A CONTRIBUIÇÃO DO USO DOS DIFERENTES PERFIS DE INTELIGÊNCIAS NA CONQUISTA DE COMPETÊNCIAS MATEMÁTICAS COM ALUNOS DO ENSINO MÉDIO DE ESCOLA PÚBLICA ESTADUAL NA CIDADE DE MANAUS-AM/BRASIL

THE CONTRIBUTION OF DIFFERENT INTELLIGENCE PROFILES TO THE DEVELOPMENT OF MATHEMATICAL COMPETENCIES AMONG PUBLIC HIGH SCHOOL STUDENTS IN MANAUS, AMAZONAS, BRAZIL

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602061412


Carlos Eduardo Mota Lopes1
Deivila Alves Mota2


Resumo

A pesquisa foi motivada pela constatação dos baixos índices de aprendizagem da Matemática pelos estudantes das escolas públicas do Ensino Médio no Brasil, evidenciados nas avaliações do PISA (2022) e do SAEB (2023). A Matemática historicamente apresenta barreiras, crenças e dificuldades em seu processo de aprendizagem, seja em função das metodologias tradicionais, seja pelas lacunas existentes nos processos de formação inicial dos professores, especialmente no que se refere à incorporação de novos conceitos que favoreçam abordagens pedagógicas mais eficientes, sobretudo aquelas relacionadas aos diferentes perfis de inteligências. Diante desse contexto, definiu-se como temática desta pesquisa “A contribuição do uso dos diferentes perfis de inteligências na conquista de competências matemáticas com alunos do Ensino Médio: um estudo de campo nas Escolas Estaduais Brigadeiro João Camarão Telles Ribeiro e Nathalia Uchôa, localizadas no município de Manaus/AM – Brasil, no período de 2025”. O objetivo consistiu em discutir a relação entre o uso dos perfis de inteligências e sua contribuição para a efetividade do processo de ensino-aprendizagem da disciplina de Matemática com estudantes das 3ª séries do Ensino Médio. A pesquisa adotou uma metodologia analítico-descritiva, com enfoque quantitativo e qualitativo, por meio da aplicação de questionários, testes, observações e entrevistas junto a professores e estudantes. Os resultados evidenciaram que no conhecimento dos diferentes perfis intelectuais auxiliam o professor na construção de abordagens pedagógicas mais individualizadas, respeitando as características de cada estudante. Constatou-se, de forma promissora e eficiente, que no uso dos diferentes perfis de inteligências contribui significativamente para a conquista de competências matemáticas, reforçando a relação positiva entre as inteligências múltiplas e a aprendizagem da Matemática em sala de aula, indicando a necessidade de criação de condições para um aprendizado significativo, pautado nas diferenças individuais, em um ambiente acolhedor no qual o estudante assume o papel de protagonista do processo educativo.

Palavras-chave: Inteligências Múltiplas. Aprendizagem. Matemática. Escola Pública.

1. INTRODUÇÃO

A Matemática constitui uma disciplina obrigatória nos currículos escolares e tem como objetivos fundamentais o desenvolvimento do raciocínio lógico, da capacidade de abstração, da racionalidade, da análise, da generalização e da projeção de conceitos. Para que tais objetivos sejam efetivamente alcançados, a Matemática escolar deve apresentar uma linguagem acessível, capaz de articular aspectos concretos do cotidiano dos estudantes, sem deixar de se configurar como um instrumento formal de expressão, representação e comunicação indispensável às diversas áreas do conhecimento (Silva, 2005).

Entretanto, a forma como a Matemática vem sendo desenvolvida no processo de ensino-aprendizagem na Educação Básica tem produzido resultados aquém do esperado, refletindo-se nos baixos índices de aprendizagem observados no contexto educacional brasileiro. Essa realidade é evidenciada pelos dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA, 2022) e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB, 2023), os quais têm suscitado questionamentos e despertado crescente preocupação entre professores, estudantes, familiares e demais profissionais da Educação.

