MORTALIDADE POR ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL EM JOVENS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511072122


Daniel Gurgel Linard1
Francisco Naildo Cardoso Leitão2


RESUMO

INTRODUÇÃO: o Acidente Vascular Cerebral (AVC) em adultos jovens, embora raro, pode ter consequências devastadoras devido ao impacto individual e socioeconômico. Com altas taxas de morbimortalidade, ele provoca sofrimento às vítimas e seus familiares, além de aumentar os custos de tratamento e o impacto social das sequelas. Existem dois tipos principais de AVC: isquêmico, causado pela obstrução de um vaso sanguíneo; e hemorrágico, decorrente da ruptura de um vaso. O AVC é a segunda principal causa de mortalidade e a terceira de morbidade mundial, afetando cerca de 15 milhões de pessoas anualmente, com 10% dos casos em pessoas de 18 a 50 anos. Estudos indicam um aumento de 40% na incidência de AVC em adultos jovens nas últimas décadas. OBJETIVO: analisar a mortalidade por Acidente Vascular Cerebral em jovens nos últimos 5 anos. MÉTODO: estudo de Revisão Sistemática sem metanálise delineada conforme as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) à partir das mais robustas e confiáveis bases de literatura em ciências da saúde para estes tipos de estudo: PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Literatura Latino-Americana do Caribe (LILACS) referente à mortalidade por acidente vascular cerebral (AVC) em jovens nos últimos 5 anos. Nesse sentido, os descritores foram confirmados na plataforma Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), em que os eleitos para a seleção dos artigos foram “Increase”, “Stroke mortality” e “Young”. Para estratégia de busca, além da aplicação dos descritores mencionados, foi utilizado o operador booleano “AND”, no qual a estratégia de busca final foi composta por (Increase) AND (“Stroke mortality“) AND (Young), com registro na plataforma PROSPERO. RESULTADOS: diversos estudos avaliaram as tendências de incidência, mortalidade e fatores de risco associados ao AVC em diferentes populações e regiões. Gao et al. (2024) observaram uma diminuição nas taxas de mortalidade por AVC hemorrágico na China, enquanto as taxas para AVC isquêmico aumentaram. Parcha et al. (2021) encontraram uma redução na mortalidade cardiovascular no cinturão de AVC nos EUA. Olum et al. (2021) destacaram uma alta mortalidade por AVC em Uganda. Outros estudos abordaram a influência de fatores como tabagismo, doenças cardíacas congênitas e uso de substâncias na mortalidade e incidência de AVC. Bernal et al. (2020) identificaram um declínio nas hospitalizações e mortalidade por AVC no Brasil, com uma tendência de estagnação para AVC isquêmico. CONCLUSÃO: o prognóstico da doença cerebrovascular é mais favorável em idades jovens, e de acordo com as pesquisas o diagnóstico segue sendo mais prevalente nas mulheres pelo alto uso de anticoncepcional oral.

