THE ROLE OF CANNABIDIOL AND TETRAHYDROCANNABINOL IN ALZHEIMER’S DISEASE: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202511091842
Isabela de Passos Varella Barca1
Salma Sarkis Simão2
Gabriel Barbosa dos Santos3
RESUMO
A Doença de Alzheimer (DA) é uma condição neurodegenerativa progressiva caracterizada pelo declínio cognitivo, perda de memória e comprometimento funcional. Os canabinoides, especialmente o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC), têm sido amplamente estudados por suas propriedades neuroprotetoras e potencial terapêutico no tratamento da DA. Esta revisão teve como objetivo analisar os efeitos do CBD e do THC sobre os mecanismos fisiopatológicos da DA, com base em estudos recentes.
Palavras-chave: canabidiol; tetrahidrocanabinol; doença de Alzheimer; neuroproteção; sistema endocanabinoide.
ABSTRACT
Alzheimer’s disease (AD) is a progressive neurodegenerative disorder characterized by cognitive decline, memory loss, and functional impairment. Cannabinoids, especially cannabidiol (CBD) and tetrahydrocannabinol (THC), have been widely studied for their neuroprotective properties and therapeutic potential in AD treatment. This review aims to analyze the effects of CBD and THC on the pathophysiological mechanisms of AD, based on recent studies.
Keywords: cannabidiol; tetrahydrocannabinol; Alzheimer’s disease; neuroprotection; endocannabinoid system.
1 INTRODUÇÃO
A Doença de Alzheimer é a principal causa de demência no mundo, responsável por até 70% dos casos, afetando mais de 50 milhões de pessoas globalmente. Sua etiopatogênese envolve a deposição extracelular de placas de β-amilóide (Aβ) e a formação de emaranhados neurofibrilares intracelulares compostos por proteína TAU hiperfosforilada. Esses eventos culminam em disfunção sináptica, inflamação neuroglial e morte neuronal progressiva (DeTure & Dickson, 2019). O sistema endocanabinoide tem ganhado destaque na modulação de processos neurodegenerativos, por atuar na regulação da inflamação, do estresse oxidativo e da plasticidade sináptica. Os principais fitocanabinoides estudados são o CBD e o THC, derivados da Cannabis sativa, que apresentam propriedades farmacológicas distintas, mas complementares (Campos et al., 2016; Aso & Ferrer, 2016).
2 METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão de literatura narrativa. Foram utilizados os descritores “Alzheimer”, “Cannabidiol” e “THC” nas bases de dados PubMed, Scielo e Medline, incluindo artigos publicados entre 2012 e 2024. Foram considerados estudos experimentais, clínicos e revisões sistemáticas. Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 10 artigos foram selecionados para análise qualitativa.
3 DISCUSSÃO
Diversos estudos evidenciam o potencial neuroprotetor do CBD e do THC na DA. O CBD apresenta propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e imunomoduladoras, reduzindo a neurotoxicidade induzida por Aβ e a hiperfosforilação da proteína TAU. Além disso, modula a atividade da micróglia, reduzindo a liberação de citocinas pró-inflamatórias. O THC, por sua vez, atua como agonista parcial de CB1 e CB2, influenciando a neurotransmissão glutamatérgica e a excitotoxicidade. Estudos também destacam o uso combinado de CBD e THC em formulações balanceadas, as quais podem potencializar efeitos benéficos e reduzir efeitos adversos. Ensaios clínicos iniciais com Dronabinol sugerem segurança em baixas doses para sintomas comportamentais relacionados à demência, embora a eficácia seja inconsistente. Persistem desafios quanto à padronização de dose, variabilidade das preparações e eventos adversos (sonolência, alterações de humor e alucinações em doses mais altas de THC).
4 CONCLUSÃO
Os canabinoides, em especial o CBD e o THC, demonstram efeitos promissores na modulação dos processos neurodegenerativos da Doença de Alzheimer, oferecendo potenciais benefícios sintomáticos e neuroprotetores. Contudo, ainda não há consenso quanto ao esquema terapêutico ideal, à segurança a longo prazo e à eficácia clínica em humanos. São necessários ensaios clínicos randomizados de maior escala para elucidar os mecanismos de ação e definir protocolos terapêuticos seguros e eficazes.
REFERÊNCIAS
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1isabela.barca@sempreceub.com
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3gabriel.bsantos@sempreceub.com
