REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202508061801
Raquel Xavier de Oliveira1
Izabel Cristina Tavares Costa2
Talita Vieira Rocha3
Mateus de Sousa Carvalho4
Pedro Wilson Ramos da Conceição5
RESUMO
INTRODUÇÃO: A codependência química é compreendida como um conjunto de padrões, comportamentos e pensamentos adoecidos de pessoas ou familiares que convivem diretamente com a dependência química, que resultam em sofrimento psíquico (Silva, et al., 2019). Faz-se necessário atentar para a realidade dessas famílias, considerando suas subjetividades e propiciando ferramentas que auxiliem na superação de suas dificuldades, reduzindo o peso de tal sobrecarga, de modo que além de acolhidos, sintam-se assistidos em suas demandas. OBJETIVO: Discutir as intervenções psicológicas voltadas ao familiar do toximaníaco em situação de codependência, fomentando o aperfeiçoamento e desenvolvimento de estratégias efetivas, adaptadas as necessidades e particularidades desse grupo. MÉTODOS: Foi realizada pesquisa de campo, exploratória descritiva e de caráter qualitativo, no qual os dados foram obtidos mediante entrevista semiestruturada, com 2 psicólogos dispostos entre as equipes multidisciplinar de instituições de atendimento a dependentes químicos, sendo a primeira uma Comunidade Terapêutica e a segunda um Centro de Atenção psicossocial, ambas localizadas na cidade de Teresina-PI. RESULTADOS: Neste sentido, nota-se que as principais intervenções utilizadas são os grupos de apoio e as terapias de grupo, já o atendimento individualizado é realizado eventualmente. Por esse motivo, apesar de conhecidas as práticas, demandas e dificuldades que permeiam o acolhimento do codependente, existe uma insuficiência de pesquisas no campo da psicologia que detalhem essas intervenções, impedindo escrutinar-se sobre o aperfeiçoamento de técnicas. CONCLUSÃO: Embora tenha conseguido êxito em seus objetivos, considera a significância de se aprofundar sobre alguns elementos, como a carência de atendimento individual e clínico para esse público, reiterando a necessidade de mais pesquisas multidisciplinares, integrando psicologia, saúde pública e sociologia, enriquecendo o entendimento da codependência e a inclusão do desenvolvimento de intervenções culturalmente adaptadas que considerem variáveis sociais, econômicas e culturais.
Palavras-chave: Dependência; Codependência química; Intervenções; Familiar; Adicto.
ABSTRACT
INTRODUCTION: Chemical codependency is understood as a set of sick patterns, behaviors and thoughts of people or family members who live directly with chemical dependency, which result in psychological suffering (Silva, et al., 2019). It is necessary to pay attention to the reality of these families, considering their subjectivities and providing tools that help in overcoming their difficulties, reducing the weight of such overload, so that in addition to being welcomed, they feel assisted in their demands. OBJECTIVE: To discuss psychological interventions aimed at the family member of toximaniacs in situations of codependency, fostering the improvement and development of effective strategies, adapted to the needs and particularities of this group. METHODS: Field research was carried out, descriptive and qualitative in nature, in which data were obtained through semi-structured interviews, with 2 psychologists arranged among the multidisciplinary teams of institutions that care for drug addicts, the first being a Therapeutic Community and the second a Psychosocial Care Center, both located in the city of Teresina-PI. RESULTS: In this sense, it is noted that the main interventions used are support groups and group therapies, while individualized care is occasionally provided. For this reason, despite the knowledge of the practices, demands and difficulties that permeate the reception of codependents, there is a lack of research in the field of psychology that details these interventions, preventing scrutinizing the improvement of techniques. CONCLUSION: Although it has been successful in its objectives, it considers the significance of delving into some elements, such as the lack of individual and clinical care for this public, it reiterates the need for more multidisciplinary research integrating psychology, public health and sociology that enriches the understanding of codependency and includes the development of culturally adapted interventions that consider social variables, economic and cultural aspects.
Keywords: Dependence; Chemical codependency; Interventions; Family; Addict.
