A IMPORTÂNCIA DO ACOLHIMENTO FAMILIAR NO CUIDADO PALIATIVO: O PAPEL DO ENFERMEIRO

THE IMPORTANCE OF FAMILY SUPPORT IN PALLIATIVE CARE: THE NURSE’S ROLE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511161820


Amanda Borges Da Silva1
Daniele Brito De Souza Dos Santos2
Sabrina Sondre de Oliveira Reis3


Resumo: Este estudo tem como tema o acolhimento familiar no contexto dos cuidados paliativos oncológicos, com o objetivo geral de analisar a relação entre essa prática e a qualidade de vida dos pacientes, considerando a sobrecarga emocional dos cuidadores e o papel do enfermeiro como facilitador desse processo. A metodologia adotada foi uma revisão integrativa da literatura, com abordagem qualitativa, utilizando artigos publicados entre 2018 e 2025 nas bases SciELO, PubMed e Google Acadêmico. Os resultados evidenciaram que o acolhimento familiar contribui significativamente para o alívio do sofrimento psicoemocional, fortalecimento dos vínculos afetivos e melhora da adesão ao tratamento, além de proporcionar maior conforto e dignidade ao paciente. A discussão destacou a importância da atuação do enfermeiro na mediação entre equipe de saúde e familiares, por meio de escuta ativa, empatia e aplicação da Teoria do Conforto de Kolcaba, alinhada às diretrizes da Política Nacional de Cuidados Paliativos. Conclui-se que a implementação de estratégias estruturadas de acolhimento familiar, associadas à capacitação contínua dos profissionais de enfermagem, é essencial para promover uma assistência humanizada, integral e eficaz, impactando positivamente a experiência de terminalidade dos pacientes e o bem-estar dos cuidadores. 

Palavras-chave: Cuidados paliativos. Enfermagem oncológica. Acolhimento familiar. Humanização. Qualidade de vida. 

Abstract: This study addresses the theme of family support in the context of oncological palliative care, with the general objective of analyzing the relationship between this practice and patients’ quality of life, considering the emotional burden of caregivers and the nurse’s role as a facilitator in this process. The methodology adopted was a qualitative integrative literature review, using articles published between 2018 and 2025 from databases such as SciELO, PubMed, and Google Scholar. The results showed that family support significantly contributes to the relief of psycho-emotional suffering, strengthening of affective bonds, and improved treatment adherence, while also providing greater comfort and dignity to the patient. The discussion emphasized the importance of the nurse’s role in mediating between the healthcare team and family members through active listening, empathy, and the application of Kolcaba’s Comfort Theory, aligned with the guidelines of the National Palliative Care Policy. It is concluded that implementing structured family support strategies, combined with continuous training of nursing professionals, is essential to promote humanized, comprehensive, and effective care, positively impacting the end-of-life experience of patients and the well-being of caregivers. 

Keywords: Palliative care. Oncological nursing. Family support; Humanization. Quality  of life. 

INTRODUÇÃO 

O cuidado paliativo é uma abordagem terapêutica que visa melhorar a qualidade de vida de pacientes com doenças graves e progressivas, cujas possibilidades de cura são limitadas ou inexistem. O principal objetivo dessa prática é controlar os sintomas, aliviar o sofrimento e promover o bem-estar físico, psicológico, social e espiritual dos pacientes. Busca-se proporcionar conforto e dignidade, especialmente durante o processo de terminalidade da vida. Essa abordagem holística reconhece o paciente como um ser complexo, que necessita de cuidados que atendam suas diversas dimensões, sendo, portanto, uma prática essencial para a assistência integral à saúde. Em cuidados paliativos oncológicos, essa necessidade se torna ainda mais evidente, uma vez que o câncer é uma das principais causas de morbidade e mortalidade no mundo, demandando uma atenção cuidadosa e humanizada. 

No contexto da enfermagem, os cuidados paliativos exigem uma combinação de habilidades técnicas e relacionais. Os enfermeiros são profissionais chave no cuidado paliativo, pois mantêm contato contínuo com os pacientes e suas famílias, estando, frequentemente, na linha de frente das ações assistenciais. Além da realização de procedimentos técnicos e controle de sintomas, os enfermeiros desempenham papel fundamental no apoio emocional, na escuta ativa e na construção de vínculos terapêuticos. O cuidado paliativo, portanto, não se limita à intervenção clínica, mas inclui o suporte emocional, essencial para lidar com o sofrimento e o processo de luto que tanto os pacientes quanto suas famílias enfrentam.

Entre as várias estratégias utilizadas para promover a qualidade de vida dos pacientes em cuidados paliativos, o acolhimento familiar se destaca como uma prática de grande importância. O acolhimento familiar é a inclusão ativa dos familiares no processo de cuidado do paciente, com o objetivo de fortalecer os laços afetivos, proporcionar apoio emocional e ajudar na tomada de decisões compartilhadas. Esse processo contribui para a criação de um ambiente terapêutico seguro e colaborativo, em que a família se sente parte integrante do cuidado, sendo, muitas vezes, a maior fonte de apoio tanto para o paciente quanto para os profissionais de saúde. 

A humanização do cuidado, que envolve a atenção às necessidades emocionais e psicológicas do paciente e de seus familiares, é um princípio central nos cuidados paliativos. A presença da família no processo de cuidado não apenas alivia o sofrimento emocional dos entes queridos, mas também melhora a adesão ao tratamento e amplia a percepção de que o paciente está sendo cuidado de forma integral e digna. Estudos têm demonstrado que o envolvimento familiar pode reduzir o sofrimento psicoemocional, melhorar a qualidade de vida do paciente e contribuir para uma experiência mais positiva durante o processo de terminalidade. 

O enfermeiro, no contexto dos cuidados paliativos, desempenha um papel central na mediação entre a equipe de saúde e a família, sendo responsável pela comunicação eficaz e pelo apoio emocional. Sua atuação vai além da execução de procedimentos técnicos, abrangendo também o cuidado humanizado e o fortalecimento dos laços entre o paciente, a família e a equipe multiprofissional. O acolhimento familiar, nesse sentido, torna-se uma ferramenta estratégica, que não apenas fortalece a relação com os familiares, mas também promove um cuidado mais eficiente e completo para o paciente. Essa prática contribui diretamente para a melhoria dos resultados da assistência e para a construção de uma rede de apoio sólida, essencial para a manutenção do bem-estar. 

A importância de integrar a família ao cuidado paliativo se justifica pela evidência de que o acolhimento pode reduzir o sofrimento psicoemocional dos cuidadores e melhorar a qualidade de vida tanto do paciente quanto dos familiares. Além disso, a inclusão ativa da família nas decisões relacionadas ao tratamento e ao cuidado do paciente fortalece o processo de cuidado e permite uma melhor adaptação dos familiares ao contexto de terminalidade. O acompanhamento contínuo do enfermeiro, com uma escuta qualificada e um cuidado sensível, é fundamental para a implementação bem sucedida dessa estratégia, promovendo uma assistência que vai além da técnica e abrange os aspectos humanos do cuidado. 

Neste sentido, a sobrecarga emocional dos familiares, muitas vezes subestimada, deve ser abordada com a devida atenção, uma vez que impacta diretamente na capacidade de os cuidadores desempenharem suas funções de maneira adequada. O estresse, a ansiedade e o luto são sentimentos comuns entre os familiares de pacientes em cuidados paliativos, e esses aspectos podem prejudicar tanto o bem-estar dos cuidadores quanto a qualidade do cuidado prestado ao paciente. Portanto, o apoio emocional aos familiares, oferecido pelo enfermeiro, torna-se uma parte essencial da assistência paliativa, ajudando a mitigar esses impactos e promovendo uma experiência mais tranquila para todos os envolvidos. 