Dentre os múltiplos fatores associados ao insucesso na aprendizagem da Matemática, destacam-se aqueles relacionados à existência de diferentes perfis intelectuais e às formas específicas, singulares e particulares de construção do conhecimento. Nesse sentido, Gardner (1995; 2000; 2011), ao discutir a estrutura da mente por meio da Teoria das Inteligências Múltiplas, propõe uma compreensão ampliada da inteligência humana, reconhecendo suas múltiplas dimensões e superando a concepção restrita que privilegia exclusivamente as inteligências verbal e lógico-matemática.

Corroborando essa perspectiva, Armstrong (2001; 2009) destaca que a teoria das inteligências múltiplas oferece subsídios pedagógicos concretos para a reorganização das práticas educativas, ao possibilitar a identificação e o estímulo das diferentes potencialidades cognitivas dos estudantes em contextos reais de sala de aula. Para o autor, o reconhecimento das inteligências de forma plural e individualizada favorece práticas pedagógicas mais inclusivas, diversificadas e significativas, permitindo que o estudante seja compreendido em sua integralidade e não apenas a partir de um modelo cognitivo padronizado. Assim, tanto Gardner quanto Armstrong convergem na defesa de uma educação que valoriza a diversidade cognitiva e promove estratégias de ensino capazes de potencializar a aprendizagem matemática de maneira mais equitativa e eficaz.

Diante desse cenário, torna-se pertinente investigar abordagens pedagógicas que reconheçam e valorizem a diversidade cognitiva presente no ambiente escolar, especialmente aquelas fundamentadas na Teoria das Inteligências Múltiplas. Considerando a necessidade de práticas educativas mais inclusivas, contextualizadas e alinhadas às demandas contemporâneas da Educação, este estudo busca compreender a atualidade da teoria de Gardner no contexto de uma unidade educativa do município de Manaus–AM. Tal investigação possibilita ampliar as discussões acerca de sua aplicabilidade e potencial contributivo, ao mesmo tempo em que favorece a proposição de mudanças pedagógicas capazes de promover o desenvolvimento integral dos estudantes e diversificar as formas de produção do conhecimento. Ao reconhecer as múltiplas capacidades cognitivas dos educandos, abre-se espaço para sua utilização de maneira mais eficiente e significativa no processo de ensino-aprendizagem.

Diante desse contexto, definiu-se como temática desta pesquisa “A contribuição do uso dos diferentes perfis de inteligências na conquista de competências matemáticas com alunos do Ensino Médio: um estudo de campo nas Escolas Estaduais Brigadeiro João Camarão Telles Ribeiro e Nathalia Uchôa, localizadas no município de Manaus/AM – Brasil, no período de 2025”. 

O objetivo consistiu em discutir a relação entre o uso dos perfis de inteligências e sua contribuição para a efetividade do processo de ensino-aprendizagem da disciplina de Matemática com estudantes das 3ª séries do Ensino Médio.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A Educação Matemática tem passado por transformações significativas nas últimas décadas, impulsionadas por mudanças sociais, tecnológicas e pedagógicas. Nesse contexto, a Matemática assume papel central na formação cognitiva dos estudantes e no desenvolvimento de competências essenciais ao exercício da cidadania. Como linguagem universal e instrumento de análise crítica da realidade, contribui para o desenvolvimento de habilidades como raciocínio lógico, resolução de problemas, comunicação e tomada de decisões em diferentes contextos sociais e profissionais.

A aprendizagem Matemática, portanto, deve superar práticas baseadas na memorização de fórmulas e algoritmos, priorizando a construção de competências que permitam aos estudantes interpretar, argumentar e aplicar conhecimentos em situações diversas (BRASIL, 2018). Essa perspectiva está alinhada à concepção de competência Matemática discutida por organismos internacionais e pesquisadores da área. Segundo a OCDE (2003), competência Matemática refere-se à capacidade de compreender o papel da Matemática no mundo, formular julgamentos fundamentados e utilizá-la de forma funcional e reflexiva na vida cotidiana.

