O DESAFIO DO ENFERMEIRO NA ONCOLOGIA PEDIÁTRICA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202511191539


Bianca Rodrigues dos Santos1
Giovanna Venancio Silva1
Igor Caetano dos Anjos Santos1
Tayná Duarte de Lima1
Orientador: Silvana Flora de Melo2
Coordenadora geral: Jamila Fabiana Costa2


RESUMO

O câncer infanto juvenil representa uma das principais causas de mortalidade em crianças e adolescentes, com aproximadamente 7.930 casos diagnosticados anualmente no Brasil. Este estudo tem como objetivo analisar os desafios da enfermagem no manejo do paciente oncológico pediátrico, identificando as competências necessárias para uma atuação qualificada e humanizada. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de natureza descritiva e abordagem qualitativa, realizada nas bases de dados BVS, SciELO, LILACS e BDENF, utilizando os descritores “Oncologia Pediátrica”, “Enfermagem Pediátrica”, “Enfermagem Oncológica”, “Cuidados de Enfermagem” e “Cuidado da Criança”, combinados com operadores booleanos AND e OR, com recorte temporal de 2015 a 2025. A busca inicial identificou 247 artigos, sendo selecionados 15 para análise após aplicação rigorosa dos critérios de inclusão e exclusão. Os resultados evidenciaram desafios técnicos como o manejo da dor oncológica utilizando escalas validadas (FLACC, FPS-R, EVA), administração segura de quimioterápicos e controle de efeitos adversos; desafios emocionais incluindo sobrecarga psíquica dos profissionais, comunicação de más notícias e risco de burnout; e desafios estruturais relacionados a dimensionamento inadequado e recursos limitados. As competências necessárias englobam conhecimentos técnico-científicos aprofundados, habilidades relacionais e emocionais, domínio de instrumentos de avaliação da dor e estratégias de humanização do cuidado. Os diagnósticos de enfermagem mais prevalentes foram risco de infecção, dor aguda, conforto prejudicado, náusea e nutrição desequilibrada. Conclui-se que a atuação do enfermeiro em oncologia pediátrica exige formação continuada especializada, suporte psicológico institucional aos profissionais e investimento em recursos estruturais e humanos para garantir assistência de excelência, destacando-se a importância do cuidado família-centrado e da implementação de protocolos padronizados.

Descritores: Enfermagem Oncológica; Oncologia Pediátrica; Enfermagem Pediátrica; Cuidados de Enfermagem; Humanização da Assistência.

1. INTRODUÇÃO

O câncer infanto juvenil representa uma das principais causas de mortalidade em crianças e adolescentes de zero a 19 anos, sendo superado apenas por causas externas como a violência. No Brasil, a estimativa de diagnóstico entre 2023 e 2025 é de aproximadamente 7.930 novos casos de câncer infantil por ano, conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA). A região Nordeste ocupa o quarto lugar com maior incidência, apresentando taxa de 114,23 por milhão (LIMA et al., 2024). Esses números evidenciam a magnitude do desafio enfrentado pelos profissionais de saúde, especialmente pelos enfermeiros que atuam diretamente no cuidado a essa população específica.

Em relação ao perfil epidemiológico, os tipos de câncer mais frequentes na população pediátrica diferem significativamente daqueles observados em adultos. As leucemias representam o tipo mais comum de câncer infantil, correspondendo a aproximadamente 28% dos casos, sendo a Leucemia Linfoblástica Aguda a mais prevalente. Segundo Santana et al. (2017), em estudo realizado com 292 pacientes oncológicos pediátricos, a Leucemia Linfoblástica Aguda foi a neoplasia mais evidente, com prevalência no sexo masculino (59,59%). Os tumores do sistema nervoso central ocupam a segunda posição, representando cerca de 26% dos casos, seguidos pelos linfomas. A faixa etária mais acometida varia entre 1 e 4 anos, com predominância no sexo masculino em alguns tipos de câncer, embora a distribuição por sexo biológico seja relativamente equilibrada na maioria dos casos.

A oncologia pediátrica passou por transformações significativas nas últimas décadas, tornando-se uma das grandes histórias de sucesso da medicina oncológica. O câncer é considerado como um problema de saúde pública, conhecida como uma doença crônica degenerativa marcada por um crescimento desordenado e invasivo celular (NUNES et al., 2018). Por um período da história, o câncer foi considerado uma doença incurável e os sobreviventes eram os familiares do paciente que havia falecido. No entanto, como resultado de melhorias na terapia oncológica, crianças e adolescentes passaram a viver por décadas após o término do tratamento.

