MERCADO DE CARNE BOVINA NO BRASIL: ESTUDO DE CASO DE UM FRIGORÍFICO DO ALTO PARANAÍBA

BEEF MARKET IN BRAZIL: CASE STUDY OF A SLAUGHTERHOUSE IN ALTO PARANAÍBA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511302110


Gustavo Theodoro Coelho Macieira De Oliveira
Kenia Cristiellen Aparecida Silva
Orientador: Rodrigo Moreira Braz


RESUMO: Este trabalho analisa o mercado de carne bovina no Brasil, com foco na atuação de um frigorífico de pequeno porte localizado no Alto Paranaíba, região reconhecida por sua forte atividade agropecuária. A pesquisa combina levantamento bibliográfico e estudo de caso para compreender os desafios, as contribuições regionais e a importância dos pequenos produtores dentro da cadeia produtiva da carne bovina. A revisão teórica demonstra que o Brasil se destaca entre os maiores produtores e exportadores do mundo, impulsionado pela disponibilidade de terras, sistema extensivo de criação e crescente demanda internacional, especialmente da China. Também são discutidas exigências sanitárias, competitividade, sustentabilidade, rastreabilidade e fatores que influenciam o setor. O estudo de caso permitiu entender como um frigorífico de pequeno porte opera diante dessas demandas. A empresa estudada realiza cerca de 120 abates diários, possui habilitação no SISBI e atua no abastecimento de diversos municípios da região, evidenciando sua relevância socioeconômica. A relação com pequenos produtores se mostrou essencial, pois eles são responsáveis pela maior parte do fornecimento de animais. Entre os principais desafios identificados estão a volatilidade do preço da arroba, a concorrência com grandes empresas, custos de adequação sanitária e necessidade de modernização contínua. Conclui-se que pequenos frigoríficos têm papel fundamental na economia regional e na manutenção da pecuária no interior do país.

PALAVRAS-CHAVE: Mercado de carne bovina. Frigorifico. Estudo de caso. 

ABSTRACT: This study analyzes the beef market in Brazil, focusing on the operations of a small-scale slaughterhouse located in the Alto Paranaíba region, an area recognized for its strong agricultural and livestock activities. The research combines a literature review and a case study to understand the challenges, regional contributions, and the importance of small producers within the beef production chain. The theoretical review shows that Brazil stands out as one of the world’s largest producers and exporters, driven by the availability of land, extensive livestock systems, and growing international demand, especially from China. Sanitary requirements, competitiveness, sustainability, traceability, and other factors influencing the sector are also discussed. The case study allowed for an understanding of how a small-scale slaughterhouse operates under these demands. The company analyzed performs approximately 120 slaughters per day, is certified under SISBI, and supplies several municipalities in the region, highlighting its socioeconomic relevance. The relationship with small producers proved essential, as they are responsible for most of the animal supply. Among the main challenges identified are the volatility of cattle prices, competition with large companies, costs associated with sanitary compliance, and the need for continuous modernization. It is concluded that small slaughterhouses play a fundamental role in the regional economy and in sustaining livestock farming in the country’s interior.

KEYWORDS: Beef market. Cold storage. Case study

INTRODUÇÃO

O Brasil se destaca mundialmente como um dos maiores produtores e exportadores de carne bovina, sendo de grande importância para a economia nacional, nos interiores dos estados essa atividade pecuária juntamente com a agronomia é ainda mais forte, movimentando grande parte do comércio e empregos locais. Esse mercado da carne bovina depende de várias pessoas que começam dos produtores rurais com suas criações de bovinos, os frigoríficos para abate e produção da carne, os açougues onde são vendidas para o consumidor final.