A relevância do tema é evidente, pois à medida que a população envelhece e o número de pacientes com doenças crônicas e terminais aumenta, os cuidados paliativos se tornam cada vez mais necessários. No entanto, as práticas de acolhimento familiar e humanização nos cuidados paliativos ainda enfrentam desafios, como a falta de preparação e capacitação dos profissionais de saúde para lidar com as questões emocionais e psicológicas que envolvem esse tipo de cuidado. A implementação de estratégias estruturadas de acolhimento familiar, portanto, se apresenta como uma solução eficaz para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e reduzir a sobrecarga emocional dos familiares. 

Este estudo propõe investigar a relação entre o acolhimento familiar e a qualidade de vida de pacientes em cuidados paliativos, com ênfase no papel do enfermeiro como facilitador desse processo. A pesquisa busca compreender como a prática de acolhimento pode ser aprimorada e integrada de forma sistemática à rotina assistencial, oferecendo um modelo de cuidado mais eficiente e humanizado. A hipótese central é que a implementação de estratégias de acolhimento familiar pode contribuir significativamente para a melhoria da experiência do paciente e para a redução da sobrecarga emocional dos cuidadores. 

A questão norteadora que orienta este estudo é: Qual é a relação entre o acolhimento familiar e a qualidade de vida de pacientes em cuidados paliativos, considerando a avaliação da sobrecarga emocional dos cuidadores familiares, e como os enfermeiros podem contribuir para melhorar essa qualidade de vida? Este questionamento visa explorar as dinâmicas do cuidado paliativo e identificar as melhores práticas para integrar a família no processo assistencial, oferecendo um cuidado mais eficaz e sensível às necessidades de todos os envolvidos. 

O objetivo geral da pesquisa é contribuir para a formação de profissionais mais qualificados e preparados para enfrentar os desafios dos cuidados paliativos, promovendo práticas de acolhimento familiar que fortaleçam a integração entre a equipe de saúde e a família. Os objetivos específicos incluem compreender o papel do enfermeiro na implementação do acolhimento familiar, avaliar o impacto dessa prática na qualidade de vida dos pacientes, e propor recomendações para melhorar os cuidados paliativos em situações de terminalidade. 

Este artigo está estruturado de forma a abordar de maneira detalhada os conceitos de cuidado paliativo, acolhimento familiar e o papel do enfermeiro. A pesquisa segue uma metodologia rigorosa, com uma revisão integrativa da literatura que visa fornecer embasamento teórico e prático sobre o tema. O estudo será conduzido com base em artigos científicos, entrevistas e análise de dados qualitativos, com o objetivo de fornecer contribuições significativas para a prática da enfermagem no contexto dos cuidados paliativos. 

1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 

1.1 Cuidado Paliativo: Conceito E Diretrizes 

A Teoria do Conforto, desenvolvida pela enfermeira Katharine Kolcaba (2003), oferece uma base conceitual robusta para fundamentar práticas humanizadas na enfermagem, especialmente no contexto dos cuidados paliativos oncológicos. Essa teoria propõe que o conforto não se limita à ausência de dor, mas representa um estado holístico de bem-estar que abrange dimensões físicas, psicoespirituais e sociais. No cuidado paliativo, onde o foco é a qualidade de vida diante da impossibilidade de cura, essa abordagem torna-se especialmente relevante. Nesse sentido, a Teoria do Conforto oferece não apenas um modelo para a prática clínica, mas também uma lente para compreender as necessidades emocionais, espirituais e psicológicas dos pacientes e suas famílias durante o processo de terminalidade Kolcaba, (2003). 

Estudos como o de Oliveira et al. (2025), que relatam a experiência do projeto “Café com Conforto”, demonstram a aplicação prática dos três tipos de conforto propostos por Kolcaba (2003). O conforto físico é promovido por meio do alívio de sintomas, como dor e fadiga, enquanto o conforto psicoespiritual é trabalhado através da escuta qualificada, da expressão de sentimentos e do fortalecimento da espiritualidade. Já o conforto social é evidenciado na criação de espaços de convivência e apoio mútuo entre familiares, pacientes e equipe de saúde. Essa iniciativa mostra como ações simples, como ambientação musical e partilha de experiências, podem gerar impactos significativos no bem-estar dos envolvidos, ajudando a aliviar o sofrimento emocional e promovendo a resiliência familiar diante da adversidade da terminalidade Oliveira et al., (2025). 

O enfermeiro, ao incorporar os princípios da Teoria do Conforto em sua rotina assistencial, torna-se um agente facilitador da humanização. Na prática, isso significa estar atento às manifestações de sofrimento físico, oferecer suporte emocional diante da angústia existencial e promover a inclusão da família como parte ativa do cuidado. A operacionalização desses conceitos exige sensibilidade, escuta ativa, empatia e domínio técnico, além de uma postura ética e acolhedora. O enfermeiro deve ser capaz de identificar as necessidades específicas de cada paciente e adaptar suas intervenções de forma personalizada, respeitando as preferências culturais e espirituais do paciente, elementos cruciais nos cuidados paliativos Ferreira Costa et al., (2024).

A atuação pautada na Teoria do Conforto também está alinhada às diretrizes da Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP) (Portaria GM/MS nº 3.681/2024), que reforça a importância da atenção integral e humanizada. Ao considerar o paciente em sua totalidade, respeitando suas dimensões físicas, emocionais, sociais e espirituais, o enfermeiro contribui para a efetivação de um cuidado centrado na pessoa. Essa abordagem favorece a construção de vínculos terapêuticos, fortalece a autonomia do paciente e promove maior adesão às estratégias de cuidado. A PNCP destaca que os cuidados paliativos devem ser oferecidos de maneira integrada, garantindo que os pacientes e suas famílias recebam suporte contínuo, respeitando suas necessidades individuais, e que o profissional de enfermagem tenha capacitação contínua para atender a essas demandas de forma qualificada. 

Os impactos positivos da aplicação dessa teoria na qualidade de vida dos pacientes são evidentes. Estudos como o de Ferreira Costa et al. (2024) apontam que a atuação humanizada do enfermeiro, fundamentada em práticas de conforto, está associada a uma sobrevida maior e a uma experiência de cuidado mais digna e acolhedora. Além disso, a presença ativa da enfermagem, orientada por princípios de conforto, contribui para a redução da ansiedade, para o fortalecimento da esperança e para a construção de um ambiente terapêutico mais seguro e afetivo. Isso destaca a importância de integrar as práticas de acolhimento familiar no processo assistencial, pois as relações familiares afetam diretamente o estado emocional e a qualidade de vida do paciente em cuidados paliativos Moraes et al., (2024). 

Portanto, a Teoria do Conforto de Kolcaba (2003) não apenas orienta a prática da enfermagem paliativa, mas também transforma a forma como o cuidado é percebido e vivenciado. Ao promover conforto em suas múltiplas dimensões, o enfermeiro fortalece a humanização da assistência, amplia os horizontes do cuidado e contribui para a construção de experiências mais significativas e respeitosas no enfrentamento da terminalidade. A aplicação dessa teoria no contexto dos cuidados paliativos oncológicos contribui para a criação de um ambiente onde o paciente se sente amparado, sua dignidade é preservada e o apoio familiar é fortalecido, permitindo que os últimos momentos de vida sejam vividos com conforto, respeito e paz Moraes et al., (2025); PNCP, (2024). 

1.2 Acolhimento Familiar Como Estratégia Terapêutica 

O acolhimento familiar no contexto dos cuidados paliativos configura-se como uma prática terapêutica essencial, voltada para a promoção do bem-estar emocional, social e espiritual do paciente e de seus entes queridos. Essa abordagem reconhece a família como parte integrante do processo de cuidado, valorizando sua presença, escuta e participação ativa nas decisões clínicas. Ao incluir os familiares na trajetória assistencial, cria-se um ambiente mais seguro, empático e colaborativo, que favorece a construção de vínculos e o enfrentamento das adversidades impostas pela condição clínica do paciente. 

