O PAPEL DA GESTÃO DE PROCESSOS NA MELHORIA DOS PROJETOS EM OBRAS PÚBLICAS DE INFRAESTRUTURAS – ESTUDO DE CASO 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202510061627


Christiane Alves Royo Escribas Rezende1


RESUMO

O presente trabalho trata-se de um estudo de caso detalhado que tem como objetivo demonstrar como a gestão de processos pode melhorar a eficiência, qualidade e controle nos projetos de obras públicas. O objeto deste estudo refere-se a implantação de guarda corpo em rampa de acesso a parque público. A apresentação do projeto de infraestrutura escolhido retrata os desafios enfrentados e soluções implementadas na condução dos trabalhos. A metodologia utilizada tange-se pela pesquisa bibliográfica teórico-interpretativa em livros e periódicos utilizando-se do método dedutivo, partindo-se de uma perspectiva ampla para uma concepção restrita acerca do tema problematizado. Pelo exposto, este trabalho objetiva descrever a comparação dos resultados obtidos antes e após a implementação de uma gestão de processos estruturados e os produtos resultantes da análise crítica sobre as lições aprendidas e as limitações do estudo que servirão de guia para aplicação da gestão de processos em outros projetos de obras públicas. Para tanto, foi realizada pesquisas de campo através da vistoria técnica com exame visual e registros fotográficos da implantação de guarda corpo em rampa de acesso a parque público que fornece dados importantes para enriquecimento dos fatos. As hipóteses levantadas através deste estudo exploratório está na avaliação dos impactos da gestão de processos, na execução e resultados da implementação do projeto. Por fim, concluiu-se que a gestão de processos pode influenciar e aprimorar os resultados a qualidade e o controle de projetos de infraestrutura em obras públicas assim como o desempenho das construções desenvolvidas ao fim a que se destina.

Palavras-chave: Gestão de processos. Gestão de projetos. Obras públicas. Construção enxuta.

1. INTRODUÇÃO

O tema proposto para esse trabalho se insere na área do conhecimento de Planejamento e Gestão de Obras Públicas. O interesse por esse assunto, qual seja, o Plano de Gestão para obras públicas surgiu com o objetivo de traçar as etapas, fluxos de trabalhos, processos e produtos de cada fase para o desenvolvimento dos projetos de engenharia proposto para obras de infraestrutura com foco específico para o estudo de caso exemplificativo.

Neste contexto, a Concepção de Projetos e da Gestão de Obras Públicas, áreas de interesse que surgiram a partir da percepção da necessidade de uma gestão eficaz, capaz de prevenir retrabalhos considerado um dos principais fatores que contribuem para a perda de rentabilidade e uso inadequado dos recursos disponíveis.

Outros fatores que podem ser destacados são inevitáveis e frequentes mudanças dos projetos básicos e executivos, nos métodos de execução e nos prazos originalmente estabelecidos, elementos que geram conflitos e atrasos nas obras. Realizar uma gestão competente significa contribuir para minimizar problemas e evitar prejuízos às partes envolvidas e ao andamento do projeto como um todo.

O desenvolvimento e a gestão de projetos têm se tornado processos cada vez mais complexos devido ao aumento da ocorrência, às rápidas inovações tecnológicas e à crescente exigência dos clientes, o que intensifica a competitividade no mercado. Além disso, as constantes mudanças na legislação afetam a continuidade dos processos, dificultando o seu acompanhamento.

Todos esses desafios demandam maior criatividade, agilidade, produtividade, alta qualidade e redução de custos.

Diante desse cenário, a pergunta que se faz para problematizar o tema é: Como a gestão de processos pode contribuir para a melhoria de eficiência e eficácia dos projetos em obras públicas de infraestrutura, minimizando retrabalhos e otimizando o uso dos recursos disponíveis?

Pelo exposto, o que se objetiva com esse artigo é apontar, identificar e analisar por meio de vistoria in loco e registros fotográficos, as principais falhas e desafios enfrentados na execução de projetos de obras públicas de infraestrutura. Além disso, busca-se avaliar como a gestão de processos pode ser aprimorada para reduzir esses problemas, garantindo maior eficiência na utilização dos recursos, cumprimento dos prazos e melhoria da qualidade final das obras.

