LASERTERAPIA NO TRATAMENTO DE LESÕES POR PRESSÃO EM DIABÉTICOS

LASER THERAPY IN THE TREATMENT OF PRESSURE INJURIES IN DIABETIC PEOPLE

TERAPIA LÁSER EN EL TRATAMIENTO DE LAS LESIONES POR PRESIÓN EN PERSONAS DIABÉTICAS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512141412


Clarissa Niero Moraes
Laura Appel Bevilaqua
Graciela Freitas Zarbato
Itamar Sebastião Mattos Neto
Antonio Roque Citadin Júnior
Larissy Nascimento Borges
Jamila Silveira Ribeiro
Ruhana de Paula Barbosa Nascimento


RESUMO

O estudo analisado investiga a eficácia da laserterapia de baixa intensidade (LLLT) no tratamento de úlceras em pacientes diabéticos. As úlceras por pressão e o pé diabético são problemas de saúde crônicos que afetam significativamente a qualidade de vida. A LLLT, por sua vez, apresenta propriedades cicatrizantes e anti-inflamatórias. Objetivo: A revisão busca demonstrar a eficácia da LLLT na melhora da cicatrização de úlceras em diabéticos e reduzir a necessidade de amputações. Método: Foram analisados diversos estudos que investigaram os efeitos da LLLT em diferentes parâmetros e tipos de úlceras. Resultados: Os resultados mostram que a LLLT é eficaz na aceleração da cicatrização, reduzindo o tamanho das úlceras e o tempo de tratamento. No entanto, a falta de padronização nos protocolos e a ausência de grupos controle em alguns estudos limitam a generalização dos resultados. Conclusão: A LLLT apresenta um grande potencial terapêutico para o tratamento de úlceras em pacientes diabéticos. No entanto, são necessárias mais pesquisas com metodologias mais robustas para estabelecer protocolos de tratamento padronizados e otimizar os resultados. A combinação da LLLT com outras terapias, como o uso de células-tronco, pode ser uma promissora estratégia para o futuro.

Palavras-chave: Laserterapia de baixa intensidade; Úlceras por pressão; Pé diabético.

ABSTRACT

The study analyzed investigates the effectiveness of low-intensity laser therapy (LLLT) in the treatment of ulcers in diabetic patients. Pressure ulcers and diabetic foot are chronic health problems that significantly affect quality of life. LLLT, in turn, has healing and anti-inflammatory properties. Objective: The review seeks to demonstrate the effectiveness of LLLT in improving ulcer healing in diabetics and reducing the need for amputations. Method: Several studies were analyzed that investigated the effects of LLLT on different parameters and types of ulcers. Results: The results show that LLLT is effective in accelerating healing, reducing the size of ulcers and treatment time. However, the lack of standardization in protocols and the absence of control groups in some studies limit the generalization of results. Conclusion: LLLT has great therapeutic potential for the treatment of ulcers in diabetic patients. However, more research is needed with more robust methodologies to establish standardized treatment protocols and optimize results. Combining LLLT with other therapies, such as the use of stem cells, may be a promising strategy for the future.

Keywords: Low-intensity laser therapy; Pressure ulcers; Diabetic foot.

RESUMEN

El estudio analizado investiga la eficacia de la terapia con láser de baja intensidad (LLLT) en el tratamiento de las úlceras en pacientes diabéticos. Las úlceras por presión y el pie diabético son problemas de salud crónicos que afectan significativamente la calidad de vida. La LLLT, a su vez, tiene propiedades curativas y antiinflamatorias. Objetivo: La revisión busca demostrar la efectividad de la LLLT para mejorar la curación de úlceras en diabéticos y reducir la necesidad de amputaciones. Método: Se analizaron varios estudios que investigaron los efectos de la LLLT sobre diferentes parámetros y tipos de úlceras. Resultados: Los resultados muestran que la LLLT es efectiva para acelerar la curación, reducir el tamaño de las úlceras y el tiempo de tratamiento. Sin embargo, la falta de estandarización en los protocolos y la ausencia de grupos de control en algunos estudios limitan la generalización de los resultados. Conclusión: La LLLT tiene un gran potencial terapéutico para el tratamiento de úlceras en pacientes diabéticos. Sin embargo, se necesita más investigación con metodologías más sólidas para establecer protocolos de tratamiento estandarizados y optimizar los resultados. Combinar la LLLT con otras terapias, como el uso de células madre, puede ser una estrategia prometedora para el futuro.