Segundo Oliveira de Góis e Brandão (2020), a interação familiar é uma estratégia eficaz para minimizar o sofrimento causado pela doença oncológica em estágio avançado. Os autores destacam que o envolvimento da família contribui para o alívio das sintomatologias e para a promoção de conforto físico e emocional, tanto para o paciente quanto para seus cuidadores. A enfermagem, nesse cenário, desempenha papel central ao facilitar esse vínculo, promovendo escuta ativa, orientação e suporte contínuo, o que reforça a importância da comunicação humanizada como ferramenta terapêutica. 

A pesquisa de Moraes e Santana (2024) reforça que os familiares cuidadores enfrentam desafios significativos ao assumir responsabilidades assistenciais, muitas vezes sem preparo técnico ou suporte institucional. O acolhimento, nesse caso, não se limita ao paciente, mas se estende aos cuidadores, que necessitam de orientação, capacitação e apoio emocional. O enfermeiro, como profissional que atua diretamente na linha de frente, é responsável por identificar essas demandas e implementar estratégias que favoreçam o desenvolvimento de competências de cuidado, promovendo segurança e autonomia aos envolvidos. 

No estudo de Moraes et al. (2025), realizado em um instituto de referência nacional em oncologia, foi evidenciado que a ausência de redes de apoio formais e informais pode gerar sobrecarga nos cuidadores familiares, comprometendo sua saúde e a qualidade do cuidado prestado. O acolhimento familiar, nesse contexto, emerge como uma ferramenta terapêutica que promove resiliência, reduz o estresse e fortalece a capacidade de enfrentamento dos envolvidos. A enfermagem, ao reconhecer essas vulnerabilidades, deve atuar de forma proativa, articulando recursos e promovendo práticas integradas de cuidado que envolvam a família como protagonista. 

A experiência relatada por Oliveira et al. (2025) com o projeto “Café com Conforto” ilustra uma estratégia inovadora de acolhimento familiar no ambiente hospitalar. A iniciativa, fundamentada na Teoria do Conforto de Kolcaba (2003), promove encontros terapêuticos entre familiares, com atividades que envolvem ambientação musical, expressão de sentimentos, escuta qualificada e partilha de vivências. Os resultados apontam que essa prática fortalece os vínculos afetivos, promove bem-estar e contribui para a humanização da assistência, sendo uma referência para ações de enfermagem voltadas ao acolhimento emocional e espiritual. 

A Teoria do Conforto de Kolcaba (2003) é um modelo teórico criado pela enfermeira Katharine Kolcaba (2003) que se concentra no conceito de conforto como um componente essencial do cuidado de enfermagem. Essa teoria propõe que o conforto não é apenas a ausência de dor ou desconforto, mas sim um estado holístico que envolve o bem-estar físico, psicológico, social e espiritual do paciente. Kolcaba (2003) define o conforto como a sensação de alívio ou satisfação das necessidades do paciente, que pode ser alcançada por meio da interação com o ambiente, a equipe de saúde e o próprio processo de cuidado. A teoria classifica o conforto em três formas principais: conforto físico, relacionado ao alívio de sintomas como dor e fadiga; conforto psicoespiritual, vinculado à redução da ansiedade, medo e à busca por sentido; e conforto social, associado ao apoio interpessoal e à presença da família. 

No contexto dos cuidados paliativos, essa teoria é especialmente relevante, pois orienta práticas que visam aliviar o sofrimento e proporcionar bem-estar integral. O enfermeiro, ao aplicar os princípios de Kolcaba, atua não apenas com intervenções técnicas, mas também com empatia, escuta ativa e acolhimento emocional, promovendo um cuidado centrado na pessoa e em sua rede de apoio. O “Café com Conforto”, por exemplo, é uma aplicação prática dessa teoria, proporcionando um ambiente terapêutico que visa o conforto emocional e psicológico dos familiares dos pacientes. 

Além disso, Telles e Silva (2025) destacam que a comunicação efetiva entre a equipe de enfermagem e os familiares é um componente essencial do acolhimento. Em unidades de terapia intensiva, onde o nível de complexidade é elevado, a escuta ativa, o uso de linguagem acessível e a realização de reuniões periódicas com os familiares são estratégias que promovem confiança, compreensão e aceitação da terminalidade clínica. O enfermeiro, ao mediar esse processo, contribui para decisões compartilhadas e para a construção de um cuidado ético e humanizado. 

Portanto, o acolhimento familiar deve ser compreendido como uma estratégia terapêutica que transcende o aspecto técnico da assistência, promovendo empatia, solidariedade e respeito às singularidades de cada família. A enfermagem, ao incorporar essa prática em sua rotina, fortalece a integralidade do cuidado e contribui para a construção de ambientes terapêuticos mais acolhedores, sensíveis e eficazes, alinhados às diretrizes da Política Nacional de Cuidados Paliativos e às necessidades reais dos pacientes e seus familiares. 

1.3 O Papel Do Enfermeiro Na Atenção Humanizada 

A atenção humanizada no contexto dos cuidados paliativos representa uma abordagem centrada na dignidade, no respeito e na integralidade do ser humano. O enfermeiro, como profissional que mantém contato direto e contínuo com o paciente e seus familiares, desempenha papel essencial na promoção dessa assistência, atuando como elo entre o cuidado técnico e o cuidado emocional. Sua presença constante na rotina assistencial permite que ele identifique necessidades não apenas clínicas, mas também subjetivas, afetivas e espirituais, contribuindo para a construção de um ambiente terapêutico acolhedor.

Segundo Ferreira Costa et al. (2024), a atuação do enfermeiro em cuidados paliativos oncológicos, quando pautada pela humanização, está diretamente relacionada à melhora da qualidade de vida dos pacientes. Os autores apontam que práticas como escuta ativa, empatia, comunicação clara e respeito às escolhas do paciente são fundamentais para garantir uma assistência ética e sensível. Essa postura humanizada favorece a construção de vínculos de confiança, essenciais para o enfrentamento das adversidades impostas pela condição clínica. 

A Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP), instituída pela Portaria GM/MS nº 3.681/2024, estabelece diretrizes para a organização da atenção paliativa no Sistema Único de Saúde (SUS), reforçando a importância da assistência humanizada e integral. Essa política reconhece o enfermeiro como agente fundamental na operacionalização dos cuidados paliativos, especialmente por sua atuação contínua e próxima ao paciente e à família. A PNCP orienta que os profissionais devem estar capacitados para oferecer suporte técnico e emocional, respeitando os valores, crenças e preferências dos indivíduos em situação de vulnerabilidade clínica. 

Complementando essa normativa, a Lei nº 14.758/2023 reforça que os cuidados paliativos devem ser garantidos tanto pelo SUS quanto pelos planos de saúde, com foco na melhoria da qualidade de vida e no suporte aos familiares. Essa legislação destaca que o cuidado deve ser centrado na pessoa, considerando suas necessidades físicas, emocionais, sociais e espirituais. O enfermeiro, ao aplicar esses princípios, contribui para a efetivação de um modelo assistencial mais sensível, ético e eficaz. 

A pesquisa de Oliveira de Góis e Brandão (2020) reforça que o enfermeiro deve estar preparado para lidar com o sofrimento físico e emocional do paciente e de seus familiares. A humanização, nesse contexto, não se limita à execução de procedimentos, mas envolve o acolhimento das emoções, a valorização da história de vida e o reconhecimento das singularidades de cada indivíduo. O enfermeiro torna-se, assim, um facilitador do cuidado integral, promovendo conforto e segurança em momentos de vulnerabilidade.

Moraes e Santana (2024) destacam que a atenção humanizada exige do enfermeiro competências específicas, como sensibilidade, escuta qualificada e capacidade de adaptação às necessidades emergentes. A atuação diante de familiares cuidadores, por exemplo, requer habilidades para oferecer suporte emocional, orientar sobre práticas de cuidado e mediar conflitos que possam surgir no processo assistencial. A humanização, nesse sentido, estende-se para além do paciente, alcançando também aqueles que o acompanham em sua trajetória de saúde. 

