O IMPACTO DA ESTÉTICA DO SORRISO NA AUTOESTIMA E VIDA SOCIAL NOS PACIENTES DA CLÍNICA ODONTOLÓGICA  DE UMA IES DE PORTO VELHO – RO 

THE IMPACT OF SMILE AESTHETICS ON SELF-ESTEEM AND SOCIAL LIFE IN PATIENTS AT THE DENTAL CLINIC OF A HIGHER EDUCATION INSTITUTION IN PORTO VELHO, RO 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202510311952


Luan Samuel Viana Trajano da Silva1 
Aline Vitória Nascimento de Abreu
Regina Márcia Serpa Pinheiro
Carina Lélia Muniz
Layla Fernanda Machado Sousa


RESUMO

A estética do sorriso tem sido cada vez mais valorizada e está diretamente relacionada à forma como o indivíduo percebe a si mesmo e se posiciona em contextos sociais e profissionais. Este estudo teve como objetivo analisar a percepção que os pacientes da Clínica Odontológica – Afya Centro Universitário São Lucas/RO, possuem sobre a estética de seu sorriso e investigar possíveis impactos psicossociais associados. Foi aplicado o Questionário de Impacto Psicossocial de Estética Dental (PIDAQ), em pacientes em atendimento no Centro Odontológico. A análise dos pacientes demonstrou predominância do gênero feminino (75%), com renda mensal entre R$500 e R$ 2000. Revelou níveis intermediários de impacto psicológico, embora exista certo nível de insatisfação estética, a maioria dos indivíduos mantém uma percepção social positiva, sem grandes restrições no convívio, um certo nível de aceitação pessoal e muitos indivíduos ainda associam a aparência dental à sua segurança e autoestima. Compreender o perfil, as percepções e as expectativas dos pacientes, bem como os efeitos na dimensão psicossocial, são fundamentais para que esses aspectos possam ser levados em conta no planejamento de um tratamento proposto, favorecendo uma maior interação e comunicação entre o profissional e paciente. 

Palavras chave: Autoimagem. Estética Dentária. Satisfação Pessoal. 

ABSTRACT:

Smile aesthetics have been increasingly valued and are directly related to how individuals perceive themselves and position themselves in social and professional contexts. This study aimed to analyze the perception that patients at the Dental Clinic – Afya Centro Universitário São Lucas/RO have about the aesthetics of their smile and to investigate possible associated psychosocial impacts. The Psychosocial Impact of Dental Aesthetics Questionnaire (PIDAQ) was administered to patients receiving care at the Dental Center. Analysis of the patients showed a predominance of females (75%), with monthly incomes between R$500 and R$2000. It revealed intermediate levels of psychological impact. Although there is a certain level of aesthetic dissatisfaction, most individuals maintain a positive social perception, without major restrictions in their social lives, a certain level of personal acceptance, and many individuals still associate dental appearance with their security and self-esteem. Understanding the profile, perceptions, and expectations of patients, as well as the effects on the psychosocial dimension, are fundamental so that these aspects can be taken into account in the planning of a proposed treatment, favoring greater interaction and communication between the professional and the patient. 

Keywords: Self-Concept. Esthetics Dental. Personal Satisfaction. 

INTRODUÇÃO 

A autopercepção da estética facial refere-se à avaliação ou julgamento subjetivo que uma pessoa realiza em relação à atratividade de seu próprio rosto (Duque Cabrera, 2021). Um sorriso considerado esteticamente agradável pode influenciar desde relacionamentos pessoais até oportunidades profissionais, pois a primeira impressão está frequentemente associada à aparência e expressividade facial (Vieira et al., 2018).  

