USE OF SURGICAL GUIDES FOR IMPLANTS: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202510291945
Bruna Sebastiany Vieira
Gabrielle Lima Dias
Thayenne Silva de Souza
Walace Casadio de Oliveira
Resumo
A implantodontia tem se destacado como uma das áreas mais dinâmicas da odontologia contemporânea, impulsionada pela incorporação de tecnologias digitais e sistemas de planejamento virtual. A evolução dos métodos convencionais de colocação de implantes para técnicas assistidas por computador, especialmente com o uso de guias cirúrgicos, representa um avanço significativo na busca por maior previsibilidade, precisão e eficiência clínica. Esta revisão de literatura teve como objetivo analisar as evidências científicas sobre o uso de guias cirúrgicos em implantodontia, avaliando sua acurácia, eficácia clínica, vantagens, limitações e impacto nos resultados cirúrgicos e protéticos. Foram selecionados estudos publicados entre 2000 e 2025 nas bases de dados PubMed, ScienceDirect, Google Acadêmico e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Os resultados demonstram que os guias cirúrgicos digitais, sejam estáticos, dinâmicos, impressos em 3D ou usinados por CAD/CAM, proporcionam posicionamento mais previsível dos implantes, menor tempo cirúrgico, redução do trauma tecidual e menores taxas de complicações quando comparados às técnicas convencionais. A literatura indica ainda que a escolha do tipo de guia deve considerar a complexidade anatômica, a experiência do operador, as exigências estéticas e os recursos disponíveis. Conclui-se que os guias cirúrgicos representam um recurso indispensável na implantodontia moderna, consolidando-se como padrão de excelência para reabilitações orais precisas, seguras e minimamente invasivas.
Palavras-chave: Cirurgia guiada. Implantodontia. Guias cirúrgicos. Planejamento digital. Odontologia CAD/CAM.
Abstract
Implantology has emerged as one of the most dynamic areas of contemporary den-tistry, driven by the incorporation of digital technologies and virtual planning sys-tems. The evolution from conventional implant placement methods to computer-assisted techniques, especially with the use of surgical guides, represents a signifi-cant advance in the pursuit of greater predictability, precision, and clinical efficiency. This literature review aimed to analyze the scientific evidence on the use of surgical guides in implantology, evaluating their accuracy, clinical efficacy, advantages, limi-tations, and impact on surgical and prosthetic outcomes. Studies published between 2000 and 2025 were selected from the PubMed, ScienceDirect, Google Scholar, and Virtual Health Library (VHL) databases. The results demonstrate that digital surgical guides, whether static, dynamic, 3D printed, or CAD/CAM milled, provide more pre-dictable implant positioning, shorter surgical time, reduced tissue trauma, and lower complication rates when compared to conventional techniques. The literature also indicates that the choice of guide type should consider anatomical complexity, oper-ator experience, aesthetic requirements, and available resources. It is concluded that surgical guides represent an indispensable resource in modern implantology, establishing themselves as a standard of excellence for precise, safe, and minimally invasive oral rehabilitations.
Keywords: Guided surgery. Implant dentistry. Surgical guides. Digital planning. CAD/CAM dentistry.
1 INTRODUÇÃO
Atualmente uma das áreas da odontologia que mais tem se mostrado dinâmica no meio tecnológico é a implantodontia (BADIALI et al., 2020; TRULSSON et al., 2002). Cada vez mais a busca para melhorar soluções como, mal posicionamento protético, previsibilidade e menor tempo cirúrgico para a reabilitação oral de pacientes edentados parciais ou totais, tem se mostrado promissor (BALLESTEROS; VÁSQUEZ; REVILLA-LEÓN, 2025).
