cursos ofertados para capacitação de profissionais em algumas áreas do conhecimento, onde os materiais didáticos eram enviados fisicamente pelos correios ou trens.  

Quando falamos em Ensino a Distância no Brasil, um dos primeiros relatos foi em 1904, com o curso de datilografia feito por cartas. Haja vista que os cursos profissionalizantes eram os mais procurados na época, uma vez que, as empresas procuravam funcionários que tinham alguma qualificação. Todavia, acreditava-se que era necessário o empenho do aprendiz e principalmente dos coordenadores e instrutores, conforme pontua Freitas: 

O sucesso de um programa educacional, quer presencial quer a distância, está relacionado ao empenho dos participantes e sobretudo- do à condução dos coordenadores, instrutores e às condições de acompanhamento oferecidas aos estudantes (FREITAS, 1995, p.46) 

Com o desenvolvimento econômico e tecnológico no Brasil, houve uma exigência das indústrias que os trabalhadores tivessem um nível de ensino voltado para atender os avanços tecnológicos das indústrias. Mas, as dificuldades eram muitas, pois os jovens cursavam até a quarta série primária e aprendiam o básico como ler e a escrever o próprio nome e já eram considerados alfabetizados, infelizmente, essa era a realidade de muitos jovens no Brasil.  

No decorrer dos anos, o Brasil tornou-se cada vez mais industrializado, com isso, o modo de transmissão de conhecimento também mudou para atender essas exigências. O governo teve que investir na construção de escolas e na qualificação de professores (na época faziam o magistério), eram poucos os que conseguiam cursar o nível superior. Em 1920, as emissoras de rádio já estavam passando conhecimento técnico por meio das ondas de rádio. A fundação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, em 1923, teve um grande papel no Ensino a Distância. Apesar de ter sido considerado muito revolucionário para a época, a rádio acreditava na educação da população brasileira mais humilde através de um sistema de ensino pouco comum, que prezava ensinar o que acontecia no Brasil e no mundo. Em 1937, o governo iniciou uma proposta de disseminação de conhecimento, o que gerou diversas iniciativas do ensino a distância. O rádio, nesse sentido, pode ser considerado um dos grandes precursores do EAD no Brasil. 

Entre as décadas de 60 e 70, foi gerado o Código Brasileiro de Telecomunicações, que obrigou as emissoras privadas de televisão a terem uma parte de sua programação voltada para programas educativos. No mesmo período, o Governo também incentivou a criação de canais televisivos educativos como a TV Cultura e a TV Escola. A partir daí foram avaliados modelos, e em 1996, foi criada a Secretaria de Educação a Distância – SEED, do Ministério da Educação, sendo definida ainda a legislação específica para funcionamento do EAD no país. Além disso, a Fundação Roberto Marinho investiu no “Telecurso 2000”, que tinha como objetivo aperfeiçoar os conhecimentos sobre matemática, linguagem, história, entre outros. Os cursos tinham como público-alvo adultos que não tiveram a oportunidade de estudar e que buscavam o letramento e a inclusão no mercado de trabalho.          O ensino a distância evoluiu da mesma maneira que o mundo mudou, porém, o objetivo ainda é o mesmo: a disseminação do conhecimento para todos. 

Em 2017 a Câmara dos Deputados elabora o decreto n° 9.057, de 25 de maio de 2017 (revogando o decreto nº 5.622 de 2005), em seu Art. 1º, considera a educação à distância como: 

[…], considera-se educação a distância a modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorra com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com pessoal qualificado, com políticas de acesso, com acompanhamento e avaliação compatíveis, entre outros, e desenvolva atividades educativas por estudantes e profissionais da educação que estejam em lugares e tempos diversos (CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2017) 

No Amazonas, o Ensino a Distância já acontecia principalmente nas universidades e em algumas cidades do interior do estado. Porém, devido ao isolamento social, passou a ser a realidade para todos os níveis de educação das escolas públicas e privadas, desde o Ensino Infantil, passando para o Ensino Fundamental e Ensino Médio até chegar ao Ensino Superior. Como medida, o Sistema Educacional posicionou-se e o MEC por meio da portaria nº 343, de 17 de março de 2020, autorizou a substituição das aulas presenciais pelas aulas através dos meios digitais enquanto durasse a pandemia do novo coronavírus (MEC, 2020).  

A partir desta pequena retórica da evolução da Educação a Distância, pode-se perceber que o homem tem a capacidade de criar soluções para sanar algo inesperado e refletir sobre a evolução da tecnologia em favor da humanidade, principalmente nos períodos que se teve a necessidade de tomar ações imediatistas.

FIGURA 4: Evolução Tecnológica

Fonte: www.timetoast.com 

1.4.1 Marco Histórico da Evolução da EaD no Brasil 

Nesse capítulo, abordar-se-á as datas e os principais eventos relacionados à evolução da tecnologia no certame ensino/aprendizagem a partir do Ensino a Distância. Iniciando pelo primeiro evento ocorrido em 1904, onde é publicado pelo Jornal do Brasil uma propaganda de um curso de datilografia por correspondência e posteriormente, em 1923, ocorre a fundação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, com oferta de cursos ministrados por rádio. O marco maior da EaD no Brasil aconteceu em 1972 com o projeto PRONTEL – Programa Nacional de Tele-educação – de iniciativa do Ministério da Educação e Cultura.  

A seguir serão apontadas as ocorrências mais relevantes na história da EAD descritas e resumidas por PIMENTEL (1995); ALMEIDA (2001), FORMIGA (2009) ALVES (2011):  

  • 1904 -O Jornal do Brasil registra, na primeira edição da seção de classificados, anúncio que oferece profissionalização por correspondência para datilógrafo.  
  • 1923 -Um grupo liderado por Henrique Morize e Edgard Roquette-Pinto criou a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro que oferecia curso de Associação Brasileira de Educação a Distância 88 RBAAD – Educação a distância: conceitos e história no Brasil e no mundo Português, Francês, Silvicultura, Literatura Francesa, Esperanto, Radiotelegrafia e Telefonia. Tinha início assim a Educação a Distância pelo rádio brasileiro.  
  • 1934 -Edgard Roquette-Pinto instalou a Rádio–Escola Municipal no Rio, projeto para a então Secretaria Municipal de Educação do Distrito Federal. Os estudantes tinham acesso prévio a folhetos e esquemas de aulas, e era utilizada correspondência para contato com estudantes.  
  • 1936 – Doação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro ao Ministério da Educação e Saúde. A nova lei de comunicações exigiu que todas as estações aumentassem a potência de seus transmissores e Roquete Pinto, que dirigia a descapitalizada Rádio Sociedade, descartando a possibilidade de buscar capital na praça e tornar-se um empresário do ramo das comunicações, preferiu doar a emissora; 
  • 1937 – Criação do Serviço de Radiodifusão Educativa do Ministério da Educação;  
  • 1939 -Surgimento, em São Paulo, do Instituto Monitor, o primeiro instituto brasileiro a oferecer sistematicamente cursos profissionalizantes a distância por correspondência, na época ainda com o nome Instituto Rádio Técnico Monitor.  
  • 1941 -Surge o Instituto Universal Brasileiro, segundo instituto brasileiro a oferecer cursos profissionalizantes sistematicamente. Fundado por um ex-sócio do Instituto Monitor, já formou mais de 4 milhões de pessoas; juntaram-se ao Instituto Monitor e ao Instituto Universal Brasileiro outras organizações similares, que foram responsáveis pelo atendimento de milhões de alunos em cursos abertos de iniciação profissionalizante a distância. Algumas dessas instituições atuam até hoje. Ainda no ano de 1941, surge a primeira Universidade do Ar, que durou até 1944.  
  • 1947 -Surge a nova Universidade do Ar, patrocinada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), Serviço Social do Comércio (SESC) e emissoras associadas. O objetivo desta era oferecer cursos comerciais radiofônicos. Os alunos estudavam nas apostilas e corrigiam exercícios com o auxílio dos monitores. A experiência durou até 1961, entretanto, a experiência do SENAC com a Educação a Distância continua até hoje.  
  • 1959 -A Diocese de Natal, Rio Grande do Norte, cria algumas escolas radiofônicas, dando origem ao Movimento de Educação de Base (MEB), marco na Educação a Distância não formal no Brasil. O MEB, envolvendo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e o Governo Federal utilizou-se inicialmente de um sistema rádio educativo para a democratização do acesso à educação, promovendo o letramento de jovens e adultos. 
  • 1960 – Início da ação sistematizada do Governo Federal em EAD; contrato entre o MEC e a CNBB: expansão do sistema de escolas radiofônicas aos estados nordestinos, que faz surgir o MEB – Movimento de Educação de Base, sistema de ensino a distância não formal;  
  • 1962- É fundada, em São Paulo, a Ocidental School, de origem americana, focada no campo da eletrônica.  
  • 1966 a 1974 – Instalação de oito emissoras de televisão educativa: TV Universitária de Pernambuco, TV Educativa do Rio de Janeiro, TV Cultura de São Paulo, TV Educativa do Amazonas, TV Educativa do Maranhão, TV Universitária do Rio Grande do Norte, TV Educativa do Espírito Santo e TV Educativa do Rio Grande do Sul;  
  • 1967 -O Instituto Brasileiro de Administração Municipal inicia suas atividades na área de educação pública, utilizando-se de metodologia de ensino por correspondência. Ainda este ano foi constituída a FEPLAM (Fundação Educacional Padre Landell de Moura), instituição privada sem fins lucrativos, que promove a educação de adultos através de tele-educação por multimeios; também em 1967 foi criada a Fundação Padre Anchieta, mantida pelo Estado de São Paulo, com o objetivo de promover atividades educativas e culturais através do rádio e da televisão (iniciou suas transmissões em 1969); 
  • 1969 – TVE Maranhão/CEMA – Centro Educativo do Maranhão: programas educativos para a 5ª série, inicialmente em circuito fechado e a partir de 1970 em circuito aberto, também para a 6ª série;  
  • 1970 – Portaria 408 – emissoras comerciais de rádio e televisão: obrigatoriedade da transmissão gratuita de cinco programas semanais de 30 minutos diários, de segunda a sexta-feira, ou com 75 minutos aos sábados e domingos. É iniciada, em cadeia nacional, a série de cursos do Projeto Minerva, irradiando os cursos de Capacitação Ginasial e Madureza Ginasial, produzidos pela Feplam e pela Fundação Padre Anchieta. O projeto foi mantido até o início da década de 1980.  
  • 1971 – Nasce a ABT – inicialmente como Associação Brasileira de Tele-Educação, que já organizava, desde 1969, os Seminários Brasileiros de Tele-ducação, atualmente denominados Seminários Brasileiros de Tecnologia Educacional. Foi pioneira em cursos à distância, capacitando os professores através de correspondência;  
  • 1972 – Criação do Prontel – Programa Nacional de Tele-educação – que fortaleceu o Sinred – Sistema Nacional de Radiodifusão Educativa; 
  • 1973 – Projeto Minerva passa a produzir o Curso Supletivo de 1º Grau, II fase, envolvendo o MEC, Prontel, Cenafor e Secretarias de Educação;  
  • 1973-1974 – Projeto SACI conclusão dos estudos para o Curso Supletivo “João da Silva”, sob o formato de telenovela, para o ensino das quatro primeiras séries do lº grau; o curso introduziu uma inovação pioneira no mundo, um projeto piloto de teledidática da TVE, que conquistou o prêmio especial do Júri Internacional do Prêmio Japão;  
  • 1974 – Surge o Instituto Padre Reus e na TVE Ceará começa a gerar teleaulas; o CETEB – Centro de Ensino Técnico de Brasília – inicia o planejamento de cursos em convênio com a Petrobrás para capacitação dos empregados desta empresa e do projeto Logus II, em convênio com o MEC, para habilitar professores leigos sem afastá-los do exercício docente;  
  • 1976- É criado o Sistema Nacional de Teleducação, com cursos com material instrucional.  
  • 1978 – Lançado o Telecurso de 2º Grau, pela Fundação Padre Anchieta (TV Cultura/SP) e Fundação Roberto Marinho, com programas televisivos apoiados por fascículos impressos, para preparar o tele aluno para os exames supletivos 
  • 1979 Universidade de Brasília, pioneira no uso da Educação a Distância, no ensino superior no Brasil, cria cursos veiculados por jornais e revistas, que em 1989 é transformado no Centro de Educação Aberta, Continuada, a Distância (CEAD) e lançado o Brasil EaD. Ainda nesta data houve a criação da FCBTVE – Fundação Centro Brasileiro de Televisão Educativa/MEC; dando continuidade ao Curso “João da Silva”, surge o Projeto Conquista, também como telenovela, para as últimas séries do primeiro grau; começa a utilização dos programas de alfabetização por TV – (MOBRAL), em recepção organizada, controlada ou livre, abrangendo todas as capitais dos estados do Brasil; 
  • 1979 a 1983 – É implantado, em caráter experimental, o Posgrad – Pós Graduação Tutorial a Distância – pela Capes – Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Ensino Superior – do MEC, administrado pela ABT  Associação Brasileira de Tecnologia Educacional – com o objetivo de capacitar docentes universitários do interior do país; 
  • 1981 -É fundado o Centro Internacional de Estudos Regulares (CIER) do Colégio Anglo-Americano que oferecia Ensino Fundamental e Médio a distância. O objetivo do CIER é permitir que crianças, cujas famílias mudem-se temporariamente para o exterior, continuem a estudar pelo sistema educacional brasileiro.  
  • 1983-Senac desenvolveu uma série de programas radiofônicos sobre orientação profissional na área de comércio e serviços, denominada “Abrindo Caminhos”.  
  • 1983/1984 – Criação da TV Educativa do Mato Grosso do Sul; Início do “Projeto Ipê”, da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e da Fundação Padre Anchieta, com cursos para atualização e aperfeiçoamento do magistério de 1º e 2º Graus, utilizando-se de multimeios; 
  • 1988 – “Verso e Reverso – Educando o Educador”: curso por correspondência para capacitação de professores de Educação Básica de Jovens e Adultos MEC/Fundação Nacional para Educação de Jovens e Adultos (EDUCAR), com apoio de programas televisivos através da Rede Manchete;  
  • 1991-Programa “Jornal da Educação – Edição do Professor”, concebido e produzido pela Fundação Roquete-Pinto, tem início, e, em 1995, com o nome “Um salto para o Futuro”, foi incorporado à TV Escola (canal educativo da Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação) tornando-se um marco na Educação a Distância nacional. É um programa para a formação continuada e aperfeiçoamento de professores, principalmente do Ensino Fundamental e alunos dos cursos de magistério. Atinge por ano mais de 250 mil docentes em todo o país.  
  • 1992 -Criada a Universidade Aberta de Brasília, acontecimento bastante importante na Educação a Distância do nosso país.  
  • 1995- É criado o Centro Nacional de Educação a Distância e, nesse mesmo ano, também a Secretaria Municipal de Educação cria a MultiRio (RJ), que ministra cursos do 6º ao 9º ano, por meio de programas televisivos e material impresso. Ainda em 1995, foi criado o Programa TV Escola da Secretaria de Educação a Distância do MEC.  
  • 1996 Criada a Secretaria de Educação a Distância (SEED), pelo Ministério da Educação, a partir de uma política que privilegia a democratização e a qualidade da educação brasileira. É nesse ano também que a Educação a Distância surge oficialmente no Brasil, sendo as bases legais para essa modalidade de educação, estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional N° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, embora somente regulamentada em 20 de dezembro de 2005 pelo Decreto N° 5.622 (BRASIL, 2005) que revogou os Decretos N° 2.494 de 10/02/98, e N° 2.561 de 27/04/98, com normatização definida na Portaria Ministerial N° 4.361 de 2004 (BRASIL, 2010).  
  • 2000 -É formada a UniRede, Rede de Educação Superior a Distância, consórcio que reúne atualmente 70 instituições públicas do Brasil comprometidas na democratização do acesso à educação de qualidade, por meio da Educação a Distância, oferecendo cursos de graduação, pós-graduação e extensão. Nesse ano, também nasce o Centro de Educação a Distância do Estado do Rio de Janeiro (CEDERJ), com a 35 assinatura de um documento que inaugurava a parceria entre o Governo do Estado do Rio de Janeiro, por intermédio da Secretaria de Ciência e Tecnologia, as universidades públicas e as prefeituras do Estado do Rio de Janeiro.  
  • 2002 -CEDERJ é incorporado à Fundação Centro de Ciências de Educação Superior a Distância do Rio de Janeiro (Fundação CECIERJ).  
  • 2004 -Vários programas para a formação inicial e continuada de professores da rede pública, por meio da EAD, foram implantados pelo MEC. Entre eles, o Pró-letramento e o Mídias na Educação. Essas ações culminaram na criação do Sistema Universidade Aberta do Brasil.  
  • 2005 -Criada a Universidade Aberta do Brasil, uma parceria entre MEC, estados e municípios; integrando cursos, pesquisas e programas de educação superior a distância.  
  • 2006- Entra em vigor o Decreto N° 5.773, de 09 de maio de 2006, que dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação superior e cursos superiores de graduação e sequenciais no sistema federal de ensino, incluindo os da modalidade a distância (BRASIL, 2006).  
  • 2007 Entra em vigor o Decreto Nº 6.303, de 12 de dezembro de 2007, que altera dispositivos do Decreto N° 5.622 que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 2007).  
  • 2008- Em São Paulo, uma Lei permite o ensino médio a distância, com isso, até 20% da carga horária poderá ser não presencial.  
  • 2009 -Entra em vigor a Portaria Nº 10, de 2 julho de 2009, que fixa critérios para a dispensa de avaliação in loco e deu outras providências para a Educação a Distância no Ensino Superior no Brasil (BRASIL, 2009).  
  • 2011 -A UAB passa a oferecer os primeiros programas de pós-graduação stricto sensu a distância: nesta data também a Secretaria de Educação a Distância é extinta. 

