O PAPEL DA LIDERANÇA DO GESTOR ESCOLAR NA EFETIVIDADE DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO EM ESCOLAS PÚBLICAS MUNICIPAIS DE MANAUS/AM

THE ROLE OF THE SCHOOL PRINCIPAL’S LEADERSHIP IN THE EFFECTIVENESS OF STRATEGIC PLANNING IN MUNICIPAL PUBLIC SCHOOLS OF MANAUS/AM

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602061436


Deivila Alves Mota1
Carlos Eduardo Mota Lopes2


Resumo

O planejamento estratégico tem sido amplamente utilizado como instrumento de organização da gestão escolar nas redes públicas de ensino, especialmente quando associado ao uso de ferramentas gerenciais voltadas para a melhoria de resultados. Contudo, observa-se a necessidade de aprofundar a compreensão sobre os fatores humanos que interferem na efetividade dessa metodologia no cotidiano escolar. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar de que forma a liderança do gestor escolar interfere na efetividade da aplicação do planejamento estratégico e na melhoria dos indicadores finalísticos nas escolas municipais de Manaus/AM. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, caracterizada como estudo de caso descritivo-analítico, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica integrativa, análise documental e observação da prática gestora no contexto das escolas que utilizam o planejamento estratégico orientado pela SEMED Manaus. O referencial teórico fundamenta-se em autores como Lück, Libâneo, Chiavenato, Godoy, Fullan, Parente Filho e Minayo. A análise dos dados demonstrou que as ferramentas gerenciais apresentam resultados mais efetivos quando conduzidas por gestores que exercem liderança participativa, mobilizadora e articuladora. Conclui-se que o sucesso do planejamento estratégico está diretamente relacionado à liderança do gestor escolar, que transforma a metodologia em prática cotidiana e contribui para a consolidação de uma cultura de planejamento voltada para a melhoria dos resultados educacionais.

Palavras-chave: Liderança escolar. Gestão escolar. Planejamento estratégico. Indicadores educacionais. Escolas públicas municipais.

1. INTRODUÇÃO

O planejamento estratégico vem sendo amplamente utilizado como instrumento direcionador da gestão em diferentes organizações, inclusive no contexto educacional, por possibilitar a definição de metas, a organização de ações e o acompanhamento sistemático de resultados (CHIAVENATO, 2010; GODOY, 2015). Nas escolas públicas, sua aplicação tem se mostrado uma alternativa viável para enfrentar problemas históricos relacionados à aprendizagem, à permanência dos estudantes e ao desempenho em avaliações externas, especialmente quando associado a metodologias que priorizam a análise de causas e o acompanhamento contínuo das ações planejadas.

Entretanto, a experiência prática demonstra que a simples adoção de ferramentas gerenciais, como o PDCA, a Matriz SWOT, o Diagrama de Ishikawa e o 5W2H, não garante, por si só, a efetividade do planejamento estratégico no cotidiano escolar. Essas ferramentas exigem mediação, condução e, sobretudo, liderança. É nesse ponto que emerge um elemento central para a compreensão do sucesso ou das dificuldades na implementação do planejamento estratégico nas escolas: o papel do gestor escolar.

A liderança exercida pelo gestor ultrapassa a dimensão administrativa e assume caráter pedagógico, organizacional e mobilizador. Cabe a esse profissional interpretar os dados da escola, conduzir a equipe na análise das causas dos problemas, organizar os planos de ação, acompanhar sua execução e, principalmente, transformar o planejamento em prática cotidiana, evitando que se torne apenas um documento formal. Conforme Lück (2009), a liderança do gestor escolar está diretamente relacionada à capacidade de envolver a comunidade escolar em torno de objetivos comuns, promovendo uma cultura de responsabilidade coletiva pelos resultados. Libâneo (2013) reforça que a organização do trabalho escolar depende, em grande medida, da atuação consciente e articuladora da gestão, que dá sentido às ações desenvolvidas na instituição.

Nesse contexto, observa-se que o planejamento estratégico, quando inserido na realidade das escolas públicas municipais de Manaus, passa a depender diretamente da forma como o gestor compreende e conduz esse processo junto à equipe escolar. A experiência da Secretaria Municipal de Educação de Manaus (SEMED) evidencia que as escolas que apresentam maior avanço em seus indicadores finalísticos — aprovação, permanência, distorção idade-série, alfabetização e desempenho no SAEB — são, em geral, aquelas em que o gestor assume postura ativa na condução do planejamento, acompanhando de forma sistemática o giro do PDCA e mobilizando professores e demais profissionais para a execução das ações planejadas.

