REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511300305
Lorenna do Nascimento Carvalho1
Ana Cristina da Silva Pinto2
Susy Christine Goes de Melo Martins3
Eduardo da Costa Martins4
Resumo: A leucemia crônica é um grupo de doenças hematológicas caracterizadas pelo acúmulo progressivo de leucócitos na medula óssea e no sangue periférico, incluindo a leucemia mieloide crônica (LMC) e a leucemia linfocítica crônica (LLC). Ambas requerem tratamento prolongado, frequentemente envolvendo inibidores de tirosina quinase (ITQs), agentes alquilantes e imunoterapias. Devido às interações medicamentosas e aos efeitos adversos associados a essas terapias, a monitorização farmacoterapêutica torna-se essencial para garantir a segurança e a eficácia do tratamento. O farmacêutico clínico desempenha um papel fundamental nesse processo, auxiliando na individualização do regime terapêutico, prevenindo complicações e promovendo a adesão ao tratamento. Sua atuação inclui a monitorização de parâmetros laboratoriais, o reconhecimento precoce de eventos adversos e a educação do paciente, garantindo um acompanhamento terapêutico mais seguro e eficaz. Este estudo tem como objetivo analisar a influência do farmacêutico clínico na assistência aos pacientes com leucemia crônica, discutindo estratégias para otimizar a terapia medicamentosa e reduzir riscos associados ao tratamento. Para isso, será realizada uma revisão bibliográfica de estudos publicados nos últimos 10 anos. Esperase que os resultados demonstrem a relevância desse profissional na equipe multiprofissional, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes e a efetividade do tratamento. Conclui-se que a presença do farmacêutico clínico é essencial para um manejo mais seguro e eficiente da leucemia crônica.
Palavras-chave: Leucemia Mieloide Crônica; Monitorização Farmacoterapêutica; Farmacêutico clínico; Inibidores de Tirosina Quinase.
1. INTRODUÇÃO
As leucemias crônicas constituem um conjunto de doenças hematológicas caracterizadas pela proliferação anormal e sustentada de células da linhagem mieloide ou linfoide, que se acumulam progressivamente na medula óssea e no sangue periférico. Entre os subtipos mais conhecidos estão a leucemia mieloide crônica (LMC) e a leucemia linfocítica crônica (LLC), ambas de curso clínico prolongado, frequentemente assintomáticas nas fases iniciais, mas capazes de gerar complicações significativas quando não acompanhadas adequadamente. Apesar de possuírem mecanismos fisiopatológicos distintos, essas doenças compartilham a necessidade de manejo terapêutico contínuo, monitorização ativa e acompanhamento multiprofissional para garantir melhor qualidade de vida ao paciente (Jabbour & Kantarjian, 2020; Hallek, 2019).
A LMC é, historicamente, uma das doenças hematológicas mais estudadas e compreendidas no campo da hemato-oncologia. Seu principal marcador molecular é a presença do cromossomo Filadélfia, resultado da translocação t(9;22)(q34;q11), que produz o gene de fusão BCR::ABL1, responsável por uma atividade tirosina-quinase excessiva e pela proliferação celular desregulada. Desde sua descoberta, esse marcador revolucionou não apenas o entendimento da fisiopatologia da LMC, mas também a forma de tratá-la, inaugurando a era das terapias-alvo no início dos anos 2000 (Hochhaus et al., 2020; Nowell & Hungerford, 1960). Hoje, graças aos inibidores de tirosina quinase (ITQs), a LMC é considerada uma das neoplasias com maior taxa de controle clínico, com muitos pacientes alcançando resposta molecular profunda e podendo até suspender o tratamento sob supervisão médica rigorosa (Brümmendorf et al., 2023).
O curso clínico da LMC normalmente se inicia na fase crônica, definida pela expansão de granulócitos maduros e imaturos. A maioria dos pacientes descobre a doença durante exames de rotina ou investigações inespecíficas, como fadiga persistente, sudorese noturna ou desconforto abdominal por esplenomegalia. Em uma parcela menor dos casos, a doença pode evoluir sem tratamento para uma fase mais agressiva: a fase blástica, que se assemelha às leucemias agudas e apresenta maior risco de citopenias, infecções graves e progressão acelerada da malignidade (Hochhaus et al., 2020). Esse risco de progressão justifica a necessidade de acompanhamento contínuo, vigilância laboratorial e adesão rigorosa ao tratamento.
