ESTRUTURAS DE CONCRETO COM FÔRMAS CONVENCIONAIS E FÔRMAS ATEX BRASIL: COMPARATIVO DA PRODUTIVIDADE NA EXECUÇÃO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511072132


José Lucas Serrão Pires
Orientador: André Lopes Teixeira


RESUMO

Este artigo apresenta uma análise comparativa, de caráter técnico e econômico, entre as fôrmas convencionais de madeira e as fôrmas industrializadas da ATEX Brasil na execução de estruturas de concreto armado. O estudo foca nos aspectos de produtividade, custo, qualidade e sustentabilidade dentro do contexto do Estado do Amazonas. Trata-se de uma pesquisa de natureza aplicada, com abordagem comparativa, fundamentada em dados reais de obras. Os resultados apontam que, embora o sistema convencional de madeira apresenta um custo inicial mais baixo, ele oferece baixo potencial de reaproveitamento, exige maior tempo de montagem e gera significativo desperdício de materiais. Por outro lado, as fôrmas industrializadas da ATEX Brasil, produzidas em polímeros de alta densidade, destacam-se pela montagem mais ágil, redução do tempo de ciclo em até 40%, menor esforço físico dos operários e capacidade de reutilização superior a 100 ciclos. Além disso, o sistema contribui para a redução de resíduos sólidos, a melhoria da ergonomia no canteiro e o cumprimento das normas de segurança e sustentabilidade (NR-18 e PNRS). Conclui-se, portanto, que nas condições logísticas e climáticas da Amazônia, a adoção de fôrmas industrializadas constitui uma alternativa estratégica para aumentar a eficiência, reduzir custos e impulsionar a modernização da construção civil regional.

Palavras-chave: Produtividade; Sustentabilidade; Construção civil; Eficiência construtiva.

ABSTRACT

This article presents a comparative analysis, of a technical and economic nature, between conventional wooden formwork and ATEX Brasil’s industrialized formwork in the execution of reinforced concrete structures. The study focuses on aspects of productivity, cost, quality, and sustainability within the context of the State of Amazonas. This is an applied research study with a comparative approach, based on real data from construction projects. The results indicate that, although the conventional wooden system has a lower initial cost, it offers low reuse potential, requires longer assembly time, and generates significant material waste. On the other hand, ATEX Brasil’s industrialized formwork, produced in high-density polymers, stands out for its faster assembly, reduction of cycle time by up to 40%, less physical effort for workers, and reuse capacity exceeding 100 cycles, providing a more advantageous overall cost-benefit ratio. Furthermore, the system contributes to the reduction of solid waste, improved ergonomics on the construction site, and compliance with safety and sustainability standards (NR-18 and PNRS). It is concluded, therefore, that under the logistical and climatic conditions of the Amazon region, the adoption of industrialized formwork constitutes a strategic alternative to increase efficiency, reduce costs, and boost the modernization of the regional construction industry.

Keywords: Productivity; Sustainability; Civil Construction; Construction Efficiency

1. INTRODUÇÃO

O Estado do Amazonas possui características únicas que impactam diretamente o setor da construção civil. A grande extensão territorial, a dependência do transporte fluvial, a logística complexa e o alto custo dos insumos tornam a atividade uma das mais desafiadoras do país. Diante desse cenário, a busca por eficiência produtiva e pela racionalização dos processos construtivos torna-se essencial para garantir a viabilidade e a competitividade de obras públicas e privadas.

Na execução de estruturas de concreto armado, o uso de fôrmas é uma etapa essencial, com grande influência nos prazos, na qualidade e nos custos da obra. Tradicionalmente, no Amazonas, ainda predominam as fôrmas convencionais de madeira, principalmente pela facilidade de obtenção do material e pelo baixo custo inicial. No entanto, esse sistema apresenta limitações significativas: o reaproveitamento é reduzido, há grande geração de resíduos e o processo de montagem e desmontagem é mais demorado, comprometendo a produtividade no canteiro de obras.

Nesse contexto, surgem como alternativa as fôrmas industrializadas, que têm conquistado espaço no mercado por oferecerem diversas vantagens, entre elas, maior durabilidade, reaproveitamento elevado, redução de resíduos e agilidade na execução. A ATEX Brasil, fundada em 1991, é uma das empresas que se destacam nesse setor, com o propósito de racionalizar o canteiro de obras, aumentar a produtividade e elevar a qualidade final das estruturas de concreto.

