REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202510311602
Nadja Pereira Botelho Chixaro Teixeira1
Vinícius Ferreira Marques Gomes2
RESUMO
A presente pesquisa tem por objetivo analisar o impacto do uso prolongado de chupetas no desenvolvimento orofacial em crianças de 0 a 6 anos. O conteúdo aborda as causas e consequências do hábito. A literatura científica aponta que o uso de chupetas, especialmente após os 2 ou 3 anos de idade, pode interferir no crescimento natural da maxila e da mandíbula. Essa interferência está diretamente relacionada ao desenvolvimento de maloclusões, como a mordida aberta anterior, a mordida cruzada posterior e a atresia do palato. Além disso, a temática explora as consequências na musculatura orofacial e suas implicações nas funções de fala, deglutição e respiração. A metodologia aplicada na pesquisa sobre este tema é, em geral, de natureza descritiva e exploratória. Estudos comumente utilizam uma revisão sistemática da literatura ou pesquisas observacionais e transversais para coletar e analisar dados de forma qualitativa e quantitativa. O método dedutivo é amplamente utilizado para interpretar os resultados, partindo de teorias consolidadas sobre o desenvolvimento infantil e a fisiologia do sistema estomatognático. Os resultados obtidos em estudos sobre o tema demonstram, de forma consistente, uma forte associação entre o uso prolongado de chupetas e o desenvolvimento de alterações orofaciais. A principal conclusão é que a interrupção precoce desse hábito é fundamental para o crescimento e desenvolvimento saudável da criança. As evidências reforçam a importância da atuação profissional, como a do cirurgião-dentista, na orientação aos pais e na promoção do aleitamento materno como um fator protetor e preventivo.
Palavras-chave: Chupetas. Desenvolvimento Orofacial. Maloclusão. Odontologia.
ABSTRACT
This research aims to analyze the impact of prolonged pacifier use on the orofacial development of children aged 0 to 6 years. The content addresses the causes and consequences of this habit. The scientific literature indicates that pacifier use, especially after the age of 2 or 3, can interfere with the natural growth of the maxilla and mandible. This interference is directly related to the development of malocclusions, such as anterior open bite, posterior crossbite, and palatal atresia. Furthermore, the topic explores the consequences on orofacial musculature and its implications for speech, swallowing, and breathing functions.The methodology applied in research on this topic is generally descriptive and exploratory. Studies commonly use systematic literature reviews or observational and cross-sectional research to collect and analyze data both qualitatively and quantitatively. The deductive method is widely used to interpret results, starting from consolidated theories about child development and the physiology of the stomatognathic system. The results obtained from studies on the topic consistently demonstrate a strong association between prolonged pacifier use and the development of orofacial alterations. The main conclusion is that the early interruption of this habit is fundamental for a child’s healthy growth and development. The evidence reinforces the importance of professional action, such as that of a dental surgeon, in guiding parents and promoting breastfeeding as a protective and preventive factor.
Keywords: Pacifiers. Orofacial Development. Malocclusion. Dentistry.
INTRODUÇÃO
O uso prolongado de chupetas é um hábito amplamente observado na infância e frequentemente discutido na literatura científica devido aos seus impactos sobre o desenvolvimento orofacial. Embora seja socialmente aceito e culturalmente incentivado como forma de acalmar o bebê e proporcionar conforto emocional, esse hábito, quando mantido por tempo excessivo, pode causar alterações significativas no crescimento das estruturas orais e faciais. Segundo Silva e Ribeiro (2023), a prática contínua de sucção não nutritiva interfere diretamente no equilíbrio muscular perioral e no desenvolvimento ósseo maxilomandibular, alterando a morfologia e a funcionalidade do sistema estomatognático.
Entre as consequências mais recorrentes do uso prolongado estão a mordida aberta anterior, a mordida cruzada posterior, a protrusão dos dentes anteriores e o estreitamento do palato. Conforme destacam Cezario et al. (2023), essas alterações comprometem não apenas a estética facial, mas também funções fundamentais, como mastigação, fala, respiração e deglutição. A pressão constante do bico da chupeta sobre o palato e os arcos dentários, associada ao desequilíbrio da musculatura orofacial, é a principal responsável por essas modificações estruturais, que se tornam mais evidentes quando o hábito persiste além dos primeiros anos de vida.
Além das repercussões dentárias e funcionais, o uso prolongado da chupeta pode interferir no desenvolvimento da fala e da linguagem, dificultando a correta articulação dos fonemas e comprometendo a coordenação motora oral. Para Magalhães e Jorge (2023), a manutenção do hábito de sucção não nutritiva também pode afetar a amamentação natural, principalmente quando introduzida precocemente, reduzindo a sucção no seio materno, comprometendo a nutrição e o vínculo afetivo entre mãe e bebê.
Do ponto de vista clínico, Cronemberger et al. (2024) ressaltam que os impactos do hábito prolongado ultrapassam a esfera biológica, alcançando dimensões psicossociais e cognitivas. Crianças que apresentam deformidades orofaciais ou dificuldades na fala podem enfrentar prejuízos na comunicação, no convívio social e até no desempenho escolar, evidenciando a importância de abordagens preventivas e multiprofissionais no acompanhamento infantil.
