O PAPEL DA ENFERMAGEM NO ATENDIMENTO INICIAL DE PACIENTES POLITRAUMATIZADOS: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DA LITERATURA

THE ROLE OF NURSING IN THE INITIAL CARE OF POLYTRAUMATIZED PATIENTS: A LITERATURE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202602280534


Maria Eduarda de Oliveira Fogaça1
Mileidy Aparecida Milczwski2
Raul Henrique Oliveira Pinheiro3


Resumo

Este trabalho aborda o papel da enfermagem no atendimento inicial ao paciente politraumatizado nos serviços de urgência e emergência. O estudo foi desenvolvido por meio de revisão bibliográfica, com análise de publicações sobre o atendimento ao trauma e a assistência de enfermagem nesse contexto. A pesquisa permitiu compreender que a enfermagem participa do cuidado desde a chegada do paciente ao serviço de emergência, acompanhando o quadro clínico e auxiliando nas intervenções necessárias. Observou-se que a avaliação inicial, a monitorização e a organização da assistência são partes importantes desse atendimento. Também se verificou que protocolos de atendimento ao trauma contribuem para orientar as ações da equipe. Dessa forma, a enfermagem apresenta participação relevante no cuidado ao paciente politraumatizado.

Palavras-chave: Politraumatismo. Enfermagem. Urgência e emergência.

ABSTRACT

This study addresses the role of nursing in the initial care of polytraumatized patients in emergency and urgent care services. The research was developed through a bibliographic review, based on the analysis of publications related to trauma care and nursing assistance in this context. The study made it possible to understand that nursing participates in patient care from the moment of admission to the emergency service, monitoring the clinical condition and assisting in the necessary interventions. It was observed that initial assessment, patient monitoring, and organization of care are important parts of this process. It was also verified that trauma care protocols contribute to guiding the actions of the healthcare team. Thus, nursing plays a relevant role in the care of polytraumatized patients.

Keywords: Polytrauma. Nursing. Emergency care.

1. INTRODUÇÃO

Nos serviços de urgência e emergência, o trauma aparece com frequência como consequência de acidentes, quedas e situações de violência. Em muitos desses atendimentos, o paciente chega ao hospital apresentando múltiplas lesões, condição que caracteriza o politraumatismo e exige atenção imediata da equipe de saúde. A rapidez na avaliação clínica e na organização do cuidado torna-se essencial nesse momento, pois o quadro do paciente pode se alterar rapidamente após o evento traumático (Oliveira et al., 2023).

No atendimento inicial, diferentes profissionais atuam de forma simultânea para estabilizar o paciente. A enfermagem permanece continuamente ao lado do paciente durante esse processo, acompanhando sinais clínicos, realizando monitorização e auxiliando na execução dos cuidados necessários. Esse acompanhamento permite reconhecer alterações no estado geral e contribui para a continuidade da assistência no ambiente hospitalar (Will et al., 2020).

A utilização de protocolos de atendimento ao trauma tem sido discutida como uma forma de orientar a avaliação inicial e organizar as intervenções em situações de emergência. A avaliação sistematizada auxilia na definição de prioridades e favorece a condução do cuidado de maneira mais segura (Pereira; Nakamura; Nunes, 2025). Nesse contexto, a sistematização da assistência de enfermagem contribui para o planejamento das ações e para o acompanhamento da evolução clínica do paciente (Martiniano et al., 2020).

Mesmo em situações críticas, o cuidado em saúde envolve aspectos que vão além dos procedimentos técnicos. Comunicação entre profissionais, trabalho em equipe e atenção às necessidades do paciente continuam presentes no atendimento ao politraumatizado, contribuindo para a qualidade da assistência prestada (Da Rosa Soares et al., 2022).

Diante disso, o estudo do papel da enfermagem no atendimento inicial ao paciente politraumatizado mostra-se relevante para a compreensão das práticas assistenciais desenvolvidas nos serviços de urgência e emergência. Assim, este estudo tem como objetivo analisar, por meio de revisão bibliográfica da literatura, o papel da enfermagem no atendimento inicial de pacientes politraumatizados.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

2.1 O politraumatismo e o atendimento em serviços de urgência e emergência

O atendimento ao trauma está presente de forma constante nos serviços de urgência e emergência, especialmente em situações relacionadas a acidentes de trânsito, quedas e violência. Em muitos desses casos, as lesões atingem diferentes regiões do corpo ao mesmo tempo, configurando o politraumatismo. Essa condição exige atenção imediata da equipe de saúde, pois o estado clínico do paciente pode se modificar rapidamente após o evento traumático (De Oliveira et al, 2023.       

