MOTIVATION IN THE ORGANIZATIONAL ENVIRONMENT: CHALLENGES IN THE POST-PANDEMIC ERA
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202602141502
Lana Cristiny de Souza da Silva¹
Orientador: Edilon Mendes Nunes²
RESUMO
A motivação no ambiente organizacional configura-se como um elemento essencial para o desempenho, o engajamento e a permanência dos trabalhadores nas organizações. As transformações provocadas pela pandemia da COVID-19 impactaram de forma significativa as relações de trabalho, o clima organizacional e as práticas de gestão de pessoas, exigindo novas formas de compreender e promover a motivação no contexto profissional. O presente estudo teve como objetivo analisar os principais desafios relacionados à motivação no ambiente organizacional no período pós-pandêmico, considerando as mudanças estruturais e subjetivas vivenciadas pelos trabalhadores. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, com abordagem descritiva e procedimento bibliográfico, baseada na análise de produções científicas nacionais, incluindo livros, artigos e trabalhos acadêmicos publicados entre 2018 e 2024. Os resultados evidenciam que a pandemia intensificou fragilidades já existentes nas organizações, como a precarização das relações de trabalho, o enfraquecimento dos vínculos interpessoais e o aumento das demandas emocionais. Observou-se que fatores como comunicação organizacional, atuação das lideranças, cuidado com a saúde mental, reconhecimento profissional e oportunidades de desenvolvimento assumem papel central na promoção da motivação no cenário pós-pandêmico. Conclui-se que a motivação no ambiente organizacional requer uma abordagem integrada, pautada em práticas de gestão humanizadas e alinhadas às novas demandas do mundo do trabalho, contribuindo para a construção de ambientes organizacionais mais saudáveis e sustentáveis.
Palavras-chave: Motivação no trabalho; Ambiente organizacional; Gestão de pessoas; Pós-pandemia.
1 INTRODUÇÃO
A motivação no ambiente organizacional constitui um dos pilares centrais da gestão de pessoas, por influenciar diretamente o comportamento, o desempenho e o comprometimento dos trabalhadores. No contexto brasileiro, o debate sobre motivação está associado à necessidade de compreender o trabalho como espaço de realização profissional, mas também como local de tensões, exigências crescentes e adaptações constantes. Chiavenato (2020) ressalta que a motivação decorre de um conjunto de fatores internos e externos ao indivíduo, envolvendo reconhecimento, participação nas decisões e condições adequadas para a execução das atividades laborais.
As transformações no mundo do trabalho, intensificadas nos últimos anos, evidenciam a necessidade de repensar as práticas organizacionais voltadas à valorização das pessoas. Vergara (2021) aponta que a motivação não pode ser tratada de forma isolada, devendo estar integrada às políticas de gestão, à cultura organizacional e às relações interpessoais no ambiente de trabalho. Nessa perspectiva, a motivação assume caráter dinâmico, sendo influenciada por aspectos individuais, organizacionais e sociais.
Com a chegada da pandemia da COVID-19, o ambiente organizacional passou por mudanças abruptas, impactando diretamente a forma como os trabalhadores se relacionam com o trabalho. A adoção do trabalho remoto, a insegurança quanto à manutenção do emprego e o aumento das demandas emocionais alteraram significativamente o clima organizacional. Estudos nacionais indicam que esse período afetou a qualidade de vida no trabalho e exigiu novas estratégias de gestão para manutenção da motivação dos colaboradores (ALVES; SILVA, 2023). Esse cenário evidenciou fragilidades estruturais e ampliou a necessidade de práticas organizacionais mais sensíveis às condições humanas.
No período pós-pandêmico, observa-se a consolidação de novas formas de organização do trabalho, nas quais a motivação passa a estar fortemente relacionada à flexibilidade, ao reconhecimento e ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Dutra (2021) destaca que a gestão de pessoas, nesse contexto, deve priorizar o desenvolvimento humano e a construção de vínculos mais consistentes entre trabalhadores e organizações. A valorização das competências individuais e a oferta de oportunidades de crescimento profissional tornam-se elementos fundamentais para o engajamento.