Dessa forma, o foco da discussão deixa de estar apenas na ferramenta gerencial e passa a concentrar-se na pessoa que a operacionaliza. Como afirma Fullan (2014), processos de mudança educacional não ocorrem exclusivamente por meio de métodos ou programas, mas pela atuação de lideranças capazes de transformar práticas, culturas e rotinas institucionais. Assim, compreender a liderança do gestor escolar torna-se fundamental para entender por que o planejamento estratégico funciona em algumas realidades escolares e encontra resistência ou fragilidade em outras.

Diante desse cenário, emerge o seguinte problema de pesquisa: como a liderança do gestor escolar influencia a efetividade da aplicação do planejamento estratégico e a melhoria dos indicadores finalísticos nas escolas municipais de Manaus?

O objetivo geral deste estudo é analisar de que forma a liderança do gestor escolar interfere na efetividade da aplicação do planejamento estratégico e na melhoria dos indicadores finalísticos das escolas municipais de Manaus. Como objetivos específicos, busca-se: identificar as características da liderança exercida pelos gestores escolares no contexto do planejamento estratégico; compreender como o gestor mobiliza a equipe escolar para a execução das ações planejadas; verificar a relação entre liderança, acompanhamento do PDCA e resultados da escola; e analisar como a postura do gestor influencia a consolidação da cultura do planejamento na instituição.

Este estudo justifica-se pela necessidade de aprofundar a discussão sobre a gestão escolar para além das ferramentas gerenciais, direcionando o olhar para o sujeito que conduz esses processos. Ao investigar a liderança do gestor escolar, pretende-se contribuir para a compreensão de que a eficácia do planejamento estratégico nas escolas públicas não está apenas na metodologia adotada, mas na forma como ela é apropriada, conduzida e vivenciada no cotidiano escolar.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A discussão sobre planejamento estratégico no contexto educacional tem avançado significativamente nas últimas décadas, especialmente no que se refere à sua utilização como instrumento de organização da gestão escolar e direcionamento de resultados. Autores como Chiavenato (2010) e Godoy (2015) destacam que o planejamento estratégico permite à instituição definir objetivos claros, priorizar causas que impactam negativamente seus resultados e estabelecer ações concretas para alcançar metas previamente definidas. No entanto, quando esse modelo é transposto para a realidade da escola pública, percebe-se que sua efetividade não depende apenas da aplicação técnica das ferramentas gerenciais, mas, sobretudo, da forma como são conduzidas pelas lideranças escolares.

Nesse sentido, a liderança do gestor escolar passa a ocupar papel central no processo de implementação do planejamento estratégico. Para Lück (2009), a gestão escolar eficaz está diretamente relacionada à capacidade do gestor de exercer uma liderança participativa, articuladora e mobilizadora, capaz de envolver toda a comunidade escolar na construção de objetivos comuns. A autora ressalta que a liderança não se restringe à autoridade formal do cargo, mas à habilidade de influenciar positivamente as pessoas, criando um ambiente colaborativo e comprometido com os resultados da escola.

Libâneo (2013) reforça essa compreensão ao afirmar que a organização do trabalho escolar depende da atuação consciente do gestor, que deve articular as dimensões pedagógica, administrativa e relacional da escola. Para o autor, o gestor escolar é o responsável por dar sentido às ações desenvolvidas na instituição, promovendo a integração entre planejamento, prática pedagógica e avaliação de resultados. Dessa forma, o planejamento deixa de ser um documento burocrático e passa a ser um instrumento vivo, incorporado ao cotidiano da escola.

Ao relacionar liderança e planejamento estratégico, é possível compreender que as ferramentas gerenciais — como PDCA, Matriz SWOT, Diagrama de Ishikawa e 5W2H — não operam de maneira autônoma. Elas exigem mediação qualificada, interpretação dos dados, condução das discussões e acompanhamento sistemático das ações. Chiavenato (2010) destaca que o papel do líder nas organizações é fundamental para orientar equipes, alinhar esforços e garantir que os objetivos traçados sejam compreendidos e perseguidos por todos. No contexto escolar, essa função se torna ainda mais relevante, pois envolve profissionais com formações, experiências e percepções distintas acerca do trabalho educativo.

Fullan (2014), ao discutir processos de mudança educacional, enfatiza que transformações significativas nas escolas ocorrem quando há lideranças capazes de promover mudanças culturais. Para o autor, não basta introduzir novos métodos ou programas; é necessário que o gestor atue como agente de mudança, influenciando práticas, rotinas e concepções da equipe escolar. Essa perspectiva dialoga diretamente com a implementação do planejamento estratégico nas escolas, pois sua consolidação depende da mudança de mentalidade dos profissionais em relação ao uso de dados, definição de metas e acompanhamento de resultados.