O Projeto de Lei nº 883/2020, em tramitação no Senado Federal, propõe regulamentar a prática dos cuidados paliativos nos serviços públicos e privados, assegurando que todo paciente em fase avançada de doença tenha acesso a cuidados adequados, sem prejuízo de outros tratamentos necessários. Essa proposta reforça a necessidade de formação específica dos profissionais de saúde, incluindo os enfermeiros, para que possam atuar com competência e sensibilidade diante das complexidades da terminalidade clínica. 

A comunicação efetiva, como destaca Telles e Silva (2025), é um dos pilares da atenção humanizada. O enfermeiro, ao estabelecer um diálogo claro e acolhedor com os familiares, contribui para a compreensão do quadro clínico, para a aceitação da terminalidade e para a tomada de decisões compartilhadas. Essa prática fortalece a confiança na equipe de saúde e promove um ambiente de cuidado mais transparente e respeitoso. 

Além disso, a Teoria do Conforto de Kolcaba (2003) oferece subsídios importantes para a atuação humanizada do enfermeiro. Ao considerar o conforto como um estado holístico que envolve dimensões físicas, emocionais, sociais e espirituais, essa teoria orienta práticas que vão além do alívio de sintomas, promovendo bem-estar integral. O enfermeiro, ao aplicar esses princípios, contribui para a construção de um cuidado mais sensível, ético e eficaz. 

Portanto, o papel do enfermeiro na atenção humanizada é multifacetado e exige uma postura ética, empática e comprometida com o bem-estar do paciente e de sua família. Ao integrar práticas humanizadas à assistência e ao se alinhar às diretrizes legais e políticas públicas, o enfermeiro fortalece a qualidade do cuidado, promove dignidade e contribui para a construção de experiências mais acolhedoras e significativas no contexto dos cuidados paliativos. 

2. METODOLOGIA ADOTADA 

A presente pesquisa foi conduzida por meio de uma abordagem bibliográfica e qualitativa, com o objetivo de compreender o papel do enfermeiro na atenção humanizada em cuidados paliativos oncológicos, com ênfase no acolhimento familiar, nas estratégias de comunicação e nas práticas que promovem conforto físico, emocional e espiritual ao paciente. A escolha por uma abordagem qualitativa se justifica pela necessidade de explorar, de forma interpretativa e aprofundada, as experiências relatadas na literatura científica, permitindo uma análise crítica das contribuições da enfermagem para a humanização do cuidado. 

A coleta de dados foi realizada nas bases Google Acadêmico, SciELO e PubMed, reconhecidas pela relevância e confiabilidade na área da saúde. Para orientar a busca, foram utilizados os seguintes descritores: “cuidados paliativos”, “enfermagem oncológica”, “acolhimento familiar”, “atenção humanizada” e “comunicação em saúde”. O recorte temporal adotado abrangeu publicações entre os anos de 2018 e 2025, com o intuito de garantir que os estudos selecionados refletissem os contextos mais atuais da prática profissional e das políticas públicas de saúde. 

Inicialmente, foram identificadas aproximadamente 7.000 obras relacionadas ao tema. A partir desse universo, foi realizada uma triagem sistemática, com base em critérios de inclusão e exclusão previamente definidos. Os critérios de inclusão contemplaram artigos disponíveis na íntegra, com abordagem metodológica clara, publicados dentro do recorte temporal estabelecido e que apresentassem dados relevantes sobre a atuação do enfermeiro em cuidados paliativos oncológicos. Foram excluídos estudos duplicados, resumos sem acesso ao texto completo e publicações que não abordavam diretamente os eixos temáticos da pesquisa. 

A triagem também foi orientada pela priorização de obras mais recentes, com foco em estudos que apresentassem dados atualizados, reflexões contemporâneas e contribuições relevantes para o entendimento da atenção humanizada na enfermagem. Após essa primeira filtragem, foram selecionados 100 artigos considerados pertinentes. Em seguida, foi realizada uma análise de relevância científica, diversidade geográfica dos estudos e profundidade das discussões apresentadas. Essa etapa permitiu refinar o corpus da pesquisa, resultando na escolha final de 12 obras que compõem o referencial analítico deste estudo. 

Esses 12 artigos foram organizados em categorias temáticas, permitindo a identificação de padrões, lacunas e contribuições relevantes para a compreensão do acolhimento familiar, da comunicação efetiva e da aplicação de teorias como a Teoria do Conforto de Kolcaba (2003) na prática da enfermagem. A análise foi conduzida por meio de leitura crítica e interpretação dos conteúdos, com foco na articulação entre os princípios da humanização, as diretrizes da Política Nacional de Cuidados Paliativos e a atuação ética e empática do enfermeiro. A metodologia adotada não envolveu coleta de dados primários, mas sim a sistematização de conhecimentos já consolidados na literatura, com o intuito de oferecer uma visão abrangente e fundamentada sobre o fenômeno estudado. 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 

3.1 Acolhimento Familiar como Pilar da Humanização

O acolhimento familiar, no contexto dos cuidados paliativos oncológicos, é uma prática essencial que visa promover o bem-estar emocional, psicológico e espiritual tanto do paciente quanto de seus familiares. A inclusão ativa da família no processo de cuidado não só favorece o alívio do sofrimento físico, mas também contribui para a humanização da assistência, um conceito fundamental nos cuidados paliativos. Nesse contexto, a família deixa de ser apenas uma coadjuvante no processo assistencial, assumindo um papel ativo na promoção do conforto do paciente e na tomada de decisões compartilhadas, especialmente nas situações de vulnerabilidade clínica Oliveira de Góis & Brandão, (2020). O acolhimento familiar, portanto, se apresenta como uma estratégia terapêutica fundamental, voltada para garantir que o paciente se sinta amparado, seguro e respaldado por uma rede de apoio contínua durante a trajetória de terminalidade. 

Estudos como o de Oliveira de Góis e Brandão (2020) confirmam a relevância da interação familiar dentro dos cuidados paliativos. A presença da família no processo de cuidado contribui diretamente para a qualidade de vida do paciente, reduzindo o impacto emocional da terminalidade. A aceitação do processo de adoecimento se torna mais acessível quando os familiares participam ativamente do cuidado, fortalecendo os vínculos afetivos e proporcionando uma maior tranquilidade ao paciente. Este, ao perceber o apoio constante de seus entes queridos, experimenta um processo de adoecimento menos angustiante, o que é um aspecto crucial na promoção do bem-estar. Além disso, ao se envolver nas decisões terapêuticas, os familiares desenvolvem uma compreensão mais clara sobre o processo, o que reduz o sofrimento emocional e ansiedade, tanto para o paciente quanto para os cuidadores, contribuindo para uma experiência mais equilibrada durante a fase terminal Oliveira de Góis & Brandão, (2020). 

A Teoria do Conforto de Kolcaba (2003), um marco no campo da enfermagem, proporciona um referencial teórico robusto para entender o acolhimento familiar como uma prática holística e humanizada. Segundo Kolcaba (2003), o conforto não deve ser compreendido apenas como a ausência de dor física, mas como um estado holístico, que envolve não apenas a saúde física, mas também o bem-estar psicoespiritual e social do paciente. O conforto psicoespiritual em cuidados paliativos, por exemplo, está diretamente relacionado à redução da ansiedade, ao fortalecimento da esperança e à busca por significado, componentes essenciais na experiência do paciente durante a fase terminal. Nesse cenário, a presença da família desempenha um papel mediador afetivo, que promove estabilidade emocional e espiritual. Além de fornecer suporte psicológico, a família é crucial para a construção de uma rede de apoio capaz de facilitar o enfrentamento das dificuldades emocionais que surgem durante o processo de terminalidade. O acolhimento familiar, portanto, fortalece o conforto psicoespiritual do paciente, contribuindo para sua resiliência diante das adversidades impostas pela doença Kolcaba, (2003). 