Como o sorriso é um elemento crucial para a atratividade facial e para o bem estar mental e social, é possível afirmar que a autopercepção estética é subjetiva e varia de indivíduo para indivíduo, sendo moldada por experiências pessoais e pelo contexto em que cada um está inserido (Diaz-Cardenas et al., 2018) 

A insatisfação com a estética do sorriso pode ter impactos profundos na vida de uma pessoa, afetando seu bem-estar emocional e sua qualidade de vida, pois alterações na estrutura dentária que comprometem a harmonia do sorriso muitas vezes geram insegurança e baixa autoestima, levando os indivíduos a evitarem sorrir, conversar ou interagir socialmente, o que limita sua autoconfiança e influencia diretamente a forma como se percebem e se relacionam com os outros, tornando-se um fator relevante para sua saúde mental e social (Oliveira et al., 2020). 

A forma como o sorriso se apresenta pode influenciar bastante na imagem profissional de uma pessoa, pesquisas mostram que indivíduos com um sorriso bonito e bem cuidado costumam ser associados a qualidades como confiança, competência e seriedade, por isso, muitos recorrem à odontologia estética não só por questões pessoais, mas também por enxergarem esses tratamentos como uma vantagem no ambiente de trabalho, um sorriso alinhado pode fazer diferença em uma entrevista de emprego ou até mesmo na forma como alguém é percebido dentro da empresa (Nascimento et al., 2021). 

A percepção do sorriso, de um modo geral, é influenciada pela vivência dos entrevistados nas mídias sociais digitais. No âmbito da Odontologia, é essencial estudar como essa interação das mídias sociais digitais influencia nas escolhas dos pacientes, pois muitos virão ao consultório com ideias pré-definidas e estabelecidas pelo que viram na internet (Braga et al., 2021).  

A insatisfação com a estética do sorriso pode ter impactos profundos na vida de uma pessoa, afetando seu bem-estar emocional e sua qualidade de vida, pois alterações na estrutura dentária que comprometem a harmonia do sorriso muitas vezes geram insegurança e baixa autoestima, levando os indivíduos a evitarem sorrir, conversar ou interagir socialmente, o que limita sua autoconfiança e influencia diretamente a forma como se percebem e se relacionam com os outros, tornando-se um fator relevante para sua saúde mental e social (Oliveira et al., 2020).   Fonseca et al. (2023); e Chisini et al. (2024), demonstraram que uma desvantagem econômica ao longo da vida e problemas dentários foram associados à alta insatisfação com a aparência dentária entre adultos jovens. 

A procura por tratamentos estéticos tem crescido consideravelmente devido à busca constante pela estética do sorriso (Ribeiro et al., 2024). A odontologia estética tem conquistado cada vez mais espaço na prática clínica, impulsionada pelo aumento da valorização da imagem pessoal, e essa demanda crescente por tratamentos odontológicos estéticos não apenas corrige imperfeições dentárias, mas também promove benefícios psicológicos, aumentando a autoconfiança e melhorando a percepção da própria imagem (Rezende e Fajardo, 2016).  

Hoje em dia, tanto no Brasil quanto no mundo, as pessoas buscam incessantemente o sorriso perfeito. Isso pode ser atribuído aos efeitos psicológicos e emocionais que as transformações estéticas dentárias proporcionam. A constante evolução e melhoria dos materiais odontológicos, combinadas com a influência da mídia, afetam a percepção individual do que é visto como normal e belo, gerando emoções como ansiedade, desejo, aflição e angústia (Oliveira et al., 2020). 

Segundo Cavalcanti et al. (2017), a popularização de tratamentos como clareamento dental, facetas de porcelana e harmonização orofacial demonstra que os pacientes não buscam mais apenas saúde bucal, mas também um aprimoramento estético que os aproxime dos padrões de beleza estabelecidos socialmente. 

A autocrítica em relação à estética dos dentes tem crescido bastante nos últimos anos no Brasil. Esse aumento na preocupação com a aparência dental resulta em quadros de ansiedade e sentimento de culpa por negligenciar a saúde bucal. Muitas pessoas se sentem pressionadas a alcançar um padrão estético ideal, o que pode levar a uma obsessão com tratamentos odontológicos e a um estresse contínuo sobre a condição dos dentes. Os procedimentos estéticos dentais, que resultam em uma transformação do sorriso, têm efeitos significativos nos aspectos psicológicos e emocionais dos indivíduos (Siqueira et al., 2025). 