Diante desse contexto, emerge a problemática central deste estudo: como o uso prolongado de chupetas afeta o desenvolvimento orofacial das crianças? Parte-se da hipótese de que quanto maior o tempo de uso, maior a probabilidade de surgirem alterações dentárias, ósseas e funcionais. O objetivo geral da pesquisa é analisar os impactos do uso prolongado de chupetas em crianças de 0 a 6 anos, buscando compreender as consequências anatômicas e funcionais decorrentes desse hábito.
Como objetivos específicos, pretende-se identificar as principais alterações na oclusão dentária associadas à sucção não nutritiva, investigar as modificações no palato e no crescimento orofacial, além de avaliar os efeitos sobre a postura da língua, a deglutição e a fala. De acordo com Prime Sorriso (2022), a atuação precoce do cirurgião-dentista e a orientação familiar são determinantes para prevenir a progressão dos danos e reduzir a necessidade de tratamentos ortodônticos futuros.
A relevância deste estudo fundamenta-se na alta prevalência do uso prolongado de chupetas entre crianças brasileiras, o que favorece a instalação de disfunções orais e deformidades faciais. Silva e Ribeiro (2023) apontam que a interrupção precoce do hábito possibilita, em muitos casos, a reversão espontânea das alterações estruturais. Entretanto, quando as consequências já estão estabelecidas, a correção demanda acompanhamento odontológico, terapia fonoaudiológica e, em situações mais severas, intervenções ortodônticas complexas.
A pesquisa desenvolveu-se com natureza básica, de caráter descritivo e exploratório, por meio de uma revisão de literatura. Foram analisados estudos publicados entre 2009 e 2024, em português e inglês, que abordam os efeitos do uso prolongado de chupetas e mamadeiras na saúde bucal e no desenvolvimento orofacial infantil. As informações foram organizadas em categorias relacionadas às alterações mais frequentes, à faixa etária mais afetada e às intervenções recomendadas, buscando oferecer um panorama abrangente e atualizado sobre a temática.
1. O USO DE CHUPETAS NA INFÂNCIA
O uso de chupetas é um hábito amplamente presente na infância e, em muitos contextos culturais, é incentivado pelos próprios pais como estratégia para acalmar o bebê e facilitar o sono. Segundo Araújo, Silva e Coutinho (2009), a sucção não nutritiva representa um comportamento natural, sobretudo nos primeiros meses de vida, quando a criança busca conforto e segurança por meio desse reflexo. Esse comportamento inicial não deve ser considerado, a princípio, patológico, mas torna-se prejudicial quando se prolonga além da idade recomendada. Yamazaki, Chudzik e Yamazaki (2024) reforçam que a introdução e a manutenção de hábitos de sucção não nutritiva configuram fatores de risco importantes para o desenvolvimento de alterações orofaciais.
No Brasil, estudos apontam que uma parcela significativa de crianças entre 1 e 6 anos faz uso da chupeta de forma regular (Cronemberger et al., 2024). Esse dado revela a discussão, já que o hábito se insere em uma prática culturalmente aceita e muitas vezes banalizada. Entretanto, Magalhães e Jorge (2023) observam que o prolongamento desse costume compromete o desenvolvimento sensório-motor oral, exigindo maior atenção por parte dos profissionais de saúde e dos pais quanto ao tempo de uso e às estratégias de interrupção.
Apesar das preocupações relacionadas ao uso prolongado, é inegável que a chupeta apresenta alguns benefícios imediatos nos primeiros meses de vida. Torres (2023) aponta que seu uso pode auxiliar no controle da ansiedade do bebê, favorecendo o sono e proporcionando momentos de tranquilidade tanto para a criança quanto para os cuidadores. Esse efeito calmante imediato é um dos principais motivos pelos quais o hábito é mantido pelas famílias.
Outro aspecto frequentemente mencionado na literatura é a relação do uso da chupeta com a possível prevenção da síndrome da morte súbita infantil. De acordo com Estalagem (2016), o ato de sucção contribui para manter vias aéreas mais estáveis, reduzindo episódios de apneia em recém-nascidos. Ainda que esse benefício não anule os riscos do uso prolongado, demonstra que, em contextos específicos, a chupeta pode desempenhar papel protetor quando utilizada de forma adequada e em período limitado.
As chupetas tradicionais, de formato arredondado e não adaptado à cavidade oral, exercem maior pressão sobre a arcada dentária e o palato. Em contrapartida, as chupetas ortodônticas foram desenvolvidas com desenho anatômico mais achatado, visando minimizar tais efeitos. Silva e Ribeiro (2023) ressaltam que, embora as ortodônticas apresentem menor potencial de causar maloclusões, ainda assim oferecem riscos quando utilizadas além do período recomendado.
