THE ROLE OF IMMUNIZATION IN PUBLIC HEALTH: FACTORS INFLUENCING THE RETURN OF DISEASES
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512051820
Daniele da Fonseca1
João Paulo Soares Fonseca2
Daiana Silva Reis Santos3
Alessandra Mara de Oliveira4
Fernanda Augusta Marques Pinheiro5
Kátia Aparecida Campos6
Guilherme Luís Nascimento Quintiliano7
RESUMO
Introdução: A imunização é uma das estratégias mais eficazes para a saúde pública, prevenindo doenças e evitando epidemias. No Brasil, apesar dos avanços históricos, o retorno de doenças imunopreveníveis revela falhas na cobertura vacinal e impactos da desinformação. Objetivo: Analisar o papel da imunização na saúde pública e os fatores que contribuem para o retorno de doenças erradicadas. Metodologia: O estudo utilizou abordagem mista, quantitativa e qualitativa, aplicado a enfermeiros da Estratégia de Saúde da Família (ESF). Foram empregados questionários e entrevistas, analisados de forma descritiva em tabelas e gráficos, com observância das normas éticas vigentes. Resultados: Os dados demonstraram que a maioria dos enfermeiros possui mais de seis anos de experiência na área e reconhece a eficácia das vacinas como medida essencial de prevenção. No entanto, foram apontados desafios como falta de insumos, treinamentos irregulares e aumento da hesitação vacinal, associados à desinformação e à sobrecarga de trabalho. Esses achados reforçam a importância da educação permanente e da comunicação efetiva entre equipes e gestores para fortalecer as ações do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Conclusão: Conclui-se que o enfermeiro desempenha papel central nas ações de imunização, sendo essencial o investimento em capacitação contínua, infraestrutura adequada e valorização profissional. Essas medidas contribuem para ampliar a cobertura vacinal, reduzir a hesitação e fortalecer a confiança da população nas políticas públicas de saúde.
Palavras-chave: Imunização; Vacinação; Saúde Pública; Enfermagem; Doenças.
ABSTRACT
Introduction: Immunization is one of the most effective strategies for public health, preventing diseases and avoiding epidemics. In Brazil, despite historical advances, the reemergence of vaccine-preventable diseases reveals shortcomings in vaccination coverage and the impact of misinformation. Objective: To analyze the role of immunization in public health and the factors contributing to the return of eradicated diseases. Methodology: The study employed a mixed quantitative and qualitative approach, applied to nurses of the Family Health Strategy (FHS). Questionnaires and interviews were used, analyzed descriptively through tables and charts, in compliance with current ethical standards. Results: The data showed that most nurses have more than six years of experience in the field and recognize the effectiveness of vaccines as an essential preventive measure. However, challenges such as lack of supplies, irregular training, and increased vaccine hesitancy— associated with misinformation and work overload—were identified. These findings reinforce the importance of continuing education and effective communication between teams and managers to strengthen the actions of the National Immunization Program (PNI). Conclusion: It is concluded that nurses play a central role in immunization activities, and investment in continuous training, adequate infrastructure, and professional appreciation is essential. These measures contribute to increasing vaccination coverage, reducing hesitancy, and strengthening public confidence in health policies.
Keywords: Immunization; Vaccination; Public Health; Nursing; Diseases.
1. INTRODUÇÃO
A imunização constitui um dos principais instrumentos da saúde pública, desempenhando papel central na prevenção de doenças infecciosas e na proteção coletiva da população. No Brasil, a criação do Programa Nacional de Imunizações (PNI) em 1973 proporcionou avanços significativos, ampliando o acesso às vacinas e permitindo a erradicação e controle de diversas enfermidades historicamente relevantes. Contudo, nos últimos anos, observa-se um declínio na cobertura vacinal, resultado de fatores complexos, como desinformação, resistência vacinal, desigualdades socioeconômicas e barreiras no acesso aos serviços de saúde (Lima, 1995; Vieira et al., 2010). Esse cenário evidencia lacunas na implementação das políticas públicas e na atuação educativa dos profissionais de saúde, destacando a necessidade de compreender os determinantes que influenciam a adesão às vacinas. A presente pesquisa justifica-se pela importância social de reduzir vulnerabilidades e promover equidade em saúde, além de sua relevância acadêmica, ao oferecer subsídios para futuras investigações e aperfeiçoamento das práticas de enfermagem voltadas à prevenção de doenças. O objetivo deste estudo é analisar os fatores que contribuem para o retorno de doenças imunopreveníveis e identificar estratégias capazes de fortalecer a cobertura vacinal e a conscientização da população (Carvalho, 2024).
