MECANISMOS PATOGÊNICOS E IMPLICAÇÕES CLÍNICAS DA FUSOBACTERIUM SP. NO CÂNCER COLORRETAL

PATHOGENIC MECHANISMS AND CLINICAL IMPLICATIONS OF FUSOBACTERIUM SP. IN COLORECTAL CANCER

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511251319


Kath Larissa de Moraes Gato1
Orientador: Gabriel de Oliveira Rezende2


RESUMO

A crescente incidência de câncer colorretal tem estimulado investigações acerca de fatores microbianos envolvidos em sua patogênese. Dentre esses microrganismos, a Fusobacterium nucleatum, uma bactéria anaeróbia comum na cavidade oral, tem despertado interesse por sua associação com alterações no microambiente intestinal e progressão tumoral. Este trabalho tem como objetivo geral investigar os mecanismos patogênicos da Fusobacterium Nucleatum no câncer colorretal e examinar suas implicações clínicas. E são objetivos específicos: identificar destacar seus mecanismos patogênicos do câncer colorretal e suas implicações clínicas; descrever a influência do Fusobacterium nucleatum no desenvolvimento e progressão do câncer colorretal; discutir sobre a Fusobacterium nucleatum como biomarcador prognóstico para câncer colorretal. Trata-se de uma revisão crítica, descritiva e qualitativa, realizada entre fevereiro e novembro de 2025, baseada em buscas nas bases PubMed, SciELO, Google Acadêmico e ScienceDirect, em que foram incluídos artigos completos publicados entre 2020 e 2025. Os resultados evidenciaram que a Fusobacterium nucleatum participa ativamente da carcinogênese colorretal por meio da indução de inflamação crônica, modulação da microbiota, produção de metabólitos tóxicos e ativação de vias celulares relacionadas à sobrevivência tumoral. Constatou-se ainda que sua elevada abundância está associada a tumores mais agressivos, pior resposta terapêutica e redução da sobrevida, reforçando seu potencial como biomarcador prognóstico. Conclui-se que a compreensão dos mecanismos de ação da bactéria contribui para aprimorar estratégias diagnósticas, prognósticas e terapêuticas voltadas ao câncer colorretal.

Palavras-Chaves: Biomarcadores. Carcinogênese. Inflamação. Fusobacterium Nucleatum. Microbiota intestinal. 

ABSTRACT

The increasing incidence of colorectal cancer has stimulated investigations into microbial factors involved in its pathogenesis. Among these microorganisms, Fusobacterium nucleatum, an anaerobic bacterium commonly found in the oral cavity, has attracted attention due to its association with alterations in the intestinal microenvironment and tumor progression. The general objective of this study is to investigate the pathogenic mechanisms of Fusobacterium nucleatum in colorectal cancer and examine its clinical implications. The specific objectives are: to identify and highlight its pathogenic mechanisms and clinical implications; to describe the influence of Fusobacterium nucleatum on the development and progression of colorectal cancer; and to discuss Fusobacterium nucleatum as a prognostic biomarker for colorectal cancer. This is a critical, descriptive, and qualitative literature review conducted between February and November 2025, based on searches in PubMed, SciELO, Google Scholar, and ScienceDirect, including full-text articles published between 2020 and 2025. The results showed that Fusobacterium nucleatum actively participates in colorectal carcinogenesis by inducing chronic inflammation, modulating the microbiota, producing toxic metabolites, and activating cellular pathways related to tumor survival. It was also found that its elevated abundance is associated with more aggressive tumors, poorer therapeutic response, and reduced survival, reinforcing its potential as a prognostic biomarker. It is concluded that understanding the bacterium’s mechanisms of action contributes to improving diagnostic, prognostic, and therapeutic strategies for colorectal cancer.

Keywords: Biomarkers. Carcinogenesis. Inflammation. Fusobacterium nucleatum. Gut microbiota.

1  INTRODUÇÃO

O câncer colorretal é uma das neoplasias mais diagnosticadas e letais em adultos, apresentando crescimento contínuo de incidência ao longo dos anos. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) em 2023, estimou-se a ocorrência anual de 45.630 novos casos no Brasil, correspondendo a 21,10 casos por 100 mil habitantes, sendo 21.970 em homens e 23.660 em mulheres. Sendo então, números que representam um risco de 20,78 novos casos por 100 mil homens e 21,41 por 100 mil mulheres. 

No cenário nacional, o câncer colorretal ocupa a terceira posição entre os tipos mais frequentes, com maior concentração na região Sudeste. Entre os homens, destaca-se como o segundo mais incidente, com taxa de 28,62 por 100 mil habitantes (INCA, 2023). Todavia, a ocorrência desse câncer tem sido relacionada a fatores genéticos e de estilo de vida. Entretanto, estudos recentes evidenciam o papel da microbiota intestinal como elemento decisivo na carcinogênese, sobretudo por meio de espécies bacterianas específicas, como a Fusobacterium nucleatum (Fn) (Castellarin et al., 2021).

A Fusobacterium nucleatum possui uma capacidade pró-inflamatória e pelas interações com células imunes e tumorais, influenciam tanto a formação quanto a progressão da doença. Esse microrganismo contribui para a indução de inflamação crônica, condição reconhecida como fator de risco para o câncer, o que facilita a adesão e a invasão de células malignas, processos diretamente envolvidos na formação e disseminação tumoral. Tais mecanismos podem não apenas favorecer o desenvolvimento do câncer colorretal, mas também interferir na resposta terapêutica, reforçando a necessidade de compreender sua participação no microambiente tumoral. Nesse sentido, a identificação da F. nucleatum como possível biomarcador abre novas perspectivas para o diagnóstico e o tratamento da doença (INCA, 2023b). 