1. INTRODUÇÃO
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que no Brasil há quase 30 milhões de pessoas com algum familiar dependente químico e que aproximadamente 6% da população brasileira faz uso de alguma substância psicoativa, totalizando mais de 12 milhões de indivíduos em situação de dependência nos últimos estudos realizados. Sendo um problema que afeta não somente o usuário; ela também impacta o ambiente familiar, quando por consequência, provoca prejuízos na rotina e no comportamento dos membros da família (Krapp, 2019).
A partir dessa dinâmica disfuncional, muitas famílias não conseguem se esquivar do sofrimento gerado pelo convívio com a dependência química, gerando indivíduos que denominamos de codependentes. A Codependência é caracterizada como um conjunto de padrões, comportamentos e pensamentos adoecidos de pessoas ou familiares que convivem diretamente com a dependência química, que resultam em sofrimento psíquico. Entretanto, embora não exista uma definição patologizada de codependência no DSM-5 e na CID-10, a literatura tem mostrado que a dependência química pode levar os familiares ao adoecimento (Silva, et al., 2019).
Indubitavelmente há grande sofrimento para quem convive no contexto de codependência e por esse motivo devemos considerar que a ajuda deve também ser estendida a esses familiares na tentativa de promover sua estabilidade psíquica. Faz-se necessário atentar para a realidade dessas famílias, considerando suas subjetividades e propiciando ferramentas que auxiliem na superação de suas dificuldades, reduzindo o peso de tal sobrecarga, de modo que além de acolhidos, sintam-se assistidos em suas demandas. Dessa forma, a atenção dirigida à família precisa de uma reformulação tanto nos serviços como na comunidade, expressando o entendimento de que as intervenções voltadas aos familiares devem focar em vê-los não apenas como cuidadores, mas também como quem precisa de cuidados.
Segundo Silva, et al., (2019), por se tratar de um problema que projeta sofrimento para a vida do codependente, torna-se crucial considerar que ele também necessita de cuidados profissionais, uma vez que existe uma mudança notável e significativa em seu estilo de vida, na interação com o usuário e também com as demais pessoas. No entanto, como são conduzidas as intervenções psicológicas adaptadas ao sofrimento do familiar em situação de codependência química?
A assistência emocional e o suporte terapêutico em família, desempenham um papel importante na promoção de um ambiente saudável e estável para a recuperação da pessoa em tratamento. Porém, apesar do relevante papel do psicólogo no contexto de toxicomania, a sua atuação voltada aos familiares do dependente é pouco conhecida. Devido à essa escassez de informações sobre as intervenções psicológicas destinadas aos codependentes químicos, destaca-se a importância de investigações sobre medidas de apoio, a fim de proporcionar cuidado adaptado a esse grupo, considerando particularidades frequentemente ignoradas ao longo da história.
Identificar as intervenções psicológicas voltadas ao familiar em situação de codependência química, proporciona aperfeiçoamento e desenvolvimento de estratégias efetivas e adaptadas no cuidado e necessidades desse grupo. À vista disso, o presente estudo objetivou discutir as intervenções psicológicas voltadas ao familiar do toximaníaco em situação de codependência, a fim de fomentar estratégias efetivas, adaptadas as necessidades e particularidades desse grupo, evidenciando sua importância e indicando os conceitos de dependência e codependência química.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1. DEPENDÊNCIA QUÍMICA
A Organização Mundial da Saúde (2024) considera a dependência química uma doença que traz danos de natureza física, mental ou social para o adicto. O consumo de substâncias psicoativas a longo prazo é associado a mais de 200 problemas de saúde, e ainda é considerado fator de risco relevante para violência, trazendo prejuízos também à sociedade. Já a definição presente no DSM-5, diz que a dependência química ocorre quando o uso de substâncias resulta em prejuízo ou sofrimento clínico significativo, sendo geralmente manifesta por meio do desenvolvimento de tolerância à substância utilizada e dos sintomas de abstinência.
A Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10 define dependência como:
Conjunto de fenômenos comportamentais, cognitivos e fisiológicos que se desenvolvem após repetido consumo de uma substância psicoativa, tipicamente associado ao desejo poderoso de tomar a droga, à dificuldade de controlar o consumo, à utilização persistente apesar das suas consequências nefastas, a uma maior prioridade dada ao uso da droga em detrimento de outras atividades e obrigações, a um aumento da tolerância pela droga e por vezes, a um estado de abstinência física (CID – 10, p. 10)
Complementa ainda que a síndrome da dependência pode ter relação a uma determinada substância psicoativa ou grupo de psicoativos, bem como de forma ampla e conjunta de distintas substâncias (Alcoolismo crônico, Dipsomania, Toxicomania).