Para uma região onde os desafios logísticos e os custos adicionais com retrabalhos podem inviabilizar empreendimentos a adoção de soluções construtivas como a diferença de peso, resistência, tempo de produção e acabamento final podem representar um diferencial competitivo para construtoras e empreiteiras.

Para Oliveiva: 

Com o aumento da demanda por construções modulares em todo o mundo, impulsionado pela busca por soluções construtivas mais baratas, mais rápidas e sustentáveis, surge a necessidade de integrar as preocupações com a manutenção desde a fase de conceção dos projetos (Oliveira, 2025, pg. 2).

Assim, a análise comparativa da produtividade entre fôrmas convencionais e fôrmas ATEX Brasil no contexto do Amazonas torna-se relevante, pois permite avaliar de que forma a modernização dos processos pode contribuir para superar os entraves locais, reduzir custos indiretos e elevar o nível de eficiência da construção civil no estado.

2. METODOLOGIA

A metodologia adotada fundamenta-se em uma pesquisa aplicada de caráter comparativo que, para Gil (2008, p. 16) “O método comparativo procede pela investigação de indivíduos, classes, fenômenos ou fatos, com vistas a ressaltar as diferenças e similaridades entre eles” para assim  envolver a análise de dados coletados em obras reais, observação direta in loco e levantamento quantitativo de indicadores de produtividade, custo, consumo de materiais e segurança do trabalho.

A análise e discussão dos resultados possibilitam identificar, de maneira objetiva, as vantagens, limitações e oportunidades de aprimoramento associadas a cada tipo de fôrma, seja ela metálica, plástica, de madeira ou mista. Tais achados contribuem diretamente para a otimização da produtividade, a racionalização do uso de recursos, a redução de desperdícios e a melhoria da eficiência e sustentabilidade dos processos construtivos.

Por fim, espera-se que o estudo sirva como referência técnica e estratégica para empresas e gestores públicos na tomada de decisão sobre tecnologias construtivas mais adequadas ao contexto regional, promovendo o desenvolvimento sustentável e a competitividade da construção civil local.

3. TIPOLOGIAS DE FÔRMAS UTILIZADAS NA EXECUÇÃO DE ESTRUTURAS DE CONCRETO

A escolha do tipo de fôrma exerce influência direta sobre a qualidade, o custo e a produtividade das estruturas de concreto armado. Entre os sistemas mais utilizados no mercado brasileiro, destacam-se as fôrmas de madeira convencionais e as fôrmas plásticas moduladas, como as desenvolvidas pela empresa ATEX Brasil. Cada uma dessas soluções apresenta características, vantagens e limitações próprias, que devem ser analisadas conforme o contexto construtivo e as condições locais de execução.

As fôrmas de madeira convencionais são compostas por compensado plastificado, sarrafos e pontaletes, sendo amplamente utilizadas em obras de pequeno e médio porte devido à sua simplicidade construtiva. Entre as principais vantagens desse sistema, destacam-se a facilidade de aquisição dos materiais, a ampla disponibilidade de mão de obra e o baixo custo inicial de implantação. No entanto, esse tipo de fôrma apresenta limitações importantes. De acordo com Helene (2011), o desempenho está diretamente relacionado à qualidade do material empregado e às condições de exposição, sendo comum a redução da vida útil em ambientes úmidos ou de alta variação térmica. 

A higroscopicidade do compensado pode causar variações dimensionais em função da umidade, comprometendo o alinhamento e a estanqueidade das estruturas. Além disso, a superfície porosa favorece a aderência da nata de cimento, prejudicando o acabamento do concreto. Soma-se a isso o desgaste prematuro dos componentes, que reduz o número de reaproveitamentos possíveis e aumenta a geração de resíduos no canteiro de obras. Conforme a figura 1. 

Figura 1: Vigas superiores de compensado resinado

Fonte: Arquivo pessoal (2025)

Já as fôrmas plásticas moduladas (ATEX) são produzidas em polímeros de alta densidade, como ABS ou materiais semelhantes, e, possuem superfície não absorvente e módulos com encaixes precisos, o que garante melhor estanqueidade e padronização geométrica das peças moldadas. 