As hipóteses levantadas como referencial para o tema proposto são que uma gestão de processos eficiente pode reduzir significativamente os retrabalhos e os custos adicionais em obras públicas de infraestrutura, e que a implementação de práticas de gestão de processos rigorosas contribui para o cumprimento dos prazos estabelecidos, minimizando as alterações imprevistas nos projetos. Acredita-se que a integração de ferramentas tecnológicas na gestão de processos melhora a coordenação entre as diferentes etapas do projeto, resultando em maior qualidade na execução das obras.

Finalmente, a guisa da conclusão, apresentar-se-á como arrimo das constatações da vistoria, revisão literária, registro fotográfico traçando as linhas fundamentais das concepções técnicas propostas a contribuir para efetivação do entendimento do tema.

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA OS PRINCIPAIS CONCEITOS DE GERENCIAMENTO E GESTÃO

Para uma compreensão aprofundada do papel da gestão de processos na melhoria de projetos em obras públicas, é essencial revisar a literatura existente sobre o tema, considerando as contribuições dos estudiosos e especialistas na área. A gestão de processos é frequentemente destacada como fator importante para o sucesso dos projetos de infraestrutura. De acordo com entendimento de Campos (2004:85) “a aplicação de uma gestão de processos estruturada permite a identificação precoce de problemas potenciais, reduzindo a necessidade de retrabalhos e, consequentemente, os custos adicionais”.

Além disso, segue o entendimento de Melhado (1999:134) “a gestão de processos bem estruturada é crucial para minimizar os impactos de mudanças imprevistas e assegurar a eficiência na execução de projetos de construção”.

Essa perspectiva é complementada por Oliveira (2010:120) “a eficiência em projetos de obras públicas é diretamente influenciada pela capacidade de gestão de processos, que visa a otimização de recursos e a redução de custos”. 

Buscando elucidar os principais conceitos sobre gerenciamento e gestão, faz-se necessário apreciar algumas considerações acerca do assunto. Os autores José Alceu de Oliveira Filho e Robison G. de Castro contribuem para elucidar tecnicamente o assunto tratado com maestria: 

PMBOK e o gerenciamento de projetos no setor público:

O gerenciamento de projetos é utilizado por organizações dos mais diversos ramos de atividade, inclusive na área pública, e tem sido de fundamental importância para transformar o planejamento em resultados, otimizar a alocação de recursos, diminuir as surpresas, trazendo maior eficiência à gestão de projetos. A utilização de boas práticas em gerenciamento de projetos no setor público é bem recente. Todavia, a exigência crescente dos cidadãos por serviços públicos de qualidade reforçam a importância desta prática em todas as esferas do poder público. […] Essa extensão ao Guia PMBOK apresenta uma visão geral dos fundamentos da gestão de projetos aplicáveis à maioria das organizações de governo e que são normalmente reconhecidos como boas práticas. Não deve ser entendido como substituto do Guia PMBOK, mas uma extensão que indica como transportar e adaptar os conceitos desse guia para o cenário dos projetos de governo. É importante esclarecer que não deve ser lido isoladamente, bem como não introduz conceitos novos ou de uso geral em seu texto. Entende-se que sua maior utilidade é permitir o mapeamento entre o Guia PMBOK e as práticas aplicáveis aos projetos de governo, sendo que muitos dos mapeamentos são efetuados simplesmente referenciando algum item específico do citado guia e sua alteração aplicável. Os projetos de governo apresentam, em complemento aos stakeholders listados no Guia PMBOK, diversas outras partes interessadas, conforme relacionado abaixo: O público, incluindo eleitores e contribuintes.»» Os reguladores, que são indivíduos ou organizações que aprovam certos aspectos do projeto, bem como fazem cumprir as regras, leis e regulamentos, nas três esferas de governo, nacional, regional ou local. Como exemplo, as agências reguladoras e órgãos federais (ANA e ANTAQ), estaduais (INEA), e municipais (SMAM). »» O stakeholder de oposição, ou seja, uma parte interessada que se sente prejudicada se o projeto for bem sucedido. »» A imprensa, com o dever de tratar o projeto de forma objetiva, noticiando tanto os sucessos quanto os fracassos. »» Os fornecedores, muitas vezes de grande importância nos processos de aquisições. »» As gerações futuras, para as quais os governos têm responsabilidade em longo prazo, com respeito a dívidas contraídas, infraestrutura e meio ambiente. »» O setor privado, com recursos de contrapartida em parcerias público privadas. (GONÇALVES DE CASTRO,2012:29-31).