O cuidado da enfermagem ao público pediátrico requer um processo interativo que envolve participação e diálogo entre a enfermagem, criança e família (LIMA et al., 2024). E isso é desafiante porque necessita de recursos materiais, terapêuticos específicos e uma equipe preparada com profissionais adequados. O enfermeiro desempenha papel fundamental na oncologia pediátrica, sendo o profissional que permanece mais tempo ao lado do paciente e sua família. A atuação do enfermeiro nessa área exige habilidades de empatia e criação de vínculo com a criança e sua família, usando do conhecimento técnico-científico para orientar sobre a doença e minimizar os estigmas referentes ao câncer, sendo necessário o equilíbrio emocional, pois nem sempre o tratamento apresenta um resultado positivo (LUZ; SILVA, 2022).

Entre os principais desafios enfrentados pelos enfermeiros na oncologia pediátrica, destacam-se: a complexidade do manejo da dor oncológica em crianças, que envolve avaliação diferenciada por faixa etária e uso de escalas específicas validadas; a administração segura de quimioterápicos altamente tóxicos, exigindo rigor técnico e protocolos de segurança; o manejo de efeitos colaterais intensos como náuseas, vômitos, mucosite e neutropenia febril; o suporte emocional tanto à criança quanto à família diante do diagnóstico e da perspectiva de tratamento prolongado; a necessidade de comunicação terapêutica adaptada à idade da criança; e o enfrentamento de situações de fim de vida e aceitação de cuidados paliativos, que representa um desafio significativo tanto para as famílias quanto para a equipe de saúde (GUEDES et al., 2019).

O preparo emocional da enfermagem auxilia na sensibilização do cuidado oncológico pediátrico compreendendo e respeitando a essência pela vida ou suavizando o sofrimento e a morte (DIAS et al., 2023). O cenário da oncologia pediátrica de modo integral apresenta desafios como a grande jornada de trabalho, dificuldades financeiras e da área física, deficiência na comunicação entre os profissionais. Essa complexidade exige dos enfermeiros não apenas competência técnica, mas também habilidades emocionais e interpessoais específicas para lidar com o sofrimento infantil e familiar.

Segundo Verri et al. (2019), o enfermeiro atua no conforto, alívio, controle dos sintomas desagradáveis, suporte psicossocial e espiritual. O cuidado deve ser baseado no conhecimento técnico-científico, na humanização e nos aspectos biopsicossociais com assistência individual (RAMOS et al., 2021). A assistência de enfermagem em oncologia pediátrica transcende os cuidados meramente técnicos, envolvendo aspectos psicossociais, espirituais e familiares. Vieira, Castro e Coutinho (2016) enfatizam que a assistência de enfermagem visa proporcionar uma melhor qualidade de vida para a criança de forma individualizada, através do vínculo de confiança e amizade, minimizando o estresse e angústia frente ao câncer. A humanização na assistência permite um cuidado integral e holístico.

2. OBJETIVO

Analisar os desafios da enfermagem no manejo do paciente oncológico pediátrico.

  • Identificar as principais dificuldades encontradas pelos enfermeiros no cuidado ao paciente oncológico pediátrico;
  • Descrever as competências técnicas e emocionais necessárias para a atuação em oncologia pediátrica;
  • Analisar a importância da humanização do cuidado na assistência de enfermagem oncológica pediátrica;
  • Examinar os diagnósticos de enfermagem mais prevalentes nessa população;
  • Destacar a relevância do cuidado família-centrado no contexto oncológico pediátrico;
  • Avaliar instrumentos de manejo da dor utilizados na oncologia pediátrica.
3. MATERIAIS E MÉTODOS

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de natureza descritiva e abordagem qualitativa, que visa sintetizar o conhecimento científico disponível sobre os desafios da enfermagem na oncologia pediátrica. A revisão integrativa permite a síntese de conhecimento e a incorporação da aplicabilidade de resultados de estudos significativos na prática clínica, constituindo-se em método de pesquisa que possibilita a análise crítica e ampla de múltiplas evidências científicas disponíveis sobre determinado tema.

A questão norteadora que orientou a elaboração desta pesquisa foi formulada considerando a necessidade de compreender melhor os aspectos multidimensionais do cuidado de enfermagem neste contexto específico: “Quais são os principais desafios enfrentados pelos enfermeiros na assistência oncológica pediátrica e quais competências são necessárias para uma atuação qualificada e humanizada?”. Esta questão foi estruturada de forma a abranger tanto os aspectos técnicos quanto os aspectos relacionais e emocionais da prática profissional em oncologia pediátrica.

O presente estudo trata-se de uma pesquisa bibliográfica do tipo descritivo e a coleta de dados foi realizada através do banco de dados no portal da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Google Acadêmico e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Foram utilizadas também as bases de dados LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e BDENF (Base de Dados de Enfermagem), que constituem importantes repositórios de produção científica na área da saúde e enfermagem, abrangendo tanto publicações nacionais quanto internacionais, permitindo uma visão ampla e diversificada do tema estudado.

