REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202509300826
Lucas Vinícius da Silva Milani1
Michele Alves Londono2
RESUMO
A irrigação endodôntica é um procedimento essencial para o sucesso do tratamento de canal, garantindo a remoção de detritos, tecidos necróticos e microrganismos do sistema radicular. O presente estudo analisou a eficácia de diferentes irrigantes endodônticos, com ênfase na clorexidina a 2%, comparando suas propriedades antimicrobianas, segurança tecidual e efeitos sobre a instrumentação endodôntica. Por meio de revisão sistemática da literatura, foram avaliados estudos que abordam o hipoclorito de sódio, a clorexidina e outros irrigantes complementares, considerando sua capacidade de desinfecção, efeito lubrificante, substantividade e custo-benefício. Os resultados indicam que a clorexidina apresenta elevado potencial antimicrobiano e menor citotoxicidade, embora não possua ação dissolvente de tecidos. Protocolos combinados, utilizando clorexidina e hipoclorito de sódio de forma sequencial, demonstram maior eficácia, segurança e previsibilidade clínica. Conclui-se que a escolha do irrigante deve ser individualizada, considerando as características anatômicas do canal, a condição do paciente e os objetivos do tratamento, sendo o uso combinado de irrigantes uma estratégia eficaz para otimizar resultados endodônticos.
Palavras chaves: Irrigação endodôntica; Clorexidina; Hipoclorito de sódio; Desinfecção de canais radiculares; Tratamento de canal.
1 INTRODUÇÃO
A irrigação endodôntica é uma etapa fundamental para o sucesso do tratamento de canal, pois tem como objetivo promover a completa desinfecção do sistema de canais radiculares. Essa importância se deve à complexidade anatômica interna dos dentes, que apresenta irregularidades, ramificações e canais acessórios impossíveis de serem alcançados apenas com a instrumentação mecânica. O processo de irrigação busca remover tecidos necróticos, detritos e microrganismos presentes no interior dos canais radiculares, reduzindo o risco de infecções persistentes e falhas no tratamento. Dessa forma, a escolha do irrigante assume papel essencial na eficácia do procedimento endodôntico.
O hipoclorito de sódio (NaOCl) é tradicionalmente o irrigante mais utilizado na prática clínica por sua alta capacidade de dissolução tecidual e potente ação antibacteriana. Entretanto, apesar de sua eficácia, apresenta desvantagens importantes, como potencial citotoxicidade e irritação dos tecidos periapicais, especialmente em casos de extravasamento. Essas limitações levaram ao estudo de alternativas seguras e eficazes, entre as quais se destaca a clorexidina, um agente antimicrobiano amplamente utilizado em diversas áreas da odontologia.
A clorexidina é reconhecida por suas propriedades antimicrobianas e por sua capacidade de reduzir significativamente a carga bacteriana nos canais radiculares. Um dos seus principais diferenciais é a substantividade, ou seja, a capacidade de aderir à dentina e proporcionar ação residual prolongada, oferecendo proteção contínua contra microrganismos após a irrigação inicial. Além disso, apresenta efeito lubrificante durante a instrumentação, reduzindo o atrito e, consequentemente, o risco de fratura de instrumentos, complicação indesejável no tratamento endodôntico.
Embora apresente vantagens importantes, a clorexidina possui limitações, como a incapacidade de dissolver tecidos orgânicos, função desempenhada com eficiência pelo hipoclorito de sódio. Essa característica, entretanto, não inviabiliza seu uso, desde que o profissional adote estratégias complementares durante o preparo biomecânico. A escolha do irrigante ideal não depende apenas de sua eficácia antimicrobiana, mas também do equilíbrio entre benefícios, limitações, custo e segurança.
Nesse contexto, o custo-benefício da clorexidina é um aspecto relevante, pois, apesar de apresentar custo inicial superior ao hipoclorito, pode reduzir complicações pós-operatórias e a necessidade de retratamentos, resultando em vantagens econômicas indiretas. Além disso, é considerada mais segura para os tecidos dentários e periapicais, apresentando menor risco de lesões graves em casos de extravasamento.
A literatura reforça que a irrigação endodôntica não está limitada à escolha do irrigante, mas também envolve a técnica empregada, incluindo tempo de ação, volume utilizado e forma de inserção da solução no canal. A eficácia da clorexidina, especialmente em concentrações de 2%, tem sido comprovada contra microrganismos resistentes, como Enterococcus faecalis, um dos principais responsáveis por falhas no tratamento. Outro ponto favorável é a sua ação prolongada devido à substantividade, garantindo efeito antimicrobiano contínuo após a conclusão do procedimento.
