REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511101153
Isabella Pasqualotto, Barbara Costa Rigolon, Igor Bagini Mateus, Lucas Bussiki Corrêa da Costa Kotecki, Vykthor Maryanno Gomes Timóteo, Luis Otavio Tabuas Bezerra.
RESUMO: As neoplasias malignas do Sistema Nervoso Central são patologias cada vez mais frequentes e possuem um aumento de incidência ao longo dos anos em países subdesenvolvidos, o que está intrinsecamente ligado à maior expectativa de vida da população e avanço nos métodos diagnósticos¹. Objetivo: Este trabalho visa analisar a alteração no perfil epidemiológico das neoplasias do SNC no estado do Mato Grosso entre 2014 e 2021. Métodos: Trata-se de um estudo observacional descritivo com dados do DATA-SUS, por meio da tabulação do TABNET utilizando informações de estatísticas de mortalidade geral pela Classificação Internacional de Doenças (CID-10), abrangência geográfica em Mato Grosso, de Janeiro de 2014 a Dezembro de 2021 e lista de mortalidade da CID-10 para apenas C70 – Neoplasia maligna das meninges”, e “C71 – Neoplasia maligna do encéfalo” e “C72 – Neoplasia maligna de medula espinhal, dos nervos cranianos e de outras partes do sistema nervoso central”. As variáveis incluíam ocorrência segundo à faixa etária, sexo, escolaridade, etnia e mortalidade. Resultados e Conclusão: As neoplasias malignas do SNC apresentaram uma alteração de padrão epidemiológico no estado do Mato Grosso, haja vista que em 2021 houve maior prevalência em número de óbitos. Destaca-se ainda que a faixa etária mais acometida durante o estudo foi entre 70 à 79 anos, com predomínio na população masculina e na etnia parda. Ademais, quanto ao grau de escolaridade, observou-se predomínio em indivíduos com 8 a 11 anos de educação formal
Palavras-chave: Neoplasias neurológicas malignas. Tumores do sistema nervoso central. Epidemiologia.
Introdução: As neoplasias do sistema nervoso central representam um grupo heterogêneo de tumores de alta morbimortalidade. A OMS passou a classificá-los segundo critérios histopatológicos e moleculares. Fatores genéticos e ambientais, como exposição à radiação ionizante, estão associados à etiologia. O diagnóstico baseia-se em exames de imagem, sendo a ressonância magnética o principal método. O tratamento é individualizado e envolve cirurgia, radioterapia e quimioterapia.
Metodologia: Estudo observacional descritivo transversal com dados públicos do DATASUS referentes a óbitos por neoplasias neurológicas malignas no Brasil entre 2014 e 2021. As variáveis analisadas incluíram ano, faixa etária, sexo, etnia e taxa de mortalidade. Foram considerados os códigos C70, C71 e C72 da CID-10, abrangendo neoplasias malignas das meninges, encéfalo e medula espinhal. Dados duplicados foram excluídos.
RESULTADOS: Foram registrados 35.016 óbitos entre 2014 e 2021, com maior prevalência em 2021 (17,43%). A faixa etária mais acometida foi de 70 a 79 anos (20,04%), predominando no sexo masculino (55,98%) e na cor parda (31,9%). O nível de escolaridade mais frequente foi de 8 a 11 anos de estudo.
Discussão: Os dados coletados evidenciam que os óbitos por neoplasias neurológicas malignas do sistema nervoso central é uma condição com significância epidemiológica no Mato Grosso, uma vez que ocasionou 35.016 óbitos no período retratado. O número de óbitos se manteve com relativa constância durante o período de 2014 a 2019; quando, então, houve um aumento na mortalidade em 2020 e 2021. Este crescimento pode estar relacionado à pandemia do novo coronavírus, devido ao atraso do diagnóstico e tratamento, clínico e cirúrgico.6
Em relação à faixa etária, é possível inferir uma relação direta entre número de casos e idade a partir de 1 ano, sendo maior número em indivíduos com 50 anos ou mais (73,34% dos casos totais), o que é esperado para doenças neoplásicas. Ademais, outra faixa etária muito acometida são os menores de 1 ano (6,31% dos casos totais), fato que é consoante com a incidência de tumores infantojuvenis, visto que 9% dos cânceres infantojuvenis são do sistema nervoso central.7
A diferença entre os sexos configura uma apresentação cujo predomínio masculino é ligeiramente diferente e variável nos demais estados brasileiros, sendo esse dado, demonstrado também no estado de Mato-Grosso. Embora haja falta de esclarecimento quanto aos fatores de risco associados à ocorrência de tumores no sistema nervoso, é possível observar que diversos tipos histológicos têm distribuições específicas conforme o sexo. Por exemplo, os gliomas, um tipo de tumor cerebral, tendem a ser mais frequentes em indivíduos do sexo masculino, enquanto os meningiomas são mais comuns na população feminina.5
Ao analisar os números referentes às estatísticas de composição racial no estado de Mato Grosso, é evidente uma correlação entre o número total de hospitalizações de pessoas de uma raça específica e a quantidade de indivíduos que se autodeclaram pertencentes a cada grupo racial na população geral, visto que o crescimento de casos ocorre em paralelo ao crescimento populacional do estado em todas as raças.8
Tabela 3. Óbitos por ocorrência segundo a faixa etária


Fonte: Ministério da Saúde/SVS- Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM)
Tabela 4. Óbitos por ocorrência segundo o sexo

Fonte: Ministério da Saúde/SVS- Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM)
Tabela 5. Óbitos por ocorrência segundo a cor/raça

CONCLUSÃO: A crescente taxa de mortalidade ao longo do período pode ser, não só um reflexo do aumento demográfico e da maior expectativa de vida do brasileiro, como também pode refletir uma carga exacerbada de fatores de risco para os tumores neurológicos ao longo da vida. Nesse sentido, é de fundamental importância que, a exposição à radiação ionizante se faça apenas perante critérios bem estabelecidos, profissionais da saúde atuem na prevenção primária das doenças crônicas e sejam capacitados para fazer um diagnóstico precoce, que contribui para a redução do estágio de apresentação do tumor, a partir dos sinais mais comuns que incluem: perda da função neurológica, cefaléia, náuseas e vômitos, convulsões, ataxia e sonolência acentuada
REFERÊNCIAS:
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5. Davis FG, Malmer BS, Aldape K, Barnholtz-Sloan JS, Bondy ML, Brännström T, et al. Questões de revisão diagnóstica em estudos de tumores cerebrais: Do consórcio de epidemiologia de tumores cerebrais. Biomarcadores de Epidemiol de Câncer Prev [Internet]. 2008;17(3):484–9. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1158/1055-9965.epi07-0725
6. Monteiro MCC, Pantoja RE de L, Miranda AL de A, Couceiro F de AV, Magalhães LW, Cruvinel MMC, et al. Impactos da pandemia da COVID-19 no diagnóstico, atendimento e mortalidade de pacientes oncológicos no Brasil: uma revisão de literatura. Res Soc Dev [Internet]. 2021;10(13):e350101321235. Disponível em: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v10i13.21235
7. Santos M de O. Incidência, Mortalidade e Morbidade Hospitalar por Câncer em Crianças, Adolescentes e Adultos Jovens no Brasil: Informações dos Registros de Câncer e do Sistema de Mortalidade. Rev. Bras. Cancerol. [Internet]. 28º de setembro de 2018;64(3):439-40. Disponível em: https://rbc.inca.gov.br/index.php/revista/article/view/56
8. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Censo Brasileiro de 2010. Rio de Janeiro: IBGE, 2012.