No estado do Amazonas, para o ano de 2023, a estimativa é de 300 casos novos de CCR, sendo 140 em homens (taxa bruta de 6,20/100 mil) e 160 em mulheres (taxa bruta de 7,47/100 mil), situando-se entre as cinco neoplasias mais incidentes. O dado ajustado por idade também evidencia uma taxa de 8,30/100 mil em homens e 9,97/100 mil em mulheres, demonstrando a necessidade de atenção à prevenção secundária por meio de exames de rastreamento, como a colonoscopia (INCA, 2022).

Na capital Manaus, as estimativas para 2023 revelam 230 novos casos de CCR, sendo 100 em homens (taxa bruta de 8,81/100 mil) e 130 em mulheres (taxa bruta de 11,55/100 mil), em que a taxa ajustada por idade atinge 12,68/100 mil em homens e 13,54/100 mil em mulheres. Isto é, têm-se uma incidência superior à média estadual (INCA, 2022). 

Um estudo publicado na revista Nature analisou tumores colorretais de 200 pacientes e constatou que uma subespécie específica de F. nucleatum estava presente em 50% dos casos, com abundância significativamente maior nos tecidos tumorais em comparação com tecidos sadios. Os pesquisadores também observaram que amostras fecais de pacientes com câncer colorretal continham concentrações mais elevadas dessa bactéria do que amostras de indivíduos saudáveis (Fred Hutchinson Cancer Center, 2024).

Logo, a considerando a interação entre a microbiota intestinal e a evolução tumoral, torna-se essencial aprofundar a investigação sobre esses mecanismos. A detecção de F. nucleatum em amostras tumorais pode auxiliar não apenas na estratificação de risco, mas também na personalização do tratamento oncológico. Diante da relevância clínica e epidemiológica do câncer colorretal, compreender o papel da microbiota intestinal constitui passo fundamental para o avanço das estratégias de prevenção e intervenção terapêutica.

O presente estudo tem como objetivo geral investigar os mecanismos patogênicos da Fusobacterium Nucleatum no câncer colorretal e examinar suas implicações clínicas. E são objetivos específicos: identificar destacar seus mecanismos patogênicos do câncer colorretal e suas implicações clínicas; descrever a influência do Fn no desenvolvimento e progressão do câncer colorretal; discutir sobre a Fn como biomarcador progóstico para câncer colorretal.

2  MATERIAIS E MÉTODOS

2.1 TIPO DE ESTUDO

Trata-se de um estudo de revisão crítica da literatura, com procedimento descritivo e qualitativo, utilizando como fonte de dados a bibliografia científica relacionada à bactéria Fn e sua influência no câncer colorretal.

2.2 BASES DE DADOS CONSULTADAS

A presente revisão bibliográfica foi conduzida com base em buscas realizadas nas seguintes bases de dados científicas: PubMed, SciELO (Scientific Electronic Library Online), Google Acadêmico e ScienceDirect.

2.3 FONTES BIBLIOGRÁFICAS

Foram utilizados artigos científicos, livros, manuais técnicos e sites institucionais confiáveis (como INCA, Ministério da Saúde, OMS e Fiocruz). Para a pesquisa dos artigos, foram utilizadas as palavras-chave: Fusobacterium nucleatum, câncer colorretal, microbiota intestinal, patogênese, colorectal cancer, tumorigênese, entre outras relacionadas ao tema.

2.4 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO

Para o cumprimento desta pesquisa, foram selecionadas literaturas e artigos em língua portuguesa e inglesa, publicados no período de 2020 a 2025, que oferecessem informações relevantes, atualizadas e com acesso ao texto completo. Os trabalhos deveriam abordar direta ou indiretamente a relação entre Fusobacterium nucleatum e o câncer colorretal.

Foram excluídos artigos repetidos entre as bases de dados, textos sem acesso completo, publicações anteriores a 2018, além de materiais que não tratassem do tema de forma clara ou não apresentassem evidências científicas adequadas.

2.5 COLETA DE DADOS

A coleta de dados foi realizada entre os meses de fevereiro a novembro de 2025 por meio da busca e levantamento de artigos científicos, livros e outros materiais acadêmicos já publicados. O foco será identificar conteúdos relevantes que abordem o tema proposto, destacando os aspectos conceituais, teóricos e clínicos relacionados.

2.6 ANÁLISE DE DADOS

Após a seleção das fontes, foi feita uma leitura criteriosa e análise qualitativa do conteúdo encontrado. As informações serão organizadas de forma sistemática, permitindo a comparação entre os autores, identificação de pontos em comum, divergências e lacunas no conhecimento, a fim de compor uma discussão crítica e fundamentada.

3   RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados encontrados foram de 15 artigos, conforme explicito no quadro 1.

