LIPEDEMA AND THE INFLUENCE OF DIET ON TREATMENT
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202509291531
Flor de Maria Lima de Lima1
Mayre Djanne da Silva Lima2
Tatiana dos Santos Marques3
Francisca Marta Nascimento de Oliveira Freitas4
Rosimar Honorato Lobo5
RESUMO
O lipedema é uma doença crônica e de caráter progressivo, definida pelo acúmulo desproporcional de tecido adiposo, principalmente nos membros inferiores, manifestando-se com maior frequência em mulheres. Deste modo, o presente estudo tem como objetivo compreender a abordagem nutricional no tratamento do lipedema, visando descrever o mecanismo do lipedema; discutir sua relação com a alimentação; e analisar os impactos da condição na qualidade de vida das mulheres. Trata-se de um estudo exploratório que utilizou uma metodologia de revisão da literatura conduzida nas bases de dados LILACS, PubMed e SciELO, com artigos publicados entre 2020 e 2025. Os resultados evidenciaram que o lipedema envolve não apenas o acúmulo desproporcional de gordura nos membros, mas também alterações na microcirculação e no metabolismo lipídico, associadas a processos inflamatórios de baixo grau e à fibrose do tecido conjuntivo, que contribuem para dor e limitação funcional. A análise dos estudos revelou que dietas com potencial anti-inflamatório, como a cetogênica, a low-carb high-fat e a mediterrânea modificada, demonstraram melhora significativa em parâmetros clínicos, incluindo redução de edema, sensibilidade dolorosa e circunferência dos membros, além de favorecer o controle da inflamação e a mobilidade. Assim, conclui-se que a intervenção nutricional aliada ao manejo do lipedema, reduz o impacto físico e psicossocial da doença voltadas à mulher.
Palavras-chave: Alimentação. Lipedema. Mulheres. Nutrição. Qualidade de vida.
1. INTRODUÇÃO
O lipedema foi descrito pela primeira vez em 1940, na Mayo Clinic, pelos doutores Edgar Van Nuys Allen — renomado cirurgião cardiovascular, conhecido pelo teste de Allen — e Edgar Alphonso Hines Jr., na seção de clínicas vasculares. Desde então, a condição, também denominada síndrome de Allen-Hines, passou a ser reconhecida como um acúmulo anômalo e simétrico de gordura nas regiões dos glúteos e pernas, frequentemente acompanhado de inchaço ao permanecer em pé (Amato et al., 2022). Essa definição ganhou maior respaldo recentemente, quando o lipedema foi incluído na 11ª edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sob os códigos EF02.2 e BD93.1Y, despertando crescente interesse de especialistas em clínica, cirurgia vascular e plástica (Vyas; Adnan, 2023).
Apesar desse reconhecimento, a ausência de testes específicos e a compreensão limitada dos critérios diagnósticos ainda dificultam a identificação precisa da doença. A desproporção no acúmulo de gordura, acompanhada de sensação de peso e inchaço em ortostatismo, constitui sinal clínico relevante, mas nem sempre é devidamente valorizado, favorecendo o subdiagnóstico (Amato et al., 2022).
A complexidade aumenta quando se considera que aproximadamente metade das pessoas diagnosticadas com lipedema apresenta excesso de peso ou obesidade, quadro que pode mascarar os sinais específicos da condição. Além disso, doenças como linfedema, alterações no contorno corporal pelo acúmulo de gordura e obesidade ginecoide compartilham características semelhantes, gerando sobreposição de sintomas e dificultando a diferenciação (Pereira et al., 2018; Amato et al., 2022).
Nesse contexto, profissionais de saúde ressaltam a importância de distinguir cuidadosamente o lipedema da obesidade convencional, uma vez que diagnósticos equivocados atrasam o início do tratamento e permitem a progressão da doença. Os impactos do lipedema transcendem as alterações físicas, afetando de forma significativa a saúde mental e a qualidade de vida (Vyas; Adnan, 2023).
Conforme observado por Kaefer et al. (2024), trata-se de uma doença que acomete majoritariamente mulheres, reforçando a necessidade de estratégias de diagnóstico precoce e tratamento específico que considerem não apenas os aspectos clínicos, mas também as repercussões psicossociais. Ainda, há uma associação com maior prevalência de depressão, redução da capacidade funcional e limitação nas atividades diárias, além de condições associadas como ansiedade, hipertensão e anemia.