Diante desse cenário, torna-se relevante analisar não apenas os grandes frigoríficos exportadores, mas também os pequenos frigoríficos instalados no interior, que têm sua devida importância no fornecimento para comércios locais e no atendimento direto aos pequenos produtores. Os frigoríficos, de forma geral, são constantemente submetidos a rigorosas fiscalizações sanitárias, o que é essencial para garantir a segurança alimentar e a qualidade do produto. Mesmo sendo medidas corretas, essas exigências se tornam desafios para os estabelecimentos, não apenas de pequeno porte, pois, para atuar em mercados mais exigentes, as barreiras são sempre maiores, dificultando ainda mais o cumprimento das exigências sanitárias.

Este trabalho busca compreender melhor o mercado de carne bovina brasileiro, com ênfase na atuação de um frigorífico de pequeno porte localizado no Alto Paranaíba, região conhecida pela força do agronegócio. O estudo de caso nos permite analisar a realidade de uma empresa local, podendo entender seus desafios, seu funcionamento, sua visão e seus benefícios para a região. A pesquisa também utiliza de referências bibliográficas que contribuem para contextualizar o cenário do setor, abordando temas como competitividade, exigências sanitárias, sustentabilidade, rastreabilidade e a importância dos pequenos produtores na cadeia da carne bovina.

Este trabalho está dividido em cinco capítulos: o primeiro apresenta a introdução; o segundo, o referencial teórico com base em estudos nacionais e internacionais; o terceiro descreve a metodologia aplicada; o quarto traz os resultados obtidos e suas análises; e, por fim, o quinto capítulo apresenta as considerações finais da pesquisa.

OBJETIVO GERAL

Compreender o funcionamento do mercado brasileiro de carne bovina, analisando sua importância econômica e social, com foco na realidade de um frigorífico de pequeno porte no Alto Paranaíba.

Objetivos específicos

  • Realizar um levantamento bibliográfico que possibilite compreender o cenário nacional e internacional do mercado de carne bovina, abordando temas como competitividade, exigências sanitárias, exportações, sustentabilidade e rastreabilidade.
  • Investigar a realidade operacional de um pequeno frigorífico localizado no interior de Minas Gerais, por meio de um estudo de caso, identificando seu funcionamento, suas dificuldades e sua representatividade regional.
  • Analisar a importância dos pequenos produtores para o frigorífico estudado e para a dinâmica econômica local, destacando seu papel no abastecimento, na geração de renda e na manutenção da atividade pecuária na região.

REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. Mercado de Carne Bovina Mundial e Brasileiro

A competitividade no mercado mundial de carne bovina é relacionada a vários fatores e barreiras, dentre elas as exigências sanitárias são de grande influência, além disso pode ser influenciado por qualidade, custos, logísticas e preço final. O Brasil tem um custo baixo na formação de seus animais devido ao sistema de criação a pasto, assim tendo grande competitividade no cenário global, devido a isso tem uma crescente demanda nos mercados asiáticos, onde a necessidade por carne de qualidade continua a crescer (NETO, 2018).

O mercado de carne bovina ganha grande crescimento devido à demanda da China, que é o principal importador de proteína no mundo devido aos seus preços e quantidade de consumo. Diante disto, podemos observar o resultado entre os anos de 2017 e 2020, que tiveram aumento de importações de 208,43%. Devido a essa influência, a China se tornou o melhor destino para exportação de carne brasileira. Em 2021, o Brasil liderou a exportação para a China, com 2,40 milhões de toneladas (XIMENES E SOARES, 2021).

Devido à redução na oferta de países como Argentina e Uruguai e com a alta demanda da China, a carne bovina consegue se manter valorizada no mercado internacional, deixando clara a influência da oferta e demanda. As exportações brasileiras têm como principal destino a China, que tem ampliado suas compras para aumentar o consumo e também por surtos sanitários diminuírem a disponibilidade de outras proteínas concorrentes. Mesmo enfrentando desafios geopolíticos e variações cambiais, o Brasil consegue se fortalecer no cenário, aproveitando as oportunidades desse mercado em expansão. (SOARES e XIMENES, 2023).