Um exemplo prático da aplicação da Teoria do Conforto é o projeto “Café com Conforto” descrito por Oliveira et al. (2025). Esse projeto consiste em encontros terapêuticos realizados com familiares de pacientes em cuidados paliativos hospitalares. Durante esses encontros, os familiares têm a oportunidade de compartilhar sentimentos, expressar suas preocupações e fortalecer suas crenças, especialmente no que diz respeito à fé e à espiritualidade, fatores que frequentemente se tornam fontes de resiliência em tempos de sofrimento. A prática de escuta ativa, aliada à partilha de experiências, contribui para a redução do sofrimento emocional e oferece aos cuidadores um espaço seguro para fortalecer os vínculos afetivos, ao mesmo tempo que os prepara para enfrentar a terminalidade de seus entes queridos. A criação de espaços terapêuticos como esses, baseados na escuta qualificada, é um exemplo claro de como o acolhimento familiar pode ser uma ferramenta eficaz na promoção do conforto emocional durante os cuidados paliativos Oliveira et al., (2025). 

No contexto da enfermagem, o enfermeiro assume um papel fundamental como facilitador da escuta e mediador da integração familiar. Sua atuação vai muito além da execução de procedimentos técnicos, exigindo uma sensibilidade e empatia que permitam compreender as necessidades emocionais dos familiares e envolver esses membros da família de forma ativa no processo de cuidado. O enfermeiro não é apenas um executor de cuidados, mas um mediador entre o paciente, a família e a equipe multiprofissional, garantindo que o cuidado seja centrado na pessoa e respeite suas crenças, valores e desejos. A habilidade de comunicação torna-se, assim, uma competência essencial, permitindo que o enfermeiro construa uma relação de confiança com a família, assegurando que as decisões terapêuticas sejam tomadas de forma colaborativa e respeitosa Moraes et al., (2024). 

Além disso, a Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP), estabelecida pela Portaria GM/MS nº 3.681/2024, reforça a importância da atenção integral e humanizada não apenas ao paciente, mas também aos familiares e cuidadores. A PNCP orienta que os cuidados paliativos devem ser oferecidos com qualidade, considerando não só as necessidades biopsicossociais do paciente, mas também a integralidade do suporte familiar. A prática de acolhimento familiar está em consonância com essa diretriz, garantindo que a assistência prestada seja não só técnica, mas também holística, atendendo às necessidades emocionais, espirituais e sociais de todos os envolvidos (Portaria GM/MS nº 3.681/2024). 

Portanto, o acolhimento familiar deve ser reconhecido como um dos pilares fundamentais da humanização nos cuidados paliativos oncológicos. A presença ativa da família, mediada por uma equipe de enfermagem bem treinada e sensível, é essencial para a criação de um cuidado mais ético, compassivo e eficaz. Esse processo não só melhora a qualidade de vida do paciente, mas também oferece o suporte necessário aos familiares, proporcionando-lhes as ferramentas para lidar com o sofrimento e fortalecendo os vínculos afetivos em um momento de extrema fragilidade. A atuação do enfermeiro, ao integrar essas práticas de acolhimento familiar em sua rotina assistencial, garante que o cuidado paliativo seja não apenas técnico, mas também profundamente humanizado, atendendo às necessidades biopsicossociais do paciente e de sua rede de apoio. Assim, é possível proporcionar um cuidado mais integral, que respeite as singularidades de cada família e contribua para a humanização do cuidado paliativo oncológico Moraes et al., (2024). 

3.2 Comunicação Efetiva entre Enfermeiro, Paciente e Família

A comunicação efetiva em saúde, especialmente no contexto dos cuidados paliativos oncológicos, é reconhecida como um pilar terapêutico fundamental, capaz de promover a humanização da assistência e facilitar decisões compartilhadas entre os envolvidos no cuidado. A atuação do enfermeiro, que mantém contato contínuo com o paciente e seus familiares, posiciona-o como mediador da comunicação, facilitando a escuta ativa e garantindo que todas as partes envolvidas compreendam o estado clínico do paciente e suas necessidades. De acordo com Telles e Silva (2025), a resistência dos familiares diante do prognóstico e a negação da terminalidade podem criar barreiras emocionais, dificultando o diálogo com a equipe de saúde. A falta de preparo emocional dos profissionais para lidar com a carga afetiva dos familiares pode comprometer a qualidade da assistência e gerar conflitos. Para superar esses desafios, estratégias como a utilização de linguagem acessível, a escuta ativa e a realização de reuniões periódicas com os familiares têm mostrado eficácia, pois garantem um cuidado humanizado e favorecem a compreensão e a aceitação da terminalidade (Moraes et al., 2024). Essas estratégias, além de promoverem confiança, também fortalecem os vínculos afetivos, fundamentais para o enfrentamento emocional da situação. 

De acordo com a Lei nº 14.758/2023, que estabelece diretrizes para a oferta de cuidados paliativos no Brasil, o acolhimento familiar deve ser uma prática prioritária, sendo garantido tanto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) quanto pelos planos de saúde. A legislação reforça a necessidade de garantir qualidade de vida ao paciente e de fornecer suporte emocional aos familiares durante o processo de terminalidade. Moraes et al. (2025) reforçam que a ausência de redes de apoio formais e informais pode gerar uma sobrecarga nos cuidadores, o que afeta diretamente a qualidade do cuidado. A abordagem multidisciplinar e a articulação de redes de apoio, incluindo o envolvimento da família, são essenciais para minimizar esse impacto e melhorar o conforto do paciente, como aponta a Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP), que orienta as práticas de cuidado integral e humanizado. O enfermeiro, ao facilitar essa comunicação contínua e transparente, não apenas promove o conforto emocional do paciente, mas também contribui para o fortalecimento da rede de apoio familiar, fundamental para a manutenção da dignidade do paciente e para o enfrentamento da dor e do sofrimento (Moraes et al., 2024; PNCP, 2024). 

Ao considerar esses pontos, é possível perceber que a comunicação eficaz entre a equipe de saúde e os familiares não se resume a uma transmissão de dados clínicos, mas envolve uma abordagem holística, onde o enfermeiro desempenha papel central na mediação da interação, garantindo que o cuidado seja centrado nas necessidades do paciente e da família. Além disso, a criação de espaços formais de diálogo, como as reuniões com familiares, se alinha com as diretrizes profissionais do Ministério da Saúde e do Manual de Cuidados Paliativos (2023), que orienta os profissionais a adotarem práticas que favoreçam a integração familiar e o acolhimento emocional em todos os níveis de cuidado. 

Essa discussão coloca em evidência a importância da capacitação contínua dos profissionais de enfermagem, especialmente no que diz respeito à comunicação e ao manejo das necessidades emocionais de pacientes e cuidadores. O cuidado não deve ser apenas técnico, mas humanizado, com um enfoque integral nas necessidades biopsicossociais do paciente e sua rede de apoio, conforme preconizado pela Política Nacional de Cuidados Paliativos e reforçado pelos estudos de Moraes et al. (2024). 

Essas práticas estão alinhadas às diretrizes da Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP), instituída pela Portaria GM/MS nº 3.681/2024, que estabelece a comunicação como um dos pilares da atenção integral e humanizada. A PNCP orienta que os profissionais de saúde devem estar capacitados para conduzir conversas difíceis, respeitar as diretivas antecipadas dos pacientes e promover decisões centradas na pessoa. Nesse sentido, a comunicação não é apenas uma habilidade técnica, mas uma competência ética e relacional que precisa ser desenvolvida e aprimorada continuamente. 