Per-Ignvar Brånemark, um dos pioneiros da implantodontia, definiu o principal processo biológico para eficácia dos implantes dentários, a osseointegração. Esse processo é definido pela união direta entre o osso e a superfície do implante, sem a interposição de tecido fibroso (BRÅNEMARK; GRONDAHL; WORTHINGTON, 2001). No entanto, o sucesso dos implantes dentários ao longo do tempo vai além da osseointegração, mas sobre o correto posicionamento tridimensional adequado, isso é, deve ser considerado os aspectos protéticos, biomecânicos e estéticos para uma reabilitação satisfatória (BERTA et al., 2024; BEVINI et al., 2025).
Tradicionalmente, para a colocação de implantes dentários, cirurgião-dentista dependia exclusivamente de suas habilidades manuais e dos conhecimentos anatômicos minuciosos, aplicados por meio da técnica “mão livre” (HEINRICH et al., 2025; CUCCHI et al., 2025). No entanto, por mais que tal abordagem tenha mostrado resultados satisfatórios, quando executadas por profissionais experientes, a mesma apresenta limitações consideráveis por nem sempre ser possível garantir a previsibilidade no posicionamento dos implantes (HOFFMANN et al., 2025; KAMEL et al., 2024).
Os guias cirúrgicos analógicos foram os primeiros utilizados para colocação de implantes dentários e eram feitos, manualmente, a partir de modelos de gesso oriundos da moldagem prévia dos pacientes. Apesar desses modelos já apresentarem uma certa evolução na parte clínica, apenas uma básica orientação para o posicionamento do implante era obtida (MELONI et al., 2013; MORÓN-CONEJO et al., 2024; PARK; LEESUNGBOK; CUI, 2017; SHRUTHI et al., 2024).
A partir dos anos 2000, a Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico (CBCT), revolucionou os exames de imagem, oferecendo mais precisão com menor exposição à radiação. Paralelamente, os Sistemas Computer-Aided Design/Computer-Aided Manufacturing (CAD/CAM) consolidaram-se como ferramentas tecnológicas promissoras na odontologia, em especial a implantodontia (SCHEPERS et al., 2015; SCHWÄRZLER et al., 2024; SHUSTERMAN et al., 2024; TALLARICO et al., 2015; ZHOU et al., 2025; YUAN et al., 2025; NULTY et al., 2024). Como consequência desta evolução tecnológica, foram desenvolvidos os guias cirúrgicos digitais, os quais proporcionam uma maior previsibilidade e precisão no que diz respeito ao correto posicionamento dos implantes, pois, a partir de agora, todo o planejamento é realizado de maneira digital, unindo as imagens do escaneamento intra-oral junto às da tomografia (SHI et al., 2023; STINO; HASSAN; ABO EL-FADL, 2023).
Além disso, os guias cirúrgicos são capazes de possibilitar a realização de cirurgias minimamente invasivas através da técnica flapless, o que reduz o trauma cirúrgico, diminui o tempo operatório, e traz mais conforto pós-operatório ao paciente, além de acelerar o processo de cicatrização tecidual (SHI et al., 2023; STINO; HASSAN; ABO EL-FADL, 2023; YEUNG et al., 2020). Por outro lado, do ponto de vista protético, os guias facilitam o planejamento reverso, onde a posição final da prótese determina a localização ideal do implante, o que otimiza tanto a função mastigatória quanto a estética do resultado final (YEUNG et al., 2020; AHMED; TAHA; HASSAN, 2019; D’SOUZA; ARAS, 2012; GUENTSCH et al., 2022; PARK et al., 2024; LAN et al., 2024; GERHARDT et al., 2021).
Portanto, a utilização dessa abordagem apresenta uma proposta relevante no ambiente clínico. Desse modo, o estudo teve como objetivo realizar um levantamento bibliográfico da literatura e analisar as evidências científicas disponíveis sobre o uso de guias cirúrgicos para implantes, avaliando sua precisão, eficácia clínica e impacto nos resultados além das suas vantagens e limitações.
2 METODOLOGIA
O presente estudo caracteriza-se como uma revisão de literatura fundamentada em estudos que buscam avaliar a utilização do uso de guias cirúrgicos para colocação de implantes.