O mercado de carne bovina mundial tende a crescer, aumentando 6 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC), com o principal crescimento vindo de países em desenvolvimento. Apesar de várias barreiras que podem afetar o setor comercial, há uma estimativa de crescimento de 12% até 2029, sendo representado 60% por Brasil, Estados Unidos e União Europeia. As preferências dos consumidores, o bem-estar animal e as questões ambientais podem impactar o resultado da estimativa (MALAFAIA e BÍSCOLA; DIAS, 2020).

Barreiras comerciais e políticas protecionistas têm grande influência nos países exportadores de carne bovina. O MERCOSUL, bloco econômico sul-americano voltado à integração regional, livre comércio e cooperação entre os países membros, é bastante prejudicado com esses fatores, devido a barreiras sanitárias e subsídios adotados por Estados Unidos e União Europeia. O acesso é limitado, dificultando a competitividade dos exportadores, que dependem de países menos restritivos como China e Oriente Médio para manter a competitividade no cenário global (BENDER FILHO e ALVIM, 2008).

O fator de exportação vem sendo cada vez mais rigoroso com os frigoríficos, exigindo cada vez mais padrões elevados de bem-estar animal. Com isso, apenas as empresas que aderem e evoluem de acordo com as normas conseguem exportar suas mercadorias e alcançar os países de melhores resultados financeiros. Isso impacta também na qualidade da carne produzida e sua aceitação no mercado, pois terá uma melhor qualidade de manejo e de cuidados com a mercadoria (MOREIRA et al., 2017).

A compra da carne bovina pelo consumidor final é muito influenciada por fatores como cor, aroma, qualidade do produto, segurança alimentar e as preferências pessoais de cada um. Na hora da compra, o principal fator observado é a cor. Para fidelizar o cliente, é necessário que a carne esteja macia, garantindo sua satisfação com o produto entregue. A maciez da carne é impactada por várias questões, como teor de gordura intramuscular, raças e cruzamentos entre raças, castração e alimentação do animal, no qual são fatores essenciais para atender às exigências do consumidor (LIMA JÚNIOR et al, 2011).

Alianças estratégicas e redes de cooperação foram criadas devido à concorrência internacional e ao aumento de investimentos entre os países que produzem carne bovina. Isso tudo é uma consequência da globalização, que intensificou esse mercado. As empresas desse cenário foram obrigadas a estudar melhores estratégias competitivas, buscando fusões e parcerias para garantir melhores comercializações do seu produto, permitindo mais eficiência e se firmando no mercado de carne mundial (BRAGA, 2010).

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de carne bovina, com 214,7 milhões de cabeças e uma produção de 10,96 milhões de toneladas equivalentes de carcaça (TEC), com aproximadamente 80% da produção sendo destinada ao mercado interno, que tem um consumo médio de 42,12 kg por habitante ao ano (ABIEC, 2019). As empresas brasileiras desse cenário cresce cada vez mais e investem em formas de melhorar sua imagem no mercado exterior, buscando assim certificações e rastreabilidade para que seja valorizada a origem e as condições de criação do animal, sendo opções de diferenciais competitivos, o que fortalece ainda mais a posição do Brasil no comércio internacional (GRUNERT, 2006; BARCELLOS et al., 2012).

2.2 Produtores Brasileiro de Carne Bovina

Os produtores brasileiros de carne bovina fazem parte de uma cadeia que envolve outros setores, como frigoríficos, varejo e consumidores. Quando não há uma boa coordenação entre esses elos, o produtor acaba sendo prejudicado, com menos planejamento, dificuldade de acesso a mercados e perda de oportunidades. Muitos ainda trabalham de forma isolada, e isso limita a competitividade e os ganhos que poderiam ter com uma produção mais organizada (NEVES, 2004).