A formação continuada dos profissionais de enfermagem é, portanto, um elemento indispensável para a qualificação da comunicação em cuidados paliativos. Estudos como o de Bezerra et al. (2025) reforçam que a escassez de capacitação específica compromete a atuação dos enfermeiros diante da terminalidade clínica. Investir em educação permanente, em práticas simuladas e em protocolos de comunicação é fundamental para que o enfermeiro esteja preparado para lidar com a complexidade emocional e ética que envolve o cuidado paliativo. 

A formação continuada dos profissionais de enfermagem é, portanto, um elemento indispensável para a qualificação da comunicação em cuidados paliativos. Abobreira e Dias (2025) reforçam que estratégias como escuta ativa, acolhimento e suporte à família são essenciais para garantir uma assistência eficaz e humanizada, especialmente diante dos desafios impostos pela terminalidade clínica. 

Dessa forma, a comunicação efetiva entre enfermeiro, paciente e família deve ser compreendida como um instrumento de humanização, empoderamento e construção conjunta do cuidado. Ao promover diálogos sensíveis, respeitosos e esclarecedores, o enfermeiro contribui para a dignidade do paciente, para o acolhimento dos familiares e para a efetivação de um cuidado ético, compassivo e centrado na pessoa. 

3.3 Aplicação da Teoria do Conforto de Kolcaba 

significativas e respeitosas no enfrentamento da terminalidade. A Teoria do Conforto, desenvolvida por Katharine Kolcaba (2003), oferece uma base conceitual robusta para a enfermagem ao abordar o conforto como um estado holístico de bem estar, que abrange não apenas a ausência de dor, mas também as dimensões físicas, psicoespirituais e sociais do paciente. Nos cuidados paliativos oncológicos, onde o objetivo principal é a promoção da qualidade de vida em face de uma condição terminal e sem possibilidade de cura, a teoria de Kolcaba (2003) se torna particularmente relevante ao fornecer um quadro que permite a abordagem integral do cuidado, que vai além da gestão dos sintomas físicos. Nesse contexto, o conforto psicoespiritual e social, essencialmente ligados ao acolhimento familiar, se tornam fundamentais, uma vez que ajudam a reduzir a ansiedade e fortalecer a esperança no enfrentamento da morte iminente Kolcaba, (2003); Ferreira Costa et al., (2024).

O acolhimento familiar, uma prática essencial em cuidados paliativos, aplica diretamente os princípios do conforto no contexto oncológico, pois reconhece a família como parte fundamental do processo de cuidado, criando um ambiente seguro e de apoio mútuo. A escuta ativa, elemento-chave da Teoria do Conforto, permite que os profissionais de enfermagem não só reconheçam as necessidades emocionais do paciente, mas também as dos familiares, promovendo um cuidado que não se limita ao paciente, mas também contempla as necessidades de quem cuida Oliveira de Góis & Brandão, (2020); Telles & Silva, (2025). 

Estudos recentes, como o de Oliveira de Góis & Brandão (2020), confirmam que a integração da família ao processo de cuidados paliativos oncológicos têm um impacto positivo tanto no bem-estar do paciente quanto na qualidade de vida dos cuidadores. A presença ativa da família no acompanhamento clínico permite não só aliviar o sofrimento emocional, mas também favorece uma aceitação maior do processo de adoecimento e da terminalidade. Essa abordagem diminui as barreiras emocionais que muitas vezes dificultam a comunicação entre a equipe de saúde e a família, criando um ambiente colaborativo e ético, que favorece a tomada de decisões compartilhadas. Esse processo de acolhimento familiar, portanto, é uma estratégia que não apenas melhora a qualidade do cuidado, mas também fortalece a autonomia do paciente, permitindo-lhe viver com mais dignidade (Moraes et al., 2025). 

A Teoria do Conforto de Kolcaba (2003) é especialmente útil ao aplicar práticas humanizadas que envolvem as dimensões psicoespirituais e sociais do cuidado. A escuta qualificada, aliada ao suporte emocional contínuo, tem um papel fundamental na redução do sofrimento psíquico dos pacientes e de seus familiares. O conforto psicoespiritual, como ensina Kolcaba, não está apenas ligado ao alívio da dor, mas também à capacidade do paciente e da família de encontrarem significado e resiliência durante o processo de adoecimento e morte iminente. Assim, a atuação do enfermeiro vai além de uma prática clínica de cuidados, tornando-se uma ação terapêutica que integra as dimensões emocionais e espirituais da experiência do paciente Kolcaba, (2003).

Além disso, práticas como o projeto “Café com Conforto”, descrito por Oliveira et al. (2025), ilustram como a Teoria do Conforto pode ser aplicada em ambientes hospitalares de cuidados paliativos. Nesse projeto, a criação de momentos de acolhimento e escuta ativa, apoiados por atividades que promovem a expressão de sentimentos e fortalecimento da fé, tem mostrado resultados significativos na redução do sofrimento emocional dos familiares. A criação de espaços dedicados ao acolhimento familiar não só fortalece os vínculos afetivos entre os familiares, mas também atua como uma poderosa ferramenta de resiliência emocional, essencial para enfrentar a terminalidade Oliveira et al., (2025). 

No cenário da enfermagem paliativa, o enfermeiro desempenha um papel crucial como mediador da comunicação, facilitando a interação entre a equipe de saúde e a família. A prática da escuta ativa, como preconiza a Teoria do Conforto, deve ser implementada de maneira sistemática no atendimento ao paciente e seus familiares. A comunicação eficaz, o uso de linguagem acessível e a orientação contínua são estratégias que fortalecem o acolhimento familiar, criando um ambiente terapêutico mais empático e acolhedor. O enfermeiro, ao adotar essas práticas, contribui não apenas para a redução do sofrimento físico do paciente, mas também para a promoção de um cuidado humanizado, centrado nas necessidades emocionais e espirituais de todos os envolvidos Moraes et al., (2025); PNCP, (2024). 

Em termos legislativos, a Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP), instituída pela Portaria GM/MS nº 3.681/2024, reforça a atenção integral e humanizada tanto para o paciente quanto para a família. A legislação brasileira sobre cuidados paliativos alinha-se aos princípios da Teoria do Conforto, enfatizando que o cuidado deve ser multidimensional, abrangendo as necessidades biopsicossociais e espirituais do paciente. Assim, a integração da família ao processo de cuidados paliativos não é apenas uma prática recomendada, mas uma obrigação legal que visa promover o conforto e garantir um atendimento digno a todos os envolvidos, especialmente no final da vida (Lei nº 14.758/2023).

Portanto, a aplicação da Teoria do Conforto de Kolcaba (2003) na prática de enfermagem paliativa representa uma estratégia humanizada e integrada, que vai além da mera gestão de sintomas. Ao promover conforto nas dimensões físicas, psicoespirituais e sociais, o enfermeiro contribui para uma experiência de cuidado mais significativa e respeitosa, fortalecendo os vínculos familiares e garantindo um cuidado centrado na pessoa. A implementação dessas práticas não apenas melhora a qualidade de vida do paciente, mas também proporciona um apoio emocional vital para os familiares, tornando o processo de terminalidade mais digno e confortável para todos os envolvidos Kolcaba, (2003); PNCP, (2024). 

3.4 Desafios da Prática Profissional em Cuidados Paliativos 

A atuação do enfermeiro em cuidados paliativos oncológicos exige não apenas competência técnica, mas também preparo emocional, sensibilidade ética e capacidade de lidar com situações de elevada complexidade humana. No entanto, diversos obstáculos ainda comprometem a efetividade dessa prática, entre eles a sobrecarga emocional, a escassez de recursos e a insuficiência de capacitação específica para lidar com pacientes em fase terminal. Esses desafios impactam diretamente a qualidade da assistência prestada e o bem-estar dos profissionais envolvidos. 

Bezerra et al. (2025) apontam que uma das principais dificuldades enfrentadas pelos enfermeiros é a falta de preparo para lidar com as demandas emocionais e clínicas dos pacientes em cuidados paliativos. A ausência de formação específica sobre terminalidade, comunicação sensível e manejo de sintomas complexos compromete a segurança do profissional e a qualidade do cuidado. Além disso, a escassez de profissionais qualificados e o número reduzido de equipes especializadas geram sobrecarga, exaustão e sofrimento psíquico, o que pode levar ao adoecimento do trabalhador da saúde. 