O estudo encontra sua justificativa na relevância social e científica do tema, uma vez que o lipedema configura-se como uma condição crônica que acomete predominantemente mulheres, marcada pelo acúmulo anômalo, bilateral e simétrico de tecido adiposo, principalmente nos membros inferiores e, em alguns casos, também nos superiores. Na qual, a alteração pode gerar dor, sensibilidade aumentada, restrições funcionais e impacto negativo na qualidade de vida. Sua etiologia está associada a fatores hormonais, podendo manifestar-se desde a adolescência até a menopausa, e sua semelhança clínica com outras afecções — como fibroedema gelóide (celulite), lipodistrofia localizada, linfedema e obesidade — frequentemente resulta em diagnósticos equivocados ou tardios, contribuindo para o subdiagnóstico da doença.
Assim, a nutrição desempenha papel fundamental no manejo do lipedema, podendo auxiliar na redução dos sintomas e na melhoria do bem-estar, especialmente diante da associação dessa condição com obesidade, resistência à insulina, desequilíbrios hormonais e inflamação crônica de baixo grau. Tais fatores reduzem a eficácia de dietas excessivamente restritivas. Portanto, investigar estratégias nutricionais adequadas, capazes de proporcionar alívio dos sintomas e otimizar a qualidade de vida das pacientes, mostra-se relevante.
O objetivo desta pesquisa é compreender a abordagem nutricional no tratamento do lipedema, visando reduzir a inflamação, regular o peso corporal e melhorar a circulação sanguínea em mulheres adultas. Os objetivos específicos incluem: descrever o mecanismo do lipedema; discutir sua relação com a alimentação; e analisar os impactos da condição na qualidade de vida das mulheres.
2. METODOLOGIA
2.1 Tipo de estudo
Trata-se de um estudo exploratório que utilizou uma metodologia de revisão da literatura para reunir e elaborar uma análise completa dos resultados de pesquisas consistentes sobre o tema em discussão, realizado de forma estruturada, fomentando uma compreensão mais aprofundada sobre o assunto em discussão.
2.2 Coleta de dados
O levantamento de dados foi realizado nas bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), U.S. National Library of Medicine – National Institutes of Health (PubMed) e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Utilizaram-se como descritores: lipedema, nutrição, mulher e dieta, além de suas correspondentes em inglês — Lipedema and Nutrition, Lipedema in Women’s Health e Diet in Lipedema —, devidamente cadastradas nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS).
Os critérios de elegibilidade compreenderam artigos originais e completos, publicados entre 2020 e 2025, nos idiomas português e inglês, que abordassem diretamente o tema proposto. Foram excluídos os estudos que não apresentaram relação com o objeto da pesquisa.
2.3 Análise de dados
A análise dos dados foi conduzida de forma minuciosa, incluindo a avaliação dos efeitos de diferentes terapias e intervenções sobre o bem-estar dos pacientes. Inicialmente, realizou-se uma análise prévia para organização e triagem do material, assegurando a consistência das informações utilizadas. Para tanto foram utilizados os seguintes autores:
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
O lipedema é uma enfermidade crônica e de evolução progressiva, caracterizada pela deposição anômala de tecido adiposo subcutâneo, que ocorre de forma simétrica e afeta, sobretudo, os membros inferiores, podendo também comprometer os membros superiores, com preservação das mãos e dos pés. Essa condição incide majoritariamente sobre mulheres e manifesta-se pelo acúmulo desproporcional de gordura, particularmente nas pernas (Amato et al., 2020; Poojari; Dev; Rabiee, 2022).
Essa condição é uma enfermidade dolorosa relacionada ao tecido adiposo do tecido conjuntivo, que muitas vezes é incorretamente identificada como obesidade causada por hábitos de vida, afetando cerca de 10% das mulheres de origem europeia, assim como outras etnias (Herbst et al., 2021).
Sua classificação clínica contempla quatro estágios, que variam conforme a textura da pele e a estrutura do tecido adiposo: no estágio I, observa-se pele com aparência normal, mas com hipoderme espessada; no estágio II, há irregularidade e endurecimento da pele sobre nódulos palpáveis; no estágio III, destacam-se acúmulos de gordura que geram dobras e deformam a superfície cutânea; no estágio IV, instala-se linfedema associado, agravando o quadro clínico (Keith et al., 2021; Silva et al., 2022).
