O ENSINO REMOTO NO CONTEXTO DA PANDEMIA DA COVID – 19: ENTRAVES E SOLUÇÕES

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510202023


Iann Caio Silva e Silva¹
Kaylla Ferreira Pinheiro²
Liherbeth Silva Souza³


INTRODUÇÃO 

A educação, nunca passou por transformações imediatas quanto ao momento que se vivencia na pandemia da Covid-19. As medidas protetivas como o isolamento social na pretensão de não propagação do vírus obrigou os países afetados a implantarem uma série de medidas, visando impedir a disseminação dessa doença. Essas medidas forçaram mudanças na educação, buscando novos métodos de ensino para atender o aluno que se encontra impossibilitado de frequentar a escola durante o período pandêmico.   

Devido às orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), os Estados tiveram que se adaptar ao contexto da Covid-19, graduando medidas protetivas que ocorreram por meio de decretos federais, estaduais e municipais, que davam diretrizes para a população de forma geral dentre estes: a determinação do fechamento de escolas, faculdades e universidades e demais instituições privadas, além de estabelecimentos públicos que diminuíram o seu contingente de funcionários para atendimento presencial principalmente aqueles considerados do grupo de risco de contaminação pelo vírus. 

Nesse novo contexto, a educação de forma geral sofre grandes mudanças, se adequando à nova realidade.  Defourny Vincent, Diretor de Informações Públicas da UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), em entrevista a ONU News, em 26 de março de 2020, afirma que “A UNESCO aconselha a aliviar o impacto sobre o currículo escolar de várias formas. A primeira coisa é fazer o uso mais extensivo possível de todos os recursos à distância, que podem ser pela internet, pela rádio, pela televisão e todas as formas que permitem aprender e manter contato com a aprendizagem…”.  Com base nessa informação da UNESCO, as escolas e universidades tiveram que garantir o ensino aprendizagem aos alunos através do ensino remoto, do ensino híbrido, entre outros. O ensino remoto foi visto entre o Conselho de Educação Nacional (CNE) como a opção mais viável para atender a proposta de ensino nas escolas, faculdades e universidades. 

Em algumas instituições educacionais das redes públicas e privadas no Brasil aconteceram a suspensão das atividades presenciais, porém surgiu a necessidade de se adequar aos novos paradigmas que apareceram a partir da implementação do ensino remoto. Este surge com a proposta de manter a rotina de sala de aula vigente e em ambiente virtual, acessado por aqueles envolvidos a partir de diferentes localidades, ou mesmo a utilização de diversas metodologias que favoreçam além da interatividade aluno-professor/ professor-aluno. 

Na perspectiva do aluno, esta proposta remota e não presencial vem se tornar viável tanto considerando os aspectos geográficos e sociais, quanto econômicos. Esse aluno precisará, além dos recursos e ferramentas técnicas, de mais motivação e disciplina para o estudo. Sabe-se ainda que esta não seria tarefa fácil para o docente, garantir uma didática diferenciada para o discente nesta modalidade remota, visto que até mesmo para aquele o momento não foi planejado.  

As metodologias ativas despertam o interesse pelas atividades, por oferecerem recursos lúdicos e práticos aos alunos. Porém, países como o Brasil, não estavam preparados para essas mudanças na Educação Básica e nem no Ensino Superior. Mas, a urgência da crise obrigou a adaptação ao novo cenário.  

Professores se adequando e criando estratégias para que atingissem o seu público alvo, proporcionando aos seus alunos a possibilidade de enfrentar a pandemia do COVID19 através da educação, a partir de um sistema de mútua colaboração: família – escola. Enfim, diante do cenário de pandemia, este artigo propõe apontar os entraves e as possíveis soluções encontradas durante o processo de ensino e aprendizagem nesse novo cenário social. Ressalta também, tópicos importantes que direcionam a compreensão da modalidade da Educação à Distância, a importância da tecnologia e possíveis soluções da aplicabilidade do Ensino Remoto. 

1. METODOLOGIA  

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com base na revisão integrativa de leitura, a qual viabiliza a aplicação de estratégias científicas que se restringe a via de seleção de artigos, e-books, e sites científicos. Por meio desta abordagem metodológica foi possível analisar a temática pela ótica dos referenciais que se encontram no corpo do trabalho, apresentando os tópicos referentes à temática e encontrando os entraves e possíveis soluções para atender as necessidades da educação brasileira em tempo de pandemia.  