Portanto, é essencial que profissionais capacitados e qualificados realizem uma análise detalhada para aplicar corretamente a metodologia técnica, diagnosticando e propondo o tratamento adequado para o objetivo em questão.

3. CONSIDERAÇÕES SOBRE A CONSTRUÇÃO ENXUTA E GESTÃO DE PROJETOS

A filosofia da construção enxuta representa uma mudança marcante em relação às abordagens tradicionais de gestão de projetos, focando na criação de valor e na redução de desperdícios ao longo de todo o ciclo de vida do projeto. A teoria de produção oferece ferramentas para análise, design, controle, entre outras etapas, que direcionam o progresso do projeto, contribuindo para a melhoria do sistema produtivo. A produção tem como metas principais a entrega dos produtos desejados, a minimização de custos (objetivos internos), e a qualidade, confiabilidade e flexibilidade (objetivos externos).

A gestão de projetos convencional tende a dividir os projetos em atividades, tempo, custo e execução, concentrando-se apenas na realização das tarefas programadas, muitas vezes ignorando a interdependência entre as atividades e o fluxo de trabalho. Por outro lado, o sistema Lean ou construção enxuta de entrega de projetos é integrado e envolve diversos elementos que trabalham de forma interligada, ao contrário das práticas tradicionais que operam de forma isolada. A gestão de projetos baseada no Lean exige mudanças no comportamento individual e um desenvolvimento organizacional contínuo. As empresas que têm maior probabilidade de implementar processos Lean geralmente estão no ramo de execução de produção ou serviços, enquanto as empresas tradicionais costumam contratar terceiros para intermediar os projetos. De qualquer forma, a liderança de uma empresa que adota o Lean deve primeiro comunicar a necessidade dessa mudança, para que todos os envolvidos entendam o contexto da transformação. Muitas empresas adotam algumas ideias e práticas do Lean em sua abordagem atual de planejamento e gestão, o que pode levar a um melhor desempenho e a uma menor sensação de urgência para ações mais profundas. O Lean não é uma solução programática, mas uma maneira diferente de operar por meio de práticas disciplinadas.

Contudo, a implementação dessas práticas pode enfrentar resistências culturais e organizacionais, exigindo uma mudança significativa na mentalidade e nos processos das empresas de construção. Implementar a construção enxuta requer uma mudança na forma de pensar da organização, enfatizando a gestão holística de projetos e a participação de todas as partes interessadas.

Assim, a construção enxuta não se trata apenas de um novo método, mas de um desafio organizacional que transforma as práticas tradicionais de construção em novas metodologias, resultando em um desempenho construtivo superior e outras inovações.

Figura 1 –Painel disponibilizado durante as aulas de Mestrado: Lean Construction
Fonte: Dr. Paulo Roberto Pereira Andery (2024)
4. METODOLOGIA E EXAMES UTILIZADOS NO ESTUDO DE CASO

O presente estudo de caso utiliza uma abordagem dedutiva, que parte de uma análise geral sobre gestão de processos para uma aplicação específica na implantação de guarda-corpo em uma rampa de acesso a um parque público.

A metodologia adotada parte de um enfoque teórico-interpretativo, com base em pesquisa bibliográfica e estudo em caderno de encargos para obras públicas assim como em livros, artigos acadêmicos e periódicos especializados. Esta revisão de literatura serve para fundamentar os conceitos de gestão de processos e sua aplicabilidade em projetos de infraestrutura pública.

Além da pesquisa bibliográfica, foram realizadas pesquisas de campo para observar e documentar a implantação do guarda-corpo. Essa etapa envolveu inspeções técnicas, onde foram utilizados métodos de exame visual e registros fotográficos para constatar o estado da obra antes e pós a implementação da gestão de processos. Esses dados forneceram uma base empírica para a análise crítica e comparação dos resultados obtidos.