Quadro 1 – Artigos selecionados para essa revisão

NAutores (ano)TítuloRevistaPrincipais resultados
1Barbosa et al. (2025)Atualizações no câncer colorretal: epidemiologia, prevenção, diagnóstico e tratamentoBrazilian Journal of Implantology and Health SciencesAlta incidência de CCR em países desenvolvidos e regiões urbanas do Brasil; fatores de risco incluem dieta inadequada, sedentarismo e predisposição genética; rastreamento com colonoscopia, sangue oculto e DNA fecal é eficaz; avanços em terapias-alvo e imunoterapia reduzem mortalidade.
2Dobiesz et al. (2022)Mortalidade por câncer colorretal em mulheres: análise de tendência no Brasil, Estados e RegiõesRevista Brasileira de EnfermagemAnalisados 48.225 óbitos (2008–2019); tendência crescente de mortalidade em mulheres, principalmente nas regiões Sul e Sudeste; desigualdades socioeconômicas influenciam; necessidade de políticas públicas para rastreamento e diagnóstico precoce.
3Felisberto et al. (2021)Câncer colorretal: a importância de um rastreio precoceRevista Eletrônica Acervo SaúdeCCR é altamente incidente no Brasil, 2º em mulheres e 3º em homens; prevenção primária (alimentação e atividade física) e secundária (rastreamento) são essenciais; diagnóstico precoce aumenta chances de cura; políticas públicas e capacitação profissional são fundamentais.
4Gashti et al. (2021)Câncer colorretal: principais complicações e a importância do diagnóstico precoceRevista Eletrônica Acervo SaúdeRevisão das complicações do CCR: obstrução intestinal (24%), perfuração (2,6–12%, mais letal) e hemorragia (50% dos casos); diagnóstico tardio aumenta incidência dessas complicações; rastreamento precoce é fundamental para reduzir morbimortalidade.
5Girardon, Jacobi e Moraes (2022)Epidemiologia de pacientes com câncer colorretal submetidos a tratamento cirúrgico em hospital público de referênciaRevista Saúde e Desenvolvimento HumanoEstudo com 224 cirurgias; maioria mulheres (52,7%), idade média 63,2 anos, 89,3% adenocarcinoma; tumores mais comuns no retossigmoide (64,3%); 42,4% estadiamento III/IV; aumento do tempo entre diagnóstico e cirurgia; reforça necessidade de diagnóstico precoce.
6Mota  et al. (2021)Importância do rastreamento do câncer colorretal: uma revisãoResearch, Society and DevelopmentRevisão (2018–2021); aumento dos casos nos últimos 30 anos, atribuídos a envelhecimento e estilo de vida; rastreamento deve iniciar aos 45 anos; SUS não oferece rastreamento sistemático; necessidade de políticas para diagnóstico precoce e redução da mortalidade.
7Pires etal. (2021)Rastreamento   do câncer colorretal: revisão de literaturaBrazilian Journal of Health ReviewRevisão (2014–2019); recomenda início do rastreamento aos 45 anos; métodos incluem sangue oculto (FIT, Guaiaco, DNA fecal), colonoscopia, sigmoidoscopia e colonografia; busca de novos biomarcadores; rastreamento precoce reduz mortalidade.
8Kulmambetova et al. (2024)Associação da infecção por Fusobacterium nucleatum com câncer colorretal em pacientes do CazaquistãoFrontiers in OncologyEstudo com 83 pacientes (249 amostras) demonstrou que F. nucleatum foi significativamente mais prevalente em tecidos tumorais (43,4%) do que em tecidos normais (24,1%). A presença da bactéria correlacionou-se com maior tamanho tumoral, localização distal do cólon e maior consumo de carnes processadas. Conclui-se que F. nucleatum pode atuar como biomarcador para diagnóstico e progressão do CCR.
9Huang et al.(2020)A metformina provoca efeito antitumoral pela modulação da microbiota intestinal e resgata a tumorigênese colorretal induzida por Fusobacterium nucleatumEBioMedicineO estudo demonstrou que o metformina exerce efeito antitumoral ao modular a microbiota intestinal, reduzindo os efeitos oncogênicos induzidos por F. nucleatum. Em modelos animais (camundongos APCMin/+), o fármaco suprimiu a formação de tumores e reverteu parcialmente a tumorigênese causada pela bactéria. Sugere-se que a ação da metformina sobre a microbiota pode ser aproveitada como estratégia terapêutica no CCR.
10Wang, M.; Wang, Z.; Lessing, D. J.; Guo, M.; Chu, W. (2023)Fusobacterium nucleatum e seu metabólito sulfeto de hidrogênio alteram a composição da microbiota intestinal e o processo de autofagia e promovem a progressão do câncer colorretalMicrobiology SpectrumO estudo demonstrou que o Fusobacterium nucleatum produz sulfeto de hidrogênio (H₂S) a partir do metabolismo da L-cisteína, promovendo inflamação, alterações na microbiota intestinal e ativação de vias de autofagia em células tumorais. Em modelos in vivo, o Fn e o H₂S aumentaram a carga tumoral, reduziram a diversidade bacteriana benéfica e favoreceram a abundância de microrganismos patogênicos. Genes relacionados à autofagia, como DRAM1, NBR1, ATG7 e MAP1LC3A, apresentaram aumento significativo de expressão, reforçando o papel do Fn e do H₂S na progressão do câncer colorretal .
11García et al. (2025)A microbiota intestinal humana: implicações na saúde e na doença gastrointestinalMultidisciplinary Scientific Journal SAGAEstudo realizado com 430 adultos no México e Equador. Identificou-se redução significativa da diversidade microbiana (alfa diversidade) em indivíduos com doença inflamatória intestinal e câncer colorretal, em comparação aos controles saudáveis. A diversidade beta mostrou clara separação entre grupos saudáveis e doentes. A análise taxonômica revelou diminuição de Faecalibacterium prausnitzii e aumento de Ruminococcus gnavus, Fusobacterium nucleatum e Bacteroides fragilis. Houve redução consistente de butirato em todos os distúrbios gastrointestinais.
12Gutmacher et al. (2025)A presença e a abundância relativa de Fusobacterium nucleatum salivar não estão associadas ao câncer colorretal: revisão sistemática e metanáliseScientific ReportsRevisão sistemática com 12 estudos (8 na metanálise) demonstrou que não há diferença significativa na presença ou abundância relativa de Fn na saliva de pacientes com câncer colorretal quando comparados a controles saudáveis ou portadores de pólipos. Subgrupos por uso de antibióticos e outros fatores não alteraram os achados. Conclusão: F. nucleatum salivar não é um biomarcador confiável para triagem não invasiva de câncer colorretal.
13Sameni et al. (2025)Prevalência global de Fusobacterium nucleatum e Bacteroides fragilis em pacientes com câncer colorretalBMC GastroenterologyA metanálise apresentou prevalência global de 38,9% de F. nucleatum e 42,5% de B. fragilis em pacientes com câncer colorretal, com dados de 19 e 10 países, respectivamente. A maior prevalência de F. nucleatum foi observada na Ásia, enquanto B. fragilis predominou na Europa. Diabetes foi a comorbidade mais comum. O estudo reforça que modular a microbiota intestinal pode ser uma estratégia complementar ao tratamento do câncer colorretal.
14Janati et al. (2020)Detecção de Fusobacterium nucleatum em fezes e mucosa colorretal como fator de risco para câncer colorretal: revisão sistemática e metanáliseSystematic ReviewsMeta-análise de 12 estudos revelou forte associação entre detecção de Fn em fezes ou tecido colorretal e câncer colorretal (OR = 8,3). A maioria dos estudos observou cargas bacterianas mais elevadas em indivíduos com câncer. Conclusão: F. nucleatum no cólon/retos está significativamente associado ao desenvolvimento de câncer colorretal.
15Kharofa et al. (2023)Análise metagenômica do microbioma fecal em pacientes com câncer colorretal comparados a controles saudáveis em função da idadeCancer MedicineMetanálise com 692 pacientes com câncer colorretal e 602 controles. Os resultados mostraram forte associação entre câncer colorretal e presença dos fatores carcinogênicos colibactina (OR 1,92), gene fadA (OR 4,57), Fn (OR 6,93) e Escherichia coli (OR 2,02). Pacientes jovens apresentaram enriquecimento de espécies específicas, como Intestinimonas butyriciproducens e Holdemania filiformis. A prevalência de F. nucleatum aumentou com a idade.