A revisão bibliográfica tem diversos escopos de literatura, entre os quais se buscou proporcionar um aprendizado sobre os tópicos apresentados, bem como possibilitar a identificação e seleção dos métodos e técnicas que podem ser usados pelos pesquisadores. 

Boccato (2006) por sua vez, ratifica a importância da pesquisa bibliográfica nos trabalhos científicos que, a partir de uma análise consubstanciada oferta ao pesquisador uma compreensão mais lúcida e concisa do conteúdo abordado, tornando uma pesquisa qualitativa mais precisa no meio acadêmico. 

2. ENSINO REMOTO NO CONTEXTO DA PANDEMIA DA COVID – 19: ENTRAVES E SOLUÇÕES 

A educação é alicerce para qualquer cidadão em sociedade, ela possibilita conquistas, sejam elas intelectuais, financeiras, sociais e culturais. É a base para a construção de uma sociedade melhor estruturada e solidificada. É através dela que o homem se constrói como parte fundamental desta mesma entidade. A Educação a |Distância (EAD) é uma modalidade que proporciona o conhecimento a romper fronteiras e está assegurada pelas Leis de Diretrizes e Bases (LDB) 9.394/96, em seu Artigo. 80, o qual ressalta:  

O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada.
§ 1º A educação a distância, organizada com abertura e regime especiais, será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União.
§ 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância. (LDB, 1996) 

Neste contexto, é possível perceber que o Brasil avançou muito nesta modalidade, possibilitando cursos técnicos, superiores, formação continuada entre outras oportunidades para a população brasileira e também para pessoas de outros países. Esta modalidade contempla e proporciona mais conhecimento à população que faz uso da tecnologia e do mundo virtual. As tecnologias educacionais começaram a despertar a atenção do mercado. As plataformas de ensino on-line surgiram como uma possibilidade inovadora e, aos poucos, as instituições foram experimentando as ferramentas que permitiam o aprendizado virtual. 

É importante que se compreenda a diferenciação entre o Ensino Remoto e a Educação à Distância (EAD), visto que muitos se confundiram acerca dessa modalidade durante a implementação do Ensino Remoto no início da pandemia. O Ensino Remoto baseia-se na ideia de que o professor reproduz a rotina de sua sala de aula por meio de interações com seus alunos, assim como aconteceria na sala de aula presencial, podendo acontecer de forma virtual, sem precisar de uma plataforma específica, podendo utilizar aplicativos mais acessíveis.  

É nesse momento que aparece a dinâmica do profissional de educação. Instituições mais organizadas se adequaram facilmente à realidade da Educação à Distância. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), esta modalidade de ensino pode ser considerada como: 

(…) a modalidade educacional na qual alunos e professores estão separados física ou temporalmente e por isso, faz-se necessária a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação. Essa modalidade é regulada por uma legislação específica e pode ser implantada na educação básica e na educação superior. (MEC, 2018) 

Neste sentido, é importante ressaltar que inúmeras instituições realizaram formatura de graduação, especialização, mestrado, doutorado entre outros cursos, tudo de forma online, não-presencial. Tudo isso, faz refletir que esta modalidade garante ensino e conhecimento de qualidade, mesmo quando professores e alunos estão em lugares diferentes, pois a educação acontece através dos recursos tecnológicos de informação e comunicação. O diferencial da Educação à Distância é que o conteúdo é assíncrono e auto instrucional, com a flexibilidade do tempo, com autonomia para o aluno estudar em qualquer horário. As vídeo-aulas podem ser gravadas e sempre há a figura do professor para acompanhar as atividades e tirar as dúvidas dos alunos. Sabe-se ainda que existem alguns autores reforçam a importância das metodologias ativas os quais apontam que o desafio… 

(…) se apresenta nessa balança de pontos fortes/fracos é conseguir associar características das metodologias ativas com as vantagens e recursos dos ambientes virtuais de aprendizagem e das TICs. Para Sardo (2007), isso pode proporcionar uma experiência de aprendizado criativa, inovadora e que vai ao encontro das expectativas dos educadores e educandos do século XXI. (FONSECA e MATTAR, 2017). 