2. REFERENCIAL TEÓRICO
A imunização constitui um dos pilares da saúde pública, sendo essencial para a prevenção de doenças transmissíveis e para a proteção coletiva da população. No Brasil, o processo de imunização teve início no século XIX, com a introdução da vacina contra a varíola, enfrentando resistência social e desconfiança nas políticas de saúde, como evidenciado na Revolta da Vacina em 1904, quando medidas compulsórias resultaram em protestos, feridos e mortes. Esse contexto histórico evidencia a necessidade de estratégias eficazes de comunicação e de políticas públicas consistentes para garantir adesão às campanhas de vacinação (Dandara, 2022; Fernandes, 2003).
A criação do Programa Nacional de Imunizações (PNI) em 1973 representou um marco na organização das campanhas de vacinação no país, inicialmente voltadas ao combate de doenças como sarampo, tuberculose, difteria, tétano, coqueluche e poliomielite, assegurando também a erradicação da varíola (Carvalho, 2024; Fundação Oswaldo Cruz, 2021). Desde então, campanhas massivas de imunização permitiram a erradicação de enfermidades graves, como poliomielite em 1994 e sarampo em 2016, reforçando a eficácia das vacinas na proteção coletiva e no controle de epidemias (Campos, 2003; Matos, 2023).
Apesar dos avanços históricos, o Brasil enfrenta desafios atuais relacionados à hesitação vacinal, disseminação de informações falsas e desigualdades regionais no acesso às vacinas. Estudos da Fiocruz (2019) e dados do Ministério da Saúde (2022) apontam quedas preocupantes na cobertura vacinal, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, evidenciando a necessidade de estratégias locais adaptadas, educação em saúde contínua e ações de conscientização da população. O retorno de doenças antes erradicadas, como o sarampo e o risco de reintrodução da poliomielite, demonstra a relevância de manter altas taxas de imunização para proteger grupos vulneráveis, como crianças e idosos (OPAS, 2024; Braga, 2024; Fabbri et al., 2024).
A educação em saúde e o papel da enfermagem são fundamentais nesse contexto. Enfermeiros atuam na promoção da vacinação, esclarecimento de dúvidas, combate à desinformação e incentivo à adesão às campanhas, fortalecendo o vínculo com a comunidade e garantindo acesso equitativo às vacinas (Oliveira et al., 2017; Brasil, 2021; Araújo, 2022). A humanização no atendimento durante a vacinação, por meio de comunicação clara, acolhimento e suporte individualizado, aumenta a confiança da população, reduz a recusa vacinal e contribui para a proteção coletiva. O conjunto dessas evidências configura o estado da arte sobre a imunização no Brasil, demonstrando que, embora haja avanços históricos importantes, a compreensão das barreiras à adesão vacinal e o desenvolvimento de estratégias educativas e políticas públicas eficazes permanecem essenciais para a manutenção dos resultados alcançados e prevenção de surtos futuros (Temporão, 2003; Carvalho, 2024).
3. METODOLOGIA
O presente trabalho utilizou uma abordagem mista, quantitativa e qualitativa, permitindo compreender os dados de forma aprofundada, validar achados e enriquecer a interpretação dos resultados (Dal-Farra, 2014; Johnson, Onwuegbuzie; Turner, 2007).
A pesquisa foi realizada nas unidades da Estratégia de Saúde da Família (ESF), que desempenham papel central na atenção primária à saúde, oferecendo atendimento preventivo, vacinação, acompanhamento de doenças crônicas, consultas médicas e exames. Essas unidades garantem acesso amplo e descentralizado aos serviços de saúde, coordenadas pela Secretaria Municipal, que promove ações voltadas à saúde da família e assegura a operacionalização das políticas públicas de imunização (Brasil, 2024).
A população do estudo foi composta por dez enfermeiros(as) atuantes nas unidades da ESF, sendo duas enfermeiras responderam as questões discursivas e oito enfermeiras o questionário objetivo. Como critérios de inclusão foram adotados os(as) profissionais com atuação direta na sala de vacina com mais de 12 meses de experiência. Já como critérios de exclusão os profissionais que estavam de licença saúde ou maternidade durante o período da pesquisa e profissionais com atuação exclusivamente administrativa. Os instrumentos de coleta de dados foram um questionário que apresentava questões fechadas autoaplicáveis e o outro uma entrevista estruturada.