Nesse estudo, para seleção dos artigos, foi realizado o levantamento bibliográfico na base de dados PubMed, ScienceDirect, Google Acadêmico e Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), nos períodos de 2000 até 2025.
Além disso, foram utilizados descritores específicos (DeCS/MeSH): “surgical guides”, “implant guides”, “guided implant surgery”, “computer-assisted implant surgery”, para padronização da busca em diferentes bases de dados e combinados com os operadores booleanos “AND” e “OR” para melhorar a estratégia de pesquisa.
Para a seleção dos artigos, o presente estudo sistematizou critérios de inclusão e exclusão. Os critérios de inclusão foram: estudos transversais, longitudinais, comparativos e/ou ensaios clínicos randomizados, e relatos de casos e, revisões sistemáticas com ou sem meta-análise.
Após a leitura dos títulos e resumos identificados nas bases de dados PubMed, ScienceDirect, Google Acadêmico e (BVS), os estudos que preenchessem os critérios de inclusão foram selecionados e lidos na íntegra.
Além disso, os estudos foram avaliados para identificar as principais informações e sintetizar de forma clara e objetiva seus resultados. A princípio, para organizar as informações dos artigos selecionados, foi realizada uma simples tabela a fim de obter as informações sobre cada estudo e organizar os tópicos discutidos nesse estudo.
Logo após, o presente estudo obteve os dados sobre os artigos selecionados e buscou avaliar de forma crítica e imparcial, avaliando todos os estudos de forma singular.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
3.1 Guias Impressos em 3D vs. Usinados (CAD/CAM)
A comparação entre diferentes métodos de fabricação de guias cirúrgicos representa um tópico de considerável interesse clínico e econômico. Ballesteros et al. (2025) conduziram um estudo comparativo sobre a precisão da colocação de implantes utilizando guias impressos em 3D e usinados sem mangas metálicas, revelando diferenças sutis mas clinicamente relevantes entre as tecnologias (BALLESTEROS; VÁSQUEZ; REVILLA-LEÓN, 2025).
Morón-Conejo et al. (2024) avaliaram a precisão de guias cirúrgicos fabricados com quatro impressoras 3D diferentes em um estudo comparativo in vitro, demonstrando que a tecnologia de impressão influencia diretamente a precisão final do guia. Os resultados indicaram que impressoras de maior resolução e tecnologias mais avançadas como Digital Light Processing (DLP) proporcionam maior precisão quando comparadas a tecnologias Fused Deposition Modeling (FDM) convencionais (MORÓN-CONEJO et al., 2024).
Schwärzler et al. (2024) realizaram um estudo pré-clínico utilizando micro-CT para comparar a precisão de transferência de guias impressos em 3D versus usinados por CAD/CAM para implantes ortodônticos temporários. Os achados demonstraram que guias usinados por CAD/CAM apresentaram precisão espacial e angular comparável aos guias impressos em 3D, com desvios notáveis no posicionamento vertical dos implantes (SCHWÄRZLER et al., 2024).
Os estudos sugerem que, embora ambas as tecnologias sejam clinicamente aceitáveis, os guias usinados podem oferecer maior precisão dimensional e melhor propriedades mecânicas, enquanto os guias impressos em 3D proporcionam maior flexibilidade de design e menor custo de produção (TRULSSON et al., 2002; BALLESTEROS; VÁSQUEZ; REVILLA-LEÓN, 2025; PARK et al., 2024).
3.2 Guias com e sem Manga Metálica
A presença ou ausência de mangas metálicas nos guias cirúrgicos representa um fator crítico que influencia tanto a precisão quanto a durabilidade do sistema. Shruthi et al. (2024) conduziram uma avaliação comparativa da resistência ao desgaste entre guias com manga metálica, guias sem manga de resina e guias sem manga reforçados, demonstrando diferenças significativas nas propriedades mecânicas (SHRUTHI et al., 2024).