De acordo com Ugarte Alegre (2022), a satisfação com o sorriso está associada não apenas à aparência, mas também à sensação de harmonia e equilíbrio facial. Acredita-se que a melhoria da aparência dentária e a obtenção de um sorriso mais esteticamente agradável possam influenciar positivamente a autoimagem, a autoestima, a confiança social e o bem-estar emocional dos pacientes (Gonçalves, 2023; Siqueira et al., 2025).  

De acordo com Araújo et al. (2021), nas últimas décadas, houve um aumento significativo na ênfase na estética facial como um sinal de valor social. Essa realidade se reflete na Odontologia, um dos desafios nas terapias reconstrutivas é como alcançar resultados excepcionais estéticos e atender às expectativas dos pacientes, preservando ao máximo as estruturas biológicas envolvidas. Atualmente, o profissional dispõe de recursos e métodos que possibilitam a criação de sorrisos funcionais, saudáveis e estéticos de maneira mais previsível. 

Siqueira et al. (2025), destacaram que a busca por tratamentos estéticos está diretamente ligada à melhora da autoestima e da autoimagem, evidenciando que a transformação estética do sorriso tem efeito positivo sobre o bem-estar psicoemocional. Este estudo apontou ainda que pacientes submetidos a esses procedimentos apresentaram redução da ansiedade e aumento da confiança social, corroborando a importância da estética na saúde emocional. 

A estreita ligação entre a estética dental e a autoestima, além do efeito psicossocial das expectativas culturais de beleza, enfatiza a importância de um atendimento odontológico que leve em conta não só os aspectos clínicos, mas também as dimensões emocionais e sociais dos pacientes. Portanto, a odontologia moderna precisa se ajustar a essa nova realidade, proporcionando cuidados que favoreçam não apenas a saúde bucal, mas também o bem-estar psicológico, utilizando métodos que considerem as demandas funcionais e estéticas dos pacientes (Silva et al., 2024). 

A aparência desempenha um papel crucial no bem-estar físico e emocional do ser humano, ela não apenas contribui para a autoestima, mas também oferece motivação para enfrentar os desafios diários, por isso, é fundamental que, durante o planejamento do tratamento proposto pelo profissional ao paciente, sejam considerados todos os aspectos funcionais, estéticos e psicológicos, pois todos eles se relacionam diretamente com a saúde geral do indivíduo (Barreto Jo et al., 2019) 

Diante desse cenário, este estudo teve como objetivo analisar a percepção que os pacientes da Clínica Odontológica – Afya Centro Universitário São Lucas/RO, possuem sobre a estética de seu sorriso e investigar possíveis impactos psicossociais associados. A pesquisa buscou compreender como a percepção da estética dental influencia a autoconfiança e as interações sociais, estabelecendo uma relação entre a aparência do sorriso e a qualidade de vida. 

METODOLOGIA 

A presente pesquisa de caráter quantitativo, descritivo e transversal, foi realizada com pacientes atendidos na Clínica Odontológica – Afya Centro Universitário São Lucas/RO. A coleta de dados foi realizada por meio da aplicação do Questionário de Impacto Psicossocial de Estética Dental – PIDAQ-Brasil/UNIFESP, composto por 15 questões que avaliaram aspectos relacionados à autoestima, percepção da estética dentária, impacto psicossocial e qualidade de vida. A aplicação ocorreu em ambiente reservado, garantindo privacidade e conforto ao participante. Foram entrevistados 60 pacientes, com a inclusão de pacientes maiores de 18 anos, de ambos os gêneros, que estavam em tratamento ou que procuraram por procedimentos odontológicos de cunho estético. Os participantes foram abordados presencialmente na recepção da clínica, antes ou após seus atendimentos, e convidados a participar da pesquisa de forma voluntária. A participação foi voluntária, mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), garantindo o anonimato e confidencialidade das informações. O presente estudo foi realizado após sua plena aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa – Afya Centro Universitário São Lucas RO, em 05 de junho de 2025, sob o CAEE 89029425.4.0000.0013 e sob o parecer de nº 7.620.464. 