DESCRITORES: aumento; mortalidade, acidente vascular cerebral; jovens

ABSTRACT

INTRODUCTION: Stroke (Cerebrovascular Accident – CVA) in young adults, although rare, can have devastating consequences due to its individuais and socioeconomic impact. With high morbidity and mortality rates, it causes suffering to victims and their families, in addition to increasing treatment costs and the social impact of sequelae. There are two main types of stroke: ischemic, caused by the obstruction of a blood vessel, and hemorrhagic, resulting from the rupture of a vessel. Stroke is the second leading cause of mortality and the third leading cause of morbidity worldwide, affecting about 15 million people annually, with 10% of cases in people aged 18 to 50 years. Studies indicate a 40% increase in the incidence of stroke in young adults in recent decades. OBJECTIVE: to analyze stroke mortality in young people over the past 5 years. METHODS: a systematic review without meta-analysis was conducted according to the recommendations of the Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta- Analyses (PRISMA), using the most robust and reliable health sciences literature databases for these types of studies: PubMed, Virtual Health Library (BVS), and Latin American and Caribbean Literature (LILACS), regarding stroke mortality in young people over the past 5 years. The descriptors were confirmed on the Health Sciences Descriptors (DeCS) platform, with “Increase,” “Stroke mortality,” and “Young” chosen for article selection. For the search strategy, in addition to using the mentioned descriptors, the boolean operator “AND” was used, resulting in the final search strategy (Increase) AND (“Stroke mortality”) AND (Young), with registration on the PROSPERO platform. RESULTS: various studies evaluated trends in incidence, mortality, and risk factors associated with stroke in different populations and regions. Gao et al. (2024) observed a decrease in hemorrhagic stroke mortality rates in China, while ischemic stroke rates increased. Parcha et al. (2021) found a reduction in cardiovascular mortality in the stroke belt in the USA. Olum et al. (2021) highlighted a high stroke mortality rate in Uganda. Other studies addressed the influence of factors such o smoking, congenital heart disease, and substance use on stroke mortality and incidence. Bernal et al. (2020) identified a decline in hospitalizations and stroke mortality in Brazil, with a stagnation trend for ischemic stroke. CONCLUSION: the prognosis for cerebrovascular disease is more favorable at young ages, and according to research, the diagnosis remains more prevalent in women due to the high use of oral contraceptives.

DESCRIPTORS: Increase; stroke mortality; Young.

INTRODUÇÃO

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) em adultos jovens é um evento raro, mas, quando ocorre, pode ser devastador para os indivíduos afetados e suas famílias, devido ao impacto individual e socioeconômico da doença. As altas taxas de morbimortalidade causam sofrimento tanto para as vítimas quanto para seus familiares, além de aumentar os custos do tratamento e o impacto social das sequelas da doença em uma população economicamente ativa.

Existem dois tipos de AVC que podem ocorrer: o AVC isquêmico e o AVC hemorrágico. No AVC isquêmico, ocorre a obstrução de um vaso sanguíneo, impedindo o fluxo de sangue para as células cerebrais. No caso do AVC hemorrágico, ocorre a ruptura de um vaso, causando sangramento intraparenquimatoso ou subaracnóideo. (BRASIL, 2013).

Sendo considerada a segunda principal causa de mortalidade e a terceira principal causa de morbidade a nível mundial, afetando cerca de 15 milhões de pessoas anualmente. A faixa etária dos 18 aos 50 anos representa 10% desses casos (LADEIRA, R et al., 2015). As altas taxas de morbimortalidade causam sofrimento para as vítimas e seus familiares, além de aumentarem os custos com o tratamento e o impacto social das sequelas da doença em uma população economicamente ativa (TAVARES TM, 2011; BARROS SLA et al., 2012).

Em contraste com a diminuição da incidência de AVC em idosos, estudos epidemiológicos mostraram um aumento de 40% na incidência de AVC em adultos jovens nas últimas décadas. O limite de idade para definir AVC em adultos jovens não está bem estabelecido. Muitos estudos optam por definir essa população entre 18 e 50 anos, embora o limite superior possa variar entre 45 e 65 anos (FUKUTOMI M et al., 2020).

A incidência do AVC em adultos com menos de 55 anos tem vindo a aumentar na última década (KISSELA BM et al., 2012; TIBAEK M et al., 2016) estimando-se entre 5,76 e 39,79/100 000 indivíduos conforme as diferentes características demográficas de cada população (PUTAALA J et al., 2009). Correspondendo a cerca de 5% a 20% do total dos AVC, o AVC no adulto jovem é responsável por cada vez mais internações (MARINI C, RUSSO T, FELZANI G, 2010), com custos significativos associados (SMAJLOVIĆ D et al., 2015).

A enxaqueca, o uso de contraceptivos orais, o consumo de drogas, a gravidez e o puerpério são exemplos de fatores de risco classicamente associados ao AVC em adultos jovens (MAAIJWEE et al., 2014). No entanto, pesquisas recentes têm mostrado que fatores de risco vascular tradicionais como hipertensão, dislipidemia e tabagismo desempenham um papel cada vez mais importante na fisiopatologia do AVC em pacientes jovens, especialmente em homens a partir dos 35 anos (VON SARNOWSKI et al., 2013).