Godoy (2015) contribui para essa discussão ao afirmar que a priorização das causas fundamentais dos problemas educacionais exige um trabalho coletivo orientado por liderança firme e organizada. A autora destaca que, para bloquear as causas que impactam negativamente os resultados da escola, é necessário que o gestor conduza a equipe na análise dos dados históricos, na definição de metas realistas e na elaboração de planos de ação consistentes. Esse processo demanda clareza, objetividade e acompanhamento contínuo, características diretamente relacionadas ao exercício da liderança.

Além disso, Parente Filho (2003) ressalta que o planejamento estratégico na educação só se concretiza quando há envolvimento efetivo das pessoas que compõem a instituição. Esse envolvimento não ocorre de forma espontânea, mas é resultado da atuação do gestor em promover a participação, esclarecer objetivos e demonstrar a importância do planejamento para a melhoria da aprendizagem dos estudantes. Assim, a liderança torna-se elemento mediador entre a proposta do planejamento estratégico e sua aplicação prática no cotidiano escolar.

Dessa forma, compreende-se que a liderança do gestor escolar é fator determinante para a consolidação de uma cultura de planejamento na escola. Essa cultura se estabelece quando o planejamento passa a fazer parte da rotina institucional, orientando decisões, práticas pedagógicas e processos avaliativos. Conforme Lück (2009), a construção dessa cultura depende de um gestor que compreenda a escola como organização dinâmica, que necessita de direção clara, acompanhamento sistemático e envolvimento coletivo.

Portanto, ao articular os conceitos de liderança, gestão escolar e planejamento estratégico, evidencia-se que a efetividade das ferramentas gerenciais no contexto educacional está diretamente relacionada à atuação do gestor como líder do processo. A liderança não apenas viabiliza a aplicação do planejamento, mas também transforma a forma como a equipe escolar percebe, executa e acompanha as ações voltadas para a melhoria dos indicadores educacionais.

3. METODOLOGIA 

A presente pesquisa caracteriza-se como qualitativa, configurando-se como estudo de caso de caráter descritivo-analítico, buscando compreender em profundidade a relação entre a liderança do gestor escolar e a efetividade da aplicação do planejamento estratégico nas escolas públicas municipais de Manaus/AM. De acordo com Minayo (2008), a abordagem qualitativa é adequada para investigar percepções, relações, práticas e significados construídos pelos sujeitos em seus contextos de atuação, permitindo a interpretação dos fenômenos em sua complexidade.

Optou-se pelo estudo de caso como estratégia metodológica, por possibilitar a análise detalhada de uma realidade específica, considerando suas particularidades, dinâmicas e processos internos. Esse tipo de estudo permite compreender como o fenômeno ocorre na prática, favorecendo a articulação entre teoria e realidade vivenciada no cotidiano escolar. Nesse contexto, o caso analisado refere-se às escolas da rede municipal de Manaus que desenvolvem suas ações orientadas pelo planejamento estratégico implementado pela Secretaria Municipal de Educação (SEMED), por meio da metodologia GIDE Avançada, fundamentada no método PDCA e no uso de ferramentas gerenciais.

A pesquisa também se apoia em uma revisão bibliográfica integrativa, realizada a partir de obras e estudos que abordam liderança, gestão escolar e planejamento estratégico na educação. Foram consultados livros, artigos científicos, dissertações e periódicos disponíveis em bases de dados como o Portal de Periódicos da CAPES e Google Acadêmico, utilizando como descritores: “liderança escolar”, “gestão escolar”, “planejamento estratégico na educação” e “liderança educacional”. O critério de seleção considerou a relevância das produções para a compreensão do tema e a contribuição teórica para a análise proposta.

Como fonte de dados empíricos, utilizou-se a análise documental de registros institucionais, relatórios de acompanhamento, planos de ação elaborados pelas escolas, instrumentos de planejamento utilizados pela SEMED Manaus e dados relacionados aos indicadores finalísticos — aprovação, permanência na escola, distorção idade-série, alfabetização e desempenho no SAEB. Esses documentos possibilitaram observar como o planejamento estratégico é operacionalizado na prática e qual o papel desempenhado pelo gestor escolar na condução desse processo.