Os exames utilizados no trabalho consistiram em inspeções técnicas detalhadas que incluíram vistorias técnicas, exame visual, registros fotográficos. As vistorias foram realizadas em várias etapas do projeto para avaliar o progresso e identificar eventuais problemas ou desvios em relação ao planejamento inicial. A vistoria focou na conformidade dos procedimentos adotados com as melhores práticas de gestão de processos. O exame visual foi utilizado para avaliar a qualidade da execução dos serviços, especialmente a instalação do guarda-corpo, assim como, identificar as falhas, irregularidades e necessidades de ajustes. Os registros fotográficos foram feitos com objetivo de documentar o estado da obra em diferentes fases. Essas imagens foram essenciais para comparar a situação antes e depois da aplicação de um a gestão de processos estruturada, servindo como evidência visual dos impactos das melhorias implementadas.

A análise comparativa dos resultados, indicaram que a gestão de processos na aplicação do projeto contribuiu para redução de erros e retrabalhos com as devidas manutenções periódicas. Em virtude disso a manutenção preventiva e a manutenção corretiva são expedientes indispensáveis para o desempenho da gestão de processos no caso estudado na qual revela a conservação das características e funções preestabelecidas para a obra destacada. De acordo com Simone Feigelson:

A manutenção preventiva é realizada a partir de uma periodicidade preestabelecida, quando se vistoria a edificação e se executam determinados serviços de manutenção, às vezes antes mesmo deles aparentarem serem necessários, evitando problemas que poderiam vir a acontecer, sendo estabelecidas em função das informações obtidas em inspeções regulares e periódicas. A manutenção corretiva é proveniente de uma necessidade pontual de uma determinada atividade de correção ou de reforço. Normalmente ocorre em edificações que não são inspecionadas rotineiramente[…]. (FEIGELSON DEUTSCH,2019:116-117).

Neste caso, a análise comparativa demonstrou que a gestão de processos, aliada a outras aplicações, de fato, podem influenciar positivamente a qualidade e controle em projetos de infraestrutura pública, seja ela de qualquer proporção.

Para complementar o tema que de forma oblíqua sustenta a importância da sistematização, segue a investigação dos dados e fatos escolhidos para o estudo de caso como assunto destaque.

5. ETAPAS DOS PROCESSOS E DO PROJETO PARA O ESTUDO DE CASO

Sabe-se que as etapas do processo de projeto incluem iniciação, planejamento, execução, monitoramento, controle e encerramento o que forma um ciclo integrado que assegura o alinhamento do projeto.

A primeira etapa consiste em estudo preliminar nas quais foram feitos levantamentos das necessidades e dos requisitos através de reuniões com a equipe responsável pelo projeto, análise de viabilidade de implantação do projeto verificando para tanto os aspectos técnicos e econômicos para a obra de infraestrutura em espaço público. Foi verificada a normatização adequada e funcional para atender a demanda da população assim como apresentação e aprovação do estudo preliminar. 

Como segundo passo, desenvolveu-se o projeto básico das plantas arquitetônicas com cortes e elevações que definiram as dimensões e características do guardacorpo. Definiu-se o tipo de material a ser empregado no projeto, orçamentação preliminar, compatibilização de projetos, processos complementares, revisão técnica e aprovação pela administração pública.

A próxima etapa foi o detalhamento do projeto executivo com as especificações técnicas de materiais e sistemas complementares, elaboração de cronograma da obra incluindo prazos e marcos importantes, licenciamentos e aprovações legais regulatórias.

A etapa do monitoramento e fluxo das atividades consistiu em reuniões para alinhamento das etapas, reuniões com a equipe de campo, utilização de ferramentas de gestão de projetos para controlar prazos e custos, gestão das possíveis alterações e revisões necessárias à implementação do mesmo. 