Entre suas principais vantagens, destacam-se a baixa absorção de água que reduz o risco de variação dimensional e melhora o acabamento do concreto, a elevada repetitividade geométrica, que assegura maior uniformidade entre os elementos estruturais, e a alta resistência a impactos e ao desgaste, permitindo um número de reaproveitamentos significativamente superior ao das fôrmas de madeira.

Além disso, esse sistema faz parte de um conceito construtivo mais amplo, representado pelo Sistema Planex, que substitui o uso do compensado de madeira na concretagem por fôrmas plásticas reutilizáveis e recicláveis. Conforme dados disponíveis no site da ATEX sobre o Sistema Planex (acessado em 20/08) essa tecnologia contribui para a redução de até 95% da madeira utilizada nas estruturas e reforça o compromisso ambiental da empresa, que gerencia toda a cadeia produtiva desde a fabricação até a destinação final dos componentes sem gerar descarte de resíduos no meio ambiente.

Na figura 2, é possível observar pilares sendo moldados com formas modulares em ATEX, um sistema plástico reutilizável usado para concretagem. Essas formas estão devidamente travadas com escoras de madeira, garantindo estabilidade durante o lançamento do concreto, seja usinado ou misturado manualmente, evitando deslocamentos e deformações.

Figura 2: Fôrma Pilar Atex ( Sistema Planex )

Fonte: Arquivo pessoal (2025)

Dessa forma, ao comparar as fôrmas da Atex Brasil com as convencionais de madeira, fica evidente que os sistemas industrializados oferecem maior eficiência, precisão e sustentabilidade. Enquanto as fôrmas de madeira exigem mais tempo e mão de obra e acabam gerando maior desperdício, o sistema Atex proporciona padronização, reaproveitamento e redução de resíduos, tornando-se uma solução mais vantajosa para obras que buscam agilidade e controle de qualidade. Por isso, a escolha entre os dois métodos deve levar em conta não apenas o custo imediato, mas também o impacto no cronograma, na qualidade da execução e na sustentabilidade do projeto.

4. MÉTODOS CONSTRUTIVOS PARA FÔRMAS DE CONCRETO

4.1 Montagem, tempo de ciclo e produtividade

A etapa de montagem das fôrmas é determinante para o desempenho produtivo na execução de estruturas de concreto. A eficiência nessa fase está diretamente associada ao tempo de ciclo, isto é, ao intervalo necessário para montagem, concretagem, cura, desforma e remontagem, sendo um dos principais indicadores de produtividade em obras de edificação.

Nas fôrmas convencionais de madeira, o processo de montagem é mais artesanal, demandando maior tempo e mão de obra especializada, o que impacta o ritmo de produção e o controle de qualidade. Neste sentido que para Pillar (2015):

As técnicas construtivas vêm evoluindo ao longo do tempo, através do emprego de novos materiais, ferramentas, equipamentos e práticas aperfeiçoadas. Surgem como alternativas às técnicas tradicionais e são criadas visando ganhos de qualidade e produtividade (Pillar, 2015, pg. 2).

Já os sistemas industrializados, como os produzidos pela ATEX Brasil, possibilitam ciclos mais curtos, devido à padronização das peças e à facilidade de encaixe modular. Segundo dados da própria empresa, a adoção de fôrmas plásticas e metálicas pode reduzir o tempo de execução de pavimentos em até 40%, quando comparado aos métodos tradicionais (Atex Brasil, 2023).

Essa redução no tempo de ciclo implica aumento direto da produtividade e menor custo por metro quadrado de estrutura, uma vez que permite maior rotatividade das equipes e uso mais eficiente dos recursos disponíveis. Assim, a escolha do sistema de fôrmas assume papel estratégico no planejamento da produção, influenciando o cronograma, a qualidade e a sustentabilidade do processo construtivo.

4.2 Segurança e ergonomia

Ergonomia é a ciência que estuda a relação entre o ser humano e os elementos de um sistema de trabalho, com o objetivo de adaptar as condições laborais às capacidades e limitações das pessoas, promovendo segurança, conforto e eficiência nas atividades.