Em seu Relatório Mundial sobre Drogas de 2024, a UNODC chama atenção para o surgimento de novos opióides sintéticos que, pela sua oferta e demanda, potencializam o surgimento de transtornos mentais associados ao uso de drogas. No mesmo relatório, observou se aumento do número de hospitalizações no Canadá e Estados Unidos, correlacionada ao uso não-medicinal da maconha, em conjunto com distúrbios psiquiátricos e tentativas de suicídio, principalmente entre jovens adultos. Dentre o público atingido por esses distúrbios estão os adictos, onde a cada onze um deles busca ajuda e a situação torna-se ainda mais preocupante em relação ao público adicto feminino, sendo esse número de um para cada 18 mulheres (UNODC, 2024).
As drogas podem ser consideradas lícitas ou ilícitas conforme sua condição de comercialização. Tal distinção trouxe consigo a cultura de que existe consumo seguro de drogas sem considerar que, independentemente de criminalizada ou não, ambas classificações trazem riscos ao indivíduo (Rocha et al., 2016). Ainda considerando essa ótica, vemos a ambiguidade das informações dada pelas mídias a respeito das consequências desse uso, pois se por um lado a sociedade recebe notícias sobre as consequências negativas das drogas ilícitas, por outro lado propagandas exaltam o consumo das comercializáveis como álcool, mesmo que as substâncias nos dois casos sejam similares, são abordadas distintamente (Noto et al., 2013).
De acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas 2020, em 2018 uma média de 269 milhões de pessoas fez uso de drogas, 30% a mais do que em 2009, o que denota um resultado alarmante, levando em consideração o aumento populacional e outros fatores como o social, econômico e cultural. A incidência dos casos reside sobre os mais jovens, incluindo crianças e adolescentes, que são grupos etários que representam maiores preocupações quanto ao consumo de drogas, visto que estão cada vez mais sob a exposição às drogas, tanto lícitas quanto ilícitas (Gomes et al., 2022)
A Fiocruz em parceria com outras instituições realizou uma pesquisa no ano de 2017, no Brasil, que revelou o fato de cerca de 3,2% das pessoas entrevistadas terem feito uso de drogas ilícitas no ano anterior à pesquisa, onde as drogas mais consumidas foram a maconha e cocaína, respectivamente. O estudo mostrou-se preocupante sobre o uso de drogas lícitas, pois o consumo de álcool e os sinais de dependência alcoólica se mostraram em cerca de 2,3 milhões de pessoas, corroborando com dados do IBGE, que expõe o crescimento de 8,2% em 2009 para 12,1% em 2019, da experimentação ou exposição ao uso de drogas, principalmente de forma precoce, antes dos 14 anos de idade, sendo bem mais expressivos para o sexo feminino do que para o sexo masculino.
A dependência química além de ser um transtorno mental que acarreta em consequências para o corpo e mente, e como doença pode se apresentar como crônica, não possuindo tempo estimado de remissão; progressiva, por se agravar ao longo do tempo e; primária, pois, pode ser precursora de outras doenças. Em relação a família, o dependente químico é visto na maioria das vezes como o responsável por nutrir a patologicamente a Codependência. Contudo, é possível constatar uma “crise implícita” antes mesmo da instalação do contexto de adicção, o que leva ao ato de responsabilizar o dependente químico, já que a própria dependência é algo explícito (Moraes, 2024).
Foi publicado em 2005 no Brasil a resolução de nº3, pelo Conselho Nacional Antidrogas (CONAD) que instituiu a Política Nacional sobre Drogas (PND), detendo como objetivo proteger a sociedade, priorizando a prevenção do consumo de drogas ilícitas ou lícitas de modo impróprio, preferindo a prevenção por considerá-la a estratégia mais eficaz. A PND, também garante que qualquer cidadão acometido pela dependência química tenha acesso a tratamento conforme seja necessário de modo igualitário e sem se tornar vítima de discriminação (Krelling, 2020 p.19)
De acordo com o Ministério da Saúde, para aqueles que precisam de tratamento o encontram de forma gratuita através do Sistema Único de Saúde (SUS), englobando atendimento com equipe multidisciplinar (médico psiquiatra, clínico geral, psicólogos) dispostos em Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas III (CAPS AD).