A estratégia de busca foi construída seguindo a classificação dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), garantindo assim o uso de terminologia padronizada e reconhecida internacionalmente. Foram utilizados os seguintes descritores: “Oncologia Pediátrica”, “Enfermagem Pediátrica”, “Enfermagem Oncológica”, “Cuidados de Enfermagem” e “Cuidado da Criança”. Os descritores foram combinados utilizando os operadores booleanos “AND” e “OR” para ampliar ou restringir a busca conforme a necessidade de maior especificidade ou abrangência dos resultados encontrados. O operador “AND” foi utilizado para combinar diferentes conceitos que deveriam estar presentes simultaneamente nos artigos, enquanto o operador “OR” foi empregado para incluir termos sinônimos ou relacionados, ampliando assim o alcance da busca.

Foram aplicados filtros específicos para refinar os resultados da busca. O período de publicação foi delimitado entre 2015 e 2025, totalizando dez anos, com o objetivo de garantir a atualidade das informações sem perder estudos relevantes que ainda mantêm sua validade científica. Os idiomas selecionados foram português, inglês e espanhol, abrangendo assim as principais publicações da América Latina e permitindo acesso a estudos internacionais relevantes. Quanto ao tipo de documento, foram incluídos artigos originais, revisões sistemáticas e estudos de caso, priorizando pesquisas que apresentassem metodologia clara e resultados substanciais. Foi aplicado o filtro de disponibilidade de texto completo gratuito, garantindo acesso integral ao conteúdo das publicações para análise aprofundada.

Os critérios de inclusão foram estabelecidos de forma criteriosa para garantir a seleção de estudos relevantes e de qualidade. Foram incluídos artigos científicos publicados em português, inglês ou espanhol, estudos dos últimos dez anos (2015 a 2025) que abordassem especificamente a atuação do enfermeiro na oncologia pediátrica, pesquisas originais que apresentassem dados primários coletados pelos autores, revisões de literatura que sintetizassem o conhecimento disponível sobre o tema e estudos de caso que ilustrassem situações práticas relevantes. Todos os artigos deveriam estar disponíveis gratuitamente em texto completo para possibilitar análise detalhada do conteúdo.

Como critérios de exclusão foram definidos: artigos duplicados encontrados em mais de uma base de dados, estudos não disponibilizados online para análise completa, publicações em outros meios que não periódicos científicos revisados por pares, editoriais e cartas ao editor sem dados substanciais, resumos de congressos e eventos científicos que apresentassem apenas informações preliminares, artigos que não respondessem diretamente à questão de pesquisa proposta e estudos que abordassem oncologia ou pediatria de forma isolada sem estabelecer a intersecção entre essas áreas.

O processo de seleção dos artigos seguiu etapas sistemáticas e bem definidas. A busca inicial nas bases de dados selecionadas identificou um total de 247 artigos potencialmente relevantes. Na primeira etapa de triagem, foram aplicados os filtros de ano de publicação, idioma e disponibilidade de texto completo, resultando em 128 artigos. Na segunda etapa, foi realizada a leitura criteriosa dos títulos e resumos de todos os 128 artigos, sendo excluídos 82 estudos por não atenderem aos critérios de inclusão estabelecidos ou por estarem duplicados entre as diferentes bases de dados. Dos 46 artigos selecionados para leitura na íntegra, foram excluídos 31 após análise completa do texto, pois não respondiam adequadamente à questão norteadora ou não apresentavam dados relevantes para os objetivos do estudo. Ao final do processo de seleção, 15 artigos foram incluídos nesta revisão integrativa para análise aprofundada e síntese dos dados.

A análise temática dos dados foi realizada de forma criteriosa e sistemática. Inicialmente, procedeu-se à leitura completa e detalhada de todos os 15 artigos selecionados, com fichamento das informações principais. Em seguida, as informações foram organizadas e categorizadas de acordo com eixos temáticos previamente definidos com base nos objetivos do estudo: desafios técnicos e clínicos enfrentados pelos enfermeiros, desafios emocionais e psicológicos inerentes à prática oncológica pediátrica, competências técnico-científicas necessárias para uma atuação eficaz, competências relacionais e emocionais requeridas, estratégias de humanização do cuidado implementadas na prática, aspectos do cuidado família-centrado, diagnósticos de enfermagem prevalentes nesta população específica e instrumentos de avaliação e manejo da dor utilizados em oncologia pediátrica.

A pesquisa foi conduzida respeitando rigorosamente os princípios éticos da pesquisa científica. Por tratar-se de revisão de literatura, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa. Foram utilizadas exclusivamente fontes de domínio público, respeitando os direitos autorais das obras consultadas. Todas as citações foram devidamente referenciadas conforme as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), garantindo a transparência e rastreabilidade das fontes utilizadas. Todo o processo metodológico seguiu as diretrizes estabelecidas para revisões integrativas da literatura, garantindo a confiabilidade e validade dos resultados obtidos.