A aplicação dos princípios da ergonomia no ambiente de trabalho é essencial para reduzir riscos e melhorar o desempenho global das tarefas. Peças mais leves implicam menor esforço físico e menor risco de acidentes por levantamento. Da mesma forma, a eliminação ou redução do uso de ferramentas cortantes, como serra e formão, diminui a probabilidade de ferimentos e o nível de ruído no canteiro. 

Esses fatores contribuem diretamente para o cumprimento das exigências da NR-18, que estabelece diretrizes de segurança e saúde no trabalho na indústria da construção (Brasil, 2020), além de fortalecer as políticas internas de segurança das construtoras. Assim, promovem melhores condições de ergonomia, entendida como a disciplina científica que estuda as interações entre o ser humano e o ambiente de trabalho, buscando otimizar o bem-estar e o desempenho global das atividades.

4.3 Qualidade do acabamento e retrabalho

O acabamento e o retrabalho são etapas fundamentais no processo construtivo, pois influenciam diretamente a qualidade estética e funcional das estruturas. O acabamento refere-se ao resultado final obtido na superfície do elemento após a execução, refletindo o cuidado com os processos de moldagem, adensamento e cura. 

Já o retrabalho corresponde às intervenções corretivas realizadas posteriormente para ajustar falhas, imperfeições ou irregularidades que possam comprometer o desempenho ou a aparência do concreto. Dessa forma, quanto mais eficiente for o controle das etapas iniciais de execução, menor será a necessidade de retrabalhos e maiores serão os ganhos de produtividade e economia. 

Neste contexto, a superfície plástica lisa reduz a formação de bolhas e imperfeições; juntas bem vedadas diminuem vazamentos de nata e, consequentemente, reduz-se a necessidade de emboço, lixamento e aplicação de argamassa corretiva, gerando economias em materiais, mão de obra especializada e prazo adicional. 

Esse desempenho está diretamente relacionado à qualidade do acabamento superficial, entendido como o aspecto final do concreto após a desforma, influenciado pela qualidade da fôrma, da concretagem e do adensamento. Para Tutikian e Helene (2011, pg. 2)“A resistência à compressão dos concretos tem sido tradicionalmente utilizada como parâmetro principal de dosagem e controle da qualidade dos concretos destinados a obras correntes”.

Quando o acabamento é adequado, há menor necessidade de retrabalho, que consiste em atividades corretivas destinadas a ajustar falhas ou imperfeições que comprometem a aparência ou o desempenho do elemento construído. Assim, sistemas de fôrmas com superfícies lisas e precisão dimensional contribuem para reduzir etapas de correção e elevar o padrão de qualidade do produto.

4.4 Sustentabilidade e gestão de resíduos

O balanço ambiental deve considerar ciclo de vida: consumo de madeira e geração de resíduos para fôrmas convencionais versus energia e reciclabilidade do plástico para sistemas industrializados. Em termos práticos, a elevada reutilização dos módulos plásticos diminui o volume de resíduos por m³ de concreto e reduz o consumo de madeira, alinhando-se à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e às estratégias de responsabilidade socioambiental das empresas.

5. PREÇO, ORÇAMENTO DE MATERIAIS, MÃO DE OBRA E REAPROVEITAMENTO DAS FÔRMAS

5.1 Materiais e investimento inicial

A análise comparativa entre os sistemas de fôrmas convencionais de madeira e fôrmas industrializadas da ATEX Brasil evidencia diferenças significativas quanto aos custos diretos de materiais, mão de obra e reaproveitamento dos componentes, refletindo diretamente no custo final da estrutura de concreto armado. 

As fôrmas convencionais de madeira utilizam compensado plastificado, pontaletes e sarrafos, com custo inicial reduzido. Contudo, apresentam baixo reaproveitamento e elevado desperdício devido ao desgaste do material após poucos ciclos de uso. Já as fôrmas industrializadas ATEX Brasil, produzidas em plástico modular reutilizável, possuem custo inicial mais elevado, porém apresentam reutilização superior a 100 utilizações, o que dilui o investimento ao longo de diversas obras.