Lima e colaboradores (2016) destacam que o estilo de vida adotado por adultos jovens pode acarretar riscos ou benefícios para sua saúde. A escolha de adotar práticas saudáveis pode estar relacionada a diversos fatores, como a percepção do indivíduo sobre sua posição na vida, o contexto cultural e os sistemas de valores aos quais ele está inserido, incluindo seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. Assim, a exposição cada vez mais precoce a diversos fatores de risco relacionados ao estilo de vida tem influenciado os casos de AVC em adultos jovens.

Em pesquisa de Araújo et al. (2018), foi constatado que os coeficientes de mortalidade foram mais elevados no sexo masculino, entre indivíduos de raça branca e estado civil casado. Durante o período do estudo, a tendência da mortalidade por AVC permaneceu constante, com um total de 20.387 óbitos registrados, dos quais 1.843 foram atribuídos ao acidente vascular encefálico. Houve uma tendência crescente de mortes entre homens, indivíduos casados e de raça branca. Os anos com maior incidência de óbitos por essa patologia foram 2007 e 2008.

Sabe-se que a taxa de sobrevivência e o resultado funcional final são melhores em adultos jovens que sofrem AVC em comparação com pacientes mais velhos. No entanto, as consequências dessa doença no perfil socioeconômico, como a perda de anos de produtividade, e na qualidade de vida dos pacientes destacam a importância do AVC como uma preocupação médica. Isso se reflete tanto na identificação de indivíduos em risco quanto no acompanhamento contínuo dos pacientes afetados (MULI G, RHODA A. 2013).

Sendo assim, o objetivo deste trabalho foi analisar a mortalidade por Acidente Vascular Cerebral em jovens nos últimos 5 anos por meio de uma revisão sistemática sem metanálise.

MÉTODO

Tipo de estudo

Estudo de Revisão Sistemática sem metanálise delineada conforme as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA).

Bases de literatura

Pesquisa realizada nas mais robustas e confiáveis bases de literatura em ciências da saúde para estes tipos de estudo: PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Literatura Latino-Americana do Caribe (LILACS) referente à mortalidade por acidente vascular cerebral (AVC) em jovens nos últimos 5 anos.

Estratégia de busca

Os descritores foram confirmados na plataforma Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), em que os eleitos para a seleção dos artigos foram “Increase”, “Stroke mortality” e “Young”. Para estratégia de busca, além da aplicação dos descritores mencionados, foi utilizado o operador booleano “AND”, no qual a estratégia de busca final foi composta por (Increase) AND (“Stroke mortality“) AND (Young).

Assim, com base nessa estratégia e na triagem inicial, foram encontrados um total 549 artigos totalizados pela soma em todas essas plataformas. Na pesquisa, aplicou-se o filtro “timeline” com artigos escritos e publicados de 2019 a 2024. Além disso, também foram utilizados os filtros “humanos” e “texto completo gratuito”. Após a triagem e aplicação dos filtros, verificou-se a totalidade de 83 artigos. Além disso, através do Software Rayyan em sua versão 2024.1, a elegibilidade de duplicadas foi avaliada por revisores independentes, no qual 25 artigos foram eliminados por duplicidade.

Critérios de inclusão e exclusão

Ao final dessa triagem, os artigos selecionados seguiram para avaliação perante os seguintes critérios de inclusão: artigos com textos disponíveis, indexados nas referidas bases de dados mais robustas no período proposto e com a temática pertinente ao estudo. Para os critérios de exclusão, foram utilizados os critérios: não possui foco na descrição do perfil clínico e epidemiológico da mortalidade por acidente vascular cerebral em jovens e artigos que foram publicados em datas inferiores a 2019.

Critérios de elegibilidade

Ao final dessas triagens, 15 artigos foram selecionados e lidos integralmente para a construção deste trabalho e expostos na tabela de fichamento presente na seção resultados. Para evitar divergências na estratificação dos artigos, foi realizada a mesma estratégia de busca e seleção nas bases de literatura por três pesquisadores distintos com a mesma sequência, visando consequentemente validar estes dados.