Diante dessas transformações, torna-se relevante analisar os desafios da motivação no ambiente organizacional na era pós-pandemia. Compreender esse fenômeno permite refletir sobre práticas capazes de promover ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos, alinhados às novas demandas sociais e organizacionais. Conforme argumentam Zanelli, Borges-Andrade e Bastos (2020), a motivação no trabalho deve ser compreendida como um processo contínuo, influenciado pelas condições organizacionais e pelas experiências vivenciadas pelos trabalhadores ao longo de sua trajetória profissional.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 MOTIVAÇÃO NO AMBIENTE ORGANIZACIONAL: CONCEITOS E FUNDAMENTOS TEÓRICOS
A motivação no ambiente organizacional é um tema amplamente discutido no campo da Administração e da Psicologia Organizacional, especialmente por sua relação direta com o comportamento humano no trabalho. No contexto das organizações, a motivação pode ser compreendida como o conjunto de forças internas e externas que impulsionam o indivíduo a agir, persistir e se envolver com suas atividades profissionais. Segundo Chiavenato (2020), a motivação está associada à intensidade, direção e persistência do esforço do trabalhador para alcançar objetivos organizacionais e pessoais, não sendo um estado fixo, mas um processo dinâmico e influenciado por múltiplos fatores.
A compreensão da motivação no trabalho exige a análise das condições sociais, econômicas e culturais que permeiam as relações laborais. Vergara (2021) destaca que o comportamento humano nas organizações não pode ser explicado apenas por recompensas materiais, pois envolve expectativas, valores, percepções de justiça e reconhecimento. Dessa forma, a motivação passa a ser entendida como um fenômeno complexo, construído na interação entre o indivíduo e o contexto organizacional no qual está inserido.
A literatura nacional aponta que a motivação no trabalho está fortemente relacionada à satisfação profissional e ao sentimento de pertencimento. Limongi-França (2018) enfatiza que ambientes organizacionais que promovem respeito, participação e condições adequadas de trabalho tendem a favorecer níveis mais elevados de motivação. Essa perspectiva reforça a ideia de que o trabalhador não deve ser visto apenas como um recurso produtivo, mas como sujeito que carrega expectativas, necessidades e aspirações que influenciam seu desempenho.
Os fundamentos teóricos da motivação organizacional dialogam com diferentes abordagens clássicas e contemporâneas. No campo da gestão de pessoas, Dutra (2021) ressalta que a motivação está diretamente ligada à forma como as organizações estruturam seus processos de desenvolvimento, avaliação e reconhecimento. Quando os sistemas de gestão valorizam apenas resultados imediatos, sem considerar o crescimento profissional e pessoal, tende-se a gerar desmotivação e afastamento emocional do trabalhador em relação à organização.
Lacombe (2021) argumenta que o clima organizacional influencia diretamente a percepção dos trabalhadores sobre seu papel dentro da empresa, afetando sua disposição para colaborar e se comprometer. Ambientes marcados por comunicação deficiente, autoritarismo ou falta de transparência tendem a comprometer a motivação, mesmo quando existem incentivos financeiros. Em contrapartida, organizações que estimulam o diálogo, a confiança e a participação favorecem o engajamento e a motivação coletiva.
A motivação também se relaciona com o sentido atribuído ao trabalho. Antunes (2020) analisa que, no contexto contemporâneo, marcado pela intensificação das jornadas e pela precarização das relações laborais, muitos trabalhadores passam a vivenciar o trabalho como fonte de sofrimento, o que impacta diretamente sua motivação. Quando o trabalho perde seu significado social e pessoal, ocorre um distanciamento emocional que se reflete em baixos níveis de comprometimento e satisfação.
No campo da Psicologia Organizacional brasileira, Zanelli, Borges-Andrade e Bastos (2020) defendem que a motivação deve ser compreendida como um processo construído ao longo da trajetória profissional, influenciado pelas experiências vividas no ambiente de trabalho. Segundo os autores, fatores como reconhecimento, autonomia e oportunidades de aprendizagem contribuem para o fortalecimento da motivação, enquanto práticas organizacionais rígidas e desumanizadas tendem a enfraquecê-la.
