REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202509101042
Wêudes Marques dos Santos
Orientadora: Profª Msc. Márcia Maria Silva de Lima
RESUMO
O presente trabalho vem abordar o impacto das divergências financeiras nas demonstrações contábeis das lojas americanas em 2023, fazendo uma análise do pré e pós-crise. O setor de varejo apresentou uma relevância crescente, em nível global, sobretudo com o uso intensivo de ferramentas online, durante a pandemia da Covid-19. No Brasil, as Lojas Americanas estão entre os principais players desse setor. Entretanto, ela foi investigada pela Comissão de Valores Mobiliários por problemas de insider trading e inconsistências contábeis em suas demonstrações financeiras. O objetivo geral consiste em analisar, as repercussões das falhas contábeis nas demonstrações da empresa. A metodologia adotada foi uma análise bibliográfica de literatura, com ênfase em livros e artigos mais atuais e relevantes. Como apoio foi realizada uma pesquisa e análise das demonstrações contábeis das Lojas Americanas. Quanto à abordagem metodológica, a pesquisa foi de natureza qualitativa e exploratória, com foco na análise de documentos públicos da empresa, relatórios da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), publicações jornalísticas e pareceres de auditoria. Conclui-se que com relação ao setor de varejo no Brasil, realça-se os seguintes efeitos: revisão das práticas contábeis das operações de risco de sacado. Elas passaram a ser registradas nas rubricas de dívidas ao invés obrigações junto aos fornecedores e/ou apresentaram um destaque do seu valor nas notas explicativas das demonstrações financeiras, contenção da crise de imagem de má gestão das empresas, abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que conclui sobre a criação de quatro projetos de lei que envolvem fiscalização, prevenção e responsabilidade civil e patrimonial dos envolvidos e abalo na confiança dos investidores, provocando uma redução no volume de negociações e queda nos preços das ações.
Palavras-Chave: Demonstrações Contábeis; Lojas Americanas; Fiscalização; Responsabilidade Civil.
ABSTRACT
This paper addresses the impact of financial discrepancies on Lojas Americanas’ financial statements in 2023, analyzing the pre- and post-crisis periods. The retail sector is gaining increasing relevance globally, especially with the intensive use of online tools during the COVID-19 pandemic. In Brazil, Lojas Americanas is among the main players in this sector. However, it was investigated by the Securities and Exchange Commission (CVM) for insider trading issues and accounting inconsistencies in its financial statements. The overall objective is to analyze the repercussions of accounting errors on the company’s financial statements. The methodology adopted was a bibliographic analysis of literature, with emphasis on the most current and relevant books and articles. Research and analysis of Lojas Americanas’ financial statements were conducted as support. Regarding the methodological approach, the research is qualitative and exploratory in nature, focusing on the analysis of the company’s public documents, reports from the Securities and Exchange Commission (CVM), journalistic publications and audit opinions. The conclusion is that, with regard to the Brazilian retail sector, the following effects stand out: a review of accounting practices for drawee risk transactions. They began to be recorded under debt headings instead of obligations to suppliers and/or their value was highlighted in the explanatory notes to the financial statements, containing the image crisis of companies’ mismanagement, opening of a Parliamentary Commission of Inquiry (CPI), which concluded on the creation of four bills involving inspection, prevention and civil and patrimonial liability of those involved and shaking investor confidence, causing a reduction in the volume of trading and a fall in share prices.
Keywords: Financial Statements; Lojas Americanas; Inspection; Civil Liability.
1 INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, o ambiente empresarial brasileiro tem enfrentado grandes desafios oriundos de escândalos financeiros que expõem um mercado frágil na gestão e nos controles internos das organizações. Um dos acontecimentos mais notável foi o das Lojas Americanas S.A., que, em 2023, tornou-se centro de atenção nacional e internacional após a revelação de inconsistências contábeis significativas. Essa situação impactou diretamente a confiança dos investidores e causou forte oscilação no valor de mercado da empresa.
Neste contexto, o presente trabalho tem como tema o impacto das divergências contábeis nas demonstrações financeiras das Lojas Americanas em 2023, analisando o cenário anterior e posterior à crise. O propósito é compreender de que forma práticas contábeis equivocadas ou propositalmente manipuladas alteram a qualidade e a confiabilidade das informações financeiras divulgadas. Portanto, a pesquisa busca responder à seguinte pergunta: Quais transformações ocorreram nas demonstrações contábeis das Lojas Americanas após a crise evidenciada em 2023?
Parte-se da hipótese de que as alterações promovidas nas contas patrimoniais e de resultado, após a identificação das divergências, provocaram inseguranças no mercado, comprometendo a credibilidade e influencia negativamente o comportamento de investidores e demais agentes econômicos.
