THE TEACHING AND LEARNING PROCESS FOR PEOPLE WITH DYSLEXIA
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202510211945
João Ayrton Gouvêa Peres1
Gabrielle Selleri Bezerra2
RESUMO
A dislexia é um transtorno específico do processo ensino-aprendizagem que impacta principalmente nas habilidades de leitura e escrita, sendo de origem neurobiológica, caracterizada por dificuldades no reconhecimento fluente e preciso das palavras, soletração e decodificação, como também em atividades que envolvem raciocínio lógico. Segundo Correia (2011), entender as características da pessoa com dislexia e sua inserção no ambiente educacional é crucial para promover um desenvolvimento adequado. Isso inclui compreender as dificuldades do aluno disléxico, observar seu comportamento em relação aos demais e analisar a postura do professor diante desses desafios encontrados dentro da sala de aula onde se possui diferenças de comportamentos de cada aluno na forma de compreender os assuntos. Conhecer as causas e consequências da dislexia para a aprendizagem e as contribuições da psicologia é essencial para promover a inclusão e o desenvolvimento educacional, social e o seu próprio conhecimento e desenvolvimento dos alunos com dislexia. Com a implementação de estratégias pedagógicas eficazes e a capacitação dos educadores junto com o ambiente escolar são passos cruciais para esse avanço. A pesquisa qualitativa bibliográfica, que utiliza livros, artigos e trabalhos acadêmicos, visa levantar materiais relevantes sobre dislexia e o processo de ensino-aprendizagem. Fornecendo conhecimento aos leitores, melhorando o ensino e o autoconhecimento das pessoas com dislexia, e contribuir para uma educação mais inclusiva e eficaz.
Palavras-chave: Dislexia. Psicologia. Estratégias Pedagógicas.
ABSTRACT
Dyslexia is a specific disorder in the teaching-learning process that primarily impacts reading and writing skills. It is of neurobiological origin and is characterized by difficulties in fluent and accurate word recognition, spelling, and decoding, as well as in activities involving logical reasoning. According to Correia (2011), understanding the characteristics of individuals with dyslexia and their integration into the educational environment is crucial for promoting adequate development. This includes comprehending the difficulties of the dyslexic student, observing their behavior in relation to others, and analyzing the teacher’s approach to these challenges encountered within the classroom, where differences in each student’s behavior and way of understanding subjects exist. Knowing the causes and consequences of dyslexia for learning, along with the contributions of psychology, is essential for promoting inclusion and the educational, social, and personal development and knowledge of students with dyslexia. The implementation of effective pedagogical strategies and the training of educators, together with the school environment, are crucial steps for this progress. Bibliographic qualitative research, which uses books, articles, and academic papers, aims to gather relevant materials on dyslexia and the teaching-learning process. It provides knowledge to readers, improves teaching and self-awareness for people with dyslexia, and contributes to a more inclusive and effective education.
Keyword: Dyslexia. Psychology. Pedagogical Strategies.
1 INTRODUÇÃO
O processo de ensino aprendizagem da pessoa com dislexia, discorre de forma sucinta as causas, efeitos e sintomas recorrentes do transtorno que, dentre os diversos transtornos de aprendizagem, é pouco difundido no contexto educacional, passando, por vezes, despercebido no cenário heterogêneo de uma sala de aula.
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996), em seu capítulo V ao tratar da Educação Especial,
A educação como um direito de todos, que garante o pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. Estabelece a igualdade de condições de acesso e permanência na escola como um princípio. Por fim, garante que é dever do Estado oferecer o Atendimento Educacional Especializado (AEE), preferencialmente na rede regular de ensino (BRASIL, 1996).
Cabe portanto, ao sistema governamental adequar-se à Lei, tornando a acessibilidade na vida do aluno que apresenta algum transtorno, uma vez que o aprendizado é constante, o processo de ensino e aprendizagem não é estático, ao contrário é dinâmico e mutante.