Kilpatrick, Swafford e Findell (2001) destacam que a proficiência Matemática se estrutura em cinco dimensões interdependentes: compreensão conceitual, fluência procedimental, raciocínio adaptativo, competência estratégica e disposição produtiva. Esses elementos evidenciam que aprender Matemática envolve tanto domínio técnico quanto atitudes positivas frente ao conhecimento. Niss (2003) reforça essa abordagem ao afirmar que a competência Matemática extrapola o ambiente escolar, envolvendo a capacidade de compreender, julgar e utilizar a Matemática em múltiplos contextos.

A dimensão crítica da Educação Matemática é enfatizada por Skovsmose (2000), que defende a formação de sujeitos capazes de analisar e transformar a realidade social por meio da Matemática, articulando conhecimento e cidadania. Essa visão dialoga com Zabala (1998), ao conceber competência como a integração de conhecimentos, habilidades e atitudes para a resolução de situações complexas, o que exige metodologias que promovam a participação ativa e a autonomia dos estudantes.

No cenário brasileiro, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) destaca a Matemática como área fundamental para o desenvolvimento do pensamento crítico, da resolução de problemas e do uso consciente das tecnologias digitais (BRASIL, 2018). O documento orienta o ensino de Matemática no ensino médio a partir da contextualização, da interdisciplinaridade e do protagonismo discente, rompendo com práticas mecanicistas. Conforme Fiorentini e Lorenzato (2006), o ensino de Matemática deve estimular o pensamento investigativo e reflexivo, valorizando a construção ativa do conhecimento.

Apesar dos avanços teóricos e normativos, o ensino de Matemática ainda enfrenta desafios históricos, como práticas tradicionais centradas na transmissão de conteúdos, fragmentação curricular e desmotivação discente (SANTOS; NOGUEIRA, 2017). D’Ambrosio (1996) aponta a importância da contextualização cultural do ensino por meio da etnomatemática, enquanto Borasi e Siegel (1990) alertam para os impactos negativos de metodologias inadequadas, como o desenvolvimento da ansiedade Matemática.

Nesse sentido, abordagens que consideram a diversidade cognitiva dos estudantes ganham relevância. A teoria das Inteligências Múltiplas (GARDNER, 2011) oferece subsídios para a personalização do ensino, favorecendo maior engajamento e melhor desempenho em Matemática. Aliadas a metodologias ativas, como a aprendizagem baseada em projetos e a resolução de problemas (MORAN, 2018), e à avaliação formativa (LUCKESI, 2011), essas abordagens contribuem para o desenvolvimento de competências Matemáticas de forma significativa, crítica e inclusiva.

2.1 Os perfis de inteligências e a aprendizagem 

A investigação científica sobre a inteligência teve início no começo do século XX, com os trabalhos do psicólogo Alfred Binet, criador do primeiro teste de QI (quociente de inteligência). Desenvolvido a pedido do governo francês, o teste buscava prever o sucesso ou fracasso das crianças nas escolas de Paris. Embora tenha se tornado um marco nos estudos da cognição, esse modelo avaliativo reduzia a inteligência a uma dimensão única, medida padronizada e essencialmente meritocrática.

Na década de 1980, o psicólogo Howard Gardner (1994; 1995) rompeu com essa concepção ao propor a Teoria das Inteligências Múltiplas (TIM). A partir de suas pesquisas com crianças, adultos e pacientes com danos cerebrais, Gardner questionou a visão unívoca da inteligência e a validade dos instrumentos tradicionais de testagem. Seu objetivo foi ampliar o entendimento desse constructo, considerando-o como um fenômeno multifacetado, desenvolvido em interação com o meio cultural e social.

Segundo Gardner (2000), a inteligência deve ser compreendida como “um potencial biopsicológico para processar informações, que pode ser ativado em um cenário cultural para solucionar problemas ou criar produtos que sejam valorizados numa cultura”. Essa definição aproxima-se de concepções também defendidas por Vygotsky e Bruner, ao reconhecerem que a aprendizagem e o pensamento são construídos em ambientes sociais e históricos, marcados fortemente pela cultura (FRANCO, 2007).