O objetivo geral consiste em analisar, as repercussões das falhas contábeis nas demonstrações da empresa e quais foram as transformações ocorrida após a crise ocorrida em 2023. E como objetivos específicos, pretende-se: apontar como classificações incorretas ou manipulações afetaram a interpretação da situação econômica da companhia; avaliar os efeitos dessas distorções sobre a transparência e a confiança dos usuários das informações contábeis; comparar as demonstrações antes e depois da crise, verificando impactos duradouros na reputação da organização.
A justificativa para este estudo fundamenta-se na necessidade de refletir sobre a responsabilidade das práticas contábeis e dos mecanismos de controle interno na manutenção da confiabilidade das demonstrações financeiras. O caso das Lojas Americanas expõe falhas que ultrapassam os limites da contabilidade, alcançando a governança corporativa e a atuação de auditorias externas.
O referencial teórico é sustentado por autores renomados da área contábil, como Hendriksen e Breda (1999), Martinez (2011), Shleifer e Vishny (1997) e outros, que abordam temas como a função das demonstrações financeiras, as consequências de erros contábeis, a governança e os impactos no mercado decorrentes de crises de informação.
Auxiliarmente, usa se o método científico hipotético-dedutivo, que permite formular suposições a partir da teoria e verificar sua validade por meio de dados observáveis. A combinação entre teoria e evidência prática possibilita uma avaliação fundamentada dos efeitos provocados pelas falhas contábeis, promovendo uma compreensão mais clara sobre a relevância da transparência e da ética na contabilidade corporativa. Para interpretar os dados, será utilizado o método de análise de conteúdo, conforme Bardin (2016), visando identificar padrões e inconsistências que indiquem a fragilidade das práticas contábeis adotadas.
2 ANÁLISE DA CRISE FINANCEIRA DAS LOJAS AMERICANAS
Segundo Abrahão (2023), fraudes contábeis existem desde os primórdios das relações comerciais, sendo possível que a primeira tenha ocorrido em uma companhia aberta – Companhia Britânica das Índias Orientais – no final do século XVII. No século XXI, os escândalos contábeis da Enron e WorldCom mobilizaram os mercados a exigirem a elaboração de demonstrações financeiras mais precisas e transparentes. O desenvolvimento de normas contábeis mais exigentes e conservadoras parece não ter surtido o efeito esperado, uma vez que as fraudes contábeis continuam sendo detectadas por todo o mundo.
Entre os possíveis impactos das fraudes contábeis estão a falência das próprias empresas, assim como as de suas auditorias independentes e agências de rating. Aquelas que conseguem seguir operando sofrem punições (não) monetárias que repercutem negativamente no valor de suas ações. Além disso, verifica-se que as reações do mercado são sensíveis ao tipo de fraude. Problemas de manipulação ou registro dos dados reduzem ainda mais a riqueza dos seus acionistas que os relacionados à falta de transparência. Informações sobre as penalidades a serem impostas aos fraudadores – quando vazadas aos mercados de capitais – também têm efeito sobre o preço dos ativos das companhias (Girão e Knupfer, 2024).
Com o intuído de manter a credibilidade do mercado de capitais e confiança do investidor, além da imposição de punições, destaca-se o desenvolvimento de modelos e ferramentas de data mining e machine learning para detecção preventiva das fraudes contábeis. Esse esforço é justificável face aos custos impostos à sociedade. Tanto a revelação de fraudes antigas – quanto a da probabilidade de sua ocorrência no futuro – impactam negativamente o valor das ações. Esse efeito é ampliado quando as empresas apresentam um ambiente de informações pouco transparente ou quando não há uma harmonização entre os aspectos de governança corporativa, sociais e ambientais que viabilizem sua sustentabilidade (Borba, 2023).
Em 11 de janeiro de 2023, a Americanas comunicou – por meio de um fato relevante – que foram constatadas inconsistências em lançamentos contábeis na conta fornecedores, realizados em exercícios anteriores e em 2022. A empresa estimou que os valores das inconsistências eram de cerca de R$ 20 bilhões na data-base de 30 de setembro de 2022. A diretoria da varejista esclareceu que esse valor corresponde a financiamentos bancários, indevidamente registrados na conta fornecedores. Em outras palavras, a empresa alega contabilização inadequada nas operações de risco sacado. Nessa operação, o varejista compra a prazo de seus fornecedores. Depois, ele contrai um empréstimo com o banco que paga à vista seus fornecedores. Assim, o varejista passa a ter sua dívida com a instituição financeira e não mais com a indústria fabricante (Girão e Knupfer, 2024).
