O PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE MULHERES VIVENDO COM HIV E SUA SUSCETIBILIDADE AO CÂNCER DE COLO DE ÚTERO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511251243


Klislainy Rosa Pereira Soares; Kivya Lopes Sarges; Luciana Diniz Corrêa; Mayla Vanessa Silva Fontel; Mizaely Amorim da Cunha; Patrícia Gabriela Dias Lobato; Vitor Guilherme França Oliveira;
Orientador: José Carlito do Nascimento Ferreira Júnior


RESUMO 

O artigo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico de mulheres vivendo  com HIV e sua vulnerabilidade ao câncer de colo do útero no Brasil. Trata-se de  uma pesquisa de revisão bibliográfica integrativa realizada nas bases de dados  SciELO, LILACS, PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e outras revistas  científicas de respaldo, incluindo artigos publicados entre 2000 e 2025. Os  resultados evidenciaram que a imunossupressão causada pelo vírus HIV  aumenta significativamente a suscetibilidade à infecção persistente pelo  Papilomavírus Humano (HPV), principal agente etiológico do câncer do colo do  útero, o estudo destacou a importância do rastreamento preventivo por meio do  exame citopatológico (Papanicolau) e do teste molecular para HPV, bem como  a necessidade de políticas públicas e à vacinação contra o HPV. Conclui-se que  compreender o perfil epidemiológico das mulheres vivendo com HIV é essencial  para aprimorar as políticas públicas, reduzir a morbimortalidade e promover uma  atenção integral e humanizada à saúde da mulher. 

Palavras-chave: HIV. Câncer do colo do útero. Vulnerabilidade. Epidemiologia.  Mulheres.

INTRODUÇÃO 

O câncer é o principal problema de saúde pública no mundo, figurando  como uma das principais causas de morte e, como consequência, uma das  principais barreiras para o aumento da expectativa de vida. Na maioria dos  países, corresponde à primeira ou à segunda causa de morte prematura, antes  dos 70 anos (SANTOS; et al, 2023, p.2). 

O cenário da epidemia da AIDS vem se modificando no Brasil e no mundo  e o perfil epidemiológico das pessoas vivendo com HIV/AIDS vem sofrendo  sucessivas alterações desde a década de 80. Embora os homens representem  em números absolutos, o maior número de notificações do total de casos de  AIDS, a velocidade de crescimento da epidemia é maior entre as mulheres. O  Brasil tem uma resposta à epidemia de DST/AIDS reconhecida  internacionalmente, baseada nos princípios do SUS à universalidade, à  equidade e à integralidade na assistência. Um dos capítulos desta resposta é a  prevenção da transmissão vertical do HIV (SOUZA, 2011, p.8). 

O câncer de colo do útero é considerado atualmente um problema de  saúde pública, assim como a infecção pelo vírus HIV. Mulheres soropositivas  têm o seu sistema imunológico comprometido, já que este vírus ataca os  linfócitos T, importantes células de defesa. Com a imunidade deficiente, o  papiloma vírus humano, principal responsável pelo desenvolvimento de lesões  pré-neoplásicas e câncer de colo do útero, tem mais condições de infectar o  epitélio genital feminino (SOUZA, L, 2024, p .7). 

No Brasil, ocorreram 6.627 óbitos, e a taxa de mortalidade bruta por  câncer do colo do útero foi de 6,12 mortes a cada 100 mil mulheres. Essa doença  é mais comum entre mulheres vivendo com HIV, com prevalência de 28,4%,  apresentando um risco seis vezes maior de desenvolvimento (MARINHO; et al,  2025, p. 3). 

Nesse contexto, é essencial entender, mesmo que de forma geral, a  conexão entre HIV, HPV e câncer de colo de útero. O estudo desse artigo pode  mostrar estratégias de prevenção, cuidado integral e fortalecimento das ações  de saúde direcionadas às mulheres, principalmente às que estão em maior  vulnerabilidade. A problemática da pesquisa envolve a curiosidade a respeito da temática e a grande questão em incógnita que os pesquisadores querem  responder é a seguinte questão: quais fatores epidemiológicos contribuem para  a maior vulnerabilidade das mulheres vivendo com HIV ao desenvolvimento do  câncer do colo de útero no Brasil? 

A justificativa pauta sobre o câncer de colo de útero é um relevante  problema de saúde no Brasil relacionado principalmente a infecção a doença  devido a imunossupressão e a baixa adesão ao rastreamento preventivo e  compreender o perfil epidemiológico desse grupo é essencial para subsidiar  estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento clínico. 