A pesquisa respeitou os princípios éticos estabelecidos pela Lei nº 14.874 de maio de 2024, que institui o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com seres humanos, assegurando a proteção dos participantes e a transparência nos processos científicos. Além disso, foram observadas as Resoluções do Conselho nacional de Saúde n.466/2012 e n.510/2016, que regulamentam, respectivamente, as pesquisas na área da saúde e aquelas vinculadas às ciências humanas e sociais. O estudo foi aprovado pelo Comitê Ética na Pesquisa do Centro Universitário UninCor, sob o parecer nº.7.878.066 e o CAAE nº.92624925.8.0000.0295.
4. RESULTADOS
Os resultados deste estudo revelam que o perfil dos enfermeiros atuantes nas salas de vacinação do município de Três Corações/MG é composto pela maioria por profissionais experientes, com mais de seis anos de atuação na área (75%). Esse achado demonstra estabilidade na equipe e experiência acumulada no campo da imunização, o que favorece a qualidade do atendimento e a continuidade das ações de saúde pública.
A tabela 1 Representa Tempo de atuação, Participação em treinamentos e Opinião sobre eficácia das vacinas.
Tabela 1 – Tempo de atuação, Participação em treinamentos e Opinião sobre eficácia das vacinas. Segundo dados dos participantes, n.08, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2025.


Fonte: Autores da pesquisa, 2025.
Observa-se que a maioria dos participantes (75%) atua há mais de seis anos em sala de vacinação, evidenciando um perfil profissional experiente no campo da imunização. A maioria (62,5%) relatou participar anualmente de treinamentos sobre vacinação, enquanto 37,5% participam apenas ocasionalmente, o que reforça a necessidade de programas de capacitação mais frequentes e contínuos. Constata-se que 87,5% dos profissionais consideram as vacinas do PNI muito eficazes ou eficazes, demonstrando elevada confiança na imunização como estratégia de saúde pública.
A tabela 2 Representa Informações suficientes, Dificuldades enfrentadas e Hesitação vicinal dos participantes.
Tabela 2 – Percepção sobre Informações suficientes, Dificuldades enfrentadas e Hesitação vicinal. Segundo dados dos participantes, n.08, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2025.


Fonte: Autores da pesquisa, 2025.
Todos os participantes (100%) relataram sentir-se plenamente capacitados para orientar os pacientes quanto às vacinas, o que evidencia bom nível de preparo técnico e informativo. As principais dificuldades relatadas foram à falta de insumos e materiais (37,5%) e a carência de treinamentos específicos (37,5%), seguidas pela resistência dos pacientes à vacinação (25%). Todos os enfermeiros afirmaram perceber um aumento significativo na hesitação vacinal, o que reforça a necessidade de estratégias educativas e de comunicação em saúde.
A tabela 3 representa Estrutura física, Cumprimento de protocolos, Comunicação e Campanhas de conscientização.
Tabela 3 – Estrutura física, Cumprimento de protocolos, Comunicação e Campanhas de conscientização. Segundo dados dos participantes, n.08, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2025.


Fonte: Autores da pesquisa, 2025.
A grande maioria (87,5%) avaliou a estrutura física como excelente, indicando boas condições de trabalho nas unidades pesquisadas. Metade dos participantes relatou seguir sempre os protocolos, enquanto a outra metade o faz na maioria das vezes, indicando comprometimento elevado com a segurança vacinal. A comunicação entre equipe e gestores foi avaliada de forma variada, com 50% dos profissionais considerando-a eficiente ou muito eficiente, e 50% apontando limitações na efetividade dessa troca. Observa-se que, embora 50% tenham expressado incerteza sobre a efetividade das campanhas, 50% reconhecem seu potencial de impacto positivo, ainda que com diferentes níveis de convicção.