Por outro lado, é importante salientar que a clorexidina não deve ser utilizada em associação direta com o hipoclorito de sódio, pois essa combinação pode resultar na formação de um precipitado potencialmente tóxico, como a para-cloroanilina. Portanto, o manejo correto das soluções é essencial para evitar riscos adicionais ao paciente.
A comparação entre clorexidina e hipoclorito de sódio evidencia que ambos possuem vantagens e limitações. Enquanto o hipoclorito apresenta ação solvente e amplo espectro antimicrobiano, a clorexidina oferece maior segurança tecidual, efeito residual e propriedades lubrificantes, características relevantes para o prognóstico do tratamento.
Diante disso, torna-se fundamental investigar a eficácia da clorexidina como irrigante principal na endodontia, analisando seu desempenho em relação à desinfecção dos canais radiculares, remoção de detritos, impacto na redução de infecções e segurança no uso clínico. Parte-se da hipótese de que a clorexidina a 2% é eficaz para irrigação endodôntica, podendo contribuir para melhores resultados clínicos e redução de complicações, desde que utilizada de forma adequada e associada a protocolos corretos.
A presente pesquisa, portanto, busca analisar criticamente a efetividade da clorexidina no tratamento endodôntico, fornecendo subsídios para a tomada de decisão clínica baseada em evidências científicas. Além disso, pretende contribuir para a otimização dos protocolos de irrigação, garantindo maior previsibilidade, segurança e sucesso nos tratamentos de canal.
2 MATERIAL E MÉTODOS
A metodologia adotada neste estudo baseia-se nos princípios de uma revisão sistemática, com abordagem dedutiva, visando oferecer uma análise ampla e detalhada sobre o uso de irrigadores endodônticos. A revisão sistemática é reconhecida por sua rigorosidade e reprodutibilidade, tendo como objetivo reunir, avaliar e sintetizar as melhores evidências disponíveis acerca de um tema específico, a fim de responder a questões de pesquisa claramente definidas. Essa abordagem possibilita uma avaliação crítica e objetiva da literatura existente, identificando padrões, limitações e tendências, além de fornecer suporte para futuras pesquisas e práticas clínicas.
O processo metodológico iniciou-se com a formulação da pergunta norteadora: “Quais são os principais irrigadores endodônticos utilizados atualmente e qual a sua eficácia no tratamento endodôntico?”. Essa questão foi estruturada com base na estratégia PICO (Paciente, Intervenção, Comparação e Resultado), sendo que: (P) pacientes submetidos a tratamento endodôntico; (I) uso de diferentes irrigadores; (C) comparação entre os irrigadores disponíveis no mercado; (O) eficácia e eficiência na desinfecção dos canais radiculares.
O raciocínio adotado foi dedutivo, partindo da pergunta de pesquisa para guiar a busca e a seleção dos estudos mais relevantes. A abordagem foi qualitativa, pois o objetivo principal consistiu em avaliar a eficácia dos irrigadores endodônticos na desinfecção e segurança do tratamento de canais radiculares, sem aplicação de metanálise devido à heterogeneidade dos dados.
A busca sistemática foi realizada em bases de dados de ampla relevância científica, incluindo PubMed, Scopus, Web of Science, Embase e Cochrane Library. Foram utilizados descritores e palavras-chave como “irrigadores endodônticos”, “tratamento de canal”, “desinfecção de canais radiculares”, “endodontia” e “eficácia de irrigadores”, aplicados isoladamente e em combinações. Para garantir atualidade e pertinência, aplicaram-se filtros de tempo (últimos dez anos) e idioma (português, inglês e espanhol).
A seleção dos estudos ocorreu em três etapas. Inicialmente, realizou-se a triagem por títulos e resumos, aplicando critérios de inclusão e exclusão para eliminar estudos irrelevantes. Em seguida, os artigos pré-selecionados foram lidos integralmente, com análise detalhada de métodos, resultados e discussões. Por fim, a qualidade metodológica foi avaliada utilizando instrumentos reconhecidos, como a escala de Jadad e o checklist PRISMA, garantindo a inclusão apenas de estudos com alto rigor científico.
Devido à heterogeneidade metodológica dos estudos incluídos, não foi possível realizar metanálise. Contudo, a análise qualitativa permitiu identificar os irrigadores mais utilizados, suas vantagens, limitações e possíveis complicações, além de apontar lacunas na literatura que demandam novas investigações. Essa abordagem proporcionou uma visão crítica e fundamentada sobre a eficácia dos irrigadores endodônticos, destacando evidências atuais e perspectivas para futuras pesquisas.