Palabras clave: Terapia con láser de baja intensidad; Úlceras por presión; Pie diabético.

INTRODUÇÃO

Os lasers de baixa potência são conhecidos por promoverem efeitos biológicos benéficos, como ação analgésica, anti-inflamatória e cicatrizante, por meio do fenômeno da bioestimulação.1 Se diferencia dos outros pelo comprimento de onda, sendo que comprimentos menores resultam em maior ação e penetração. Existem lasers que podem operar em modo pulsátil ou contínuo, e sua potência, expressa em watts, pode variar de deciwatts a megawatts.2 Para aplicar a LLLT (terapia a laser de baixa intensidade), diversos parâmetros precisam ser ajustados, como o comprimento de onda, potência da luz, tipo de luz, densidade de energia, energia total, potência e duração do tratamento. A eficácia do procedimento também depende de vários fatores, incluindo a localização e a natureza da lesão, além do estado fisiológico do paciente.3

As lesões por pressão, anteriormente conhecidas como úlceras de pressão ou escaras de decúbito, são danos à pele e aos tecidos subjacentes, geralmente sobre proeminências ósseas, resultantes de pressão prolongada ou pressão combinada com fricção. Elas são um problema significativo de saúde, especialmente entre pacientes com mobilidade reduzida, como aqueles em cuidados prolongados ou indivíduos com condições médicas que limitam sua capacidade de mudar de posição.4O pé diabético é uma complicação comum em pacientes diabéticos, onde a neuropatia periférica e a doença arterial periférica (DAP) desempenham papéis centrais, enquanto a infecção surge frequentemente como consequência secundária. A neuropatia periférica, presente em cerca de 50% dos pacientes diabéticos, provoca perda da sensibilidade protetora, deformidades nos pés e alterações biomecânicas que aumentam a pressão em certas áreas, levando à formação de calosidades e eventual ulceração da pele. Pequenos traumas, como o uso de calçados inadequados, podem precipitar essas ulcerações, e a continuidade da carga sobre o pé insensível compromete a cicatrização. Além disso, a combinação de neuropatia, DAP e imunopatia torna os pacientes mais suscetíveis a infecções, complicando o processo de cicatrização5.

A laserterapia de baixa potência tem se mostrado eficaz no tratamento das úlceras por pressão, sendo uma intervenção não invasiva, econômica e com resultados promissores. Os efeitos bioestimulantes desse tipo de laser incluem o aumento da produção de colágeno pelas células epiteliais e fibroblastos, o estímulo à microcirculação local, a modulação da densidade capilar e a inibição da secreção de certos mediadores químicos.2 Esses fenômenos biomodulatórios favorecem efeitos terapêuticos como morfodiferenciação e proliferação celular, neoformação tecidual, revascularização, redução do edema, aprimoramento da regeneração celular, aumento da microcirculação local e maior permeabilidade vascular.³ Em nível vascular, o laser de baixa potência estimula a proliferação das células endoteliais, levando à formação de numerosos vasos sanguíneos e ao aumento da produção de tecido de granulação. Além disso, promove o relaxamento da musculatura vascular lisa, contribuindo para os efeitos analgésicos da terapia a laser.1

A importância de pesquisar este tema reside no fato de que, apesar dos avanços no tratamento de feridas, ainda há desafios no manejo eficaz das lesões por pressão em diabéticos. Métodos tradicionais de tratamento, como curativos e mudanças de decúbito, muitas vezes não são suficientes para acelerar o processo de cicatrização em pacientes com perfusão comprometida. A laserterapia, uma técnica não invasiva, tem demonstrado potencial em estimular a regeneração tecidual, reduzir inflamações e melhorar o fluxo sanguíneo local, o que a torna uma opção promissora para o tratamento dessas lesões.1