Em sua grande maioria, os produtores de carne bovina no Brasil utilizam pouco de tecnologia e adotam sistemas extensivos, o que faz com que não tenham uma produtividade e rentabilidade tão grande em relação ao que poderiam ter. Além disso, períodos de seca afetam o desempenho dos animais, mostrando a necessidade de melhorias no manejo (OLIVEIRA et al, 2017).

O uso correto das pastagens, a suplementação no período seco e a presença de assistência técnica ajudam a melhorar o desempenho dos animais e aumentam a rentabilidade dos produtores. Além disso, a adoção de tecnologias adequadas e o investimento em capacitação da mão de obra são essenciais para alcançar melhores resultados. Esses fatores contribuem diretamente para uma produção mais eficiente e sustentável, permitindo que o produtor se adapte às exigências do mercado e melhore sua competitividade no setor (LOPES et al, 2023).

Para agregar valor ao produto e acessar mercados diferenciados, muitos fatores são importantes. O bem-estar animal e as práticas agroecológicas contribuem para a obtenção de animais com mais qualidade e aceitação no mercado. Com isso, surgem desafios como o controle sanitário e a alimentação natural dos animais, mas, ao superá-los, é possível obter preços mais altos e maior valorização da marca (STOLL, 2002).

O Brasil tem uma ampla disponibilidade de terras, clima favorável e baixos custos de produção, esses fatores garantem que seja um país competitivo diante dos outros países, e, por isso, se consolidou como um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo. Com o aumento da demanda internacional, o país expandiu sua presença em mercados exigentes, impulsionando melhorias na produtividade e na qualidade da carne. Isso gerou a necessidade de adaptação por parte dos produtores, que passaram a buscar mais eficiência para atender aos padrões internacionais (CARVALHO et al, 2008).

Mercados internacionais cada vez mais exigentes fazem com que estratégias como rastreabilidade e certificações sanitárias se tornem fundamentais para a carne bovina brasileira. Isso faz com que os consumidores tenham mais confiança na mercadoria, além de permitir ao Brasil superar barreiras comerciais e se manter competitivo em países com rigorosos padrões de importação (SILVA et al, 2021).

Uma medida que se tornou muito importante é a rastreabilidade, que no mercado internacional de carne bovina passou a ser essencial para garantir ao consumidor informações sobre a origem e o controle sanitário do produto. No Brasil, o sistema SISBOV foi criado com esse objetivo, mas ainda enfrenta desafios, pois muitos produtores têm dificuldade para aderir devido aos custos e à falta de mão de obra qualificada. Mesmo assim, sua adoção é fundamental para manter a competitividade da carne brasileira em mercados que exigem alto padrão de qualidade (SANTOS et al, 2022).

Barreiras comerciais e políticas protecionistas afetam diretamente os países que exportam carne bovina, principalmente os do MERCOSUL. Exigências sanitárias rigorosas e subsídios em países como Estados Unidos e União Europeia dificultam o acesso da carne brasileira a esses mercados. Por isso, os exportadores buscam países com menos restrições, como a China e o Oriente Médio, para manter a competitividade no cenário global. Esse cenário acaba influenciando diretamente os produtores brasileiros, que precisam adaptar sua produção e buscar certificações para continuar acessando mercados externos (OLIVEIRA et al, 2017).

3. METODOLOGIAS

O levantamento bibliográfico tem como objetivo mostrar o cenário de carne bovina do Brasil e do mundo, demonstrar ideias de autores que estão presentes neste mercado apresentando temas como sustentabilidade, rastreabilidade, desafios do produtor, exportações, exigências sanitárias, dentre vários outros temas apresentados. Foram utilizados artigos científicos e revistas acadêmicas que contribuíram para a construção do referencial teórico.

A pesquisa seguiu uma abordagem qualitativa com foco em estudo de caso, dessa forma é possível compreender com profundidade a realidade de uma empresa real do setor. Neste estudo foi escolhido um frigorífico do Alto Paranaíba, considerando sua experiência no ramo e sua representatividade na região. 