Fonte: Elaborado pelos Autores (2025).

Considerando os artigos do Quadro 1, foram definidos três eixos de análise que respondem diretamente aos objetivos específicos desta pesquisa, em que abordam: mecanismos patogênicos do câncer colorretal e suas implicações clínicas; A influência do Fn no desenvolvimento e progressão do câncer colorretal; e o Fn como biomarcador prognóstico para câncer colorretal

3.1 MECANISMOS PATOGÊNICOS DO CÂNCER COLORRETAL E SUAS IMPLICAÇÕES CLÍNICAS

O câncer colorretal (CCR) é uma neoplasia que acomete o intestino grosso, incluindo cólon, reto e junção retossigmóide. Seu desenvolvimento segue um processo gradual, frequentemente descrito como sequência adenoma-carcinoma, que pode levar de 10 a 15 anos. Nessa trajetória, pólipos adenomatosos benignos sofrem mutações genéticas e epigenéticas cumulativas, como alterações no gene Adenomatous Polyposis Coli (APC), instabilidade de microssatélites e mutações em oncogenes como KRAS, evoluindo para lesões pré-malignas e, posteriormente, carcinomas invasivos (Felisberto et al., 2021). 

Huang et al. (2020) ressaltam que a progressão do CCR envolve a ativação de proto-oncogenes e a inativação de genes supressores tumorais, o que leva ao acúmulo de mutações e ao crescimento celular desordenado. Nesse processo, fatores extrínsecos como dieta rica em carnes processadas, obesidade, tabagismo e consumo excessivo de álcool intensificam a inflamação crônica e alteram a microbiota intestinal. A disbiose, caracterizada pelo aumento de microrganismos próinflamatórios como o Fn, favorece o desequilíbrio imunológico e acelera a progressão tumoral.

Os mecanismos patogênicos do CCR estão intimamente associados às complicações clínicas em estágios avançados. O crescimento tumoral descontrolado pode resultar em obstrução intestinal, perfuração e hemorragia, complicações que aumentam a morbimortalidade e reduzem as possibilidades terapêuticas. Além disso, a evolução silenciosa da doença em seus estágios iniciais contribui para diagnósticos tardios, reforçando a importância do rastreamento precoce como medida preventiva para essa patologia (Gashti et al., 2021). 

Conforme os estudos de Girardon, Jacobi e Moraes (2022), verificaram-se que a maioria dos pacientes submetidos a tratamento cirúrgico apresentava tumores em estágios III e IV, o que evidencia como os mecanismos patogênicos se manifestam de forma insidiosa antes da identificação clínica. Logo, essa progressão tardia implica a necessidade de cirurgias mais complexas, maior tempo de hospitalização e redução das taxas de sobrevida, ou seja, a falta de diagnóstico precoce compromete o prognóstico.

Barbosa et al. (2025) destacam que, o CCR também é influenciado por fatores patogênicos relacionados ao estilo de vida, como hábitos alimentares inadequados, sedentarismo e consumo de álcool, aliados à predisposição genética. Tais fatores atuam em sinergia para gerar instabilidade genética e promover a proliferação celular descontrolada, sendo mais frequentes em regiões urbanas, onde o estilo de vida contemporâneo potencializa a exposição a riscos ambientais e dietéticos.

Segundo Mota et al. (2021), a etiologia do CCR pode ser hereditária ou esporádica. Nos casos hereditários, síndromes como a polipose adenomatosa familiar e a síndrome de Lynch aumentam a predisposição ao tumor em idades precoces. Já a forma esporádica, responsável pela maioria dos casos, resulta do acúmulo de mutações somáticas ao longo da vida, associadas a fatores ambientais e comportamentais, como dieta rica em gorduras, tabagismo e obesidade.

Ademais, Gashti et al. (2021) ressaltam que a disbiose, caracterizada pela perda de microrganismos benéficos e proliferação de espécies patogênicas, promove a liberação de toxinas, espécies reativas de oxigênio e citocinas próinflamatórias, assim, desencadeiam processos inflamatórios crônicos na mucosa intestinal, que danificam o DNA, estimulam a proliferação celular anormal e inibem mecanismos de apoptose. Assim, as alterações favorecem a carcinogênese e o crescimento descontrolado das células neoplásicas, agravando o quadro clínico.