Outros elementos foram necessários para monitoramento e gestão do fluxo de atividades. Elencamos para as ferramentas de gestão: a) Plano de Gerenciamento de Riscos com objetivo de identificar, analisar e mitigar os riscos associados ao projeto; b) Plano de Comunicação que garante a comunicação eficaz entre todos os stakeholders; c) Plano de Qualidade que define os padrões de qualidade e procedimentos para que possam ser atendidos; d) Plano de Segurança do Trabalho que são as medidas que garantem a segurança dos trabalhadores durante a execução da obra; d) Estratégia de Sustentabilidade e Eficiência Energética para implantação luminotécnica sustentável para a rampa e as principais trilhas do parque.

Os detalhes da ferramenta MSProject para monitoramento do projeto com o gráfico de Gantt, reproduzem os produtos de cada etapa da obra. Assim como segue:

Figura 2 –Ferramenta MSProject e Gráfico de Gantt
Fonte: Autor (2024)

O Microsoft Project é uma ferramenta de gestão de projetos potente e versátil, que pode ser utilizada para controlar projetos de menor ou maior complexidade, sendo uma das melhores opções disponíveis no mercado devido aos recursos de gerenciamento que oferece e à sua facilidade de uso. Esta ferramenta elimina a necessidade de cálculos manuais de duração das atividades, como as fórmulas avançadas da Rede PERT, já que o software faz esses cálculos de forma automática. Os Gráficos de Gantt tornaram-se uma técnica amplamente utilizada para ilustrar as etapas e atividades de uma Estrutura Analítica de Projeto (EAP), facilitando a compreensão por todas as partes envolvidas. O conjunto de etapas de um projeto é denominado ciclo de vida do projeto. A gestão de projetos se realiza por meio da aplicação de processos em cada uma dessas etapas, organizando-se em cinco grupos de processos: iniciação, planejamento, execução, monitoramento e controle, e finalização. Esses grupos de processos incluem um ou mais procedimentos. A iniciação envolve a identificação das partes interessadas e a elaboração do termo de abertura do projeto, estabelecendo objetivos e critérios de sucesso. No grupo de planejamento, são definidos escopo, cronograma, custos, qualidade, recursos, comunicação, riscos e aquisições, criando um plano coeso que guiará a execução. A fase de execução concentra-se na mobilização de equipes e recursos para a produção das entregas, e na implementação do plano de comunicação para garantir que todas as partes envolvidas estejam alinhadas. Durante a monitoramento e controle, são aplicados mecanismos de avaliação de desempenho, identificando desvios do planejamento e implementando ações corretivas. As técnicas de controle de qualidade e gerenciamento de riscos são fundamentais nesta fase, garantindo que o projeto se mantenha dentro dos parâmetros definidos assim como o grupo de encerramento garante que todas as entregas sejam formalmente aceitas, e envolve a finalização de contratos, a avaliação do desempenho do projeto e o registro das lições aprendidas. Segundo o que preconiza o guia PMBook as interações entre os grupos de processos podem ficar assim:

Figura 3 – EAP
Fonte: PMBook (2004)

A gestão visual e padronização de processos dentro do projeto seguiram as atividades desenvolvidas no quadro de gestão visual instalado no canteiro de obra e no escritório para acompanhar o progresso das atividades, identificar gargalos e facilitar a comunicação entre as equipes. Para a padronização dos processos foram criados os Processos Operacionais Padrão (POPs) para todas as atividades críticas garantindo uniformidade na execução e minimizando erros. Esses POPs detalhavam cada etapa do processo, desde a preparação até a finalização das tarefas, estabelecendo critérios de qualidade, tempo de execução e segurança. A comunicação visual simplificou a troca de informações, permitindo que problemas fossem identificados rapidamente e soluções fossem implementadas de forma ágil. Essa abordagem integrada, combinando gestão visual e processos padronizados, resultou em maior eficiência operacional, redução de retrabalhos e melhor engajamento das equipes no cumprimento dos prazos e metas estabelecidas. Assim segue o identificação visual da padronização de processos:

Figura 4 – Quadro gestão visual e padronização de processos
Fonte: Autor (2024)

A padronização do quadro de gestão supracitado não é taxativo, mas sim, exemplificativo. Cada trabalho exige o desenvolvimento de quadros operacionais voltados para demandas específicas.