Vale ressaltar que no contexto atual todas essas medidas tomadas relacionadas à metodologias e às práticas de ensino surgiram como proposta para que tanto professores quanto alunos deem continuidade ao processo educacional mesmo à distância. O objetivo é a colaboração para que estes indivíduos que compõem a educação se mantenham conectados e interajam entre si, proporcionando a todos momentos de convivência virtual, de interatividade, pois, além dos conteúdos, o diálogo e a criatividade são elementos que fazem a diferença no contexto educacional. 

A pandemia da Covid-19 causou impacto que afetou todos os setores da sociedade. No que se refere ao setor educacional, muitas instituições de ensino precisaram interromper suas atividades presenciais por um período até conseguirem reestruturar o seu modo de funcionamento ao novo cenário. Algumas passaram por esse processo de forma tranquila, pois já realizavam atividades virtuais na realidade escolar, enquanto outras viveram semelhante corrida contra o tempo para evitar que as portas fossem fechadas, no caso de instituições privadas, e as públicas com o intuito de atender uma das necessidades primordiais da sociedade – o ensino. 

Existe um debate nas ciências sociais sobre ser possível conhecer melhor a verdade e a qualidade das instituições de dada sociedade em situações de normalidade, de funcionamento corrente, ou em situações excepcionais, de crise.  Talvez os dois tipos de situação sejam igualmente indutores de conhecimento, mas certamente nos permitam conhecer ou ressaltar coisas diferentes. Que potenciais conhecimentos decorrem da pandemia do coronavírus?   (Santos, 2020). 

Vale repensar, que se não fossem os recursos tecnológicos, seria muito mais difícil em idealizar alternativas para manter professores e estudantes conectados, ativos. Essa foi a alternativa encontrada mais compreensível e adequada para continuar com o calendário escolar. Com o Ensino Remoto sendo adotado no país, a tecnologia se tornou uma ferramenta essencial para aplicação de aulas síncronas (em tempo real) e assíncronas (em tempo diferente). 

No caso das aulas síncronas, o docente faz uso de meios digitais para estabelecer conexão com os alunos e assim iniciar a sua aula. O docente utiliza em sala virtual ferramentas como Google meet, Google Class Room, dentre outros, e há casos onde as escolas, faculdades e universidades oferecem suas próprias ferramentas de sala de aula virtual.  O docente também utiliza meios de comunicação com seus alunos através de e-mails e redes sociais. É inquestionável a mudança de paradigmas educacionais no que se refere às influências tecnológicas. Rodrigues (2008) afirma que o mundo tem ficado cada vez mais digital, e as várias formas de fazer a coisa remotamente mais evidente. Na educação não é diferente. Acreditamos que a Educação presencial será sempre necessária, mas é inquestionável que as tecnologias no mundo da Educação estão criando raízes cada vez mais profundas.  

Com o avanço das tecnologias digitais de informação possibilitou a criação de ferramentas que podem ser utilizadas pelos professores em sala de aula, o que permite maior disponibilidade de conteúdos e recursos para o educando, tornando o processo educativo mais dinâmico, eficiente e inovador. Nesse sentido, o uso das ferramentas tecnológicas na educação deve ser visto sob a ótica de uma nova possibilidade de ensino, que proporciona o acesso digital dos educandos dos conteúdos, isto é, o aluno passa a interagir com diversas ferramentas que o possibilitam a utilização dos seus esquemas mentais a partir do uso racional e mediado da informação.  Percebe-se, que com a evolução gradativa da tecnologia e sua utilização no contexto escolar pode favorecer o processo de ensino aprendizagem, tornando-o mais eficaz, com foco no desenvolvimento do aluno em todas suas vertentes, principalmente direcionando-as para a realidade social em que estão inseridos. 

Tratando-se do ensino remoto, vários foram os entraves que surgiram para a sua efetiva realização. É próprio dessa modalidade de ensino que se estabeleça a interatividade virtual. Portanto, diante dessa condição, surge o primeiro entrave – o acesso à internet. É de conhecimento de todos que parcela significativa da população deste país não tem acesso à rede mundial de computadores. Para ser mais realista, essa mesma parcela não dispõe sequer de computadores ou celulares que facilitariam a prática pedagógica neste período, tornando-se, portanto, um segundo entrave. 