2.2. RELAÇÃO FAMILIAR E CODEPENDÊNCIA QUÍMICA
O autor Gomes et. al. (2011) define a família e suas competências como:
[…] primeira instância que lhe transmitirá valores e ensinamentos sobre questões de papéis, formação pessoal, moralidade e conceitos de mundo, ensinando as maneiras de se portar diante das dificuldades entre outras situações, que depositará a família como referência para os indivíduos em sua formação pessoal e social (Gomes et al. 2011).
A família historicamente vem sendo explicada por inúmeras idealizações, mas que tradicionalmente são interligadas a concepções de parentesco, consanguinidade, afetividade ou responsabilidade pela proteção, cuidado, suporte econômico e educação de seus membros (Silva, 2023).
Seguindo esse conceito, é possível entender o quão problemático é a dinâmica familiar no contexto de toxicomania, visto a expressividade dos números mostrada na pesquisa do Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos (Lenad Família), feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), revela que ao menos 28 milhões de pessoas no Brasil têm algum familiar que é dependente químico. Em conformidade com esse viés, o Relatório Mundial sobre Drogas (UNODC) afirma que, de forma global, aproximadamente 35 milhões de pessoas são acometidos de transtornos psiquiátricos decorrentes do uso de entorpecentes, o que reverbera ainda mais nas dificuldades desse convívio (UNODC, 2019).
Dessa forma, tanto o adicto como a família sofrem prejuízos em decorrência do estado de dependência química, tendo em vista que o consumo de drogas traz consigo muitas consequências negativas. Na maioria das vezes, as dificuldades financeiras propiciam a prática de crimes para a manutenção do vício, em sua maioria, fazendo como alvo de roubos e furtos a própria residência ou a residência de parentes, ampliando ainda mais o desgaste familiar. A drogadição caracteriza-se como um elemento preponderante na gênese dos problemas familiares incidindo no rompimento de laços afetivos, principalmente por provocar uma série de conflitos entre seus entes não capacitados ou suficientemente resilientes para lidar com tais crises (Soccol et, al 2014).
A violência doméstica em contexto de dependência, por exemplo, viola o direito à integridade física e psicológica de mulheres (sejam elas esposas ou mães), crianças e adolescentes (principalmente os filhos), além de outros familiares. O desemprego também é apontado como problema recorrente ocasionado, pois cria necessidade de rearranjo familiar – devido à nova condição econômica imposta à família, que diante da necessidade se vê na obrigação de um ou mais membros trabalharem para garantir o sustento de todos. Outras consequências podem ser apontadas como evasão escolar, acidentes de trânsito, envolvimento com crimes, podendo estes se inter-relacionarem, gerando sofrimento e dificuldades para as famílias de maneira ampla e complexa (Figueiró & Dimenstein, 2020).
A expressão “Codependência” começou a ser usada no final da década de 1970, como palavra terapêutica para descrever alguém que teve a vida sensibilizada pelo envolvimento com dependentes de substâncias psicoativas, mesmo que seus efeitos já fossem sentidos bem antes da criação desse termo. Na época, pesquisas já demonstravam que havia uma similaridade na condição física, mental e emocional de pessoas não dependentes com de alcoolistas, pelo simples fato de ter convívio com elas (Rabitzch & Krüger, 2012).
A Codependência é vista como um conjunto de padrões, comportamentos e pensamentos doentes de pessoas ou familiares do dependente químico diretamente envolvidos, causando-lhes sofrimento psíquico. Contudo, apesar de não haver definição de codependência patológica no DSM-5 e CID-10, a literatura tem mostrado que a dependência química pode provocar o adoecimento dos familiares. Portanto, por se tratar de um problema que desponta sofrimento para a vida do codependente, é de suma importância considerar que ele também necessita de cuidado profissional, haja vista ter havido, por medo, espanto, rancor e culpa, mudança significativa e notável em seus padrões de vida, relacionais com o usuário e também com os demais (Silva, et al., 2019).