3 RESULTADOS
A análise dos estudos incluídos evidenciou que a irrigação endodôntica é um componente essencial para a eliminação de tecidos necróticos, detritos e microrganismos do sistema de canais radiculares, sendo indispensável para o sucesso do tratamento endodôntico. Entre os irrigantes avaliados, destacaram-se o hipoclorito de sódio (NaOCl) e a clorexidina, amplamente discutidos na literatura por sua eficácia antimicrobiana e características complementares.
Os estudos indicam que o hipoclorito de sódio permanece como o irrigante mais utilizado na prática clínica devido à sua capacidade de dissolução tecidual e forte ação antimicrobiana. Sua concentração varia de 0,5% a 5,25%, sendo a solução a 2,5% a mais empregada por apresentar equilíbrio entre efetividade antimicrobiana e redução do risco de citotoxicidade. Entretanto, pesquisas apontam que concentrações mais elevadas aumentam o potencial de irritação tecidual e citotoxicidade, especialmente em casos de extravasamento para os tecidos periapicais (Ruksakiet et al., 2020; Tonini et al., 2022).
Por outro lado, a clorexidina, principalmente na concentração de 2%, apresentou resultados positivos quanto à redução da carga bacteriana durante o preparo biomecânico dos canais radiculares. Sua principal vantagem está relacionada à substantividade, ou seja, à capacidade de aderir à dentina e manter ação antimicrobiana por período prolongado, mesmo após a irrigação. Essa característica contribui para a diminuição do risco de reinfecção (Silva; Albino, 2022; Lima et al., 2024).
Os achados também indicam que a clorexidina apresenta maior biocompatibilidade com tecidos dentários e periodontais, quando comparada ao hipoclorito de sódio, reduzindo a probabilidade de lesões severas em caso de extravasamento. Além disso, sua ação lubrificante foi apontada como um fator positivo para minimizar atrito durante a instrumentação, reduzindo a incidência de fraturas de instrumentos (Tonini et al., 2022).
No entanto, as evidências reforçam que a clorexidina não possui capacidade de dissolução tecidual, o que representa uma limitação em relação ao hipoclorito. Por esse motivo, alguns autores sugerem que sua utilização como irrigante principal deve ser cuidadosamente avaliada, podendo ser mais indicada em casos onde se busca minimizar riscos de toxicidade (Pontes, 2021; Sousa, 2021).
Estudos comparativos também abordaram a relação custo-benefício, demonstrando que, embora a clorexidina apresente custo inicial mais elevado, pode resultar em economia indireta pela redução de complicações e retratamentos. Essa característica reforça seu potencial uso em protocolos clínicos específicos (Silva et al., 2024). Além de NaOCl e clorexidina, outras soluções irrigadoras, como EDTA, foram mencionadas na literatura com a função principal de remoção da smear layer, otimizando a limpeza dos canais e potencializando a ação antimicrobiana dos demais irrigantes (Lopez-Pintos, 2018).
De maneira geral, os resultados da revisão indicam que tanto o hipoclorito de sódio quanto a clorexidina apresentam benefícios e limitações. O hipoclorito permanece como padrão-ouro pela capacidade de dissolver tecidos e eliminar bactérias, mas apresenta risco de citotoxicidade. A clorexidina, por sua vez, se destaca pela segurança tecidual e ação antimicrobiana prolongada, embora não dissolva tecidos. Assim, a escolha do irrigante deve considerar a complexidade do caso, o perfil do paciente e os objetivos clínicos do tratamento.
4 DISCUSSÃO
A irrigação endodôntica é uma etapa indispensável para o sucesso do tratamento de canal, especialmente devido à complexidade anatômica do sistema radicular, na qual a instrumentação mecânica isolada não é suficiente para alcançar todas as irregularidades e canais acessórios (Silva; Albino, 2022). Os resultados do presente estudo confirmam que o hipoclorito de sódio continua sendo o irrigante padrão na prática clínica, devido à sua capacidade de dissolução tecidual e ação antibacteriana abrangente, embora a sua citotoxicidade exija cuidados especiais durante a aplicação (Ruksakiet et al., 2020). Por outro lado, a clorexidina demonstrou excelente desempenho antimicrobiano, especialmente contra bactérias gram-positivas resistentes, como Enterococcus faecalis, sendo considerada uma alternativa segura em protocolos clínicos que buscam reduzir riscos teciduais (Lima et al., 2024).