Outro elemento fundamental na discussão sobre motivação organizacional diz respeito à qualidade de vida no trabalho. Limongi-França (2018) afirma que a motivação não pode ser dissociada das condições físicas, emocionais e sociais oferecidas pelas organizações. Questões relacionadas à saúde mental, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e segurança no trabalho assumem papel central na construção de ambientes mais motivadores. Quando esses aspectos são negligenciados, mesmo trabalhadores inicialmente motivados podem apresentar queda no desempenho e aumento do absenteísmo.
No contexto atual, observa-se que a motivação no ambiente organizacional precisa ser pensada de forma integrada às políticas de gestão de pessoas. Gil (2022) destaca que práticas como feedback contínuo, capacitação profissional e reconhecimento simbólico contribuem para fortalecer o vínculo entre trabalhador e organização. Tais práticas favorecem a percepção de justiça e valorização, elementos fundamentais para a manutenção da motivação ao longo do tempo.
2.2 IMPACTOS DA PANDEMIA DA COVID-19 NA MOTIVAÇÃO E NO CLIMA ORGANIZACIONAL
A pandemia da COVID-19 representou um marco de ruptura nas dinâmicas organizacionais, afetando de forma direta a motivação dos trabalhadores e o clima organizacional. As medidas de distanciamento social, a adoção emergencial do trabalho remoto e a instabilidade econômica impuseram desafios inéditos às organizações brasileiras, exigindo rápidas adaptações nos modelos de gestão e nas relações de trabalho. Nesse contexto, a motivação passou a ser influenciada por fatores que extrapolam o ambiente organizacional tradicional, incorporando dimensões emocionais, sociais e psicológicas ampliadas (ALVES; SILVA, 2023).
O clima organizacional, entendido como a percepção compartilhada dos trabalhadores sobre o ambiente de trabalho, sofreu impactos significativos durante o período pandêmico. A ausência do convívio presencial, a dificuldade de comunicação e o enfraquecimento dos vínculos interpessoais contribuíram para sentimentos de isolamento e insegurança. Segundo Sampaio e Valim (2024), muitos trabalhadores relataram redução no sentimento de pertencimento à organização, o que afetou diretamente seus níveis de engajamento e motivação. Essa realidade evidenciou a fragilidade de modelos de gestão pouco preparados para lidar com contextos de crise prolongada.
A insegurança em relação à manutenção do emprego foi outro fator que influenciou a motivação no período pandêmico. A ameaça constante do desemprego, aliada à redução de salários e benefícios em alguns setores, gerou um ambiente de tensão e medo, impactando negativamente o desempenho e a satisfação no trabalho. Antunes (2020) observa que a intensificação da precarização das relações laborais durante a pandemia aprofundou desigualdades e contribuiu para o adoecimento físico e emocional dos trabalhadores, comprometendo sua disposição para o trabalho.
O trabalho remoto, amplamente adotado como alternativa emergencial, também trouxe implicações ambíguas para a motivação. Embora tenha oferecido maior flexibilidade e redução do tempo de deslocamento, esse modelo evidenciou desafios relacionados à sobrecarga de tarefas, à dificuldade de separar vida pessoal e profissional e à ampliação da jornada de trabalho. Alves e Silva (2023) destacam que, para muitos trabalhadores, a ausência de limites claros entre trabalho e descanso resultou em fadiga, estresse e queda da motivação, especialmente em contextos organizacionais que não ofereceram suporte adequado.
Além disso, a pandemia evidenciou a importância da comunicação organizacional como fator motivacional. Em situações de incerteza, a falta de informações claras e transparentes tende a ampliar sentimentos de insegurança e desconfiança. Vergara (2021) ressalta que organizações que mantiveram canais de comunicação abertos, com diálogo frequente e empático, conseguiram preservar níveis mais elevados de motivação entre seus colaboradores. A comunicação passou a assumir papel estratégico na construção de confiança e no fortalecimento do vínculo organizacional.
O aumento dos níveis de ansiedade, estresse e esgotamento emocional impactou diretamente a motivação no trabalho. Limongi-França (2018) afirma que a qualidade de vida no trabalho é um elemento indissociável da motivação, e sua deterioração compromete o desempenho e o engajamento. No contexto pandêmico, a ausência de políticas organizacionais voltadas ao cuidado com a saúde mental contribuiu para o agravamento da desmotivação e do absenteísmo.