A escolha da pesquisa se veio pela importância e como as aulas foram reflexivas tanto na disciplina Psicologia e Saúde, como também em Psicologia Escolar e Educacional, apesar serem lecionadas por professores diferentes as matérias se entrelaçam, pois, a psicologia não é uma área única, visto que ela procura compreender os processos mentais, o comportamento de um indivíduo no ambiente e como o seu contexto social é capaz de interferir no processo de ensino aprendizagem.
Atrelado ao selecionamento desse tema, ele é importante para minha formação acadêmica e como pessoa, pois realizei o PCCT (Projeto de Conclusão de Curso Técnico) no Instituto Federal do Amazonas – IFAM com o tema central ”A INFORMÁTICA E SEUS BENEFÍCIOS NO CONTROLE DA PESSOA COM DISLEXIA”. Durante todo o processo de estudo e a pesquisa de campo dentro do próprio IFAM pude observar alunos que não tinham suporte para o processo de ensino aprendizagem durante o ensino médio e consequentemente não tendo no ensino fundamental.
Outros pontos importantes que durante a realização do projeto, foi me apresentado pela primeira vez a psicologia e no que ela poderia auxiliar tanto nos processos de ensino aprendizagem como no seu próprio conhecimento como pessoa biopsicossocial. Também foi a primeira vez em que notei e obtive mais clareza de que posso ser uma pessoa com dislexia, visto que, muito do que é dito no trabalho e nas pesquisas sobre dislexia me identificava e minha mãe confirmava alguns pontos, ressalto que não realizei teste para saber se sou disléxico ou não.
Partindo do pressuposto que a educação não é de forma igualitária, em razão que na sociedade ainda é notória a desmesurada diferença de grupos social, econômico, cor, gênero e as pessoas com deficiência – PcD. De acordo com Paulo Freire, “A inclusão acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades.” (Freire, 1998).
A lei 9.394 de 20/12/96 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em seu artigo 12, inciso I, prevê que a escola elabore e execute sua proposta pedagógica a fim de promover meios para a recuperação de alunos com menor rendimento, assim como adequar a avaliação com a prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período.
Infelizmente, há relutância de alguns professores e falta de comprometimento com a inclusão do aluno coloca em risco a autonomia e seu desenvolvimento social. É de importância que a família proporcione ao aluno apoio e incentivos durante todo o tratamento do transtorno da dislexia visando melhoria nos aspectos sociais e educacionais.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A dislexia é considerada um transtorno específico dentro do processo ensino-aprendizagem, que interfere, principalmente, na habilidade de leitura e escrita. Sendo de origem neurobiológica é caracterizada por dificuldades no reconhecimento preciso e fluente das palavras, soletração, na habilidade de decodificação e nas atividades que envolvam o raciocínio lógico. Correia (2011, p. 165) define esse transtorno de ordem neurológica como:
Dificuldades de aprendizagem específicas dizem respeito à forma como um indivíduo processa a informação – a recebe, a integra, a retém e a exprime – , tendo em conta as suas capacidades e o conjunto das suas realizações. As dificuldades de aprendizagem específicas podem, assim, manifestar-se nas áreas da fala, da leitura, da escrita, da matemática e/ou da resolução de problemas, envolvendo défices que implicam problemas de memória, perceptivos, motores, de linguagem, de pensamento e/ou metacognitivos. Estas dificuldades, que não resultam de privações sensoriais, deficiência mental, problemas motores, défice de atenção, perturbações emocionais ou sociais, embora exista a possibilidade de estes ocorrerem em concomitância com elas, podem, ainda, alterar o modo como o indivíduo interage com o meio envolvente. (Correia 2011, p.165).
Esse distúrbio, é mais comum em crianças, adolescentes e adultos, preponderantemente do sexo masculino, em diferentes níveis educacionais dificultando o desenvolvimento de aquisição de leitura e escrita. Essas dificuldades normalmente resultam de um déficit no comportamento fonológico da linguagem e são inesperados em relação à idade e outras habilidades cognitivas (Ida, 2002).
