O USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL EM TURMAS DE GRADUAÇÃO EM UMA INSTITUIÇÃO PRIVADA NA CIDADE DE MANAUS(AM): UMA ANÁLISE QUANTITATIVA E QUALITATIVA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202510291941


Klícia Carneiro Gomes de Lima1; Maria Cristiane Melo Costa Silva2; Mick Jone Nogueira de Almeida3; Walmir Ribeiro Pereira Junior4; Ana Maria Simas Gaia Machado5;  Victor da Silva Almeida6


RESUMO

Atualmente, o uso da Inteligência Artificial nas IES pelos discentes tem se tornado frequente e abordado  com preocupação pelos docentes. Verificou-se que desde o ano 2022, cresceram o número de pesquisas  que tratam o tema de variadas formas e sob variados aspectos. Além de busca por referencial teórico,  esse trabalho também objetivou conhecer o cenário da utilização da IA por discentes em turmas das  áreas de exatas, saúde e humanas em uma IES privada na cidade de Manaus (AM). Através de  questionários com perguntas estratégicas sobre o uso da IA, foi possível entender que de fato o uso é  frequente nas três áreas de ensino, porém, na área de saúde os discentes têm dúvidas se essa utilização  está sendo favorável para o crescimento acadêmico. Diante disso, concluiu-se ser necessário que normas  sobre o tema sejam implantadas nas IES para que o pensamento crítico, seja de fato uma das principais  características desses egressos. 

PALAVRAS-CHAVE: Inteligência Artificial. Manaus. Ensino Superior.  

ABSTRACT 

Currently, the use of Artificial Intelligence (AI) by students in higher education institutions (HEIs) has  become increasingly frequent and has raised concerns among professors. Since 2022, there has been a  noticeable growth in studies addressing this topic from diverse perspectives. In addition to seeking  theoretical references, this study aimed to analyze the scenario of AI use among students in exact  sciences, health, and humanities programs at a private HEI in Manaus (AM). Through questionnaires  containing strategic questions about AI usage, the results revealed that AI is widely used across all three  academic areas. However, students in the health field expressed uncertainty about whether such use  contributes positively to their academic development. Therefore, it is concluded that HEIs should  establish clear guidelines and norms regarding AI use to ensure that critical thinking remains a central  skill among graduates. 

KEYWORDS: Artificial Intelligence. Manaus. Higher Education

1. INTRODUÇÃO 

A inteligência artificial no ambiente acadêmico já é uma realidade em todas as  instituições de ensino superior (IES), independentemente de que ela seja pública ou privada.  Várias são as vantagens do uso pelos discentes e dentre elas destaca-se a praticidade e a rapidez  em que os resultados são encontrados. No entanto, a utilização frequente da ferramenta vicia e  atrofia a inteligência humana, tornando mais difícil que seja estimulado o pensamento crítico e  investigativo pelo discente. A dependência pela ferramenta diminui o campo de ensino aprendizagem visto que o contexto educacional nessa fase ainda se encontra em  construção/formação.  

Nesse contexto, sobre atitudes do corpo discente, temos um conflito de gerações, que  até nesse campo acadêmico está presente, sendo que, a recusa dos mais novos em ouvir os  colegas veteranos têm se tornado mais frequente, sendo mais fácil para esses jovens, o uso das  ferramentas de IA menosprezando as ideias, opiniões, conceitos e conhecimento empírico dos  mais experientes, causando um certo mal-estar acadêmico. 

Destarte, sob o ponto de vista docente, o uso da tecnologia também é praticado, porém,  em menor escala, principalmente porque professores decanos, visto que, alguns usuários ainda  têm dificuldades no manuseio de softwares, hardwares e novidades tecnológicas, contrapondo se ao conhecimento precoce da geração atual dos acadêmicos. Ainda na concepção docente,  mesmo com o vasto conhecimento adquirido, alguns outros recusam-se a usar a ferramenta  tecnológica e ficam desatualizados e ausentes para novos desafios do conhecimento. Por outro  lado, a nova geração de professores, possuidores de conhecimento tecnológico, pensam de  forma diferente e buscam a ferramenta visando ampliar seus conhecimentos científicos e  tecnológicos.  