Tabela 1. PRISMA 2023 flow diagram for updated systematic reviews which included searches of databases, registers and other sources.

From: Page MJ, McKenzie JE, Bossuyt PM, Boutron I, Hoffmann TC, Mulrow CD, et al. The PRISMA 2023 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ 2021; 372:n71. doi: 10.1136/bmj.n71. For more information, visit: http://www.prisma-statement.org/

RESULTADOS

Foram encontrados 549 artigos. Após aplicar filtros para publicações, restaram 83 artigos e 25 duplicados foram eliminados. Os artigos restantes foram avaliados com base nos critérios de inclusão: disponibilidade de texto completo, indexados em bases de dados robustas, e relevância ao estudo. Os critérios de exclusão removeram artigos sem foco na descrição do perfil clínico e epidemiológico da mortalidade por acidente vascular cerebral em jovens, além de publicações anteriores a 2019. No final, 15 artigos foram selecionados para leitura integral (tabela 2).

Tabela 2. Fichamento dos artigos selecionados através das bases de literatura, conforme o modelo PRISMA 2023.

Fonte: Elaborado pelos próprios autores, 2023.

DISCUSSÃO

De acordo com o resultado das pesquisas analisadas, 41% dos adultos jovens com diagnóstico de acidente vascular cerebral tiveram transtorno por uso de substâncias (TUS), com envolvimento relativamente maior da circulação posterior. O aumento da mortalidade foi mais associado ao transtorno por uso de heroína do que a outras substâncias. O resultado ruim do AVC foi associado a transtornos por uso de álcool, heroína e cocaína.

O tabagismo é um fator de risco vascular amplamente reconhecido, com uma alta prevalência entre os jovens afetados por AVC, variando de 42% a 57% (MESCHIA JF, et al., 2014). O consumo de tabaco está na base de uma cascata patológica que afeta não apenas o endotélio, mas também a função plaquetária e os fatores pró-trombóticos. Isso inclui a produção de espécies reativas de oxigênio e citocinas, a expressão de metaloproteinases de matriz e a redução na liberação do ativador de plasminogênio tecidual endógeno (BHAT VM, et al., 2008). Inicialmente, o tabagismo pode prejudicar as propriedades vasodilatadoras do óxido nítrico, desencadeando uma série de reações bioquímicas e inflamatórias que causam danos físicos à parede endotelial (CSORDAS A, BERNHARD D, 2013).

Desta forma, o consumo de tabaco está fortemente associado a um aumento do risco de AVC isquêmico, e esse efeito parece depender da dose consumida, aumentando para mais do dobro quando o consumo ultrapassa 20 cigarros por dia (MESSNER B, BERNHARD D, 2014).

O sedentarismo e a obesidade são dois fatores de risco cardiovascular que desempenham um papel igualmente importante no aumento do risco de AVC em adultos jovens. Em um estudo europeu multinacional com 4.467 pacientes jovens (entre 18 e 55 anos), 48,2% eram sedentários e 22,3% eram obesos (VON SARNOWSKI B, et al., 2013). Apesar da falta de ensaios clínicos documentando o benefício do exercício físico na redução do risco de AVC, os dados observacionais significativos são suficientemente robustos para sustentar sua recomendação (FEIGIN VL, NORRVING  B,  MENSAH GA, 2017).

Nos pacientes com idade inferior a 30-35 anos, a incidência de AVC prevalece no sexo feminino. Esse predomínio pode estar relacionado a causas e fatores de risco específicos dessa população, como o uso de contraceptivos hormonais sistêmicos, gravidez e puerpério, além de uma maior prevalência de doenças autoimunes e enxaqueca (NTAIOS G, 2020).

Fatores como a inatividade física e obesidade também parecem ter um impacto maior no sexo feminino. A partir dos 35 anos, a incidência de AVC passa a ser superior nos homens, com uma maior influência de fatores de risco como hipertensão, tabagismo e consumo de álcool (BOOT E et al., 2020).