1.4.2 O Ensino Remoto e o Projeto Aula em Casa 

Devido a emergência na saúde pública do estado do Amazonas por causa da pandemia do covid-19, o governo do estado por meio da Secretaria de Estado de Educação e Desporto ampliou o projeto “Aula em Casa” e viabilizou para a comunidade escolar material didático pedagógico para dá continuidade a aprendizagem fora do âmbito escolar. Assim, o Centro de Mídias de Educação do Amazonas (CEMEAM), departamento da Secretaria de Educação, responsável por produzir as aulas do projeto “Aula em Casa” que são transmitidas pelas mídias (televisivas e internet) e quem tem por objetivo oferecer estratégias pedagógicas que contribuam para o ensino remoto/híbrido, desde as séries iniciais até o Ensino médio incluindo também a Educação de Jovens e Adultos (EJA) teve um papel relevante para a continuidade do ensino neste período crítico da educação no estado. 

Sobre o CEMEAM, foi implantado em 2017 e é considerado uma política pioneira no país.  Tem por finalidade ampliar e diversificar o ensino no Amazonas ofertando uma educação inovadora e de qualidade, através das TIC. Tem por missão tornar-se um referencial mundial no atendimento a Educação Básica com mediação tecnológica, via satélite, integradas aos ambientes virtuais de aprendizagem. Porém, vale salientar que o sistema funcional se diferencia do que ocorre com a Educação a Distância, haja vista que as aulas são presenciais intermediadas por um professor mediador utilizando recursos de interatividade em tempo real, o que possibilita as aulas serem tanto síncronas quanto assíncronas. Quanto à elaboração e produção das aulas, são realizadas por professores especialistas em uma central de produção educativa para TV, no CEMEAM, com recursos midiáticos e ferramentas de comunicação e são transmitidas diariamente em horário regular ao vivo e simultaneamente em todos os municípios contemplados com o projeto.  

O programa televisivo “Aula em Casa” do Governo do Estado do Amazonas teve um alcance muito grande no período do isolamento social, com o objetivo de minimizar as perdas na aprendizagem. O projeto foi colocado em prática e executado dentro de um contexto emergencial. Mesmo com as incertezas o programa “Aula em Casa”, foi transmitido para todo o estado para diminuir as perdas do ano letivo e manter o ensino em casa em tempo de pandemia com aulas que já estavam no acervo da instituição. Umas das grandes preocupações do projeto eram as questões sociais e a inclusão, pois as TIC seriam as ferramentas base desse projeto. Porém havia um problema, a internet, principalmente no interior do estado, que é de baixa qualidade e muitos alunos não teriam aparelho celular ou computador para acompanhar as aulas online, porém a maioria das casas do interior teria televisão para assistir às aulas televisivas, desta forma o governo fez parceria com redes de transmissão de TV aberta e multiplataformas para a projeção as aulas em horários regulares: 

No contexto da pandemia de Covid-19, que paralisou as várias atividades cotidianas no mundo, incluindo as escolares, a SEDUC do Amazonas propôs o Aula em Casa, projeto que compôs o Regime Especial de Aulas não Presenciais oferecidas, inicialmente para a capital e áreas metropolitanas de Manaus. Nesse caso, as aulas produzidas pelo CEMEAM em 2019 e que compunham o acervo do site institucional, foram transmitidas em TV aberta e em multiplataformas. (FERREIRA, p.210).

FIGURA 5: Sala de Projeção do Projeto Aula em Casa

 Fonte: Site do CEMEAM – Foto divulgação/Seduc AM – 2021.  

A questão do ensino remoto teve vários entraves na vida dos estudantes, principalmente das escolas públicas, pois apesar das tecnologias fazerem parte do cotidiano de diversas famílias, muitas não tinham acesso e esse obstáculo era real, dificultando a vida de muitos estudantes, principalmente com o aumento do desemprego, muitos mantenedores das famílias foram afetados o que causou um impacto relevante no processo de aprendizagem da comunidade estudantil mais carente, dentre outros fatores socioemocional já citados. Essa nova realidade foi enfrentada com muita dificuldade, pois é perceptível o diferencial de aproveitamento dos estudantes das escolas privadas para as públicas, essas últimas possuem um histórico de falta de investimentos. Infelizmente as escolas públicas não foram capazes de oferecer o suporte necessário aos alunos mais carentes durante o período de isolamento social. 

FIGURA 6: A espera pelo retorno às aulas presenciais

Fonte: mapeensinoremoto.blogspot.com 

Assim como muitas escolas públicas não tem uma internet de qualidade com boa capacidade, igualmente são os alunos que não têm acesso à internet e nem tão pouco equipamentos para poderem acessar as aulas online. Essa é a realidade de muitos alunos que tiveram dificuldades para acompanhar o programa Aula em Casa no Amazonas, principalmente os mais vulneráveis na questão socioeconômica conforme aponta Lucas Rocha (Canaltech 2020): 

É importante ponderar, contudo, que 2 em cada 3 residências no Brasil, segundo dados do CETIC.br, não possuem plano de internet suficiente para sustentar uma videoconferência. Se considerarmos o acesso pelo celular, a situação é um pouco melhor, com 7 em 10 pessoas com acesso ao 3G ou 4G. (ROCHA, 2020)  

No CETI Zilda Arns Neumann foi um grande desafio, pois os alunos da escola são em grande maioria de uma comunidade carente, onde o papel da escola e do educador influencia não somente os alunos e familiares mais todo o bairro. A presença da escola nessa comunidade é relevante, uma vez que ela atende muitos alunos que passam o dia na escola por ser de tempo integral. Nela, os alunos fazem três refeições: o café da manhã, o almoço e lanche no final da tarde, antes de retornar a suas residências. Muitos alunos não faltam às aulas pela questão alimentícia diária. Além disso, a comunidade convive com vários problemas sociais e estruturais. As drogas e consequentemente a violência são as principais demandas sociais e quanto à infraestrutura do bairro, precisa da atenção do poder público para solucionar os vários problemas visíveis na comunidade, principalmente nas proximidades da escola, onde passa um igarapé que em dias de chuva forte transborda e inunda algumas casas.  

A escola se torna parceira da comunidade trabalhando junto às famílias para que a realidade atual venha a melhorar, e um dos principais canais dessa relação é a equipe pedagógica que mantém o diálogo diretamente com os pais de alunos através de grupos no Whatsapp. Esse canal de comunicação, entre a escola e as famílias, transmite uma imagem positiva da escola quanto a segurança no trabalho desenvolvido por ela, haja vista que o corpo pedagógico da escola sempre mantém os pais informados de todas as ações, práticas coletivas e projetos desenvolvidos para e com os alunos.   

1.5 PLANEJAMENTO DO PROFESSOR PARA AS AULAS ONLINE 

Ao elaborar o planejamento de suas aulas, o professor precisou planejar suas aulas em função de seus alunos de uma forma igualitária, com algumas ressalvas de acordo com a orientação pedagógicas, que entendia que nem todos os alunos do CETI 

Zilda Arns Neumann teriam condições de realizar as atividades online. A orientação era para que todas as atividades fossem impressas e deixadas na secretaria da escola para que os responsáveis pelos estudantes viessem retirá-las na escola posteriormente, depois de realizadas as deixaria e pegaria outras, esse ciclo era semanal. Essas atividades seriam somente para os alunos que não tinham acesso à internet. Os dados norteadores foram repassados para que no momento da elaboração dos planejamentos fossem levados em consideração conforme descritos a seguir: 

  • Fazer um levantamento dos alunos sem acesso à internet; 
  • Fazer um levantamento dos alunos que tem ferramentas tecnologias próprias ou de parentes que possam utilizar para a realização de suas atividades; 
  • Fazer um levantamento de alunos com necessidades especiais; 
  • Elaborar estratégias de aprendizagem para os estudantes que não possuem acesso à internet, ou seja, personalizar; 
  • Planejamento para cada caso e necessidade de aprendizagem; 
  • Fazer listas com os contatos de seus alunos (e-mail e telefone) destacando os que têm e os que não têm a (Coordenação e Secretaria) 
  • Criar grupos de WhatsApp, para enviar e receber atividade de suas turmas; 
  • Criar pastas do Google Drive, salvar as aulas e compartilhar com seus alunos (a critério do professor); 
  • Avaliação no ensino remoto, a avaliação da aprendizagem deve ser diagnóstica, formativa e somativa. Também precisa ser descrita nos planos de ensino e planos de aulas, visando à verificação da aprendizagem do estudante, o acompanhamento pedagógico e o registro acadêmico no Diário de Classe. 

Os Planejamentos de aula são essenciais para o desenvolvimento do ensino, seja ele presencial ou remoto, ele é um direcionador dos conteúdos a serem trabalhados no processo de ensino/aprendizagem, buscando desenvolver o aprendizado dos alunos, neste contexto, utilizando as tecnologias digitais de informação e comunicação. O professor teve que acompanhar a frequência dos alunos através das atividades realizadas e reenviadas, caso isso não acontecesse o professor deveria comunicar a coordenação pedagógica e aos coordenadores de área, que o aluno estava infrequente, e estes entravam em contato com os responsáveis do aluno para saber os motivos, que levaram o aluno a deixar de realizar suas atividades, pois a infrequência estava ligada diretamente a sua avaliação.  

1.5.1 Novas Alternativas Metodológicas para o Ensino Remoto 

Nas reuniões pedagógicas, foi colocado para os professores que buscassem novas alternativas metodológicas para serem aplicadas no planejamento de ensino e prática educativa a serem desenvolvidas, todas as alternativas estão ligadas com as ferramentas tecnológicas digitais a serem utilizadas, que facilitassem o desenvolvimento e a dinâmica das atividades educativas.  

No CETI Zilda Arns Neumann, nas reuniões pedagógicas, colocou-se muito em evidência a avaliação da aprendizagem com o ensino remoto e os objetivos desse novo sistema de ensino. O professor teria a missão de contribuir para o desenvolvimento do pensamento crítico do aluno, utilizando os recursos tecnológicos de informática que estavam disponíveis. Para Jonassen, esses recursos são como ferramentas cognitivas, ou seja, “ferramentas informáticas adaptadas ou desenvolvidas para funcionarem como parceiros intelectuais do aluno, de modo a estimular e facilitar o pensamento crítico e a aprendizagem de ordem superior” (JONASSEN, 2007, p.15). Com a utilização das tecnologias a serviço da educação o professor pode desenvolver aulas mais dinâmicas colocando em prática seu conhecimento de informática para elaboração de aulas utilizando, mapas conceituais, sequências didáticas, instruções programadas, textos, vídeos, áudios, google sala de aula, plataformas de vídeo, seminários temáticos, e outros. Entendesse que nesse novo cenário, o professor precisava de uma educação continuada e diversificada nas questões tecnológicas. 