Além disso, considerou-se a observação da prática gestora no contexto escolar, a partir da experiência vivenciada no acompanhamento das rotinas de planejamento, execução e avaliação das ações realizadas pelas equipes escolares, especialmente no que se refere ao giro do PDCA, à condução das reuniões estratégicas e à mobilização da equipe para execução dos planos de ação. Essa observação permitiu identificar elementos relacionados ao perfil de liderança exercido pelos gestores e sua influência na consolidação da cultura do planejamento na escola.

A análise dos dados foi realizada por meio da análise de conteúdo, buscando identificar categorias relacionadas à liderança do gestor, à mobilização da equipe escolar, ao acompanhamento das ações planejadas e à relação entre essas práticas e os resultados alcançados pelas escolas. A partir dessas categorias, foi possível estabelecer conexões entre o referencial teórico estudado e a realidade observada no contexto das escolas municipais de Manaus.

Dessa forma, a metodologia adotada permitiu compreender não apenas a aplicação técnica do planejamento estratégico, mas, principalmente, o papel da liderança do gestor escolar como elemento mediador entre as ferramentas gerenciais e os resultados educacionais obtidos.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

A análise dos dados evidenciou que a efetividade do planejamento estratégico nas escolas municipais de Manaus está diretamente relacionada à forma como o gestor escolar conduz o processo junto à equipe. Observou-se que as ferramentas gerenciais propostas pela SEMED — PDCA, Matriz SWOT, Diagrama de Ishikawa e 5W2H — apresentam potencial significativo para organizar o trabalho escolar; entretanto, sua aplicabilidade prática depende da liderança exercida pelo gestor no cotidiano da escola.

Nas escolas em que o gestor demonstra domínio do planejamento estratégico e conduz de forma participativa as reuniões estratégicas, percebe-se maior envolvimento da equipe escolar na análise dos dados e na construção dos planos de ação. Nessas realidades, o planejamento deixa de ser visto como exigência administrativa e passa a ser compreendido como instrumento que orienta o trabalho pedagógico. Essa constatação dialoga com Lück (2009), ao afirmar que a liderança do gestor é capaz de mobilizar pessoas em torno de objetivos comuns, promovendo comprometimento coletivo.

Em contrapartida, nas escolas em que o gestor não se apropria do planejamento estratégico como instrumento de gestão, observa-se que as ferramentas tendem a ser utilizadas de forma mecânica, sem envolvimento efetivo da equipe, o que fragiliza o acompanhamento das ações e reduz o impacto do planejamento nos resultados educacionais.

Durante a observação das práticas gestoras, verificou-se que o momento da análise da Matriz SWOT e do Diagrama de Ishikawa é determinante para a consolidação do planejamento. Quando conduzidos de forma dialógica, esses instrumentos permitem que professores e demais profissionais reconheçam as causas reais dos problemas que afetam os resultados da escola. Nesse processo, a postura do gestor como mediador das discussões é fundamental, pois direciona o foco da equipe para a busca de soluções e não para a culpabilização de sujeitos ou situações externas.

Outro aspecto relevante identificado refere-se ao giro do PDCA. O acompanhamento sistemático das ações planejadas, realizado pelo gestor ao longo do bimestre, mostrou-se decisivo para que os planos não se tornem documentos formais arquivados na escola. Nas unidades em que o gestor acompanha a execução das ações, verifica dificuldades, propõe ajustes e valoriza as boas práticas, observa-se maior compromisso da equipe com o cumprimento das metas estabelecidas. Esse movimento confirma a ideia defendida por Libâneo (2013), de que a organização do trabalho escolar depende da atuação articuladora da gestão.

Também foi possível identificar que a resistência inicial de alguns profissionais ao planejamento estratégico está relacionada, em grande parte, à forma como o processo é apresentado e conduzido. Quando o gestor assume postura fiscalizadora, a equipe tende a perceber o planejamento como mecanismo de controle. Por outro lado, quando o gestor se posiciona como líder que orienta, apoia e participa das ações, a percepção muda significativamente, favorecendo a construção de uma cultura de planejamento na escola. Essa transformação cultural vai ao encontro das reflexões de Fullan (2014), ao destacar que mudanças educacionais dependem da liderança capaz de influenciar práticas e concepções.

A mobilização da equipe para a elaboração do plano de ação por meio do 5W2H também revelou a importância da liderança do gestor. Observou-se que, quando há clareza na definição das responsabilidades, prazos e objetivos, conduzida pelo gestor de forma organizada, a equipe demonstra maior segurança na execução das atividades propostas. Godoy (2015) destaca que a priorização de causas e a definição de ações claras são essenciais para bloquear fatores que impactam negativamente os resultados educacionais, e essa priorização ocorre de maneira mais eficaz quando mediada por uma liderança atuante.