O não registro dessa dívida bancária melhora artificialmente os indicadores de balanço da Americanas, permitindo que a empresa tenha acesso a melhores condições de crédito do que ocorreria se a contabilização tivesse sido realizada de maneira correta. Logo, a reclassificação das contas poderá gerar modificações importantes nos demonstrativos da empresa e deve indicar a necessidade de aporte de capital próprio pelos acionistas, para fazer frente ao seu novo nível de alavancagem financeira. Na sequência, há a renúncia do seu presidente-executivo Sérgio Rial e diretor financeiro André Covre. Posteriormente, a própria Americanas reconhece que aos R$ 20 bilhões se somava uma dívida bruta de R$ 19,3 bilhões, o que ampliava a inconsistência contábil para cerca R$ 40 bilhões (Abrahão, 2023).
Em 19 de janeiro de 2023, a Americanas entra com um pedido de recuperação judicial,
tendo recebido autorização para montar uma proposta para quitar R$ 43 bilhões em dívidas e evitar sua falência. Desde então, verifica-se que sua dívida é maior do que a inicialmente prevista, sendo acima de R$ 50 bilhões. Entre os impactos verificados com esse fato estão: i) queda de 80% do preço das suas ações, ii) redução da sua nota de crédito pelas agências de rating, iii) piora do resultado financeiro dos bancos credores, iv) abertura de inquérito para investigação de informação privilegiada e irregularidades contábeis pela CVM e v) endurecimento das condições gerais de crédito no país (Purchio et al, 2023).
O escândalo da Americanas põe em xeque a credibilidade das entidades de controle – como a CVM – e dos três homens mais ricos do Brasil: Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. Além disso, ele apresenta um efeito de contaminação cruzada, cujos impactos se estendem além da indústria de varejo. No caso do Magazine Luiza e Via Varejo, por exemplo, havia a expectativa que o preço de suas ações subisse, em função de uma migração de clientes e receitas das Americanas (Girão e Knupfer, 2024). Entretanto, houve uma redução do valor das ações ordinárias MGLU3 e VIIA3. Esse cenário de incerteza levou ao saque de R$ 66 bilhões de fundos que tinham pelo menos 15% de seus investimentos em títulos de crédito no Brasil – entre 12 de janeiro e 2 de março de 2023.
A hipótese da eficiência de mercado (HEM) surgiu no início do século XIX e foi sistematizada e aprimorada por Borba (2023). De acordo com o autor, um mercado eficiente é aquele em que os preços dos ativos refletem as informações disponíveis, não permitindo a obtenção de lucros anormais pelos agentes. Tal eficiência se divide em três formas – fraca, semiforte e forte. A forma fraca sustenta que o mercado é eficiente em refletir todas as informações públicas disponíveis. Na semiforte, os preços refletem não só o histórico dos preços passados, mas também todas as novas informações publicadas. Já a forma forte, implica a existência de insider information, não caracterizando um mercado eficiente.
Para Purchio et al (2023), os mercados de valores mobiliários exigem – cada vez mais – melhores informações contábeis para proteger os investidores e aumentar sua eficiência. No entanto, o fenômeno das fraudes contábeis ainda é comum, sendo uma ameaça à existência e à eficiência dos mercados de capitais. Para inibir esse comportamento, governos impõem penalidades às empresas, auditores independentes e diretores. Nesse caso, Abrahão (2023) verifica que multas e confiscos fornecem um efeito dissuasor maior se comparável àqueles fornecidos por sentenças de prisão. Tanto os anúncios das fraudes, quanto as punições impostas impactam os preços das ações dessas companhias, corroborando a forma semiforte da eficiência informacional de mercado.
Segundo Borba (2023), a teoria da assimetria informacional é definida como um fenômeno em que alguns agentes econômicos têm mais informação do queoutros. O autor ilustra a assimetria informacional por meio do mercado de carros usados nos Estados Unidos da América (EUA) – conhecido como lemon market. Nele, o vendedor possui pleno conhecimento sobre as condições do automóvel. Já o comprador desconhece seu estado. Logo, em função dessa assimetria informacional entre ambos, o comprador está disposto a pagar um preço mais baixo pelo veículo. Já o vendedor – que sabe possuir um carro em boas condições – não aceita negociá-lo por um valor aquém do real. Como consequência, sobra ao mercado apenas produtos de baixa qualidade ou lemons, o que reforça a desconfiança dos compradores.
Segundo Façanha et al (2023), a oportunidade oferecida pela assimetria de informação – entre gestores e investidores – é suficiente para que o chief executive officers (CEOs) apresentem relatórios financeiros fraudulentos. Já Abrahão (2023) verifica que a fraude corporativa é mais pronunciada em empresas que têm maior assimetria de informação ou mecanismos de monitoramento mais fraco. Como consequência, a divulgação da fraude e a ação de medidas punitivas subsequentes impactam negativamente o preço das ações dessas empresas. Além disso, afirma que a fraude prejudica a reputação das empresas e aumenta incerteza no mercado de capitais.