4. RESULTADOS

Os resultados desta revisão integrativa foram organizados em um quadro de análise e síntese dos 15 artigos selecionados, apresentando as principais informações de cada estudo de forma sistemática. O Quadro 1 apresenta os artigos analisados, incluindo identificação, autores, ano, título, base de dados, tipo de estudo, principais resultados e conclusões relevantes para a discussão.

Quadro 1 – Análise e Síntese dos Artigos Incluídos

IDAutor(es), AnoTítulo do ArtigoBase de Dados / Tipo de EstudoPrincipais ResultadosPrincipais Conclusões e Relevância
1Silva, Thuler e Leon, 2008Tradução e adaptação transcultural das escalas FLACC e FPS-RSciELO / Estudo de validação90% dos pacientes compreenderam FPS-R, pontuação média 8,8/10. Profissionais: 9,6-10,0 para FLACC.Instrumentos validados são fundamentais para manejo adequado da dor.
2Malviya et al., 2006FLACCr para crianças com comprometimento cognitivoPUBMED / ValidaçãoVersão revisada incorpora tônus muscular e padrão respiratório.Escolha do instrumento deve considerar capacidades cognitivas.
3Silva-Rodrigues et al., 2019Atitudes de enfermeiros na administração de quimioterápicosLILACS / DescritivoPreocupação com extravasamento de vesicantes. Conhecimento sobre complicações.Exige conhecimento farmacológico e adesão rigorosa a protocolos.
4Lima et al., 2024Conhecimento sobre quimioterapia e prevenção de extravasamentoBDENF / TransversalUso correto de EPIs e conduta adequada. Maioria sem capacitação específica.Lacuna na formação pode comprometer segurança.
5Viera e Cunha, 2020Sobrecarga e sofrimento de pais de crianças com câncerLILACS / QualitativoPais sobrecarregados, frustrados e exaustos. Suporte emocional é fundamental.Profissionais também experimentam desgaste emocional intenso.
6Vieira, Castro e Coutinho, 2016Vínculos afetivos no cuidado de enfermagem pediátricaSciELO / Revisão integrativaVínculos afetivos essenciais, mas podem gerar sofrimento em óbitos.Equilíbrio emocional é desafio constante.
7Scaratti et al., 2017Enfrentamento do diagnóstico à terminalidadeLILACS / QualitativoProfissionais compartilham sofrimento. Exposição contínua amplifica risco de Burnout.Suporte psicológico institucional é necessário.
8Siman et al., 2019Desafios cotidianos de enfermeiros ao cuidar em oncologiaBDENF / DescritivoDemanda intensa, recursos limitados e falta de suporte contribuem para Burnout.Condições estruturais inadequadas amplificam desgaste.
9Guedes et al., 2019Cuidados paliativos em oncologia pediátricaSciELO / QualitativoTransição para paliativos é momento difícil. Comunicação sensível é essencial.Exige comunicação sensível e formação específica.
10Rizzo et al., 2022Formação do enfermeiro em cuidados paliativos pediátricosPUBMED / Revisão sistemáticaFormação essencial mas pouco desenvolvida. Cuidado família-centrado é fundamental.Investimento em formação específica necessário.
11Guimarães et al., 2021Competências para cuidados paliativos pediátricosLILACS / DescritivoPreparo para cuidado em fim de vida. Modelo de paliativos precoces defendido.Paliativos desde diagnóstico, não só fase terminal.
12Amador et al., 2016Capacitação de enfermeiros em oncologia pediátricaBDENF / TransversalMaioria sem capacitação específica prévia. Lacuna crítica na formação.Investimento urgente em educação permanente.
13Luz e Silva, 2022Competências necessárias em oncologia pediátricaSciELO / Revisão integrativaCompetências técnicas, relacionais e emocionais. Liderança e lúdico fundamentais.Lacuna entre formação generalista e demandas específicas.
14Santana et al., 2017Diagnósticos de enfermagem em crianças com câncerLILACS / DocumentalPrincipais: risco de infecção (30,14%), conforto prejudicado (15,07%), nutrição (11,82%), mobilidade (6,51%). SAE em todos os registros.Diagnósticos refletem complicações diretas. SAE é viável.
15Gerçeker et al., 2021Realidade virtual para redução de dor e ansiedadePUBMED / Ensaio clínico randomizadoRealidade virtual eficaz na redução de dor, medo e ansiedade em procedimentos invasivos.Novas tecnologias expandem arsenal de humanização.
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).
5. DISCUSSÃO

Os resultados obtidos nesta revisão integrativa demonstram a complexidade multidimensional dos desafios enfrentados pelos enfermeiros na oncologia pediátrica, evidenciando que a prática profissional nessa área exige uma interconexão equilibrada de competências científicas, habilidades relacionais e maturidade emocional. A análise dos estudos selecionados permitiu uma compreensão aprofundada sobre os múltiplos desafios que permeiam o cotidiano assistencial e as competências essenciais para uma atuação qualificada e humanizada.