Resultados da Análise Discursiva
As falas dos enfermeiros participantes evidenciam percepções importantes acerca da vacinação e dos desafios enfrentados na atualidade. De modo geral, os discursos destacam transformações significativas no comportamento da população após a pandemia de COVID19, especialmente no que diz respeito à procura por vacinas, à confiança nos imunobiológicos e à influência das informações divulgadas na mídia e nas redes sociais. Conforme Santos (2023), a disseminação de fake news nas redes sociais comprometeu a confiança da população e a adesão aos programas de imunização, sendo necessário reforçar a educação em saúde para combater a desinformação. Observaram que a propagação de notícias falsas sobre vacinas esteve associada ao aumento da mortalidade por COVID-19 no Brasil, evidenciando a importância da comunicação científica e institucional confiável.
ENF. 01
O profissional relatou que, após a pandemia, houve um aumento expressivo na procura por vacinas, chegando a ser pressionado por pacientes para liberar a vacinação fora das faixas etárias recomendadas. Contudo, após campanhas políticas negativas sobre a vacinação, observou-se uma diminuição na procura, incluindo casos de recusa em se vacinar ou em vacinar dependentes, o que resultou em diversos óbitos por COVID-19. Atualmente, o entrevistado ainda identifica desafios na aceitação vacinal.
Quanto às estratégias para aumentar a cobertura vacinal e prevenir o retorno de doenças imunopreveníveis, enfatizou a importância da conscientização. Destacou-se a necessidade de campanhas educativas direcionadas à população, capacitação contínua dos profissionais de saúde e orientação específica para a equipe que atua diretamente na sala de vacinação.
Em relação à comunicação entre profissionais de saúde e população, o entrevistado observou que, de modo geral, a maioria dos profissionais defende a vacinação e se empenha em informar, tranquilizar e conscientizar os pacientes. Na prática, os pacientes ou responsáveis recebem orientações detalhadas sobre a importância das vacinas, a necessidade de retorno e o cumprimento do calendário vacinal completo.
ENF. 02
O segundo profissional ressaltou que, apesar dos desafios enfrentados, a população ainda apresenta boa aceitação à vacinação. Identificou que, ao longo dos últimos anos, fatores como mudanças no perfil socioeconômico, acesso à informação, disseminação de fake news e percepção sobre doenças imunopreveníveis influenciaram a cobertura vacinal. Observou-se que a pandemia de COVID-19 teve impacto direto: durante o período de isolamento, ocorreu queda significativa nas coberturas vacinais, enquanto as campanhas de vacinação contra a COVID-19 geraram aumento da procura e maior confiança nos imunobiológicos.
Para incrementar a cobertura vacinal, sugeriu-se a realização de campanhas educativas com foco no combate às fake news, facilitação do acesso à vacinação por meio de horários diferenciados de funcionamento das salas, intensificação das buscas ativas por faltosos e estímulo à participação social da comunidade.
Quanto à comunicação entre profissionais de saúde e população, o entrevistado destacou que se trata de um grande desafio, sendo essencial para criar confiança nas ações de vacinação e fortalecer o vínculo entre a equipe de saúde e a população.
5. DISCUSSÕES
A maioria dos profissionais apresenta mais de seis anos de experiência, o que demonstra estabilidade da equipe e acúmulo de saberes no campo da imunização, favorecendo a qualidade do atendimento e a continuidade das ações de saúde pública (Aguiar et al., 2023). Apesar de 62,5% relatarem participação anual em treinamentos, evidencia-se a necessidade de maior regularidade e institucionalização dos programas de educação continuada, uma vez que a educação permanente em saúde constitui um instrumento estratégico para o fortalecimento das competências técnicas e para a promoção de práticas baseadas em evidências (Vendruscolo et al., 2021; Parente et al., 2020). A qualidade irregular das capacitações pode comprometer a atualização profissional, sobretudo diante das constantes mudanças nas recomendações do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
A percepção positiva sobre a eficácia das vacinas, observada em 87,5% dos participantes, revela alto grau de confiança na imunização enquanto estratégia preventiva, sendo esse fator essencial para transmitir segurança aos pacientes e ampliar a adesão vacinal (Dantas et al., 2022). Todos os profissionais afirmaram possuir informações suficientes para orientar os usuários, o que reforça o papel do enfermeiro como agente de educação em saúde. Entretanto, desafios estruturais, como a falta de insumos e treinamentos específicos relatados por parte dos profissionais, podem comprometer o desempenho pleno das funções educativas da enfermagem (Santos et al., 2023).