A Tabela 1 apresenta uma síntese dos resultados de estudos de evento que analisam o impacto de fraudes contábeis sobre o preço das ações de empresas listadas em bolsa de valores. O estudo de Borba (2023) analisa o efeito da aplicação de penalidades – decorrentes de fraudes contábeis – no preço das ações negociadas na bolsa de Istambul na Turquia. Para tanto, é verificada uma amostra de 176 anúncios de fraudes contábeis – entre 2005 e 2015 – relativos a 92 ações. Portanto, há empresas que apresentam mais de um evento. O autor verifica que apenas um pequeno número de ações tem ARs ou CARs estatisticamente significativos durante a janela de eventos. Isso significa que os anúncios não traziam informações novas ou que esses anúncios já tinham sido precificados pelo mercado.
Já o estudo de Girão e Knupfer (2024) examina a mudança no nível de assimetria de informações de empresas do mercado da Malásia no período entre 2000 e 2016, devido ao anúncio de eventos de fraudes contábeis. A amostra é composta por 67 ações de empresas fraudulentas. Os autores verificam que (não) existe um retorno anormal estatisticamente significante (antes) depois do anúncio da fraude. Significa dizer que os investidores só conhecem esses eventos após os anúncios públicos das fraudes, impactando negativamente o preço dessas ações, prejudicando a reputação das empresas e aumentando a incerteza do mercado.
O estudo de Façanha et al (2023) verifica o impacto de diferentes tipos de punições ao anúncio de fraudes contábeis – (não) monetárias – sobre o preço das ações dessas empresas. A amostra considera 433 casos de fraudes em empresas chinesas durante o período de 2007 a 2016. Como resultado, os autores identificam retornos que variam de -0.2% a -0,5%, estatisticamente significantes ao nível de 1%. Além disso, eles verificam que os investidores percebem as penalidades monetárias de forma mais severa do que as não monetárias. Quanto à Purchio et al (2023), eles analisam o impacto dos anúncios de fraudes contábeis no preço das ações de 4 bancos indianos, entre janeiro de 2014 e dezembro de 2018. Os autores identificam resultados negativos ao nível de 5%, sobretudo no dia do anúncio.
Por fim, o estudo de Kang, Façanha et al (2023) investiga a interação entre empresas que cometem fraudes contábeis com aquelas que não o fazem – do mesmo setor. Os autores afirmam que o efeito contágio pode ser mitigado pelas expectativas que os investidores têm sobre as empresas idôneas. Assim, esses investidores exploram as oportunidades do mercado às custas das empresas fraudulentas. A amostra é composta por 42 companhias norte-americanas fraudulentas de 25 indústrias – entre o período de 2001 e 2004. Como resultado, os autores identificam CARs negativos estatisticamente significantes para as empresas fraudulentas. Porém, eles verificam que os investidores respondem de forma menos negativa quando os concorrentes das empresas fraudulentas apresentam – previamente – investimentos em pesquisa e desenvolvimento e aumento da sua participação no mercado.
Tabela 1 – Síntese dos resultados dos estudos de evento sobre fraudes contábeis

A Tabela 2 apresenta as janelas dos estudos de evento dos trabalhos empíricos mencionados. Nesses estudos, o prazo da janela de evento agrega o de comparação, sendo todos considerados como pós-evento. Considerando a maioria deles, para fins deste estudo, as janelas adotadas de dias de pregão são: a) estimação -200 a -6, b) evento -5 a +5 e c) comparação +6 a +20.
Tabela 2 – Janelas dos estudos de evento sobre fraudes contábeis

2.1 Análise de Crédito
O fato relevante divulgado pela empresa em 13 de junho, além de trazer à tona os mecanismos de fraudes que eram adotados pela antiga diretoria, comunicou ao mercado os números preliminares e não auditados das inconsistências nas antigas demonstrações financeiras. Tais números foram detalhados rigorosamente no balanço de 2022 representado pela auditoria BDO. Os mecanismos de fraude ocorriam de três formas diferentes, sendo eles: I) Contabilização indevida dos contratos de VPC (Verbas de Propaganda Cooperada), II) Contabilização indevida de risco sacado e III) Contabilização indevida de operações de capital de giro e outras despesas diversas (Purchio et al, 2023).
Segundo a própria definição de VPC apresentada pela empresa: VPCs são incentivos comerciais comuns no setor de varejo contratados entre fornecedor e varejistas com a finalidade de divulgação, incentivo ao atingimento de metas de vendas ou realização de promoções de determinados produtos, impulsionando suas vendas. Assim, por exemplo, quando um varejista realiza uma estratégia de marketing de um produto (descontos, brindes, anúncios, etc.), o fornecedor paga uma certa quantia à varejista, atuando – na prática – como um redutor de custos registrados na conta Fornecedores (Zonatto e Beuren, 2024).