Assim, Gardner defende que não existe apenas uma inteligência, mas várias, relativamente independentes, que se manifestam em diferentes níveis e combinações em cada indivíduo. Em oposição à “visão uniforme” (GAMA, 2009), que restringia a mente humana a um fator geral, sua teoria propõe uma abordagem plural, inclusiva e integral. Essa mudança paradigmática desloca o foco da escola tradicional — centrada na seleção e classificação — para uma educação que reconhece os diferentes perfis e estilos cognitivos.

Gardner (1995) acreditava que uma escola do futuro deveria ser capaz de reconhecer essa pluralidade, de modo a avaliar e estimular os diferentes talentos e aptidões individuais, promovendo uma formação mais equitativa e significativa para todos os alunos.

A Teoria das Inteligências Múltiplas, proposta por Howard Gardner, parte do pressuposto de que a inteligência não é uma capacidade única e homogênea, mensurável apenas por testes padronizados, como o QI. Segundo o autor, todos os indivíduos possuem diferentes tipos de inteligência, organizados em combinações singulares, que se manifestam de maneira diversa ao longo da vida. Dessa forma, torna-se fundamental que todas as inteligências sejam estimuladas desde a infância, por meio de atividades, abordagens e procedimentos pedagógicos diversificados, considerando que os sujeitos aprendem em ritmos e formas distintas (GARDNER, 1999; 2000).

Gardner identifica nove tipos de inteligência: linguística, lógico-matemática, espacial, corporal-cinestésica, musical, interpessoal, intrapessoal, naturalista e existencial. Essas inteligências apresentam relativa autonomia, porém não atuam de forma isolada, sendo mobilizadas de maneira integrada na resolução de problemas e na realização de atividades cotidianas e escolares.

A inteligência linguística refere-se à sensibilidade para a linguagem oral e escrita, envolvendo habilidades como leitura, escrita, interpretação e expressão verbal. Está associada à capacidade de utilizar palavras de forma eficaz em diferentes contextos comunicativos, sendo frequentemente observada em escritores, oradores e professores (CORTEZZI; AYUB, 2000). Já a inteligência lógico-matemática relaciona-se ao raciocínio lógico-dedutivo, à resolução de problemas, à identificação de padrões e à elaboração de pensamentos abstratos e simbólicos, constituindo a base do pensamento científico e matemático (CORTEZZI; AYUB, 2000).

A inteligência espacial diz respeito à capacidade de perceber, representar e manipular mentalmente o espaço, permitindo visualizar objetos sob diferentes perspectivas e compreender relações espaciais. Essa inteligência é mobilizada em atividades como navegação, leitura de mapas, jogos estratégicos e artes visuais, não dependendo exclusivamente da visão, podendo ser desenvolvida por outros canais sensoriais (SMOLE, 1999; PASSARELLI, 1995).

A inteligência corporal-cinestésica envolve o uso do corpo para expressar ideias, resolver problemas e criar produtos, estando relacionada à coordenação motora, ao controle dos movimentos e à manipulação de objetos. É característica de atletas, dançarinos, atores e profissionais que utilizam o corpo como principal meio de expressão e aprendizagem (GARDNER, 1999; PASSARELLI, 1995).

A inteligência musical refere-se à sensibilidade a sons, ritmos, timbres e melodias, bem como à capacidade de interpretar, criar e expressar-se por meio da música. Embora nem sempre reconhecida como capacidade intelectual tradicional, Gardner (2012) argumenta que a inteligência musical atende aos critérios necessários para ser considerada uma forma legítima de inteligência, sendo observada em músicos, compositores e intérpretes (FONSECA, 2002).

As inteligências pessoais dividem-se em intrapessoal e interpessoal. A inteligência intrapessoal está relacionada ao autoconhecimento, à capacidade de reconhecer emoções, limites, potencialidades e objetivos pessoais, permitindo ao indivíduo regular seu comportamento e tomar decisões de forma consciente (PASSARELLI, 1995). A inteligência interpessoal, por sua vez, envolve habilidades sociais, empatia e compreensão das intenções, sentimentos e motivações dos outros, sendo fundamental para a comunicação eficaz e o trabalho coletivo (ARMSTRONG, 2001).