O lipedema se manifesta através do aumento simétrico na região das nádegas, quadris e pernas, em decorrência do crescimento do tecido conjuntivo frouxo; além disso, cerca de 80% das pacientes apresentam também alteração nos braços. O tecido conjuntivo frouxo associado ao lipedema é composto por adipócitos aumentados, células inflamatórias e vasos sanguíneos dilatados que vazam, junto com vasos linfáticos anômalos (Herbst et al., 2021).
A alteração no fluxo de fluidos pelo tecido provoca acúmulo de líquidos, proteínas e outros elementos no espaço intersticial, levando ao recrutamento de células inflamatórias, o que promove a fibrose e dificulta a redução de peso. A inflamação e o excesso de substância intersticial também podem ativar as fibras nervosas, contribuindo para a dor associada ao lipedema do tecido adiposo (Herbst et al., 2021).
O lipedema é uma condição que acomete principalmente mulheres e que tende a manifestar seus primeiros sinais na adolescência. No entanto, algumas evidências indicam que o lipedema pode surgir após a gravidez ou até mesmo na menopausa. Na literatura, há menções a casos de lipedema em homens, mas esses são relatados de forma isolada (Kakamoto et al., 2024).
Ainda de acordo com Kakamoto et al. (2024) os homens que são afetados costumam mostrar problemas associados a altos índices de estrogênio e baixos níveis de testosterona, como é observado em situações de hipogonadismo masculino e em patologias hepáticas. Além disso, crianças também podem ser afetadas, como evidenciado por uma pesquisa realizada em 2011, que indicou que 6,5% dos indivíduos com diagnósticos suspeitos de linfedema eram, na realidade, portadores de lipedema. Infelizmente, as informações disponíveis atualmente sobre a frequência do lipedema são limitadas e apresentam contradições (Kakamoto et al., 2024).
Conforme Silva et al. (2022), a lipodistrofia localizada refere-se a uma alteração nas células de gordura, manifestando um desvio no metabolismo lipídico, que resulta em um aumento anômalo de tecido adiposo na hipoderme, sendo mais prevalente nas mulheres, principalmente nas áreas dos quadris, abdômen, coxas e flancos.
A distribuição desse tecido adiposo não é uniforme e classifica-se de acordo com a localização, podendo ser do tipo androide, mais frequente em homens e que afeta a região abdominal, ou do tipo ginóide, que aparece nas coxas, quadris e abdômen, especialmente nas mulheres. Também existe a classificação mista, que combina características de ambos os tipos, sendo uma condição se desenvolve devido a fatores como sedentarismo, estresse, desequilíbrios hormonais e uso de contraceptivos, resultando em um acúmulo de gordura nas células, aliado à produção insuficiente das enzimas necessárias. A pesquisa indica que o tipo predominante entre os participantes deste estudo é o ginóide (Amato et al., 2025).
A Tabela 1 apresenta uma síntese das principais evidências sobre o lipedema e os impactos na qualidade de vida das mulheres, considerando as perspectivas dos autores.
Tabela 1 – Relação entre Lipedema e Qualidade de Vida conforme os autores
| Autor(es) e Ano | Aspectos do Lipedema | Relação com Qualidade de Vida das Mulheres |
| Amato et al. (2020) | Definem o lipedema como condição crônica com acúmulo de gordura, especialmente nas pernas, prevalente em mulheres. | Destacam o impacto físico e psicossocial, uma vez que o acúmulo de gordura e dor afetam mobilidade e a autoestima. |
| Poojari; Dev; Rabiee (2022) | Consideram o lipedema uma enfermidade dolorosa do tecido adiposo, muitas vezes confundida com obesidade por hábitos de vida. | A dor crônica e a estigmatização pela confusão com obesidade impactam a saúde mental e a percepção corporal. |
| Herbst et al. (2021) | Descrevem alterações teciduais (adipócitos aumentados, inflamação, fibrose, dor e alterações linfáticas). | A dor persistente, fibrose e dificuldade de perda de peso afetam diretamente a funcionalidade e o bem-estar emocional das pacientes. |
| Kakamoto et al. (2024) | Relatam início do lipedema na adolescência e também em fases como gravidez e menopausa; apontam casos isolados em homens. | Mudanças hormonais e evolução progressiva contribuem para sintomas incapacitantes, prejudicando a qualidade de vida feminina ao longo da vida. |
| Silva et al. (2022) | Abordam a lipodistrofia localizada como alteração do metabolismo lipídico, com acúmulo anômalo de tecido adiposo. | A distribuição anômala de gordura impacta estética, imagem corporal e pode gerar dor e limitação física. |
| Amato et al. (2025) | Apontam a prevalência do tipo ginóide (quadris, coxas, abdômen), comum em mulheres; fatores: sedentarismo, hormônios, estresse. | O tipo ginóide está associado a desconforto físico e insatisfação corporal, afetando o bem-estar e a autoimagem feminina. |
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).