O manejo da dor oncológica, identificado como um dos principais desafios técnicos, corrobora com os achados de Silva, Thuler e Leon (2008), cujo estudo de tradução e adaptação transcultural das escalas FLACC e FPS-R demonstrou que ambos os instrumentos são facilmente compreensíveis para avaliação da dor em crianças e adolescentes brasileiros com câncer. Os resultados evidenciaram que 90% dos pacientes compreenderam a escala FPS-R, com pontuação média de compreensão de 8,8 em escala de 0 a 10, enquanto os profissionais de saúde apresentaram pontuações entre 9,6 e 10,0 para os diferentes componentes da escala FLACC. Tais dados reforçam a importância fundamental de instrumentos objetivos e validados de mensuração da dor, especialmente considerando que crianças menores têm dificuldade de verbalizar a dor, tornando essencial a capacitação dos enfermeiros no reconhecimento de sinais não verbais de desconforto através de escalas comportamentais como a FLACC.

A escolha adequada do instrumento de avaliação da dor deve considerar a idade da criança e suas capacidades cognitivas. Para lactentes e crianças até 4 anos, a Escala FLACC mostra-se mais apropriada por avaliar componentes comportamentais observáveis como expressão facial, posicionamento das pernas, atividade corporal, choro e consolabilidade. Para crianças com comprometimento cognitivo, a versão revisada da escala (FLACCr) incorpora parâmetros adicionais como alterações no tônus muscular e padrão respiratório, conforme demonstrado por Malviya et al. (2006). Já para crianças a partir de 4 anos com desenvolvimento cognitivo preservado, a Escala de Faces Revisada permite autoavaliação através da seleção de faces que representam diferentes intensidades de dor, aproveitando a capacidade visual e de reconhecimento de expressões emocionais típica dessa faixa etária.

A administração de quimioterápicos, outro desafio técnico significativo identificado, exige não apenas conhecimento farmacológico aprofundado, mas também habilidades psicomotoras refinadas e rigorosa adesão a protocolos de segurança. Silva-Rodrigues et al. (2019) avaliaram as atitudes de enfermeiros na administração de quimioterápicos em oncologia pediátrica, evidenciando a complexidade dessa responsabilidade. A preocupação constante dos enfermeiros com potenciais complicações, especialmente extravasamento de vesicantes que podem causar necrose tecidual grave, é justificada pela literatura especializada. Lima et al. (2024) identificaram que a maioria dos enfermeiros utilizava corretamente equipamentos de proteção individual durante os procedimentos e possuíam conduta adequada em casos de extravasamento, demonstrando aspectos positivos na assistência técnica. Entretanto, o mesmo estudo revelou que a maioria dos enfermeiros não teve cursos, disciplinas ou capacitações específicas de oncologia pediátrica, evidenciando uma lacuna importante na formação que pode comprometer a segurança e qualidade da assistência.

A dimensão emocional identificada nos resultados reflete um aspecto crítico e frequentemente negligenciado da oncologia pediátrica. A sobrecarga emocional relatada pelos enfermeiros encontra respaldo nos achados de Viera e Cunha (2020), que evidenciaram que pais de crianças com câncer se sentem sobrecarregados, frustrados e exaustos. Se os familiares, que possuem vínculo afetivo primário com a criança, vivenciam tamanha sobrecarga emocional, infere-se que os profissionais de enfermagem, que estabelecem vínculos terapêuticos significativos e acompanham diariamente o sofrimento dessas famílias, também experimentam desgaste emocional intenso. O estabelecimento de vínculos afetivos com as crianças, embora essencial para um cuidado humanizado e terapêutico conforme defendido por Vieira, Castro e Coutinho (2016), pode se tornar fonte de sofrimento intenso, especialmente em situações de óbito ou deterioração clínica progressiva.

Scaratti et al. (2017) demonstraram que o enfrentamento da equipe multiprofissional do diagnóstico à terminalidade na oncologia pediátrica envolve desafios emocionais significativos. Para os profissionais de enfermagem, o sofrimento dos pais pela possibilidade de perda do filho gera sentimento de pesar, configurando um compartilhamento do processo de morte. Essa exposição contínua ao sofrimento e à morte, especialmente quando envolve crianças, amplifica o risco de desenvolvimento de burnout e fadiga por compaixão. Siman et al. (2019) evidenciaram os desafios cotidianos vivenciados por enfermeiros ao cuidar em oncologia, destacando que a combinação de demanda física e emocional intensa, recursos limitados e falta de suporte psicológico institucional contribui para o desenvolvimento da síndrome de burnout.