Tabela 1: Custos e Características

Item Fôrma ConvencionalFôrma ATEX   
Custo inicial (m²) R$ 80,00 – R$ 110,00 R$ 180,00 – R$ 250,00 
Reaproveitamento 3 a 8 vezes 80 a 150 vezes 
Desperdício médio 15% a 25% < 3% 
Transporte e armazenamento Difícil, volumoso Modular, leve e empilhável 
Impacto ambiental Alto (madeira, resíduos) Baixo (plástico reciclável) 
Fonte: Pesquisa pessoal (2025)

5.2 Mão de obra e produtividade

A execução com fôrmas de madeira exige carpinteiros especializados, com alto consumo de horas-homens e maior tempo de montagem e desmontagem.  Em contrapartida, as fôrmas ATEX utilizam módulos padronizados de encaixe rápido, demandando menos trabalhadores e reduzindo o tempo de ciclo. Estudos técnicos (ATEX, 2023) indicam redução de 30% a 40% no tempo total de fôrma em relação ao sistema convencional.

Tabela 2: Indicadores de Produtividade (Mão de Obra e Tempo de Ciclo)

Indicador Fôrma Convencional Fôrma ATEX Brasil 
Mão de obra necessária 5 a 6 operários por equipe 3 a 4 operários por equipe 
Tempo de montagem 2,5 a 3,0 dias / pavimento 1,0 a 1,5 dia / pavimento 
Tempo de desmontagem 1,0 a 1,5 dia 0,5 dia 
Produtividade média 0,6 a 0,8 m²/h 1,2 a 1,5 m²/h 
Fonte: Pesquisa pessoal (2025)

5.3 Reaproveitamento e durabilidade

As fôrmas ATEX destacam-se pelo alto índice de reaproveitamento e padronização, podendo ser utilizadas em diferentes geometrias e projetos.  Enquanto as fôrmas de madeira deterioram-se rapidamente por exposição à umidade e impactos, exigindo substituições frequentes, as fôrmas plásticas mantêm desempenho constante por dezenas de ciclos, reduzindo o custo unitário por m² de uso.

Tabela 3: Custo Efetivo por m²de Uso, Comparando Fôrmas de Madeira e Fôrmas ATEX

Custo efetivo por m²  (considerando reaproveitamento) 
Madeira: R$ 80,00 ÷ 5 usos = R$ 16,00/m² 
ATEX: R$ 220,00 ÷ 100 usos = R$ 2,20/m² 
Fonte: Pesquisa pessoal (2025)

6. TEMPO, REGISTRO DE HORAS-HOMENS NECESSÁRIAS PARA MONTAGEM E DESMONTAGEM DE CADA SISTEMA

Nos sistemas convencionais de madeira, a montagem é mais demorada e exige maior número de operários especializados (carpinteiros e ajudantes). A necessidade de cortes, ajustes e travamentos manuais aumenta o consumo de tempo por metro quadrado de fôrma instalada. Em contrapartida, as fôrmas industrializadas da ATEX Brasil são compostas por módulos padronizados de encaixe rápido, o que reduz significativamente o tempo de instalação e o número de trabalhadores necessários. 

Tabela 4 :Produtividade (horas-homem e equipe)

Indicador Fôrma ConvencionalFôrma Industrializada ATEX Brasil 
Equipe média 6 operários (4 carpinteiros + 2 ajudantes) 4 operários (2 montadoras + 2 ajudantes) 
Montagem (pavimento padrão 200 m²) 150 a 180 horas-homens 80 a 100 horas-homens 
Desmontagem (pavimento padrão 200 m²) 60 a 70 horas-homens 30 a 40 horas-homens 
Total de horas-homens / ciclo 210 a 250 h.h 110 a 140 h.h 
Produtividade média 0,8 m²/h.h 1,5 m²/h.h 
Redução de tempo total  40% menor  
Fonte: Pesquisa pessoal (2025)

7. SEGURANÇA, ANÁLISE DE RISCOS (ERGONOMIA, PESO DO MATERIAL, NECESSIDADE DE EPI, ACIDENTES RELATADOS). 

Nos sistemas convencionais de madeira, o risco de acidentes é elevado devido ao peso excessivo dos componentes, ao uso de ferramentas cortantes (serras, martelos e pregos) e à necessidade de ajustes manuais durante a montagem.