Além disso, verificou-se que as escolas cujos gestores se apropriam do planejamento estratégico como instrumento de gestão apresentam maior evolução nos indicadores finalísticos. Nessas escolas, o uso de dados para tomada de decisão torna-se parte da rotina institucional, orientando intervenções pedagógicas, reorganização de turmas, acompanhamento individual de estudantes e definição de estratégias para melhoria da aprendizagem.

Nessas realidades, o planejamento frequentemente é percebido como exigência administrativa, não se consolidando como prática pedagógica incorporada à rotina escolar.

Por fim, a análise demonstrou que a consolidação da cultura do planejamento na escola não ocorre apenas pela imposição de uma metodologia, mas pela atuação contínua do gestor em reforçar a importância do planejamento no dia a dia da instituição. A liderança exercida pelo gestor transforma as ferramentas gerenciais em instrumentos vivos, incorporados à prática pedagógica e administrativa da escola, influenciando diretamente os resultados alcançados.

5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo permitiu compreender que a efetividade do planejamento estratégico nas escolas públicas municipais de Manaus não está centrada exclusivamente nas ferramentas gerenciais adotadas, mas, principalmente, na forma como essas ferramentas são conduzidas pela liderança do gestor escolar. Ao longo da pesquisa, evidenciou-se que o PDCA, a Matriz SWOT, o Diagrama de Ishikawa e o 5W2H constituem instrumentos importantes para a organização do trabalho escolar; entretanto, sua aplicabilidade prática depende diretamente da atuação do gestor como mediador, articulador e mobilizador da equipe.

A análise demonstrou que a liderança exercida pelo gestor escolar é fator determinante para transformar o planejamento estratégico em prática cotidiana, incorporada à rotina institucional. Quando o gestor compreende o planejamento como instrumento pedagógico e não apenas administrativo, consegue envolver a equipe escolar na análise dos dados, na definição de metas e na execução das ações necessárias para a melhoria dos resultados. Nesses contextos, observa-se a consolidação de uma cultura de planejamento, em que o uso de dados e o acompanhamento sistemático das ações passam a orientar as decisões da escola.

Verificou-se também que a postura do gestor influencia diretamente a percepção da equipe em relação ao planejamento estratégico. Quando conduzido de forma participativa, dialógica e orientadora, o planejamento deixa de ser visto como mecanismo de fiscalização e passa a ser compreendido como ferramenta de apoio ao trabalho pedagógico. Essa mudança de percepção contribui significativamente para a redução das resistências e para o fortalecimento do comprometimento coletivo com os objetivos da escola.

Outro aspecto relevante constatado foi a relação entre a liderança do gestor e a melhoria dos indicadores finalísticos. As escolas em que o gestor acompanha de forma sistemática o giro do PDCA, orienta a elaboração dos planos de ação e valoriza as boas práticas, apresentando maior organização interna e melhores condições para enfrentar os desafios relacionados à aprendizagem, à permanência e ao desempenho dos estudantes.

Dessa forma, conclui-se que o sucesso do planejamento estratégico nas escolas municipais de Manaus está diretamente relacionado à liderança do gestor escolar. Mais do que aplicar ferramentas, cabe ao gestor dar sentido ao planejamento, transformando-o em instrumento vivo de gestão e de melhoria da qualidade educacional. Assim, a liderança revela-se como elemento mediador entre a metodologia adotada e os resultados alcançados, demonstrando que o planejamento estratégico só se torna efetivo quando conduzido por uma liderança comprometida, organizada e participativa.

REFERÊNCIAS

CHIAVENATO, Idalberto. Administração nos novos tempos. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

FULLAN, Michael. The principal: three keys to maximizing impact. San Francisco: Jossey-Bass, 2014.

GODOY, Maria Helena Pádua Coelho de. Melhorar resultados da educação: será que os gestores sabem? Belo Horizonte: Libretteria, 2015.

LIBÂNEO, José Carlos. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 6. ed. Goiânia: Alternativa, 2013.

LÜCK, Heloísa. Liderança em gestão escolar. Petrópolis: Vozes, 2009.

MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 11. ed. São Paulo: Hucitec, 2008.

PARENTE FILHO, José. Planejamento estratégico na educação. Brasília: Plano Editora, 2003.


1Doutoranda em Ciências da Educação pela Universidad de La Integración de Las Américas – UNIDA, deivila_alves@hotmail.com
2Doutorando em Ciências da Educação pela Universidad de La Integración de Las Américas – UNIDA, carlos_edumota@yahoo.com.br

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