A análise da Tabela 1 evidencia que o lipedema impacta a qualidade de vida das mulheres, indo além das manifestações físicas da doença. Os estudos apontam que a dor crônica, a inflamação e a fibrose dificultam a mobilidade e reduzem a capacidade funcional, comprometendo atividades diárias e a autonomia das pacientes. Tais fatores, somados ao acúmulo anômalo de tecido adiposo e às alterações hormonais relacionadas à adolescência, gravidez ou menopausa, resultam em desconforto persistente e sobrecarga física. Ademais, a estigmatização e a frequente confusão do lipedema com obesidade agrava o sofrimento emocional, favorecendo sentimentos de baixa autoestima, insatisfação corporal e isolamento social.
Além da classificação por estágios, o lipedema também é categorizado em tipos, de acordo com a distribuição anatômica da gordura. Os tipos I, II e III são os mais comuns: no tipo I, há acúmulo localizado em quadris e nádegas, com formato semelhante a “alforjes”; no tipo II, a gordura se estende até os joelhos, formando dobras na face interna; no tipo III, abrange toda a parte inferior do corpo até os tornozelos. O tipo IV afeta os braços, podendo gerar limitação funcional e sobrecarga nos ombros, e o tipo V se restringe às pernas abaixo dos joelhos (Sørlie et al., 2022; Corrêa et al., 2023).
O diagnóstico diferencial é fundamental, uma vez que o lipedema compartilha características clínicas com obesidade, linfedema e fibro edema gelóide. Entretanto, apresenta distinções importantes: é limitado aos membros, preserva mãos e pés, tem distribuição simétrica e bilateral, está fortemente associado a fatores hormonais e genéticos e, nos estágios iniciais, não cursa com edema persistente. Muitas pacientes mantêm índice de massa corporal dentro da normalidade, o que reforça a necessidade de critérios clínicos específicos para identificação (Amato et al., 2022; Souza, Rodrigues e Brito, 2025).
A prevalência estimada no Brasil é de aproximadamente 12,3% da população feminina, segundo Amato et al. (2022), com subnotificação expressiva devido ao desconhecimento clínico e à ausência de protocolos diagnósticos padronizados. Essa invisibilidade resulta em atrasos no tratamento e contribui para a progressão da doença, que impacta negativamente a qualidade de vida física, emocional e social das pacientes (Silva e Varela, 2025; Ruschel et al., 2025).
Deste modo, a anamnese e o exame físico detalhado são fundamentais para o diagnóstico, devendo incluir a avaliação da simetria dos membros, presença de dor à palpação, histórico de hematomas frequentes e sensibilidade aumentada. O questionário de rastreamento desenvolvido por Amato et al. (2020) foi criado para suprir a carência de instrumentos diagnósticos de baixo custo e alta aplicabilidade clínica, visando identificar mulheres com alta probabilidade de lipedema. Ele é composto por perguntas objetivas que investigam a presença de aumento simétrico de gordura em membros inferiores e/ou superiores, ocorrência de dor espontânea ou à palpação, histórico de hematomas frequentes sem causa aparente, sensibilidade cutânea aumentada, e relação temporal dos sintomas com eventos hormonais como puberdade, gestação ou menopausa. Também avalia antecedentes familiares e exclusão de outras condições, como linfedema e obesidade (Amato et al., 2020).