Historicamente, os cuidados paliativos no Brasil começaram a ganhar visibilidade nas últimas décadas, especialmente a partir dos anos 2000, com o avanço das discussões sobre humanização da saúde e a necessidade de oferecer assistência integral a pacientes sem possibilidade de cura. No entanto, a institucionalização dessa prática ainda é recente. A criação da Política Nacional de Humanização (PNH) em 2003 foi um marco importante, pois trouxe à tona a valorização do vínculo, da escuta e do acolhimento como elementos centrais do cuidado. Apesar disso, os cuidados paliativos permaneceram por muito tempo à margem das políticas públicas, sendo oferecidos de forma fragmentada e, muitas vezes, restrita a instituições privadas ou filantrópicas. 

Somente em 2024, com a publicação da Portaria GM/MS nº 3.681, foi instituída oficialmente a Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), estabelecendo diretrizes para a organização da atenção paliativa com foco na integralidade, humanização e qualidade técnica. Essa política representa um avanço significativo, pois reconhece o cuidado paliativo como um direito do cidadão e como uma responsabilidade do Estado, incluindo também o suporte aos familiares e cuidadores. 

A Lei nº 14.758/2023 reforça esse compromisso ao estabelecer que os serviços de cuidados paliativos devem ser garantidos tanto pelo SUS quanto pelos planos de saúde, com foco na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Já o Projeto de Lei nº 883/2020, ainda em tramitação, propõe regulamentar a prática dos cuidados paliativos nos serviços públicos e privados, assegurando que todo paciente em fase terminal tenha acesso a cuidados adequados, sem prejuízo de outros tratamentos necessários. O projeto também destaca a necessidade de formação específica para os profissionais de saúde, incluindo os enfermeiros, e prevê a criação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da assistência paliativa. 

Nesse contexto, a educação continuada emerge como uma estratégia fundamental para o fortalecimento da prática profissional. Investir em capacitação técnica e emocional, por meio de cursos, oficinas, simulações clínicas e supervisão especializada, é essencial para que o enfermeiro desenvolva habilidades para enfrentar os desafios da terminalidade com segurança, empatia e competência. O suporte institucional também é indispensável, garantindo condições adequadas de trabalho, acesso a recursos terapêuticos e espaços de escuta para os profissionais. Portanto, os desafios enfrentados pelos enfermeiros em cuidados paliativos exigem respostas estruturadas, que envolvam formação contínua, suporte institucional e políticas públicas eficazes. Superar essas barreiras é essencial para garantir uma assistência humanizada, ética e centrada na pessoa, promovendo dignidade, conforto e qualidade de vida aos pacientes e às suas famílias. O fortalecimento da enfermagem paliativa no Brasil depende da valorização da prática, da consolidação das políticas públicas e do reconhecimento da importância do cuidado no fim da vida como parte integral da saúde pública. 

3.5 Impacto da Humanização na Qualidade de Vida 

A atenção humanizada nos cuidados paliativos oncológicos representa um dos pilares fundamentais para a promoção do bem-estar do paciente e de sua família. Essa abordagem, centrada na pessoa, busca reconhecer e atender às necessidades físicas, emocionais, sociais e espirituais dos indivíduos em situação de vulnerabilidade clínica. Ao considerar o paciente em sua totalidade, a humanização do cuidado contribui para a construção de experiências mais dignas, acolhedoras e significativas, especialmente diante da terminalidade. 

Ferreira Costa et al. (2024) apontam evidências de que a atuação humanizada do enfermeiro em cuidados paliativos está associada a uma melhora na sobrevida e no conforto dos pacientes. Os autores destacam que práticas como escuta ativa, acolhimento familiar, comunicação sensível e respeito às escolhas do paciente promovem não apenas alívio dos sintomas, mas também fortalecimento emocional e espiritual. Essa abordagem amplia a percepção de cuidado, transformando o ambiente hospitalar em um espaço terapêutico mais afetivo e seguro. 

A importância da abordagem holística é reforçada por diversos estudos que evidenciam os benefícios de considerar o paciente como um ser integral. A enfermagem, ao adotar essa perspectiva, reconhece que o sofrimento não se limita ao corpo, mas envolve dimensões subjetivas que precisam ser acolhidas com empatia e sensibilidade. O cuidado centrado na pessoa valoriza a autonomia, respeita os valores individuais e promove a construção de vínculos terapêuticos que favorecem o enfrentamento da doença. 

Essa prática está em consonância com os princípios éticos da enfermagem, que orientam o profissional a atuar com respeito, compaixão, justiça e responsabilidade. A humanização do cuidado exige do enfermeiro uma postura ética que vá além da técnica, envolvendo compromisso com a dignidade do paciente e com a promoção de um ambiente de cuidado que respeite suas singularidades. A escuta qualificada, o acolhimento das emoções e o suporte à família são expressões concretas desses princípios no cotidiano assistencial. 

A Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP), instituída pela Portaria GM/MS nº 3.681/2024, reforça a importância da atenção humanizada como diretriz central da assistência paliativa. Essa política estabelece que os cuidados devem ser prestados de forma integral, com qualidade técnica e sensibilidade humana, estendendo-se também aos familiares e cuidadores. A PNCP reconhece que o cuidado paliativo não se limita ao controle de sintomas, mas envolve a promoção da qualidade de vida em todas as suas dimensões. 

Portanto, a humanização nos cuidados paliativos oncológicos não é apenas uma diretriz ética ou política, mas uma prática transformadora que impacta diretamente a experiência do paciente e de sua família. Ao promover um cuidado sensível, ético e centrado na pessoa, o enfermeiro contribui para a construção de trajetórias de cuidado mais dignas, confortáveis e respeitosas, reafirmando o compromisso da enfermagem com a vida, mesmo diante da finitude. 

3.6 O Enfermeiro como Mediador do Processo de Terminalidade

A fase ativa de morte representa um dos momentos mais delicados e complexos no cuidado paliativo oncológico. Nesse contexto, o enfermeiro assume um papel essencial como mediador entre o paciente, a família e a equipe multiprofissional, promovendo dignidade, escuta qualificada e cuidado ético. Sua atuação vai além da técnica, exigindo sensibilidade para lidar com o sofrimento, respeito às diretivas antecipadas e capacidade de facilitar decisões compartilhadas em um momento de profunda vulnerabilidade. 

Gatti et al. (2024) destacam que os enfermeiros enfrentam desafios emocionais significativos ao acompanhar pacientes em fase terminal, especialmente quando há vínculos afetivos estabelecidos. A proximidade com o paciente e sua família exige do profissional habilidades para acolher o sofrimento, lidar com o luto antecipado e manter a serenidade diante da finitude. A ausência de preparo específico para essa etapa, como apontado pelos autores, pode gerar insegurança, sobrecarga emocional e dificuldades na condução do cuidado. 

A escuta qualificada e a empatia são ferramentas fundamentais para o enfermeiro nesse processo. Ao acolher os sentimentos do paciente e da família, o profissional contribui para a construção de um ambiente terapêutico mais humano, onde o sofrimento é reconhecido e respeitado. Essa postura favorece a aceitação da terminalidade, fortalece os vínculos afetivos e permite que o cuidado seja conduzido com serenidade e respeito às escolhas individuais. 

A Política Nacional de Cuidados Paliativos (Portaria GM/MS nº 3.681/2024) orienta que o cuidado na fase final da vida deve ser centrado na pessoa, com atenção integral e humanizada. O enfermeiro, ao atuar como mediador, contribui para a efetivação desses princípios, garantindo que o paciente tenha acesso a um cuidado digno, confortável e respeitoso até seus últimos momentos. Essa atuação também envolve o suporte à família, que precisa ser orientada, acolhida e fortalecida para enfrentar o processo de perda. 