Figura 01 – Chupeta Ortodôntica e convencional

Fonte: TheraSkin (2023)
Nesse sentido, Brigido, Brigido e Pinto (2022) reforçam que a diferença entre os modelos está relacionada à intensidade dos danos e não à sua ausência. Ou seja, mesmo as chupetas consideradas “ortodônticas” podem contribuir para o surgimento de mordida aberta anterior e mordida cruzada posterior, embora em menor frequência do que as tradicionais. Dessa forma, não devem ser vistas como soluções definitivas, mas apenas como alternativas menos nocivas.
O uso inadequado e prolongado da chupeta gera uma série de consequências que vão além das alterações na dentição. Cronemberger et al. (2024) identificaram que crianças que mantêm o hábito após os dois anos de idade apresentam maior prevalência de mordida aberta anterior, protrusão dos dentes e atresia do palato, comprometendo a mastigação, a deglutição e a respiração. Essas alterações estruturais afetam também a estética facial, refletindo no bem-estar psicossocial da criança.
Figura 02: Consequências do uso prolongado da Chupeta

Fonte: CEOE (2018)
Além disso, Araújo, Silva e Coutinho (2009) ressaltam que a introdução precoce pode comprometer a amamentação natural, reduzindo sua duração e frequência. Essa interferência afeta não apenas o aporte nutricional adequado, mas também o vínculo mãe-bebê, o que evidencia que os impactos não se restringem ao aspecto fisiológico, mas alcançam dimensões emocionais e relacionais do desenvolvimento infantil.
As formas de prevenção estão diretamente relacionadas ao controle do tempo de uso da chupeta e ao acompanhamento odontopediátrico. Torres (2023) orienta que o ideal é limitar o hábito até os dois anos de idade, período em que eventuais alterações ainda podem ser revertidas de maneira espontânea. Quando isso não ocorre, torna-se necessário adotar estratégias de desmame, muitas vezes graduais, para não gerar traumas emocionais na criança.
Nos casos em que o hábito se prolonga e já existem repercussões clínicas, a intervenção multiprofissional torna-se indispensável. Estalagem (2016) destaca a importância da atuação fonoaudiológica para reeducação da musculatura orofacial, enquanto Silva e Ribeiro (2023) reforçam o papel da ortodontia em casos mais graves, nos quais há comprometimento dentário e esquelético. Assim, o tratamento deve ser adaptado à gravidade das consequências e à idade da criança, garantindo melhores resultados a longo prazo.
2. IMPACTOS DO USO PROLONGADO NO DESENVOLVIMENTO OROFACIAL
O uso prolongado de chupetas está diretamente associado ao surgimento de más oclusões dentárias, como a mordida aberta anterior, em que os dentes superiores e inferiores não se encontram na posição correta durante a oclusão. Araújo, Silva e Coutinho (2009) explicam que a pressão contínua exercida pelo bico da chupeta sobre a arcada dentária desloca os dentes e favorece esse tipo de alteração. Além disso, Carvalho, Almeida e Cangussu (2021) demonstraram que a prevalência de mordida aberta em pré-escolares é significativamente maior em crianças que utilizam chupetas além dos dois anos de idade, evidenciando a relação entre tempo de uso e gravidade da maloclusão.
Outro impacto recorrente é a mordida cruzada posterior, caracterizada pelo fechamento inadequado entre as arcadas, bem como a protrusão dos dentes anteriores, que prejudica a harmonia estética do sorriso. Brigido, Brigido e Pinto (2022) apontam que hábitos de sucção não nutritiva são fatores determinantes para essas alterações oclusais, que podem comprometer funções como mastigação e deglutição. Para Cronemberger et al. (2024), tais deformidades não afetam apenas a função mastigatória, mas também a autoestima da criança, uma vez que a estética dentária desempenha papel importante na socialização.
As chupetas exercem pressão constante sobre o palato, resultando em modificações na sua conformação. Silva e Ribeiro (2023) afirmam que o uso prolongado pode levar ao estreitamento da maxila, tornando o palato mais alto e estreito, fenômeno conhecido como atresia. Esse processo compromete o equilíbrio entre as arcadas dentárias e cria predisposição para o surgimento de mordidas cruzadas. Yamazaki, Chudzik e Yamazaki (2024) reforçam que essas alterações estruturais estão intimamente ligadas ao tempo de uso e à intensidade do hábito de sucção.
Além do palato, o desenvolvimento maxilar e mandibular também sofre interferências. Magalhães e Jorge (2023) observaram que a sucção contínua altera o padrão de crescimento ósseo, podendo resultar em assimetrias faciais. Essa condição está relacionada à sobrecarga muscular imposta pela chupeta, que afeta a musculatura perioral e dificulta o desenvolvimento equilibrado das bases ósseas. Estalagem (2016) acrescenta que o desequilíbrio muscular agrava ainda mais essas deformidades, tornando o quadro clínico mais complexo.
As alterações dentárias e ósseas decorrentes do uso prolongado de chupetas comprometem funções orais essenciais. Araújo, Silva e Coutinho (2009) destacam que a mastigação se torna menos eficiente devido ao desalinhamento dentário, o que pode afetar a trituração adequada dos alimentos e prejudicar a digestão. Silva e Ribeiro (2023) complementam que essas modificações também afetam a deglutição, pois a postura inadequada da língua interfere no correto movimento de transporte do bolo alimentar.