A comunicação de más notícias emerge como um desafio emocional particularmente complexo. Guedes et al. (2019) identificaram na perspectiva de profissionais de saúde que a transição para cuidados paliativos em oncologia pediátrica representa momento de grande dificuldade. Os enfermeiros frequentemente participam desses momentos críticos junto à equipe multiprofissional, sendo posteriormente responsáveis por oferecer suporte emocional contínuo à família. A aceitação de cuidados paliativos, mencionada na introdução como desafio significativo, exige comunicação extremamente sensível e preparo adequado dos profissionais. Rizzo et al. (2022) e Guimarães et al. (2021) enfatizam a importância da formação do enfermeiro em cuidados paliativos pediátricos, evidenciando que essa competência é essencial e ainda pouco desenvolvida na formação profissional.

Os desafios estruturais e organizacionais identificados, embora não sejam exclusivos da oncologia pediátrica, adquirem gravidade particular nesse contexto devido à vulnerabilidade extrema dos pacientes e à complexidade singular do tratamento. A falta de capacitação específica evidenciada por Amador et al. (2016) e Lima et al. (2024) demonstra lacuna crítica na formação profissional. O fato de que a maioria dos enfermeiros não recebeu cursos ou disciplinas específicas de oncologia pediátrica antes de atuar nessa área representa um risco potencial para a qualidade da assistência e para a segurança dos pacientes. Essa constatação reforça a necessidade urgente de investimento em programas de educação permanente, residências e especializações em oncologia pediátrica.

O dimensionamento inadequado de enfermeiros por paciente compromete diretamente a qualidade da assistência prestada. Quando há número insuficiente de profissionais para atender adequadamente à demanda, ocorre a redução do tempo disponível para cada paciente, limitação da capacidade de realizar avaliações sistemáticas como a mensuração frequente da dor, menor disponibilidade para suporte emocional à criança e família e aumento do risco de erros relacionados à sobrecarga de trabalho. Na oncologia pediátrica, onde cada criança demanda cuidados intensivos e individualizados, a sobrecarga decorrente de dimensionamento inadequado pode ter consequências particularmente graves.

A deficiência na comunicação interprofissional, destacada por Dias et al. (2023), permanece como desafio persistente. Na oncologia pediátrica, onde o tratamento exige coordenação entre múltiplas especialidades, incluindo oncologistas, cirurgiões, radioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e assistentes sociais, falhas comunicacionais podem resultar em fragmentação do cuidado, duplicação ou omissão de intervenções, contradições nas orientações fornecidas à família e comprometimento da segurança do paciente. A implementação de rounds multiprofissionais estruturados e protocolos claros de comunicação pode contribuir significativamente para melhorar a coordenação do cuidado.

A análise das competências necessárias revelada por Luz e Silva (2022) e Oliveira e Balsanelli (2019) evidencia uma lacuna importante entre a formação generalista de enfermagem oferecida na graduação e as demandas específicas da oncologia pediátrica. Embora os currículos de graduação abordem princípios de oncologia e pediatria, a intersecção dessas áreas e as especificidades do cuidado oncológico pediátrico exigem conhecimentos e habilidades aprofundadas que geralmente só são desenvolvidos através de programas de especialização ou experiência prática prolongada sob supervisão experiente. As competências relacionais e emocionais identificadas, incluindo empatia, resiliência, equilíbrio emocional e capacidade de criar vínculos terapêuticos, são fundamentais para o cuidado de qualidade, entretanto, raramente são objeto de desenvolvimento estruturado e sistemático na formação profissional.

A importância da liderança e comunicação efetiva destacada por Luz e Silva (2022) merece atenção especial. Essas competências são fundamentais não apenas para a coordenação da equipe, mas também para a gestão de conflitos, tomada de decisões em situações complexas e criação de um ambiente de trabalho que favoreça o suporte mútuo entre profissionais. A capacidade de inserir o lúdico na assistência, também mencionada pelos autores, representa competência específica da pediatria que deve ser intencionalmente desenvolvida, pois o brincar não é apenas estratégia de distração, mas recurso terapêutico fundamental que facilita a comunicação, reduz a ansiedade, auxilia na compreensão de procedimentos e promove o desenvolvimento mesmo durante a hospitalização.

Os diagnósticos de enfermagem identificados por Santana et al. (2017) refletem tanto as complicações físicas diretas do câncer e de seu tratamento quanto os aspectos psicossociais do adoecimento infantil. A prevalência de risco de infecção em 30,14% dos casos era esperada, considerando a mielossupressão causada pela quimioterapia que resulta em neutropenia, aumentando dramaticamente o risco de infecções graves. A alta frequência de conforto prejudicado (15,07%) e nutrição desequilibrada (11,82%) evidencia o impacto significativo dos efeitos adversos do tratamento oncológico na qualidade de vida das crianças. Esses diagnósticos direcionam o planejamento de intervenções de enfermagem específicas, incluindo medidas de prevenção de infecções como higiene rigorosa e isolamento quando necessário, estratégias de promoção de conforto incluindo manejo adequado da dor e posicionamento terapêutico e intervenções nutricionais para garantir aporte adequado apesar de náuseas, vômitos e mucosite.