1.5.2 Decretos Estaduais na Pandemia Tenta Reduzir o Número de Contágio 

No dia 16 de março de 2020, o governador do estado do Amazonas, Sr. Wilson Miranda Lima do PSC, tendo como base o decreto 42.061 de 16 de março de 2020, tomou a emergência na saúde pública no estado do Amazonas em razão da contaminação das pessoas pelo covid-19, as quais frequentavam os espaços públicos, que em certos momentos se tornaram ambientes propício para a propagação do novo coronavírus devido às lotações desses ambientes. Logo, ele adotou medidas estratégicas para evitar a contaminação da população, como a suspensão das aulas presenciais nas escolas públicas e privadas, confirmando assim, o estado de calamidade pública que o Estado se encontrava. O Governador por meios dos decretos 42.061, 42.063, 42.087 respectivamente nos dias 16.17, 18, 19, 20, 21 e 23 de março de 2020 tomou medidas emergências em todos os setores da sociedade.  A seguir resumo desses decretos: 

  • O Decreto 42.061 (16/03) dispõe sobre a decretação de situação emergencial na COVID-19. Dia 16 de março suspende as aulas por 15 dias apenas na cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas. No dia 17 de março de 2020, embora não havendo novos casos confirmados no Estado, o monitoramento aponta que o vírus continua avançando em todo território brasileiro.  
  • O Decreto 42.063. (17/03) dispõe sobre medidas complementares, para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional, decorrente do novo coronavírus.  Suspende as aulas por 15 dias na rede estadual de ensino e nas regiões metropolitanas de Manaus, nos municípios de Iranduba, Novo Airão, Careiro da Várzea, Rio Preto da Eva, Itacoatiara, Presidente Figueiredo, Manacapuru, Careiro Castanho, Autazes, Silves, Itapiranga, Manaquiri, Parintins (por ser a segunda cidade do Amazonas e que recebe turistas de outros países) e Tabatinga (por ser região de fronteira).  
  • Decreto Nº 42.084. (18/03) – prorroga vigência de Laudo Técnico de inspeção emitido, renovado ou substituído pela sedcti, para efeito de concessão de incentivos fiscais estaduais por período determinado.  
  • Decreto 42.087. (19/03) -dispões sobre a suspensão das aulas na rede pública estadual de ensino, em todos os municípios do estado do Amazonas, bem como das atividades das academias de ginástica e similares, e do transporte fluvial de passageiros em embarcações, à exceção dos casos de emergência, na forma que especifica.  Ficou estabelecido a suspensão das aulas da rede pública estadual de ensino em todos os municípios do estado, por um período de 15 dias, em um total de 30 dias sem aulas. 
  • Art. 3 da Res. 30/2020, durante o período de regime especial de aulas não presenciais, aos gestores das unidades escolares compete:  

I – Planejar e elaborar, com a colaboração de corpo docente, as ações pedagógicas e administrativas a serem desenvolvidas durante o período supracitado, com o objetivo de viabilizar material de estudo e aprendizagem de fácil acesso, divulgação e compreensão por parte dos alunos e/ ou familiares;  II – Divulgar o referido planejamento entre os membros da comunidade escola;  III – Preparar material específico para cada etapa e modalidade de ensino, com facilidade de execução e compartilhamento, como vídeo/aula, podcasts, conteúdo organizado em plataformas virtuais de ensino e aprendizagem, redes sociais e correio eletrônicos; IV – Zelar pelo registro da frequência dos alunos, por meios de relatórios e acompanhamento da evolução nas atividades propostas;  V – Organizar avaliações dos conteúdos ministrados durante o regime especial de aulas não presenciais, para serem aplicadas na ocasião do retorno das aulas presenciais.  

  • Decreto Nº 42.098 (20/03) dispõe sobre medidas complementares temporárias, para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional, decorrente do novo coronavírus. Suspende por 15 dias transporte rodoviário turístico para balneários, centros de recreação e afins; e o transporte rodoviário intermunicipal de passageiros (a contar de 23/03/2020) determina intensificação de fiscalização de preços do Procon/Am e limitação, com venda quantitativa, de álcool em gel 70° máscaras e luvas. 
  • Decreto Nº 42.099 (21/03) dispõe sobre medidas complementares temporárias, para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional, decorrente do novo coronavírus. Suspende por 15 dias, o funcionamento de restaurantes, bares, lanchonetes, praças de alimentação e similares, exceto os que funcionam no interior de hotéis e estabelecimento afins, ou somente para delivery ou coleta; de casa de show, boates, casas de eventos e recepções, salões de festas, inclusive privados; e de igrejas, templos, lojas maçônicas e afins. 
  • Decreto Nº 42.100 (23/03). Declara Estado de Calamidade Pública, para os fins do artigo 65 da Lei Complementar Federal nº 101, de 4 de maio de 2000, em razão da grave crise de saúde pública decorrente da pandemia da COVID-19 (novo coronavírus), e suas repercussões nas finanças públicas do Estado do Amazonas, e dá outras providências. Declara estado de calamidade pública. Credencia autoridades competentes a adotar medidas excepcionais. Determina à casa Civil irá elaborar Mensagem Governamental sobre a declaração para a ALEAM. 

A grande preocupação com o ano letivo, que já estava comprometido, era organizar uma forma de recuperar o aprendizado e para isso seria necessário reorganizar o calendário para o novo ciclo de ensino que começava a ser traçado.   Dados do IBGE de 2017 apontam que 43,4% dos domicílios brasileiros possuíam computadores pessoais e 13,7% tablets. O percentual de telefones móveis, neste mesmo ano, estava presente em 93,2% dos domicílios (ao menos um por residência). O que caracteriza que os celulares foram os aparelhos de comunicação mais disponíveis para os brasileiros. Em 2019, tínhamos 420 milhões de dispositivos digitais (computadores e smartphones) circulando no Brasil, o que dá dois dispositivos por habitante.  

Porém, mesmo com esse número de aparelhos digitais disponíveis, essa realidade mudou, a crise e o desemprego que assolou os lares e desestruturou as sociedades, fez-se presente na realidade de alunos das escolas situadas nas periferias dos grandes centros urbanos.  

O estado do Amazonas diante desse novo cenário, sai na frente na organização do novo sistema de aulas Remotas. A Secretaria de educação e desporto (Seduc – Am) em parceria com a TV Encontro das Águas, no dia 23 de março de 2020, iniciou o Regime Especial de Aulas Não Presenciais conforme a Portaria 311/2020-GS/ SEDUC, por meio do Projeto Aula em Casa, cujo objetivo era dar continuidade às atividades pedagógicas planejadas para o ano de 2020 sem interromper o ano letivo. O projeto foi regulamentado pelo Conselho Municipal de Educação (CME- Manaus) na Resolução nº 3/2020, pelo Conselho Estadual de Educação (CEE/AM), Resolução 30/2020 e pelo Governo Federal, Medida Provisória nº 934/2020. Acrescenta-se ainda a orientação dada pelas Diretrizes Pedagógicas da Secretaria de Educação (Seduc AM). 

1.6 FORMAÇÃO DOS DOCENTES E INCLUSÃO DIGITAL 

A educação no Brasil vem passando por várias reformulações, havendo a necessidade de se investir nas estruturas das instituições, na qualidade da formação acadêmica dos professores e uma maior participação da sociedade. Nas palavras do educador Moacir Gadotti, “a educação é um lugar onde toda a nossa sociedade se interroga a respeito dela mesma, ela se debate e se busca”.  Já foi o tempo em que para ser professor das séries iniciais precisava apenas ter a formação no magistério, no novo cenário da educação no Brasil, a formação de docentes, suas habilidades e competências para desenvolver um trabalho de qualidade é palco de muitos debates de grande importância.  

No CETI Dra. Zilda Arns Neumann todos os professores têm formação superior, alguns pós-graduação, outros possuem o título de Mestre e outros estão cursando o Doutorado. A importância da qualificação do profissional impacta diretamente no aprendizado dos alunos, essa busca do professor pela qualificação, para capacitá-lo às constantes mudanças e realidade das salas de aulas sejam elas positivas ou não a exemplo, as salas superlotadas, os alunos indisciplinados e a falta de recursos tecnológicos ao seu alcance, o professor tem que estar preparado e saber lidar e, principalmente, transpor estes obstáculos. Segundo Gadotti “Ser professor hoje é viver intensamente o seu tempo, com consciência e sensibilidade. […] numa visão emancipadora, não só transformam a informação em conhecimento, mas também formam pessoas. ” Portanto, atualmente os professores precisam se adaptar ao novo perfil da era digital e para isso devem:  

  • Estar atualizado com o que há de mais moderno; 
  • Saber utilizar a tecnologia como ferramenta auxiliar; 
  • Admitir que não sabe todas as coisas; 
  • Ser amigo dos alunos, aprender juntos; 
  • Manter o respeito e autoridade sem ser autoritário; 
  • Trazer novas metodologias para serem desenvolvidas com os alunos; 
  • Trabalhar com os espaços não formais no ensino aprendizado; ● Utilizar a internet em sala de aula quando necessário

No Brasil, foi criado o Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR), programa emergencial instituído em 2009, visava à oferta de cursos de licenciatura aos professores da rede pública da educação básica que não tinham formação superior em sua área de atuação, pois durante anos os professores lecionaram em áreas que não tinham qualificação, o que prejudicava muito o desenvolvimento dos alunos. Para Guimarães é preciso responder quais aspectos fundamentais e o que implica na formação do profissional da educação: 

E um dos aspectos fundamentais para a formação inicial do professor, ao qual o desenvolvimento da licenciatura deve responder, parece-nos que passa a ser: quais saberes profissionais ensinaremos aos nossos professores, qual identidade profissional queremos lhes sugerir. O que implica construir práticas formativas mais adequadas à maneira como os professores aprendem a profissão, o que parece significar aproximar atuação e formação, intenção e gesto de formar, formação inicial e continuada. Uma resposta nesses termos tende a ser diferente da que tem sido dada na história recente da educação nacional, principalmente pelo tecnicismo pedagógico e por uma perspectiva, digamos, de racionalidade científica de formação do professor. (GUIMARÃES, 2006) 

Em 2016, o Ministério da Educação (MEC), anunciou outro programa. A “Universidade do Professor”, mais uma vez com o objetivo de formar professores da rede pública que atuavam em áreas diferentes da sua formação. Essa foi a realidade da educação por muitos anos, o professor sem nenhum preparo para ministrar aulas de outras disciplinas as quais não eram de sua formação e isso atrasou muito o desenvolvimento e aprendizagem dos alunos. No cenário pandêmico, a educação continuada ganha muito destaque na vida docente, abre um leque de oportunidades e contribui para o desenvolvimento do aluno no ensino aprendizagem. Nesse período, as coordenações distritais, gestores e equipe pedagógica motivavam os professores a acompanharem cursos de formação, palestras entre outros eventos online que davam orientações sobre essa nova modalidade de ensino remoto e o manuseio correto das ferramentas digitais disponíveis para as práticas pedagógicas.  

Evidente que, houve falha no sistema de política pública voltada para a educação com relação a disponibilizar recursos digitais tanto para os professores quanto para os alunos. Somente as formações não foram suficientes para sanar os problemas no período pandêmico. Não tem como não falar da formação do professor sem falar nas políticas públicas que envolvem a educação, em tempo de pandemia muitos professores tiveram que utilizar seus conhecimentos adquiridos na universidade para desenvolver um trabalho de qualidade, os conhecimentos de informática, aquelas que para muitos era o básico, mais que foi utilizado para realizar trabalhos grandiosos voltados para o desenvolvimento do conhecimento dos alunos, pois mesmo em tempo de Pandemia, a Base Nacional Comum Curricular estabelece com clareza os processos essenciais que os alunos devem desenvolver em cada etapa da educação básica, assegurando seus direitos de aprendizagem. E para isso, o professor teve que se adequar a esse novo normal para poder passar o conteúdo de acordo com as exigências da Base Nacional Comum Curricular.  

Segundo levantamento do portal Guia do Estudante,  85% dos professores ainda se sentem despreparados para dar aulas online e 88% nunca haviam ministrado nenhuma aula virtual. Então podemos entender que foi um grande desafio para o professor criar de sua casa aulas que seriam repassadas para os alunos de uma forma remota, utilizando recursos digitais como ferramenta. Além das dificuldades apresentadas, o professor que trabalhava 20 horas, 40 horas passou a trabalhar mais, pois o atendimento aos alunos excedia o horário de expediente normal, os alunos mandavam mensagem altas horas da noite e nos finais de semana e o professor, na maioria das vezes, atendia a estes alunos, tirando suas dúvidas, corrigindo atividades e recebendo trabalhos avaliativos fora da data estipulada para eles. 

1.6.1 Os Benefícios Práticos de Investir na Educação dos Professores 

A educação brasileira vem passando por contínuas transformações que impactam diretamente na formação do professor, para atuar na sociedade atual o docente tem que ter uma formação multifuncional, para atender às novas exigências sociais que passam por transformações contínuas. Nessa sociedade contemporânea moderna, conceituada por Bauman (2000) como “modernidade líquida”, uma sociedade desafiadora, pois as mudanças são constantes não permitindo estagnação o que leva a busca de diferentes habilidades e cria a competitividade no campo profissional impactando na vida e alterando os diversos setores da sociedade.    Nesse novo contexto educacional, a formação dos docentes se torna requisitos básicos para a atuação deles dentro desse novo paradigma, construindo um novo perfil de docente: que deve estar aberto para o aprendizado contínuo, que terá um reflexo na qualidade profissional do educador, o que atenderá as necessidades das instituições de ensino. Dentro dessa exigência profissional do educador, podemos observar que o profissional tem que ser adaptar as mudanças que estão acontecendo no mundo, não se ensina mais como antigamente, os alunos não aprendem mais como no passado, o papel do professor mudou, ele não é mais o detentor do conhecimento, observa-se que hoje ele é um mediador das práticas educativas e para isso, ele tem que adotar práticas inovadoras na educação.  