Nesse contexto, os autores Mota et al. (2021) destacam que doenças inflamatórias intestinais, como a retocolite ulcerativa e a doença de Crohn, aumentam o risco de desenvolvimento do câncer colorretal. Dado que, o processo inflamatório crônico característico dessas condições favorece a produção de espécies reativas de oxigênio, que causam danos cumulativos ao DNA e estimulam mutações oncogênicas. 

O rastreamento do câncer colorretal atua para reduzir a mortalidade, especialmente diante do aumento dos casos em faixas etárias cada vez mais jovens. Os autores destacam que métodos de rastreamento devem ser iniciados a partir dos 45 anos, considerando tanto fatores genéticos quanto ambientais, e que a colonoscopia permite o diagnóstico e tratamento simultâneos, através da remoção de pólipos adenomatosos (Pires et al., 2021). 

Dobiesz et al. (2022) analisaram a tendência de mortalidade por câncer colorretal em mulheres no Brasil entre 2008 e 2019, totalizando 48.225 óbitos no período, com destaque para as regiões Sul e Sudeste, que apresentaram os maiores índices, passando de 7,32 para 8,65 e de 6,72 para 9,05 por 100 mil mulheres, respectivamente. Isto foi associado a desigualdades socioeconômicas, culturais e de acesso aos serviços de saúde, que comprometem o rastreamento precoce e contribuem para diagnósticos em estágios avançados. 

3.2  A INFLUÊNCIA DO FUSOBACTERIUM NUCLEATUM2 NO DESENVOLVIMENTO E PROGRESSÃO DO CÂNCER COLORRETAL

O Fn trata-se de um microrganismo associado à iniciação e progressão do CCR por meio da produção de sulfeto de hidrogênio (H₂S), metabólito resultante do metabolismo de aminoácidos sulfurados. Em concentrações patológicas, o H₂S induz a secreção de citocinas inflamatórias, como IL-6, VEGF e COX-2, além de alterar a composição da microbiota intestinal, reduzindo a diversidade bacteriana e aumentando a presença de espécies patogênicas. O estudo demonstrou também que o Fn e seu metabólito ativam vias de autofagia em células tumorais, com aumento da expressão de genes como DRAM1, ATG7 e MAP1LC3A, mecanismos que favorecem a sobrevivência, a migração celular e a evasão de respostas imunes (Wang et al., 2023). 

Em estudo conduzido no Cazaquistão, foram analisadas 249 amostras de biópsias pareadas, revelando que o Fn esteve presente em 43,37% dos tecidos tumorais contra 24,1% dos tecidos normais. Além disso, sua abundância foi significativamente correlacionada ao tamanho tumoral, à localização distal do cólon e ao consumo elevado de carnes processadas. Esses achados reforçam a hipótese de que a colonização por Fn contribui para a carcinogênese por meio da promoção de inflamação local e da modulação negativa da resposta imune (Kulmambetova et al., 2024). 

Huang et al. (2020) confirmaram que o Fn encontra-se enriquecido em adenomas e carcinomas colorretais, sendo capaz de reduzir a sobrevida e aumentar a carga tumoral em modelos animais. Nesse mesmo estudo, os autores demonstraram que o uso da metformina modulou a microbiota intestinal e atenuou os efeitos oncogênicos induzidos pelo Fn, reduzindo a formação de tumores em camundongos APCMin/+. Tais evidências reforçam a ideia de que o Fn atua não apenas como um microrganismo oportunista em ambientes tumorais, mas como um agente ativo na progressão da doença, tornando-se alvo potencial tanto para diagnóstico precoce quanto para novas abordagens terapêuticas.

A relação entre o Fn e a progressão tumoral também é evidenciada no estudo de Janati et al. (2020), que identificou uma associação robusta entre a detecção do microrganismo em fezes ou mucosa colorretal e o desenvolvimento de câncer colorretal, apresentando um odds ratio de 8,3. Os autores reforçam que o Fn não apenas coloniza preferencialmente tecidos neoplásicos, mas apresenta maior carga bacteriana em indivíduos com CCR do que em controles saudáveis. Essa concentração elevada sugere que o microrganismo encontra no microambiente tumoral condições propícias para sua proliferação, ao mesmo tempo em que intensifica processos inflamatórios e desregula vias de sinalização celular relacionadas à tumorigênese.

Segundo Kharofa et al. (2023), o Fn também participa de mecanismos de carcinogênese mediados por fatores de virulência, como a adesina FadA, capaz de ativar vias como Wnt/β-catenina e estimular a proliferação de células epiteliais tumorais, dado que, a presença do gene fadA eleva em mais de quatro vezes as chances de um indivíduo apresentar CCR, indicando que a capacidade do Fn de aderir ao epitélio intestinal e modular processos inflamatórios e genéticos é central na transformação maligna. Além disso, a prevalência de Fn aumenta com a idade, reforçando seu papel cumulativo e potencialmente progressivo em estágios avançados da doença.

A pesquisa de García et al. (2025) complementa esse entendimento ao mostrar que pacientes com CCR apresentam depleção de Faecalibacterium prausnitzii, bactéria reconhecida por sua ação anti-inflamatória, e aumento de Fn e Bacteroides fragilis. A perda de espécies benéficas e o avanço de microrganismos patogênicos configuram um quadro de disbiose profunda, no qual o Fn se destaca pela capacidade de modular a inflamação local e alterar a produção de ácidos graxos de cadeia curta, especialmente o butirato. A redução desse metabólito, fundamental para a integridade da barreira mucosa, intensifica processos inflamatórios e aumenta a permeabilidade intestinal, criando condições favoráveis à progressão tumoral.