As lideranças organizacionais também desempenharam papel central na forma como a motivação foi mantida ou enfraquecida durante a pandemia. Dutra (2021) aponta que gestores despreparados para lidar com equipes à distância tendem a adotar práticas excessivamente controladoras ou distantes, o que afeta negativamente o clima organizacional. Em contrapartida, lideranças baseadas no apoio, na escuta e no reconhecimento mostraram-se mais eficazes na preservação da motivação em contextos adversos.
No cenário brasileiro, a pandemia evidenciou desigualdades no acesso a recursos tecnológicos e condições adequadas de trabalho remoto. Trabalhadores que enfrentaram dificuldades de infraestrutura, como acesso limitado à internet ou ambientes domésticos inadequados, vivenciaram maior desgaste emocional e queda da motivação. Gil (2022) observa que a ausência de políticas organizacionais sensíveis a essas diferenças contribuiu para ampliar a percepção de injustiça e desvalorização entre os colaboradores.
A pandemia reforçou a necessidade de repensar as práticas de gestão de pessoas sob uma perspectiva mais humanizada. Zanelli, Borges-Andrade e Bastos (2020) defendem que a motivação no trabalho deve ser tratada como um processo relacional, que exige atenção às condições objetivas e subjetivas vivenciadas pelos trabalhadores. A experiência pandêmica demonstrou que modelos de gestão centrados apenas em resultados são insuficientes para sustentar a motivação em contextos de crise.
2.3 DESAFIOS E ESTRATÉGIAS PARA A PROMOÇÃO DA MOTIVAÇÃO NO CONTEXTO ORGANIZACIONAL PÓS-PANDEMIA
O período pós-pandemia impôs às organizações brasileiras o desafio de reconstruir vínculos, redefinir práticas de gestão e ressignificar o trabalho como espaço de pertencimento e realização. A motivação dos trabalhadores, fragilizada pelas experiências vividas durante a crise sanitária, passou a exigir atenção contínua e estratégias mais sensíveis às novas demandas sociais e emocionais. Nesse contexto, a gestão de pessoas assume papel central na construção de ambientes organizacionais capazes de estimular o engajamento e o comprometimento de forma sustentável, conforme discutido por Chiavenato (2020).
Um dos principais desafios enfrentados pelas organizações no cenário pós-pandêmico refere-se à adaptação aos modelos híbridos de trabalho. A combinação entre atividades presenciais e remotas alterou a dinâmica das relações profissionais e exigiu novas formas de acompanhamento, comunicação e avaliação de desempenho. Dutra (2021) destaca que a motivação, nesse modelo, depende da capacidade da organização em estabelecer metas claras, promover autonomia e manter vínculos de confiança entre gestores e equipes. A ausência desses elementos tende a gerar insegurança e desmotivação, especialmente quando os trabalhadores percebem falta de direcionamento ou reconhecimento.
A reconstrução do clima organizacional também se apresenta como desafio relevante. Durante a pandemia, muitos vínculos interpessoais foram enfraquecidos, afetando o sentimento de pertencimento e a identidade coletiva. Vergara (2021) ressalta que a motivação no trabalho está diretamente relacionada à qualidade das relações estabelecidas no ambiente organizacional. Assim, estratégias que favoreçam a integração das equipes, o diálogo e a cooperação tornam-se essenciais para restaurar a confiança e fortalecer o engajamento no período pós-pandêmico.
Outro desafio importante diz respeito à saúde mental dos trabalhadores. O aumento dos níveis de estresse e esgotamento emocional observado durante a pandemia deixou marcas que persistem no cenário atual. Limongi-França (2018) enfatiza que a motivação não pode ser dissociada das condições de bem-estar físico e psicológico. Organizações que negligenciam políticas voltadas ao cuidado com a saúde mental tendem a enfrentar queda de produtividade, aumento do absenteísmo e rotatividade elevada, fatores que comprometem a motivação a médio e longo prazo.
Nesse sentido, a adoção de práticas de gestão mais humanizadas surge como estratégia fundamental para a promoção da motivação. Gil (2022) aponta que ações como escuta ativa, feedback contínuo e reconhecimento simbólico contribuem para a valorização do trabalhador e para o fortalecimento do vínculo organizacional. Tais práticas permitem que o colaborador perceba sentido em suas atividades, elemento essencial para a manutenção da motivação no trabalho contemporâneo.