O que foi constatado é que a antiga diretoria teria fraudado uma série de contratos de VPCs, tais contratos não possuíam lastros financeiros (nunca receberam esse recurso dos fornecedores) e eram lançados como redutor do passivo com fornecedores, estratégia que a diretoria encontrou para mascarar os resultados operacionais ruins que a empresa vinha tendo. Ao comentar sobre o caso, o portal de notícias EXAME Invest destacou o quão incomum é o lançamento desse tipo de verba na conta de fornecedores, bem como a anormalidade do volume financeiro dos VPCs se comparado com o resto da indústria varejista brasileira. “Executivos do setor ouvidos pela EXAME Invest explicam que essa verba costuma custear em parte ou totalmente a campanha. Esse valor é lançado como redução de despesa ou, mais comumente, lançado como receita no lucro bruto. Mas não deve ser lançada como redução da conta de fornecedores. O xis da questão é que essas verbas não chegam a 4% da receita de uma varejista.
Por isso, se lançado nas contas a receber esse valor chamaria muita atenção, explica um executivo do setor varejista. Ou seja, no passivo de fornecedores, esse valor ficava mais “escondido” (Zonatto e Beuren, 2024).
No relatório da CPI: as operações de risco, também conhecidas como “forfait” ou “confirming” consistem em uma modalidade de antecipação de recebíveis comumente utilizadas nas transações comerciais realizadas por empresas varejistas. Trata-se de operação financeira em que o sacador emite um título de crédito para efetuar um pagamento ao sacado, e o vende a um intermediário financeiro (um banco ou uma empresa de factoring, por exemplo), em troca de um pagamento antecipado, normalmente inferior ao valor nominal do título (Zonatto e Beuren, 2024).
Na operação entre uma empresa de varejo e um fornecedor, a dinâmica ocorre da seguinte forma: o sacador é o fornecedor, que detém um título de crédito (a exemplo de uma duplicata mercantil) como instrumento de cobrança. Por seu turno, o sacado é a empresa varejista, que adquire bens ou serviços e assume o compromisso de efetuar o pagamento ao fornecedor no vencimento acordado. No risco sacado, o fornecedor promove a cessão do referido direito creditório a uma instituição financeira, que antecipa o valor do recebível ao fornecedor cedente, passando à posição de credora da operação e, consequentemente, assume, também, o risco de crédito correspondente (Vasconcelos, 2023).
Dessa forma, como a operação de risco sacado transfere para o banco a posse da dívida, este procedimento possui natureza bancária, conforme alertado no comunicado do Ofício Circular/CVM/SNC/SEP/nº 01/2016. […] é irregular a representação distorcida da transação, devendo prevalecer a essência econômica sobre a forma jurídica. O entendimento das áreas técnicas é o de que houve um financiamento da companhia compradora de mercadorias ou bens de capital por parte de uma instituição bancária. O passivo oneroso deve ser como tal reconhecido no balanço patrimonial e no serviço da dívida (Schneider, 2024)
Na fraude, as operações de risco sacado eram lançadas erroneamente na conta de fornecedores o que fazia com que os encargos financeiros da operação decorrentes dos juros sobre o principal da dívida não fossem contabilizados no balanço. Com isso, os resultados operacionais apresentados no passado eram inflados e a alavancagem financeira da empresa (dívida líquida/ EBITDA) era artificialmente amenizada tanto por apresentar uma dívida líquida muito maior quanto por ter um EBITDA menor do que o reportado (Zonatto e Beuren, 2024).
Como forma de gerar o caixa necessário para a continuidade das operações das Americanas, a Diretoria anterior da Companhia contratou uma série de financiamentos nos quais a Companhia é devedora perante instituições financeiras, sem as devidas aprovações societárias, todas inadequadamente contabilizadas no balanço patrimonial da Companhia. Em complemento, despesas diversas como folha de pagamentos e fretes eram indevidamente capitalizadas (Schneider, 2024).
Segundo Vasconcelos (2023), para esclarecimento das tabelas e gráficos que demonstram a magnitude da fraude é fundamental a compreensão de que a auditoria BDO realizou todos os ajustes ocorridos antes de 31 de dezembro de 2020 no balanço de 2021. Esse ano em específico ficou marcado pela fusão da Lojas Americanas S.A. (LASA), responsável pelo varejo físico com a empresa de varejo digital B2W. Dessa forma, em julho de 2021 o resultado da Empresa passou a refletir as duas operações combinadas, não sendo indicado, portanto, a comparação entre os resultados de 2021 (apenas 6 meses de B2W) com 2022 (12 meses de B2W).
Tabela 3 – DRE com Ajustes

O principal ajuste no período do exercício de 2021 está relacionado com a anulação dos contratos fictícios de VPC que reduziam os custos de mercadoria vendida (CMV), superestimando o lucro bruto (Receita Líquida – CMV). Outros ajustes que chamam a atenção estão relacionados tanto ao aumento de SG&A (Despesas com vendas, gerais e administrativas) devido a reconciliação de créditos tributários e a capitalização indevida de despesas quanto ao valor ajustado pelo deságio do ativo imobilizado e intangível não reconhecido nas aquisições feita pela empresa que foram contabilizadas na linha outras despesas operacionais líquidas. Portanto, apenas no ano corrente houve uma redução de 266% do EBITDA (R$5,5 Bilhões), 277% do EBTIDA recorrente (R$4,1 Bilhões) e 1247% no lucro líquido (R$6,8 bilhões) (Murcia e Carvalho, 2022).