Em comparação com o sexo feminino, os homens apresentam maior taxa de mortalidade e maior risco de recorrência de eventos vasculares. A predominância masculina é mais evidente na aterosclerose de grandes artérias e na doença de pequenos vasos (lacunar), enquanto no sexo feminino prevalece o AVC isquêmico de outra etiologia determinada (GEORGE MG et al., 2020).

Nos adultos jovens com AVC, a mortalidade cumulativa aos 5 anos pode alcançar 10%, aos 10 anos 17% e aos 20 anos 30%, o que representa um valor quatro vezes superior em comparação com indivíduos da mesma idade e gênero sem histórico de AVC. O excesso de mortalidade é especialmente observado em pacientes com idade superior a 35 anos (GEORGE MG et al., 2020).

Alguns autores consideram que o uso de anticoncepcionais orais (ACO) por si só é um fator de risco suficiente para ser atribuída a ocorrência de AVC, na ausência de outras causas identificáveis. O Collaborative Group for the Study of Stroke in Young Women afirma que o uso de ACO está associado a um risco nove vezes maior, um risco que aumenta significativamente quando associado a enxaqueca, tabagismo ou outros fatores de risco. Dantas (2016) relatou que o uso de ACO foi a causa de 43% dos AVCs isquêmicos em mulheres jovens incluídas em seu estudo. Na nossa população, 77,8% das mulheres que sofreram AVC isquêmico estavam usando ACO.

No sexo feminino, os sintomas predominantes incluem distúrbios sensitivos, tonturas, cefaleias, náuseas, vômitos, tonturas e disfunções cognitivas. A inespecificidade dessa sintomatologia frequentemente leva a uma interpretação equivocada como patologia psicossomática, o que pode resultar em atrasos na busca por atendimento de emergência e no diagnóstico correto (CEJAS et al., 2019). Em contraste, sintomas como disartria, disfagia e desequilíbrio da marcha são mais comuns no sexo masculino (SARECKA-HUJAR & KOPYTA, 2021).

Um ano após o AVC, 60% dos adultos jovens apresentam alterações no desempenho cognitivo, e esse número se mantém em 50% aos 11 anos após o evento. Em contraste com os pacientes idosos, que tendem a ter suas funções executivas frontais preferencialmente afetadas, os adultos jovens frequentemente sofrem impactos em múltiplos domínios cognitivos após o AVC, incluindo memória verbal, atenção e funções executivas (DANTAS, 2016).

Tal como descrito por outros autores, verificou-se um predomínio do sexo feminino até aos 35 anos e do sexo masculino após essa idade, com um aumento crescente na incidência do AVC isquêmico em ambos os sexos a partir dos 35 anos, atribuído principalmente a uma maior incidência de aterosclerose precoce (LEUNG, L.Y. AND CAPLAN, L.R. 2016).

Além da prevenção primária, é extremamente relevante sensibilizar a população e os profissionais de saúde para a possibilidade desse diagnóstico em adultos jovens, visando melhorar o reconhecimento e a detecção precoce desses eventos. Adultos jovens, especialmente do sexo feminino, diabéticos, solteiros e desempregados, tendem a buscar atendimento mais tardiamente nos serviços de urgência diante de sintomas semelhantes aos de AVC, o que pode resultar em desfechos piores (SINGHAL, A.B. et al., 2013; TANG, M. et al., 2020).

A promoção da saúde visa reduzir os fatores de risco, educando a população sobre a importância e a necessidade de cuidar da saúde, modificando hábitos para torná-los mais saudáveis, promovendo assim um envelhecimento saudável.