Já as fôrmas industrializadas ATEX Brasil, compostas por módulos plásticos leves e de encaixe rápido, apresentam menor esforço físico, redução de ruído e de riscos ergonômicos, além de dispensar o uso de ferramentas cortantes. 

Tabela 5 :Segurança e Riscos Ergonômicos

Critério de Segurança Fôrma ConvencionalFôrma Industrializada
Peso médio das peças 15 a 25 kg por painel 3 a 5 kg por módulo 
Esforço físico exigido Alto (levantamento e corte manual) Baixo (módulos leves e encaixáveis) 
Necessidade de ferramentas Alta (serra, martelo, pregos, formão) Mínima (uso de pinos e travas manuais) 
Principais riscos Cortes, quedas, esmagamentos, ruído, fadiga Escorregões, posturas inadequadas eventuais 
EPIs obrigatórios Capacete, luvas, protetor auricular, botas, óculos Capacete, luvas e botas 
Frequência de acidentes relatadosMédia/Alta Baixa 
Ruído na execução 80–90 dB (serras e martelos) < 60 dB 
Ergonomia Desfavorável (posturas forçadas e repetitivas) Favorável (componentes leves e modulares) 
Fonte: Pesquisa pessoal (2025)

8. QUALIDADE, ACABAMENTO SUPERFICIAL DO CONCRETO, NECESSIDADE DE RETRABALHO. 

Nas fôrmas convencionais de madeira, o acabamento do concreto é geralmente irregular e poroso, devido à absorção de água pelo compensado, às juntas mal vedadas e ao uso repetido do material, que causa desgaste da superfície. Em muitos casos, há necessidade de retrabalhos com argamassa de regularização, lixamento ou aplicação de reboco para correção de imperfeições.

Já as fôrmas industrializadas ATEX Brasil, fabricadas em plástico de alta densidade (ABS), apresentam superfície lisa, impermeável e modularmente estanque, resultando em concretos com textura uniforme, menor presença de bolhas e rebarbas, e redução significativa do retrabalho após desforma. 

Tabela 6: Indicadores de Qualidade

Aspecto avaliado Fôrma ConvencionalFôrma Industrializada
Textura superficial do concreto Rugosa, com marcas e poros Lisa e uniforme 
Estanqueidade das juntas Baixa – vazamento de nata frequente Alta – encaixe preciso dos módulos 
Absorção de água pelo material Alta (compensado absorvente) Nula (superfície plástica impermeável) 
Necessidade de desmoldante Alta (óleo mineral) Baixa (uso mínimo de agente desmoldante) 
Ocorrência de falhas rebarbas Frequente Rara 
Necessidade de retrabalho Alta (emboço ou lixamento) Mínima ou inexistente 
Repetitividade de qualidade Baixa (depende do estado da madeira) Alta (módulos padronizados) 
Indicação de uso Estruturas não aparentes Estruturas aparentes e repetitivas 
Fonte: Pesquisa pessoal (2025)

9. SUSTENTABILIDADE, VOLUME DE RESÍDUOS GERADOS, REAPROVEITAMENTO MÉDIO POR CICLO

Nos sistemas convencionais de madeira, observa-se um elevado volume de resíduos sólidos gerados ao longo da obra, provenientes de cortes, perdas, deformações e descarte de peças danificadas após poucos ciclos de uso. Além disso, o material, geralmente proveniente de compensado plastificado, tem baixo reaproveitamento, podendo causar impactos ambientais significativos quando descartado de forma inadequada. 

Em contrapartida, as fôrmas industrializadas ATEX Brasil, fabricadas em plástico de alta resistência (ABS), apresentam reutilização elevada e baixo índice de perda, podendo ser recicladas ao final de sua vida útil. Dessa forma, o sistema industrializado contribui para a redução de resíduos, emissões de CO₂ e consumo de madeira, tornando-se uma alternativa ambientalmente mais sustentável. 