Assim sendo, na condição de futuros docentes de IES, é importante conhecermos como  atualmente os discentes utilizam a ferramenta no ambiente acadêmico para que possamos  adequar-nos a esse novo cenário acadêmico, aproximando-se desse público-alvo  contemporâneo, com a devida bagagem didático-pedagógico e tecnológica, fazendo frente aos  desafios do ensino-aprendizagem pós-pandêmico, em tempos de Inteligência Artificial. 

Nesse sentido, esse trabalho científico norteou-se no resultado obtido por meio de  questionários fechados, direcionados a estudantes dos Cursos das áreas de Exatas, Humanas e  Saúde, com o objetivo de investigar sobre o uso de ferramentas de IA junto a esses grupos, para  então chegarmos à seguinte questão: Será que de fato essa ferramenta tem sido tão utilizada como imaginamos? E ainda, se seu uso está relacionado a determinado grupo do conhecimento  humano, sejam eles a área das Ciências Exatas, Ciências Humanas ou Ciências Saúde?

Portanto, o objetivo geral deste trabalho é analisar o uso da inteligência artificial pelos  discentes da graduação de uma faculdade privada na cidade de Manaus (AM) e os objetivos  específicos são: conhecer a faixa etária; a ferramenta de IA mais utilizada e a frequência do  uso; saber se a IA está colaborando com seu conhecimento acadêmico e em qual momento a IA  está sendo mais utilizada. Quanto ao processo metodológico, o artigo está embasado na  pesquisa bibliográfica dentro de uma revisão sistemática com a abordagem quantitativa e  qualitativa descritiva (ou explicativa). 

2. INTELIGENCIA ARTIFICIAL (IA) 

Conforme Soares (2024), a IA seria um ramo da ciência que, através da tecnologia,  auxilia diversas áreas do cotidiano por meio de tomada de decisões, criação de soluções e  resolução de problemas, simulando a inteligência humana. A Estratégia Brasileira de  Inteligência Artificial – EBIA, avança nesse conceito quando cita que a IA seria um conjunto  de técnicas que visam igualar aspectos da cognição dos seres vivos. Na nossa realidade  brasileira, essa afirmação parecia ser assustadora a dez anos atrás, no entanto, a geração atual  não só assimila essa afirmação com naturalidade como também está a esperar sempre mais da  ferramenta. 

2.1 INÍCIO DO USO DA INTERNET E DA IA NO BRASIL E COMO FUNCIONA A IA. 

Segundo a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP, 2015), o uso da internet no  Brasil teve início oficialmente em 1995. No entanto, sua utilização já ocorria desde 1988, por  meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do Laboratório  Nacional de Computação Científica (LNCC). Assim, observa-se que a disseminação da internet  no país foi inicialmente conduzida por instituições acadêmicas, com o propósito de promover  o avanço científico.  

Ainda conforme a RNP (2015), em 1998 foi criado o Programa Interministerial  (PIRNP), uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que contou  com a participação de diversos órgãos da sociedade, inclusive com a comunidade acadêmica. Essa iniciativa reconheceu a internet como um elemento essencial para o futuro da educação e da pesquisa, especialmente diante da necessidade do Ministério da Educação (MEC) de ampliar  o acesso a periódicos científicos eletrônicos. Em julho de 2015, em Manaus, foi lançada  oficialmente a iniciativa Amazônia Conectada através de um programa que usa o leito dos rios  da bacia Amazônica para instalação de uma rede de fibra óptica. Atualmente, segundo o IBGE  (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), dados de agosto de 2024 dão conta de que a  internet esteve presente em 92,5% (72,5 milhões) dos lares brasileiros no ano anterior (Olhar  Digital, 2025). 

No Brasil, em 1971 foi elaborada a primeira dissertação sobre IA no Brasil intitulada  de Introdução à prova automática de teoremas, pelo pesquisador Emmanuel P. Lopes Passos  da pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), sendo que somente a  partir de 1990 que um maior número de pesquisadores brasileiros passaram a publicar sobre a  IA. Durante essa década, diversos eventos acadêmicos voltados à Inteligência Artificial  desempenharam papel fundamental no estímulo a estudantes e pesquisadores brasileiros,  impulsionando o início de novas investigações na área.  

Contudo, esses encontros também contribuíram para o fortalecimento dos grupos de  pesquisa já existentes, a divulgação de estudos sobre IA na comunidade científica nacional e a  consolidação da Inteligência Artificial como uma disciplina indispensável nos cursos de  graduação e pós-graduação em computação e áreas correlatas no Brasil (Reali Costa, 2021).  