CONCLUSÃO

O prognóstico da doença cerebrovascular é mais favorável em idades jovens, e de acordo com as pesquisas o diagnóstico segue sendo mais prevalente nas mulheres pelo alto uso de anticoncepcional oral.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, J. P. DE et al. Tendência da Mortalidade por Acidente Vascular Cerebral no Município de Maringá, Paraná entre os Anos de 2005 a 2015. International Journal of Cardiovascular Sciences, v. 31, n. 1, p. 56–62, 2018

ASHLEY, CHRISTOPHER; BERRY, Shamsi Daneshvari. The association between race and stroke prevalence in a patient cohort in Mississippi. Perspectives in Health Information Management, v. 18, n. Winter, 2021.

BARRA, Mathias et al. Stroke incidence in the young: evidence from a Norwegian register study. Journal of neurology, v. 266, p. 68-84, 2019.

BARROS SLA, Passos NRS, Nunes MASN et al. Estudo inicial sobre acidente vascular cerebral e serious games para aplicação no projeto “avc” do núcleo de tecnologia assistiva da UFS. Rev GEINTEC. 2012; 3(1):121-143.

BHAT VM, COLE JW, SORKIN JD, WOZNIAK MA, MALARCHER AM, GILES WH, STERN BJ, KITTNER SJ. Dose-response relationship between cigarette smoking and risk of ischemic stroke in young women. Stroke. 2008;39:2439-2443.

BOOT, E., EKKER, M.S., PUTAALA, J., KITTNER, S., DE LEEUW, F.-E. AND TULADHAR, A.M. (2020). Ischaemic stroke in young adults: a global perspective. Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry, 91(4), pp.411–417. doi:10.1136/jnnp-2019-322424.

CEJAS, L., MAZZIOTTI J., ZINNERMAN A., ZINNERMAN A., NOFAL P., FERNANDEZ M., BONARDO P., REISIN R. (2019) Misdiagnosis of Acute Ischemic Stroke in Young Adults. Medicina (B Aires)

CSORDAS A, BERNHARD D. The biology behind the atherothrombotic effects of cigarette smoke. Nat Rev Cardiol. 2013;10:219–30.

DANTAS, LEILA F. et al. Public hospitalizations for stroke in Brazil from 2009 to 2016. PLoS One, v. 14, n. 3, p. e0213837, 2019.

DE MORAES BERNAL, HENRIQUE ET al. Incidence of hospitalization and mortality due to stroke in young adults, residents of developed regions in Brazil, 2008-2018. Plos one, v. 15, n. 11, p. e0242248, 2020.

DMYTRIW, ADAM A. et al. Idade e resultado de AVC isquêmico agudo em pacientes norte- americanos com COVID-19. Jornal da American Heart Association , v. 14, pág. e021046, 2021.

EKKER, M.S., BOOT, E.M., SINGHAL, A.B., TAN, K.S., DEBETTE, S., TULADHAR, A.M. AND DE LEEUW, F.-E. (2018). Epidemiology, aetiology, and management of ischaemic stroke in young adults. The Lancet. Neurology, [online] 17(9), pp.790–801. doi:10.1016/S1474-4422(18)30233-3.

FEIGIN VL, NORRVING B, MENSAH GA. Global Burden of Stroke. Circ Res. 2017;120:439-48. doi: 10.1161/CIRCRESAHA.116.308413

FUKUTOMI, M., WILKINS, B. AND SØNDERGAARD, L. (2020). The role of device closure of patent foramen ovale in patients with cryptogenic stroke. Journal of Internal Medicine, 288(4), pp.400–409. doi:10.1111/joim.13143.

GAO, Ying; LIU, Kangding; FANG, Shaokuan. Mudança nos padrões de acidente vascular cerebral e subtipos atribuíveis à pressão arterial sistólica elevada na China de 1990 a 2019. Acidente vascular cerebral , v. 1, pág. 59-68, 2024.

GEORGE, M.G. (2020). Risk Factors for Ischemic Stroke in Younger Adults. Stroke, [online] 51(3), pp.729–735. doi:10.1161/strokeaha.119.024156.

GIANG, KOK WAI et al. Burden of Ischemic Stroke in Patients With Congenital Heart Disease: A Nationwide, Case‐Control Study. Journal of the American Heart Association, v. 10, n. 13, p. e020939, 2021.