A dislexia é caracterizada por uma disfunção do Sistema Nervoso Central tendo como critérios de exclusão e mortificação intelectual, déficits sensoriais (visual, auditivo), déficits motores significativos, com condições supostamente adequadas de aprendizagem e ausência de problemas psicossociais (Salles, 2004).
Dificuldades na fala e na linguagem, os fatores emocionais contribuem significativamente, dado que, grande parte apresenta baixa autoestima diante das conjecturas que permeiam a vida do indivíduo com esse transtorno, isso se deve, em função das comparações dos colegas e, até mesmo de docentes, familiares, genéticos e sociais, atitudes pouco estimulantes de professores causando barreiras, conforme já mencionado acima, inadequação de programas escolares, entre outros. No entanto, as crianças com Dislexia de Desenvolvimento, geralmente não apresentam nenhuma causa isoladamente.
2.1 Causas e sintomas
2.1.1 Causas
A linguagem é o mecanismo que utilizamos para transmitir nossos conceitos, ideias e sentimentos. Trata-se de um processo de interação. Qualquer conjunto de signos ou sinais é considerado uma forma de linguagem. Portanto, é nesse transtorno que se instala a dificuldade do sujeito em fazer uma exposição, emitir opiniões e demonstrar suas emoções.
Para melhor compreensão, Saussure, o pai da linguística, distingue língua de linguagem. Para ele, a linguagem é a capacidade que os seres humanos têm para produzir, desenvolver e compreender a língua e outras manifestações, como a pintura, a música e a dança. Enquanto que a língua é um conjunto organizado de elementos (sons e gestos) que possibilitam a comunicação. Ela surge em sociedade, e todos os grupos humanos desenvolvem sistemas com esse fim. As línguas podem se manifestar de forma oral ou gestual, como a Língua Brasileira de Sinais (Libras). (Viotti,2006).
Por ser um distúrbio genético e hereditário da linguagem, a dislexia é de origem neurobiológica, causado por uma alteração cromossômica hereditária acompanhando o indivíduo até a fase adulta. Vale deixar claro aqui, que não há cura para o transtorno, o que existe é controle para que ele não avance para um estágio mais complicado. Nesse viés, o indivíduo terá de conviver com essa patologia por toda sua vida, então, é preciso que quanto mais cedo, for diagnosticado e iniciar o tratamento com uma equipe multidisciplinar, esse indivíduo terá uma vida saudável e exercerá seus papéis em quaisquer âmbitos na sociedade (Domiense, 2011).
Sobre o diagnóstico do disléxico geralmente é determinado durante os primeiros anos de vida escolar, ou seja, é no início da vida escolar que o professor irá detectar disparidade no comportamento em relação aqueles que não tem esse transtorno, pois as suas respostas e estímulos não são iguais aos demais. A importância de uma formação do professor adequada para o melhor entendimento do aluno dentro da sala de aula (Rodrigues; Ciasca, 2016).
Para Massi (2007), a dislexia é um distúrbio genético que dificulta o aprendizado e a realização da leitura, confundindo o interlocutor quanto a pronúncia e a escrita da mesma. O disléxico apresenta dificuldades ao formar palavras, não relacionando os sons às sílabas formadas, trocando a ordem correta das letras e dicção.
Pessoas que não são acometidas deste distúrbio utilizam três áreas do cérebro para realizarem leituras. A primeira parte é responsável pela identificação das letras, a segunda parte faz que entendemos o significado das palavras. Por último, uma terceira área processa todas essas informações que precisamos na leitura. Em uma pessoa com dislexia, as duas primeiras áreas são menos ativas. Em compensação, a parte frontal é obrigada a trabalhar mais e até o lado direito do cérebro é ativado (Silva; Barreto, 2021).
Figura 1: Cérebro de uma pessoa com dislexia

Fonte: https://psicologatatianenavega.wordpress.com/2017/12/13/o-que-e-dislexia/
Dentre as causas mais comuns que acometem as pessoas com dislexia podemos citar três, são elas:
- Origem neurobiológica;
- Alterações cerebrais: mau funcionamento, atraso no amadurecimento do sistema nervoso central, ou falha na comunicação entre os neurônios, o que dificulta as funções de coordenação;
- Perturbações no parto ou início da vida.