Metodologia da análise dos dados 

Os dados obtidos por meio do PIDAQ foram organizados em planilhas eletrônicas e submetidos a análise estatística descritiva. Os dados relativos às respostas ao questionário foram quantificados e apresentados em tabelas e gráficos, utilizando o programa de computador Microsoft® Excel®, o que permitiu uma análise textual detalhada e uma comparação com outros estudos científicos semelhantes. Os resultados permitiram observar de forma clara a percepção dos participantes quanto à influência da estética do sorriso em sua autoestima e vida social, possibilitando futuras discussões e reflexões sobre a importância do cuidado estético na odontologia. 

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Para este levantamento, utilizou-se uma amostra composta por 60 pacientes, divididos igualmente em três faixas etárias: 18 a 23 anos, 24 a 40 anos e 41 anos ou mais, com 20 participantes em cada grupo. Os pacientes, de ambos os gêneros, eram regularmente atendidos no Centro Odontológico – Afya Centro Universitário São Lucas/RO.  

Nesta pesquisa, observou-se predominância do gênero feminino (75%) em relação ao masculino (25%). Em relação ao nível de escolaridade, a maioria (43%) possui ensino superior incompleto e (25%) médio completo, enquanto (42%) dos participantes apresentam renda mensal entre R$ 500 e R$ 2.000 e (31%) de R$ 2000 a R$ 5000 e (7%) recebem mais de R$ 5.000,00.  A Tabela 1 detalha a distribuição desses dados. 

Tabela 01- Distribuição dos indivíduos de acordo com dados sociodemográficos (gênero, escolaridade e renda aproximada)

Resultado semelhante foi encontrado por Nascimento et al. (2021), que em uma amostra de 150 indivíduos, verificaram que (68,7%) eram mulheres e (31,3%) homens, reforçando a tendência de maior participação feminina em pesquisas sobre estética do sorriso e sua influência na aceitação social e na autoconfiança, em contraste, identificaram que apenas (26%) de sua amostra apresentavam ensino superior incompleto. Essa divergência pode ser atribuída às diferenças populacionais e regionais entre as amostras, bem como aos critérios de seleção dos participantes. Entretanto, ambos os estudos indicam que a faixa de ensino superior incompleto é significativa entre os interessados em procedimentos estéticos dentais, sugerindo que o acesso à educação formal exerce influência na valorização da estética pessoal.  

De acordo com Fonseca et al. (2023), a percepção negativa que essas pessoas têm de sua própria saúde bucal é mais influenciada pelos fatores socioeconômicos e pelos níveis de escolaridade.  

Segundo Diaz-Cardenas et al. (2018), em seus estudos, houve predominância do gênero feminino (56,8%), pertencentes a estrato socioeconômico baixo, (29,3%) com escolaridade até o ensino médio completo. A maior parcela dos avaliados no estudo de Araújo et al. (2021), era do gênero feminino (61,1%), com ensino superior (77,8%). 

Em um estudo de Ribeiro et al. (2024), a maioria foram do gênero feminino (70,0%), entre 18 e 25 anos (55,6%), renda entre 1 a 3 salários mínimos (50,0%), com nível de escolaridade, ensino médio completo (40,0%) e outros (40,0%), com ensino técnico incompleto. Os achados de Silva et al. (2024), demonstram uma predominância do gênero feminino, com (71,7%) dos participantes se identificando como mulheres. Em relação ao nível de escolaridade, observa-se que (43,4%) dos participantes possuem ensino superior incompleto. Em relação à renda familiar, a maior parte dos participantes, (69,8%), relatou receber mais de um salário-mínimo. 