O politraumatismo é frequentemente associado a quadros de maior complexidade assistencial, já que múltiplas lesões podem comprometer funções vitais simultaneamente. Em razão disso, a avaliação inicial torna-se um momento decisivo do atendimento. A identificação de alterações respiratórias, circulatórias e neurológicas permite definir prioridades e orientar as primeiras intervenções realizadas no serviço de emergência (De Oliveira et al, 2023).

Nos serviços hospitalares, o atendimento ao paciente traumatizado ocorre em um ambiente caracterizado por dinâmica intensa e necessidade de respostas rápidas. A organização das ações assistenciais depende da observação clínica e da comunicação entre os profissionais envolvidos no cuidado. Nem sempre o quadro do paciente se apresenta de forma estável, o que exige reavaliações constantes ao longo do atendimento (Da Silva Melo et al, 2021).

A literatura sobre trauma aponta que a utilização de protocolos assistenciais contribui para orientar a avaliação inicial e reduzir falhas durante o cuidado emergencial. A avaliação sistematizada permite reconhecer situações de risco imediato e organizar a sequência das intervenções realizadas pela equipe. Essa organização torna-se ainda mais relevante quando o paciente apresenta instabilidade clínica decorrente das lesões traumáticas (Da Silva Melo et al, 2021).

Outro ponto frequentemente discutido nos estudos sobre atendimento ao trauma é o tempo necessário para o início das intervenções. A rapidez na avaliação e na estabilização do paciente está diretamente relacionada ao prognóstico clínico. Em situações de politraumatismo, minutos podem ser determinantes para a evolução do quadro, o que reforça a importância de equipes preparadas para atuar em contextos de urgência (Costa et al, 2024).

Além da dimensão clínica, o politraumatismo também apresenta impactos sociais importantes. Lesões traumáticas podem resultar em hospitalizações prolongadas, reabilitação e limitações funcionais, afetando não apenas o paciente, mas também sua família e o sistema de saúde. Esse cenário contribui para que o trauma seja reconhecido como um problema relevante de saúde pública (Costa et al, 2024).

Nos serviços de emergência, o atendimento ao paciente politraumatizado não se limita ao momento da admissão. A avaliação clínica continua ao longo da assistência, acompanhando a evolução do paciente e orientando a necessidade de novas intervenções. Essa continuidade do cuidado permite identificar mudanças no quadro clínico e ajustar as condutas assistenciais conforme necessário (Rosa Pinheiro et al, 2024).

Assim, o atendimento ao politraumatizado envolve a articulação entre avaliação clínica, organização das ações assistenciais e trabalho integrado da equipe de saúde. A compreensão desses elementos contribui para a construção de práticas assistenciais voltadas à segurança do paciente e à qualidade do cuidado em serviços de urgência e emergência (Rosa Pinheiro et al, 2024).

2.2 A atuação da enfermagem no atendimento inicial ao paciente politraumatizado        

Os acidentes, violências no trânsito, homicídios, autoextermínios e acidentes em geral são considerados a grande epidemia do século, configurando-se como um importante problema de saúde pública. Sua magnitude e transcendência trazem forte impacto na morbidade e mortalidade da população. O Brasil encontra-se em 5º lugar no ranking de maiores índices de acidentes de trânsito, e cerca de 16 mil pessoas morrem em decorrência desse tipo de trauma (De Oliveira et al, 2024)).

Segundo o Ministério da Saúde, em 2019, 31.945 pessoas perderam a vida em acidentes de trânsito. Essas vítimas são, em sua maioria, do sexo masculino, em idade produtiva e usuárias de motocicletas. As estruturas atingidas com maior frequência são crânio, tórax e membros superiores e inferiores, deixando lesões físicas e mentais permanentes ou levando ao óbito. Os traumas mais recorrentes são: cranioencefálico, raquimedular e torácico-abdominal (De Oliveira et al, 2024)).