A pesquisa sobre a laserterapia no tratamento de lesões por pressão em diabéticos é importante devido à falta de estudos específicos nessa área. Investigar seus efeitos pode oferecer uma alternativa eficaz aos tratamentos tradicionais. Os resultados serão úteis para profissionais de saúde e gestores, ajudando a reduzir o tempo de cicatrização e complicações, além de beneficiar diretamente os pacientes, melhorando sua qualidade de vida. A pesquisa também poderá orientar futuros estudos e aprimorar protocolos de tratamento.

Sendo assim, o objetivo dessa revisão bibliográfica é destacar os efeitos do laser de baixa intensidade no tratamento de úlceras em pessoas diabéticas e demonstrar sua eficácia na melhora da qualidade de vida desses pacientes, bem como a redução do número de membros amputados.

METODOLOGIA

Os artigos foram pesquisados nas seguintes bases de dados: Pubmed, Lilacs e Medline. O fluxograma 1 apresenta a pesquisa realizada.

Fluxograma 1: fases de seleção dos artigos para a revisão.

FLUXOGRAMA

Autores, 2024

RESULTADOS E DISCUSSÃO

SITESTÍTULOANO POPULAÇÃO/METODOLOGIAOBJETIVO GERALCONCLUSÃO
LILACSEfeitos da laserterapia em pacientes com pé diabético.2022Tratou-se de uma revisão sistemática de estudos contidos nas bases de dados eletrônicos PubMed, LILACS e SciELO, sem restrição de ano, utilizando os descritores “Diabetes mellitus”, “Hiperglicemia”, “Lasers”, “Pé diabético”, “Lesão por pressão”.Avaliar os efeitos da laserterapia no tratamento dos pacientes com pé diabético.O uso da laserterapia é uma intervenção que promove efeitos importantes na melhora da cicatrização das feridas em pacientes com úlceras diabéticas. No entanto, não há congruência na literatura de quais são os parâmetros mais adequados para aplicação dessa técnica.
MEDLINEFotobiomodulação e cicatrização de úlceras do pé diabético e da perna: uma síntese narrativa.2021Os bancos de dados Pubmed, CINAHL , Scopus e OVID Medline foram usados ​​para encontrar estudos relevantes publicados entre janeiro de 2000 e janeiro de 2020.Fornecer uma revisão narrativa abrangente e avaliação crítica da pesquisa que investiga a foto biomodula
ção (PBM).
Independentemente das características do laser escolhidas, na maioria dos estudos, o PBM como tratamento para DFUs melhorou a taxa de cura quando comparado apenas ao tratamento padrão de feridas . No entanto, as fraquezas nos estudos indicam que mais pesquisas são necessárias.
MEDLINEFotobiomodulação a laser na cicatrização de úlceras de pressão em pacientes diabéticos humanos: análise da expressão gênica de marcadores bioquímicos inflamatórios. 2018O estudo foi composto por oito indivíduos, com idade média de 62 anos, portadores de UP sacroilíaca e calcânea, classificadas como grau III e IV de acordo com o National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP). As UPs foram irradiadasO objetivo deste estudo foi avaliar a expressão gênica de fatores inflamatórios/reparadores: IL6, TNF, VEGF e TGF, que participam do processo de cicatrização tecidual sob efeitos da terapia a laser de baixa intensidade (LLLT)Após a LLLT, as feridas apresentaram melhora na aparência macroscópica, com aumento dos fatores VEFG e TGF-β e redução do TNF; apesar dos nossos resultados promissores, eles devem ser analisados ​​cuidadosamente, pois este estudo não teve um grupo controle.
MEDLINEEfeitos da terapia de luz de baixa potência no processo de reparo tecidual de feridas crônicas em pés diabéticos. 2018Este ensaio clínico foi realizado com 18 pacientes de 30 a 59 anos de idade, portadores de feridas crônicas no pé devido a complicações do diabetes mellitus. Os pacientes foram alocados aleatoriamente em dois grupos distintos de igual número: Grupo Controle e Grupo Laser.Analisar a eficácia do uso terapêutico da Terapia Laser de Baixa Intensidade (LLLT) no processo de reparo tecidual de feridas crônicas em pacientes com pés diabéticos.O uso da LLLT em feridas crônicas em pé diabético demonstrou eficácia na progressão do processo de reparo tecidual em um curto período.
LILACSTerapias inovadoras para reparo tecidual em pessoas com pé diabético.2022Revisão integrativa, realizada nas bases de dados/portal Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Base de Dados de Enfermagem (BDENF) via Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), SCOPUS e PubMed .  Identificar terapias inovadoras para reparação de tecidos em pessoas com pés diabéticos.Várias terapias podem ser utilizadas para tratar os pés diabéticos em associação ao tratamento padrão ,aumentando as chances de cura total, diminuindo o risco de amputações , melhorando a marcha e a qualidade de vida de pessoas com diabetes mellitus e úlceras nos pés .
PUPMEDExplorando a terapia de fotobiomodulação e a medicina regenerativa para úlceras de pé diabético: patogênese e abordagem de tratamento multidisciplinar.2024Uma revisão extensa foi conduzida usando vários bancos de dados(MEDLINE, PubMed, EMBASE, Cochrane Library, Web of Science e Google Scholar) de 2000 a 2023. Termos específicos relacionados a terapias para úlceras nos pés foram usados, incluindo células-tronco,terapia com células-tronco, implantação de células-tronco, córion/âmnio, terapia com córion/âmnio, terapia com cordão umbilical humano, terapia de fotobiomodula ção (PBM), terapia de luz de baixa intensidade, terapia a laser e nível de laser.Este estudo enfatiza uma abordagem multidisciplinar, fornecendo uma visão geral completa da patogênese da DFU e dos tratamentos disponíveis.O PBM oferece uma opção promissora e econômica com potencial para cura mais rápida e menos complicações. Quando integrado a uma abordagem personalizada, o PBM pode melhorar o gerenciamento de DFU e aprimorar os resultados do paciente.