A LLC, por sua vez, representa a neoplasia linfoide mais prevalente em adultos ocidentais e caracteriza-se pelo acúmulo de linfócitos B maduros e funcionalmente incompetentes. É uma doença heterogênea, cujo comportamento pode variar desde formas indolentes, que não exigem tratamento imediato, até quadros agressivos que demandam terapias combinadas, como agentes alquilantes, anticorpos monoclonais e inibidores de BTK (Hallek, 2019; Eichhorst et al., 2021). Essa ampla variabilidade clínica reforça a importância da avaliação individualizada, da estratificação prognóstica e do acompanhamento multidisciplinar para decisões terapêuticas adequadas.
A complexidade do tratamento das leucemias crônicas decorre não apenas da fisiopatologia da doença, mas também da diversidade de esquemas terapêuticos disponíveis. Medicamentos como ITQs, imunoterápicos, anticorpos monoclonais, quimioterápicos e moduladores da resposta imune exigem monitorização contínua para ajuste de doses, identificação precoce de efeitos adversos e prevenção de interações medicamentosas. Além disso, fatores como idade, comorbidades, polifarmácia e condições socioeconômicas influenciam diretamente nos desfechos clínicos e na qualidade de vida dos pacientes, tornando o cuidado farmacoterapêutico ainda mais relevante (Baccarani et al., 2019; Tallman et al., 2021).
Nesse cenário, a presença do farmacêutico clínico tem se destacado como componente essencial da equipe multiprofissional. Sua atuação vai muito além do acompanhamento medicamentoso: envolve educação em saúde, orientação sobre adesão ao tratamento, revisão de interações potenciais, análise de exames laboratoriais relevantes, identificação de sinais de toxicidade e suporte direto ao paciente durante todo o curso terapêutico. Estudos recentes demonstram que a atuação do farmacêutico clínico em oncologia contribui de maneira significativa para a redução de erros, prevenção de eventos adversos e otimização da resposta terapêutica, especialmente em doenças crônicas complexas como LMC e LLC (Barton et al., 2020; Lee et al., 2022).
A monitorização farmacoterapêutica é particularmente importante em terapias de uso contínuo, como os ITQs na LMC. A adesão inadequada e o uso incorreto de medicamentos estão entre as principais causas de falha terapêutica e perda de resposta molecular, podendo levar à progressão da doença e ao surgimento de resistência. O farmacêutico clínico, ao atuar diretamente com os pacientes, auxilia na compreensão das metas terapêuticas, reforça a importância do uso regular das medicações e oferece estratégias para superar barreiras práticas relacionadas ao tratamento (Noens et al., 2009; Patel et al., 2021).
Diante disso, torna-se evidente que a presença do farmacêutico clínico é fundamental no manejo das leucemias crônicas. Sua atuação contribui para um cuidado mais seguro, eficaz e humanizado, integrando conhecimento científico, acompanhamento próximo e apoio contínuo para garantir que cada paciente receba o melhor tratamento possível. Assim, o presente estudo busca analisar a influência desse profissional na assistência aos pacientes com leucemia crônica, destacando estratégias que aprimoram a terapia medicamentosa, reduzem riscos associados ao tratamento e promovem melhoria da qualidade de vida.
2. DESENVLVIMENTO
2.1 Metodologia
2.1.1. Tipo de Estudo
Este estudo é uma revisão integrativa da literatura, elaborada conforme as recomendações metodológicas de Whittemore e Knafl (2005) e orientada pelas diretrizes do PRISMA 2020 para assegurar transparência na identificação, seleção e síntese dos estudos incluídos. A revisão foi estruturada com o objetivo de investigar e sintetizar as evidências disponíveis sobre a atuação do farmacêutico clínico na onco-hematologia, com ênfase no acompanhamento terapêutico de pacientes com leucemia mieloide crônica (LMC). Foram incluídas publicações produzidas entre janeiro de 2014 e dezembro de 2024, nos idiomas inglês, português ou espanhol.
2.1.2.Banco de Dados
A busca bibliográfica desta revisão integrativa foi realizada de forma sistemática nas principais bases de dados utilizadas na área da saúde, incluindo PubMed/MEDLINE, SciELO e Google Acadêmico. Essas plataformas foram selecionadas por sua ampla abrangência, diversidade de periódicos indexados e capacidade de fornecer artigos atualizados e relevantes para a área de onco-hematologia. A busca nas bases foi conduzida entre os meses de janeiro e dezembro de 2024, contemplando estudos publicados nos últimos dez anos.