A valorização do desenvolvimento profissional também se destaca como estratégia relevante no contexto pós-pandêmico. A pandemia evidenciou a necessidade de adaptação constante e aprendizagem contínua, tornando o investimento em capacitação um fator motivacional significativo. Lacombe (2021) afirma que organizações que oferecem oportunidades de crescimento e aprendizado tendem a estimular maior comprometimento e satisfação entre os trabalhadores. Quando o indivíduo percebe que a organização investe em seu desenvolvimento, fortalece-se o sentimento de reciprocidade e engajamento.
Outro aspecto estratégico envolve o fortalecimento da liderança organizacional. O papel do gestor no cenário pós-pandêmico vai além do controle de tarefas e resultados, exigindo habilidades de comunicação, empatia e mediação de conflitos. Zanelli, Borges-Andrade e Bastos (2020) destacam que lideranças que adotam posturas participativas e colaborativas contribuem para ambientes mais motivadores. A atuação do líder como facilitador das relações e promotor do bem-estar coletivo influencia diretamente a motivação das equipes.
A comunicação organizacional também assume posição estratégica na promoção da motivação. Em um contexto marcado por incertezas e mudanças frequentes, a clareza das informações e a transparência nas decisões tornam-se elementos centrais para a construção de confiança. Sampaio e Valim (2024) apontam que organizações que mantêm canais de comunicação acessíveis e consistentes tendem a preservar níveis mais elevados de motivação, mesmo diante de desafios estruturais e econômicos.
O reconhecimento do trabalho realizado, seja por meio de recompensas simbólicas ou de valorização pública, permanece como fator relevante para a motivação no período pós-pandêmico. Antunes (2020) analisa que, em contextos de intensificação do trabalho, a ausência de reconhecimento contribui para o esvaziamento do sentido do trabalho e para o afastamento emocional do trabalhador em relação à organização. O reconhecimento, quando praticado de forma justa e transparente, reforça o sentimento de pertencimento e a percepção de valor individual.
2.4 Liderança e Comunicação Organizacional como Fatores Motivacionais no Pós-Pandemia
No contexto pós-pandêmico, a liderança e a comunicação organizacional assumem papel estratégico na promoção da motivação no ambiente de trabalho. As transformações vivenciadas durante a pandemia da COVID-19 evidenciaram a centralidade das relações humanas nas organizações, destacando a necessidade de líderes capazes de lidar com cenários de incerteza, instabilidade emocional e mudanças constantes. Nesse sentido, a motivação dos trabalhadores passou a depender, em grande medida, da forma como as lideranças conduzem processos, se comunicam e constroem vínculos de confiança.
A liderança exerce influência direta sobre o comportamento e o engajamento das equipes, especialmente em períodos de transição e adaptação. Segundo Chiavenato (2020), líderes que adotam posturas autoritárias e excessivamente centralizadoras tendem a comprometer a motivação, enquanto aqueles que valorizam o diálogo, a escuta e a participação contribuem para ambientes mais colaborativos e motivadores. No cenário pós-pandêmico, marcado pela ampliação do trabalho remoto e híbrido, essas competências tornaram-se ainda mais relevantes, uma vez que a ausência do contato presencial exige maior intencionalidade na construção das relações.
A comunicação organizacional configura-se como um dos principais instrumentos de mediação entre liderança e colaboradores. A clareza das informações, a transparência nas decisões e a coerência entre discurso e prática influenciam diretamente a percepção de segurança e pertencimento dos trabalhadores. Vergara (2021) destaca que falhas na comunicação tendem a gerar insegurança, boatos e desconfiança, afetando negativamente o clima organizacional e, consequentemente, a motivação. Em contrapartida, uma comunicação clara e contínua fortalece o vínculo entre organização e trabalhador.
Durante a pandemia, muitas organizações enfrentaram dificuldades em manter fluxos comunicacionais eficazes, o que impactou a motivação das equipes. No período pós-pandêmico, observa-se a necessidade de reestruturação desses processos, com a adoção de canais mais acessíveis e práticas comunicacionais mais humanizadas. Sampaio e Valim (2024) apontam que organizações que investiram em comunicação empática e participativa conseguiram preservar níveis mais elevados de engajamento, mesmo diante de adversidades estruturais.