PUPMEDEspectro em evolução da ferida diabética: percepções mecanicistas e alvos terapêuticos.2022Este artigo revisou as vias moleculares e os mecanismos epigenéticos envolvidos na patogênese de feridasdiabéticas. O papel da microbiota, estresse oxidativo, citocinas inflamatórias e alteração nos fatores envolvidos no processonormal de cicatrização de feridas foi destacado. Alvos moleculares de agentes terapêuticos, o papel dos fitoquímicos foi discutido.A eficácia de várias farmacoterapias, estratégias de tratamento e ensaios clínicos recentes visando melhorar o resultado deúlceras do pé diabético foram revisadas.O foco da presente revisão é destacar os mecanismosmoleculares e celulares, e discutir os alvos dos medicamentos e estratégias de tratamento envolvidos.Foi descoberto que a LLLT  (terapia a laser de baixa intensidade) aumenta o fluxo sanguíneo e a regulação do sistema nervoso autônomo em pacientes que sofrem de. Reduz a inflamação da ferida, melhora os fibroblastos e a angiogênese, o que pode desempenhar um papel importante na cicatrização de feridas diabéticas. Uma meta-análise de 13 RCTs que incluiu 413pacientes concluiu que a LLLT aumentou significativamente a taxa de cicatrização completa (RR = 2,10, IC 95%:1,56-2,83, P < 0,00001), diminuiu a área da úlcera da ferida e reduziu o tempo médio de cicatrização da ferida empacientes que sofrem de DFU.
PUPMEDTerapia de fotobiomodulação para tratamento de feridas: uma abordagem fotocêutica potente e não invasiva.2019Foi realizada uma busca no PubMed por artigos científicos revisados por pares publicados nos últimos 5 anos usando os termos de busca Photobiomodulation Therapy & Blow-level laser therapy, e esses termos combinados com Bwound, usando um filtro Bhumanspecies Apenas artigos sobre tratamento de feridas in vivo usando tratamentos de luz foram incluídos especificamente nesta revisão (n = 11).Fornecer informações básicas e examinar evidências para as aplicações terapêuticas de tratamentos de energia luminosa para cicatrização de feridas.Esta breve revisão da literatura indica os benefícios da terapia PBM para vários tipos de feridas. Compreender os mecanismos fotobiológicos do PBM usando comprimentos de onda corretos é fundamental para o tratamento clínico ideal com luz parâmetros para resultados biológicos e médicos terapêuticos desejados. No entanto, dentro dos limites dos estudos apresentados, os benefícios clínicos observados podem servir como modelos para o desenvolvimento de estudos clínicos mais rigorosamente projetados para avaliar a terapia PBM na cicatrização de feridas.
PUPMEDEfeito da terapia a laser de baixa intensidade em úlceras do pé diabético: Uma meta-análise de ensaios clínicos randomizados.2021Os bancos de dados PubMed, Cochrane, Embase, Web of Science, Chinese BioMedical Literature Database (CBM), China National Knowledge Infrastructure (CNKI), VIP e Wanfang foram pesquisa dos sistematicamente até 27 de agosto de 2020. Estudos que atenderam aos critérios de inclusão oram incluídos na análise. Um total de 13 ensaios clínicos randomizados controlados(RCTs) e 413 pacientes foram analisadosNosso objetivo foi realizar uma meta-análise para avaliar o efeito da terapia a laser de baixa intensidade (LLLT) em úlceras do pé diabético (DFUs).Comparado com o grupo controle, a LLLT aumentou significativamente a taxa de cura completa (razão de risco [RR] = 2,10, intervalo de confiança [IC] de 95% 1,56-2,83, P < 0,00001), reduziu a área da úlcera (diferença média padronizada [DMP] = 3,52, IC de 95% 1,65-5,38, P = 0,0002) e encurtou o tempo médio de cura (DMP = ÿ1,40, IC de 95% ÿ1,90 a ÿ0,91, P < 0,00001) de pacientes com DFUs.