2.1.3.Descritores DeCS/MeSH e Operadores Booleanos
Foram utilizados descritores controlados do DeCS e do MeSH, combinados com termos livres, permitindo ampliar a sensibilidade e precisão das buscas. Os principais descritores empregados foram:
DeCS
- “Leucemia Mieloide Crônica”
- “Farmacêuticos”
- “Cuidado Farmacêutico”
- “Monitorização de Medicamentos”
- “Inibidores de Tirosina Quinase”
- “Adesão à Medicação”
- “Eventos Adversos”
MeSH
- “Chronic Myeloid Leukemia”
- “Clinical Pharmacy”
- “Pharmaceutical Care”
- “Medication Therapy Management”
- “Tyrosine Kinase Inhibitors”
- “Drug Resistance”
- “Patient Safety”
Os operadores AND, OR e NOT foram empregados conforme a estrutura de cada base. Exemplos de combinações utilizadas incluem:
- “Chronic Myeloid Leukemia” AND “Clinical Pharmacist”
- “Tyrosine Kinase Inhibitors” AND “Medication Adherence”
- “Pharmaceutical Care” AND “Adverse Drug Reaction”
- “Drug Resistance” AND “CML” AND “Monitoring”
- NOT “animal” ou NOT “in vitro” quando possível, para excluir estudos experimentais que não envolvessem seres humanos.
2.1.4.Critérios de Elegibilidade
Foram incluídos nesta revisão estudos que abordassem a leucemia mieloide crônica sob diferentes perspectivas, contemplando pesquisas relacionadas à atuação do farmacêutico clínico, ao tratamento medicamentoso, aos inibidores de tirosina quinase, aos mecanismos de ação dessas terapias, à adesão, à monitorização farmacoterapêutica, à resistência medicamentosa e ao manejo de eventos adversos. Foram considerados elegíveis artigos originais, ensaios clínicos, estudos observacionais, revisões sistemáticas, revisões integrativas, metanálises e diretrizes clínicas publicadas entre 2014 e 2024, nos idiomas português, inglês ou espanhol e com acesso ao texto completo. Estudos experimentais em humanos ou análises relevantes sobre mecanismos farmacológicos também foram aceitos quando contribuíam para o entendimento terapêutico da LMC.
Foram excluídos os estudos que apresentavam metodologias insuficientes, falta de clareza nos resultados, ausência de dados aplicáveis ao tratamento da LMC ou que focavam exclusivamente em outras neoplasias hematológicas sem análise específica da doença. Trabalhos restritos a modelos animais ou experimentos in vitro foram desconsiderados, exceto quando essenciais para compreender mecanismos dos medicamentos. Publicações indisponíveis na íntegra, textos em idiomas não contemplados e estudos voltados apenas para intervenções não farmacológicas também foram excluídos, garantindo assim a seleção de evidências consistentes e alinhadas ao objetivo da pesquisa.
2.1.5.Seleção de Estudos e Análise de Dados
Após a busca inicial realizada nas bases PubMed, SciELO e Google Acadêmico, foram identificados 198 artigos potencialmente relevantes para a temática desta revisão. Em seguida, procedeu-se à remoção automática e manual de duplicados, resultando em um total de 172 estudos elegíveis para a fase de triagem.
A análise por título e resumo permitiu excluir publicações que não apresentavam relação direta com a leucemia mieloide crônica, que não abordavam aspectos relacionados à terapia medicamentosa, à farmacoterapia ou ao uso dos inibidores de tirosina quinase, além de estudos que envolviam populações heterogêneas sem avaliação específica da LMC ou que se concentravam exclusivamente em intervenções médicas ou laboratoriais sem interface com o tratamento farmacológico. Após essa etapa, 54 artigos foram selecionados para leitura na íntegra.
A leitura completa permitiu nova filtragem, levando à exclusão de estudos que apresentavam metodologia pouco clara, ausência de dados relevantes, insuficiência na descrição dos desfechos, inconsistências conceituais ou vieses significativos. Também foram excluídos trabalhos sem aplicabilidade direta ao manejo terapêutico ou farmacológico da LMC. Ao final de todas as etapas, 10 artigos atenderam plenamente aos critérios de inclusão e compuseram o conjunto final analisado nesta revisão (fluxograma 1).