Sameni et al. (2025) reforçam esse cenário ao evidenciarem que 38,9% dos pacientes com CCR apresentam colonização por Fn, destacando que sua prevalência é particularmente elevada em países asiáticos. A análise global sugere que fatores ambientais, dietéticos e genéticos modulam a interação entre o microrganismo e o hospedeiro, indicando que a influência do Fn na carcinogênese é multifacetada e dependente do contexto epidemiológico. Além disso, Bacteroides fragilis, frequentemente encontrado em associação ao Fn, intensifica a inflamação e a atividade de vias oncogênicas, ampliando o potencial carcinogênico da microbiota.

E Gutmacher et al. (2025), ao analisarem amostras salivares, observaram que nem sempre há correlação direta entre a presença de Fn na cavidade oral e o desenvolvimento de CCR. Embora o microrganismo tenha sido identificado como um importante patógeno intestinal, sua detecção em saliva não se mostrou um marcador confiável de carcinogênese. Esses achados reforçam que o papel do Fn é altamente dependente de sua interação com o microambiente intestinal e de sua capacidade de aderência e invasão nas mucosas do cólon.

3.3 A FUSOBACTERIUM NUCLEATUM COMO BIOMARCADOR PROGÓSTICO PARA CÂNCER COLORRETAL

Os estudos de Gutmacher et al. (2025) e a metanálise conduzida por Huangfu et al. (2021) evidenciam que Fn está associado a pior prognóstico em câncer colorretal. Gutmacher et al. (2025) demonstraram que a abundância elevada de Fn em amostras salivares e fecais correlaciona-se com pior sobrevida global e maior agressividade tumoral, enquanto Huangfu et al. (2021), ao analisar dados clínicos de diferentes populações, concluíram que altos níveis de Fn estão relacionados com aumento da mortalidade e maior risco de progressão da doença. 

Em complemento, a revisão sistemática de Janati et al. (2020) confirmou que a presença de Fn em fezes e mucosa colônica associa-se a maior risco de evolução tumoral e de recorrência após tratamento. Os autores analisaram estudos clínicos e observaram que a detecção de DNA de Fn em diferentes regiões do cólon apresentava sensibilidade significativa para predizer progressão de adenomas para carcinomas invasivos. Similarmente, a metanálise publicada por Sameni et al. (2025), que avaliou prevalência global de Fn, demonstrou que pacientes com maior carga bacteriana apresentavam tumores de maior estadiamento, configurando uma relação direta entre colonização microbiana e evolução clínica.

A investigação de Kharofa et al. (2023), que analisou o microbioma fecal de diferentes faixas etárias, identificou que pacientes com CCR e maior abundância de Fn tinham perfis microbianos associados a inflamação persistente e menor resposta imunológica, fatores ligados a pior evolução clínica. Paralelamente, a pesquisa de Estrada García et al. (2025) mostrou que a composição microbiana intestinal em tumores avançados é marcada pelo predomínio de Fn, que se associa a maior instabilidade genômica e menor diversidade bacteriana, sugerindo microambiente mais propício à progressão tumoral.

A análise epidemiológica de Kulmambetova et al. (2024) investigou 249 amostras pareadas e encontrou que pacientes com maior carga tumoral e com tumores localizados no cólon distal apresentavam maiores níveis de Fn. Os autores relacionaram esses achados a um perfil clínico mais grave e à maior probabilidade de complicações estruturais no trato intestinal. Esses dados convergem com as evidências mecanísticas apresentadas por Wang et al. (2023), que demonstraram que o Fn ativa vias de autofagia e inflamação tumoral (DRAM1, ATG7, MAP1LC3A), favorecendo resistência terapêutica e menor resposta ao tratamento.

As relações entre Fn e variáveis clínicas também foram evidenciadas por estudos nacionais. Gashti et al. (2021) verificaram que pacientes com tumores obstrutivos ou perfurados, eventos clínicos associados a pior prognóstico, apresentavam perfis inflamatórios exacerbados compatíveis com microbiota alterada, entre elas o aumento de bactérias pró-inflamatórias como Fn. Já Girardon, Jacobi e Moraes (2022) destacaram que condições clínicas como inflamação prolongada, desnutrição e baixa imunidade sistêmica tendem a coexistir com maior prevalência de bactérias associadas à progressão tumoral.

Ainda, Barbosa et al. (2025) discutem que biomarcadores microbianos como Fn, integrados a métodos de rastreamento como testes fecais e colonoscopia, aumentam a capacidade de prever evolução tumoral e auxiliar na estratificação de risco. O estudo de Dobiesz et al. (2022), ao avaliar métodos diagnósticos baseados na microbiota, concluiu que a inclusão da detecção de Fn elevou a sensibilidade para identificar tumores avançados, reforçando que o microrganismo possui relevância não apenas diagnóstica, mas também prognóstica quando integrado a painéis multimodais.

Portanto, ao integrar os achados dos estudos analisados, evidencia-se que a Fn configura um dos mais consistentes e promissores biomarcadores prognósticos para o câncer colorretal, destacando-se por sua forte associação com maior agressividade tumoral, redução da sobrevida, pior resposta terapêutica e presença mais frequente em tumores avançados. As análises conduzidas por autores como convergem ao demonstrar que a elevada abundância dessa bactéria em tecidos tumorais e fezes constitui indicador de pior evolução clínica, que reforçam o potencial do microrganismo em compor painéis prognósticos multimodais. Assim, o corpo de evidências sinaliza que a incorporação da Fn em abordagens prognósticas pode aprimorar substancialmente a estratificação de risco, o planejamento terapêutico e o monitoramento evolutivo de pacientes com câncer colorretal.