O manejo do lipedema deve ser individualizado e multidisciplinar, considerando desde medidas conservadoras como drenagem linfática, terapia compressiva, fisioterapia e orientação nutricional, até procedimentos cirúrgicos, como lipoaspiração específica, indicados em casos refratários (Amato; Benitti, 2021; Silva; Varela, 2025). A dieta desempenha papel relevante, especialmente abordagens como a dieta cetogênica ou low carb, que têm mostrado potencial na redução da dor e na melhoria da qualidade de vida (Sørlie et al., 2022; Keith et al., 2021).
Estudos recentes indicam que, embora a perda de peso não esteja diretamente correlacionada à redução da dor, modificações no padrão alimentar podem contribuir para o controle da inflamação crônica de baixo grau, característica da fisiopatologia do lipedema (Sørlie et al., 2022; Souza, Rodrigues e Brito, 2025). Sendo uma perspectiva que reforça a importância de abordagens nutricionais personalizadas, que considerem tanto a composição corporal quanto às necessidades metabólicas individuais (Ruschel et al., 2025).
O impacto psicossocial da doença é expressivo, tais como a dor persistente, alterações na imagem corporal e limitações funcionais influenciam a autoestima e a participação social das pacientes. Deste modo, a negligência institucional e acadêmica, apontada por Souza, Rodrigues e Brito (2025), agrava esse cenário, tornando urgente a implementação de políticas públicas que incluam o lipedema como prioridade em saúde da mulher.
Intervenções integradas, combinando suporte médico, nutricional, fisioterapêutico e psicológico, são fundamentais para alcançar resultados sustentáveis. Conforme destacado por Silva e Varela (2025), investir na capacitação de profissionais e no desenvolvimento de protocolos nacionais pode melhorar significativamente o prognóstico e a qualidade de vida das pacientes. Além do que, o avanço no reconhecimento e no tratamento do lipedema depende da articulação entre pesquisa, prática clínica e políticas de saúde, de modo que, o fortalecimento da base científica, aliado a estratégias de educação em saúde, é importante para romper o ciclo de subdiagnóstico e garantir cuidado integral às mulheres afetadas (Corrêa et al., 2023; Amato et al., 2022).
Como ressaltam Poojari, Dev e Rabiee (2022), o lipedema se caracteriza por alterações estruturais no tecido adiposo subcutâneo, incluindo hipertrofia e hiperplasia de adipócitos, remodelamento da matriz extracelular e comprometimento da microcirculação, o que reduz a resposta a dietas hipocalóricas tradicionais, logo, se exige a investigação de estratégias nutricionais específicas que possam atuar não apenas no balanço energético, mas também na modulação da inflamação e na preservação da função vascular e linfática.
Entre as intervenções alimentares estudadas, a dieta cetogênica e a versão modificada da dieta mediterrânea têm se destacado por apresentarem efeitos benéficos em parâmetros antropométricos e na sintomatologia do lipedema (Jeziorek et al., 2022; Di Renzo et al., 2021; Verde et al., 2023).
A dieta cetogênica, caracterizada pela alta ingestão de gorduras e restrição severa de carboidratos, demonstrou capacidade de reduzir volume corporal, dor e inflamação, com repercussões positivas sobre a qualidade de vida (Cannataro et al., 2021; Keith et al., 2021). Já a dieta mediterrânea modificada, com ênfase em alimentos anti-inflamatórios e ajuste na proporção de macronutrientes, mostrou-se eficaz na melhora da composição corporal e na diminuição do edema, contribuindo para maior funcionalidade física (Di Renzo et al., 2021).
Estudos como o de Verde et al. (2023) destacam que dietas com baixo índice glicêmico e maior teor de ácidos graxos ômega-3 modulam vias inflamatórias associadas à dor crônica no lipedema. De modo que, a ação anti-inflamatória pode explicar porque intervenções dietéticas direcionadas apresentam maior eficácia no manejo sintomático quando comparadas a estratégias genéricas de perda de peso, que frequentemente falham em promover mudanças sustentáveis na fisiologia do tecido adiposo afetado. Assim, indica-se que o benefício dessas abordagens está relacionado, em parte, à redução da carga inflamatória sistêmica e local.