Quanto à popularização do uso da IA no Brasil, principalmente a generativa, houve  um avanço em 2022, no período pós pandemia e também pela popularização dos smartphones.  Conforme cita Teixeira e Filho (2025) esse avanço marcou uma nova era na educação superior  pois muitos estudantes passaram a incorporar sistemas baseados em processamento de  linguagem natural (NLP), aprendizado de máquina e algoritmos preditivos em suas atividades  acadêmicas sem orientação formal dos docentes. Atualmente, segundo Soares (2024), entramos  na computação quântica do 5G e realidade aumentada, passando do código binário 0 e 1, para  vários códigos, proporcionando uma maior velocidade no processamento de informações. 

Em relação a regulamentação do tema, em abril de 2021, através da Portaria MCTI nº  4.617, foi criada a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (EBIA) através do Ministério  da Ciência e Tecnologia (MCTI) com o objetivo de definir estratégias para o desenvolvimento,  uso ético e promoção da inteligência artificial no Brasil (Brandão, 2024). 

Segundo Kubota e Rosa, (2024), a EBIA afirma que: 

É necessário estudar os impactos da IA em diferentes setores, evitando ações regulatórias que possam limitar desnecessariamente a inovação, a adoção e o desenvolvimento da IA. Em contrapartida, princípios éticos devem ser seguidos em todas as etapas de uso e desenvolvimento da IA podendo, até mesmo, ser elevados a requisitos normativos. 

Para tanto, a IA utiliza-se de dados e algoritmos (instruções para computador),  previamente informados, para formular respostas nas diversas áreas do conhecimento.  Conforme Pinheiro e Oliveira (2022) para se ter a IA é necessário que tenha prioritariamente  algoritmos e o seu aprimoramento com o tempo. A utilização do ChatGPT, por exemplo, baseia se em um processo de pré-treinamento em que o modelo é exposto a grandes quantidades de  dados textuais provenientes de diversas fontes, como artigos, websites, livros e conversas  escritas (Costa, 2024). A inteligência artificial é definida como a capacidade de sistemas  computacionais realizarem tarefas que normalmente requerem inteligência humana (Freitas, 2025).  

Conforme Teixeira e Filho, (2025): 

O funcionamento da IA baseia-se na capacidade de processar grandes volumes de dados, identificar padrões e realizar previsões ou ações com base em algoritmos previamente definidos. Em sua essência, seus sistemas dependem de três componentes fundamentais: dados (input), modelos matemáticos e algoritmos de aprendizado, o funcionamento da IA baseia-se na capacidade de processar grandes volumes de dados, identificar padrões e realizar previsões ou ações com base em algoritmos previamente definidos. 

2.2 AS VANTAGENS E DESVANTAGENS DO USO DA IA NO AMBIENTE ACADÊMICO. 

Inúmeras são as vantagens do uso da IA no ambiente escolar, principalmente para  ajudar o aluno com dificuldades de aprendizado a aprender mais fornecendo ferramentas que  detectam o erro na atividade e enviam as próximas tarefas a depender do grau de acerto do  aluno, segundo Soares (2024), o ensino adaptativo é o que se tem de mais moderno hoje: se o  aluno erra, ele passa mais um exercício do mesmo nível em outro contexto, se erra novamente  passa um exercício mais fácil e assim sucessivamente. 

No entanto, nos últimos anos, percebe-se que a intensificação do uso da IA através  da popularização de smartphones, aumentou no ambiente acadêmico após a pandemia da COVID-19, ocorrida entre os anos de 2020 e 2021 e isso trouxe mudanças comportamentais  importantes em vários ambientes. 

Segundo Pinheiro e Oliveira, (2022):  

Em todos os lugares a tecnologia baseada em Inteligência Artificial tem transformado a forma de interação entre as pessoas nos contextos profissional, acadêmico e, diferenciadamente, em organizações voltadas ao uso intensivo de informação, como as bibliotecas.  

Conforme Costa, (2024), o lançamento do Chat Generative Pre-Trained Transformer (ChatGPT) em 2022 desempenhou um papel fundamental ao ampliar o acesso e a utilização da  IA. O que corrobora com Kubota e Rosa (2024) quando cita que o recente lançamento do  ChatGPT gerou um alvoroço em torno da IA. Não podemos negar como o uso da IA no Brasil  tem se tornado uma ferramenta de crescimento e de maior aproximação aos países  desenvolvidos, em vários aspectos.  