O profissional da educação inicia sua formação, inclusive quanto ao uso das tecnologias digitais, antes mesmo da sua graduação, pois se trata de uma necessidade, não somente para a atuação profissional, senão para as atividades cotidianas na sociedade. Além disso, as atividades docentes estão diretamente ligadas às questões históricas, segundo os autores: 

Logo, o escopo do exercício da profissão docente, suas peculiaridades teóricas e práticas, não tem se constituído e nem se ampliado imune às modulações econômicas, políticas, culturais e tecnológicas de cada época histórica, inclusive de cada contexto cotidiano, de cada percurso existencial e formativo dos envolvidos comas atividades de ensino e de aprendizagem. (ELIAS; ZOPPO; GILZ, 2020, p. 31) 

Essas são apenas algumas das características do professor com suas ações, para que o docente impacte positivamente com ensino de qualidade na vida dos estudantes, em todos os níveis de ensino, Gatti (1997) mencionava as dificuldades com a formação docente, face a ampliação das redes de ensino e a consequente busca por mais professores. É nesse cenário que percebemos a importância do conhecimento adquirido pelo professor. O CETI Dra. Zilda Arns Neumann existe há 12 anos, e tem professores que atuam na escola desde sua inauguração em 2010.

Os profissionais que atuam na escola valorizam muito a educação continuada e quando a Secretaria de Educação do Amazonas disponibiliza cursos de formação e capacitação nas suas áreas, os professores participam ativamente. Isso é um incentivo importante para os docentes e faz um diferencial nas suas práticas diárias. Se sentem valorizados o que os motiva a buscar sempre mais qualificação. Os professores que trabalham na escola são todos formados nas suas respectivas áreas de atuação tendo como titulação no seu currículo a formação em: graduação (7), pós-graduação (26) e mestrado (14), doutorado (2).   

A escola possui o PPP (Projeto Político Pedagógico) onde descreve todas as diretrizes a serem seguidas por todos os membros da instituição. Como citado anteriormente a escola é de tempo integral, oferta o Ensino Fundamental II e Ensino Médio para uma população aproximada de 960 alunos/ano. Sua estrutura física é composta de três pisos: no primeiro é ocupado pelo Hall, sala da Gestão, secretaria, sala de reunião, um ambulatório médico/dentista, biblioteca, sala de mídias, três laboratórios de: Informática, ciência e Matemática, uma cozinha, dois refeitórios, três banheiros (um deles para deficientes físicos), um escovódromo. No segundo piso:  uma sala dos professores, uma sala da coordenação, doze salas de aula com capacidade para 40 alunos cada, dois banheiros e um depósito. No terceiro piso a mesma estrutura do segundo piso e para acesso aos pisos há rampas. Na área externa frontal há um estacionamento amplo, uma sala de manutenção e um depósito de resíduos, na área externa traseira há uma quadra de esporte coberta, um campo de futebol, uma área para o vôlei, uma sala de música, uma sala de dança, dois banheiros, uma piscina e área de circulação. A área externa é arborizada e a escola funciona das 6:30 às 17:00 horas, conforme fluxograma apresentado abaixo: 

  • 6:30 abre o portão para entrada e o café da manhã; 
  • das 7:00 às 11:00 4 tempos de aula (1 hora cada tempo); 
  • das 11:00 às 12:45: intervalo para o almoço; 
  • das 13:00 às 16:00 3 tempos de aulas (1 hora cada tempo); 
  • 16:00 lanche da tarde e saída dos alunos;
  • 17:00 saída dos professores. 

1.6.2 Tecnologia na Educação 

A educação se beneficiou muito com o uso da tecnologia digital na educação em tempo de pandemia, mesmo com o fechamento das escolas a educação continuou avançando graças às tecnologias digitais que foi direcionada para ela. A inserção da tecnologia no ensino foi bastante significativa, segundo pesquisa feita por TIC Educação 2018, “76% dos docentes buscaram formas para desenvolver ou aprimorar seus conhecimentos sobre o uso destes recursos nos processos de ensino e de aprendizagem”. Logo, é perceptível que uma boa parcela de professores tem conhecimento e utiliza a internet no seu cotidiano e isso contribui para o desenvolvimento do seu trabalho.  

As aulas online, no período de isolamento, passaram a ser a realidade que requeria conhecimentos muito além do saber teórico, isso é inovação e adaptação do profissional dentro de uma realidade totalmente inesperada. O Brasil tem mais de 340 mil docentes em atuação distribuídos nas instituições públicas, privadas e universidades, dentro desse cenário pandêmico, é importante que o profissional tenha sensibilidade com as dificuldades diversas apresentadas pelos alunos, pode-se observar que a humanização do ensino contribui muito para que os alunos se sintam acolhido e fortalecido nesse cenário e que essa relação de companheirismo ocorre a aprendizagem a partir da interação das rotinas, das práticas, regras e valores. É nesse contexto relacionado à carreira que Tardif aponta que deveriam ajudar: 

“A carreira é também um processo de socialização, isto é, um processo de marcação e de incorporação dos indivíduos às práticas e rotinas institucionalizadas das equipes de trabalho. Ora, essas equipes de trabalho exigem que os indivíduos se adaptem a essas práticas e rotinas, e não o inverso” (TARDIF, 2002 p.70). 

Referente a essas novas formas de aprender e ensinar no contexto da formação tecnológica do professor, registramos a citação de Pimenta (1997) no documento da Prefeitura do Recife que discorre sobre a autoformação do professor:  

[…] pensar sua formação significa pensá-la como um continuum de formação inicial e contínua. Entende, também, que a formação é, na verdade, autoformação, uma vez que os professores reelaboram os saberes iniciais em confronto com suas experiências práticas, cotidianamente vivenciadas nos contextos escolares (PIMENTA, 1997, p. 56 apud RECIFE, 2015a, p. 36). 

Ainda, segundo Galeno Jr., o papel do professor é fundamental para a inclusão das tecnologias por se tratar de uma inovação pedagógica e oportunidade de conhecer o aluno e desta forma contribuir para sua aprendizagem. 

Trata-se de uma inovação pedagógica, que, com os recursos tecnológicos, levará o educador a ter muito mais oportunidade de compreender os conceitos e as estratégias utilizadas pelo aluno e, com esse conhecimento, mediar e contribuir de maneira mais efetiva nesse processo de construção do conhecimento (GALENO Jr. 2020 p.3) 

1.6.3 Inclusões Digitais na educação 

A tecnologia atualmente faz parte do ambiente escolar, no período da pandemia o ambiente virtual foi uma extensão da escola, isso no mundo todo. Foi possível ministrar aulas sem perda significativa de conteúdo. As tecnologias digitais foram importantes para as práticas pedagógicas e para o desenvolvimento de estratégias a serem desenvolvidas para levar o ensino aprendizagem a lugares inimagináveis. A inclusão das tecnologias digitais no sistema educacional é de fundamental importância, já que o mundo está em constantes mudanças e a era digital é uma realidade dos indivíduos em processo de aprendizagem na educação (LIBÂNEO, 2000; 2007; LEVY, 1993). A partir deste contexto, Santos e Radike afirmam que:  

O aluno deixa de ser receptor de informação para tornar-se responsável pela construção de seu conhecimento, usando o computador para buscar, selecionar, inter-relacionar informações significativas na exploração, reflexão, representação e depuração de suas próprias ideias, segundo seu estilo de pensamento. Professores (as) e alunos (as) desenvolvem ações em parceria, por meio da cooperação e da interação com o contexto, com o meio e com a cultura (SANTOS E RADIKE, 2005, p. 328). 

A pandemia impulsionou mudanças na sociedade mundial, que derrubou padrões há muito tempo enraizados no sistema de educação. Bonilla e Preto (2011, p. 16), defende a ideia de que “[…] programas de inclusão digital devem pensar a formação global do indivíduo para a inclusão social” E coube à tecnologia como ferramenta a missão de tornar todas essas transformações possíveis na vida da comunidade escolar.  

A tecnologia digital está dominando o ambiente escolar, tanto professores quanto alunos estão inseridos nesse contexto. A pandemia acelerou esse processo devido a necessidade, não deveria ser assim, pois existem muitas escolas que contam com laboratórios de informáticas nos seus espaços, mais o que foi percebido, foi a falta de conhecimento por parte dos alunos, nas questões que envolviam as atividades que eram enviadas para as plataformas.  Muitos especialistas em educação afirmam que em poucos anos o ensino será personalizado e os professores precisarão estar preparados para essa evolução e os alunos também precisam sair das redes sociais e conhecer as plataformas educativas. Ensinar através de livros didáticos já não é mais atrativo. Segundo Silva é importante observar que:  

A pandemia é um alerta para a criação, ampliação e consolidação das políticas de inclusão digital no cotidiano escolar; a valorização do aprendizado através de mídias; a aplicação de softwares educativos; o auxílio na aquisição de notebooks/computadores; a disponibilização de pen drives; o auxílio para contratação de pacote de dados/serviços de internet; a implementação de serviços de teleconferência; a criação de telecentros e de Centros Vocacionais Tecnológicos; a oferta de oficinas, treinamentos e cursos de qualificação/aperfeiçoamento para otimização do uso dos recursos tecnológicos etc.(SILVA, 2020, p. 969) 

1.7 O RETORNO ÀS AULAS PRESENCIAIS 

Depois do cenário emergencial, as escolas começam a reabrir suas portas gradativamente com o ensino híbrido. Além da redefinição do calendário escolar, o plano de retomada teve que observar três questões essenciais determinadas pelas Secretarias de Educação dos seus respectivos estados:  

  • Retorno gradual, atento à saúde emocional e física da comunidade escolar;  
  • Avaliação diagnóstica imediata para identificar os diferentes níveis de aprendizagem dos estudantes no retorno às aulas e programas de recuperação da aprendizagem;  
  • Comunicação mais frequente com famílias. 

A volta às aulas na rede pública de ensino no Amazonas transformou-se em um cabo de guerra entre a Secretaria de Educação Estadual e os Sindicatos dos Professores. A Seduc apesar de não apresentar uma data, quer um retorno imediato para salvar o ano letivo; os sindicatos temem que um retorno sem protocolos rígidos de segurança contra o novo coronavírus coloque em perigo a vida de professores e estudantes, pois o estado viveu durante o período da pandemia um verdadeiro caos na saúde pública, dentro desse cenário não entra a questão quem está certo ou quem está errado e sim, quais as medidas de prevenção são eficazes para garantir a segurança de professores, alunos e demais servidores no ambiente escolar.  

O Amazonas entrou para a estatística como o estado que sofreu com a crise do oxigênio levando a um colapso no sistema de saúde, amargando um crescimento súbito no número de óbitos. A pandemia como já foi falada anteriormente na pesquisa foi um dos maiores paralisantes da educação mundial, até então não há registro de uma calamidade tão grande na área da educação nos tempos modernos, nem na contemporaneidade. Durante o período das duas grandes guerras foi possível observar grandes avanços científicos e tecnológicos em tempos considerados curtos para a história, mas a pandemia trouxe para a história a maior transformação na adequação e busca pela tecnologia, adequação dos professores na área tecnológica, para atuar no ensino remoto e nas aulas online, ou no ensino híbrido que foi como as escolas começaram a atuar no retorno às aulas presenciais.  

No CETI Zilda Arns Neumann, devido às turmas serem numerosas e salas lotadas – tanto no Ensino Fundamental II quanto no Médio –   e os alunos do Ensino Médio estariam se preparando para o PSC e o ENEM, foram tomadas algumas medidas de segurança para o retorno dos estudantes, primeiramente os do ensino ´médio e posteriormente os do fundamental, uma vez que as salas não comportariam o número de estudantes determinadas pelas diretrizes dos órgãos de saúde. Todas as exigências determinadas pelas secretarias deviam ser tomadas e deveriam ser realizadas rigorosamente, pois o número de contágios ainda era muito alto.  

Todos os protocolos sanitários deveriam ser cumpridos rigorosamente, uso de máscara para todos, tapetes sanitizantes, termômetro para medir temperatura, distanciamento de 1,5 metros entre os estudantes, expositor de álcool em gel 70% nas salas de aula, o piso devidamente marcado e sanitização periódica para garantir a segurança dos estudantes e dos demais profissionais que atuam nas escolas. 

1.7.1 As Dificuldades Encontradas pelos Professores com o Retorno das Aulas Presenciais 

O retorno das aulas presenciais trouxe vários desafios novos para os professores como ensinar as palavras mágicas que foram esquecidas em algum lugar, fazer com que os alunos cumprissem as determinações de segurança, eles perderam totalmente a noção de estudo e disciplina dentro da sala de aula, parece que eles estavam em outro plano, falavam alto, não se concentravam nas suas atividades, não conseguiam ficar sentados na sua carteira, não faziam tarefas, tinham dificuldades de interpretação, percebeu-se que várias lacunas de conhecimento estavam abertas e vazias.  Outras questões bastante observadas nas salas de aulas eram as crises de ansiedades desenvolvidas pelos alunos, a depressão também foi outro aspecto que tem que ser observado, pois muitos alunos estavam com depressão, o cenário das salas de aulas era muito preocupante. Outra questão observada foi a evasão escolar, causadas por aspectos emocionais dos alunos, a insegurança, o medo, questões econômicas, foram fatores que levaram muitos alunos a não retornarem à escola. Novos desafios foram encontrados, mas o professor aprende fazendo, e encontrará formas de desenvolver suas atividades de maestria com qualidade e responsabilidade para se adequar a esse novo normal uma trilha desafiadora na contemporaneidade.