Alguns estudos recentes sugerem que guias sem manga metálica podem oferecer maior precisão devido à eliminação da tolerância adicional entre a broca e a manga metálica. Esta eliminação de uma interface reduz potenciais fontes de erro acumulativo durante a perfuração. Contudo, guias sem manga apresentam maior susceptibilidade ao desgaste durante o uso, especialmente em casos de múltiplos implantes ou quando utilizados repetidamente (PARK et al., 2024; LAN et al., 2024).
Desse modo, isso pode indicar que a escolha entre guias com ou sem manga metálica deve considerar fatores como o número de implantes a serem colocados, experiência do operador, e requisitos de precisão específicos do caso clínico (GERHARDT et al., 2021; LAN et al., 2024).
3.3 Precisão e Acurácia dos Diferentes Sistemas
Os dados de precisão compilados dos estudos analisados demonstram que a cirurgia guiada para implantes oferece consistentemente maior precisão quando comparada às técnicas convencionais. Park et al. (2017) avaliaram a confiabilidade de guias CAD/CAM para colocação de implantes, comparando diferentes níveis de experiência dos cirurgiões e diferentes locais de implante, concluindo que os guias proporcionam maior previsibilidade independentemente da experiência do operador (PARK et al., 2024).
Zhou et al. (2025) realizaram uma análise comparativa de precisão entre enceramento análogo e virtual no planejamento protético-dirigido e cirurgia guiada de implantes, demonstrando que o planejamento virtual oferece maior precisão e reprodutibilidade quando comparado aos métodos analógicos convencionais (ZHOU et al., 2025).
Yuan et al. (2025) investigaram a taxa de sucesso de mini-implantes infrazigomáticos colocados com e sem guias cirúrgicos através de um estudo de controle histórico, revelando taxas de sucesso significativamente superiores no grupo que utilizou guias cirúrgicos, com redução de complicações e maior precisão posicional (YUAN et al., 2025).
3.4 Tempos Operatórios
A análise dos tempos operatórios representa um aspecto crucial na avaliação da eficiência clínica dos guias cirúrgicos. Cucchi et al. (2025) conduziram uma análise secundária de um ensaio clínico randomizado avaliando tempos operatórios, custos e medidas de resultados relacionadas ao paciente no aumento vertical de rebordo com malha de PTFE reforçada customizada versus malha de titânio CAD/CAM (CUCCHI et al., 2025).
Alguns estudos indicam que, embora o tempo de planejamento pré-operatório seja maior na cirurgia guiada devido à necessidade de aquisição de imagens e design do guia, o tempo cirúrgico efetivo tende a ser reduzido, especialmente em casos complexos de múltiplos implantes (D’SOUZA; ARAS, 2012; GUENTSCH et al., 2022; LAN et al., 2024).
Kamel et al. (2024) avaliaram a eficiência temporal e ajuste passivo de estruturas de cobalto-cromo CAD/CAM pré-fabricadas versus convencionalmente construídas para implantes de três unidades em modelos de extremo livre, demonstrando que a abordagem CAD/CAM oferece maior eficiência temporal sem comprometer a qualidade do ajuste (KAMEL et al., 2024).
3.5 Complicações Relatadas
A análise das complicações associadas ao uso de guias cirúrgicos revela um perfil de segurança favorável quando comparado às técnicas convencionais. Meloni et al. (2013) reportaram resultados de dois anos de um estudo prospectivo de série de casos sobre cirurgia de implantes assistida por computador e carga imediata em rebordos edêntulos com alvéolos de extração dental recente, demonstrando baixas taxas de complicação e alta previsibilidade (MELONI et al., 2013).
Tallarico et al. (2015) apresentaram resultados de cinco anos de um ensaio clínico randomizado comparando pacientes reabilitados com próteses fixas maxilares de arco cruzado com carga imediata suportadas por quatro ou seis implantes colocados usando cirurgia guiada, demonstrando excelentes taxas de sobrevivência e mínimas complicações a longo prazo (TALLARICO et al., 2015).