Tabela 6: Indicadores de Sustentabilidade

Aspecto ambiental Fôrma Convencional (Madeira) Fôrma Industrializada ATEX Brasil 
Vida útil média 3 a 8 utilizações 80 a 150 utilizações 
Reaproveitamento médio 10% a 20% > 90% 
Volume de resíduos gerados0,10 a 0,15 m³ de madeira por   m³ de concreto  < 0,02 m³ de plástico por m³ de concreto 
Potencial de reciclagem Baixo (material contaminado e degradado) Alto (100% reciclável) 
Origem do material Recursos naturais (madeira) Material sintético reciclável
Impacto ambiental direto Desmatamento, geração de resíduos sólidos Redução de resíduos e reutilização contínua 
Descarte finalQueima ou aterro sanitário Reciclagem ou reprocessamento 
Conformidade com PNRS Parcial Elevada 
Fonte: Pesquisa pessoal (2025)

10. ANÁLISE DE RESULTADOS

Apresentar resultados em tabelas e gráficos, comparando os indicadores de produção. A análise comparativa entre os sistemas de fôrmas convencionais de madeira e as fôrmas industrializadas ATEX Brasil demonstrou diferenças significativas em aspectos técnicos, econômicos, produtivos e ambientais, os quais impactam diretamente a eficiência e a viabilidade das obras de concreto armado no contexto amazônico. 

No que se refere aos custos iniciais, as fôrmas de madeira apresentam vantagem imediata, pois requerem menor investimento por metro quadrado (R$ 80,00 a R$ 110,00/m²). No entanto, esse benefício é momentâneo, uma vez que o baixo reaproveitamento (3 a 8 usos) e o alto índice de desperdício (15% a 25%) elevam o custo efetivo por ciclo produtivo. 

Em contrapartida, o sistema ATEX Brasil, apesar do investimento inicial mais elevado (R$ 180,00 a R$ 250,00/m²), apresenta vida útil superior a 100 reutilização, reduzindo o custo efetivo por uso para aproximadamente R$ 2,20/m², o que representa uma economia substancial em médio e longo prazo. 

No quesito mão de obra e produtividade, as fôrmas de madeira exigem equipes maiores (5 a 6 operários), com tempo de montagem e desmontagem elevado, resultando em produtividade média de 0,6 a 0,8 m²/h. 

Já o sistema ATEX demanda menos operários. (3 a 4 por equipes) e reduz o tempo de execução em até 40%, alcançando produtividade entre 1,2 e 1,5 m²/h, conforme estudos técnicos da própria fabricante (ATEX, 2023) e de acordo com parâmetros de produtividade indicados por Souza (2019). 

Sob o ponto de vista da segurança do trabalho, as fôrmas ATEX apresentam desempenho superior. O peso reduzido dos módulos (3 a 5 kg), o sistema de encaixe rápido e a ausência de ferramentas cortantes diminuem os riscos ergonômicos e de acidentes, atendendo às diretrizes da NR-18 (Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria da Construção) e da NR-17 (Ergonomia). As fôrmas convencionais, por sua vez, expõem os operários a esforços intensos, ruídos elevados (80–90 dB) e maior probabilidade de acidentes com pregos, serras e martelos. 

Quanto à qualidade superficial do concreto, o sistema ATEX mostrou-se amplamente superior, proporcionando superfícies lisas, estanques e regulares, com mínima necessidade de retrabalho, o que se traduz em economia de tempo e materiais de acabamento. As fôrmas de madeira, devido à absorção de umidade e irregularidades nas juntas, tendem a produzir concretos porosos e irregulares, frequentemente exigindo correções posteriores. 

Do ponto de vista ambiental e sustentável, o sistema ATEX demonstra clara vantagem. Fabricado em plástico ABS reciclável, apresenta reaproveitamento superior a 90% e geração de resíduos inferior a 0,02 m³ por m³ de concreto, em conformidade com os princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) e das diretrizes da ABNT NBR ISO 14001 (Gestão Ambiental). As fôrmas convencionais, por outro lado, contribuem para o desmatamento e geram grande volume de resíduos de madeira de difícil reaproveitamento. 

No contexto amazônico, caracterizado por logística complexa, alto custo de transporte e disponibilidade limitada de insumos industrializados o investimento em sistemas modulares reutilizáveis representa uma estratégia de racionalização de recursos. A durabilidade e o reaproveitamento das fôrmas ATEX compensam as dificuldades de aquisição inicial, reduzindo custos indiretos com transporte, retrabalho e descarte de resíduos. 