KISSELA BM, KHOURY JC, ALWELL K, MOOMAW CJ, WOO D, ADEOYE O, et al. Age at stroke: temporal trends in stroke incidence in a large, biracial population. Neurology. 2012; 79:1781–7. doi: 10.1212/WNL.0b013e318270401d.

KLOCHIHINA, O. A. et al. Epidemiology and prognosis of the level of morbidity and mortality from stroke in different age groups according to the territorial-population register. Zhurnal Nevrologii i Psikhiatrii imeni SS Korsakova, v. 119, n. 8. Vyp. 2, p. 5-12, 2019.

LADEIRA, F., BARBOSA, R., CAETANO, A., MENDONÇA, M.D., CALADO, S. AND VIANA-BAPTISTA, M. (2015). Embolic stroke of unknown source (ESUS) in young patients. International Journal of Stroke, 10(SA100), pp.165–165. doi:10.1111/ijs.12596.

LEUNG, L.Y. AND CAPLAN, L.R. (2016). Factors Associated with Delay in Presentation to the Hospital for Young Adults with Ischemic Stroke. Cerebrovascular Diseases, 42(1-2), pp.10–14. doi:10.1159/000443242

LIMA, A. C. S. et al. Influence of hormonal contraceptives and the occurrence of stroke: integrative review. Revista brasileira de enfermagem, v. 70, n. 3, p. 647–655, 2017.

MAAIJWEE NA, RUTTEN-JACOBS LC, SCHAAPSMEERDERS P, VAN DIJK EJ, DE LEEUW FE. Ischaemic stroke in young adults: risk factors and long-term con-sequences. Nat Rev Neurol. 2014;10:315-25

MAAIJWEE, N.A.M.M., RUTTEN-JACOBS, L.C.A., SCHAAPSMEERDERS, P., VAN DIJK, E.J. and de Leeuw, F.-E. (2014). Ischaemic stroke in young adults: risk factors and long- term consequences. Nature Reviews Neurology, [online] 10(6), pp.315–325. doi:10.1038/nrneurol.2014.72

MARINI C, RUSSO T, FELZANI G. Incidence of stroke in young adults: a review. Stroke Res Treat. 2010; 2011:535672

MATHEW, THOMAS et al. Os acidentes vasculares cerebrais relacionados com a COVID-19 estão associados ao aumento da mortalidade e morbilidade: um estudo comparativo multicêntrico de Bengaluru, sul da Índia. Revista Internacional de Acidente Vascular Cerebral , v. 4, pág. 429-436, 2021.

MESCHIA JF, BUSHNELL C, BODEN-ALBALA B, BRAUN LT, BRAVATA DM, CHATURVEDI S, et al. Guidelines for the primary prevention of stroke: a statement for health- care professionals from the American Heart Association/American Stroke As-sociation. Stroke. 2014;45:3754-832. doi: 10.1161/STR.0000000000000046

MESSNER B, BERNHARD D. Smoking and cardiovascular disease: mechanis-ms of endothelial dysfunction and early atherogenesis. Arterioscler Thromb Vasc Biol. 2014;34:509–15. doi: 10.1161/ATVBAHA.113.300156.

MULI G, RHODA A. Quality of life amongst young adults with stroke living in Kenya. Afr Health Sci. 2013;13:632-8.

NEDELTCHEV K, DER MAUR TA, GEORGIADIS D, ARNOLD M, CASO V, MATTLE HP, et al. Ischaemic stroke in young adults: predictors of outcome and recurrence. J Neurol Neurosurg Psychiatry 2005; 76:191–5

NTAIOS, G. (2020). Embolic Stroke of Undetermined Source. Journal of the American College of Cardiology, 75(3), pp.333–340. doi: 10.1016/j.jacc.2019.11.024

OLUM, SAM et al. Stroke mortality outcomes in Uganda. Journal of Stroke and Cerebrovascular Diseases, v. 30, n. 5, p. 105661, 2021.