Conforme Brandão (2024), essa tecnologia é um ativo valioso no enfrentamento de  desafios domésticos, na aceleração do crescimento econômico e na consolidação de posições  geopolíticas estratégicas. Além disso, tem o potencial de transformar métodos tradicionais de  avaliação oferecendo uma abordagem mais personalizada e eficiente (Freitas, 2025). A  personalização do ensino também é abordada por Almeida, (2025) que acrescenta o aumento  do engajamento dos alunos como uma grande vantagem. Outro potencial é o de otimizar  processos de ensino, personalizar o aprendizado, automatizar tarefas administrativas e  contribuir para a descoberta e avanço do conhecimento científico (Henning, 2023). 

No entanto, ferramentas como o ChatGPT pode conter falhas, o que pode levar o  discente a entender conceitos de forma equivocada pois em uma IA generativa a precisão das  respostas fornecidas pelo chatbot está intrinsecamente ligada à qualidade dos dados de entrada,  ou seja, para obter respostas precisas, é essencial que os usuários forneçam dados de entrada  precisos.  

Costa, (2024). Outro aspecto negativo é o apontado por Caitano (2025) quando alerta  que a incorporação da inteligência artificial (IA) na formação de professores constitui um  campo emergente que combina inovação pedagógica com desafios éticos cada vez mais  relevantes. Outro importante fator é levantado por Almeida, (2025), quando cita que enquanto  a IA impulsiona a transição para o digital e aprimora a eficiência acadêmica, também levanta  desafios éticos e operacionais que exigem atenção urgente.

2.3 O USO DA IA COMO FORMA DE MINIMIZAR A DESIGUALDADE SOCIAL ENTRE DISCENTES E O DESAFIO DOS DOCENTES QUANTO AO USO EXCESSIVO. 

Sabemos que o ensino híbrido, adotando ferramentas de ensino a distância, promoveu  o acesso mais universal a estudantes de diversas classes sociais, sobre tem-se que o avanço da  IA também promoveu mudanças nos métodos de ensino, migrando de práticas tradicionais  offline para plataformas digitais (Almeida, 2025). 

Segundo Henning (2023), ferramentas de IA podem ampliar o acesso à educação  permitindo que discentes que moram em locais distantes do polo educacional e que ainda, por  questões socioeconômicas, também tem dificuldades de acesso a instituições de ensino  presenciais também tenham oportunidades de aprendizagem igualitárias. 

No entanto, o grande desafio do docente é fomentar no aluno capacidades só  desenvolvidas em um ambiente de nível superior, onde faz-se necessário que sejam praticadas  ações que possibilitem futuramente sua melhor adaptação e desenvolvimento no mercado de  trabalho, tais como: trabalho em equipe e análise crítica. Sobre isso, cita Henning (2023) que a  Educação Superior tem desempenhado um importante papel na formação dos indivíduos  proporcionando conhecimentos especializados, habilidades e competências necessárias para o  desenvolvimento pessoal e profissional.  

Necessário que cada instituição possua regras para o uso de IA para que a ferramenta  seja utilizada de forma apropriada. Dessa forma, enquanto a IA transforma o setor educacional,  é essencial abordar desafios éticos e estruturais para garantir que seus benefícios sejam  amplamente acessíveis e sustentáveis (Almeida, 2025). 

3. METODOLOGIA 

A presente pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de natureza interpretativa e  fundamentada na análise de artigos referentes ao tema da IA no ensino superior, bem como  documentos e normativas relacionadas e também possui a abordagem quantitativa através da  obtenção de dados de respostas de questionários. A investigação de natureza qualitativa e  quantitativa de caráter bibliográfico, foi fundamentada em autores como Gil (2003) e Marconi;  Lakatos (2008).

Inicialmente foi feita pesquisa bibliográfica buscando o entendimento do tema no  ambiente do ensino superior através dos sites Google Scholar e Perplexity. Embora o título do  trabalho esteja voltado para instituições privadas, essa informação não foi considerada como  critério de pesquisa objetivando que o referencial bibliográfico pudesse abordar também  questões mais amplas. A abordagem da pesquisa no âmbito de instituições privadas foi  exclusivamente feita através da segunda etapa dessa pesquisa, que foram respostas de  questionários.  