4  CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve como objetivo geral investigar os mecanismos patogênicos da Fn no câncer colorretal e examinar suas implicações clínicas, o que foi plenamente alcançado à luz das evidências científicas analisadas. A literatura demonstrou de forma consistente que a Fn exerce papel ativo na carcinogênese colorretal, não apenas como microrganismo oportunista, mas como agente modulador de vias celulares, inflamatórias e imunológicas que contribuem para a transformação maligna do epitélio colônico. Sua capacidade de produzir metabólitos tóxicos, alterar a composição da microbiota, ativar vias de sinalização e favorecer um microambiente inflamatório sustentado revela um conjunto robusto de mecanismos envolvidos no surgimento e na progressão da doença.

Ao identificar e destacar os mecanismos patogênicos da Fn e suas implicações clínicas, constatou-se que a bactéria atua mediante múltiplas vias patológicas. Entre elas, destacam-se a produção de sulfeto de hidrogênio (H₂S), a ativação de genes relacionados à autofagia tumoral, a modulação negativa da resposta imune e a capacidade de aderência às células epiteliais colônicas por meio de fatores de virulência como FadA e Fap2, em que promovem instabilidade genômica, inflamação persistente, resistência à apoptose e evasão imune, configurando uma base biológica sólida que explica o impacto clínico do microrganismo na evolução tumoral.

Ao descrever a influência da Fn no desenvolvimento e progressão do câncer colorretal foi igualmente alcançado. Os estudos analisados evidenciaram que a colonização por Fn está associada a maior agressividade tumoral, maior carga inflamatória, expansão de células neoplásicas, maior risco de metástases e redução da diversidade microbiana benéfica. Achados clínicos e experimentais demonstram que tumores com alta abundância de Fn tendem a apresentar estadiamentos mais avançados e maiores taxas de recorrência, sinalizando a importância da microbiota na dinâmica evolutiva do câncer colorretal.

No que diz respeito ao terceiro objetivo específico, discutir a Fn como biomarcador prognóstico para câncer colorretal, este estudo confirmou que a bactéria possui potencial relevante para compor ferramentas prognósticas modernas, que demonstram que sua abundância em tecidos tumorais e fezes correlaciona-se com pior sobrevida global, menor sobrevida livre de progressão e maior probabilidade de resistência terapêutica. Embora sua detecção salivar ainda não apresente sensibilidade adequada, os métodos fecais e teciduais mostram-se promissores para estratificação de risco, acompanhamento clínico e potencial integração em protocolos de rastreamento.

Conclui-se que a Fn representa um importante marcador biológico, clínico e prognóstico no contexto do câncer colorretal, em que seus mecanismos de ação, sua influência sobre o microambiente tumoral e sua correlação com desfechos clínicos desfavoráveis reforçam a necessidade de incorporar abordagens microbiológicas às estratégias de diagnóstico, prognóstico e tratamento. 

5  REFERÊNCIAS

BARBOSA, C. A.; BATISTA, I. S.; FERREIRA, C. E.; TANNÚS, L. M. S.; TANNÚS, C. L. V.; MAGALHÃES, L. C. R.; SANTOS, R. S.; CUNHA, D. H. Atualizações no câncer colorretal: epidemiologia, prevenção, diagnóstico e tratamento. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, [S. l.], v. 7, n. 7, p. 1383–1392, 2025. DOI: 10.36557/2674-8169.2025v7n7p1383-1392. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/5860. Acesso em: 26 ago. 2025.

CASTELLARIN, M.; WARDELL, J. D.; PERERA, W. R.; HUANG, S. H.; SHAH, M. S.; GLEAVE, M.; SAGER, R.; MORRISON, D. B.; DURAN, G. B.; BANG, R. N.; et al. Fusobacterium nucleatum infection is prevalent in human colorectal carcinoma. Genome Research, Cold Spring Harbor, NY, v. 22, n. 2, p. 299–306, fev. 2021

DOBIESZ, B. A.; OLIVEIRA, R. R.; SOUZA, M. P.; PEDROSO, R. B.; STEVANATO, K. P.; PELLOSO, F. C. et al. Colorectal cancer mortality in women: trend analysis in Brazil and its regions and states. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 75, n. 2, p. e20210751, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2021-0751pt.

FELISBERTO, Y. S.; SANTOS, C. D. P. C.; CAIRES, P. T. P. R. C.; BITENCOURT, A. C. O.; MENDES, A. V. F. D.; PINHO, J. M. B. L.; OLIVEIRA, R. A. L.; CASTRO, B. T.; OLIVEIRA, P. M. R.; SANTOS, J. M. Câncer colorretal: a importância de um rastreio precoce. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 13, n. 4, p. e7130, 6 abr. 2021.

FRED HUTCHINSON CANCER CENTER. ZEPEDA-RIVERA, Martha; JOHNSTON, Christopher D.; BULLMAN, Susan; et al. A subtype of Fusobacterium nucleatum is prevalent in human colorectal carcinoma and associated with tumor growth. Nature, [S.l.], v. 615, n. 7950, p. 299–306, 2024. Bacteria subtype linked to growth in up to 50% of human colorectal cancers. 2024.

GARCÍA, Mayra Nayeli Estrada et al. The Human Gut Microbiota: Implications in Gastrointestinal Health and Disease. Revista Científica Multidisciplinar SAGA, v. 2, n. 3, p. 992-1008, 2025. DOI: 10.63415/saga.v2i3.258 . Disponível em: https://revistasaga.org/index.php/saga/article/view/258 . Acesso: 11 nov 2025.