Do ponto de vista acadêmico, o assunto é importante porque ajuda a  expandir o conhecimento científico sobre a relação entre o HIV e o câncer de  colo do útero mesmo que de maneira inicial e tangente. Estudos que investigam  a epidemiologia dessa fatia da população oferecem informações cruciais para  entender a dinâmica da doença. 

A importância prática reside no fato de que os resultados podem guiar  profissionais de saúde e administradores na implementação de medidas mais  simples e eficazes, como aumentar a conscientização sobre exames regulares,  melhorar a adesão ao rastreamento e garantir a atenção ao tratamento  antirretroviral. Portanto, embora seja um estudo básico, ele oferece dados  valiosos encontrados. 

Por último, as possíveis contribuições envolvem ampliar a compreensão  sobre o assunto, direcionar estratégias de prevenção simples e eficazes, além  de auxiliar na criação de informações que podem ser empregadas por  profissionais de saúde, estudantes e pesquisadores. Embora de forma  superficial e de fácil implementação, o trabalho contribui diretamente para a  atenção à saúde da mulher.

O objetivo geral do trabalho é analisar o perfil epidemiológico de mulheres  vivendo HIV e a sua vulnerabilidade ao câncer de colo de útero no Brasil e os  específicos são descrever características sócio demográficas e clínicas dessas  mulheres, avaliar a relação entre imunossupressão (nível de CD4 e carga viral)  e risco aumentando para lesões cervicais e ressaltar a importância do  rastreamento preventivo (exame citopatológico Papanicolau) nesse grupo  populacional.

METODOLOGIA 

Este estudo utiliza uma metodologia de revisão bibliográfica integrativa que inclui a análise de banco de dados para examinar trabalhos científicos que  abordam o perfil epidemiológico de mulheres vivendo com HIV e sua  suscetibilidade ao câncer de colo de útero. A revisão bibliográfica possibilita a  coleta, organização e análise de resultados de pesquisas já publicadas,  oferecendo uma perspectiva ampla sobre o assunto. 

A pesquisa foi realizada em bases de dados científicas de relevância  nacional e internacional, como SciELO, LILACS, PubMed, biblioteca virtual em  saúde além de revistas científicas com respaldo da área acadêmica. Essas  bases foram selecionadas por sua capacidade de contribuir com artigos  atualizados e de grande impacto nas áreas de saúde, epidemiologia e  enfermagem, além de contemplarem estudos publicados. 

A pesquisa possui foco em artigos em português, porém trabalhos em  língua estrangeira foram consultados para ter melhor gama de informações  acerca da temática geral como o inglês e espanhol. As palavras-chave mais  relevantes são: “HIV”, “mulheres”, ” câncer do colo do útero “, “epidemiologia”,  “vulnerabilidade” e “fatores de risco”. 

Os critérios de inclusão são publicações nos idiomas português, inglês  ou espanhol; artigos completos acessíveis gratuitamente; estudos publicados  entre 2000 e 2025, garantindo a atualização e a relevância e essa diferença de  20 anos é essencial pois existe muitas pesquisas antigas com extrema  importância histórica; pesquisas que investigam a relação entre HIV,  vulnerabilidade feminina e câncer de colo de útero; artigos originais, revisões  integrativas ou sistemáticas, estudos epidemiológicos e pesquisas qualitativas  que sejam relevantes para o tema e os critérios de exclusão foi realizado em  trabalhos que não se encaixaram nos de inclusão. 

Os resultados foram sintetizados e discutidos em tópicos a frente em relação  aos objetivos da pesquisa, destacando as principais informações acerca do perfil  epidemiológico de mulheres vivendo com HIV e sua vulnerabilidade ao câncer  do colo do útero. Todos os procedimentos seguiram os padrões de pesquisa assim como todos os dados e as fontes consultadas estão devidamente citadas  e referenciadas de acordo com as normas acadêmicas estabelecidas.

REFERENCIAL TEÓRICO 

A aids é o agravamento da infecção pelo HIV, e teve seus primeiros  relatos no início da década de 1980, passando a atingir mulheres e meninas  significativamente a partir dos anos 1990, esse avanço pode ser observado na  epidemiologia nacional, pela diminuição da razão da infecção entre os sexos, e  no atual contexto epidemiológico mundial, no qual mulheres e meninas  representam o maior número de pessoas vivendo com HIV no mundo (MUNIZ;  TOTARO; PEREIRA, 2023, p.3). 

O vírus da imunodeficiência humana (HIV) causa imunossupressão,  favorecendo o surgimento de doenças oportunistas, caracterizando a síndrome  da imunodeficiência adquirida (aids). A epidemia de HIV/AIDS iniciou na década  de 80 no Brasil, afetando principalmente usuários de drogas injetáveis,  trabalhadores do sexo, homossexuais e hemofílicos, considerados como grupos  de risco na época. Hoje, no Brasil, a epidemia cresce em mulheres em idade  fértil (MIF) (SANTOS; et al, 2025, p.1). 