As complicações mais frequentemente reportadas incluem: fratura do guia durante o uso, desvios menores da posição planejada, dificuldades de acesso em casos de abertura bucal limitada, e ocasionalmente necessidade de conversão para técnica convencional (SHI et al., 2023; YEUNG et al., 2020; GERHARDT et al., 2021).
3.6 Vantagens e Limitações de Cada Tipo de Guia Cirúrgico
As vantagens dos guias estáticos oferecem simplicidade operacional, custos relativamente menores quando comparados aos sistemas de navegação dinâmica, e não requerem equipamentos complexos durante a cirurgia. A curva de aprendizado é moderada, e a maioria dos profissionais pode incorporar esta tecnologia com treinamento adequado (GERHARDT et al., 2021; YEUNG et al., 2020). Por outro lado, a principal limitação reside na impossibilidade de ajustes intraoperatórios, dependência da estabilidade do guia durante toda a perfuração, e potencial para acúmulo de erros devido às tolerâncias entre componentes. Casos com limitação de abertura bucal ou anatomia complexa podem apresentar desafios adicionais (TALLARICO et al., 2015; SHI et al., 2023).
3.7 Sistemas Dinâmicos
Os sistemas de navegação dinâmica proporcionam flexibilidade intraoperatória, visualização em tempo real da posição da broca, capacidade de ajustes durante o procedimento, e eliminação de problemas relacionados à estabilidade de guias físicos (NULTY et al., 2024; GUENTSCH et al., 2022). No entanto, custos significativamente elevados, necessidade de equipamentos sofisticados, curva de aprendizado mais acentuada, e dependência de calibração precisa do sistema. A complexidade técnica pode constituir barreira para adoção generalizada (YUAN et al., 2025; YEUNG et al., 2020; PARK et al., 2024).
3.8 Guias Impressos em 3D vs. Usinados
Apresentam um menor custo de produção, maior flexibilidade de design, capacidade de incorporar geometrias complexas, e tempo de fabricação relativamente rápido (BALLESTEROS; VÁSQUEZ; REVILLA-LEÓN, 2025; PARK et al., 2024). Porém, o potencial para menor precisão dimensional dependendo da tecnologia utilizada, propriedades mecânicas variáveis, e susceptibilidade a desgaste durante uso prolongado (BEVINI et al., 2025; MELONI et al., 2013).
Os Guias Usinados apresentam uma maior precisão dimensional, propriedades mecânicas superiores, melhor resistência ao desgaste, e maior durabilidade para casos de múltiplos implantes (HOFFMANN et al., 2025; MORÓN-CONEJO et al., 2024). Contudo, os custos mais elevados, limitações de design devido ao processo subtrativo, e tempo de fabricação potencialmente maior (YEUNG et al., 2020; GERHARDT et al., 2021).
As implicações clínicas dos achados desta revisão são múltiplas e significativas para a prática contemporânea da implantodontia. Primariamente, a evidência suporta a incorporação de guias cirúrgicos como protocolo padrão em casos que exigem alta precisão, como reabilitações estéticas anteriores, casos de múltiplos implantes, e situações com limitado volume ósseo disponível (SCHEPERS et al., 2015; SCHWÄRZLER et al., 2024; SHUSTERMAN et al., 2024; TALLARICO et al., 2015; ZHOU et al., 2025; YUAN et al., 2025; NULTY et al., 2024).
A escolha do tipo de guia deve ser baseada em fatores específicos do caso, incluindo complexidade anatômica, requisitos de precisão, experiência do operador, e considerações econômicas. Para casos simples de implante único em área posterior com anatomia favorável, a técnica convencional pode ainda ser apropriada em mãos experientes. Contudo, para casos complexos ou em áreas estéticas, o uso de guias cirúrgicos deve ser considerado obrigatório.