De acordo com dados da pesquisa TIC Kids Online, realizada em 2019, 4,8 milhões de crianças e adolescentes, entre 9 e 17 anos, não têm acesso à internet. Baseado nesse dado estatístico, como a pandemia da Covid-19 acentuou a desigualdade na educação, e tornou mais comum a diferença de um aluno com família carente para um aluno de classe média. Enquanto alunos com mais estruturas avançam mesmo com dificuldades no ensino remoto, uma outra parcela dos alunos, locais e condições mais carentes não conseguiu se manter conectada e com isso foi perdendo tanto conteúdo quanto entusiasmo e ritmo de estudo. Diante desse novo fazer pedagógico, com a possibilidade de utilização de novas propostas pedagógicas e metodológicas, afirma Oliveira (2003) que, 

No contexto das propostas  pedagógicas  e opções metodológicas emergentes,  o  uso  das  novas/novíssimas  tecnologias  da  informação  e  da comunicação    não    garante    a    inovação    educacional,    pois    o    salto transformador  depende  da  forma  como  os  instrumentos  tecnológicos  são utilizados  para superar  a  reprodução  do  conhecimento  e  contribuir  com    a produção   de   um      saber  significativo   e   contextualizado,   para   o desenvolvimento de competências, habilidades e atitudes imprescindíveis à construção   de   uma vida   e   de   um   mundo   melhores   para   todos, (re)significando  o  conhecimento  científico  que  ensina  a  viver    e  traduz-se num saber prático. 

Neste contexto, pode-se acrescentar a necessidade da formação do próprio professor no que se refere às tecnologias aplicadas à educação. Essas formações geralmente requerem um investimento financeiro por parte do docente. E quando ofertadas pelo governo não atendem a quantidade significativa da categoria. Sendo necessário, portanto, um investimento pessoal do professor na sua formação continuada.  

Outro fator interessante a ser citado é a própria falta de estrutura funcional das escolas. Durante muitos anos se falou em investimento no setor tecnológico das escolas para atualizar os alunos no contexto educacional mundial. Mas o que se percebe é que houve pouquíssimo investimento nessa área, tanto que muitas escolas foram pegas despreparadas para oferecer um espaço de uso coletivo dessas ferramentas durante esse período. Restando ao professor que utilizasse o ambiente do seu lar e suas ferramentas pessoais para acontecer a educação no país. De acordo com Moreira (2012), Moreira e Monteiro (2012, 2015): 

É, pois, urgente e necessário transitar deste ensino remoto de emergência, importante numa primeira fase, para uma educação digital em rede de qualidade. Mais do que a transferência de práticas presenciais urge agora criar modelos de aprendizagem virtuais que incorporem processos de desconstrução e que promovam ambientes de aprendizagem colaborativos e construtivistas nas plataformas escolhidas. 

Por fim, pode-se salientar como entrave para a realização do ensino remoto a falta de conhecimento, habilidades e até apropriação das ferramentas pelos alunos, visto que a maioria não tem formação na escola que contemple essa área de conhecimento tão importante nos dias atuais. Grande parte das escolas públicas e privadas não oferecem a noção básica de manejo da máquina e programas aos alunos, e em muitos casos o laboratório fica indisponível por falta de profissional competente ou mesmo subutilizado.  

Diante das problemáticas apresentadas relacionadas ao Ensino Remoto, uma solução mais imediata para não parar o ensino e assim não atrasar o calendário do ano letivo, algumas escolas adotaram a elaboração de atividades as quais eram impressas e entregues aos alunos. Estes, após a realização das mesmas entregavam-nas na própria escola e estas eram devolvidas aos professores, estes, por sua vez, faziam as devidas correções e as devolutivas para os discentes com intermédio das escolas. Essa estratégia ajudou as famílias que não tinham condições financeiras e arcar com a impressão de atividades e nem ferramentas para interagir virtualmente. 

Segundo a pesquisa Planejamento das Secretarias de Educação do Brasil para ensino remoto, desde o início da pandemia, 18,9% das redes municipais enviaram materiais digitais aos estudantes por meio dos professores das turmas. E 6,4% disponibilizaram materiais impressos para os alunos que não possuem equipamentos ou conectividade em casa. No âmbito das estaduais, 40% afirmam ter como proporcionar aprendizagem remotamente, a partir de conteúdos digitais. 