A identificação de diagnósticos como mobilidade física prejudicada (6,51%) também é relevante, pois a imobilidade prolongada pode levar a complicações como perda de massa muscular, úlceras por pressão e trombose venosa profunda. Luz e Silva (2022) complementam com outros diagnósticos importantes, incluindo dor aguda e crônica, integridade da pele prejudicada e mucosa oral prejudicada, todos diretamente relacionados aos efeitos adversos da quimioterapia e radioterapia. A utilização de diagnósticos de enfermagem padronizados conforme taxonomia NANDA-I facilita a comunicação clara entre profissionais e permite o planejamento sistemático de intervenções baseadas em evidências. Santana et al. (2017) evidenciaram que a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) estava presente em todos os registros de prontuário analisados, demonstrando sua viabilidade e importância na prática oncológica pediátrica.

As estratégias de humanização identificadas, especialmente o uso de realidade virtual demonstrado por Gerçeker et al. (2021), representam um avanço importante nas possibilidades de redução de dor, medo e ansiedade durante procedimentos invasivos. Esse estudo randomizado controlado evidenciou a eficácia de tecnologia imersiva, expandindo o arsenal terapêutico para além das estratégias tradicionais de ludoterapia e musicoterapia. A incorporação de novas tecnologias no cuidado pediátrico deve ser vista como complementar, não substitutiva, às estratégias já estabelecidas de humanização.

O cuidado família-centrado, destacado por Rizzo et al. (2022) no contexto de cuidados paliativos pediátricos, representa uma mudança paradigmática importante. Tradicionalmente, o cuidado em saúde era centrado exclusivamente no paciente, com a família ocupando papel periférico. O modelo família-centrado reconhece que a família é a constante na vida da criança, enquanto os profissionais de saúde são temporários, e que o bem-estar da criança está intrinsecamente ligado ao bem-estar familiar. No entanto, os achados de Viera e Cunha (2020) alertam para a necessidade de expandir o cuidado família-centrado para incluir atenção específica à sobrecarga e sofrimento dos pais. Pais sobrecarregados, frustrados e exaustos podem ter sua capacidade de cuidado comprometida, tornando essencial o suporte psicossocial à família como componente integral, não opcional, do cuidado oncológico pediátrico.

A importância da formação em cuidados paliativos enfatizada por Guimarães et al. (2021) é fundamental para garantir que enfermeiros estejam preparados para oferecer cuidado de qualidade em todas as fases da trajetória da doença, incluindo situações de fim de vida. A literatura contemporânea em cuidados paliativos pediátricos defende o modelo de cuidados paliativos precoces, que integra princípios paliativos desde o diagnóstico, não apenas na fase terminal. Esse modelo combina tratamento curativo com manejo agressivo de sintomas e suporte psicossocial desde o início, proporcionando melhor qualidade de vida durante todo o tratamento.

Por fim, é fundamental reconhecer que, apesar dos inúmeros desafios identificados, a oncologia pediátrica oferece aos enfermeiros oportunidades únicas de crescimento profissional e pessoal. Acompanhar crianças que alcançam a cura, testemunhar a resiliência extraordinária das crianças e suas famílias, participar de momentos significativos de conexão humana e contribuir genuinamente para melhorar a qualidade de vida durante momentos difíceis são aspectos que conferem profundo sentido ao trabalho. O reconhecimento tanto dos desafios quanto das recompensas é essencial para uma compreensão completa e equilibrada da prática profissional em oncologia pediátrica.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo permitiu compreender de forma abrangente e aprofundada os desafios multidimensionais enfrentados pelos enfermeiros na oncologia pediátrica, evidenciando que a atuação nessa área exige muito além de competências técnicas, demandando integração complexa de conhecimentos científicos, habilidades relacionais e maturidade emocional. Os achados demonstram a necessidade urgente e inadiável de investimentos significativos em formação continuada especializada, programas institucionais de suporte psicológico aos profissionais e melhoria substancial nas condições estruturais e organizacionais de trabalho.

A oncologia pediátrica demanda profissionais com formação diferenciada e aprofundada, capazes de integrar conhecimentos técnico-científicos sobre fisiopatologia do câncer infantil, protocolos complexos de quimioterapia e cuidados paliativos com habilidades emocionais e relacionais essenciais como empatia, resiliência e comunicação adaptada ao desenvolvimento infantil. O fato de que a maioria dos enfermeiros não recebeu capacitação específica antes de atuar nessa área representa lacuna crítica que deve ser urgentemente abordada através de programas robustos de educação permanente, residências multiprofissionais em oncologia pediátrica e especializações reconhecidas.