O uso prolongado da chupeta está intimamente relacionado ao desenvolvimento de padrões respiratórios inadequados, como a respiração bucal, que, por sua vez, pode favorecer alterações estruturais predisponentes à apneia obstrutiva do sono (AOS). A pressão constante do bico sobre o palato e o desequilíbrio muscular orofacial promovem o estreitamento das vias aéreas superiores e o posicionamento inadequado da língua, dificultando o fluxo respiratório nasal (Souza et al. 2023).
De acordo com Souza et al. (2023), a obstrução parcial ou total das vias aéreas durante o sono pode ser agravada por deformidades dentofaciais, especialmente a mordida aberta anterior e a mordida cruzada posterior, condições frequentemente associadas a hábitos orais deletérios, como a sucção não nutritiva. A pesquisa conduzida por esses autores identificou que crianças com más oclusões e padrão de respiração oral apresentam maior risco para o desenvolvimento de AOS, reforçando a interdependência entre alterações orofaciais e distúrbios respiratórios do sono.
As repercussões da apneia obstrutiva do sono infantil vão além da dificuldade respiratória noturna, afetando diretamente o crescimento, o comportamento e o desempenho cognitivo das crianças. Conforme observam Souza et al. (2023), a redução da oxigenação sanguínea e as interrupções repetidas do sono comprometem o metabolismo e o desenvolvimento neuromotor.
Em muitos casos, essas manifestações estão associadas a desequilíbrios anatômicos derivados de hábitos orais prolongados, o que demonstra a importância da abordagem precoce dos fatores etiológicos. A presença de mordida aberta e palato ogival, resultantes do uso contínuo de chupetas, atua como um fator anatômico de risco para a obstrução das vias aéreas superiores, caracterizando um quadro compatível com o respirador bucal crônico e, potencialmente, com episódios de apneia durante o sono. (Souza, et al. 2023)
No contexto terapêutico, a literatura aponta a necessidade de uma abordagem interdisciplinar para o tratamento da AOS associada às alterações orofaciais. Costa (2021) destaca o uso do Aparelho Reposicionador Mandibular Intraoral (ARMIO) como uma alternativa eficaz para o reposicionamento da mandíbula e ampliação das vias aéreas superiores em pacientes com apneia obstrutiva do sono. Esse dispositivo atua promovendo o avanço mandibular e a estabilização da base da língua, reduzindo a obstrução durante o sono e restabelecendo o padrão respiratório nasal. Tais
intervenções demonstram que a correção precoce das disfunções orofaciais e a eliminação de hábitos deletérios são fundamentais não apenas para o equilíbrio estético e funcional, mas também para a prevenção de distúrbios respiratórios potencialmente graves na infância.
Outro ponto relevante é o impacto sobre a respiração e a fala. Torres (2023) observa que o uso prolongado da chupeta favorece a respiração oral, uma vez que a criança tende a manter a boca aberta para acomodar o objeto. Isso leva a maior suscetibilidade a infecções respiratórias e altera o padrão de crescimento facial. Estalagem (2016) salienta ainda que as alterações no palato e na oclusão dentária dificultam a articulação dos fonemas, resultando em distorções na fala e atrasos no desenvolvimento da linguagem.
O perfil facial desempenha papel fundamental na estética e na funcionalidade orofacial, refletindo diretamente o equilíbrio entre estruturas ósseas, musculares e dentárias. De acordo com Silva e Ribeiro (2023), o uso prolongado de chupetas pode alterar significativamente esse perfil, promovendo desequilíbrios no crescimento maxilomandibular e contribuindo para a projeção anterior dos incisivos superiores e retrusão dos inferiores. Tais alterações comprometem não apenas a harmonia facial, mas também funções vitais, como mastigação, deglutição e respiração. Conforme Magalhães e Jorge (2023), a interferência no padrão de desenvolvimento facial pode resultar em perfis convexos, associados a hábitos orais deletérios e respiração oral crônica. Assim, o acompanhamento odontológico precoce e o controle desses hábitos são essenciais para preservar o equilíbrio estético e funcional da face em formação.
Os efeitos do uso prolongado da chupeta não se restringem ao aspecto biológico, mas atingem também a esfera psicossocial. Cronemberger et al. (2024) relatam que crianças com más oclusões ou deformidades orofaciais tendem a apresentar maior dificuldade de socialização, principalmente em ambientes escolares, devido a questões estéticas e funcionais. Esse impacto pode repercutir na autoestima e no desenvolvimento emocional, criando barreiras no convívio com outras crianças.
Shitsuka, Friggi e Volpini (2019) destacam que o comportamento infantil em relação à saúde bucal é fortemente influenciado pela percepção dos pais e colegas. Nesse contexto, crianças que apresentam problemas de fala ou estética dental em razão do uso prolongado de chupetas podem ser alvo de estigmas, gerando dificuldades de comunicação e aprendizado. Rocha (2023) complementa que a necessidade de tratamentos odontológicos prolongados também pode afetar a qualidade de vida, exigindo acompanhamento constante e gerando custos adicionais para as famílias.