O politraumatismo caracteriza-se por múltiplas lesões causadas ao corpo por forças externas, de natureza física ou química, como impactos ou queimaduras. Entre elas, podem ser citadas quedas, acidentes de trânsito, atropelamentos e ferimentos por armas de fogo, entre outras. Essas lesões podem acometer órgãos vitais e diversos sistemas, levando ao óbito (Morozowski et al, 2024).

O atendimento aos pacientes politraumatizados ocorre por meio de uma equipe multiprofissional, na qual o momento exige rapidez, pensamento clínico e crítico de acordo com a necessidade do paciente. O pronto atendimento, a avaliação adequada do quadro e as opções de suporte disponíveis no serviço de urgência e emergência são imprescindíveis para o desfecho final da situação (Morozowski et al, 2024).

A enfermagem apresenta importante papel no atendimento, recuperação e reabilitação da vítima politraumatizada, tendo em vista que o enfermeiro se faz presente em todas as etapas desse processo. Além disso, deve estar capacitado para tomar decisões rápidas e realizar a assistência em situações de maior complexidade, atuando também em ações educativas e junto à equipe multiprofissional (Will et al, 2020).

Esses profissionais vivenciam jornadas de trabalho exaustivas e, considerando sua importância na atuação como profissionais proativos e qualificados, torna-se necessária a valorização de treinamentos e cursos de qualificação profissional oferecidos pelas instituições de atendimento ao trauma (Will et al, 2020).

O cuidado ao paciente politraumatizado exige organização da assistência de enfermagem desde o momento do atendimento inicial. Nesse processo, o enfermeiro atua no planejamento, na execução e no acompanhamento das intervenções assistenciais, observando continuamente as condições clínicas da vítima. A monitorização do paciente e a avaliação constante do quadro clínico permitem identificar alterações que possam comprometer a recuperação (Martiniano et al, 2020).

Entre os cuidados desenvolvidos pela enfermagem estão a prevenção de lesões cutâneas, o controle da dor, a higiene, o acompanhamento das funções fisiológicas e a identificação de possíveis lesões secundárias. Essas ações fazem parte da assistência prestada ao paciente politraumatizado durante sua permanência no serviço de urgência e emergência, contribuindo para a continuidade do cuidado e para a segurança do paciente (Martiniano et al, 2020).

O trabalho da enfermagem nesse contexto também envolve a organização das informações assistenciais e a comunicação com a equipe de saúde, aspectos que auxiliam na condução do atendimento e no acompanhamento da evolução clínica do paciente politraumatizado.

2.3 Sistematização da assistência de enfermagem e protocolos no cuidado ao trauma

A enfermagem tem um papel essencial na promoção, proteção e recuperação da saúde tanto dos indivíduos separadamente, como da coletividade (Bonuzzi et al, 2021).

Segundo o decreto nº 94. 406/97, ao enfermeiro é incumbido: “I – Participação nos programas de assistência integral à saúde individual e de grupos específicos, particularmente daqueles prioritários e de alto risco”, o que revela mais uma vez a grande importância que este profissional tem em diversos âmbitos da saúde, em especial, na área de urgência e emergência. Portanto, o enfermeiro adquire grande importância quando se fala do apoio à família das vítimas, uma vez que é necessário saber técnico, científico e humanístico para conseguir identificar suas principais necessidades e, da melhor forma possível, supri-las (Bonuzzi, et al 2021).

O atendimento de urgência e emergência exige um menor tempo para ser realizado e, por este motivo, requer organização adequada do sistema local de saúde, incluindo o hospital para que haja o planejamento das intervenções, do trabalho multiprofissional, do espaço físico em si e dos recursos necessários para atender a todas as necessidades do paciente (Favarin, 2022).