Nos primeiros anos da década de 90, ao chegarem a um serviço de saúde,  especificamente a uma maternidade, as mulheres eram avaliadas por um  profissional de saúde e “classificadas”, rotuladas com observações de suspeita  sobre a sua sorologia (na presença de tatuagens ou se sabidamente usuárias de  drogas) e seu prontuário recebia, quando com diagnóstico, um carimbo  vermelho: HIV+. Com a necessidade de respeitar o “sigilo médico” o carimbo foi  trocado por observações no corpo do prontuário, com igual teor estigmatizante  e discriminatório (SOUZA 2011, p.15). 

No Brasil, apesar dos avanços nas políticas de saúde, como a ampliação  do acesso ao tratamento antirretroviral e campanhas de conscientização, ainda  há desafios significativos. A vulnerabilidade das mulheres pode ser exacerbada  por fatores como desigualdade de gênero, violência doméstica e falta de  educação sexual adequada (ARAÚJO; et al, 2024, p.2). 

Diagnóstico e tratamento precoces têm sido cruciais para a redução da  mortalidade por aids. Entretanto, para que o diagnóstico seja realizado, que o  tratamento seja iniciado de forma oportuna e que haja adesão, são necessários, além destes recursos biomédicos, suportes psicossociais que contribuam para a  aceitação do diagnóstico e elaboração de formas de convívio com a infecção que  permitam o desfrute da vida e a continuidade dos projetos que lhe dão sentido  (VILLELA; BARBOSA, 2017, p. 3). 

O câncer é um problema de saúde pública mundial. Na última década,  houve um aumento de 20% na incidência e espera-se que, para 2030, ocorram  mais de 25 milhões de casos novos. Estimativas do número de casos novos de  câncer são uma ferramenta poderosa para fundamentar políticas públicas e  alocação racional de recursos para o combate ao câncer. A vigilância do câncer  é um elemento crucial para planejamento, monitoramento e avaliação das ações  de controle do câncer (SANTOS; et al, 2025, p.1). 

O câncer de colo do útero é considerado atualmente um problema de  saúde pública, assim como a infecção pelo vírus HIV. Mulheres soropositivas  têm o seu sistema imunológico comprometido, já que este vírus ataca os  linfócitos T, importantes células de defesa. Com a imunidade deficiente, o  papilomavírus humano, principal responsável pelo desenvolvimento de lesões  pré-neoplásicas e câncer de colo do útero, tem mais condições de infectar o  epitélio genital feminino (SOUZA, 2024, p. 8). 

O câncer do colo do útero, também chamado de câncer cervical, é  causado pela infecção persistente por alguns tipos do papilomavírus humano  (HPV), chamados de tipos oncogênicos (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER  JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2021b). 

Apenas em 2020, mais de 500 mil mulheres foram diagnosticadas com  câncer de colo de útero e quase 342 mil morreram em todo o mundo. No Brasil  essa neoplasia levou à morte de 6.627 mulheres, com um número de novos  casos superior a 16.710 de acordo com o último censo documentado (JESUS;  et al, 2025, p.5). 

O câncer de colo do útero (CCU) é considerado problema de saúde  pública no Brasil, por exercer papel importante na morbimortalidade das  mulheres. Os principais fatores de risco para o desenvolvimento do CCU estão  relacionados às condições socioeconômicas, ambientais e aos hábitos de vida,  que incluem: início precoce da atividade sexual, pluralidade de parceiros  sexuais, tabagismo, hábitos inadequados de higiene, uso prolongado de  contraceptivos orais e a não-realização de exame preventivo de citologia oncótica. A infecção pelo papiloma vírus humano (HPV) leva a alterações que  podem, com o passar do tempo, evoluir para o CCU (FAVARO, 2017, p.8). O câncer de colo de útero é uma doença maligna que atinge mulheres em  todo o mundo, sendo o quarto tipo de câncer mais frequente nas mulheres  mundialmente. Cerca de 99,7% dos casos são causados por Papiloma Virus  Humanos, sendo ele o principal fator de risco, junto aos mais comuns, que são  o HPV 16 e 18. Nem sempre a infecção do vírus progride para a neoplasia  maligna, podendo regredir. Quando diagnosticado precocemente, tem regressão  em quase sua totalidade de casos. Sendo incidente em regiões com o nível  socioeconômico menor, estando relacionada com a falta de conhecimento da  população e não tendo acesso a informações, educação, e ao serviço de saúde (STELA; SERENA; RÒDIO, 2024, p.01). 