OSHUNBADE, ADEBAMIKE A. et al. Cigarette smoking and incident stroke in Blacks of the Jackson Heart Study. Journal of the American Heart Association, v. 9, n. 12, p. e014990, 2020.

PARCHA, VIBHU et al. Geographic inequalities in cardiovascular mortality in the United States: 1999 to 2018. In: Mayo Clinic Proceedings. Elsevier, 2021. p. 1218-1228.

PUTAALA J, METSO AJ, METSO TM, KONKOLA N, KRAEMER Y, HAAPANIEMI E, et al. Analysis of 1008 consecutive patients aged 15 to 49 with first ever ischemic stroke: the Helsinki Young Stroke Registry. Stroke. 2009; 40:1195–1203

RAMÍREZ-MORENO JM, FELIX-REDONDO FJ, FERNÁNDEZ-BERGÉS D, LOZANO-MERA L. Tendencias en las tasas de hospitalización por ictus en Extremadura en el periodo 2002-2014. Cambiando la idea del ictus como una enfermedad propia de la senectud. Neurologia. 2016; S0213-4853:30207-9

RIZK, HODA IBRAHIM et al. Transtorno por uso de substâncias em adultos jovens com acidente vascular cerebral: características clínicas e evolução. Acta Neurológica Bélgica , v. 1, pág. 65-72, 2024.

SARECKA-HUJAR, B. AND KOPYTA, I. (2021). The Impact of Sex on Arterial Ischemic Stroke in Young Patients: From Stroke Occurrence to Poststroke Consequences. Children, 8(3), p.238. doi:10.3390/children8030238.

SEMINOG, OLENA O. et al. Determinantes do declínio na mortalidade por AVC agudo em Inglaterra: estudo de base de dados nacional interligado de 795 869 adultos. Bmj , v.

SINGHAL, A.B., BILLER, J., ELKIND, M.S., FULLERTON, H.J., JAUCH, E.C., KITTNER, S.J., LEVINE, D.A. and Levine, S.R. (2013). Recognition and management of stroke in young adults and adolescents. Neurology, 81(12), pp.1089–1097. doi:10.1212/wnl.0b013e3182a4a451.

SMAJLOVIĆ D. Strokes in young adults: epidemiology and prevention. Vasc Health Risk Manag. 2015;11:157-64. doi: 10.2147/VHRM.S53203

TANG, M., YAO, M., ZHU, Y., PENG, B., ZHOU, L. AND NI, J. (2020). Sex differences of ischemic stroke in young adults—A single-center Chinese cohort study. Journal of Stroke and Cerebrovascular Diseases, 29(9), p.105087. doi:10.1016/j.jstrokecerebrovasdis.2020.105087

TAVARES TM. Acidente vascular encefálico em adultos   jovens -revisão da literatura. Goiânia: Pontifícia Universidade Católica de Goiás. 2011.

TIBAEK M, DEHLENDORFF C, JØRGENSEN HS, FORCHHAMMER HB, JOHNSEN SP, KAMMERSGAARD LP. Increasing Incidence of Hospitalization for Stroke and Transient Ischemic Attack in Young Adults: A Registry Based Study. J Am Heart Assoc. 2016;5: e003158. doi: 10.1161/JAHA.115.003158

VON SARNOWSKI B, PUTAALA J, GRITTNER U, GAERTNER B, SCHMINKE U, CURT-ZE S, et al. Lifestylerisk factors for ischemic stroke and transient ischemic attack in young adultsin  the Stroke in Young  Fabry Patients study. Stroke 2013;44:119–25

WANG, Yuan et al. Secular trends of stroke incidence and mortality in China, 1990 to 2016: the global burden of disease study 2016. Journal of Stroke and Cerebrovascular Diseases, v. 29, n. 8, p. 104959, 2020.


1Acadêmico do Curso de Medicina do Centro Universitário UNINORTE, Rio Branco, AC, Brasil.

Autor: Daniel Gurgel Linard – danielgurgellinard@gmail.com

2Orientador Permanente do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Saúde na Amazônia, da Universidade Federal do Acre, Rio Branco, AC, Brasil.