A identificação das etapas de construção enxuta ou Lean Construction para os processos internos e externos para as obras públicas podem ser distribuídas como a descrição que segue. Os objetivos de cada prática Lean foi distribuída conforme as possibilidades da gestão pública. Minimizar desperdícios em todas as formas, como o uso de materiais, tempo de espera e retrabalhos foi o grande desafio.

Em obras públicas, onde os processos burocráticos podem gerar ineficiências, a adoção de métodos Lean ajuda a otimizar prazos e recursos. O foco foi garantir que cada etapa do processo de construção agregasse valor, eliminando atividades que não contribuam diretamente para o resultado final.

Nas obras públicas, isso pode significar um melhor planejamento e integração entre diferentes etapas e stakeholders, como empreiteiras e órgãos governamentais. Ferramentas de gestão visual são muito utilizadas no Lean Construction para facilitar a compreensão de processos e promover a transparência. Em obras públicas, isso pode incluir o uso de painéis informativos em canteiros de obra e relatórios públicos para que a população acompanhe o andamento do projeto.

A identificação das etapas propostas para o estudo de caso seguiu o mapeamento do fluxo de demandas a ser desenvolvidas concomitantemente com o material disponibilizado para cada etapa do processo. O foco claro em eficiência, transparência e entrega de valor à sociedade, além de promover maior responsabilidade na utilização de recursos públicos.  Segue painel desenvolvido para essa etapa:

Figura 5 – Quadro etapas construção enxuta ou Lean Construction
Fonte: Autor (2024)

Neste contexto, o foco foi na eficiência, transparência e entrega de valor à sociedade, além de promover maior responsabilidade na utilização de recursos públicos. 

6. APRECIAÇÃO DAS EVIDÊNCIAS À ELUCIDAÇÃO DO ESTUDO PROPOSTO

Com base nas práticas da construção enxuta aplicadas ao estudo de caso em obras públicas, é possível identificar a relevância de cada etapa mapeada para otimizar os processos e minimizar desperdícios. A construção enxuta ou Lean, adaptada para a gestão pública, exige uma abordagem cuidadosa que leve em consideração as especificidades do setor, tais como as restrições burocráticas e a necessidade de prestar contas à sociedade. Em função do exposto segue os principais aspectos abordados e eternizados pelo acervo fotográfico do autor:

Figura 6 – Vista lateral rampa
Fonte: Autor (2024)
Figura 7 – Vista lateral rampa/guarda-corpo
Fonte: Autor (2024)
Figura 8 – Detalhe Caderno de Encargos SUDECAP
Fonte: Prefeitura de Belo Horizonte (2024)
Figuras 9 – Detalhes rampa Fonte: Autor (2024)

Com a implementação das ferramentas demonstradas nos quadros de apoio anteriormente citados, observou-se uma redução significativa em atividades que não agregavam valor ao produto final, como retrabalhos e tempos ociosos, o que contribuiu diretamente para o cumprimento dos prazos e a otimização de recursos.

Figura 10 – Detalhes rampa
Fonte: Autor (2024)

Em função do exposto segue os principais aspectos abordados e eternizados pelo acervo fotográfico do autor assim como os cortes, elevação e detalhamentos da opção1:

Figura 11 – Detalhes rampa
Fonte: Autor (2024)
Figura 12 – Detalhes rampa
Fonte: Autor (2024)

Opção 2 dos detalhamentos e elevação:

Figura 13 – Detalhes rampa
Fonte: Autor (2024)
 
Figura 14 – Detalhes rampa
Fonte: Autor (2024)
Figura 15 – Detalhes rampa
Fonte: Autor (2024)
Figura 16 – Detalhes rampa
Fonte: Autor (2024)
Figura 17 – Detalhes rampa
Fonte: Autor (2024)