A integração da intervenção alimentar com outras mudanças no estilo de vida amplia ainda mais os resultados positivos. Lundanes et al. (2024) evidenciaram que a combinação de dieta de baixo carboidrato com prática regular de atividade física reduziu significativamente a dor e melhorou a qualidade de vida de mulheres com lipedema, independentemente da magnitude da perda de peso. Ou seja, reforça a noção de que o efeito terapêutico não se limita ao emagrecimento, mas envolve uma reprogramação metabólica e inflamatória que atua diretamente na fisiopatologia da doença.
Forner-Cordero, Forner-Cordero e Szolnoky (2021) enfatizam que o manejo clínico do lipedema deve ser multimodal, incluindo controle de peso, atividade física, uso de meias de compressão e aconselhamento psicológico. Dentro desse espectro, a nutrição é importante não apenas pelo impacto na composição corporal, mas também pelo potencial de melhorar a mobilidade, reduzir a sensação de peso nos membros e promover autopercepção mais positiva. Ao considerar que a dor e o edema afetam diretamente a adesão ao tratamento, a adoção de padrões alimentares que aliviem esses sintomas podem favorecer a continuidade das demais intervenções.
Poojari, Dev e Rabiee (2022) alertam que a heterogeneidade clínica do lipedema implica respostas variáveis às intervenções, influenciadas por fatores hormonais, genéticos e comportamentais, logo, a personalização do plano alimentar deve contemplar as preferências alimentares, histórico de dietas e condições associadas como obesidade ou distúrbios metabólicos.
Estudos clínicos como o de Jeziorek et al. (2022) reforçam essa perspectiva ao demonstrar que pacientes submetidas a uma dieta low-carb high-fat (LCHF) apresentaram maior redução de peso, gordura corporal e circunferência de membros em comparação a dietas moderadas em carboidratos e gorduras. Além das melhorias físicas, houve relato de redução de dor e melhora da mobilidade, evidenciando a dimensão funcional das mudanças alimentares. Nesse ensejo, a resposta multifatorial sugere que a LCHF atua não apenas no déficit calórico, mas também na regulação de vias metabólicas relevantes para o lipedema.
Cannataro et al. (2021) reforçam essa interpretação ao apresentar um acompanhamento de 22 meses de uma paciente em dieta cetogênica, com perda de 41 kg, redução de dor e melhoria substancial da qualidade de vida. O longo período de adesão e a manutenção dos resultados evidenciam o potencial de intervenções nutricionais estruturadas para sustentar benefícios em longo prazo, algo raramente observado com abordagens convencionais.
A dieta mediterrânea modificada, conforme descrita por Di Renzo et al. (2021), constitui outra alternativa a ser considerada, especialmente para pacientes com resistência ou dificuldade de adesão a dietas cetogênicas. Ao priorizar alimentos anti-inflamatórios e reduzir carboidratos refinados, essa estratégia promoveu redução de gordura nos membros superiores e inferiores, com melhora da capacidade para atividades cotidianas e menor sensação de fadiga. Embora os resultados não sejam tão expressivos quanto na cetogênica, essa abordagem pode representar solução viável para pacientes que buscam um padrão alimentar mais próximo de hábitos culturais prévios.
A análise comparativa feita por Verde et al. (2023) sugere que a very low-calorie ketogenic diet (VLCKD) apresenta vantagens maiores sobre outras dietas, inclusive a mediterrânea modificada, especialmente no controle de sintomas e na redução de inflamação. Entretanto, os autores alertam para a necessidade de investigações de longo prazo que avaliem segurança e sustentabilidade, apontando que protocolos mais restritivos podem não ser indicados para todos os perfis de pacientes.
Além da dieta, Bonetti et al. (2022) discutem o papel potencial de suplementos alimentares com efeito termogênico, como chá verde, cafeína e carnitina, que, quando associados a um plano alimentar adequado e exercícios, podem contribuir para a redução do tecido adiposo. Contudo, os autores ressaltam que a evidência científica sobre esses recursos ainda é limitada e, portanto, seu uso deve ser criterioso e supervisionado.
A visão de Amato e Benitti (2021) também é relevante ao demonstrar que tratamentos não cirúrgicos, quando bem planejados, podem gerar resultados clínicos e estéticos expressivos, melhorando o estado psicológico e social das pacientes. A integração de dieta, fisioterapia e manejo clínico individualizado permite não apenas o controle da progressão da doença, mas também a ampliação da autonomia funcional.