A prevalência do gênero feminino é constante entre os estudos, que indicam uma maior preocupação das mulheres com a saúde e estética dental. Em diversos cenários, as mulheres tendem a procurar tratamentos odontológicos com mais frequência do que os homens. Esse comportamento demonstra uma maior pressão social sobre os padrões de beleza facial e dental impostos às mulheres na sociedade atual. 

Tabela 02 – Preocupação estética – A percepção do indivíduo sobre a aparência de seus dentes. 

Na Tabela 02, observou-se que quando questionados sobre “Eu não gosto de ver meus dentes no espelho” (30%) dos participantes relataram “mais ou menos” incomodados e outros (30%) afirmaram não se sentir incomodados “de maneira nenhuma”. Em relação ao item “Eu seguro meu sorriso para não mostrar muitos meus dentes”, (47%) disseram “de maneira nenhuma” e (25%) “um pouco”. Esses dados indicam que, embora a maioria dos participantes se sinta satisfeita com a aparência do sorriso, uma parcela ainda demonstra certo desconforto estético. 

Comparando com estudos recentes, Silva et al. (2024) aplicaram o mesmo questionário (PIDAQ) em 53 adultos e encontraram percentuais mais elevados de preocupação estética: (34%) dos entrevistados afirmaram gostar apenas “mais ou menos” de ver seus dentes no espelho, e outros (34%) relataram incômodo “bastante”. Além disso, (45,3%) disseram ajustar o sorriso para esconder os dentes em situações sociais, o que mostra uma maior prevalência de insatisfação em comparação à amostra deste estudo. 

Por outro lado, Chisini et al. (2024), analisaram uma amostra populacional bem maior (n=720) e constataram que (43,5%) dos jovens adultos apresentavam insatisfação com a aparência dentária, sendo essa percepção significativamente maior entre indivíduos com histórico de baixa renda ou mobilidade socioeconômica descendente. Assim, enquanto os estudos clínicos e o presente trabalho mostram níveis moderados de preocupação estética, o levantamento populacional de Chisini revela que condições de vida e desigualdades sociais podem aumentar a percepção de insatisfação com o sorriso. 

Tabela 03 – Impacto psicológico – como a estética dentária afeta o estado emocional, como ansiedade e autoestima. 

Na Tabela 03, referente ao impacto psicológico, quando perguntados sobre “Eu tenho orgulho dos meus dentes”, observou-se que (27%) dos participantes afirmaram  ter “bastante”, (22%) “muito” e outros (22%) “mais ou menos”. Com relação à “Eu gosto de mostrar meus dentes quando sorrio”, (28%) disseram “muito”, (27%) “bastante” e (22%) “mais ou menos”, o que demonstra boa aceitação estética entre parte dos indivíduos. No entanto (43%), afirmaram “Eu não gosto de ver meus dentes em fotos”, e (55%) relataram não “Eu tenho medo de que as pessoas possam caçoar dos meus dentes”, revelando que, embora exista satisfação em alguns aspectos, ainda há insegurança em relação à aparência dentária. Esses achados indicam uma dualidade emocional entre autoestima e preocupação estética. 

Resultados semelhantes foram identificados por Silva et al. (2024), em que (73,6%) dos entrevistados relataram sentir vergonha do sorriso, e (45,3%) afirmaram comparar o sorriso com o de outras pessoas, confirmando que o julgamento estético tem forte influência psicológica. No mesmo estudo, (39,6%) expressaram desejo de ter o sorriso de outra pessoa, o que reforça o impacto emocional da aparência bucal sobre a autopercepção. De forma parecida, o estudo de Ribeiro et al. (2024), apresentou uma média de 7,6 pontos na subescala de impacto psicológico do PIDAQ, indicando que sentimentos como insegurança e inferioridade são comuns entre pacientes com problemas estéticos, especialmente entre os que relataram presença de cáries e desalinhamentos dentários.  