Como citado anteriormente, com o retorno das aulas presenciais no CETI Zilda Arns Neumann, foi possível observar que os alunos voltaram com algum tipo de dificuldade na aprendizagem, de comportamento agressivo e indisciplina, em todas as séries do fundamental II ao Ensino Médio, não somente no processo de transição das aulas remotas, para o modelo híbrido de ensino, mesmo depois do retorno 100% presencial, as dificuldades persistiam também no aprendizado. Os alunos do ensino fundamental sem o domínio da escrita e da leitura o que dificultava muito o avanço dos conteúdos, pois os professores estavam preocupados com aqueles alunos que estavam totalmente desnivelados. O professor veio a entender que os obstáculos apresentados pelos alunos passaram a ser um novo desafio que precisava de soluções e que poderiam ser encontradas através das metodologias que seriam adotadas para a recuperação do aprendizado. Também se percebeu demandas emocionais no próprio professor quanto ao retorno presencial do alunado. Pois estava cheio de incertezas e medos. Porém o contato com os alunos através do uso das tecnologias digitais durante a pandemia, amenizou os impactos do retorno às aulas presenciais conforme pesquisa realizada por Almeida, e tal:  

[…] compreender que o professorado […] tem suas demandas emocionais relacionadas com afeto, alegria, medo, tristeza e raiva. Contudo, o fato de terem trabalhado com o alunado durante o período de isolamento, com o intermédio das tecnologias, pode amenizar e facilitar a adaptação na volta para as aulas presenciais. Destacamos que as crianças possuem a capacidade de perceber os sentimentos do professorado, o que influencia na aprendizagem. Por isso, a relevância da preparação profissional e emocional, dentro do possível, para os enfrentamentos do ambiente escolar pós pandemia. (ALMEIDA, et e tal p.19) 

Também se faz importante relatar que o contato dos alunos com seus pares contribui para o desenvolvimento da aprendizagem, segundo Oliveira, esse contato pode funcionar como mediação do conhecimento, a criança mais avançada auxilia a outra que ainda não tenha alcançado o mesmo conhecimento:  

[…] com relação à atividade escolar, é interessante destacar que a interação entre alunos também provoca intervenções no desenvolvimento das crianças. Os grupos de crianças são sempre heterogêneos quanto ao conhecimento já adquirido nas diversas áreas e uma criança mais avançada num determinado assunto pode contribuir para o desenvolvimento de outras. Assim como adulto, uma criança também pode funcionar como mediadora entre uma criança, ações e significados estabelecidos com relevante no interior da cultura. (Oliveira, 2001, p. 45 apud Conceição) 

Essas foram algumas das preocupações que os alunos trouxeram e que os professores identificaram nas primeiras semanas do retorno às aulas presenciais. Os professores teriam que ter atenção redobrada dentro da sala de aula para identificar as dificuldades que iriam aparecer. Muitas dessas dificuldades precisaram de um acompanhamento psicológico e da participação da família junto à escola. As características mais observadas do aluno pós-pandemia foram:

  • Distraem-se facilmente com os colegas paralelas;
  • Não conseguem se concentrar nas atividades: 
  • Nada lhe parece interessante; 
  • Pedem muito para sair da sala para ir ao banheiro e beber água; 
  • Falam bastante e alto demais 
  • Sem limites, não respeitam a presença do professor; 
  • Faltam muito às aulas; 
  • Apresentam dificuldades em quase todas as disciplinas, principalmente português e matemática; 
  • São bastante impulsivos e imaturos e querem ter relacionamentos (namoros). 
  • Tem dificuldades de se organizar e planejar suas atividades do dia a dia;
  • Não gostam de responsabilidades. 

Foi possível observar no primeiro bimestre de aula que alguns alunos desenvolveram crises de ansiedade durante as aulas remotas, eles ficaram mais tempo no computador ou em outro aparelho para assistir as aulas e responder as atividades, isso pode ter contribuído para que o aluno desenvolvesse esse tipo de distúrbio causado por preocupação excessiva ou expectativa excessiva sobre algo. Esse distúrbio foi apresentado tanto nas meninas quantos nos meninos, choro incontrolável, começam a tremer as mãos e o corpo todo. Essas crises eram constantes dificultando a permanência do aluno dentro da sala de aula. Entendia-se também que o professor não estava preparado para lidar com essas situações.  

Esse foi um cenário desafiador, o professor teria que ter um olhar diferenciado para os alunos, uns precisam mais do que outros. É muito importante considerar a dimensão emocional e psicológica dos alunos, eles tiveram que mudar drasticamente o seu cotidiano escolar e social e, tiveram que se adaptar a uma nova forma de aprender. Ainda vai levar um tempo para eles entenderem que a sala de aula é um lugar de aprendizagem e tem a sua importância no desenvolvimento do estudante.

A pandemia proporcionou várias reflexões, sobre as questões sociais e emocionais que fizeram e fazem parte da vida, seja como profissionais da educação ou como ser humano, a colaboração é de extrema importância, dá o melhor de si, fazer o melhor para que se tenha uma sociedade uma boa colheita. Afinal, para Durkheim a educação é social e sua influência deve se sentir sobre a própria atividade educativa e que ela é incontestável:  

A educação é uma coisa social, isto é, coloca em contato a criança com uma sociedade determinada, e não com a sociedade in venere. Se esta proposição é verdadeira, não requer apenas a reflexão especulativa sobre a educação, deve fazer sentir a sua influência sobre a própria atividade educativa. De facto, esta influência é incontestável; em direito, é frequentemente contestada. (DURKHEIM, 2007, p. 17). 

1.7.2 Principais Desafios Encontrados com o Retorno das Aulas Presenciais Pós-pandemia 

Durante o período em que os alunos ficaram sem aulas presenciais, seu aprendizado foi diretamente afetado, digamos que houve um retrocesso no aprendizado. Nas 6ª séries do ensino fundamental II, foi possível identificar, através da avaliação diagnóstica, vários alunos que não sabiam ler nem escrever, o nível de desenvolvimento e conhecimento desses alunos estava muito abaixo da média para a série que estavam matriculados. Nas séries seguintes, também foi constatado os mesmos problemas, alunos com as mesmas dificuldades no aprendizado. Muitas barreiras surgiram, durante a pesquisa foi possível observar que os alunos não se sentiam motivados e nem se esforçavam para aprender, não entendiam que esse conhecimento que poderiam adquirir no retorno às aulas, iria lhes fazer muita falta lá na frente. Para sanar as dificuldades com a perda do aprendizado levará alguns anos e, o professor precisa dar o seu melhor para minimizar essas deficiências. 

Outra questão que foi possível perceber durante a pesquisa foi à ausência da família na escola. Nas reuniões de pais e mestres, na entrega de boletins, de um quantitativo de 960 alunos, apenas 470 pais comparecem para saber a situação dos filhos na escola, outros só aparecem quando são chamados por questões indisciplinares. Vale salientar que a responsabilidade da educação não é somente da escola, os pais precisam saber que sua participação nesse processo é importante. O acompanhamento dos pais, ajudando nas atividades enviadas para casa, na ajuda quanto a comportamento social, pois a indisciplina na sala de aula, como já falado, está muito grande, palavrões e agressões são as que mais acontecem. Outra questão é o vandalismo como: destruição das carteiras escolares, quebra de portas e de janelas, paredes riscadas etc., foram atos muito preocupantes, pois essas atitudes antes nunca foram presenciadas com tanta intensidade nos 12 anos do CETI Dra. Zilda Arns Neumann. O sentimento de pertencimento dos alunos para com a escola foi totalmente comprometido, percebeu-se uma ruptura bastante significativa. 

Medidas de consciência foram tomadas, a escola abriu espaço para boas conversas e para esclarecer o que a escola representa na vida dos estudantes. A sua importância teve que ser mencionada e tratada como um item importantíssimo. Foram feitas palestras com especialistas, atividades de danças, peças de teatro realizadas no auditório sobre temas diversos. Abrir esses espaços para essas atividades foi crucial para desenvolver, um sentimento de valores, respeitos, harmonia e para conscientizar a todos de que a escola forma cidadãos para a sociedade de maneira total e integrante e que sujeito autônomo e crítico busca soluções para um problema que não é só dele, é de todos e a escola é de todos. Fazê-los sentir-se pertencentes a esse espaço escolar gera nele o sentimento de cuidar, de fazer parte, de zelar, haja vista que boa parte do seu dia, durante a semana ele está na escola. 

2. METODOLOGIA 

A proposta deste estudo partiu de uma reflexão sobre o retorno dos alunos às aulas presenciais, o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação como ferramenta do ensino aprendizagem em tempo de pandemia, em um novo cenário de aulas remotas.  

Para alcançar os objetivos da pesquisa, foi utilizado a metodologia de uma abordagem qualitativa, de nível descritivo e desenho não experimental, é uma abordagem indutiva, partindo do pressuposto de que a realidade é subjetiva e que podem existir múltiplas realidades e não somente uma. Para a amostra da pesquisa, foi utilizado um questionário para as turmas dos 2º e 3º anos do Ensino Médio e para os professores da escola pesquisada. O questionário foi pensado quais as variáveis 

2.1 PROJETO DE PESQUISA 

Para iniciar a pesquisa, foi feita uma consulta junto à Gestão da escola, onde a pesquisa seria desenvolvida, CETI Dra. Zilda Arns Neumann, localizada na comunidade Jesus me deu, Bairro Colônia Terra Nova, na cidade de Manaus/Am. Objetivando os alunos que fariam parte da dessa pesquisa e os professores que atuam na escola.   

A pesquisa foi desenvolvida com base na abordagem qualitativa, assim a metodologia aplicada foi procedida em uma pesquisa bibliográfica, através da leitura de livros, artigos, indicadores e outros materiais que tratavam sobre o tema, que procuravam aprimorar o esboço da pesquisa em pauta, permitindo mostrar a importância do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação no desenvolvimento dos alunos nas aulas remotas em tempo de pandemia e o retorno pós-pandemia.  

O objetivo dessa pesquisa é explicar a importância do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação em tempo de pandemia na Escola de Tempo Integral Dra. Zilda Arns Neumann. Sobre esse tipo de pesquisa, Gil (2008, p. 27) explica que as pesquisas exploratórias têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, tendo em vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores. De todos os tipos de pesquisa, estas são as que apresentam menor rigidez no planejamento. Habitualmente envolvem levantamento bibliográfico e documental, entrevistas não padronizadas. 

2.1.1 Tipo de Pesquisa 

A pesquisa realizada foi do tipo qualitativo que descreve uma abordagem de pesquisa que estuda aspectos subjetivos de fenômenos sociais e do comportamento humano.  Esse estudo teve o objetivo de refletir sobre as dificuldades enfrentadas em tempo de pandemia, sobre as questões tecnológicas de informação e comunicação para as aulas remotas. Trata-se de um relato descritivo que visa a importância das TIC em tempo de aulas online, visando o público-alvo que são os alunos do CETI Zilda Arns Neumann. Durante a pesquisa, procurou-se abordar as vivências da pandemia no campo individual dos alunos e o pós-pandemia, os transtornos e as dificuldades que os alunos desenvolveram durante a pandemia, e como isso influenciou no processo de aprendizagem.   

2.1.2 Enfoque 

O enfoque da pesquisa foi empírico-analítico, uma vez que buscou analisar o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação em tempos de pandemia em uma escola de tempo integral, com alunos dos 2ª e 3ª séries do Ensino Médio, o enfoque da pesquisa é observado em todo o processo da pesquisa, no levantamento de dados, na revisão bibliográfica, na análise dos dados, na apresentação dos resultados da pesquisa. Foi possível através da análise de dados, levantar os pontos positivos usando as Tecnologias de Informação e Comunicação para o ensino/aprendizagem durante o período de aulas remotas em tempo de pandemia e os pontos negativos que os alunos e professores tiveram durante o período de aulas remotas. Sempre com o foco nas abordagens e nos objetivos propostos. 

2.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA 

A população objeto de estudo da pesquisa foi composta por alunos de uma escola pública de ensino fundamental e médio, na cidade de Manaus-AM, Zona Norte. Nesta pesquisa, foi feito uma análise bibliográfica do tema abordado, e coletas de dados, para compreender melhor o resultado desta pesquisa, os alunos e professores responderam perguntas referentes ao processo de ensino-aprendizado através das Tecnologias de Informação e Comunicação no período da pandemia e das aulas remotas. Bauer e Gaskell (2003) apresentam que o número de entrevistas necessário para pesquisas qualitativas depende da natureza do tema e dos recursos disponíveis.            A pesquisa inclui como amostra 22 professores, esses profissionais atuam diretamente na escola, o questionário abordava informações relacionadas ao grau de formação, o conhecimento e uso das tecnologias digitais e a percepção do docente quanto à aprendizagem dos seus alunos. Quanto a amostra direcionada às turmas dos 2º e 3º anos do Ensino Médio, um total de 100 estudantes participaram da pesquisa, os entrevistados responderam a um questionário, que media o grau de conhecimento adquirido pelos alunos e suas dificuldades no uso das tecnologias no período da pandemia, quais plataformas ou aplicativos lhes pareceu mais atrativas e ainda buscou-se saber um pouco da realidade socioeconômica dos estudantes para poder entender o déficit de aprendizagem no retorno às aulas presenciais. A pesquisa foi realizada na escola onde a pesquisadora atua há 6 anos como professora de língua estrangeira. 

2.2.1 Sujeitos da Pesquisa 

Os sujeitos de estudo são constituídos pelas turmas das 2ª e 3ª séries do Ensino Médio da Escola de Tempo Integral Dra. Zilda Arns Neumann, nas quais as coletas de dados foram realizadas, por amostragem de 100 alunos e 22 professores. 

2.3 TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE COLETAS DE DADOS 

A técnica ou modelo teórico-metodológico que se adotou nesta pesquisa foi de natureza qualitativa, que implica na análise e uma investigação profunda, ela analisa e descreve o fenômeno em sua complexidade, focado na obtenção de ideias, motivação, raciocínio e aprendizado. Para realizar o presente estudo, recorreu-se à pesquisa bibliográfica e à pesquisa de campo, coletas de dados, que podem trazer uma quantidade de informações, optando-se pela entrevista de pesquisa, que, segundo Gaskell (2002), as entrevistas permitem a compreensão minuciosa das motivações, atitudes, valores, e crenças dos sujeitos pesquisados. Ela contribuirá significativamente para fazer uma análise mais profunda e que poderão contribuir para novas pesquisas no futuro. 