O objetivo foi analisar sua visão em relação a benefícios e desafios enfrentados pela empresa utilizando um questionário com perguntas sobre suas visões gerais, com perguntas abertas e direcionadas, abordando temas como história da empresa, relação com pequenos produtores, mudanças no mercado, sustentabilidade e expectativas futuras. Entretanto, a vasta experiência do empresário possibilita uma completa análise sobre o caso.

As respostas foram analisadas com base no conteúdo e nas informações do referencial teórico, de forma descritiva com atenção às falas mais relevantes do entrevistado, correlacionando as informações obtidas sobre o que os autores evidenciaram sobre o tema. Essa etapa teve como objetivo entender melhor a realidade do frigorífico entrevistado e como ele se relaciona com os produtores locais, especialmente os de pequeno porte.

4. RESULTADOS E DECISÕES

A pesquisa teve como objetivo compreender a realidade de um frigorífico de pequeno porte localizado no Alto Paranaíba, buscando analisar suas percepções sobre o mercado, os desafios enfrentados e sua relação com os pequenos produtores. A empresa estudada, possui aproximadamente 30 anos de atuação, sendo administrada pela atual gestão desde 2016. Localizada em São Gotardo – MG, atende várias cidades da região, desempenhando papel relevante no abastecimento local, o que reforça a importância dos frigoríficos regionais para o desenvolvimento econômico do interior (LEÃO CAMPOS, 2022).

Com média de abate de 120 cabeças por dia, se enquadra como um frigorífico de pequeno porte. Além disso, possui habilitação no SISBI, o que permite que produtos de origem animal fiscalizados por estados ou municípios sejam comercializados em todo o território nacional, desde que atendam a padrões equivalentes aos do governo federal. Essa condição reforça um dos principais desafios enfrentados pelos frigoríficos menores: atender às exigências sanitárias e de rastreabilidade, conforme apontado em estudos sobre a cadeia da carne bovina no país (SANTOS et al, 2022).

O gestor relatou que, ao longo dos anos, a empresa expandiu sua área de atendimento, alcançando diversos municípios da região. Esse crescimento demonstra a relevância dos pequenos frigoríficos para o fortalecimento da cadeia produtiva, aspecto também destacado por pesquisas que analisam a estrutura da pecuária de corte no Brasil (CARVALHO et al, 2008).

Entre os fatores que sustentam essa expansão está a forte relação com pequenos produtores rurais. Conforme relatado pelo entrevistado, eles têm grande importância para o fornecimento contínuo de animais ao frigorífico, além de contribuírem para o abastecimento da população e para o desenvolvimento da economia local. Essa percepção se alinha a estudos que mostram que grande parte da produção de carne bovina brasileira é proveniente de pequenas propriedades que trabalham em sistemas extensivos (OLIVEIRA et al, 2017). Complementarmente, como afirmam Lopes et al. (2023), a adoção de tecnologia e boas práticas pode elevar ainda mais o potencial produtivo desses pecuaristas, fortalecendo o elo entre produtor e frigorífico.

Segundo o gestor, o mercado passou por avanços importantes em genética e manejo, ao mesmo tempo em que apresentou maior volatilidade nos preços. Esses elementos dialogam diretamente com estudos que analisam o crescimento das exportações brasileiras e a influência da demanda chinesa sobre o setor (SOARES; XIMENES, 2023). A competitividade mencionada pelo frigorífico também se relaciona às exigências sanitárias e padrões internacionais cada vez mais rigorosos, apontados por Neto (2018) como fatores determinantes para o desempenho do setor.

Os desafios enfrentados pelo empresário incluem competir com grandes empresas, lidar com exigências sanitárias rigorosas e gerenciar a cadeia de frio são fatores que consistem com análises que indicam maior dificuldade estrutural entre frigoríficos de pequeno porte (SANTOS et al, 2022). Além dessas dificuldades, barreiras comerciais e limitações logísticas também impactam diretamente aos empreendimentos menores, conforme apontado por Bender Filho e Alvim (2008).