Segundo o COFEN (Conselho Federal de Enfermagem), a resolução 358/2009 dispõem sobre a sistematização da assistência de enfermagem e a implementação do processo de enfermagem em ambientes, públicos e privados, onde ocorram cuidado do profissional de enfermagem (Favarin, 2022). Sendo assim o COFEN deixa claro que o processo de enfermagem deve ocorrer de forma sistemática em todas as instituições, obedecendo das etapas estabelecidas nesta resolução, sendo elas:

Coleta de dados de Enfermagem (ou Histórico de Enfermagem): processo baseados em métodos e técnicas próprias onde objetiva ao enfermeiro a partir de uma entrevista qualificada obter respostas sobre a pessoa, família ou coletividade sobre o processo de saúde e doença;

Diagnóstico de Enfermagem: etapa do processo na qual o enfermeiro identifica principais causas no processo saúde e doença do indivíduo afim de estabelecer o diagnóstico necessário para planejar e implementar os cuidados;

Planejamento de Enfermagem: determinação dos resultados esperados a partir dos diagnósticos identificados na etapa anterior e posterior a implementação dos cuidados;

Implementação: realização das intervenções e cuidados planejados;

Avaliação de Enfermagem: verificar os resultados esperados se foram ou não atingidos a partir de avaliação do indivíduo, e modificar ou finalizar procedimentos (Favarin, 2022).

3. METODOLOGIA

O presente trabalho foi desenvolvido por meio de pesquisa bibliográfica sobre o papel da enfermagem no atendimento inicial ao paciente politraumatizado. Foram utilizados artigos científicos relacionados ao tema, encontrados em plataformas de busca acadêmica como Google Acadêmico e SciELO. A escolha desse tipo de estudo ocorreu pela necessidade de reunir informações já publicadas sobre a assistência de enfermagem em situações de urgência e emergência.

A seleção dos artigos ocorreu a partir da leitura dos títulos e resumos, sendo escolhidos aqueles que apresentavam relação com o atendimento ao paciente politraumatizado e com a atuação da enfermagem nesse contexto. Após essa etapa, os textos selecionados foram lidos integralmente, permitindo identificar informações consideradas importantes para o desenvolvimento do trabalho e para a compreensão do tema estudado.

As informações obtidas foram organizadas de acordo com o conteúdo apresentado nos estudos, contribuindo para a construção da fundamentação teórica e do quadro de resultados. A análise foi realizada por meio da leitura e interpretação dos artigos, buscando compreender como os autores descrevem a atuação da enfermagem no atendimento inicial ao paciente politraumatizado e quais cuidados são mais frequentemente abordados na literatura.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

A análise dos estudos selecionados permitiu identificar as principais contribuições da literatura sobre a atuação da enfermagem no atendimento inicial ao paciente politraumatizado. Os artigos analisados apresentam objetivos, métodos e resultados relacionados à assistência de enfermagem em serviços de urgência e emergência, conforme apresentado no Quadro 1.