O aumento significativo da hesitação vacinal, percebido por 100% dos entrevistados, reforça a urgência de intensificar as ações de comunicação e o enfrentamento da desinformação. O fortalecimento das práticas educativas permanentes e das campanhas de conscientização é essencial para combater a resistência vacinal, fenômeno que se intensificou com a disseminação de fake news e a crescente desconfiança nas instituições de saúde (Vendruscolo et al., 2021).
Quanto à infraestrutura, embora 87,5% dos profissionais a considerem excelente, observa-se que a adesão total aos protocolos de armazenamento e administração de vacinas ainda é variável, indicando a necessidade de padronização das práticas para garantir rastreabilidade e segurança no manejo dos imunobiológicos (Parente et al., 2020). A comunicação entre equipe e gestores, por sua vez, apresentou fragilidades, apontando para a importância de investir em modelos de gestão participativa e em espaços permanentes de diálogo que otimizem o processo de trabalho e a execução das campanhas vacinais (Aguiar 2023).
Por fim, a incerteza manifestada por parte dos profissionais quanto à efetividade das campanhas de conscientização reforça a necessidade de estratégias que integrem informação técnica, escuta qualificada e vínculo comunitário. A articulação entre saber técnico e compromisso ético da enfermagem constitui um dos pilares para o enfrentamento da hesitação vacinal e para o fortalecimento das políticas públicas de imunização (Dantas et al., 2022; Vendruscolo et al., 2021).
6. CONCLUSÃO
Os resultados obtidos permitem concluir que os enfermeiros participantes deste estudo possuem perfil profissional experiente, demonstrando elevado nível de comprometimento com as práticas de vacinação e boa percepção sobre a importância da imunização. Observou-se que a maioria participa regularmente de treinamentos e reconhece a eficácia das vacinas, embora ainda existem desafios relacionados à falta de recursos, à sobrecarga de trabalho e à necessidade de aprimoramento contínuo por meio da educação permanente.
O estudo evidencia a relevância do enfermeiro como protagonista nas ações de imunização, especialmente na orientação ao paciente e no enfrentamento da hesitação vacinal. A experiência acumulada e o conhecimento técnico consolidado favorecem o fortalecimento da cultura de segurança e a ampliação da cobertura vacinal no município.
Destaca-se a importância de que as instituições de saúde mantenham programas permanentes de capacitação e educação continuada, de forma a garantir atualização constante e aprimoramento das práticas assistenciais. Essas ações devem ser acompanhadas por estratégias de comunicação efetiva e políticas públicas voltadas à valorização da enfermagem.
Conclui-se, portanto, que o investimento em educação permanente, infraestrutura adequada e valorização profissional são essenciais para assegurar a qualidade da imunização, fortalecer a confiança da população nas vacinas e consolidar o papel do enfermeiro como agente fundamental na promoção da saúde coletiva.
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1Graduanda em Enfermagem. Centro Universitário UninCor – UNINCOR – Três Corações – Minas Gerais, Brasil. E-mail: daniellefcouto@gmail.com – Orcid: 0009-0003-9282-0259
2Mestre em Enfermagem. Centro Universitário UninCor – UNINCOR – Três Corações – Minas Gerais, Brasil. E-mail: joao.fonseca@unincor.edu.br – Orcid: 0000-0003-4886-1718
3Mestranda em Meio Ambiente e Saúde. Centro Universitário UninCor – UNINCOR – Três Corações – Minas Gerais, Brasil. E-mail: daiana.santos@unincor.edu.br – Orcid: 0009-0009-8180-4572
4Mestra em Enfermagem. Centro Universitário UninCor – UNINCOR – Três Corações – Minas Gerais, Brasil. E-mail: prof.alessandra.dzivielevski@unincor.edu.br – Orcid: 0000-0003-2157-5631
5Mestra em ciências Aplicadas à Saúde. Centro Universitário UninCor – UNINCOR – Três Corações – Minas Gerais, Brasil. E-mail: fernandaapinheiro@gmail.com – Orcid: 0000-0003-2598-0159
6Mestra em Ciência dos Alimentos. Centro Universitário UninCor – UNINCOR – Três Corações – Minas Gerais, Brasil. E-mail: prof.katia.campos@unincor.edu.br – Orcid: 0009-0009-2189-3374
7Mestre em Enfermagem. Centro Universitário UninCor – UNINCOR – Três Corações – Minas Gerais, Brasil. E-mail: prof.guilherme.quintiliano@unincor.edu.br – Orcid: 0000-0003-2470-7943