A inteligência naturalista refere-se à capacidade de reconhecer, classificar e compreender elementos da natureza, demonstrando sensibilidade às questões ambientais e aos fenômenos naturais. Essa inteligência é frequentemente identificada em indivíduos ligados às áreas da biologia, ecologia e ciências ambientais (GÁSPARI; SCHWARTS, 2002). Já a inteligência existencial diz respeito à habilidade de refletir sobre questões profundas da condição humana, como o sentido da vida, da morte e da existência, sendo considerada por Gardner (1999) como uma inteligência ainda em processo de aprofundamento teórico.

A partir da perspectiva da Teoria das Inteligências Múltiplas, torna-se evidente que cada indivíduo possui habilidades, interesses e formas de processar informações únicas, exigindo do ambiente educacional uma abordagem personalizada e flexível. 

Nesse sentido, as múltiplas inteligências surgem como instrumentos complementares para compreender como os alunos recebem, processam e utilizam os conhecimentos de maneira prática, permitindo que os docentes adaptem suas estratégias pedagógicas às características cognitivas de cada estudante.

3. METODOLOGIA 

A presente investigação adotou uma abordagem metodológica de natureza analítico-descritiva, uma vez que se propôs à observação, ao registro, à descrição e à análise sistemática do fenômeno investigado, conforme a concepção de pesquisa delineada por Gil (2019), que caracteriza esse tipo de estudo como adequado à identificação, análise e interpretação das características de uma determinada realidade ou população. Nesse sentido, a pesquisa não se limitou à descrição do contexto educacional investigado, mas buscou analisar as relações e os aspectos subjacentes ao processo de ensino-aprendizagem da Matemática à luz dos diferentes perfis de inteligências.

Quanto à abordagem do problema, o estudo caracterizou-se por um enfoque qualitativo e quantitativo. Segundo Minayo (2014; 2017), a abordagem qualitativa permite a compreensão aprofundada dos significados, percepções e interpretações atribuídas pelos sujeitos às suas práticas e experiências, possibilitando a apreensão da complexidade do fenômeno educativo em seu contexto social e cultural. De forma complementar, a abordagem quantitativa contribuiu para a análise de dados mensuráveis, viabilizando a identificação de padrões, tendências e relações entre variáveis, ampliando a robustez analítica dos resultados, conforme destaca Gil (2019).

No âmbito da abordagem quantitativa, recorreu-se à análise estatística de correlação, fundamentada nos pressupostos de Pearson, com o objetivo de verificar o grau de associação entre os diferentes perfis de inteligências identificados por meio do teste MIDAS e o desempenho acadêmico dos estudantes na disciplina de Matemática. O coeficiente de correlação de Pearson foi adotado por se tratar de uma medida estatística adequada para avaliar a intensidade e a direção da relação linear entre variáveis quantitativas, permitindo inferir em que medida determinadas inteligências se associam aos resultados obtidos nas avaliações de Matemática.

No que se refere aos procedimentos técnicos, a pesquisa assumiu caráter bibliográfico e documental, fundamentando-se na consulta a livros e artigos científicos de autores de referência, bem como na análise de documentos institucionais de primeira e segunda mão provenientes das Escolas Estaduais Brigadeiro João Camarão Telles Ribeiro e Nathalia Uchôa e da Secretaria de Estado da Educação do Amazonas (SEDUC-AM).

O estudo foi desenvolvido nas Escolas Estaduais Brigadeiro João Camarão Telles Ribeiro e Nathalia Uchôa, localizadas, respectivamente, na Rua Nova, nº 1000, bairro São Lázaro, e na Rua Nova Esperança, nº 474, bairro Jorge Teixeira, ambas situadas no município de Manaus–AM, Brasil. A amostra adotada foi do tipo censitária, envolvendo os 252 estudantes matriculados nas turmas das 3ª séries do Ensino Médio, os quais participaram integralmente da coleta de dados.