2.1.2 Sintomas da dislexia
Os sintomas da dislexia são os mesmos tanto em crianças quanto em adultos, a diferença é que na infância, o distúrbio pode ser identificado com mais facilidade, pois na escola a criança poderá ser apresentada para uma equipe multidisciplinar e poderá ser encaminhada para o tratamento, embora saibamos que a mesma não tem cura.
“Segundo (Massi 2007), caracteriza-se por uma leitura e escrita marcadas por trocas, omissões, junções e aglutinações de grafemas; confusão entre letras de formas vizinhas, como em “mato” por “nato”, confusão entre letras relacionadas a produções fonéticas semelhantes, como em “trode” por “trote”, “popre” por “pobre”, “galçada” por “calçada”, neste caso, omissão de letras e/ou sílabas, como em “entrando” por “encontrando”, e também, “gera” por “guerra”- adição de letras e/ou sílabas como, é o que se vê em “muimto” por “muito” e “guato” por “gato”- união de uma ou mais palavras e divisão inadequada de vocábulos, como é possível verificar em “eraumaves” , ao invés de, era uma vez e “a mi versario” no lugar de “aniversário”.”
Os sintomas mais apontados acima da dislexia em uma criança, observa-se o atraso na aquisição da fala e sua deficiência na percepção fonética. Por isso, a necessidade de pais e escola precisam estar atentos neste sintoma.
3 METODOLOGIA
Partindo do viés em que possui uma gama de documentos publicados sobre a dislexia e também sobre o processo de ensino aprendizagem para as pessoas com dislexia. Esse projeto de pesquisa visa levantar materiais utilizando também a psicologia e seus autores, que sejam relevantes com o tema. Esperando que de alguma forma possa oferecer conhecimento para os respectivos leitores, a fim de que possa melhorar o ensino e autoconhecimento das pessoas com dislexia.
Pesquisa com os procedimentos na forma bibliográfica utilizando livros, artigos, trabalhos acadêmicos já publicados. Abordagem sendo qualitativa tendo um foco principal não havendo prioridade para numerar ou medir determinado grupo de pesquisa. Utilizando as plataformas de pesquisas de periódicos, Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e SciELO – Scientific Electronic Library Online.
Serão critérios de inclusão as publicações no idioma português, como também os anos de 2000 até 2025 com as temáticas sobre Dislexia, Psicologia, processo ensino aprendizagem. Não serão aceitas as publicações com informações incompletas do respectivo tema abordado.
4 CONCLUSÃO
Em virtude dos fatos mencionados, o presente estudo que traz como temática central a dislexia, social e educacional, discorre de forma sucinta as causas efeitos e sintomas da dislexia que dentre os diversos transtornos no âmbito educacional, passando despercebido no cenário heterogêneo de uma pessoa com dislexia no mundo.
No contexto educacional a psicologia traz suas contribuições para educação, ajudando alunos seja eles acometidos de transtorno, deficiências, distúrbios e também os alunos que não possuem transtornos, porém é necessário que professores estejam dispostos a serem mediadores do processo de ensino e aprendizagem desses alunos contribuindo para eles possam sentir-se de fato cidadãos participativos na sociedade.
Havendo uma boa comunicação entre professor, aluno, pais e escola na busca de tratamento na fase inicial da dislexia, promovendo o aluno de um ser passivo para um ser ativo do seu desenvolvimento emocional, social e cognitivo, melhorando a qualidade de vida do aluno disléxico, fazendo com que seja um ser ativo no meio em que vive.
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1Discente do Curso Superior de Psicologia do centro universitário São Lucas/Afya – RO
e-mail: j.ayrton.gp@gmail.com
2Docente do Curso Superior de Psicologia do centro universitário São Lucas/Afya – RO. Mestre em
Psicologia (UNIR-RO).
e-mail: gabrielle.bezerra@saolucas.edu.br