De acordo com os artigos pesquisados será apresentado uma análise detalhada dos resultados de diversos estudos sobre a eficácia da laserterapia e fotobiomodulação no tratamento de úlceras e complicações relacionadas ao pé diabético. A discussão dos resultados se concentrará em três aspectos principais: a eficácia dos tratamentos, as limitações dos estudos e as direções futuras para pesquisa.

Eficácia dos Tratamentos

Os resultados dos estudos analisados demonstram consistentemente que a laserterapia, especialmente a terapia a laser de baixa intensidade (LLLT), apresenta eficácia significativa na cicatrização de úlceras diabéticas. Por exemplo, um estudo de 2022 publicado na LILACS destacou que a laserterapia promoveu melhorias significativas na cicatrização de feridas em pacientes com úlceras diabéticas, embora houvesse uma falta de consenso sobre os parâmetros ótimos para sua aplicação. A revisão sistemática identificou que, apesar dos resultados promissores, a variabilidade nos protocolos de tratamento entre os estudos torna difícil estabelecer recomendações definitivas. Além disso, a pesquisa na MEDLINE em 2021 sobre fotobiomodulação também revelou que, independentemente das características do laser, houve uma melhora significativa nas taxas de cicatrização quando comparadas ao tratamento padrão. Outro estudo, realizado em 2018, com 18 pacientes, indicou que a LLLT foi eficaz na aceleração do reparo tecidual em feridas crônicas no pé diabético, destacando a importância da intervenção precoce. Esses achados são corroborados por uma meta-análise que analisou 13 ensaios clínicos randomizados, onde a LLLT aumentou a taxa de cicatrização em 210%, além de reduzir a área da úlcera e o tempo médio de cicatrização. Esses dados evidenciam a potencialidade da LLLT como uma abordagem terapêutica não invasiva e eficaz para o tratamento de úlceras diabéticas.