Com base nas análises realizadas, este trabalho enfatiza a importância de uma gestão de processos estruturada como um pilar fundamental para o sucesso de projetos de obras públicas. A aplicação da metodologia apresentada não apenas permitiu identificar os desafios enfrentados na implantação do guarda corpo em rampa de acesso ao parque público, mas também evidenciou as soluções implementadas que contribuíram para a melhoria da eficiência e da qualidade da obra. A integração de ferramentas tecnológicas, juntamente com uma abordagem sistemática e disciplinada, mostrou-se essencial para otimizar o uso dos recursos e garantir o cumprimento dos prazos estabelecidos. Dessa forma, a pesquisa evidencia que a adoção de práticas rigorosas de gestão de processos não é apenas desejável, mas necessária para promover um ambiente de trabalho mais produtivo e responsável, refletindo em resultados que atendem às expectativas da sociedade e contribuem para a melhoria da infraestrutura pública. Diante disso, não se pode olvidar da importância da identificação da sintomatologia para que teça um diagnóstico efetivo com objetivo de atingir o cerne do problema.

7. CONCLUSÃO

O presente trabalho teve como foco o estudo de caso da implantação do guarda corpo em uma rampa de acesso a um parque público, e através da análise aprofundada desse projeto, foi possível destacar a relevância da gestão de processos como uma ferramenta essencial para aprimorar a eficiência, a qualidade e o controle em obras públicas. A pesquisa realizada, que envolveu uma metodologia teórico-interpretativa e a aplicação de um método dedutivo, permitiu compreender os desafios enfrentados na execução do projeto e as soluções adotadas para superálos, oferecendo uma visão abrangente sobre o tema. Os resultados obtidos antes e após a implementação de uma gestão de processos estruturada demonstraram uma clara melhoria nas operações do projeto. A análise comparativa indicou não apenas uma redução significativa nos retrabalhos, mas também uma otimização na alocação e uso dos recursos disponíveis. Essa transformação não só impactou positivamente o andamento da obra, mas também elevou a qualidade do produto final entregue à população. As vistorias técnicas realizadas, acompanhadas de registros fotográficos, foram fundamentais para enriquecer a análise crítica dos dados coletados. Esses registros proporcionaram uma visão prática dos desafios enfrentados e das soluções implementadas, permitindo que se extraíssem lições valiosas para a gestão de projetos de infraestrutura no futuro. A pesquisa evidenciou que a integração de ferramentas tecnológicas e metodologias de gestão eficazes pode melhorar substancialmente a coordenação entre as diferentes etapas do projeto, resultando em uma execução mais fluida e eficiente. As hipóteses levantadas ao longo do estudo, que apontavam que uma gestão de processos eficiente pode reduzir retrabalhos e custos adicionais em obras públicas de infraestrutura, foram corroboradas pelas evidências encontradas. Além disso, a implementação de práticas rigorosas de gestão de processos mostrou-se determinante para o cumprimento dos prazos estabelecidos e para a minimização de alterações imprevistas nos projetos. Essa constatação reflete a necessidade de se adotar uma abordagem mais sistemática e disciplinada na gestão de obras, promovendo uma cultura de excelência e responsabilidade. Diante do cenário contemporâneo, onde a demanda por eficiência e qualidade nas obras públicas é cada vez mais premente, este trabalho conclui que a gestão de processos é um elemento-chave para a melhoria contínua. Os desafios impostos pela rápida evolução tecnológica, pelas mudanças na legislação e pela crescente exigência da sociedade quanto à transparência e qualidade dos serviços públicos demandam uma gestão que não apenas responda a essas necessidades, mas que também antecipe problemas e busque soluções inovadoras. Por fim, este estudo serve como um guia para a aplicação de práticas de gestão de processos em projetos de obras públicas, destacando não apenas as lições aprendidas, mas também as limitações do estudo, que devem ser consideradas em futuras investigações. O entendimento aprofundado dos desafios enfrentados e das estratégias implementadas pode contribuir para o desenvolvimento de projetos mais resilientes e sustentáveis, que atendam às expectativas da sociedade e promovam a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Assim, reafirma-se a importância da gestão de processos não apenas como uma metodologia, mas como uma filosofia de trabalho que pode transformar a forma como as obras públicas são concebidas, executadas e avaliadas, resultando em um legado positivo para as futuras gerações.

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1MBA Em Planejamento E Gestão De Obras Públicas
Instituto De Pós-Graduação – IPOG Belo Horizonte, MG, 21 De Outubro De 2024
chrisescribas@gmail.com