Um dos diferenciais da clorexidina é a sua substantividade, ou seja, a capacidade de permanecer ligada à dentina por períodos prolongados, oferecendo efeito antimicrobiano contínuo, o que é crucial para prevenir reinfecções, principalmente em canais complexos ou previamente contaminados (Silva et al., 2024). Apesar dessa eficácia bactericida, a clorexidina não dissolve tecidos, limitando a remoção de restos orgânicos no canal, razão pela qual é frequentemente recomendada em associação com outros irrigantes ou técnicas complementares, como agitação ultrassônica ou uso de EDTA (Pontes, 2021).
Além disso, a clorexidina apresenta propriedades lubrificantes, reduzindo o atrito durante a instrumentação e diminuindo o risco de fraturas de instrumentos, característica importante em canais curvos ou estreitos (Tonini et al., 2022). O hipoclorito de sódio, embora eficiente na dissolução tecidual, apresenta maior potencial de irritação periapical e toxicidade em concentrações elevadas, exigindo avaliação cuidadosa da relação entre eficácia e segurança (Ruksakiet et al., 2020; Tonini et al., 2022).
A combinação adequada de irrigantes mostrou-se capaz de potencializar benefícios e minimizar limitações. Por exemplo, a associação de EDTA com clorexidina permite a remoção da smear layer e mantém a desinfecção prolongada (Lopez-Pintos, 2018). Em termos de segurança, a clorexidina apresenta menor citotoxicidade e menor risco de lesões em caso de extravasamento, sendo vantajosa em procedimentos complexos ou em pacientes mais sensíveis (Sousa, 2021).
Quanto ao custo-benefício, embora a clorexidina apresente custo inicial mais elevado, seus efeitos antimicrobianos prolongados e menor potencial de complicações podem gerar economia indireta, reduzindo retratamentos e promovendo melhores resultados clínicos (Silva et al., 2024). Estudos também sugerem que a clorexidina contribui para menor incidência de dor pós-operatória, provavelmente devido à sua ação prolongada e menor irritação dos tecidos (Batista, 2022).
Uma limitação da clorexidina é a menor eficácia na remoção de biofilmes em comparação ao hipoclorito de sódio, o que indica que, em casos de infecção avançada ou canais altamente contaminados, o hipoclorito ainda apresenta vantagens significativas (Lima et al., 2024). Além disso, técnicas de aplicação que aumentem a penetração do irrigante, como agitação ultrassônica ou sistemas mecanizados, são fundamentais para otimizar sua eficácia (Pontes, 2021).
A interação química entre irrigantes também merece atenção, pois a combinação direta de hipoclorito de sódio e clorexidina pode formar precipitado tóxico (para-cloroanilina), prejudicando a vedação final do canal e a segurança do paciente (Sousa, 2021). A clorexidina mantém suas propriedades antimicrobianas ao longo do tempo, proporcionando proteção contínua mesmo após a irrigação inicial, contribuindo para a redução de reinfecções (Silva; Albino, 2022).
Portanto, a escolha do irrigante deve considerar múltiplos fatores, incluindo eficácia antimicrobiana, segurança tecidual, capacidade de remoção de detritos, efeito lubrificante, custo e disponibilidade, permitindo decisões clínicas mais precisas e protocolos de tratamento eficientes (Lopez-Pintos, 2018). Comparando-se os irrigantes, observa-se que o hipoclorito de sódio continua sendo indispensável para dissolução de tecidos, enquanto a clorexidina se destaca por segurança e efeito residual prolongado, sugerindo que protocolos híbridos podem combinar os benefícios de ambos (Ruksakiet et al., 2020; Tonini et al., 2022).
A revisão também evidenciou lacunas, especialmente na avaliação de longo prazo do uso exclusivo de clorexidina, suas interações com selantes e efeito em canais com anatomia complexa, indicando a necessidade de estudos clínicos mais robustos (Batista, 2022). Em síntese, a clorexidina a 2% mostrou-se eficiente, segura e viável, capaz de reduzir microrganismos resistentes, proteger tecidos e diminuir complicações, embora não substitua totalmente o hipoclorito em todos os casos (Silva et al., 2024). Por fim, a decisão sobre o irrigante deve ser individualizada, considerando características do dente, histórico clínico do paciente e objetivos do tratamento, sendo o uso combinado de irrigantes ou técnicas complementares a estratégia mais adequada para otimizar resultados e garantir maior sucesso endodôntico (Pontes, 2021; Sousa, 2021).
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A irrigação endodôntica é uma etapa fundamental para o sucesso do tratamento de canal, desempenhando papel essencial na remoção de tecidos necróticos, detritos e microrganismos presentes nos canais radiculares. A revisão realizada neste estudo evidenciou que diferentes irrigantes apresentam vantagens e limitações, sendo necessário considerar as características de cada caso clínico ao selecionar a solução mais adequada.