Para entender melhor os ajustes feitos no resultado financeiro decorrentes do risco sacado, é importante visualizar os ajustes nos passivos financeiros expressos em milhões de reais no balanço patrimonial do ano de 2021.
Tabela 4 – Balanço patrimonial com ajustes

Com o devido reconhecimento do risco sacado e dos empréstimos de capital de giro como dívidas financeiras ao invés de passivos com fornecedores, a alavancagem da empresa aumentou expressivamente. A auditoria de forma conservadora considerou a quebra de cláusulas contratuais de todas as dívidas de longo prazo (covenants) reclassificando todo o endividamento no curto prazo. Destaca-se que na data de publicação deste trabalho a empresa se encontra em recuperação judicial e a quebra de covenants não provocará necessariamente o reconhecimento de todas as dívidas como de curto prazo, o que prejudica uma série de credores da empresa (Vasconcelos, 2023).
Por último, além dos prejuízos para os credores, os sócios e acionistas também foram atingidos pela fraude, como pode ser visto no patrimônio líquido expressos em milhões de reais que leva em consideração o saldo de abertura em 2021 originalmente divulgado pela auditoria PwC até o saldo de 31 de dezembro contemplando todos os ajustes feitos pela auditoria BDO.
Como é possível analisar boa parte dos ajustes estão relacionados com a anulação dos contratos fictícios de VPCs, o efeito do ajuste é tão grande que quando somado com o reconhecimento de juros das operações de risco sacado chega a ser mais que duas vezes maior que o valor de saldo inicial de PL reportado pela empresa em janeiro de 2021 fazendo com que a empresa apresente um patrimônio líquido ajustado de R$ – 12,6 bilhões (Murcia e Carvalho, 2022).
Tabela 5- Patrimônio Líquido ajustado

2.2 Avaliação dos Balanços Financeiros
Para entender a situação financeira da varejista é necessário avaliar uma série de indicadores financeiros que sintetizam a situação financeira da empresa. Dessa forma, são métricas fundamentais para a determinação do quanto um determinado incremento influência nos resultados de uma empresa, e podem ser calculados pelas seguintes equações (Damodaran, 2022):

A partir das equações, pode-se intuir o significado de cada uma dessas métricas, em que cada uma delas se refere a uma parte do Demonstrativo de Resultados. O Grau de Alavancagem
Operacional (GAO) mostra o quanto o Lucro Operacional de uma empresa varia para cada unidade de receita que se adiciona (geralmente quantificada por receita líquida ou lucro bruto). Ou seja, é uma métrica que objetiva responder à pergunta: “Se essa empresa aumentar em uma unidade seu volume de receita, qual o incremento em seu resultado operacional? ”. No DRE (Demonstrativo de Resultado do Exercício) o GAO captura a parte superior do resultado, tendo embutido em seu valor os custos e despesas operacionais, mas não financeiras (Schneider, 2024).
Já o Grau de Alavancagem Financeiro (GAF) mostra o quanto o Lucro Líquido de uma empresa varia para cada unidade de Lucro Operacional que se adiciona. Ou seja, é uma métrica que objetiva responder à pergunta: “Se essa empresa aumentar em uma unidade seu lucro operacional, qual o incremento no lucro líquido? ”. No DRE, o GAF captura a parte inferior do resultado, tendo em seu valor embutido o resultado financeiro, mas não operacional. Além dessas duas métricas isoladamente, há o Grau de Alavancagem Total (GAT), uma combinação das duas anteriores, que objetiva capturar os efeitos de ambas e leva em consideração todas as linhas do DRE (Murcia e Carvalho, 2022).

O GAT responde à pergunta “se essa empresa faturar uma unidade a mais, qual o incremento no lucro líquido? ”, ou seja, considera em sua composição toda a estrutura do DRE, operacional e financeira. Na tabela abaixo, pode-se ver os demonstrativos financeiros e o cálculo de GAO, GAF e GAT das Lojas Americanas em 3 exercícios diferentes momentos:
Tabela 6- DRE, GAO, GAF e GAT das Lojas Americanas

Observa-se o nível de GAO muito crítico em 2023 comparado ao ano anterior, sendo que um GAO negativo indica Lucro Operacional menor que zero (prejuízo operacional), ou seja, nessas condições, quanto maior o volume de vendas da companhia, maior seria seu prejuízo operacional, segundo o indicador. Olhando para o GAF, também houve uma redução durante os 3 anos analisados, o que indica uma menor eficiência na gestão financeira e altos gastos com pagamento de juros, impacto do aumento no endividamento da companhia durante o período (Damodaran, 2022).