O reconhecimento simbólico, por meio de feedbacks construtivos e valorização do trabalho realizado, mostrou-se um importante fator motivacional no cenário pós-pandêmico. Gil (2022) ressalta que o reconhecimento contribui para a percepção de justiça organizacional e fortalece o comprometimento do trabalhador com a instituição. A ausência dessa prática tende a gerar sentimentos de invisibilidade e desvalorização, comprometendo a motivação a médio prazo.
A liderança pós-pandêmica também demanda sensibilidade às questões relacionadas à saúde mental e ao bem-estar dos trabalhadores. Limongi-França (2018) destaca que líderes atentos às condições emocionais das equipes contribuem para ambientes mais saudáveis e produtivos. A motivação, nesse contexto, passa a estar associada à capacidade da liderança em acolher, orientar e oferecer suporte, reconhecendo as limitações e necessidades individuais dos colaboradores.
A articulação entre liderança e comunicação organizacional revela-se fundamental para a promoção da motivação no ambiente organizacional pós-pandemia. Organizações que investem no desenvolvimento de lideranças mais empáticas, aliadas a processos comunicacionais claros e participativos, tendem a fortalecer o engajamento e a satisfação dos trabalhadores. A compreensão desses fatores contribui para a construção de ambientes organizacionais mais resilientes, capazes de enfrentar os desafios contemporâneos do mundo do trabalho.
3 METODOLOGIA
A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza qualitativa, de caráter descritivo, com abordagem bibliográfica, tendo como objetivo analisar os desafios da motivação no ambiente organizacional no contexto pós-pandemia. A opção pela abordagem qualitativa justifica-se pela necessidade de compreender o fenômeno da motivação a partir de diferentes perspectivas teóricas, considerando seus aspectos subjetivos, sociais e organizacionais, que não podem ser plenamente apreendidos por meio de métodos quantitativos (MINAYO, 2014).
Quanto aos procedimentos técnicos, adotou-se a pesquisa bibliográfica, realizada a partir da análise de livros, artigos científicos, dissertações e trabalhos acadêmicos produzidos por autores nacionais reconhecidos na área da Administração, Gestão de Pessoas e Psicologia Organizacional. Segundo Gil (2022), a pesquisa bibliográfica permite o contato direto do pesquisador com produções científicas já consolidadas, possibilitando a construção de um referencial teórico consistente e atualizado sobre o tema investigado. As fontes utilizadas foram selecionadas por sua relevância acadêmica e por sua contribuição direta para a compreensão da motivação no ambiente organizacional, especialmente diante das transformações provocadas pela pandemia da COVID-19.
O levantamento bibliográfico foi realizado em bases de dados nacionais, como SciELO, Google Acadêmico, Periódicos CAPES e repositórios institucionais de universidades brasileiras. Utilizaram-se como descritores de busca os termos “motivação no trabalho”, “ambiente organizacional”, “gestão de pessoas”, “clima organizacional” e “pós-pandemia”, combinados entre si. Como critérios de inclusão, consideraram-se publicações em língua portuguesa, produzidas por autores nacionais, com recorte temporal prioritário entre 2018 e 2024, visando contemplar estudos atualizados e alinhados ao contexto pandêmico e pós-pandêmico. Foram excluídos trabalhos que não apresentavam relação direta com a temática ou que tratavam a motivação de forma superficial, sem fundamentação teórica consistente.
A análise dos dados foi realizada por meio de leitura exploratória, seletiva e analítica das obras selecionadas, buscando identificar conceitos, abordagens e interpretações recorrentes sobre a motivação no ambiente organizacional. Conforme Vergara (2021), esse tipo de análise permite organizar e interpretar o conteúdo teórico de forma crítica, possibilitando a articulação entre diferentes autores e a construção de reflexões fundamentadas. Os resultados da análise foram sistematizados em eixos temáticos, que subsidiaram a elaboração da fundamentação teórica do estudo.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise das produções científicas nacionais selecionadas permitiu identificar que a motivação no ambiente organizacional, no contexto pós-pandemia, apresenta-se como um fenômeno multifacetado, diretamente influenciado por mudanças estruturais no mundo do trabalho e por fatores subjetivos relacionados às experiências vivenciadas pelos trabalhadores durante a crise sanitária. Os estudos analisados convergem ao apontar que a pandemia da COVID-19 não apenas intensificou desafios já existentes, mas também revelou fragilidades nas práticas tradicionais de gestão de pessoas, especialmente no que se refere ao cuidado com o bem-estar e à valorização do trabalhador (ALVES; SILVA, 2023).