Em sua monografia, Maria Meneses da Silva relata que a vivência do familiar na situação de codependência é afetada de diversas formas, como adoecimento mental e emocional, transportado pelo sentimento constante de impotência, culpa e fracasso, julgando ser responsável de alguma forma pela dependência de seu ente, deixando a si próprio em segundo plano (Silva, 2023). Em consonância a isso, é possível dizer que os primeiros sinais da codependência química podem surgir antes mesmo da confirmação da drogadição, dessa forma alguns comportamentos podem indicar esse começo, onde uma preocupação excessiva se transforma em caçada às drogas e ao seu consumo, a adoção de comportamentos invasivos (como sentir o cheiro da roupa, mexer nas gavetas e objetos pessoais da pessoa), introspecção e internalização de sentimentos danosos, além do fato de não admitir a necessidade de ajuda profissional (Moraes, 2024).
2.3. INTERVENÇÕES PSICOLÓGICAS EM FAMILIARES CODEPENDENTES
Compreender a dinâmica familiar do dependente químico não apenas ajuda a entender como o sintoma afeta cada membro, mas também pode indicar possíveis intervenções futuras. Ao identificar a dinâmica familiar que permeia a dependência química, é possível pensar na recuperação não só do indivíduo usuário/abusador/dependente, mas também do sistema familiar em que ele está inserido. Assim, ao ampliar a compreensão da dependência química para incluir o dependente e seu contexto familiar, conseguimos identificar aspectos que contribuem para a manutenção da sintomatologia. Isso abre caminho para novas abordagens de intervenção, visando minimizar o sofrimento e restaurar relações afetivas e individualidades que foram prejudicadas pelo uso e/ou abuso de substâncias. A intervenção na família possibilita transformar o contexto em que o paciente dependente químico está inserido, influenciando e sendo influenciado por ele (Paz & Colossi, 2013).
A família, sendo vista como uma estrutura apartada da esfera pública, acaba sendo evidenciada pelo Estado e por políticas sociais, quando a mesma sai do ideal tido como correto, tornando-se, através dessa perspectiva, uma família inapta. Portanto, nota-se que famílias em que se tem um ou mais membros que possuem certa vulnerabilidade, acaba por ganhar maior destaque pelo “fracasso” enquanto suas funções. Sendo assim, representa os serviços voltados para os problemas pontuais explicitados pelas famílias, deixando em segundo plano a apreensão do problema em sua totalidade. A inflexibilidade de se analisar uma demanda em toda sua complexidade, acaba por perder o espaço da resolução de problemas individuais (Mioto, 2013).
Um estudo realizado por Patias, et al., (2022), selecionou 16 familiares de dependentes químicos que participavam de um grupo de apoio da Cruz Azul do Brasil (entidade sem fins lucrativos que visa ajudar no tratamento do alcoolismo e dependência de outras drogas), para aplicação de questionário para avaliar a percepção sobre a drogadição e as táticas de enfrentamento dentro do contexto familiar. Quando questionados sobre as estratégias utilizadas para enfrentar a situação de drogadição, os entrevistados alegaram que uma das principais formas de enfrentamento foram os grupos de apoio, destacando entre seus benefícios o compartilhamento de sentimentos, o que permite gerar consciência acerca do cenário vivenciado. Foi relatado também percepções de acolhimento e orientações, além de escuta ativa e oportunidades de fala.
A codependência se relaciona diretamente com a dinâmica da dependência, pois ambas são problemas crônicos e possuem riscos de recaída, assim como a repetição de um ciclo, a melhora no quadro do adicto reflete na de seu codependente. Porém, é de extrema relevância entender os mecanismos que desencadeiam gatilhos que podem voltar a disparar comportamentos disfuncionais, já que o codependente normalmente apresenta somatização decorrentes do problema, trazendo consigo suscetibilidade a outros adoecimentos psíquicos como a depressão. Uma das formas de promover auxílio e prevenir esse agravamento são os grupos de apoio, que orientam os familiares sobre a adoção de comportamentos mais saudáveis, embora a terapia familiar e a psicoterapia não possam ser descartadas (Silva, 2021).
Acerca das intervenções voltadas mais utilizadas a esse público, estão a teoria cognitiva comportamental e os grupos de autoajuda. De acordo com Salgado & Machado (2013) apud Negrão et al. (2008), tais intervenções refletem significativamente e geram resultados positivos tanto para os dependentes quanto para seus familiares.