2.3.1 Procedimentos de Aplicação de Instrumentos 

Variável principal (dependente) estudantes do Ensino Médio, na Escola Estadual de Tempo Integral (CETI) Dra. Zilda Arns Neumann;  

Variável secundária (independente) as dificuldades dos alunos em ter acesso às ferramentas tecnológicas de informação e comunicação, na Escola Estadual de Tempo Integral (CETI) Dra. Zilda Arns Neumann, com as mudanças que ocorreram na educação no período da pandemia. 

Variável secundária (independente) às práticas pedagógicas adotadas pelos professores da Escola de Tempo Integral (CETI) Dra. Zilda Arns Neumann, em tempo de pandemia. 

Variável secundária (independente) dificuldades dos professores para ministrar as aulas online com as tecnologias de informação e comunicação, as aulas remotas em tempo de pandemia 

3. ANÁLISE DE RESULTADOS 

A pesquisa foi realizada na Escola de Tempo Integral Dra. Zilda Arns Neumann, com os alunos da 2ª e 3ª séries do Ensino Médio. Os alunos responderam um questionário referente ao aprendizado adquirido no período da pandemia com a utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação, durante o período de “Aula em Casa” ou “Ensino Remoto”. Foi feita uma análise da pesquisa através dos questionários que os alunos responderam, cada turma respondeu ao questionário, com o mesmo conteúdo específico, essa análise é importante para compreender a metodologia utilizada.  

Os sujeitos da pesquisa, alunos das turmas de 2ª e 3ª série do Ensino Médio, foram informados que seria sigilosa a pesquisa e que não precisaria se identificar por nome, porém alguns colocaram os nomes, outros os codinomes, e alguns optaram por não se identificar, fora determinado apenas o sexo e idades, quanto ao preenchimento do questionário realizado, os dados levantados pela pesquisadora das turmas encontram-se nas tabelas 3 e 4. 

TABELA 2: Turmas de 2ª série do Ensino Médio

Séries Número de alunos  por turma Sexo 
Masculino 
Sexo 
Feminino  
Idade  Tempo de estudo na 
Instituição 
Total de alunos 
2º ano 1 44 20 24 14-16   De 2 a 6 anos.  134  
2º ano 2 45 22 23 14-16 
2º ano 3 45 23 22 14-17 

Fonte: Elaborado pela autora

TABELA 3: Turmas de 3ª série do Ensino Médio

Séries Número de alunos  por turma Sexo 
Masculino 
Sexo 
Feminino  
Idade  Tempo de estudo na 
Instituição 
Total de alunos 
3º ano 1 43 20 23 15-17 De 2 a 7 anos  87 
3º ano 2 44 21 23 15-18 

Fonte: Elaborado pela autora 

O questionário elaborado para os alunos aborda itens referentes à situação socioeconômica das famílias dos estudantes, os meios mais utilizados para ter acesso às aulas disponibilizadas pela Secretaria de Educação e pelos professores durante as aulas online, com a intenção de tentar compreender as dificuldades enfrentadas por eles e compreender o baixo rendimento na aprendizagem após o retorno das aulas presenciais. 

Através da análise do conteúdo da pesquisa, das informações contidas nelas, dos dados pesquisados, dos saberes, das opiniões, das questões sociais e educacionais, dos conceitos formados e coletados se pode analisar o material da pesquisa.

FIGURA 7: Questionário para o Aluno

Fonte: Elaborado pela autora 

 Na sequência serão apresentados os gráficos gerados a partir do questionário dirigido aos estudantes. Neles se busca compreender algumas possíveis causas do aumento no déficit da aprendizagem. Para isso, será feita uma análise socioeconômica dos envolvidos e em seguida apresentar quais TIC foram utilizadas no período pandêmico, as que lhes pareceram mais interessantes e quais as percepções deles quanto ao uso das TIC no processo de ensino aprendizagem, abordando os pontos positivos e negativos.

GRÁFICO 1 – Série dos estudantes participantes da pesquisa

Fonte: Autora Maria Ivanete Enes Maia, pesquisa de campo (2022) 

A pesquisa foi realizada com alunos dos 2º e 3º anos do Ensino Médio, totalizando 100 alunos dos 221 alunos que frequentavam a escola nas duas séries. 

Nos primeiros encontros com os alunos, falou-se do objetivo da pesquisa e foi deixado evidência que a pesquisa não era obrigatória, deixando os alunos à vontade para participar do estudo. Totalizando 100 alunos e os que não quiseram participar, alegaram que não haviam acompanhado as aulas e por esse motivo preferiram não responder ao questionário. Dos 134 alunos frequentes do 2º ano, apenas 54 participaram e dos 87 alunos do 3º ano somente 46 responderam ao questionário. Observou-se que os alunos que não participaram da pesquisa, foram os alunos que realmente não acompanharam as aulas online e ao retornarem às aulas presenciais não tinham uma participação ativa, faltavam muito e estavam totalmente desmotivados. Foi um período de adequação difícil, tanto para os alunos quanto para os professores, pois o desinteresse dos discentes afetava diretamente ao professor.

GRÁFICO 2 – Formação do Pai

Fonte: Autora Maria Ivanete Enes Maia, pesquisa de campo (2022)

GRÁFICO 3 – Formação da Mãe

Fonte: Autora Maria Ivanete Enes Maia, pesquisa de campo (2022) 

Nos gráficos 2 e 3 apresentam o grau de escolaridade dos pais. Observa-se que o grau de escolaridade das mães é maior que dos pais. Sendo que, menos de 50% dos pais e mães têm o ensino médio completo e cerca de 25% deles possuem apenas o ensino fundamental completo. Quanto ao ensino superior, o índice é bem menor, 8% das mães possuem a titulação, enquanto 5% dos pais obtiveram o título. Também apresenta um índice preocupante quando se trata de pais que nunca frequentaram a escola, 7% dos pais não frequentaram, enquanto 2% das mães também não estudaram. O índice de escolaridade dos pais e a renda familiar (apresentado no próximo gráfico) estão ligados diretamente com o desempenho dos estudantes, claro sem generalizar. Mauricio Cortez Reis e Lauro Ramos apontam que o grau de escolaridade dos pais proporciona um ambiente mais favorável para o desempenho dos estudantes, uma vez que possibilita aos pais terem um rendimento financeiro maior e consequentemente um investimento maior em uma educação com mais qualidade: 

Crianças com pais mais escolarizados teriam um ambiente domiciliar mais favorável à absorção de conhecimentos e, com isso, os custos de aprendizagem seriam reduzidos, assim como a eficiência desse aprendizado seria aumentada. Além disso, é possível que crianças com pais mais educados e, portanto, mais ricos, se beneficiem de maiores investimentos na quantidade e na qualidade da educação recebida. (REIS e RAMOS, 2011).

GRÁFICO 4 – Renda Familiar

Fonte: Autora Maria Ivanete Enes Maia, pesquisa de campo (2022) 

Em relação à renda familiar, 47% das famílias tinham uma renda mensal entre dois e três salários-mínimos (o que equivalia a R$ 2.424,00), 20% dos pesquisados afirmaram que a renda seria de apenas um salário-mínimo o que equivale a R$ 1.212,00. O mais agravante foi o índice de 16% do qual disseram que a família sobrevivia com menos de um salário-mínimo (nas reuniões disseram que os pais estavam desempregados e que a família recebia o auxílio do governo e ajuda de familiares mais próximos). Os demais 7% e 8%, as famílias tinham uma renda que supria as necessidades básicas que equivalia de dois a quatro salários-mínimos e 2% das famílias teriam uma renda igual ou superior a quatro salários-mínimos.  

A situação socioeconômica apresentada no gráfico mostra a realidade de muitas famílias da comunidade escolar, a qual a pesquisa foi realizada e está diretamente ligada à falta de recursos tecnológicos que os alunos necessitavam para acessar as aulas remotas. Conforme estudo realizado por Luís Sommer e Saraí Schmidt (2020), a desigualdade social no período pandêmico causou a desescolarização das classes sociais mais baixa e que mesmo no retorno das aulas presenciais essa realidade continua, segundo eles:  

[…]  Defendemos que, neste momento, de retomada das aulas presenciais, marcados pela singular experiência da desescolarização, que foi, e ainda é, uma experiência compartilhada por todos nós, professoras e professores, crianças, jovens e famílias, é necessário mantermos a calma. Continuamos vivendo uma situação de emergência, e quando tudo isso iniciou, as famílias estavam, e muitas continuam, em condições absolutamente desiguais no que se refere ao acesso às tecnologias de informação e comunicação, à internet de alta velocidade, aos smartphones potentes. O acesso desigual a esses recursos e tecnologias tem a ver com as desigualdades que dão forma a nossa sociedade, com as desigualdades socioeconômicas que condicionam o acesso a bens materiais e simbólicos. (TRAVERSINI et al. 2020, p. 435).

GRÁFICO 5 – Moradia

Fonte: Autora Maria Ivanete Enes Maia, pesquisa de campo (2022) 

No tocante a moradia, 79% dos estudantes moravam em casa própria, lembrando que a maioria dos alunos vivem nas proximidades da escola e a comunidade foi área de assentamento informal (aglomerado subnormal) ou seja, apropriação ilegal da área. O que impactou positivamente pois não correram o risco de serem desalojados no período crítico da pandemia. Quanto às famílias que viviam de aluguel obtiveram um índice de 16%, que dependendo da situação financeira precisou de alguns ajustes nas despesas para passar a pandemia com menos prejuízo e por fim, 5% dos entrevistados disseram que viviam nas casas de parentes e/ou amigos de favor.

GRÁFICO 6 – Número de habitantes na mesma casa

Fonte: Autora Maria Ivanete Enes Maia, pesquisa de campo (2022) 

Outro número relevante foi o número de habitantes residindo na mesma casa, a pesquisa aponta que 68% dos alunos responderam que viviam em casa com cerca de quatro a seis pessoas convivendo no mesmo lar. Somente 22% dos entrevistados viviam na mesma casa entre uma e três pessoas. 7% dos estudantes disseram que em suas casas conviviam entre sete e dez pessoas e finalizando 1% deles viviam com mais de dez habitantes na mesma residência. Este último dado apresentado se mostrou preocupante devido ao momento crítico da pandemia pelo qual a cidade estava passando.

GRÁFICO 7 – Acompanhamento das aulas remotas

Fonte: Autora Maria Ivanete Enes Maia, pesquisa de campo (2022) 

No quesito acompanhamento das aulas remotas/atividades, 56% afirmaram que acompanharam as aulas através do celular, 21% por meio televisivo, 5% pelo computador, 1% por outros meios. O que chama a atenção é que 17% dos entrevistados não acompanharam as programações, seja ela online ou televisiva.  Nessa análise, podemos destacar que a grande maioria dos alunos do CETI Zilda Arns Neumann tiveram acesso às ferramentas para acompanhar as aulas online, isso representa 83% da totalidade dos alunos que fizeram parte da pesquisa. Por outro lado, foi possível observar que 17% dos alunos não acompanharam as aulas online, essa é uma preocupação que deve ser levada em consideração. Para minimizar este problema, a Coordenação Pedagógica do CETI procurou desenvolver outros métodos para ajudar esses alunos nas suas dificuldades. Solicitaram que os professores elaborassem apostilas com as aulas que estavam sendo ministradas e enviassem para o e-mail da secretaria da escola, dessa forma, os pais deveriam procurar a secretaria para buscar as atividades impressas. Com o fechamento das escolas, os alunos não utilizaram os livros didáticos, as atividades eram disponibilizadas pelos professores que acompanham as atividades da “Aula em casa” ou criavam conteúdo multimídia ou estabeleciam canais de comunicação com os alunos em tempo real, as TIC potencializam o trabalho do professor em tempo de pandemia.

GRÁFICO 8 – Aplicativos digitais mais atrativos

Fonte: Autora Maria Ivanete Enes Maia, pesquisa de campo (2022) 

Ao serem questionados quanto aos aplicativos mais utilizados nas aulas remotas, o aplicativo WhatsApp alcançou 39% e em segundo lugar 30% o aplicativo Aula em casa (através do celular ou TV). Também, o aplicativo Google Class alcançou um bom percentual de usuários estudantis, chegando a 14% dos entrevistados.  Em sequência aparecem os aplicativos Google Meet com 7%, Barsa na Rede com 6%, Explicaé com 3% e Facebook com apenas 1% dos usuários. 

Nessa análise é possível perceber que a maioria dos alunos, um total de 69% , acompanhou as aulas pelas ferramentas mais comuns no cotidiano deles, o Aplicativo WhatsApp e o Aula em Casa (através da TV e/ou Celular), foram os meios mais utilizados no período remoto. Acessar as demais plataformas disponibilizadas pela Secretaria de Educação exigia um cadastro e ter uma internet com melhor qualidade, o que não era a realidade de muitos deles, pois dependiam de planos de rede mais baratos. A mudança das aulas presenciais para as aulas online modificou muito a vida dos alunos no início do ano letivo, pois houve uma ruptura na rotina de estudo. No início, os estudantes apresentaram insegurança no manuseio das ferramentas e adaptação a norma forma de ensino, causando grandes dificuldades. A equipe pedagógica, administrativa e professores também precisaram se adaptar a esse novo sistema de ensino e tentaram passar para os alunos mais segurança, pois eles precisavam saber que não estavam sós nessa nova modalidade de ensino e que seus professores estavam presentes para tirarem suas dúvidas e darem o suporte necessários. O ponto positivo de tudo isso, foi que houve uma aproximação entre o aluno e o professor, pois com a aula online, o professor tirava a dúvida do aluno que o procurava individualmente. Também é importante salientar que esse método se tornou um meio de aproximação e as aulas tornaram-se mais dinâmicas, pois foi possível diversificar as formas de ensino através de vídeos, atividades digitais, apostilas etc. Para os alunos que tinham dificuldade de aprender e para os alunos que realmente se comprometeram com o processo de aprendizagem foi positivo esse contato individual. 