Quadro 1 — Caracterização dos estudos analisados

Autor(es) / AnoObjetivo do estudoTipo de estudo / MétodoPrincipais resultadosConclusão relevante
Bonuzzi et al., 2021Analisar a atuação do enfermeiro no atendimento pré-hospitalar aéreo a pacientes politraumatizadosRevisão de literaturaEvidenciou a importância da tomada de decisão rápida e do domínio de protocolos de trauma pela enfermagem no atendimento pré-hospitalarO enfermeiro possui papel fundamental na estabilização inicial e na manutenção da vida do paciente politraumatizado
Cestari et al., 2020Identificar tecnologias do cuidado utilizadas pela enfermagem na assistência ao paciente politraumatizadoRevisão integrativaIdentificação de tecnologias leves, leveduras e duras utilizadas no cuidado ao paciente traumatizadoO uso de tecnologias do cuidado qualifica a assistência de enfermagem no trauma
Martiniano et al., 2020Analisar os cuidados de enfermagem ao paciente politraumatizadoRevisão integrativaDestaca a sistematização da assistência de enfermagem e a monitorização contínua como elementos essenciais no atendimentoA assistência de enfermagem é determinante na recuperação e estabilização do paciente politraumatizado
Will et al., 2020Identificar cuidados de enfermagem prestados a pacientes politraumatizados na emergênciaRevisão de literaturaEvidenciou intervenções como controle de vias aéreas, monitorização hemodinâmica e prevenção de complicaçõesA atuação rápida e organizada da enfermagem reduz riscos e complicações
Melo et al., 2021Analisar a assistência de enfermagem ao paciente politraumatizado em emergência hospitalarRevisão de literaturaDestaca a importância da avaliação primária baseada no protocolo ABCDEA enfermagem é essencial no reconhecimento precoce de agravos e na estabilização inicial
Zaparoli et al., 2022Analisar a assistência de enfermagem ao paciente politraumatizadoRevisão de literaturaEvidenciou a importância da avaliação sistematizada e do trabalho multiprofissional no cuidado ao paciente traumatizadoA enfermagem exerce papel essencial na estabilização clínica e continuidade do cuidado
Favarin, 2022Investigar a assistência de enfermagem ao paciente politraumatizado em emergência hospitalarEstudo descritivo com abordagem qualitativaIdentificou a relevância do protocolo de atendimento ao trauma e da organização da equipe de enfermagemProtocolos assistenciais contribuem para maior segurança no atendimento ao politraumatizado
Oliveira et al., 2023Descrever o atendimento inicial ao paciente politraumatizadoRevisão de literaturaEvidenciou a necessidade de intervenção rápida e sistematizada na avaliação primária do traumaA atuação imediata da equipe de enfermagem influencia diretamente o prognóstico do paciente
Rosa Pinheiro et al., 2024Avaliar a assistência de enfermagem à vítima de trauma no ambiente hospitalarRevisão integrativaDestacou a importância da avaliação clínica, monitorização e aplicação da SAEA assistência de enfermagem estruturada melhora a qualidade do cuidado ao paciente traumatizado
Morozowski et al., 2024Analisar o atendimento ao paciente traumatizado em pronto atendimentoRevisão de literaturaIdentificou desafios relacionados à organização do serviço e ao preparo profissionalA qualificação da equipe de enfermagem é essencial para o atendimento ao trauma
Costa et al., 2024Analisar o uso de protocolos de resposta rápida no atendimento ao politraumatizadoRevisão de literaturaEvidenciou que protocolos estruturados melhoram a organização do atendimento e reduzem riscos ao pacienteProtocolos assistenciais fortalecem a atuação da enfermagem no atendimento inicial
Oliveira et al., 2024Descrever a assistência de enfermagem no atendimento às vítimas de politraumaRevisão de literaturaIdentificou a importância da avaliação clínica rápida e da estabilização inicialA enfermagem é elemento central no cuidado ao paciente politraumatizado
Lopez et al., 2025Discutir desafios e estratégias no atendimento ao politraumatizado baseados no ATLSRevisão de literaturaEvidenciou a importância da abordagem sistematizada no traumaA aplicação de protocolos melhora a qualidade do atendimento ao paciente traumatizado
Macedo et al., 2025Analisar protocolos e abordagens no manejo do paciente politraumatizadoRevisão de literaturaDestacou avanços na assistência ao trauma e a necessidade de capacitação profissionalO preparo da equipe de enfermagem é essencial para o manejo do paciente crítico
Muller et al., 2025Investigar a atuação do enfermeiro em ocorrências de urgência e emergência em rodoviasRevisão de literaturaEvidenciou o papel do enfermeiro na estabilização inicial e no suporte à vidaA atuação do enfermeiro é fundamental no atendimento pré-hospitalar ao trauma
Pereira; Nakamura; Nunes, 2025Analisar desafios e estratégias na aplicação do protocolo XABCDERevisão de literaturaIdentificou benefícios da sistematização da avaliação do traumaO protocolo XABCDE fortalece a segurança do atendimento ao paciente politraumatizado
Da Rosa Soares et al., 2022Discutir a humanização da enfermagem nos cenários de urgência e emergênciaRevisão de literaturaEvidenciou a importância do cuidado humanizado associado à assistência técnicaA humanização contribui para a qualidade da assistência de enfermagem no trauma
Fonte: Elaborado pelas autoras (2026)

A análise dos estudos selecionados demonstra que a atuação da enfermagem no atendimento inicial ao paciente politraumatizado está diretamente relacionada à avaliação clínica e à monitorização contínua do paciente. Cestari et al (2020) destaca que o atendimento em urgência e emergência exige rapidez e raciocínio clínico, especialmente nas primeiras intervenções realizadas após a admissão do paciente. De forma semelhante, Da Rosa Soares et al (2019) apontam que o enfermeiro participa de todas as etapas do cuidado à vítima politraumatizada, desde o atendimento inicial até a recuperação.