Como instrumentos de coleta de dados, utilizaram-se questionários baseados no teste MIDAS (Multiple Intelligences Developmental Assessment Scales), entrevistas individualizadas e observações simples. O questionário fundamentou-se no MIDAS por constituir uma operacionalização do constructo teórico das Inteligências Múltiplas, possibilitando a identificação dos diferentes perfis intelectuais dos estudantes.

Após a coleta, os dados foram submetidos a um processo de organização, tratamento e análise rigorosa, envolvendo a identificação de informações válidas, inconsistentes, omissas ou redundantes. Posteriormente, os dados quantitativos referentes aos perfis de inteligências e às notas da disciplina de Matemática foram analisados por meio do coeficiente de correlação de Pearson, enquanto os dados qualitativos foram interpretados à luz dos pressupostos teóricos de Minayo, assegurando a fidedignidade, a confiabilidade e a consistência dos resultados obtidos, em consonância com os fundamentos da pesquisa analítico-descritiva de abordagem qualitativa e quantitativa.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

Para atender ao objetivo da pesquisa, inicialmente foi aplicado um questionário de autorrelato fundamentado no teste MIDAS (Multiple Intelligences Developmental Assessment Scales), instrumento alinhado à Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner, utilizado para a identificação e avaliação dos diferentes perfis intelectuais dos estudantes participantes da investigação.

Após a avaliação, organização e estratificação dos dados obtidos junto às turmas das 3ª séries do Ensino Médio, verificou-se, à luz da teoria proposta por Gardner (1995), que as inteligências predominantes entre os estudantes, dentre as nove inteligências contempladas no instrumento, foram a Inteligência Existencial, a Inteligência Corporal-Cinestésica e a Inteligência Intrapessoal. Conforme evidenciado no Gráfico 1, essas três inteligências concentram aproximadamente 48% da predominância dos perfis intelectuais identificados nas turmas objeto da pesquisa.

Esse resultado indica que os estudantes apresentam, predominantemente, aptidões relacionadas à reflexão sobre questões existenciais e de sentido, à autoconsciência, autorregulação e compreensão de seus próprios processos cognitivos e emocionais, bem como à aprendizagem mediada pela experiência corporal, pelo movimento e pela ação prática, características associadas, respectivamente, às inteligências existencial, intrapessoal e corporal-cinestésica, conforme a Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner. À luz dos autores de referência, especialmente Gardner (1995; 2000; 2011), tais características indicam a necessidade de que o professor de Matemática planeje e desenvolva estratégias metodológicas e práticas pedagógicas alinhadas a esses perfis intelectuais, contemplando propostas que favoreçam a reflexão crítica e o sentido do conhecimento matemático (inteligência existencial), o desenvolvimento da autonomia, da metacognição e do autoconhecimento do estudante (inteligência intrapessoal), bem como atividades que integrem o corpo, o movimento e a ação concreta no processo de construção dos conceitos matemáticos (inteligência corporal-cinestésica), de modo a promover uma aprendizagem significativa.

                    Gráfico 1 – ESTRATIFICAÇÃO DAS INTELIGÊNCIAS

Com o intuito de aprofundar a análise e relacionar os perfis de inteligências ao desempenho acadêmico, foram avaliadas as notas da disciplina de Matemática referentes à primeira unidade letiva (abril de 2025). Esses dados foram comparados aos perfis intelectuais predominantes, estabelecendo-se uma relação entre o desempenho dos estudantes e as inteligências múltiplas, conforme pressupostos teóricos de Gardner.

Após a estratificação e análise dos dados, a Tabela 1 apresenta a relação entre o desempenho acadêmico e os perfis de inteligências identificados. Para essa análise, os resultados foram organizados em quatro níveis de desempenho: A (8,0–10,0), B (7,0–7,9), C (6,0–6,9) e D (<6,0).