O câncer do colo do útero, apesar de prevenível, é um dos cânceres mais  frequentes em mulheres no Brasil, com altas taxas de incidência e de  mortalidade. A introdução da vacina contra o Papilomavírus humano (HPV) no  calendário do Sistema Único de Saúde (SUS), em 2014, foi um passo importante  para o controle da doença no país em conjunto com a continuidade do  rastreamento (BRASIL, 2019). 

Considerando que as mulheres soropositivas apresentam uma maior  suscetibilidade a infecções, incluindo HPV, demanda-se uma abordagem atenta  às suas necessidades específicas, justificando esta pesquisa. Além disso, a  implementação de políticas públicas voltadas para a promoção da saúde dessas  mulheres se revela fundamental, fornecendo orientações direcionadas ao  rastreamento, prevenção e cuidado adequado, promovendo, assim, uma  abordagem abrangente e efetiva para a saúde dessa população vulnerável  (SOUZA, 2024, p.13). 

No Brasil, mulheres estigmatizadas por cor da pele, religião, cultura,  orientação sexual ou profissão podem ter sua vulnerabilidade aumentada,  afastando-se da consulta ginecológica de rastreamento do câncer do colo do  útero e de mama. Isso compromete a saúde e agrava a vulnerabilidade,  expondo-as a doenças preveníveis ou até a morte evitável (MARINHO; et al,  2025, p.2). 

Apesar dos avanços no conhecimento científico e tecnológico, problemas  antigos de saúde pública ainda persistem, como o câncer de colo uterino, um dos poucos tipos de câncer passíveis de prevenção e cura quando diagnosticado  precocemente (LIMA; et al, 2011, p.02). 

RESULTADOS  

Para analisar melhor as informações contidas dentro dos trabalhos se deu  necessário a elaboração de um quadro para coleta e síntese dos dados obtidos  para a pesquisa resultando em uma organização sistemática. No quadro abaixo,  os artigos foram distribuídos e organizados com um roteiro com as seguintes  informações: autor/ano, título, periódico, objetivo, metodologia, resultados e  conclusão.

Figura 1 – tabela artigos

DISCUSSÃO 

A partir da análise integrativa dos estudos selecionados nas bases de  dados SciELO, LILACS, PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e outras  revistas científicas foram identificados padrões epidemiológicos que  caracterizam as mulheres vivendo com HIV e sua vulnerabilidade ao câncer do  colo do útero no Brasil. Os resultados obtidos permitiram compreender melhor a  complexa relação entre vulnerabilidade social, imunológica e comportamental  das mulheres vivendo com HIV e o desenvolvimento do câncer de colo do útero. 

Para melhor síntese dos resultados as discussões vão ser mostradas  divididas em duas seções: a primeira é avaliar a relação entre imunossupressão  (nível de CD4 e carga viral) e risco aumentando para lesões cervicais e segunda seção ressaltar a importância do rastreamento preventivo (exame citopatológico  Papanicolau) nesse grupo populacional 

1.1 A relação entre imunossupressão (nível de CD4 e carga viral) e risco  aumentando para lesões cervicais 

Mulheres infectadas pelo vírus da Imunodeficiência Humana tem o  sistema imunológico comprometido o que as torna mais suscetíveis a uma  coinfecção com o Papilomavírus Humano, sendo mais propensas a desenvolver  infecções persistentes pelo HPV e progredindo mais rapidamente para lesões  pré-cancerosas, resultando em um risco seis vezes maior de ter um câncer de  colo de útero. Com relação a esse risco de desenvolvimento mais rápido do  câncer de colo do útero, a nova recomendação da OMS inclui especificidades  para mulheres que vivem com HIV. Dessa forma, é fundamental que  profissionais de saúde e pacientes conheçam a nova recomendação e se  adequem às mudanças do rastreamento do câncer de colo do útero (SANTOS,  Lorena 2025, p .8). 

Ainda que em nosso estudo a maior prevalência da infecção pelo HPV  esteve presente no grupo controle, das 17 mulheres positivas somente uma  apresentou uma lesão cervical. Em contrapartida, das 11 mulheres HIV  infectadas, 7 (63,6%) apresentaram alterações. De modo semelhante a este  achado, o estudo de Wang et al (2019)19 revelou, através de exames citológicos, que 77,5% das mulheres HIV positivas infectadas pelo HPV apresentavam  lesões cervicais detectáveis em comparação a apenas 4,9% das mulheres HIV  negativas infectadas pelo HPV. (CORADESCHI, 2022, p.26). 