A volatilidade do preço da arroba influencia diretamente as margens de lucro e o planejamento do frigorífico, tema amplamente discutido em projeções do mercado bovino (MALAFAIA; BÍSCOLA; DIAS, 2020). Em conjunto com isso, a diferença no poder de negociação entre pequenos e grandes produtores mencionada pelo entrevistado reflete uma realidade destacada por Neves (2004), que aponta que produtores de menor porte sofrem mais com preços instáveis e menor capacidade de barganha.

Para enfrentar essas demandas, o frigorífico tem investido em equipamentos, câmaras frias e qualificação de funcionários, seguindo tendências da cadeia da carne bovina que exigem modernização contínua para manter competitividade no cenário atual (BRAGA, 2010).

Por fim, conforme destaca o gestor, o frigorífico estudado contribui significativamente para o desenvolvimento regional ao gerar empregos, movimentar o comércio e fortalecer a agricultura local, aspectos amplamente reconhecidos em estudos sobre o papel socioeconômico dos pequenos frigoríficos na cadeia produtiva (CARVALHO et al, 2008).

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo permitiu compreender de forma mais profunda o mercado de carne bovina no Brasil, reconhecendo sua importância econômica e social, especialmente nas regiões do interior do país. A partir da revisão bibliográfica e do estudo de caso realizado com o frigorífico, localizado no Alto Paranaíba, foi possível observar como pequenas empresas do setor exercem um papel essencial na economia local e na cadeia produtiva da carne bovina.

Ao analisar o frigorífico pesquisado, conseguimos identificar que mesmo com estrutura menor e limitações comuns aos estabelecimentos de pequeno porte, a empresa demonstra capacidade de adaptação, busca constante por melhorias e forte ligação com os pequenos produtores da região. Esse relacionamento reforça uma característica marcante do mercado brasileiro: grande parte da produção depende diretamente de produtores locais e sistemas tradicionais de criação, que, mesmo com desafios, continuam como base do abastecimento interno.

As respostas do questionário revelaram que o setor tem passado por mudanças significativas, influenciadas por exigências sanitárias mais rigorosas, avanços em genética e maior volatilidade nos preços. Esses fatores impactam diretamente o funcionamento de frigoríficos menores, que precisam se modernizar e atender a padrões cada vez mais elevados para permanecer no mercado. Ainda assim, observa-se que empresas como o frigorífico estudado encontram alternativas para continuar atuando com qualidade, seja por meio de investimentos em equipamentos, qualificação da equipe ou pela parceria construída com os produtores locais.

Outro ponto importante identificado é o papel fundamental do pequeno produtor para o funcionamento do frigorífico e para a economia da região. Além de garantir o fornecimento de animais, esses produtores contribuem para movimentar o comércio, gerar renda e manter viva a atividade pecuária no interior. A pesquisa mostra que, apesar dos desafios, há espaço para crescimento.

Por fim, este trabalho demonstra que, mesmo em um mercado marcado por grandes grupos econômicos e forte competitividade internacional, frigoríficos de pequeno porte desempenham um papel indispensável. Eles atendem às necessidades do comércio local, oferecem empregos, fortalecem os pequenos produtores e contribuem para o desenvolvimento regional. Assim, compreender sua realidade e seus desafios é fundamental para entender o setor de carne bovina no Brasil.

Conclui-se que, mais do que números, técnicas ou estatísticas, o mercado de carne bovina é feito por pessoas, produtores, trabalhadores, gestores e consumidores que constroem diariamente essa cadeia. Dar visibilidade ao papel dos pequenos frigoríficos e produtores é, sobretudo, reconhecer o valor humano que mantém viva grande parte do agronegócio brasileiro.

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