Dessa forma, considerando os indicadores de custo, produtividade, segurança, qualidade e sustentabilidade, conclui-se que o sistema de fôrmas industrializadas ATEX Brasil apresenta o melhor custo-benefício global para obras de concreto armado no Estado do Amazonas. Sua adoção promove não apenas ganhos econômicos e operacionais, mas também redução de impactos ambientais e melhoria das condições de trabalho, alinhando-se às tendências de modernização e sustentabilidade da construção civil.

11. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando os resultados apresentados, o comparativa entre os sistemas de fôrmas convencionais de madeira e as fôrmas industrializadas ATEX Brasil demonstrou diferenças significativas em aspectos técnicos, econômicos, produtivos e ambientais, os quais impactam diretamente a eficiência e a viabilidade das obras de concreto armado no contexto amazônico. 

No que se refere aos custos iniciais, as fôrmas de madeira apresentam vantagem imediata, pois requerem menor investimento por metro quadrado, como foi apresentado durante o artigo. Em contrapartida, o sistema ATEX Brasil, apesar do investimento inicial mais elevado (R$ 180,00 a R$ 250,00/m²), apresenta vida útil superior a 100 reutilização, reduzindo o custo efetivo por uso para aproximadamente R$ 2,20/m², o que representa uma economia substancial em médio e longo prazo. 

No quesito mão de obra e produtividade, as fôrmas de madeira exigem equipes maiores (5 a 6 operários), com tempo de montagem e desmontagem elevado, resultando em produtividade média de 0,6 a 0,8 m²/h. Já o sistema ATEX demanda menos operários (3 a 4 por equipe) e reduz o tempo de execução em até 40%, alcançando produtividade entre 1,2 e 1,5 m²/h, conforme estudos técnicos da própria fabricante (ATEX, 2023) e de acordo com parâmetros de produtividade indicados por Souza (2019). 

Sob o ponto de vista da segurança do trabalho, as fôrmas ATEX apresentam desempenho superior. O peso reduzido dos módulos (3 a 5 kg), o sistema de encaixe rápido e a ausência de ferramentas cortantes diminuem os riscos ergonômicos e de acidentes, atendendo às diretrizes da NR-18 (Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria da Construção) e da NR-17 (Ergonomia). As fôrmas convencionais, por sua vez, expõem os operários a esforços intensos, ruídos elevados (80–90 dB) e maior probabilidade de acidentes com pregos, serras e martelos. 

Quanto à qualidade superficial do concreto, o sistema ATEX mostrou-se amplamente superior, proporcionando superfícies lisas, estanques e regulares, com mínima necessidade de retrabalho, o que se traduz em economia de tempo e materiais de acabamento. 

As fôrmas de madeira, devido à absorção de umidade e irregularidades nas juntas, tendem a produzir concretos porosos e irregulares, frequentemente exigindo correções posteriores. 

Do ponto de vista ambiental e sustentável, o sistema ATEX demonstra clara vantagem. Fabricado em plástico ABS reciclável, apresenta reaproveitamento superior a 90% e geração de resíduos inferior a 0,02 m³ por m³ de concreto, em conformidade com os princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) e das diretrizes da ABNT NBR ISO 14001 (Gestão Ambiental). As fôrmas convencionais, por outro lado, contribuem para o desmatamento e geram grande volume de resíduos de madeira de difícil reaproveitamento. 

Dessa forma, considerando os indicadores de custo, produtividade, segurança, qualidade e sustentabilidade, conclui-se que o sistema de fôrmas industrializadas ATEX Brasil apresenta o melhor custo-benefício global para obras de concreto armado no Estado do Amazonas. Sua adoção promove não apenas ganhos econômicos e operacionais, mas também redução de impactos ambientais e melhoria das condições de trabalho, alinhando-se às tendências de modernização e sustentabilidade da construção civil contemporânea. 

REFERÊNCIAS

ATEX BRASIL. Catálogo técnico de sistemas de fôrmas e escoramentos. São Paulo: ATEX Brasil, 2023.

BERNARDES, Maurício Moreira Silva. Planejamento e Controle da Produção para Empresas de Construção Civil. Rio de Janeiro: LTC, 2021. Ebook. ISBN 9788521637424.

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