A prevalência de lesões intraepiteliais do colo de útero em mulheres  infectadas pelo HIV foi maior do que em mulheres sem a infecção pelo HIV,  apesar destas apresentarem uma maior taxa de infecção pelo HPV,  demonstrando que a presença da infecção pelo HIV foi o fator de risco mais  importante associado ao desenvolvimento destas lesões (CORADESCHI, 2022,  p.27). 

Esse trabalho teve como objetivo principal relatar as abordagens de  triagem do câncer do colo do útero em mulheres soropositivas para o HIV  evidenciando a importância de recomendações especiais no rastreio para essa  população específica. Através dessa revisão foi possível constatar que mulheres  que se coinfectam com os vírus HIV e HPV possuem riscos significativamente  aumentados de desenvolverem lesões pré-cancerosas com evolução rápida  para o câncer cervical útero (SANTOS, Lorena, 2025, p 34). 

Podemos concluir que as mulheres positivas para o HIV tiveram  significativamente maior prevalência de NIC e infecção cervical pelo HPV.  Também apresentaram prevalência maior de infecção por HPV de alto risco e  infecções múltiplas. O 16 foi o tipo viral predominante, sendo também o mais  encontrado nas mulheres que tiveram NIC. As mulheres com mais idade e as  com união estável/viúvas tiveram menos chance de apresentar NIC e infecção  cervical pelo HPV, e as mulheres que tiveram múltiplos parceiros sexuais tiveram  maior chance de adquirir infecção cervical pelo HPV (JUNIOR; et al, 2015, p. 7). 

Os achados deste estudo indicaram que mulheres vivendo com HIV/aids  apresentam alta prevalência de infecção pelo HPV de alto risco, sobretudo por  genótipos não incluídos na vacina atualmente disponibilizada pelo Sistema Único  de Saúde. Essa suscetibilidade foi associada à carga viral detectável do HIV,  demonstrando a importância do uso de TARV na manutenção da carga viral  suprimida do HIV para diminuir a prevalência do HPV de alto risco. Os resultados  reforçam que a validação integral das amostras obtidas por autocoleta vaginal  para o teste PCR-HPV demonstra a eficácia e a viabilidade dessa estratégia  como método de rastreamento primário, contribuindo tanto para o diagnóstico precoce de lesões pré-neoplásicas do colo uterino como na identificação dos  genótipos de HPV de alto risco (ROCHA; et al, 2025, p. 9). 

1.2 a importância do rastreamento preventivo 

Há uma forte ligação com a escolaridade baixa e a prevalência do câncer  de colo uterino, mostrando a relevância em melhorar as estratégias de  planejamento e/ou incremento de ações específicas para promoção de saúde e  prevenção, com campanhas de alertas e orientações, além de atividades  frequentes de educação em saúde considerando grupos/situações de risco, para  diminuir incidência no país e, assim, contribuir para melhorar a qualidade de vida  (PIMENTA; DUTRA; PINHEIRO, 2021, p.10). 

A autocoleta vaginal, analisada por RT-PCR, demonstrou elevada  validade, destacando-se como estratégia eficaz para o rastreamento do HPV no  âmbito da saúde pública. Os achados reforçam a necessidade de ações  integradas, incluindo-se o início precoce e a adesão sustentada à TARV, a  ampliação do rastreamento com teste primário para HPV e a utilização da vacina  nonavalente nos programas públicos de imunização, com o objetivo de reduzir a  carga da coinfecção HPV/HIV e suas complicações (ROCHA; et al, 2025, p. 10). 

Quanto ao rastreio citopatológico, é necessária uma maior  conscientização das mulheres em geral e, em particular, das imunodeprimidas,  a fim de diminuirmos os números de casos de câncer do colo do útero. Tanto o  governo pode atuar com uma divulgação mais forte e contínua pelas mídias e  com a ampliação do programa de vacinação, como também profissionais da  saúde e da educação devem se engajar para expor o risco da infecção por HPV  à população em geral (CARDOSO, 2017, p.26). 

No Brasil, as primeiras etapas para a implementação do rastreio por teste  de DNA-HPV, no SUS, já foram iniciadas. Até a data de finalização desse  trabalho, foi publicada a Parte I do Relatório de Recomendação que apresentou  a proposta de atualização das Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do  Câncer do Colo do Útero. Nessa apresentação foram anunciadas as ações a  serem implementadas no novo método de rastreamento, tendo como objetivo a  orientação dos profissionais de saúde e dos gestores que estão envolvidos no  processo de rastreamento organizado (SANTOS, Lorena, 2025, p 34). 

Conforme mostrado neste trabalho, os testes moleculares possuem maior  sensibilidade no diagnóstico de CCU garantindo um diagnóstico precoce, principalmente nos casos de pacientes soropositivas para HIV que necessitam  de uma estratégia de diagnóstico especial que permita uma detecção rápida e  um tratamento eficaz (SANTOS, Lorena, 2025, p 35). 