GASHTI, S. M.; TONDO, A. L. C.; FREITAG, I.; ARAÚJO, J. M. M.; ROCHEMBACK, L.; ORTH, L.; LIRA, M.; REZENDE, P. D.; GOMES, S. C.; PAREJA, H. B. J. Câncer colorretal: principais complicações e a importância do diagnóstico precoce. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 13, n. 4, p. e6888, 11 abr. 2021.

GIRARDON, D. T.; JACOBI, L. F.; MORAES, A. B. de. Epidemiologia de pacientes com câncer colorretal submetidos a tratamento cirúrgico em hospital público de referência. Revista Saúde e Desenvolvimento Humano, v. 10, n. 1, p. 1-15, fev. 2022. DOI: http://dx.doi.org/10.18316/sdh.v10i1.7426.

HUANG, X.; HONG, X.; WANG, J.; SUN, T.; YU, T.; YU, Y.; FANG, J.; XIONG, H. Metformin elicits antitumour effect by modulation of the gut microbiota and rescues Fusobacterium nucleatum-induced colorectal tumourigenesis. EBioMedicine, v. 61, p. 103037, nov. 2020. DOI: https://doi.org/10.1016/j.ebiom.2020.103037

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (Brasil). Câncer de cólon e reto: estimativas e comentários. Rio de Janeiro: INCA, 2023.

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Amazonas: estimativa dos casos novos para 2023. Rio de Janeiro: INCA, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/numeros/estimativa/estadocapital/amazonas. Acesso em: 27 ago. 2025.

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Estimativa 2023: Incidência de Câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/inca/ptbr/assuntos/cancer/numeros/estimativa. Acesso em: 27 ago. 2025.

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer. Rio de Janeiro: INCA, 2022.

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Manaus: estimativa dos casos novos para 2023. Rio de Janeiro: INCA, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/inca/ptbr/assuntos/cancer/numeros/estimativa/estado-capital/manaus. Acesso em: 27 ago. 2025.

JANATI, A. I.; KARP, I.; LAPRISE, C.; SABRI, H.; EMAMI, E. Detection of Fusobacterium nucleatum in feces and colorectal mucosa as a risk factor for colorectal cancer: a systematic review and meta-analysis. Systematic Reviews, v. 9, n. 1, p. 276, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1186/s13643-020-01526-z. Acesso em: 10 nov. 2025.

KHAROFA, J.; APEWOKIN, S.; ALENGHAT, T.; OLLBERDING, N. J. Metagenomic analysis of the fecal microbiome in colorectal cancer patients compared to healthy controls as a function of age. Cancer Medicine, v. 12, n. 3, p. 2945–2957, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1002/cam4.5197. Acesso em: 10 nov. 2025.

KULMAMBETOVA, G.; KURENTAY, B.; GUSMAULEMOVA, A.; UTUPOV, T.; AUGANOVA, D.; TARLYKOV, P.; MAMLIN, M.; KHAMZINA, S.; SHALEKENOV, S.; KOZHAKHMETOV, A. Association of Fusobacterium nucleatum infection with colorectal cancer in Kazakhstani patients. Frontiers in Oncology,v.14,2024.

MOTA, L. P.; SOUSA, M. V. A.; ECKHARDT, A.; NASCIMENTO, M. S.; ALMEIDA, L. M. C.; FREITAS, J. M.; CARDOSO, A. R.; OLIVEIRA, J. P. T.; APOLINÁRIO, J. M. S. S.; SOUSA, F. W. S.; LEÃO, A. O.; PENHA, A. A. G.; BORGES, E. R.; GOMES, E. C.; RODRIGUES, K. B. C.; CARVALHO, S. E. S.; TEIXEIRA, G. M.; OLIVEIRA, S. A.; SÁ, B. V. Importância do rastreamento do câncer colorretal: uma revisão. Research, Society and Development, [S. l.], v. 10, n. 13, p. e472101321360, 2021. DOI: 10.33448/rsd-v10i13.21360. Disponível em: https://rsdjournal.org/rsd/article/view/21360. Acesso em: 26 ago. 2025.

PIRES, M. E. de P.; MEZZOMO, D. S.; LEITE, F. M. M.; LUCENA, T. M.; SILVA, J.; PINHEIRO, M. J. A.; VARGAS, L. J.; QUINTAIROS, M. Q.; OLIVEIRA, M. C. Rastreamento do câncer colorretal: revisão de literatura. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 4, n. 2, p. 6866–6881, 2021. DOI: 10.34119/bjhrv4n2-233. Disponível     em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/27362. Acesso em: 27 ago. 2025.

SAMENI, F.; ELKHICHI, P. A.; DADASHI, A.; SADEGHI, M.; GOUDARZI, M.; ESHKALAK, M. P.; DADASHI, M. Global prevalence of Fusobacterium nucleatum and Bacteroides fragilis in patients with colorectal cancer: an overview of case reports/case series and meta-analysis of prevalence studies. BMC Gastroenterology, v. 25, n. 1, p. 71, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1186/s12876-025-03664-x. Acesso em: 10 nov. 2025.

WANG, M.; WANG, Z.; LESSING, D. J.; GUO, M.; CHU, W. Fusobacterium nucleatum and its metabolite hydrogen sulfide alter gut microbiota composition and autophagy process and promote colorectal cancer progression. Microbiology Spectrum, v. 11, n.6, e0229223, 12 dez. 2023. DOI: https://doi.org/10.1128/spectrum.02292-23


1Graduanda do Curso de Bacharelado em Biomedicina. Faculdade Metropolitana de Manaus (FAMETRO). Av. Constantino Nery, 3470 – Chapada, Manaus – AM, 69010-160. E-mail: kathmoraes2017@gmail.com
2Mestre em Biotecnologia e Recursos Naturais da Amazônia pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Docente do curso de Biomedicina da Faculdade Metropolitana de Manaus (FAMETRO). E-mail: gabriel.rezende@fametro.edu.br