O referencial bibliográfico foi obtido através de artigos científicos publicados em  periódicos nacionais entre os anos de 2015 e 2025. No entanto, embora a pesquisa não tenha  sido restrita por ano de publicação, as buscas trouxeram publicações mais recentes, entre os  anos de 2024 e 2025.  

A elaboração do questionário foi feita pelos autores, durante a aula da disciplina  Metodologia do Ensino Superior II ministrada em um curso de Especialização em Docência do  Ensino Superior. Durante a elaboração do questionário foram considerados os seguintes  aspectos: que a elaboração fosse feita através de perguntas de múltipla escolha e curtas e ainda  que envolvessem aspectos gerais da utilização da IA. Foram elaboradas seis perguntas no site  Google Forms e direcionadas a alunos das áreas de exatas, humanas e saúde de uma instituição  de ensino superior privada na cidade de Manaus (AM) e a cada uma das perguntas foram dadas  cinco opções de múltipla escolha. As seis perguntas elaboradas foram: Qual a sua idade? Você  conhece alguma ferramenta de Inteligência Artificial (IA)? Qual ferramenta você usa com mais  frequência? Com que frequência você usa a IA em atividades acadêmicas? Você acredita que a  IA está ajudando no seu crescimento acadêmico? Em qual momento você usa a IA? As  perguntas foram obtidas entre os dias 10 e 15 de outubro de 2025 e fechadas quando foram  obtidas 11 respostas de cada turma, sendo elas uma turma de cada área do conhecimento. 

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

O referencial teórico demonstrou que o tema: utilização da IA em instituições privadas  foi crescente entre as publicações de periódicos no período pós pandemia da COVID-19, ou  seja, entre os anos de 2024 e 2025. Considerando que a pandemia ocorreu entre os anos de 2020  e 2021, entende-se que nos anos de 2024 e 2025 houve a possibilidade de obter-se pesquisas  que refletissem as consequências de um passado não muito distante, ou seja, os anos de 2020 e  2021.

Em relação à pesquisa feita através dos formulários, foram obtidos os seguintes  resultados:

Quadro 1 – Maiores percentuais de respostas obtidas por área de conhecimento.

Fonte: Autores (2025)

Legenda: 
Pergunta 1 – Qual a sua idade? 
Pergunta 2 – Você conhece alguma ferramenta de Inteligência Artificial (IA)?  Pergunta 3 – Qual ferramenta você usa com mais frequência?  
Pergunta 4 – Com que frequência você usa a IA em atividades acadêmicas? 
Pergunta 5 – Você acredita que a IA está ajudando no seu crescimento acadêmico? 
Pergunta 6 – Em qual momento você usa a IA?  

As perguntas 1, 2, 3 e 4, referem-se a aspectos mais gerais da pesquisa, sendo elas:  Qual a sua idade? Você conhece alguma ferramenta de Inteligência Artificial (IA)? Qual ferramenta você usa com mais frequência? Com que frequência você usa a IA em atividades  acadêmicas? Através da análise das respostas obtidas verificamos que existe uma relação entre  elas, como por exemplo, a frequência do uso da IA, que em todas as três áreas aparece com o  percentual de 9,1% na opção “sempre”, enquanto que a opção mais expressiva em relação a  esse item, nas áreas de humanas e exatas, possui os percentuais de 63,30% e 54,50% na opção  “frequentemente” enquanto que na área de saúde o percentual ficou em 45,50% na opção  “raramente”, diferentemente das outras duas áreas. Ver Gráfico 1. Isso sugere que, enquanto os  estudantes de Humanas e Exatas parecem já ter incorporado as ferramentas de IA de forma mais rotineira em suas atividades acadêmicas, os alunos da Saúde demonstram um uso  significativamente menos assíduo. 

Gráfico 1 – Frequência do uso da IA em atividades acadêmicas.

Fonte: Autores (2025)

Em relação as faixas etárias que correspondem aos discentes entrevistados, observa-se  que na área de saúde há um público mais jovem que nas demais, possuindo um percentual de  81,80% com idade entre 18 a 24 anos e não havendo nenhum entrevistado acima de 40 anos,  curiosamente, essa área é a que mais tem dúvidas em relação ao crescimento acadêmico com o  uso da IA e a usam com menos frequência. Em relação as áreas de humanas e exatas os públicos de 18 a 24 anos possuem o percentual de 63,60% e 36,40% respectivamente e 9,10% e 18,20%  respectivamente possuem acima de 40 anos contraponto a ideia de senso comum que os mais  jovens são os tem mais afinidade com as ferramentas de IA. 