Com os resultados deste estudo, consideramos que a estimulação  adequada da resposta imune local, por estratégias como a utilização de vacinas  terapêuticas, ou de tratamentos que estimulem a imunidade local no início da  infecção, poderá contribuir para o controle da progressão neoplásica. Estudos  em paralelo, investigando o papel das células T regulatórias (CD4/CD25), estão  em desenvolvimento em nosso laboratório, para elucidar aspectos tais como a  participação benéfica ou não dos linfócitos T CD4 na infecção pelo HPV (ALVES;  et al, 2010, p.4). 

O estudo revelou alta prevalência de HPV de alto risco em mulheres  cisgênero vivendo com HIV/aids, com predominância do genótipo 58 e  associação com carga viral detectável do HIV. A autocoleta vaginal, analisada  por RT-PCR, demonstrou elevada validade, destacando-se como estratégia  eficaz para o rastreamento do HPV no âmbito da saúde pública. Os achados  reforçam a necessidade de ações integradas, incluindo-se o início precoce e a  adesão sustentada à TARV, a ampliação do rastreamento com teste primário  para HPV e a utilização da vacina nonavalente nos programas públicos de  imunização, com o objetivo de reduzir a carga da coinfecção HPV/HIV e suas  complicações (ROCHA; et al, 2025, p. 10). 

Ainda, a falta de conhecimento das mulheres acerca da necessidade da  realização periódica do exame preventivo Papanicolau contribui para a falta de  diagnóstico ou diagnóstico tardio da doença. O desconhecimento a respeito da  epidemiologia desse câncer afeta consideravelmente as estratégias para a  prevenção e erradicação da doença em âmbito nacional[…] (STELA; SERENA;  RODIO, 2024, p. 19). 

Para que tal quadro se concretize, também é fundamental a instrução em  massa de profissionais capacitados. Isto inclui desde profissionais bem treinados na confecção das lâminas até à formação de citotécnicos e médicos  patologistas, todos com papéis cruciais na saúde pública. É trágico que um  câncer que se pode prevenir e com um diagnóstico relativamente barato ainda  seja o que mais mata mulheres em uma das regiões do Brasil (CARDOSO, 2017,  p.26).

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O estudo realizado possibilitou uma compreensão abrangente e  fundamentada da relação entre o HIV e o câncer de colo do útero, enfatizando a  vulnerabilidade epidemiológica das mulheres soropositivas no cenário brasileiro mesmo que de maneira tangente foi possível conhecer e identificar melhor a  situação como um todo e perceber as dificuldades encontradas em pesquisas na  temática. 

Verificou-se que a imunossupressão causada pelo vírus HIV facilita a  permanência do papilomavírus humano (HPV), responsável principal pelo câncer  de colo do útero. Além disso, aspectos como nível educacional baixo na qual  existe a falta de conversas e informações importantes, condições  socioeconômicas desfavoráveis como locais de alto índice de pobreza, início da  vida sexual precoce que se tornou algo comum infelizmente no nosso país,  múltiplos parceiros da vida sexual e baixa adesão ao rastreamento preventivo  para agravar a situação de vulnerabilidade dessas mulheres. 

A pesquisa destaca a relevância de desenvolver estratégias educativas  que visam aumentar a conscientização, empoderar as mulheres e fortalecer a  atenção básica à saúde como palestras, rodas de conversas e até mesmo páginas  virtuais com avisos e propagandas voltadas a conscientizar o público alvo. A adoção de práticas humanizadas e integradas, que combinam a prevenção do  HIV, o rastreamento do câncer de colo do útero e a educação em saúde, é  fundamental para diminuir a morbimortalidade e garantir uma assistência mais  justa e eficaz para a sociedade como um todo. 

Conclui-se, portanto, que compreender o perfil epidemiológico das  mulheres vivendo com HIV é passo fundamental para o aprimoramento das  políticas públicas e das práticas assistenciais para esse grupo que vive muitas  vezes marginalizado e sofre exclusão do seu próprio grupo. 

Espera-se que os resultados aqui apresentados mesmo que de maneira  um pouco mais superficial possam ajudar novas pesquisas, fomentar discussões  acadêmicas e inspirar ações práticas que contribuam para a melhoria da qualidade de vida e da saúde integral das mulheres em situação de  vulnerabilidade. 

REFERÊNCIAS 

Araújo , R. C. C. de, Lima , D. C. N. L., Meireles , E. de A., Félix , L. da S., Alves, S. R. P., &  Ferreira, M. das G. N. (2024). PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE MULHERES EM IDADE  REPRODUTIVA VIVENDO COM HIV/AIDS. Revista De Ciências Da Saúde Nova  Esperança, 22(3), 329–335. Disponível em: >https://revista.facene.com.br/index.php/revistane/article/view/1065< acessado em 10 out 2025. 