Os estudantes classificados no nível A, que apresentaram os melhores desempenhos na disciplina de Matemática no período analisado, demonstraram predominância das inteligências Lógico-Matemática, Visual/Espacial e Linguística. Conforme Gardner (1995), a Inteligência Lógico-Matemática está diretamente associada às habilidades de raciocínio abstrato, resolução de problemas, operações numéricas e reconhecimento de padrões, competências essenciais à aprendizagem da Matemática. Quando articulada às inteligências Visual e Linguística, especialmente no contexto das práticas pedagógicas relatadas pelos estudantes — que indicaram abordagens visuais, cinestésicas e linguísticas em sala de aula —, observa-se uma convergência entre os perfis intelectuais predominantes e as metodologias adotadas pelo docente.

Tabela 1 – RELAÇÃO DE DESEMPENHO E AS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

Fonte: Pesquisadores, 2025

Nesse sentido, os resultados permitem inferir que a coerência entre os perfis de inteligência dos estudantes e as estratégias pedagógicas empregadas contribui de maneira significativa para a potencialização do processo de ensino-aprendizagem, refletindo-se diretamente na maximização do desempenho acadêmico em Matemática. Tal inferência encontra respaldo na Teoria das Inteligências Múltiplas, que defende a diversificação das abordagens didáticas como condição essencial para atender às diferentes formas de aprender.

Por outro lado, os estudantes que apresentaram desempenhos inferiores, classificados nos níveis C e D, demonstraram perfis intelectuais menos alinhados às estratégias pedagógicas predominantes na turma. Esse desalinhamento entre os perfis de aprendizagem e as práticas docentes reforça a hipótese de que a ausência de estímulos adequados às inteligências predominantes desses estudantes pode comprometer o processo de aquisição do conhecimento matemático. Assim, os achados corroboram os pressupostos teóricos de Gardner, ao evidenciar que a consideração dos diferentes perfis de inteligências no planejamento pedagógico tende a favorecer aprendizagens mais equitativas, significativas e eficazes, confirmando o potencial explicativo e contributivo da Teoria das Inteligências Múltiplas no contexto educacional investigado.

5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados desta pesquisa evidenciam que os processos de aprendizagem não ocorrem de forma homogênea, uma vez que cada indivíduo mobiliza diferentes capacidades cognitivas de acordo com suas habilidades predominantes. Tal constatação reafirma a relevância do conhecimento e da identificação das inteligências múltiplas no processo de aprender de cada discente, conforme proposto por Gardner (1995; 2000; 2011), ao conceber a inteligência como um conjunto plural de potencialidades relativamente independentes.

Nessa perspectiva, os achados do estudo corroboram a compreensão de que não existe uma inteligência geral única e universal, mas sim um conjunto de nove inteligências distintas, inter-relacionadas e passíveis de serem estimuladas de maneira diversificada no contexto educacional. Essas inteligências podem ser mobilizadas de forma estratégica para enfrentar desafios cognitivos mais complexos, especialmente aqueles inerentes à aprendizagem da Matemática, que demandam diferentes formas de raciocínio, representação e resolução de problemas.

Em síntese, ao correlacionar os diferentes perfis intelectuais dos estudantes com o desempenho da turma na disciplina de Matemática, foram identificadas evidências consistentes que permitem inferir que a articulação entre as inteligências múltiplas e as práticas pedagógicas adotadas tende a potencializar o processo de ensino-aprendizagem. Dessa forma, tais relações demonstram contribuir positivamente para a maximização do desempenho acadêmico dos alunos na disciplina investigada, reforçando a pertinência da Teoria das Inteligências Múltiplas como referencial teórico-metodológico para a reorganização das práticas de ensino da Matemática.

REFERÊNCIAS

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1Doutorando em Ciências da Educação pela Universidad de La Integración de Las Américas – UNIDA, carlos_edumota@yahoo.com.br
2Doutorando em Ciências da Educação pela Universidad de La Integración de Las Américas – UNIDA, deivila.alvez@gmail.com

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