3.9 Comparação com Outras Técnicas Cirúrgicas
A comparação entre cirurgia guiada e técnica convencional (freehand) demonstra consistentemente a superioridade dos sistemas guiados em múltiplos parâmetros. Estudos de seguimento de longo prazo confirmam que esta superioridade inicial se mantém ao longo do tempo, com menores taxas de complicação e melhor estabilidade dos tecidos peri-implantares (PARK et al., 2024).
A cirurgia flapless possibilitada pelos guias representa um avanço adicional, proporcionando menor trauma cirúrgico, redução significativa da dor e edema pós-operatórios, e aceleração do processo de cicatrização. Esta abordagem minimamente invasiva é particularmente benéfica em pacientes com comprometimentos sistêmicos ou em casos onde a preservação dos tecidos moles é crítica (YUAN et al., 2025; SHI et al., 2023).
Apesar da robustez geral das evidências, várias limitações devem ser consideradas na interpretação dos resultados. A heterogeneidade metodológica entre estudos, incluindo diferentes critérios de medição de precisão, populações de pacientes variadas, e protocolos cirúrgicos distintos, dificulta comparações diretas e síntese quantitativa dos dados (BERTA et al., 2024; MELONI et al., 2013).
A maioria dos estudos apresenta seguimentos de curto a médio prazo, limitando conclusões sobre resultados de longo prazo. Adicionalmente, muitos estudos foram conduzidos por operadores com experiência considerável em cirurgia guiada, o que pode não refletir os resultados alcançáveis na prática clínica geral (YUAN et al., 2025; YEUNG et al., 2020; GERHARDT et al., 2021).
A falta de padronização na avaliação de custos e a variabilidade geográfica nos preços limitam a aplicabilidade universal das análises econômicas apresentadas. Similarmente, a diversidade de sistemas comerciais disponíveis e suas constantes atualizações tecnológicas tornam desafiadora a generalização dos achados.
4 CONCLUSÃO
Esta revisão de literatura demonstra de forma inequívoca que os guias cirúrgicos para implantes representam um avanço significativo na implantodontia contemporânea, oferecendo precisão superior, maior previsibilidade e melhores resultados clínicos quando comparados às técnicas convencionais. A evidência científica suporta consistentemente a eficácia dos guias cirúrgicos em reduzir desvios posicionais, minimizar complicações cirúrgicas e otimizar os resultados protéticos finais.
A comparação entre diferentes tipos de guias revela que tanto os sistemas estáticos quanto dinâmicos oferecem precisão clinicamente aceitável, com a escolha dependendo de fatores específicos do caso, recursos disponíveis e preferências do operador. Guias impressos em 3D e usinados por CAD/CAM apresentam performance comparável, embora os sistemas usinados possam oferecer vantagens em termos de precisão dimensional e durabilidade mecânica.
A questão das mangas metálicas permanece objeto de debate, com evidências sugerindo que guias sem manga podem proporcionar maior precisão devido à eliminação de tolerâncias adicionais, embora com potencial compromisso da durabilidade. Esta escolha deve ser individualizada considerando as características específicas de cada caso clínico.
A discussão é o local do artigo que abriga os comentários sobre o significado dos resultados, a comparação com outros achados de pesquisas e a posição do autor sobre o assunto.
Uma discussão sem estrutura coerente desagrada, daí a conveniência de organizar os temas em tópicos. Cada um dos tópicos informa sobre uma faceta da discussão e seu conjunto fornece os subsídios para se julgar a adequação dos argumentos, da conclusão e de todo o texto.
Em pesquisas com levantamento de dados ou experimentais que utilizam entrevistas, prontuários, avaliações de pessoas ou animais é necessário inserir os principais resultados obtidos com o desenvolvimento da pesquisa.
Etapa reservada também para análise e interpretação dos dados em função dos objetivos da pesquisa e das hipóteses, suposições ou conjecturas formuladas na introdução do texto.
REFERÊNCIAS
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