ALVES, Daniella Borges; TOZETTI, Inês Aparecida; GATTO, Flávia Almeida; CASSANDRI,  Fernanda; FERREIRA, Alda Maria Teixeira; FERNANDES, Carlos Eurico dos Santos; FALCÃO,  Gustavo Ribeiro; SCAPULATEMPO, Ilzia Doraci Lins; PADOVANI, Cacilda Tezelli Junqueira;  ABDO, Maria Auxiliadora Gomes Sandim. Linfócitos CD4, CD8 e células NK no estroma da  cérvice uterina de mulheres infectadas pelo papilomavírus humano. Revista da Sociedade  Brasileira de Medicina Tropical, v. 43, n. 4, p. 425-429, jul./ago. 2010. 

BRASIL, ministério da saúde, Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva  (INCA). Parâmetros técnicos para o rastreamento do câncer do colo do útero. Rio de Janeiro:  Inca, 2019. 

CARDOSO, Amanda Soares. Infecção por HPV em mulheres HIV-positivas. Repositório  institucional INCA, 2017. Disponível em: >https://ninho.inca.gov.br/jspui/bitstream/123456789/10527/4/Infec%C3%A7%C3%A3o%20por %20HPV%20em%20mulheres%20HIV-positivas.pdf< acessado em 18 out 2025. 

CORADESCHI, Pamela Raquel. Hpv e lesões intraepiteliais do colo uterino em mulheres hiv  positivas e negativas na cidade de Florianópolis, 2022. Repositório institucional da UFSC.  Disponível em: > https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/237654< acessado em 16 out  2025. 

FAVARO, Caroline Ribeiro Pereira. Perfil epidemiológico de mulheres com câncer de colo do  útero atendidas em um hospital do interior paulista / Epidemiological profile of women with  cervical cancer treated at a hospital in the interior of São Paulo State, Biblioteca virtual em  saúde, 2017. Disponível em > https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1552837< Acessado em 20 set 2025.  

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Detecção precoce  do câncer. Rio de Janeiro: INCA, 2021b. Disponível em: https://www.inca.gov.br/publicacoes/  livros/deteccao-precoce-do-cancer. 

Jesus, Q. C. de, Honorato, P. F., Ritter, B. F. de M., Santos, M. H., Assunção, C. P. da, Silva, A.  C. R. da, & Araújo, M. F. V. (2025). Análise epidemiológica de mulheres com câncer de colo de  útero. CONTRIBUCIONES A LAS CIENCIAS SOCIALES, 18(2), e15401. Disponível em: >  https://ojs.revistacontribuciones.com/ojs/index.php/clcs/article/view/15401< acessado em 10 out  2025. 

JUNIOR, Benito Pio; LOPES, Ana Paula; NASCIMENTO, Lorena Fiorni; NOVAES, Luísa  Magalhães; MELO, Victor Hugo. Prevalência de infecção cervical por papilomavírus humano e  neoplasia intraepitelial cervical em mulheres HIV-positivas e negativas. Scielo, 2015. Disponível  em: >https://www.scielo.br/j/rbgo/a/5Z5HmrFymXnJcMbHmmwF9gC/?format=html&lang=pt<  acessado em 18 out 2025. 

LIMA, Martha Eleonora de Andrade; OLIVEIRA, Ana Simara Medeiros de; CABRAL, Cidcley  Nascimento; COSTA, Jéssika dos Santos; HÓSTIO, Luanna Mayara Mendes; BARBOSA,  Guilherme Augusto de Andrade Lima. Perfil epidemiológico das pacientes com câncer de colo uterino atendidas no serviço de cancerologia da fundação assistencial da paraíba em campina  grande. Disponível em: > https://rsc.revistas.ufcg.edu.br/index.php/rsc/article/view/353 <  acessado em 09 out 2025.  

Marinho KT, Alencar CM, Melo PE, Ferreira LV, Santos DL, Paiva CC. Mulheres em  vulnerabilidade e o rastreio do câncer do colo do útero e de mama. Enferm Foco. 2025;16:e 2025043. Disponível em :>https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio 1611128<Acessado em 29 set 2025. 