Já o estudo de Ugarte Alegre (2022), demonstrou resultados opostos: a maioria dos 58 participantes (aproximadamente 80%) relatou satisfação e segurança com a própria aparência, afirmando sentir-se harmoniosa e confiante com o sorriso, o que indica menor impacto psicológico negativo. Apenas uma minoria mencionou adotar hábitos para esconder o sorriso ou sentir vergonha, revelando que, nesse grupo, a autoestima era mais elevada. 

Comparando os resultados, nota-se que o presente estudo revelou níveis intermediários de impacto psicológico, com presença tanto de auto aceitação quanto de insegurança estética, o que se aproxima dos achados de Silva et al. (2024) e Ribeiro et al. (2024), mas diverge parcialmente dos resultados de Ugarte Alegre (2022), em que a maioria demonstrou satisfação plena com o sorriso. Assim, observa-se que a percepção psicológica da estética dentária varia conforme o perfil da amostra, mas em todos os estudos analisados, a aparência dental mostrou-se um fator determinante na autoestima e no bem-estar emocional dos participantes. 

Tabela 04 – Impacto social – o efeito da estética dentária nas interações sociais. 

Na Tabela 04, referente ao impacto social, quando questionados se, “Às vezes eu fico infeliz com a aparência dos meus dentes”, observou-se que (32%) dos participantes afirmaram “um pouco” e outros (32%), “de maneira nenhuma”. Com relação “Eu fico feliz quando eu vejo meus dentes no espelho”, (23%) relataram “muito” e outros (23%) “um pouco”. Já para “Às vezes eu acho que as pessoas estão olhando para os meus dentes”, (27%) disseram “mais ou menos” e (27%) de “maneira nenhuma”. Para a pergunta “Às vezes me pego colocando minha mão em frente a minha boca para esconder meus dentes”, (58%) declararam “de maneira nenhuma” e se “Eu me sinto mal quando penso sobre como meus dentes se parecem” (50%) também afirmaram “de maneira nenhuma”. 

Esses dados demonstram que, embora exista certo nível de insatisfação estética, a maioria dos indivíduos mantém uma percepção social positiva, sem grandes restrições no convívio. De forma semelhante, Silva et al. (2024), identificaram que (45,3%) dos entrevistados afirmaram ajustar o sorriso em ambientes sociais para esconder imperfeições, revelando que o julgamento estético influencia diretamente o comportamento e as interações interpessoais. Os autores destacam ainda que a aparência dental é um fator determinante na primeira impressão e pode interferir na autoconfiança e na forma como os indivíduos se posicionam socialmente. 

Em consonância, Ribeiro et al. (2024), observaram um impacto social moderado entre os participantes, com média de 9,6 pontos no PIDAQ, indicando que, embora a maioria mantenha boa aceitação social, a preocupação com a aparência dental está presente e pode afetar as relações pessoais e profissionais. O estudo aponta que a insatisfação com o sorriso tende a ser mais evidente em pessoas com desalinhamentos dentários e manchas, refletindo em atitudes de retraimento e menor frequência de exposição social. Esses resultados reforçam o papel da estética bucal como elemento essencial na construção da imagem e da identidade pessoal, confirmando que o sorriso influencia não apenas a autoestima, mas também a forma como o indivíduo é percebido no meio em que vive. 

Corroborando essas observações, o estudo de Siqueira et al. (2025), demonstrou que pacientes submetidos a procedimentos estéticos relataram melhora significativa na qualidade de vida, principalmente nas dimensões de convivência e bem-estar social. Segundo as autoras, o aprimoramento da estética dentária promove não só um sorriso mais harmônico, mas também um fortalecimento das relações interpessoais e da confiança nas interações cotidianas. Esses achados reforçam a compreensão de que a estética dental, além de melhorar a aparência física, exerce um impacto positivo direto sobre o comportamento social, a auto expressão e a segurança emocional dos pacientes. 