A investigação conduzida por Ruschel et al. (2025) acrescenta dados relevantes ao debate sobre a relação entre lipedema e alimentação, ao evidenciar inadequações significativas na ingestão de carboidratos, lipídeos, fibras e micronutrientes em mulheres diagnosticadas com a condição. O estudo, fundamentado na avaliação da composição corporal por DEXA e no recordatório alimentar de 24 horas, reforça que, além da composição qualitativa da dieta, a adequação quantitativa dos macronutrientes e micronutrientes é determinante para a modulação do quadro inflamatório característico do lipedema. A alta prevalência de excesso de peso e de percentual elevado de gordura corporal observada no grupo estudado indica que intervenções nutricionais individualizadas podem contribuir para mitigar o impacto da deposição desproporcional de tecido adiposo, promovendo melhorias tanto na sintomatologia quanto na qualidade de vida.
Complementarmente, Amato, Markus e Santos (2020) destacam que, embora o diagnóstico diferencial entre lipedema, linfedema e obesidade seja desafiador, a adoção de estratégias terapêuticas conservadoras, incluindo ajustes alimentares, pode ter papel relevante na redução de sintomas como dor, edema e sensação de peso nos membros inferiores. A abordagem alimentar voltada ao lipedema deve considerar a necessidade de controle do peso corporal para diminuir a sobrecarga mecânica e vascular, ao mesmo tempo em que prioriza alimentos com potencial anti-inflamatório e antioxidante. Logo, a orientação dietética, integrada a outras formas de tratamento, tende a minimizar o desconforto físico, reduzir o risco de complicações e favorecer a manutenção funcional a longo prazo.
A Tabela 2 sintetiza as principais estratégias dietéticas e intervenções descritas na literatura científica recente, evidenciando seus benefícios clínicos, mecanismos fisiológicos e os respectivos autores que as investigaram.
Tabela 2 – Relação entre Lipedema e Alimentação
| Dieta/Intervenção | Principais Benefícios | Mecanismos Possíveis | Autores (ano) |
| Dieta Cetogênica (KD) | Redução de peso e circunferência, melhora da dor e inflamação, aumento da qualidade de vida | Controle glicêmico, cetose, redução de inflamação, melhora na função linfática | Cannataro et al. (2021); Keith et al. (2021) |
| Low-Carb High-Fat (LCHF) | Maior redução de peso, gordura corporal e circunferência em comparação a dietas moderadas; melhora de mobilidade e dor | Cetose e redução glicêmica, ação anti-inflamatória, mobilização de gordura resistente | Jeziorek et al. (2022) |
| Dieta Mediterrânea Modificada (mMeD) | Redução de gordura em membros, menor fadiga, melhora da funcionalidade | Aumento de alimentos anti-inflamatórios, redução de carboidratos refinados, equilíbrio de macronutrientes | Di Renzo et al. (2021) |
| Very Low-Calorie Ketogenic Diet (VLCKD) | Redução rápida de peso e inflamação, eficácia superior a outras dietas | Cetose profunda, restrição calórica severa, efeito anti-inflamatório pronunciado | Verde et al. (2023) |
| Dieta Low-Carb com Exercício | Redução da dor e melhora da qualidade de vida, independente da magnitude da perda de peso | Sinergia entre dieta e estímulo mecânico/muscular, melhora metabólica | Lundanes et al. (2024) |
| Suplementação Termogênica | Potencial de aumentar queima de gordura e reduzir tecido adiposo quando associada a dieta e exercícios | Aumento do metabolismo e lipólise, inibição de lipogênese | Bonetti et al. (2022) |
| Abordagem Multimodal | Integra dieta, exercício, compressão e suporte psicológico, com melhora global dos sintomas | Atuação simultânea em fatores físicos, metabólicos e psicológicos | Forner-Cordero et al. (2021); Amato e Benitti (2021) |
| Adequação Nutricional Geral | Correção de inadequações de carboidratos, lipídeos, fibras e micronutrientes; modulação inflamatória; melhora na composição corporal | Ajuste da ingestão de macro e micronutrientes, redução da inflamação sistêmica, controle do peso | Ruschel et al. (2025) |
| Ajustes Alimentares Integrados ao Tratamento Conservador | Redução de sintomas (dor, edema, sensação de peso), menor sobrecarga mecânica e vascular, potencial anti-inflamatório e antioxidante | Controle ponderal, inclusão de alimentos anti-inflamatórios e antioxidantes, suporte à função vascular e linfática | Amato, Markus e Santos (2020) |
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).