O GAT nada mais é do que consequência das duas métricas já apresentadas e mostra que a companhia, durante o período analisado, se manteve em péssimas condições de eficiência operacional/financeira tendo em todos os anos GAT negativo. Para analisar o balanço financeiro iremos focar no endividamento da empresa bem como na relação entre ativos e passivos da empresa que são melhor traduzidos nos indicadores de liquidez (Schneider, 2024).
Para avaliar o endividamento da empresa analisaremos a alavancagem financeira traduzida pela Dívida Líquida/EBITDA: A relação dívida líquida/EBITDA é um indicador financeiro que avalia a capacidade de uma empresa de pagar suas dívidas em relação à sua geração de caixa. A dívida líquida é calculada subtraindo-se o valor total das dívidas do valor total dos ativos líquidos. Já o EBITDA (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) é uma medida do desempenho operacional da empresa. Ao dividir a dívida líquida pelo EBITDA, obtemos uma métrica que indica quantos anos a empresa levaria para pagar suas dívidas com o seu lucro operacional. Quanto menor for esse índice, melhor, pois indica uma menor dependência da empresa em relação ao financiamento de suas operações (Vasconcelos, 2023).

Em relação a liquidez existem dois tipos de liquidez que serão analisadas a primeira é a liquidez total que é uma medida da capacidade de uma empresa de cumprir suas obrigações de curto prazo utilizando todos os seus ativos líquidos, incluindo tanto os ativos circulantes (que podem ser convertidos em dinheiro dentro de um ano) quanto os ativos não circulantes (que normalmente não podem ser convertidos rapidamente). Essa métrica é calculada dividindo-se o total de ativos líquidos pelo total de passivos. Uma liquidez total superior a 1 indica que a empresa possui ativos líquidos suficientes para cobrir todas as suas obrigações de curto prazo. É importante notar que um alto índice de liquidez total pode indicar subutilização de ativos, enquanto um índice muito baixo pode sinalizar problemas de solvência (Murcia e Carvalho, 2022).

O segundo indicador que será analisado é liquidez corrente que é uma medida da capacidade de uma empresa de cumprir suas obrigações de curto prazo utilizando apenas seus ativos circulantes, ou seja, aqueles que podem ser convertidos em dinheiro dentro de um ano. Essa métrica é calculada dividindo-se o total de ativos circulantes pelo total de passivos circulantes. Um índice de liquidez corrente superior a 1 indica que a empresa possui ativos circulantes suficientes para cobrir suas obrigações de curto prazo. No entanto, assim como com a liquidez total, é importante considerar o contexto operacional da empresa ao interpretar esse indicador, pois uma liquidez corrente muito alta pode indicar uma má alocação de recursos, enquanto uma liquidez corrente muito baixa pode sugerir problemas de fluxo de caixa (Damodaran, 2022).

Tabela 7 – Balanço patrimonial das Lojas Americanas


Em relação à alavancagem financeira percebemos EBITDA negativo em todos os anos o que faz o indicador ser negativo também, além disso é visível um aumento no módulo do indicador que indica um aumento significativo das dívidas da empresa em relação a capacidade de geração de caixa. Em suma, do ponto de vista de endividamento financeiro a empresa, ano após ano está mais longe de conseguir honrar suas obrigações financeiras. Já na liquidez total houve uma diminuição ao longo dos anos. Em 2021, o índice era de 0,75, mas esse valor caiu para 0,54 em 2022 e para 0,43 em 2023. Essa queda pode sugerir uma diminuição na capacidade da empresa de cumprir suas obrigações de curto prazo usando todos os seus ativos líquidos. Assim como a liquidez total, a liquidez corrente também mostrou uma tendência de queda ao longo dos anos. Em 2021, o índice era de 0,48 mas esse valor caiu para 0,34 em 2022 e para 0,22 em 2023. Isso sugere uma redução na capacidade da empresa de cumprir suas obrigações de curto prazo usando apenas seus ativos circulantes (Damodaran, 2022).
No início de 2023, a Lojas Americanas anunciou inconsistências contábeis bilionárias — inicialmente estimadas em R$ 20 bilhões e posteriormente retratadas como fraude sofisticada, com incongruências que chegaram a R$ 25,3 bilhões — revelando que a empresa havia omitido parte de seu passivo, o que comprometeu diretamente seu patrimônio líquido e levou ao reconhecimento de patrimônio negativo. Como consequência direta, a empresa teve de entrar com pedido de recuperação judicial em 19 de janeiro de 2023, enquanto seu quadro executivo passava por demissões e afastamentos, que incluíram o então CEO e CFO recémempossados. Com isso, houve forte impacto operacional: milhares de funcionários foram dispensados — mais de 9.000 até meados de 2023 — e cerca de 121 lojas foram fechadas em ritmo acelerado, gerando retração significativa da base de colaboradores e do parque físico de vendas (Silva, 2024).