A qualidade metodológica dos estudos selecionados foi avaliada utilizando-se as ferramentas do Joanna Briggs Institute (JBI) para pesquisas clínicas e observacionais, e o checklist CASP para revisões sistemáticas. A análise dos dados ocorreu por meio de leitura crítica e síntese comparativa, organizando os achados em eixos temáticos, como intervenções farmacêuticas, adesão aos ITQs, manejo de eventos adversos, educação em saúde, segurança do paciente, mecanismos de ação e resistência farmacológica, bem como contribuições terapêuticas relevantes para o controle da doença.
Fluxograma 1 – Fluxograma de trabalho.

Fonte – Elaborado pelo autor, 2025.
2.2 Resultados e Discussão
A análise dos dez artigos selecionados (quadro 1) permitiu identificar padrões consistentes relacionados ao papel do farmacêutico clínico e ao entendimento dos mecanismos farmacológicos dos inibidores de tirosina quinase (ITQs) no tratamento da leucemia mieloide crônica (LMC). Em todos os estudos incluídos, observou-se que a monitorização farmacoterapêutica desempenha papel central na melhoria dos desfechos clínicos, sobretudo na redução de eventos adversos e no reforço da adesão terapêutica, aspectos fundamentais para o controle adequado da doença (White et al., 2022). Esses achados reforçam a importância da presença contínua do farmacêutico como facilitador do cuidado e como profissional responsável por integrar informações sobre eficácia, segurança e uso racional dos medicamentos.
Grande parte dos estudos destacou que o acompanhamento sistemático das toxicidades associadas aos ITQs, especialmente imatinibe, dasatinibe e nilotinibe, é essencial para evitar interrupções desnecessárias e prevenir complicações com potencial impacto no prognóstico. Publicações recentes demonstram que o farmacêutico desempenha papel relevante na identificação precoce de toxicidades e na orientação sobre ajustes de dose em parceria com o hematologista, contribuindo para maior segurança clínica (Zhang et al., 2021). Além disso, os estudos que abordaram resistência medicamentosa enfatizaram a necessidade de vigilância quanto às mutações no gene BCR::ABL1, reforçando a importância da interpretação adequada dos exames moleculares para orientar decisões terapêuticas (Benchikh et al., 2022; Hochhaus et al., 2020).
A adesão ao tratamento emergiu como um dos principais determinantes da resposta molecular. Estudos clínicos mostraram que pacientes com adesão inferior a 90% apresentam risco significativamente maior de progressão da doença e perda de resposta ao tratamento (Cortes et al., 2018). A literatura aponta que intervenções educativas conduzidas por farmacêuticos, envolvendo esclarecimento de dúvidas, manejo de efeitos adversos e suporte à organização da rotina medicamentosa, demonstram impacto positivo na manutenção da adesão e na percepção do paciente sobre a importância do tratamento contínuo (Rinaldi; Winston, 2023).
A revisão também evidenciou que modelos de cuidado multiprofissional integrando farmacêuticos contribuem para um manejo terapêutico mais seguro e eficiente.
Estudo de Westerweel et al. (2019) e análises correlatas apontam que equipes integradas reduzem hospitalizações, diminuem complicações decorrentes da terapia e melhoram a qualidade de vida, reforçando a necessidade de consolidar o cuidado colaborativo em serviços especializados. Ao mesmo tempo, diretrizes e revisões de maior escopo fornecem o fundamento teórico que sustenta a prática farmacêutica na LMC, abordando mecanismos de ação dos ITQs, perfis de resistência e parâmetros de monitorização (Jabbour; Kantarjian, 2020; Baccarani et al., 2019).
De forma geral, os resultados demonstram que o conhecimento clínico e farmacológico dos ITQs, aliado à atuação estruturada do farmacêutico clínico, contribui para o uso racional desses agentes terapêuticos, garantindo não apenas maior segurança e adesão, mas também prevenindo a progressão da doença. Os achados reforçam a necessidade de ampliar a participação do farmacêutico clínico nos centros de tratamento onco-hematológico, além de estimular novas pesquisas que abordem intervenções específicas desse profissional em contextos clínicos complexos como a LMC.