Nas três áreas entrevistadas o conhecimento em alguma ferramenta de IA é de 100%  e dentre elas o ChatGPT é mais utilizada com percentual acima de 50% dentre as demais  ferramentas propostas sendo que o Gemini está em 2º lugar como a mais utilizada nas três áreas  e a Copilat, embora tendo percentual expressivo nas áreas de saúde e exatas, não foi escolhida  na área de humanas. A ferramenta DeepSeek só foi mencionada na área de exatas. 

Sobre a pergunta 5: Você acredita que a IA está ajudando no seu crescimento  acadêmico, essa possui três alternativas: sim, não e talvez. Esse questionamento indicou que os  alunos entrevistados na área de saúde têm dúvidas em relação a essa questão pois 36,40%  indicam que sim e o mesmo percentual acredita que não e 27,30% indicaram que talvez ela esteja ajudando no crescimento acadêmico. Isso reflete que nessa área há uma reflexão maior  sobre o tema, demonstrando, talvez, um pensamento mais crítico do uso da ferramenta entre  esses alunos. Ver gráfico 2.  

Diferentemente, dentre os alunos entrevistados na área de humanas 63,60% acreditam  que sim e 36,40% acredita que talvez o uso da IA esteja ajudando no crescimento acadêmico,  ou seja, possuem mais certeza que o uso da ferramenta esteja fazendo diferença na sua  formação, isso também é evidenciado por nenhum aluno ter indicado que não, que a IA não  esteja ajudando no seu crescimento acadêmico. Dentre os alunos da turma de exatas, o  percentual de 54,50% acredita que a IA esteja fazendo a diferença no crescimento acadêmico,  enquanto que 27,30% acreditam que talvez e apenas 18,20% acreditam que a IA não esteja  fazendo a diferença. Nesse caso, vimos que a turma de exatas aproxima-se mais da turma de  saúde pois tem dúvidas em relação ao crescimento acadêmico embora este último apresenta  menor percentual de dúvida. Ver gráfico 2.

Gráfico 2 – Percentual de confiança que os discentes têm em que a IA esteja ajudando em seu  crescimento acadêmico.

Fonte: Autores (2025)

Em relação a pergunta: Em qual momento você usa a IA foram dadas cinco  alternativas: responder questionamentos do docente durante a aula; elaboração de seminários;  redação de textos; resolução de exercícios e tradução de textos. Na turma de saúde, o maior  percentual foi dado a opção “resolução de exercícios” com 45,50% e em segundo lugar tem se “elaboração de seminários” com 27,30% e as demais opções com a mesma quantidade de 9,10%. Na turma de humanas o maior percentual foi na opção “elaboração de seminários”  com 45,50%, em segundo lugar “resolução de exercícios” com 36,40% e em terceiro lugar,  com 18,20%, a opção “redação de textos”. As opções “traduções de texto” e “responder  questionamentos do docente em sala de aula” não foram marcadas.  

Na área de exatas, a opção “tradução de textos” também não foi marcada e a opção  “resolução de exercícios” teve o maior percentual com 45,50% seguido de “responder  questionamentos do docente durante a aula 36,40%, sendo que “redação de textos” e  “elaboração de seminários obtiveram o mesmo resultado de 9,10%.  

Desses resultados percebe-se que as áreas de humanas e exatas não obtiveram marcação  na opção “tradução de textos”, isso pode indicar que os materiais didáticos ofertados nesses  cursos sejam majoritariamente na língua portuguesa não indicando que os alunos dominem  outros idiomas. Observa-se que a opção “resolução de exercícios” teve o mesmo percentual de  escolha, que foi de 45,50%, dentre os cursos de exatas e saúde e que na área de humanas ele  obteve o percentual de 2º lugar com 36,40%, isso mostra que a IA é muito utilizada em um  tema não referente a pesquisa em si, ou seja, ao invés de ajudar o aluno a pensar melhor está  ajudando o aluno a simplesmente pensar.  

Sugerindo, desta forma, um uso negativo da IA não possibilitando que o aluno treine  as capacidades cognitivas em sua plenitude. Outro aspecto a ser observado é sobre a elaboração  de seminários que obteve o maior percentual na área de humanas que foi de 45,50%, esse  resultado reflete não só como a IA está possibilitando o uso de ferramentas com maior  capacidade de síntese como também a necessidade de os alunos necessitar ou optar por recursos  que oferecem maior praticidade. 