O impacto das chupetas no desenvolvimento orofacial pode, em alguns casos, ser revertido quando o hábito é interrompido precocemente. Magalhães e Jorge (2023) afirmam que, quando o desmame ocorre até os dois anos de idade, muitas das alterações dentárias e musculares tendem a regredir espontaneamente, sem necessidade de intervenção. Araújo, Silva e Coutinho (2009) também ressaltam que o organismo infantil possui alta capacidade de adaptação, desde que haja estímulo adequado para a recuperação das funções orais.
No entanto, quando o uso se prolonga por mais tempo, os limites da reversão natural tornam-se evidentes. Estalagem (2016) indica que nesses casos é fundamental a atuação de fonoaudiólogos para reeducação muscular, enquanto Silva e Ribeiro (2023) destacam a necessidade de tratamento ortodôntico corretivo em quadros mais severos. O Ministério da Saúde (2009) recomenda que pais sejam orientados desde cedo sobre os riscos e incentivados a buscar acompanhamento multiprofissional sempre que houver persistência do hábito.
Em casos em que o uso prolongado da chupeta leva à instalação de mordida aberta anterior, a intervenção ortodôntica com aparelhos interceptivos torna-se essencial. A grade lingual fixa é uma das alternativas mais utilizadas nesses casos, pois impede a sucção e auxilia na reeducação da postura da língua. Esse tipo de aparelho favorece o fechamento gradual da mordida e a recuperação das funções de deglutição e fala, atuando de forma complementar ao acompanhamento fonoaudiológico.
Figura 03: Aparelho ortodôntico do tipo grade lingual

Fonte: Prime Sorriso (2022)
A análise dos impactos do uso prolongado de chupetas demonstra que esse hábito interfere de maneira ampla e significativa no desenvolvimento orofacial. Brigido, Brigido e Pinto (2022) sintetizam que alterações dentárias, deformidades ósseas, prejuízos funcionais e repercussões psicossociais estão interligados, formando um quadro complexo de consequências. Tais evidências apontam que a simples percepção cultural da chupeta como objeto inofensivo precisa ser superada diante dos riscos comprovados.
Dessa forma, Yamazaki, Chudzik e Yamazaki (2024) reforçam a importância do diagnóstico precoce e da intervenção adequada, evitando que os danos se tornem irreversíveis. O acompanhamento de profissionais como odontopediatras, ortodontistas e fonoaudiólogos é essencial, mas o papel da família continua sendo determinante na prevenção e no controle do hábito. Assim, a conscientização dos pais deve ser compreendida como a base para promover um desenvolvimento infantil saudável e integral.
3 A ATUAÇÃO DO CIRURGIÃO-DENTISTA NA PREVENÇÃO E INTERVENÇÃO.
A atuação preventiva do cirurgião-dentista começa na orientação de pais e cuidadores, promovendo o conhecimento sobre os riscos do uso prolongado da chupeta e seus efeitos no desenvolvimento orofacial. Magalhães e Jorge (2023) enfatizam que a educação em saúde é um dos pilares para reduzir hábitos deletérios na infância, pois a conscientização precoce contribui para a tomada de decisões mais assertivas pelas famílias. Nessa perspectiva, o cirurgião-dentista tem papel central como agente educativo, atuando não apenas no consultório, mas também em ações comunitárias e escolares.
A identificação das primeiras alterações orofaciais relacionadas ao uso da chupeta é essencial para reduzir consequências a longo prazo. Segundo Cronemberger et al. (2024), crianças que mantêm o hábito por mais tempo apresentam alterações dentárias e musculares perceptíveis já nos primeiros anos, o que reforça a necessidade de acompanhamento odontopediátrico contínuo. O cirurgião-dentista, por meio de avaliações clínicas, pode identificar sinais precoces de mordida aberta, protrusão dentária e atresia do palato, orientando o momento adequado para a intervenção.
Nos casos em que já se observa estreitamento da maxila ou atresia palatina, torna-se necessária a atuação corretiva por meio de aparelhos ortopédicos funcionais, que visam restabelecer o espaço adequado da arcada e estimular o crescimento transversal do palato. Entre os dispositivos mais utilizados estão o disjuntor de Hyrax, que promove a expansão rápida da maxila; o aparelho de Haas, indicado para correções graduais com apoio em dentes e mucosa; e a grade lingual, empregada para controle de hábitos de sucção persistentes e reposicionamento da língua (Meireles, 2025).
Além do tratamento ortodôntico, Estalagem (2016) ressalta a importância do acompanhamento fonoaudiológico para reeducação da musculatura orofacial, especialmente em casos de dificuldades na fala e na deglutição. A atuação conjunta entre odontopediatria e fonoaudiologia garante melhores resultados e acelera a recuperação das funções orais comprometidas. Dessa forma, a intervenção multidisciplinar é essencial para restaurar a saúde e a qualidade de vida da criança.
A prevenção e o tratamento das alterações orofaciais decorrentes do uso prolongado da chupeta não se restringem à atuação isolada do cirurgião-dentista. Araújo, Silva e Coutinho (2009) destacam que a integração entre diferentes profissionais da saúde é determinante para uma abordagem mais completa e eficaz. O trabalho em conjunto com pediatras, psicólogos e fonoaudiólogos potencializa os resultados e oferece suporte integral ao desenvolvimento infantil.