3. METODOLOGIA
Mediante o objetivo supracitado, foi utilizada pesquisa de campo, exploratória descritiva e de caráter qualitativo, visando discutir as intervenções psicológicas voltadas ao familiar codependente químico. Conforme Gonçalves (2001, p.67), a pesquisa de campo trata-se de um modelo de pesquisa que tem como finalidade coletar dados direto do público alvo. Pode também ser definida como metodologia de investigação com ênfase na análise e interpretação de informações obtidas por meio de sua coleta e observação dentro do local onde aquele fenômeno acontece (Gil 2002).
Sob a perspectiva de Gil (1999) apud Marcelino (2020), a pesquisa de caráter exploratória é a que se dedica em acercar uma questão ou problema evidenciado, a fim de compreendê-lo mais profundamente, de tal forma que se permita formar um novo olhar sobre o tema. De modo geral Gil (2022), complementa que esse tipo de pesquisa é realizado através de revisões bibliográficas, entrevistas com especialistas, estudos de caso que possam facilitar o entendimento sobre as nuances do tema abordado. No que concerne às pesquisas descritivas, o autor relata que seu principal objetivo é descrever uma variável ou a relação entre variáveis características da coletividade. Já a metodologia qualitativa se converge com as anteriores, pois busca analisar detalhadamente e com profundidade as informações coletadas durante as investigações, sejam elas comportamentos, hábitos ou tendências (Marconi & Lacatos 2007).
Como cenário de estudo foram escolhidos uma comunidade terapêutica, instituição não-governamental de atendimento para dependentes químicos, e um centro da Rede de Atenção Psicossocial. O Ministério da Saúde (2024) define essas instituições não governamentais, chamadas também de Entidades de Acolhimento, como organizações privadas sem fins lucrativos, destinado a pessoas em contexto de vulnerabilidade social, acolhendo-as fora do regime hospitalar e caracterizadas pela voluntariedade em adesão e constância, além da promoção do desenvolvimento pessoal e da criação de vínculos, por intermédio do convívio entre seus pares, de exercícios educativos e da execução de projetos terapêuticos multidisciplinares, com intuito de mitigar riscos e reinseri-los em sociedade. Quanto ao Centro de Atenção Psicossocial, os serviços oferecidos são abertos à comunidade, atendendo indivíduos de qualquer faixa etária em intenso sofrimento psíquico e prejuízo social consequente do uso de álcool e/ou drogas.
Considerando a representatividade do papel deste profissional e por suas contribuições que auxiliam as equipes técnicas nas intervenções realizadas voltadas à dependência, os participantes contribuintes da pesquisa foram 2 profissionais da psicologia, dispostos entre os profissionais da equipe psicossocial de cada local. Dentro dos critérios de inclusão dos participantes foram considerados ser psicólogo com registro profissional ativo, atuante em instituições de atendimento ao dependente químico, e de exclusão, aqueles que prestam serviço em instituições particulares e/ou que não estejam dentro do perímetro urbano de Teresina-PI.
Como método para coleta de dados, foi utilizada entrevista semiestruturada, contendo dez questões, que variaram desde a motivação do profissional para atuação nessa área até aos instrumentos de intervenções para o familiar adicto (conhecidos ou usados por ele). O encontro foi previamente agendado em sala da própria instituição pesquisada, no qual o diálogo entre o pesquisador e entrevistado teve como base estrutural, ferramenta que se caracteriza pela combinação da elaboração de perguntas abertas, previamente elaboradas de acordo com a necessidade de deliberar sobre outros questionamentos que possam surgir, permitindo ao entrevistador maior controle sobre o acesso aos conhecimentos desejados, sem ferir a liberdade de expressão e reflexão do entrevistado (Minayo, 2014).
Posteriormente à coleta das informações foi utilizado o método de Bardin para análise dos resultados. De acordo com Bardin a análise de dados de um conteúdo pode ser definida como:
“um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens indicadores que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção dessas mensagens” (Bardin 2016, p.48).
Ainda segundo o autor, algumas fases são essenciais para o estudo, sendo elas: a pré análise, que é uma fase necessariamente de organização, tem como objetivo tornar as ideias iniciais operacionais e sistematizá-las; a exploração de material, ou seja, administração sistemática das decisões tomadas, consistindo em codificação, desconto ou enumeração; e a inferência e interpretação, onde se fazem conexões dos dados apresentados e são postos em análise (Bardin, 2016).