Um aspecto importante a ser indicado é que as turmas entrevistas são do turno noturno,  o que se considera que a maioria deve laborar durante o dia, tendo, portanto, menos tempo a  dedicar-se ao estudo e pesquisa que alunos do turno diurno, favorecendo, dessa forma, ao uso  da IA como ferramenta para obtenção de maior praticidade durante as atividades acadêmicas. 

5. CONCLUSÃO 

Atualmente, o uso das ferramentas da IA nas IES é muito frequente pelos discentes nas  diversas atividades desempenhadas durante sua permanência na vida acadêmica,  principalmente na resolução de exercícios, elaboração de seminários e para redação de textos.  Pesquisa feita em uma IES privada na cidade de Manaus (AM) confirma essa afirmação e ainda revela que na tradução de textos ela é pouco utilizada, o que sugere que o uso onde o discente  deveria estar mais voltado a praticar o raciocínio e criatividade infelizmente está sendo  substituído pela IA. Esse cenário ainda é mais preocupante quando lembramos que uma das  principais funções da vida acadêmica é desenvolver a criticidade no aluno para que ele se torne  um ser útil a sociedade, capacidade essa que está tornando-se mais rara quando se substitui o  bate-papo presencial pelo virtual, com uma máquina. 

No entanto, o uso frequente da ferramenta nas IES é um cenário que não mudará, pelo  contrário, a tendência é que a praticidade de seu uso se torne ainda maior facilitando ainda mais  sua utilização. Porém, inúmeras são as vantagens do uso da ferramenta no ambiente acadêmico,  dentre elas o auxílio a alunos com dificuldades que vão desde a vulnerabilidade social quanto  de acessibilidade e ainda a aqueles que laboram durante o dia e estudam no turno noturno,  realidade muito comum nas IES privadas.  

Nesse cenário, preocupados com a expansão das ferramentas de IA, foi criado em  2021, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial  (EBIA), com o objetivo de definir estratégias para o desenvolvimento, uso ético e promoção da  inteligência artificial no Brasil. Porém, de nada adiantam ações a nível nacional se as IES não  desenvolverem ações mais específicas para regular o uso da IA em seus ambientes  educacionais.  

Diante disso, conclui-se que tornando o uso da IA mais responsável através de regras  específicas, as IES terão muito a ganhar em prol de seus alunos e consequentemente elevar o nível da instituição. No ambiente da pesquisa acadêmica, por exemplo, as facilidades de acesso  a produções de diversos autores de diferentes países é uma das principais vantagens da  regulação do uso, tema em que pode-se e deve-se avançar ainda mais tornando o cenário  acadêmico amazonense e brasileiro ainda mais competitivo com a realidade internacional. 

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SOARES, Marcelo Negri. Inteligência artificial: pessoa eletrônica dotada de personalidade  jurídica e titular de direitos da personalidade no Brasil. Revista Brasileira de Direitos da  Personalidade. || v. 1, n. 2, 2024 || 130. UniCesumar, Maringá/PR, Brasil https://orcid.org/0000- 0002-0067-3163. 

TEIXEIRA, Magno Felipe Holanda Inácio Barbosa, DA SILVA FILHO, Lourival Gomes. O  impacto na Inteligência Artificial entre estudantes do ensino superior. Revista Eletrônica  da Estácio Recife, [S. l.], v. 12, n. 1, p. 86–100, 2025. Disponível em:  https://reer.emnuvens.com.br/reer/article/view/852. Acesso em: 16 out. 2025.


1Pós-graduanda em Docência do Ensino Superior – FAMETRO/Manaus – email: kliciacarneiro2016@gmail.com

2Pós-graduanda em Docência do Ensino Superior – FAMETRO/Manaus – email: mariacristiane@yahoo.com.br

3Pós-graduanda em Docência do Ensino Superior – FAMETRO/Manaus – email: nogueira.arqueologia@gmail.com

4Pós-graduanda em Docência do Ensino Superior – FAMETRO/Manaus – email: walmir_rjr@yahoo.com.br

5Professora Orientadora, Especialista em Gestão e Docência do Ensino Superior – Faculdade Estácio do Amazonas – email: ana_machadogaia@hotmail.com

6Doutor em Gestão da Inovação, Universidade Federal do Amazonas – UFAM – email:admvictor2@outlook.com