GRÁFICO 9 – Autoavaliação da aprendizagem

Fonte: Autora Maria Ivanete Enes Maia, pesquisa de campo (2022) 

Com relação à autoavaliação da aprendizagem no período remoto e levando em consideração que a nota mínima para aprovação no estado do Amazonas é média 6,00, 20% dos entrevistados se deram zero na aprendizagem, 17% se avaliaram com a média cinco, 8% relacionaram quatro na aprendizagem, 3% descreveram três, 2% se avaliaram na média dois e 1% a avaliação ficou em um. Ou seja, no total, 51% dos alunos se autoavaliaram com média inferior à nota mínima na aprendizagem, isso é preocupante, pois como falado anteriormente, muitos alunos não quiseram participar da entrevista por não terem acompanhado as aulas online e nem tão pouco as aulas televisivas. Os demais estudantes entrevistados autoavaliaram sua aprendizagem igual ou superior à média mínima, sendo: 6% avaliaram sua aprendizagem seis, 16% acreditam merecer sete, 13% se avaliaram com a média oito, 6% disseram que mereciam nove na autoavaliação e por fim, 8% autoavaliaram sua aprendizagem em dez, totalizando 49% dos estudantes que responderam à pesquisa e se autoavaliaram com média acima da mínima seis (6,00) no processo de aprendizagem durante as aulas online.  

Se pode afirmar que a autoavaliação da aprendizagem na modalidade aula remota no período pandêmico, suscitou no aluno a capacidade de se autoquestionar e refletir sobre as possibilidades e dificuldades enfrentadas por ele nessa nova forma de aprender. Segundo a pesquisadora Isabel Maria Vieira: 

[…] a autoavaliação permitiu aos alunos identificar as suas dificuldades e, dessa forma, procurar o melhor caminho para as ultrapassar. Permitiu também identificar os progressos realizados os quais proporcionaram motivação para ir mais longe, muitas vezes mesmo para além do que era definido pelos descritores, havendo casos em que os alunos criaram novas metas a alcançar (VIEIRA, 2013 p.129) 

Baseado nesta reflexão, espera-se que os estudantes meditem de que forma pode melhorar seu desempenho escolar e que essa reflexão seja levada para a vida a fim de transformar sua realidade, transpondo os obstáculos que surgirem, buscando sempre o melhor caminho de forma autônoma e responsável e cabe aos professores e responsáveis conduzi-los a essa reflexão crítica e auto avaliativa das suas ações.

GRÁFICO 10 – Aprovação dos recursos digitais no processo ensino aprendizagem

Fonte: Autora Maria Ivanete Enes Maia, pesquisa de campo (2022) 

Quando questionados se gostariam que os recursos digitais fossem mais utilizados no processo de ensino aprendizagem as respostas foram positivas. 57% dos entrevistados afirmaram que sim, 16% preferiram não utilizar e 27% preferiram não opinar quanto ao uso. O que leva a refletir que de certa forma, as tecnologias digitais podem contribuir no desenvolvimento de atividades pedagógicas diversificando as modalidades de ensino? E, como atrair esses jovens que estão desinteressados a aplicar esse novo método no processo de aprendizagem, não apenas como mais uma disciplina maçante, mas como uma ferramenta facilitadora e que fornece uma diversidade de aplicativos direcionados a aprendizagem?   

Alguns questionamentos foram com perguntas diretas nas quais os alunos manifestaram sua percepção quanto ao ensino remoto. A primeira pergunta questionava quais as dificuldades enfrentadas por você durante o período de Aula Remota?, as respostas mais relevantes ou repetidas foram: “que estavam desmotivados”, “desinteressados”, “não tinham responsabilidade”,  “preguiça para fazer as atividades e acordar cedo”; em seguida aparece “falta de concentração nas aulas”, “dificuldade de compreensão dos conteúdos e comunicação com o professor para tirar dúvidas”; e o terceiro mais apontado foi relacionado “a qualidade ou falta de acesso à internet”; outros citaram: “que não houve tantas dificuldades”, e ainda outros disseram ao contrário que houve todas as dificuldades possíveis”. Também registraram em números menores: “não acompanhava as aulas”, “dificuldade de encontrar o canal da TV para a série desejada”, “o aprendizado é ruim por não ser presencial”, “o professor explicava muito rápido não dava para entender o conteúdo”, “professor sem paciência para esperar as atividades”, “ausência física dos professores e dos colegas de classe”, “pouco tempo para estudar”, “condições financeiras da família”, “muitas tarefas diárias e trabalhos passados pelos professores”, “dificuldade de adaptar-se a esse modelo de aprendizagem”, “conciliar trabalho com estudos” (alguns alunos começaram a trabalhar para ajudar nas despesas familiares), “pais não davam muita importância por ser aula remota”, “sentia dor na visão por utilizar o celular por muito tempo”, “dependia do celular da mãe para fazer as atividades”. 

Na segunda questão foi perguntado quais os pontos positivos observados por você ao utilizar as plataformas digitais no período das Aulas remotas? As respostas foram as seguintes por ordem decrescente. As três primeiras foram: a maioria disse que “não havia ponto positivo nas aulas remotas”, outros disseram que “era a continuidade e um bom meio de aprendizagem”, outros  apontaram “a facilidade de acessar o conteúdo a qualquer hora e lugar”, na sequência as demais respostas: “as aulas eram muito explicativas e os professores interagiram com simpatia”, “favorecia por responder as atividades com calma no conforto da casa”, “não ter que ir ao colégio e poder ficar em casa”,  “estudo online organizado”, “amplitude dos conteúdos e a facilidade com as atividades”, “poder rever as aulas quando perdia o horário da TV por outro aplicativo”, “fazer outras atividades enquanto estuda”, “maior facilidade de acesso à informação por conta de diferentes meios e plataformas atualizadas”, “não era cansativo estudar remotamente”, “novas formas de aprendizagem”, “vê o boletim de notas no celular”, “poder rever as aulas para melhor compreensão e rapidez nas entregas das atividades”, “não precisar acordar cedo”, “poder colar sem punição” e por último “não necessitar fazer uso de papel e caneta para fazer as atividades”. 

A terceira pergunta abordava quais os pontos negativos observados por você ao utilizar as plataformas digitais no período das Aulas remotas? A maioria respondeu que “não houve nenhum ponto negativo”, em seguida “a falta de internet com qualidade ou falta de acesso aos meios tecnológicos”, em terceiro lugar aparece “a dificuldade na resolução das dúvidas pela ausência física do professor”, outras respostas aparecem na sequência: “vários pontos negativos” (não especificados); “desorganizado causando acúmulo de atividades”, “não conseguia prestar atenção e ter responsabilidade”, “era difícil entender as explicações”, “gosta da aula presencial e aprende mais do que de forma remota”, “não ter suporte necessário/adequado para uso das tecnologias digitais”; “desmotivação”, “não era de acordo com o meu horário”, “cansativo”, “tem dificuldade de aprendizagem”, “não consegue acompanhar as aulas”, “não sabe usar as plataformas e/ou burocracia para acessar as plataformas”, “governo não ofereceu pacote de dados para acompanhar as aulas remotas”, “pegar e levar as atividades na escola”, “na TV passava as imagens (da aula) muito rápido”, “não dava tempo de acompanhar”, “algumas vezes assuntos irrelevantes”, “ficar muito tempo em casa”, “aula remota não funciona”, “durante a aprendizagem chegavam notificações no celular e desconcentrava a aula”, “conciliar trabalho com os estudos online”, “obrigação de fazer todas as tarefas para não reprovar”. 

Na sequência a pesquisa é direcionada aos professores da escola. Apresenta na figura 8 o questionário formulado para os professores. A partir dos dados apontados, tanto dos alunos quanto dos professores, será possível fazer uma comparação entre as reflexões dos estudantes em relação à perspectiva do professor.

FIGURA 8: Questionário do Professor

Fonte: Elaborado pela autora

GRÁFICO 11 – Titulação do Professor

Fonte: Autora Maria Ivanete Enes Maia, pesquisa de campo (2022) 

 O gráfico acima mostra o grau de formação dos professores que foram entrevistados, de 49 professores atuando na escola, apenas 23 responderam à pesquisa. Da mesma forma apresentada aos alunos, os professores também responderam por livre opção de participar da pesquisa. Da amostra obtida temos: 59% dos professores possuem título de Especialista, 27% apenas a titulação Superior (que o capacita a ministrar aulas na sua disciplina), 14% têm título de Mestre e dos entrevistados nenhum tem título de Doutor.

GRÁFICO 12 – Nível de ensino que ministra aulas

Fonte: Autora Maria Ivanete Enes Maia, pesquisa de campo (2022) 

O nível de ensino que ministram aulas foi dividido em duas categorias, as quais a escola engloba: Fundamental II e Ensino médio: 53% dos entrevistados apontaram que ministram aulas para o Ensino Médio e os outros 47% para o fundamental. Porém, alguns professores ministram aulas para as duas fases. Sendo que a apontada na pesquisa se refere ao nível principal ao qual está lotado na escola e o outro nível é referente a carga horária complementar.

GRÁFICO 13 Formação para utilizar as tecnologias digitais

Fonte: Autora Maria Ivanete Enes Maia, pesquisa de campo (2022) 

Quanto à formação que o professor tem em relação ao uso das tecnologias digitais, 59% disseram que tinham formação e 41% não haviam recebido formação. O que aponta que se necessita investir mais na formação dos professores que estão atuando para que desempenhem melhor suas atividades, afinal, estamos vivendo na era tecnológica e a evolução tecnológica digital evolui muito rápido.

GRÁFICO 14 – Grau de conhecimento quanto ao uso das tecnologias digitais

Fonte: Autora Maria Ivanete Enes Maia, pesquisa de campo (2022) 

Quando se perguntou o grau de conhecimento quanto ao uso das tecnologias digitais, 64% dos professores têm o nível intermediário no uso das tecnologias digitais, 27% têm apenas conhecimento a nível inicial, 4% não tem nenhum conhecimento (analfabetos tecnológicos) e 5% têm conhecimento no manuseio das tecnologias digitais a nível avançado. O que leva a refletir em comparação aos dois gráficos 13 e 14, que por mais que o professor não tenha tido formação, tinham conhecimento quanto ao uso das Tecnologias digitais.

GRÁFICO 15 – Aplicativos utilizados na aula remota

Fonte: Autora Maria Ivanete Enes Maia, pesquisa de campo (2022) 

Um outro questionamento foi sobre os aplicativos utilizados pelos professores para continuidade do ensino através das aulas online (Aulas Remotas).  Foi apresentado algumas ferramentas digitais e a resposta foram as seguintes: 26% dos professores enviavam atividades através do WhatsApp, em segundo lugar, o programa Aula em casa (neste aplicativo poderia ser acessado diretamente na TV nos horários determinados, ou através dos aplicativos), 16% ficaram o Google Class, que é uma plataforma interessante, porém necessita de uma boa internet para acessá-la. Depois em números menores aparecem: 11% o Google Meet, 7% o aplicativo Barsa na Rede, 6% o Facebook, 4% o Canva e o Explicaé e por último com 1% outros aplicativos.

GRÁFICO 16 Meios digitais que fazia uso nas práticas escolares

Fonte: Autora Maria Ivanete Enes Maia, pesquisa de campo (2022) 

Ao serem questionados se já faziam uso das Tecnologias digitais antes da pandemia, 59% disseram que sim às vezes usavam, outros 23% disseram que nunca usaram e 18% disseram que faziam uso constante nas suas práticas pedagógicas. Observa-se neste contexto um índice elevado de professores que não utilizam as tecnologias digitais nas aulas presenciais.

GRÁFICO 17 – Meios digitais que pretende fazer uso nas práticas escolares

Fonte: Autora Maria Ivanete Enes Maia, pesquisa de campo (2022) 

Ao perguntar sobre a questão se pretendiam fazer uso das tecnologias digitais nas práticas escolares, 73% disseram que sim, pretendiam fazer uso constante das Tecnologias Digitais nas suas práticas enquanto 27% disseram que às vezes usariam. Isso é um bom resultado. Significa que as Tecnologias digitais foram bem aceitas pelos professores, mesmo com os percalços durante as aulas remotas por diferentes causas.

GRÁFICO 18 – Interesse do aluno

Fonte: Autora Maria Ivanete Enes Maia, pesquisa de campo (2022) 

Ao ser abordado o tema interesse dos alunos, o índice aparece apenas com 4% com muito interesse, 50% com pouco interesse, 32% com razoável interesse e 14% sem nenhum interesse. Esse levantamento reflete exatamente a percepção do alto índice de alunos com baixo rendimento na aprendizagem durante o período pandêmico e que em pouco tempo não se tem como sanar, essa lacuna ficará aberta, e isso num futuro próximo se terá as consequências na vida do estudante e na sociedade.

GRÁFICO 19 Assimilação dos conteúdos

Fonte: Autora Maria Ivanete Enes Maia, pesquisa de campo (2022) 

No gráfico sobre a assimilação dos conteúdos, os professores apontaram que apenas 9% dos estudantes obtiveram positivo (muito) a assimilação; 27% apontaram como razoável, 59% assimilaram pouco enquanto 5% não assimilaram os conteúdos no período remoto. Novamente este dado confirma a preocupação da pesquisadora quanto ao déficit de aprendizagem no retorno às aulas presenciais.

GRÁFICO 20 – Tirar dúvidas com o professor

Fonte: Autora Maria Ivanete Enes Maia, pesquisa de campo (2022) 

Neste enfoque, foi questionado quantos alunos tiravam as dúvidas por meio das tecnologias digitais no período remoto e como os dados apontados anteriores é preocupante o desinteresse dos estudantes, vejamos: Apenas 9% apontaram “muito” entravam em contato com o professor para tirar as dúvidas dos conteúdos/atividades, 18% um número “razoável” de alunos entraram em contato e 73% disseram que “poucos” alunos os contactaram para tirar dúvidas.  

Da mesma forma que aplicada para os alunos, também foram feitas perguntas subjetivas aos professores e conforme o percentual de respostas repetidas serão apontadas da maior para a menor. 