Os resultados evidenciam que um dos principais impactos observados refere-se à reconfiguração das formas de trabalho, com destaque para a consolidação dos modelos remoto e híbrido. Tais modelos alteraram significativamente a dinâmica organizacional e a relação dos indivíduos com o trabalho. Conforme apontam Sampaio e Valim (2024), embora a flexibilização tenha sido percebida como um aspecto positivo por parte dos trabalhadores, a ausência de políticas claras e de suporte organizacional adequado contribuiu para sentimentos de insegurança, sobrecarga e desmotivação. Esses achados dialogam com Dutra (2021), ao indicar que a motivação no trabalho depende da clareza dos processos organizacionais e do alinhamento entre expectativas individuais e objetivos institucionais.
A redução do contato presencial e a limitação das interações informais comprometeram o sentimento de pertencimento e a construção de vínculos entre os trabalhadores. Vergara (2021) destaca que o clima organizacional exerce influência direta sobre a motivação, uma vez que afeta a percepção dos indivíduos sobre reconhecimento, justiça e apoio institucional. No contexto pós-pandêmico, a dificuldade em restabelecer essas relações evidencia a necessidade de estratégias voltadas à reconstrução da confiança e da identidade coletiva.
A saúde mental emerge como um dos fatores centrais na discussão sobre motivação no período analisado. Os estudos indicam aumento expressivo de sintomas relacionados ao estresse, ansiedade e esgotamento emocional, refletindo diretamente na disposição para o trabalho. Limongi-França (2018) ressalta que a qualidade de vida no trabalho constitui elemento essencial para a motivação, sendo inviável dissociar desempenho e engajamento das condições de bem-estar físico e psicológico. A ausência de ações institucionais voltadas à saúde mental foi identificada como fator agravante da desmotivação e do afastamento emocional dos trabalhadores.
No que se refere às práticas de gestão, os resultados apontam que organizações que adotaram estratégias mais humanizadas apresentaram melhores indicadores de motivação. A valorização do diálogo, a escuta ativa e o reconhecimento simbólico mostraram-se relevantes para o fortalecimento do engajamento no contexto pós-pandêmico. Gil (2022) destaca que o reconhecimento, quando realizado de forma transparente e contínua, contribui para a percepção de justiça organizacional, elemento fundamental para a manutenção da motivação no trabalho. Esses achados reforçam a necessidade de superar modelos de gestão excessivamente centrados em metas e resultados imediatos.
A atuação das lideranças organizacionais também foi identificada como fator determinante nos níveis de motivação observados. Os estudos analisados indicam que lideranças despreparadas para lidar com contextos de incerteza tendem a adotar práticas autoritárias ou distantes, o que compromete o clima organizacional e intensifica a desmotivação. Em contrapartida, lideranças baseadas no apoio, na empatia e na comunicação transparente favoreceram ambientes mais colaborativos e motivadores (ZANELLI; BORGES-ANDRADE; BASTOS, 2020). Esses resultados evidenciam a importância do desenvolvimento de competências socioemocionais no exercício da liderança contemporânea.
Outro aspecto relevante identificado diz respeito à valorização do desenvolvimento profissional como estratégia motivacional no período pós-pandêmico. A necessidade de adaptação constante e aquisição de novas competências tornou o investimento em capacitação um fator decisivo para o engajamento dos trabalhadores. Lacombe (2021) afirma que organizações que promovem oportunidades de aprendizagem contínua tendem a fortalecer o vínculo com seus colaboradores, contribuindo para a motivação e a retenção de talentos. A ausência dessas oportunidades, por sua vez, foi associada à insatisfação e à intenção de desligamento.