Além disso, legislações como a Lei nº 14.758/2023 e o Projeto de Lei nº 883/2020 reforçam o direito ao cuidado paliativo adequado, incluindo a fase ativa de morte. Essas normativas reconhecem que o enfermeiro deve estar capacitado para atuar com competência técnica e sensibilidade humana, promovendo conforto, alívio do sofrimento e respeito à autonomia do paciente. 

Portanto, o enfermeiro como mediador do processo de terminalidade desempenha um papel estratégico na promoção de um cuidado ético, compassivo e centrado na pessoa. Ao integrar escuta, empatia e conhecimento técnico, o profissional contribui para que o fim da vida seja vivido com dignidade, acolhimento e paz, reafirmando o compromisso da enfermagem com a humanização da assistência. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A presente pesquisa teve como objetivo compreender a relação entre o acolhimento familiar e a qualidade de vida de pacientes em cuidados paliativos oncológicos, com ênfase no papel do enfermeiro como facilitador desse processo. Partindo da problemática da sobrecarga emocional enfrentada por familiares cuidadores e da necessidade de práticas humanizadas na assistência paliativa, buscou-se analisar como o acolhimento pode ser integrado de forma sistemática à rotina assistencial, promovendo um cuidado mais diligente, ético e sensível às necessidades dos envolvidos. 

O acolhimento familiar se destaca como uma intervenção que transcende o cuidado clínico, sendo uma ação estratégica na promoção de um ambiente terapêutico mais seguro e compassivo. A capacitação contínua dos profissionais de saúde, particularmente dos enfermeiros, deve ser uma prioridade nas políticas educacionais. A formação especializada em cuidados paliativos, que inclua o treinamento para lidar com as questões emocionais e sociais dos pacientes e suas famílias, é fundamental para garantir que o acolhimento familiar seja praticado de forma eficiente. A Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP), estabelecida pela Portaria GM/MS nº 3.681/2024, reforça que essa capacitação deve ser contemplada nas práticas institucionais, promovendo estratégias educativas e de formação contínua (PNCP, 2024).

A integralidade do cuidado, que considere todos os aspectos do paciente e da família, deve ser a base do modelo assistencial, com ênfase na humanização e no suporte emocional. A literatura revisada mostra que práticas de acolhimento humanizado devem ser estruturadas e sistematizadas, com base em modelos como a Teoria do Conforto de Kolcaba, para criar ambientes terapêuticos efetivos. O enfermeiro, como mediador central, contribui para o fortalecimento dos vínculos afetivos, diminuindo as barreiras emocionais e proporcionando um suporte contínuo aos familiares e ao paciente. No entanto, a formação contínua da enfermagem, com foco nas necessidades emocionais de ambos, paciente e familiares, precisa ser fortalecida, visto que muitos enfermeiros ainda enfrentam dificuldades em lidar com o sofrimento emocional dos pacientes e seus cuidadores (Ferreira Costa et al., 2024). 

A interpretação crítica dos resultados, à luz da literatura revisada, confirma que o envolvimento familiar no cuidado paliativo melhora a adesão ao tratamento, fortalece os vínculos afetivos e amplia a percepção de dignidade no processo de terminalidade. As implicações teóricas do estudo reforçam a importância de modelos humanizados na enfermagem, enquanto as implicações práticas apontam para a necessidade de capacitação contínua dos profissionais, estruturação de políticas públicas e valorização do cuidado centrado na pessoa. A escuta ativa, ao ser praticada de forma constante e sistemática, garante que as necessidades emocionais de todos os envolvidos sejam atendidas de maneira personalizada. Com isso, cria-se um espaço onde as preocupações dos familiares são validadas, e o paciente sente-se apoiado, com a dignidade preservada em todas as suas fases de vida. É importante ressaltar que a aplicação contínua dessas práticas durante o processo de terminalidade ajuda a fortalecer a autonomia do paciente, permitindo-lhe tomar decisões sobre seu próprio cuidado, em um processo de autodeterminação. A literatura revisada enfatiza que o acolhimento familiar é uma prática que não só promove o bem-estar, mas também é um fator de proteção emocional e psicológico para os cuidadores, como apontado por Moraes & Santana (2024).

Entre as limitações do estudo, destaca-se a restrição metodológica relacionada à abordagem exclusivamente bibliográfica, o que impede a coleta de dados primários e a análise direta das experiências dos pacientes e familiares. Além disso, o recorte temporal e geográfico dos estudos selecionados pode ter limitado a diversidade de contextos e práticas analisadas. A escassez de publicações específicas sobre acolhimento familiar em determinadas regiões e a predominância de estudos realizados em ambientes hospitalares também representam pontos que podem ter influenciado os resultados. A literatura disponível foi, em grande parte, focada em contextos urbanos e hospitalares, o que pode não refletir a realidade de unidades de cuidados paliativos em contextos rurais ou domiciliares, onde as dinâmicas de cuidado familiar e de apoio social podem ser distintas. Isso ressalta a necessidade de investigações futuras que considerem as particularidades de contextos mais diversos, incluindo cuidados paliativos domiciliares e em comunidades rurais, com uma abordagem qualitativa mais aprofundada. 

Para futuras pesquisas, recomenda-se a realização de estudos de campo com abordagem qualitativa, envolvendo entrevistas com pacientes, familiares e profissionais de enfermagem, a fim de aprofundar a compreensão sobre as vivências e desafios do acolhimento familiar. Sugere-se também a investigação de práticas de acolhimento em contextos domiciliares e comunitários, bem como a análise da efetividade de programas institucionais voltados ao suporte emocional dos cuidadores. Além disso, novos recortes temáticos podem explorar o impacto da espiritualidade, da cultura e das redes de apoio na experiência do cuidado paliativo, ampliando o olhar sobre a integralidade da assistência. A presença de contextos culturais diversos e a interação com práticas de cuidado espiritual podem abrir novas dimensões para a prática da enfermagem e enriquecer o suporte aos pacientes e seus familiares. A articulação com políticas públicas locais também deve ser considerada, garantindo que os programas de acolhimento familiar recebam apoio contínuo. 

Em síntese, este estudo reafirma que o acolhimento familiar é um componente indispensável da atenção humanizada em cuidados paliativos oncológicos. O enfermeiro, ao assumir esse papel com sensibilidade e preparo, contribui para a construção de um cuidado mais digno, compassivo e transformador. Este trabalho reforça a importância da comunicação eficaz, da escuta ativa e da utilização de teorias como a de Kolcaba (2003), que fornecem um framework teórico robusto para a prática de cuidados que consideram a totalidade do paciente, incluindo suas dimensões emocionais, espirituais e sociais. A prática de acolhimento familiar, mediada por uma equipe de enfermagem preparada e atenta às necessidades biopsicossociais, fortalece a qualidade de vida dos pacientes e alivia o sofrimento de suas famílias, proporcionando um cuidado integral que respeita e valoriza as pessoas em sua totalidade. 

REFERÊNCIAS 

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TELLES, Claudete; SILVA, Gleyce Kelly. A importância da comunicação efetiva entre a equipe de enfermagem e a família em cuidados paliativos na UTI. Revista Saúde dos Vales, Rio Verde, v. 10, n. 1, p. 1–10, 2025. DOI: https://doi.org/10.61164/7res6r34. Acesso em: 22 jul. 2025.


1Acadêmico (a) do Curso de Graduação Bacharelado em Enfermagem. Faculdade da Amazônia – UNAMA Rio Branco-Acre.
2Acadêmico (a) do Curso de Graduação Bacharelado em Enfermagem. Faculdade da Amazônia – UNAMA Rio Branco-Acre.
3Docente do Curso de Graduação Bacharelado em Enfermagem na Faculdade da Amazônia – UNAMA Rio Branco Acre.