Muller et al (2025) descrevem que os traumas mais recorrentes envolvem lesões cranioencefálicas, raquimedulares e toracoabdominais, exigindo acompanhamento contínuo da equipe de enfermagem. Esse achado reforça a necessidade de observação clínica constante, também mencionada por Pereira; Nakamura; Nunes (2025), ao destacar que o cuidado de enfermagem envolve monitorização do quadro clínico, controle da dor e prevenção de complicações secundárias.

Outro ponto recorrente nos estudos refere-se à qualificação profissional da equipe de enfermagem. Lopes et al (2025) enfatizam a importância de treinamentos específicos para o atendimento ao trauma, enquanto Macedo et al (2025) relacionam a capacitação profissional à melhoria da assistência em serviços de urgência e emergência. Esses estudos indicam que a formação contínua contribui para maior segurança no atendimento ao paciente politraumatizado.

Além disso, a organização do cuidado por meio da Sistematização da Assistência de Enfermagem é apontada como elemento importante para a continuidade da assistência. Zaparoli et al (2022) destacam que o processo de enfermagem permite planejar e acompanhar os cuidados prestados ao paciente, contribuindo para a organização do atendimento em situações de maior complexidade clínica.

5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir do que foi levantado nesta revisão, compreende-se que o atendimento inicial ao paciente politraumatizado não depende apenas de rapidez, mas de decisões organizadas e de uma leitura clínica contínua do estado do paciente. Nesse cenário, a enfermagem se destaca por permanecer no centro da assistência desde o primeiro contato, acompanhando as alterações do quadro e participando do cuidado de forma ininterrupta no ambiente de urgência e emergência.

Ao longo da análise dos estudos, percebe-se que a atuação da enfermagem se materializa em ações concretas e simultâneas: observar, monitorar, registrar, comunicar e intervir quando necessário. A proximidade com o paciente durante a avaliação e a estabilização favorece o reconhecimento de mudanças rápidas do quadro clínico, o que, em casos de politrauma, pode ser determinante para evitar agravamentos no decorrer do atendimento.

Outro ponto que se evidencia é que a assistência tende a ganhar mais segurança quando há orientação por protocolos e quando o cuidado é conduzido de modo sistematizado. A existência de uma lógica de atendimento, com prioridades bem definidas, contribui para reduzir improvisos e para melhorar a continuidade das condutas, especialmente em situações em que a equipe está diante de múltiplas demandas e de um paciente com risco imediato.

Além do componente técnico, os estudos também indicam que o atendimento ao politraumatizado exige integração real com a equipe multiprofissional. A enfermagem, por concentrar grande parte do acompanhamento contínuo, ocupa um lugar estratégico na comunicação do que está acontecendo com o paciente, na organização de informações assistenciais e no apoio ao fluxo de atendimento, sem perder de vista a necessidade de cuidado humanizado mesmo em cenários críticos.

Também se observa que a qualificação profissional não pode ser tratada como um item “extra”, porque é justamente ela que sustenta a prática segura no atendimento ao trauma. Treinamentos, educação permanente e familiaridade com protocolos fortalecem a tomada de decisão e dão mais consistência às ações da equipe de enfermagem, especialmente quando o tempo é curto e as condutas precisam ser precisas.

Como limitação, este estudo se apoia em revisão bibliográfica e, por isso, não descreve a prática observada diretamente em um serviço específico, com suas rotinas e dificuldades próprias. Ainda assim, a revisão permite afirmar que o objetivo foi atendido, pois foi possível analisar o papel da enfermagem no atendimento inicial ao paciente politraumatizado e reforçar sua importância na estabilização clínica e na continuidade do cuidado nos serviços de urgência e emergência.

REFERÊNCIAS

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1Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade Campo Real, e-mail: enf-mariafogaca@camporeal.edu.br.

2Enfermeira, Centro de Saúde Boa Ventura de São Roque, e-mail: Mileidy.mcz@gmail.com.

3Docente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade Campo Real, e-mail: prof_raulpinheiro@camporeal.edu.br