MUNIZ, Laís Gonçalves; TOTARO Priscila I.S de; PEREIRA, Douglas Gabriel. Aspectos  Epidemiológicos de Mulheres Vivendo com HIV. HUMANIDADES & TECNOLOGIA (FINOM) – ISSN: 1809-1628. vol. 39- jan. /mar. 2023. Disponível em: > https://www.researchgate.net/publication/370761747_Aspectos_Epidemiologicos_de_Mulheres _Vivendo_com_HIV_Analysis_of_Epidemiological_Aspects_of_Women_Living_With_HIV< acessado em 10 out 2025 

OLIVEIRA; Cintia Regina. Traçando novos olhares sob antigos desafios: perfil socioassistencial  das pessoas vivendo com hiv e a adesão a Tarv em Goiana-Pe. Biblioteca virtual em saúde.  Disponível em: > https://busqueda.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1140537< acessado em  16 out 2025. 

PIMENTA, Gabriela Marques; DUTRA, Giulia Valcanaia; PINHEIRO, Angélica Lins. Perfil  epidemiológico das mulheres com diagnóstico de câncer de colo uterino em região de alta  incidência do norte do país no período de 2014 – 2018. Revista Interdisciplinar em Saúde,  Cajazeiras, 8 (único): 391-401, 2021, ISSN: 2358-7490. 

ROCHA, Waltesia Perini; REUTER Tania; GASPAR, Pâmela Cristina; LEITÃO, Francisco Naildo  Cardoso; BARILLE, Giovanna; BOLDRINI, Neide Aparecida Tosato; SILVEIRA, Mariângela  Freitas da; MIRANDA, Angelica Espinosa. Prevalência e fatores associados à infecção pelo  papilomavirus humano de alto risco em mulheres vivendo com HIV/aids em um centro de  referência: estudo transversal, Vitória, 2021-2022. Scielo 2025. Disponível em: > https://www.scielo.br/j/ress/a/yXmCGNPcyvRHX3SPfYfcGXc/?lang=en < acessado em 18 out  2025. 

SANTOS, Lorena Ribeiro da Silva. Detecção de hpv em mulheres soropositivas para hiv. Rio de  Janeiro, 2025. Disponivel em:  >https://ninho.inca.gov.br/jspui/bitstream/123456789/17293/1/TCC%20DETEC%C3%87%C3% 83O%20DE%20HPV%20EM%20MULHERES%20SOROPOSITIVAS%20PARA%20HIV.pdf< acessado em 18 out 2025. 

Santos, Y. R. A. dos ., Santos, M. A. F. ., Souza, C. E. J., Timoteo, B. K. M., Silveira , F. P. .,  Lobo, M. de M. ., Castro, G. da M. de ., & Gama, G. G. (2025). Epidemiologia do HIV/AIDS em  mulheres em idade fértil no Brasil: tendências e desafios ao longo de uma década (2012- 2022). Revista De Medicina, 104(4), e-231931. Disponível em : > https://pesquisa.bvsalud.org/enfermeria/resource/pt/biblio-1619742< acessado em 10 out 2025. 

Santos M de O, Lima FC da S de, Martins LFL, Oliveira JFP, Almeida LM de, Cancela M de C.  Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil, 2023-2025. Rev. Bras. Cancerol. [Internet]. 6º de  fevereiro de 2023 [citado 20º de setembro de 2025];69(1):e-213700. Disponível  em:>https://rbc.inca.gov.br/index.php/revista/article/view/3700

SOUZA, Luane Silva de. O Câncer de colo uterino em mulheres soropositivas. 2024. Trabalho  de Conclusão de Curso (Habilitação em Citopatologia). Rio de Janeiro: INCA, 2024. Disponível  em: > https://ninho.inca.gov.br/jspui/handle/123456789/15620< acessado em 19 set 2025. 

SOUZA, Sandra Regina de. Transmissão vertical do HIV no Estado de São Paulo, Brasil: a  perspectiva das mulheres / Vertical transmission of HIV in São Paulo, Brazil the perspective of  women. Biblioteca virtual em saúde, 2011. Disponível em: > https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-643302< acessado em 20 Set 2025.

STELA, Flávia Eduarda Thomazini; SERENO, Arianne Peruzo Pires Gonçalves; RODRIGUES,  Graziela Vendrame. PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DO CÂNCER DE COLO DE ÚTERO NO  BRASIL DE 2013 A 2021. Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, [S. l.], v. 28, n. 2, p.  393–416, 2024. DOI: 10.25110/arqsaude.v28i2.2024-10975. Disponível em:  https://revistas.unipar.br/index.php/saude/article/view/10975. Acesso em: 9 out. 2025. 

VILLELA, Wilza Vieira; BARBOSA, Regina Maria. Trajetórias de mulheres vivendo com  HIV/aids no Brasil. Avanços e permanências da resposta à epidemia. Ciência & Saúde  Coletiva, vol. 22, núm. 1, 2017, pp. 87-96 Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde  Coletiva Rio de Janeiro, Brasil.