A humanização do cuidado não deve ser vista como componente opcional ou supérfluo, mas como pilar fundamental da assistência oncológica pediátrica. As estratégias identificadas, incluindo ludoterapia que permite expressão emocional através do brincar, musicoterapia que reduz ansiedade e dor, uso de tecnologias como realidade virtual, decoração lúdica que torna o ambiente menos ameaçador e cuidado família-centrado que reconhece a família como parceira essencial, demonstraram eficácia significativa na melhora da experiência hospitalar e devem ser sistematicamente incorporadas às rotinas assistenciais através de protocolos institucionais claros e recursos adequados.

O uso de instrumentos validados para avaliação e manejo da dor é imperativo para garantir conforto adequado aos pacientes pediátricos. A disponibilidade das escalas FLACC e FPS-R traduzidas e adaptadas culturalmente para o contexto brasileiro, conforme trabalho de Silva, Thuler e Leon (2008), oferece ferramentas confiáveis para mensuração objetiva da dor. A padronização dessas avaliações através de escalas apropriadas para cada faixa etária permite intervenções mais eficazes, ajustes medicamentosos baseados em dados objetivos e melhora significativa no controle sintomático. A capacitação contínua dos enfermeiros no uso correto desses instrumentos e na interpretação adequada de seus resultados deve ser prioridade institucional.

A sobrecarga emocional experimentada pelos pais, evidenciada por Viera e Cunha (2020), e o sofrimento dos profissionais ao compartilhar o processo de morte, demonstrado por Scaratti et al. (2017), reforçam a necessidade imperativa de expandir o foco assistencial para além do paciente, oferecendo suporte psicossocial amplo, estruturado e contínuo tanto às famílias quanto aos profissionais. O cuidado família-centrado deve ser reconhecido como abordagem essencial, não apenas desejável, com provisão adequada de recursos para sua implementação efetiva, incluindo profissionais especializados em saúde mental com expertise em oncologia pediátrica.

Ressalta-se a importância fundamental da aceitação e integração de princípios de cuidados paliativos desde o diagnóstico, não apenas na fase terminal, através do modelo contemporâneo de cuidados paliativos precoces. A capacitação dos profissionais em comunicação sensível de más notícias, manejo de sintomas complexos e suporte a famílias é fundamental para garantir dignidade, respeito e qualidade de vida aos pacientes e suas famílias em todas as fases da trajetória da doença, conforme enfatizado por Guimarães et al. (2021) e Rizzo et al. (2022).

O dimensionamento adequado de profissionais, a melhoria da infraestrutura física com criação de ambientes verdadeiramente humanizados, o aprimoramento da comunicação interprofissional através de protocolos estruturados e a provisão suficiente de recursos materiais específicos para oncologia pediátrica são investimentos essenciais que não podem ser postergados. A implementação efetiva da Sistematização da Assistência de Enfermagem, conforme demonstrado possível por Santana et al. (2017), deve ser incentivada como ferramenta essencial para garantir cuidado individualizado e baseado em evidências.

Como limitações deste estudo, reconhece-se que a revisão integrativa, embora permita síntese ampla de conhecimentos, está sujeita à qualidade e disponibilidade dos estudos publicados. A restrição a artigos disponíveis gratuitamente pode ter excluído estudos relevantes. Adicionalmente, a maioria dos estudos analisados foi realizada em contextos específicos que podem não ser totalmente generalizáveis para todas as realidades institucionais brasileiras.

Sugere-se a realização de estudos futuros que avaliem a efetividade de programas estruturados de suporte psicológico aos profissionais de enfermagem oncológica pediátrica, incluindo grupos de apoio, supervisão clínica e acesso a atendimento psicológico. Recomenda-se também pesquisas que investiguem estratégias institucionais efetivas de prevenção de burnout, estudos sobre a implementação de protocolos de humanização em diferentes contextos assistenciais e seus impactos mensuráveis na qualidade do cuidado e satisfação familiar, pesquisas sobre formação e desenvolvimento de competências socioemocionais em enfermeiros oncológicos pediátricos, estudos que avaliem barreiras e facilitadores para integração precoce de cuidados paliativos em oncologia pediátrica e pesquisas sobre efetividade de diferentes estratégias de educação permanente na capacitação de enfermeiros para oncologia pediátrica.

Por fim, conclui-se que, apesar dos inúmeros desafios identificados, a oncologia pediátrica oferece aos enfermeiros oportunidades únicas de crescimento profissional e pessoal, possibilitando participação em momentos profundamente significativos na vida das crianças e famílias, contribuindo genuinamente para alívio de sofrimento e melhora de qualidade de vida. O reconhecimento dos desafios, investimento em competências necessárias e implementação de suporte adequado podem tornar a oncologia pediátrica uma área de atuação sustentável e profundamente gratificante para os profissionais de enfermagem.

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 1Discentes da Universidade Anhembi Morumbi

2Docentes da Universidade Anhembi Morumbi