Somente após a correção ortopédica e o restabelecimento do equilíbrio muscular, o desmame da chupeta deve ser conduzido de forma gradual e supervisionada. Essa etapa é fundamental para evitar recidivas e consolidar os resultados obtidos com o tratamento. O cirurgião-dentista orienta os pais sobre estratégias de substituição do hábito e reforço positivo, enquanto o acompanhamento fonoaudiológico contribui para reeducar as funções de deglutição e fala. Assim, o desmame representa a conduta final e mais eficaz, garantindo o desenvolvimento orofacial saudável e prevenindo o retorno das alterações (Meireles, 2025).
Quando os efeitos do uso prolongado da chupeta já estão instalados, a intervenção clínica torna-se necessária. Segundo Silva e Ribeiro (2023), a utilização de aparelhos ortodônticos interceptivos pode corrigir más oclusões em fases iniciais, reduzindo o agravamento das alterações dentárias e ósseas. O cirurgião-dentista, nesse cenário, atua de forma ativa no restabelecimento da função mastigatória e no alinhamento das arcadas.
A atuação do cirurgião-dentista na prevenção e intervenção frente ao uso prolongado da chupeta é estratégica e multifacetada. Cronemberger et al. (2024) ressaltam que a prevenção deve ser prioridade, com orientação precoce e acompanhamento contínuo, mas que a intervenção profissional é indispensável nos casos em que as alterações já estão instaladas. Esse equilíbrio entre prevenção e tratamento garante melhores resultados clínicos e reduz a necessidade de procedimentos invasivos no futuro.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
De acordo com Silva e Ribeiro (2023), a análise da literatura evidenciou que o uso prolongado de chupetas está intimamente associado a múltiplas alterações no desenvolvimento orofacial infantil. Entre os principais achados, observa-se uma prevalência significativa de más oclusões, como mordida aberta anterior, mordida cruzada posterior e protrusão dos dentes anteriores. Essas alterações não apenas comprometem o alinhamento dentário, mas também afetam funções essenciais, como mastigação e deglutição. Ainda conforme os autores, a comparação entre chupetas tradicionais e ortodônticas demonstra que, embora estas últimas reduzam parcialmente os danos, ambas estão relacionadas a deformidades estruturais quando utilizadas por tempo excessivo.
Os resultados de estudos internacionais reforçam a relação entre a respiração bucal e o desenvolvimento de maloclusões, apontando impactos diretos sobre a função respiratória e o padrão craniofacial infantil. De acordo com Souki et al. (2009), crianças respiradoras bucais apresentam prevalência significativamente maior de mordida aberta anterior, mordida cruzada posterior e palato ogival em comparação às respiradoras nasais. Essas alterações são decorrentes do desequilíbrio muscular e da postura inadequada da língua, fatores que afetam o crescimento transversal da maxila e o alinhamento dentário. O estudo evidencia que o padrão respiratório oral, frequentemente associado ao uso prolongado de chupetas e hábitos de sucção não nutritiva, constitui um fator predisponente para deformidades orofaciais e para o surgimento de distúrbios respiratórios do sono, como a apneia obstrutiva do sono (AOS).
No campo das intervenções ortodônticas voltadas à melhora da respiração e à prevenção da apneia infantil, Villa et al. (2007) demonstraram que a expansão rápida da maxila (ERM) é uma abordagem eficaz no tratamento de crianças com AOS. O acompanhamento de 12 meses revelou que o procedimento promoveu o aumento significativo do volume das vias aéreas superiores, melhorando a oxigenação e reduzindo os episódios de apneia durante o sono. Além disso, a técnica contribuiu para o restabelecimento da respiração nasal e para o equilíbrio das funções orofaciais, mostrando-se uma alternativa terapêutica não invasiva e de grande impacto clínico.
Esses achados sustentam a importância do diagnóstico precoce e da atuação conjunta entre ortodontistas e otorrinolaringologistas no manejo da apneia pediátrica.
A análise de Galeotti et al. (2018) corrobora a associação entre as más oclusões e a apneia obstrutiva do sono, demonstrando que crianças diagnosticadas com AOS apresentam maior prevalência de mordida cruzada e sobremordida alterada em comparação a crianças sem o distúrbio. Os autores destacam que as alterações dentofaciais observadas em pacientes apneicos não são apenas consequência, mas também fatores agravantes da obstrução respiratória, criando um ciclo de retroalimentação entre disfunção orofacial e dificuldade ventilatória. Essa constatação reforça a relevância da odontologia preventiva no reconhecimento precoce de padrões oclusais anormais que podem sinalizar risco aumentado para distúrbios do sono.