Quadro 1 – Principais artigos sobre LMC.
| Autor/Ano | Foco do estudo | Abordagem principal | Contribuição relevante |
| White et al., 2022 | Monitorização farmacoterapêutica | Papel do farmacêutico clínico | Redução de eventos adversos e maior adesão. |
| Zhang et al., 2021 | Toxicidade dos ITQs | Mecanismo de toxicidade e manejo clínico | Identificação precoce de toxicidades e ajuste de dose. |
| Benchikh et al., 2022 | Mutações no BCR::ABL1 | Resistência medicamentosa | Relação entre mutações e falha terapêutica. |
| Cortes et al., 2018 | Adesão ao tratamento | Desfechos em pacientes com baixa adesão | Baixa adesão aumenta risco de progressão. |
| Rinaldi; Winston, 2023 | Intervenções educativas | Educação e suporte ao paciente | Melhora na adesão e compreensão do tratamento. |
| Westerweel et al., 2019 | Cuidado multiprofissional | Modelos colaborativos de cuidado | Redução de internações e complicações. |
| Hochhaus et al., 2020 | Diretrizes internacionais (ELN) | Parâmetros de monitorização e resposta terapêutica | Base conceitual para uso racional de ITQs. |
| Jabbour; Kantarjian, 2020 | Terapia-alvo na LMC | Revisão crítica dos ITQs | Detalhamento dos mecanismos e eficácia. |
| Baccarani et al., 2019 | Recomendações de tratamento | Guideline terapêutico | Critérios para escolha e troca de ITQs. |
| Lee et al., 2022 | Intervenções farmacêuticas em hematologia | Farmácia clínica em câncer hematológico | Melhora na segurança e nos desfechos clínicos. |
Fonte – Elaborado pelo autor, 2025.
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os achados desta revisão evidenciam que a atuação do farmacêutico clínico desempenha um papel fundamental no manejo terapêutico da leucemia mieloide crônica, especialmente no contexto do uso prolongado dos inibidores de tirosina quinase. Os estudos analisados demonstram que a intervenção farmacêutica contribui de maneira significativa para a otimização da farmacoterapia, proporcionando maior segurança, monitorização contínua e detecção precoce de toxicidades associadas ao tratamento. Essa atuação também se mostrou essencial para o manejo de eventos adversos, para a prevenção de resistência medicamentosa e para o adequado ajuste das doses em consonância com a evolução clínica de cada paciente.
Outro aspecto relevante identificado foi a forte influência do acompanhamento farmacêutico na adesão ao tratamento. Intervenções educativas individualizadas e o suporte direto ao paciente mostraram-se estratégias eficazes para reduzir barreiras terapêuticas, melhorar a compreensão sobre o uso dos medicamentos e reforçar a importância da continuidade terapêutica, especialmente em um contexto em que a adesão é determinante para o sucesso clínico. Do mesmo modo, a integração do farmacêutico em equipes multiprofissionais fortalece a comunicação entre profissionais, melhora a coordenação do cuidado e contribui para melhores desfechos clínicos e qualidade de vida.
Diante do exposto, conclui-se que o farmacêutico clínico é um elemento indispensável no cuidado integral ao paciente com leucemia mieloide crônica. Sua atuação não apenas aprimora a segurança e a eficácia do tratamento, mas também amplia a capacidade da equipe multiprofissional de oferecer um cuidado mais humanizado, técnico e centrado no paciente. Recomenda-se, portanto, a ampliação da presença desse profissional em serviços de onco-hematologia, bem como o desenvolvimento de novas pesquisas que avaliem intervenções farmacêuticas específicas, permitindo fortalecer ainda mais a base científica que sustenta sua contribuição no tratamento da LMC.
4. REFERÊNCIAS
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TALLMAN, M. S. et al. The state of the science in hematologic malignancies: 2021 update. Nature Reviews Clinical Oncology, v. 18, p. 299–319, 2021.
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WHITE, R. et al. Clinical pharmacist–driven monitoring improves the safety and optimization of tyrosine kinase inhibitor therapy. Pharmacy Practice, v. 20, n. 1, p. 1–9, 2022.
ZHANG, X. et al. Management of tyrosine kinase inhibitor toxicities in chronic myeloid leukemia. Frontiers in Oncology, v. 11, p. 1–12, 2021.
1ORCID: 0009-0003-3052-9255 Centro Universitário Fametro, Brasil E-mail: loreefarma@gmail.com
2ORCID: https://orcid.org/0000000345574668 Centro Universitário Fametro, Brasil E-mail:ana.cristina@fametro.edu.br
3ORCID: https://orcid.org/0009000564668151 Centro Universitário Fametro, Brasil E-mail: susy.christine@gmail.com
4ORCID: https://orcid.org/0009000705608890 Centro Universitário Fametro, Brasil E-mail: eduardomartinsorto@gmail.com