  Tabela 05 – Autoconfiança dental – o nível de confiança que o indivíduo tem em relação ao seu sorriso.  

Na Tabela 05, referente à autoconfiança, observou-se que (48%) que “Comentários sobre meus dentes me irritam, mesmo quando são de brincadeira”, não os afetam “de maneira nenhuma”. Para a afirmativa “Eu gostaria que meus dentes fossem mais bonitos”, (43%) dos participantes, gostariam “muito” que seus dentes fossem mais bonitos, (30%) responderam “mais ou menos” para, “Eu estou satisfeito (a) com a aparência dos meus dentes”, (25%) estão “bastante satisfeitos”, o que indica uma autopercepção relativamente equilibrada entre satisfação e desejo de melhoria estética. 

Por outro lado, esses resultados sugerem que, embora haja certo nível de aceitação pessoal, muitos indivíduos ainda associam a aparência dental à sua segurança e autoestima. De forma semelhante, Silva et al. (2024), destacaram que (71,7%) dos entrevistados consideraram o sorriso um fator determinante na autoconfiança, e (39,6%) declararam que gostariam de ter o sorriso de outra pessoa, evidenciando a importância da estética na percepção individual de valor e bem-estar emocional. 

Em consonância, Ribeiro et al. (2024), mostraram que aproximadamente (70%) dos participantes declararam estar satisfeitos com a cor dos dentes e (60%) com a aparência geral do sorriso, embora parte dos entrevistados tenham relatado insegurança ao sorrir em público. Esses achados demonstram que a autoconfiança estética está relacionada à percepção de harmonia facial e à forma como o indivíduo acredita ser avaliado pelos outros, reforçando que a estética dentária é um dos principais componentes da autoestima e da autoimagem. 

Complementando essas observações, o estudo de Siqueira et al. (2025), evidenciou que pacientes submetidos a procedimentos estéticos odontológicos apresentaram aumento expressivo na autoconfiança e na sensação de bem-estar. As autoras ressaltam que o aprimoramento da aparência dental reduziu níveis de ansiedade e melhorou a satisfação pessoal, fortalecendo o equilíbrio emocional e o desempenho social dos participantes.  

CONCLUSÃO 

A visão positiva de um sorriso harmonioso e saudável, além do que ele simboliza para a comunidade em que se vive, leva um número cada vez maior de pacientes a se preocupar não só com a vitalidade e a boa função dos dentes, mas também com a harmonia estética que eles transmitem. 

Os resultados deste estudo convergem com a literatura recente, ao demonstrar que a valorização do sorriso impacta positivamente a autoconfiança, contribuindo para uma melhor qualidade de vida e para o desenvolvimento de atitudes mais seguras e positivas no convívio social. 

Compreender o perfil, as percepções e as expectativas dos pacientes, bem como os efeitos na dimensão psicossocial, são fundamentais para que esses aspectos possam ser levados em conta no planejamento de um tratamento proposto, favorecendo uma maior interação e comunicação entre o profissional e paciente.

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1Acadêmico do Curso de Odontologia – Afya Centro Universitário São Lucas RO
E-mail: luansamuelt8@gmail.com 

2Acadêmica do Curso de Odontologia – Afya Centro Universitário São Lucas RO
E-mail: alinevitoriia2@gmail.com 

3Orientadora e Professora  Mestre do Curso de Odontologia – Afya Centro Universitário São Lucas RO.  Email: regina.pinheiro@saolucas.edu.br. 

4Carina Lélia Muniz – Professora Mestre do Curso de Odontologia – Afya Centro Universitário São Lucas/RO. Email: leliamuniz@hotmail.com 

5Acadêmica do Curso de Odontologia – Afya Centro Universitário São Lucas RO. E-mail: laylafern28@gmail.com