Os dados durante a pesquisa foram agrupados em 8 tópicos de acordo com os achados intercalando literatura com a fala das participantes, sendo eles: 1) Percepção da codependência química; 2) O Papel da Família; 3) O sofrimento do familiar;4) O Papel do Psicólogo; 5) Intervenções; 6) As dificuldades; 7) A procura e 8) O Acesso.
No que diz respeito aos aspectos éticos e legais utilizados, estão inseridos na Resolução nº 501/16, art.2º, parágrafo I, na qual resguarda o assentimento livre e esclarecido dos participantes da pesquisa. Também está inserido o art. 2º, parágrafo IV da Resolução supracitada, onde refere-se a confidencialidade. Logo, salienta-se a utilização do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) como documentação e registro de garantia desse direito.
4. DISCUSSÃO
O estudo realizou entrevista com 2 profissionais da psicologia, ambos do sexo feminino, de abordagem TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental) e com idades entre 29 e 32 anos, onde o objeto de estudo foram ações direcionadas ao codependente dentro da cidade de Teresina-PI. A Entrevistada A, possui pós-graduação ABA (Análise do Comportamento Aplicada) em andamento, e seis anos de experiência na área social, sendo três deles como parte da equipe psicossocial de instituição não-governamental de acolhimento para pessoas em situação de dependência. Por conseguinte, a Entrevistada B é especialista em saúde mental e atuante a seis anos em um Centro de Atenção Psicossocial.
Apresentam-se a seguir, os principais achados durante a condução das entrevistas, os quais foram divididos em tópicos: Percepção da codependência química; O Papel da Família; O sofrimento do familiar; O Papel do Psicólogo; Intervenções; As dificuldades; A procura; E o Acesso.
Percepção da codependência química
Segundo Steinglass (2009), a codependência química se refere a problemas comportamentais causados por hábitos destrutivos do relacionamento entre o adicto e seu familiar ou pelo enfrentamento desequilibrado e não adaptativo dessa relação. Ela apresenta características intrínsecas que a diferencia das demais, principalmente pela mácula que a própria dependência química traz.
Familiares altamente dependentes são manipulados pelo comportamento do usuário, sendo acometidos por prejuízo em vários aspectos de sua vida (Bortolon et al.; 2016). A convivência diária com o dependente químico é sinuosa, pois afeta diretamente o equilíbrio familiar, já que se trata de um fenômeno resultante de dinâmicas familiares disfuncionais, marcado por dependência emocional, foco extremo no outro, autonegligência, controle e baixa autoestima, acarretando muitas vezes em conflitos, inversão de papeis e até mesmo violência psicológica e/ou física. Este fato confirma-se na fala da Entrevistada B, onde é relatado a mesma compreensão sobre essa dinâmica:
“O codependente químico apresenta algumas características que são únicas. A necessidade de controle é uma delas; eles tendem a querer gerenciar as situações e cuidar do dependente de forma excessiva. Além disso, existe uma dificuldade marcante em estabelecer limites saudáveis e em reconhecer suas próprias necessidades. Diferente de outras formas de codependência, está intimamente ligada ao comportamento que sustenta o vício do outro, como tolerar comportamentos abusivos, minimizar os problemas e um medo constante de perder o vínculo. Essa dinâmica pode se tornar um ciclo que impede tanto a recuperação do dependente quanto o bem-estar emocional do codependente”. (Entrevistada B)
Para os autores Silva et. al. (2018), o codependente é sujeito condicionado a orbitar a vida do familiar adicto, que interferindo em sua própria saúde fragiliza ainda mais a dinâmica familiar. Esses membros apesar do relacionamento descompensado insistem em manter o vínculo adoecedor, ultrapassando continuamente seus limites, gerando descontrole emocional, baixa autoestima e culpa (Noriega, et al. 2008). A repercussão do uso de drogas sobre os relacionamentos familiares acontece de forma proporcional à medida em que a família é a unidade básica e primeiro agente de socialização do sujeito (Miziara et al., 2022).
A codependência mostra-se como fator em potencial de adoecimento psíquico, uma vez que a necessidade de cuidar do dependente suplanta as necessidades do próprio familiar. Sendo o sujeito adicto o protagonista o codependente torna-se coadjuvante de sua própria história.