As atividades ainda se realizavam através de envio de atividades e vídeo aulas por meio de mídia ou canais de comunicação como o aplicativo whatsapp, ferramentas ofertados pelo Google (google meet e google forms). Porém, estes recursos não atendiam parcela significativa do público envolvido, por questões financeiras e mesmo de localização, pois muitos se encontram em áreas que não tem oferta de sinal de internet de qualidade.  

Devido ao modelo adotado, muitos estudantes de famílias carentes têm enfrentado dificuldades. Como não há nenhum recurso digital para essas famílias carentes, os estudantes estudam através do material que a escola disponibiliza (atividades impressas), porém, muitos não têm contato com os professores, e geralmente quem faz esse papel de educador são os pais. No entanto, como alguns pais não têm nem sequer o ensino médio completo, então o aprendizado fica com esse déficit negativo para esses alunos. Nesse caso, o Conselho Nacional de Educação (CNE), recomendou que caso os alunos não desenvolvessem o bom desempenho, ou não fossem assíduos nas aulas, era evitar a reprovação escolar, por conta da situação atípica de aprendizagem na pandemia da Covid-19. 

Outra forma de atingir os docentes foi a oferta de cursos nos mais diversos meios de comunicação, mesmo que de caráter emergencial e no formato online que dessem um auxílio ao professorado. Apesar de não atender muitos da categoria, alguns se beneficiaram com a gratuidade de ofertas. Algumas secretarias municipais de educação inclusive fizeram acordos com a plataforma Google para disponibilizar aos docentes ferramentas gratuitas que auxiliassem o trabalho dos mesmos. E esta mudança a que estamos assistindo, de paradigma e de filosofia educacional, exige uma política ativa de formação docente, de apropriação digital (Henriques et al., 2015). 

Sabe-se ainda que a nova medida estabelecida pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) para o ensino, firmou-se na necessidade do uso de ferramentas digitais para acesso às aulas e compreensão do estudo aplicado. Porém, como muitos alunos têm famílias carentes e que não tem acesso à internet em casa nem aparelhos necessários para essa nova etapa de ensino, para amenizar essa desigualdade algumas instituições fizeram doações de aparelhos e/ou chips de dados móveis para que alunos de baixa renda pudessem ter acesso às suas aulas, no entanto nem todos foram contemplados com esse auxílio. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Com o surgimento da condição atípica imposta à sociedade no âmbito global, com a necessidade do isolamento social causado pela pandemia da Covid-19, mudanças no panorama educacional e no ensino surgiram concomitantemente. De acordo com as propostas deste trabalho, identificar os entraves e as possíveis soluções na dinâmica do ensino remoto em época de pandemia da COVID – 19 no contexto nacional, é importante compreender que a tecnologia continua sendo uma ferramenta imprescindível não somente nesse período pandêmico, porém, é nesse momento que fica claro a relação do rendimento, da aprendizagem e da importância da aula presencial.  

É inquestionável que recursos tecnológicos venham a ser aplicados e fazer parte do dia a dia do aluno e do professor no âmbito escolar. Porém, é preciso reconhecer que nosso país ainda não está preparado para o enfrentamento de muitos entraves que se originaram com a realidade de um novo cenário, visto que muitas escolas enfrentam a problemática de possuir alunos com recursos mínimos, e professores não preparados especificamente para ministrarem aulas online, exigível pelo sistema de ensino remoto. 

Os desafios apontados são reflexos de um sistema educacional despreparado para novas realidades e distante de ofertar o que realmente atende a nova modalidade de ensino vivenciada pelo país – o ensino remoto.  A crise provocada pela Pandemia do Coronavírus trouxe uma realidade que alarmou a educação e modificou o método de aprender e ensinar. Enfim, mesmo diante das dificuldades apresentadas, é perceptível que a busca pela superação delas é real. Mesmo que timidamente tanto o governo, por meio de elaboração de medidas emergenciais como a organização dos planos estaduais e municipais de educação, quanto os professores que diariamente criam e recriam meios de realizar suas atividades e rotinas escolares com o objetivo de alcançar todos os seus alunos e proporcionar um ensino efetivo, eficaz e de qualidade. 

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