Entre os protocolos relatados, destacam-se abordagens como a dieta cetogênica (Cannataro et al., 2021; Keith et al., 2020), a versão modificada da dieta mediterrânea (Di Renzo et al., 2021), a very low-calorie ketogenic diet (Verde et al., 2023), a low-carb high-fat diet (Jeziorek et al., 2022), a associação de dieta low-carb com exercícios (Lundanes et al., 2024) e estratégias complementares, como suplementação termogênica (Bonetti et al., 2022) e planos alimentares integrados ao tratamento multimodal (Forner-Cordero et al., 2021; Amato; Benitti; 2021). Também são contempladas contribuições que abordam a adequação nutricional geral (Ruschel et al., 2025) e ajustes alimentares voltados à redução de sintomas (Amato, Marus & Santos, 2020), compondo um panorama abrangente sobre como a nutrição pode ser direcionada para o manejo do lipedema.
Deste modo, os avanços nas abordagens dietéticas para o lipedema refletem uma transição de um modelo centrado exclusivamente no déficit calórico para estratégias que consideram a complexidade metabólica e inflamatória da doença. Observa-se que dietas como a cetogênica, a low-carb e a mediterrânea modificada apresentam potencial terapêutico consistente, especialmente quando aliadas a um estilo de vida ativo e a suporte psicológico.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente pesquisa permitiu compreender a abordagem nutricional como elemento complementar no tratamento do lipedema, atendendo aos objetivos propostos de descrever o mecanismo da doença, discutir sua relação com a alimentação e analisar seus impactos na qualidade de vida de mulheres adultas. Constatou-se que o lipedema, enquanto condição crônica e progressiva, apresenta alterações estruturais e inflamatórias no tecido adiposo que repercutem diretamente na funcionalidade física, na imagem corporal e no bem-estar psicossocial das pacientes, o que demonstra que, a doença não deve ser compreendida apenas como uma questão estética, mas como uma síndrome com múltiplos determinantes hormonais, genéticos e metabólicos, frequentemente negligenciada nos serviços de saúde.
No tocante à alimentação, as evidências destacam que estratégias nutricionais direcionadas, como dietas cetogênicas, low carb e mediterrânea modificada, apresentam benefícios efetivos na redução da inflamação, melhora da mobilidade e alívio da dor, independentemente de grandes perdas de peso. A atuação nutricional, quando integrada a outras terapias conservadoras, potencializa os resultados clínicos e contribui para o tratamento dos sintomas e para a prevenção de complicações. Além disso, a personalização dos planos alimentares, considerando a heterogeneidade clínica e as preferências individuais das pacientes, mostrou-se importante para adesão e eficácia a longo prazo.
Os resultados também evidenciam que a melhora da qualidade de vida das mulheres com lipedema depende de uma abordagem multiprofissional, contemplando suporte médico, fisioterapêutico e psicológico, além do nutricional. Assim, esta pesquisa contribui para ampliar o entendimento sobre o papel da nutrição no tratamento do lipedema e reforça a necessidade de estratégias que contemplem as dimensões físicas, emocionais e sociais da doença, promovendo cuidado integral e melhoria efetiva na qualidade de vida das mulheres afetadas.
REFERÊNCIAS
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1Discente do Curso de Bacharelado em Nutrição. Faculdade Metropolitana de Manaus (FAMETRO). E-mail: flordemarialima14@gmail.com
2Discente do Curso de Bacharelado em Nutrição. Faculdade Metropolitana de Manaus. E-mail: , dmayredjanne@gmail.com, taty.santost28@gmail.com
3Discente do Curso de Bacharelado em Nutrição. Faculdade Metropolitana de Manaus. E-mail: taty.santost28@gmail.com
4Doutora em Biotecnologia pela Universidade Federal do Amazonas. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição Faculdade Metropolitana de Manaus (FAMETRO). E-mail: francisca.freitas@fametro.edu.br
5Especialista em Saúde Pública com ênfase em Nutrição pelo Centro Universitário do Norte. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: rosimar.lobo@fametro.edu.br