Os resultados também evidenciam que a motivação no ambiente organizacional pós-pandemia está fortemente relacionada ao sentido atribuído ao trabalho. Antunes (2020) argumenta que, em contextos de intensificação das demandas e precarização das relações laborais, o trabalho tende a perder seu significado social, afetando diretamente a motivação. Os estudos analisados corroboram essa perspectiva ao indicar que trabalhadores que não percebem propósito ou reconhecimento em suas atividades demonstram menor engajamento e comprometimento organizacional.
A discussão dos resultados permite compreender que a motivação no ambiente organizacional pós-pandemia exige uma abordagem integrada, que considere aspectos estruturais, relacionais e subjetivos do trabalho. As evidências apontam que estratégias pontuais ou isoladas são insuficientes para enfrentar os desafios atuais. Torna-se necessário repensar as práticas de gestão de pessoas sob uma perspectiva mais humana, inclusiva e alinhada às novas demandas do mundo do trabalho, contribuindo para a construção de ambientes organizacionais mais saudáveis e sustentáveis.
CONCLUSÃO
A motivação no ambiente organizacional, analisada à luz dos desafios impostos pela pandemia da COVID-19 e pelo contexto pós-pandêmico, revelou-se um fenômeno complexo, diretamente relacionado às transformações recentes no mundo do trabalho. Ao longo deste estudo, foi possível compreender que a motivação ultrapassa a dimensão individual, sendo construída a partir das interações entre trabalhadores, organizações e condições estruturais que moldam as relações laborais. As mudanças ocorridas nos modelos de trabalho evidenciaram a necessidade de práticas de gestão mais sensíveis às demandas humanas, especialmente no que se refere ao bem-estar e ao reconhecimento profissional.
Os resultados apresentados demonstraram que a pandemia acentuou fragilidades já existentes nas organizações, como a precarização das relações de trabalho, a sobrecarga de tarefas e a insuficiência de políticas voltadas à saúde mental. Esses fatores impactaram diretamente o clima organizacional e a disposição dos trabalhadores para o engajamento. Conforme discutido por Limongi-França (2018), a motivação encontra-se intimamente ligada à qualidade de vida no trabalho, sendo inviável dissociar desempenho organizacional das condições emocionais e sociais vivenciadas pelos colaboradores.
Observou-se, também, que o período pós-pandêmico exige uma redefinição das práticas de gestão de pessoas, sobretudo diante da consolidação de modelos híbridos e remotos de trabalho. Dutra (2021) destaca que a motivação, nesse contexto, depende do alinhamento entre expectativas individuais e objetivos organizacionais, bem como da oferta de oportunidades de desenvolvimento e crescimento profissional. Organizações que investem em comunicação transparente, capacitação contínua e valorização do trabalhador tendem a apresentar ambientes mais motivadores e sustentáveis.
A atuação das lideranças mostrou-se elemento central na promoção ou no enfraquecimento da motivação no ambiente organizacional. Lideranças baseadas no diálogo, na empatia e no apoio contribuem para a construção de relações de confiança e para o fortalecimento do engajamento coletivo. Conforme apontam Zanelli, Borges-Andrade e Bastos (2020), o papel do gestor contemporâneo envolve não apenas a condução de resultados, mas também o cuidado com as dimensões humanas do trabalho, especialmente em contextos marcados por incertezas e mudanças constantes.
Dessa forma, conclui-se que os desafios da motivação no ambiente organizacional pós-pandemia demandam uma abordagem integrada e contínua, que considere aspectos estruturais, relacionais e subjetivos do trabalho. A adoção de práticas de gestão humanizadas, aliadas ao reconhecimento do trabalhador como sujeito ativo no processo organizacional, mostra-se fundamental para o fortalecimento da motivação e para a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos. Este estudo contribui para ampliar a compreensão sobre a temática, ao evidenciar a importância da motivação como elemento estratégico para a sustentabilidade organizacional no cenário contemporâneo.
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¹Discente do Curso Superior de Bacharelado em Administração do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Campus Laranjal do Jari e-mail: lcristiny221b@gmail.com
²Docente do Curso Superior de Bacharelado em Administração do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Campus Laranjal do Jari Doutorado em Gerenciamento ambiental pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e-mail: edilon.nunes@ifap.edu.br