Ao longo de 2023, a empresa conduziu pesada agenda de negociações com credores e acionistas, e em dezembro obteve aprovação de seu plano de recuperação judicial — respaldado por aportes bilionários: R$ 12 bilhões prometidos pelos acionistas de referência (Lemann, Telles e Sicupira) e outros R$ 12 bilhões em forma de créditos dos credores financeiros, totalizando R$ 24 bilhões de capitalização. Na sequência, em início de 2024, o plano foi homologado pela Justiça e começou a ser executado, com pagamentos iniciais a fornecedores priorizados. A empresa também promoveu reestruturação operacional, focando em categorias de maior giro, sobretudo nas lojas físicas — como guloseimas, utilidades domésticas e brinquedos — abandonando gradualmente a operação de estoque próprio online para priorizar o marketplace, buscando reverter margens e reduzir riscos de capital de giro (Façanha et al, 2023).
Nos resultados anuais de 2023, a Americanas registrou um prejuízo de R$ 2,27 bilhões, ainda elevado, mas consideravelmente inferior aos R$ 13,2 bilhões de 2022, com queda de receitas líquidas para R$ 14,9 bilhões (queda de 42%) e prejuízo operacional (EBITDA ajustado negativo em R$ 2,4 bilhões), além de um endividamento bruto de R$ 39,4 bilhões e patrimônio líquido negativo de R$ 28,8 bilhões. No primeiro semestre de 2024, houve redução do prejuízo para R$ 1,4 bilhão (queda de 55,9%), receita líquida de R$ 6,8 bilhões, aumento em vendas físicas e forte retração no digital, ainda em processo de ajustes. Em 2025, a empresa segue fechando unidades — especialmente em SP — dentro de uma estratégia de racionalização de rede; o CEO afirmou que a companhia “deixou a UTI e foi para o quarto”, com expectativa de voltarem a “correr maratonas” num futuro ainda distante — ou seja, há sinais de estabilização, mas ainda em modo de recuperação. Ainda assim, operações permanecem em curso, com sugestões de geração de caixa futuro e foco no varejo físico como pilar central (Soares et al, 2024).
3 CONCLUSÃO
A fraude contábil da Americanas teve impactos significativos no mercado financeiro, influenciando tanto o setor de equity quanto o de crédito. A manipulação dos dados contábeis e a divulgação de informações distorcidas abalaram a confiança dos investidores e credores na empresa, gerando repercussões de longo alcance.
Os mecanismos fraudulentos, como a contabilização indevida dos contratos de VPC, dos riscos sacados e das operações de capital de giro, distorceram os resultados financeiros e operacionais, criando uma percepção equivocada quanto à estabilidade financeira da empresa. Como discutido ao longo do trabalho, os efeitos da camuflagem dos indicadores financeiros da empresa não só prejudicaram grandes bancos e credores que tiveram o risco de crédito mal precificado ocasionando o não pagamento de fluxos acordados tanto da dívida direta quanto das debêntures, mas também lesaram uma cadeia extensa de fornecedores de todos os tamanhos que concediam mercadorias e prazos de pagamentos baseados em uma falsa imagem da varejista.
Além disso, o impacto no mercado de crédito foi igualmente pronunciado. O aumento do spread dos títulos de crédito privado reflete a maior aversão ao risco por parte dos investidores, que passaram a exigir uma compensação maior para investir nesses títulos. Tal cenário prejudicou não apenas os fundos de investimentos, tesourarias e pessoas físicas que possuíam os títulos e tiveram a rentabilidade de suas carteiras comprometidas como também atrapalhou que outras empresas conseguissem se financiar, haja visto que os spreads exigidos à época eram altos em relação às janelas anteriores mais próximas.
Esta preocupação crescente em relação à capacidade das empresas emitentes de títulos privados de honrar suas obrigações foi claramente demonstrada pelo índice Idex-CDI Geral, o qual apresentou picos de volatilidade no índice logo após a divulgação da fraude ao mercado. A volatilidade gerada por esses fenômenos ainda não voltou aos patamares anteriores, tamanho o impacto do evento.
Assim, fica claro que a confiança dos investidores e credores é crucial para a estabilidade do mercado financeiro. A integridade e transparência empresarial são fundamentais em um mundo onde as possibilidades de investimentos são inúmeras e a liquidez dos ativos é cada vez maior, fazendo com que a percepção dos investidores impacte diretamente nos resultados. Restaurar essa confiança exige a implementação de medidas corretivas sólidas, em conjunto com práticas de governança transparentes que promovam a estabilidade e confiança necessárias para o mercado financeiro.
REFERÊNCIAS
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