A primeira pergunta estava relacionada a quais dificuldades foram enfrentadas pelo professor durante o período das Aulas Remotas e as respostas foram as seguintes: catorze respostas eram que o “desinteresse dos alunos nas aulas e entrega das atividades”, dois disseram que “a falta de acesso à internet” e os demais descreveram: “criar rotina de horário para atendimento dos alunos para tirar dúvidas”, “desconhecimento das ferramentas digitais tanto dos alunos quanto dos professores”, “falta de equipamentos digitais”, “indisciplina dos alunos no acompanhamento das aulas digitais”, “pouco tempo de treinamento para as plataformas”, “não houve dificuldade”.  

A segunda pergunta estava relacionada aos pontos positivos observados pelos professores ao utilizar as plataformas digitais no período remoto e as respostas foram as seguintes: onze respostas afirmavam que “a diversidade de conteúdo a ser explorado nas plataformas digitais”, três disseram que “aprender as funções das tecnologias digitais” e as demais respostas apresentadas foram: “aulas mais dinâmicas”, “liberdade de acesso geográfico”, “material didático bem elaborado”, “oportunidade de ressignificar as práticas em sala de aula”, “interação virtual””, novas ferramentas digitais”, “facilidade na troca de informação” e por fim, “não houve ponto positivo”.  

A terceira questão abordava os pontos negativos observados pelos professores ao utilizar as plataformas digitais no período remoto. As respostas serão apontadas pela ordem decrescente: catorze responderam: “baixa qualidade da internet”, oito apontaram “falta de equipamento tecnológico dos estudantes”, sete disseram “desinteresse dos estudantes”, “participação da família no processo de ensino remoto”, “desconhecimento das plataformas”, “descumprimento na entrega das atividades nos prazos determinados”, “indisciplina para organizar o tempo do próprio estudo”, “falta de conteúdo para alguma disciplina específica”. 

3.1 ORGANIZAÇÃO DOS RESULTADOS 

3.1.1 Organização dos Resultados do Primeiro Objetivo Específico 

O resultado do primeiro objetivo específico que é identificar as ferramentas tecnológicas (TIC) utilizadas pelos professores durante o processo de ensino remoto na pandemia na escola Tempo integral Dr. Zilda Arns Neumann no município de Manaus-AM/Brasil, no período de 2022 – 2023, das ferramentas digitais apresentadas o resultado foi que 26% dos professores enviavam atividades através do WhatsApp. Em segundo lugar aparece o programa Aula em casa – este aplicativo pode ser acessado pelos canais de TV nos horários determinados e através dos aplicativos digitais como Youtube, a Plataforma Aula em Casa e Saber mais -, 16% em segundo lugar aparece o aplicativo Google Class, que é uma plataforma muito prática, conforme descrito na Tabela 1, porém necessita de uma boa internet para acessá-la. Depois em números menores aparecem: 11% o Google Meet, 7% o aplicativo Barsa na Rede, 6% o Facebook, 4% o Canva e o Explicaé e por último com 1% outros aplicativos.  

3.1.2 Organização dos Resultados do Segundo Objetivo Específico 

O segundo objetivo específico trata de relacionar as dificuldades encontradas pelo professor na modalidade remota de ensino  e as respostas dos professores foram as seguintes, por ordem decrescente de repetições, catorze professores deram as seguintes respostas  “desinteresse dos alunos nas aulas e na entrega das atividades”, dois disseram que “a falta de acesso à internet” e os demais descreveram “criar rotina de horário para atendimento dos alunos para tirar dúvidas”, “desconhecimento das ferramentas digitais tanto dos alunos quanto dos professores”, “falta de equipamentos digitais”, “indisciplina dos alunos no acompanhamento das aulas digitais”, “pouco tempo de treinamento para as plataformas”, “não houve dificuldade”.  

3.1.3 Organização dos Resultados do Terceiro Objetivo Específico 

O terceiro objetivo específico é sintetizar as percepções observadas pelo professor como resultado da aprendizagem de seus discentes, foram elaboradas três questões direcionadas para essa análise. A primeira aborda o tema interesse dos alunos, na percepção dos professores o índice aparece apenas 4% com muito interesse, 50% com pouco interesse, 32% com razoável interesse e 14% sem nenhum interesse. Esse levantamento reflete exatamente a percepção do alto índice de alunos com baixo rendimento na aprendizagem durante o período pandêmico e que em pouco tempo não se tem como sanar essa lacuna e, isso num futuro próximo, terá consequência na vida do estudante e consequentemente na sociedade.  Na segunda pergunta trata sobre a assimilação dos conteúdos, os professores apontaram que apenas 9% dos estudantes tiveram avaliação positiva “muito” a assimilação; 27% apontaram como “razoável”, 59% assimilaram “pouco” enquanto 5% “não assimilaram” os conteúdos no período remoto. Novamente este dado confirma a preocupação da pesquisadora quanto ao déficit de aprendizagem no retorno às aulas presenciais. No terceiro enfoque, foi questionado quantos alunos tiravam as dúvidas por meio das tecnologias digitais no período remoto e, igualmente aos dados apontados anteriores, é preocupante o desinteresse dos estudantes, o resultado foi que apenas 9% apontaram “muito” entravam em contato com o professor para tirar as dúvidas dos conteúdos/atividades, 18% um número “razoável” de alunos entraram em contato e 73% disseram que “pouco” alunos os contactaram para tirar dúvidas. 

3.2 AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS 

3.2.1 Avaliação dos Resultados do Primeiro Objetivo Específico 

A avaliação do primeiro objetivo específico é identificar as ferramentas tecnológicas (TIC) utilizadas pelos professores durante o processo de ensino remoto na pandemia na escola Tempo integral Dr. Zilda Arns Neumann no município de Manaus-AM/Brasil, no período de 2022 – 2023, durante o período da pesquisa foi possível analisar a importância das ferramentas digitais para o desenvolvimento dos alunos no período pandêmico. Nesse contexto crítico, para a educação é possível destacar as principais ferramentas utilizadas nas aulas online destacando as duas principais que foram o aplicativo WhatsApp e o Projeto Aula em Casa. O primeiro, WhatsApp foi o mais usado pelos professores e alunos durante as aulas remotas por ser uma ferramenta prática e que oferece diversas formas de comunicação, ademais o aplicativo faz parte do cotidiano de alunos e professores. O segundo mais utilizado foi o Projeto Aula em casa que foi bem difundido no período, pois o programa já tinha todo o conteúdo a ser ministrado e seu acesso era mais acessível por ser televisivo e pelas redes digitais. Estas duas ferramentas foram importantes para o processo educacional durante o período crítico pandêmico. 

3.2.2 Avaliação dos Resultados do Segundo Objetivo Específico 

Na segunda análise que trata de relacionar as dificuldades encontradas pelo professor na modalidade remota de ensino, nesse novo cenário de grandes dificuldades tanto para alunos quanto para os professores, as estratégias desenvolvidas e as metodologias abordadas foram de suma importância para contribuir no processo ensino aprendizagem prejudicado pela pandemia. Porém, diante das dificuldades encontradas como o desinteresse, a desmotivação e a falta de equipamentos tecnológicos digitais dos estudantes, foi possível observar a importância de se ter a cultura de acesso aos aplicativos voltados para a educação na comunidade estudantil, pois em situações imprevistas como a pandemia do Covid-19, na qual se fez necessário utilizar as TIC para a continuidade do ensino, muitos alunos não se sentiram motivados e interessados na modalidade remota de ensino. Para o funcionamento do sistema educativo de uma forma abrangente em todos os níveis de ensino é relevante que as TIC sejam mais exploradas na rotina escolar e que a cultura digital seja mais valorizada no âmbito escolar.    

3.2.3 Avaliação dos Resultados do Terceiro Objetivo Específico 

Na avaliação do terceiro objetivo específico que é sintetizar as percepções observadas pelo professor como resultado da aprendizagem de seus discentes, durante a pesquisa foi possível observar no início e no decorrer das aulas remotas a falta de interesse por parte dos alunos e as dificuldades apresentadas pela maioria deles para justificar a falta de participação nas aulas. Apresenta-se como principal causa a falta de acesso à internet e a falta de equipamentos como celular, notebook, entre outros. Neste sentido, a questão da desigualdade social apresentada deve ser levada em consideração, pois foi um agravante na falta de participação e consequentemente da aprendizagem dos estudantes nas atividades online, também se pode somar a isso a possibilidade de que os alunos não têm a cultura de estudo utilizando as tecnologias digitais uma vez que a própria escola não tem estrutura apropriada para dar esse suporte nas aulas presenciais.   

Esses apontamentos refletem exatamente a percepção do alto índice de alunos com baixo rendimento na aprendizagem durante o período pandêmico e que em pouco tempo não se tem como sanar essa lacuna e isso, num futuro próximo, terá consequência na vida do estudante e consequentemente na sociedade.     

4. CONCLUSÃO 

A pandemia trouxe mudanças em todos os setores da sociedade, e nesse novo cenário de mudanças e transformações a educação encontrou vários desafios e barreiras a serem superados. Essa mudança paradigmática que ocorreu no sistema de ensino trouxe novas metodologias dentro das Tecnologias da Informação e Comunicação, para auxiliar nos novos desafios de aulas online. Essas mudanças foram desafiadoras para a sociedade mundial, houve várias rupturas, o cotidiano dos alunos mudou com o isolamento social, não se pode negar a importância das tecnologias para minimizar os impactos causados pela pandemia, a perda e o atraso dos conteúdos foram as grandes preocupações e palco de muitas discussões.   As dificuldades que surgiram com relação ao uso das tecnologias foram encontradas tanto nos discentes quanto nos docentes, muitos tiveram que aprender a usar as ferramentas tecnológicas e as plataformas educacionais disponibilizadas. Os professores tiveram que aprender a usar e se adaptar as ferramentas para a elaboração de suas atividades para disponibilizar nas plataformas. Os que utilizavam nas suas aulas as mídias só ampliaram seus conhecimentos, esses tiveram facilidades para trabalhar com as aulas remotas e levar o conhecimento aos alunos, a grande preocupação dos professores era o aprendizado, e as limitações de muitos alunos com relação ao acesso à internet e a equipamentos tecnológicos que muitos apontaram como um grande obstáculo.  

A contribuição das TIC emergiu no cenário pandêmico com as aulas remotas, para que não houvesse perda de conteúdo e aprendizagem durante o período de isolamento social, o fechamento das escolas trouxe novas possibilidades para a educação, a saber, o uso dos aparelhos eletrônicos como celulares, televisores, notebooks. Essas ferramentas passaram a ser utilizadas para acessar as aulas online que eram transmitidas diariamente pela internet e pelos canais abertos de televisão, os alunos passaram a acessar as plataformas de ensino, para acessarem as atividades disponibilizadas pelos professores. Foi possível perceber durante a pesquisa que muitos alunos encontraram dificuldades pela falta de internet em suas residências e até mesmo pela falta de aparelhos, mas a escola CETI Zilda Arns Neumann estava sempre como facilitadora para levar aos alunos que não tinham condições de acessar os conteúdos, então, semanalmente a coordenação da escola deixava disponibilizada às atividades impressas. Essa foi uma das alternativas encontrada para minimizar as dificuldades que foram enumeradas diante desse cenário pandêmico com o novo coronavírus.  

Portanto, a pandemia trouxe um novo desafio para o sistema de educação, uma nova modalidade de ensino que já existia, mais foi a primeira vez que ela foi utilizada em todos os níveis da educação, o ensino remoto foi desafiador para muitos, uma barreira que foi vencida com as TIC, que levou a educação em vários lugares do Brasil e do Amazonas promovendo a educação, o desenvolvimento intelectual e cultural dos alunos em tempo de pandemia.  

5. RECOMENDAÇÕES 

As possibilidades desse estudo são inúmeras, diante das mudanças sociais ocorrida no mundo com o novo Coronavírus, várias ações emergenciais foram tomadas pelos governos para conter o avanço da covid-19, o isolamento social, foi um deles que afetou diretamente a vida dos estudantes pelo mundo afora. Dentro desse novo contexto emergencial as aulas passaram a ser ministradas para os alunos de forma online e as TIC foram de grande importância nesse percurso. Um recurso atual utilizado para levar aos alunos as aulas diárias, de forma remota para que não houvesse perda dos conteúdos, pois não se sabia quando as escolas abririam suas portas para recebê-los de volta para as aulas presenciais. 

Foi possível, através dos questionários e em reuniões com os estudantes e professores, medir as dificuldades e a realidade de cada um deles dentro desse universo chamado CETI Dra. Zilda Arns Neumann, localizada em uma comunidade carente na Zona Norte de Manaus. As estratégias montadas pela escola foram uma facilitadora de aprendizagem para os estudantes em tempo de pandemia. Foram através das tabulações dos dados das entrevistas que se pode medir a realidade e as dificuldades relatadas pelos alunos e pelos professores com relação ao uso das ferramentas tecnológicas de informação e comunicação. 

Recomenda-se a realização de estudos mais aprofundados sobre o tema da pesquisa, O Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação em Tempos de Pandemia, uma vez que a escola e todos os envolvidos no processo educacional devem ter como objetivo trabalhar e desenvolver o aluno para formar cidadãos conscientes de seus direitos e deveres e de suas responsabilidades perante a sociedade em que ele está inserido – dentro desse novo contexto que foi apresentado à sociedade. Sugere-se também às Secretarias de Educação para que possam ter um olhar diferenciado sobre o avanço constante das tecnologias e adequação das escolas públicas à essa realidade.  

Sabe-se que a educação é diretamente responsável pela formação e capacitação dos estudantes para serem inseridos na sociedade e atuarem de forma ativa, ética e moral. Portanto, espera-se que os governos e as instituições escolares – sejam elas de tempo normal ou integral – trabalhem com projetos voltados para o desenvolvimento da educação através da inserção das Tecnologias de Informação e Comunicação no seu cotidiano, haja vista que a educação deve estar alinhada com o desenvolvimento da sociedade e, ter a consciência de que a educação é transformadora e precisa ser valorizada. Deve também ser encarada como um desafio novo todos os dias para que possa alcançar seus objetivos que é o desenvolvimento do aprendizado através de uma educação de qualidade, seja ela de quaisquer modalidades, online ou presencial, em vista a uma sociedade mais justa e igualitária. 

REFERÊNCIAS 

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