Limitações dos Estudos

Apesar dos resultados positivos, as limitações metodológicas dos estudos precisam ser discutidas. Muitos dos ensaios revisados apresentaram amostras pequenas e, em alguns casos, ausência de grupos controle adequados, o que compromete a validade dos resultados. Por exemplo, o estudo de 2018 sobre a expressão gênica de marcadores bioquímicos inflamatórios na MEDLINE não incluiu um grupo controle, o que limita a interpretação dos efeitos observados da LLLT. Essa falta de controle pode resultar em vieses que dificultam a generalização dos achados.

Além disso, a heterogeneidade nas metodologias de tratamento, como diferentes tipos de lasers utilizados, parâmetros de irradiância e duração do tratamento, complicam a comparação entre os estudos. A ausência de diretrizes claras para a aplicação da laserterapia em diferentes contextos clínicos impede a padronização e a replicabilidade dos tratamentos, tornando necessária a realização de novos estudos com protocolos uniformes.

Direções Futuras para Pesquisa

A análise dos resultados aponta para a necessidade de pesquisas adicionais que possam esclarecer as melhores práticas na utilização da laserterapia e fotobiomodulação no tratamento de úlceras diabéticas. Estudos futuros devem focar em ensaios clínicos mais robustos, com amostras maiores e controle rigoroso de variáveis, para validar os efeitos observados e estabelecer protocolos de tratamento eficazes.

Além disso, é fundamental investigar a combinação da laserterapia com outras modalidades terapêuticas, como o uso de células-tronco e outras abordagens regenerativas, conforme discutido em uma revisão de 2024 na PubMed. Essa integração pode potencializar os efeitos da terapia a laser, oferecendo uma abordagem multidisciplinar que não apenas melhora a cicatrização, mas também reduz complicações a longo prazo e melhora a qualidade de vida dos pacientes.

Em conclusão, embora a laserterapia e a fotobiomodulação apresentem resultados promissores no tratamento de úlceras do pé diabético, é crucial abordar as limitações dos estudos existentes e direcionar futuros esforços de pesquisa para consolidar evidências científicas que respaldem a prática clínica. A padronização de protocolos e a realização de estudos controlados e bem estruturados serão essenciais para determinar a real eficácia dessas intervenções e sua aplicação prática em ambientes clínicos.

CONCLUSÃO 

A presente análise sobre os efeitos da laserterapia e da fotobiomodulação no tratamento de úlceras do pé diabético evidencia o potencial significativo dessas intervenções para melhorar a cicatrização e a qualidade de vida dos pacientes. Os estudos revisados demonstraram que a terapia a laser de baixa intensidade (LLLT) pode acelerar o processo de cicatrização, aumentar as taxas de cura e reduzir a área das feridas, oferecendo uma alternativa promissora às abordagens tradicionais.

Apesar dos resultados positivos, as limitações metodológicas, como a falta de grupos controle e a heterogeneidade nos protocolos de tratamento, ressaltam a necessidade de pesquisas adicionais. Estudos futuros devem focar em desenhar ensaios clínicos rigorosos, com amostras maiores e metodologia padronizada, para validar as evidências existentes e estabelecer diretrizes claras para a prática clínica.

Além disso, a exploração de abordagens multidisciplinares que integrem a laserterapia com outras terapias inovadoras, como o uso de células-tronco, poderá potencializar os resultados e oferecer um manejo mais eficaz das complicações associadas ao pé diabético.

Em suma, embora a laserterapia e a fotobiomodulação se mostrem promissoras, é fundamental que a comunidade científica continue a investigar suas aplicações, a fim de otimizar os tratamentos e garantir melhores resultados para os pacientes que enfrentam os desafios das úlceras diabéticas. O fortalecimento das evidências científicas nessa área contribuirá para a melhoria do cuidado e para a redução das complicações graves, como amputações, impactando positivamente na qualidade de vida desses indivíduos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

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