O hipoclorito de sódio mantém-se como irrigante padrão, devido à sua alta capacidade de dissolução tecidual e amplo espectro antimicrobiano, garantindo a remoção eficaz de restos orgânicos e biofilmes bacterianos. No entanto, seu uso exige cuidado, pois concentrações elevadas podem causar irritação e toxicidade aos tecidos periapicais.
A clorexidina, especialmente na concentração de 2%, apresentou eficácia significativa na redução da carga bacteriana, além de oferecer efeito prolongado, mantendo ação antimicrobiana mesmo após a irrigação. Essa característica é especialmente relevante para prevenir reinfecções e promover resultados duradouros nos tratamentos endodônticos.
Outro ponto positivo da clorexidina é sua biocompatibilidade, com menor risco de lesões teciduais em caso de extravasamento, tornando-a uma opção segura em procedimentos clínicos delicados. Além disso, a solução possui efeito lubrificante, reduzindo o atrito durante a instrumentação e diminuindo a incidência de fraturas de instrumentos, o que contribui para a preservação da integridade do canal radicular.
Apesar de suas vantagens, a clorexidina não possui ação de dissolução tecidual, limitando a remoção completa de restos orgânicos. Por isso, sua utilização muitas vezes é recomendada em combinação com outros irrigantes ou técnicas complementares, como agitação ultrassônica ou uso de soluções quelantes, a fim de otimizar a limpeza dos canais radiculares.
Protocolos combinados, que utilizam o hipoclorito de sódio e a clorexidina de forma sequencial ou associada a outros agentes, podem potencializar os benefícios de cada irrigante, garantindo limpeza eficiente, proteção tecidual e prevenção de reinfecções.
O custo-benefício também deve ser considerado na escolha do irrigante. Embora a clorexidina apresente custo inicial mais elevado, sua segurança e efeito prolongado podem reduzir a necessidade de retratamentos e complicações, trazendo benefícios indiretos ao tratamento.
A decisão sobre qual irrigante utilizar deve considerar múltiplos fatores, incluindo eficácia antimicrobiana, segurança tecidual, capacidade de remoção de detritos, efeito lubrificante, custo, disponibilidade e complexidade anatômica do canal.
A utilização de técnicas adequadas de aplicação, como agitação mecânica ou ultrassônica, é fundamental para otimizar a penetração e a eficácia do irrigante, especialmente quando se trata de soluções que não dissolvem tecidos.
O planejamento adequado do protocolo de irrigação é essencial para evitar problemas como a formação de precipitados ou a redução da eficácia do tratamento. Estratégias bem definidas contribuem para a segurança do paciente e a durabilidade do procedimento.
A irrigação adequada não apenas melhora a limpeza e desinfecção dos canais, como também contribui para a redução da dor pós-operatória, aumentando o conforto e a satisfação do paciente durante e após o tratamento. A clorexidina a 2% mostrou-se eficiente, segura e viável, oferecendo vantagens como proteção prolongada contra microrganismos, menor risco de lesões teciduais e efeito lubrificante, embora não substitua completamente o hipoclorito em todos os casos.
O hipoclorito de sódio continua sendo indispensável para a dissolução de tecidos, especialmente em casos de infecção intensa ou canais com grande quantidade de detritos orgânicos, sendo complementar à clorexidina em protocolos combinados. A escolha do irrigante deve ser individualizada, considerando a complexidade do tratamento, o histórico do paciente e os objetivos clínicos, garantindo que a solução selecionada maximize a eficácia e minimize os riscos.
Protocolos que combinam diferentes irrigantes e técnicas complementares apresentam maior potencial de sucesso, promovendo limpeza eficaz, proteção dos tecidos e resultados endodônticos mais duradouros.
Em resumo, o planejamento cuidadoso da irrigação endodôntica e a seleção adequada do irrigante são essenciais para o sucesso do tratamento de canal, proporcionando resultados clínicos mais seguros, eficientes e previsíveis.
REFERÊNCIAS
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SOUSA, E. Segurança e biocompatibilidade de irrigantes endodônticos: revisão sistemática. Revista de Odontologia Moderna, v. 34, n. 2, p. 67-78, 2021.
1 Acadêmico de (Odontologia). E-mail: lucasmilani15@icloud.com. Artigo apresentado a (centro universitário Aparício carvalho), como requisito para obtenção do título de Bacharel em (Odontologia), Porto Velho/RO, 2024.
2 Professor Orientador. Michele Alves Londono Professor do curso de (Odontologia). Prof.michele.alves@fimca.com.br