De forma complementar, Kitagaito et al. (2023), em estudo clínico de coorte, confirmaram que a apneia obstrutiva do sono em crianças está frequentemente associada a deformidades orofaciais, como mordida aberta anterior e retrusão mandibular. O trabalho identificou que essas alterações anatômicas reduzem o espaço aéreo faríngeo, contribuindo para o colapso das vias respiratórias durante o sono. Os autores enfatizam que a avaliação odontológica deve fazer parte do protocolo diagnóstico da AOS infantil, permitindo o planejamento de terapias ortodônticas e ortopédicas voltadas à expansão maxilar e ao avanço mandibular. Tais evidências consolidam a importância de uma abordagem multidisciplinar no tratamento da apneia pediátrica, integrando as áreas de odontologia, fonoaudiologia e medicina do sono para alcançar resultados duradouros.
No mesmo sentido, Cezario et al. (2023) destacam que o uso prolongado da chupeta pode gerar alterações na conformação do palato, resultando em estreitamento da maxila e formação de palato ogival. Tais modificações comprometem o equilíbrio da cavidade oral e favorecem o desenvolvimento de mordidas cruzadas, além de impactar negativamente o padrão respiratório. O hábito de sucção prolongada tende a induzir respiração oral crônica, condição que interfere no crescimento craniofacial e contribui para o surgimento de assimetrias e desequilíbrios musculares da face.
As repercussões funcionais também são amplamente discutidas por Magalhães e Jorge (2023), que relatam que crianças que mantêm o uso da chupeta por longos períodos apresentam maior incidência de deglutição atípica, postura inadequada da língua e alterações na fala, incluindo dificuldade na articulação de fonemas e atraso no desenvolvimento da linguagem. Conforme Cronemberger et al. (2024), essas alterações podem repercutir negativamente no desempenho escolar e na interação social, evidenciando que os efeitos do hábito ultrapassam a esfera biológica e atingem também dimensões cognitivas e psicossociais.
De acordo com Magalhães e Jorge (2023), no que se refere à reversibilidade, o abandono precoce da chupeta preferencialmente antes dos dois anos de idade possibilita a correção espontânea de diversas alterações orofaciais. Entretanto, quando o hábito se prolonga, tornam-se necessárias intervenções profissionais, como o uso de aparelhos ortodônticos interceptivos e o acompanhamento fonoaudiológico voltado à reeducação da musculatura orofacial. Em situações mais severas, Cronemberger et al. (2024) ressaltam que o tratamento tende a ser prolongado e multiprofissional, confirmando a relevância do diagnóstico precoce para minimizar os efeitos deletérios do hábito.
Além dos impactos negativos, Silva e Ribeiro (2023) observaram que o uso da chupeta também apresenta benefícios quando restrito aos primeiros meses de vida. Entre os aspectos positivos, destaca-se o efeito calmante, que proporciona sensação de conforto e segurança à criança, auxiliando no controle da ansiedade e na indução do sono. Esses efeitos imediatos favorecem a regulação emocional e contribuem para a tranquilidade dos cuidadores, justificando a ampla aceitação cultural do hábito.
Outro ponto abordado na literatura diz respeito à possível redução do risco de síndrome da morte súbita infantil associada ao uso da chupeta. Segundo Prime Sorriso (2022), a sucção auxilia na estabilidade das vias aéreas e na manutenção da respiração durante o sono, configurando um fator protetivo relevante nos primeiros meses de vida. Assim, embora existam riscos comprovados no uso prolongado, os resultados indicam que a chupeta pode oferecer efeitos benéficos em contextos específicos, reforçando a importância da orientação profissional para delimitar o tempo de utilização e maximizar seus benefícios, ao mesmo tempo em que se previnem danos orofaciais.
Tabela 01 – Benefícios do uso da chupeta em fase inicial


Fonte: Autor (2025)
Segundo Magalhães e Jorge (2023), a interrupção precoce do hábito de sucção não nutritiva possibilita a regressão espontânea de diversas alterações orofaciais, especialmente quando ocorre até os dois anos de idade. Essa cessação antecipada reduz a necessidade de tratamentos corretivos, uma vez que o organismo infantil apresenta maior capacidade de adaptação e reorganização funcional.
Entretanto, conforme apontam Silva e Ribeiro (2023), em situações de uso prolongado da chupeta, a intervenção clínica torna-se necessária. O tratamento pode envolver desde o uso de aparelhos ortodônticos interceptivos, voltados à correção de más oclusões iniciais, até a reeducação da musculatura orofacial por meio da fonoaudiologia. Em casos mais complexos, Cronemberger et al. (2024) destacam a importância do acompanhamento multiprofissional incluindo odontopediatras, ortodontistas e fonoaudiólogos com intervenções prolongadas voltadas à restauração das funções comprometidas. Esses achados reforçam que a prevenção e o diagnóstico precoce constituem as estratégias mais eficazes para minimizar os impactos negativos do hábito.
As chupetas ortodônticas surgiram como alternativa às tradicionais, apresentando um formato diferenciado que se adapta melhor à cavidade oral e exerce menor pressão sobre os arcos dentários. Silva e Ribeiro (2023) apontam que esse desenho reduz parte dos impactos no palato e na oclusão, tornando-as aparentemente menos nocivas. No entanto, Brígido, Brígido e Pinto (2022) ressaltam que os efeitos deletérios não são eliminados, apenas atenuados, uma vez que o uso prolongado continua associado a mordida aberta, mordida cruzada e alterações no posicionamento da língua. Dessa forma, apesar de serem consideradas uma opção “menos maléfica” em comparação às chupetas tradicionais, as ortodônticas não podem ser vistas como solução definitiva, mas sim como alternativa transitória, que também exige supervisão odontopediátrica e limitação do tempo de uso.
Nos casos em que o uso prolongado da chupeta resulta em atresia do palato, mordida cruzada ou alterações musculares orofaciais, Cezario et al. (2023) descrevem que o cirurgião-dentista pode utilizar diferentes aparelhos ortopédicos funcionais para restabelecer a forma e a função. O disjuntor de Hyrax, por exemplo, é amplamente empregado em pacientes pediátricos para promover a expansão rápida da maxila, separando gradualmente a sutura palatina mediana e ampliando o arco superior. Já o aparelho de Haas segue o mesmo princípio, porém distribui a força entre os dentes e a mucosa palatina, sendo indicado para movimentos mais controlados e fisiológicos. De acordo com Prime Sorriso (2022), a grade lingual é utilizada em pacientes que mantêm hábitos de sucção não nutritiva ou interposição lingual, funcionando como barreira física para impedir o posicionamento inadequado da língua e auxiliar no fechamento espontâneo da mordida aberta anterior.
Figura 04 – O disjuntor de Hyrax

Fonte: Cezario (2023)
Conforme Silva e Ribeiro (2023), dispositivos como as placas removíveis com molas de expansão e os aparelhos ortopédicos funcionais do tipo Bionator são empregados em situações de menor severidade ou quando há necessidade de reeducação muscular associada à correção da oclusão. Esses aparelhos possibilitam ajustes graduais, estimulando o equilíbrio entre as funções de mastigação, deglutição e respiração, aspectos essenciais para o desenvolvimento orofacial adequado.
De acordo com Cronemberger et al. (2024), a escolha do dispositivo deve considerar a idade da criança, a gravidade da deformidade e o grau de colaboração do paciente e de seus responsáveis, garantindo maior eficiência terapêutica. Nessa perspectiva, Cezario et al. (2023) destacam que a intervenção ortopédica precoce permite redirecionar o crescimento ósseo e muscular, prevenindo complicações futuras e reduzindo a necessidade de tratamentos ortodônticos mais invasivos na adolescência.
De forma geral, os resultados reafirmam que, apesar de trazer benefícios imediatos na fase inicial da vida, a chupeta representa um fator de risco relevante para o desenvolvimento orofacial e para a qualidade de vida infantil quando utilizada de maneira prolongada. A atuação preventiva e orientadora do cirurgião-dentista, associada ao envolvimento familiar, mostrou-se determinante para a redução dos danos e para a promoção de um crescimento saudável e funcional.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo evidenciou que o uso da chupeta, apesar de trazer benefícios imediatos nos primeiros meses de vida, como efeito calmante, auxílio no sono e possível proteção contra a síndrome da morte súbita infantil, representa um fator de risco significativo para o desenvolvimento orofacial quando utilizado de forma prolongada. Entre os principais impactos identificados destacam-se más oclusões, alterações na conformação do palato, respiração oral, dificuldades de fala e prejuízos funcionais que podem repercutir tanto na saúde bucal quanto na autoestima e no desempenho escolar da criança.
Verificou-se que as chamadas chupetas ortodônticas, embora apresentem estrutura adaptada para reduzir alguns danos, não são isentas de riscos, sendo o tempo de uso o fator determinante para a ocorrência das alterações. Esse dado reforça a importância da orientação profissional no acompanhamento do hábito, bem como do incentivo ao abandono da chupeta em idade adequada.
No que se refere ao tratamento, os achados demonstraram que a interrupção precoce do uso, especialmente até os dois anos de idade, possibilita a reversão espontânea de muitas alterações. Porém, quando o hábito se prolonga, é comum a necessidade de intervenção multiprofissional, envolvendo odontopediatras, ortodontistas e fonoaudiólogos, a fim de restabelecer o equilíbrio funcional e estético. Nesse sentido, a prevenção e o diagnóstico precoce mostraram-se as estratégias mais eficazes.
Assim, conclui-se que o uso da chupeta deve ser avaliado de maneira crítica e equilibrada, considerando os possíveis benefícios iniciais, mas, sobretudo, os riscos associados ao seu prolongamento. Cabe ao cirurgião-dentista, em parceria com outros profissionais da saúde, atuar na conscientização dos pais e responsáveis, orientando quanto ao uso adequado e às formas de desmame. A educação em saúde e o acompanhamento clínico contínuo são fundamentais para assegurar um desenvolvimento orofacial saudável e a promoção de qualidade de vida infantil.
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1 Acadêmica de Odontologia. Artigo apresentado à Faculdade Fimca de Porto Velho como requisito para obtenção ao título de odontologia. E-mail: nadjabotelho_12@icloud.com
2 Professor orientador. Especialista em Ortodontia. E-mail: vinicius.gomes@fimca.com.br