Além disso, o familiar codependente químico pode acreditar ser responsável pelas ações ou consequências do uso da droga, buscando justificá-las para minimizar sua sobrecarga emocional ou sentir-se no controle da situação, prejudicando não só a si próprio, mas como também a recuperação do dependente. Dessa forma, a definição de codependência também se confirma no discurso da Entrevistada B:
“A codependência é um tema complexo e delicado. Trata-se de um padrão de comportamento em que uma pessoa prioriza excessivamente as necessidades e emoções de outra, geralmente em um contexto de dependência química. Em muitas situações, isso se traduz em um ciclo de negligência emocional, onde quem co-depende acaba se anulando em função do outro. Essa dinâmica pode parecer uma demonstração de amor e cuidado, mas, na verdade, se torna uma armadilha – tanto para o dependente quanto para a pessoa que cuida, criando um estado de conflito interno e isolamento. O desafio é reconhecer essa codependência e buscar um caminho de recuperação para todos os envolvidos”. (Entrevistada B)
Embora frequentemente exiba comportamentos permissivos e/ou negacionistas em relação aos usuários, a codependência não possui uma definição única, pois cada caso é influenciado por experiências e histórias individuais, tornando impossível uma generalização (Beattie, 2017).
O Papel da família
O papel da família tem enorme significância na recuperação do adicto, tanto no desenvolvimento como na manutenção de comportamentos de superação. Corroborando com Patias, et al., (2022) apud Oliveira et al., (2016) afirma-se que a família é peça-chave no tratamento da dependência e que a falta desse vínculo potencializa o sucesso ou insucesso desse processo, fato também percebido nos relatos da Entrevistada “A”:
“Às vezes não existe mais o apoio familiar. Mas em relação à maioria dos acolhidos que a gente recebe, a gente percebe que o apoio da família é de suma importância. E é o que faz eles continuarem aqui, é o que faz eles permanecerem em sobriedade após a finalização do programa terapêutico. Então a gente percebe que a família é importante, é importante sim”. (Entrevistada A)
Através do acolhimento familiar o adicto vivência e é mais fortemente estimulado a aceitar tratamento, reduzindo assim as chances de recaídas. Os autores Carvalho et al (2011) apontam que indivíduos com vínculo familiar ativo durante a fase de internação apresentam melhor desempenho do que os dependentes que não tem a mesma interação. Em contrapartida, infere-se pela fala da Entrevistada A que, embora a participação familiar seja importante para a evolução do adicto, o sentimento de auto-culpa carregada pelo codependente corre risco de ser potencializada, visto que o usuário costuma isentar-se da responsabilidade da dependência, terceirizando-a ao familiar:
“E no caso do próprio dependente químico, porque muitos não têm aquela questão de que “fui eu que fiz o uso, fui eu que busquei”… E aí falam muito que é culpa da família. E aí quando você conhece a família, vê que é a pessoa que está ali ajudando, é aquela pessoa que está ali apoiando”. (Entrevistada A)
A família pode, involuntariamente, perpetuar a dependência ao assumir responsabilidades do indivíduo dependente, interferir nas consequências de seu comportamento ou tentar minimizar o problema. Um ambiente seguro, apoio emocional e limites claros são essenciais para facilitar a recuperação e prevenir recaídas.
Desse modo, é factual que sem o devido acompanhamento profissional, o peso dessa responsabilidade sentida pelo codependente, aliado ao desejo excessivo de cuidar, a inabilidade de lidar com a dependência, a improdutividade de esforços e a secundarização de suas necessidades, produz um declínio gradual na saúde mental desse familiar.
O sofrimento do familiar
Os resultados obtidos por Aragão et al. (2009), sugerem que intervenções direcionadas aos familiares de dependentes químicos são essenciais para prevenir ideação suicida, principalmente quando associada a diagnósticos psiquiátricos. Desta forma os sentimentos de tristeza e desesperança do familiar durante o combate a dependência devem ser avaliados a fim de evitar o adoecimento psíquico (Miziara, et al., 2022).
A dependência química impacta significativamente os familiares, aumentando o risco de desenvolver doenças mentais, como depressão, e alterações psicossomáticas (Maciel, et al, 2012; Lima et al., 2007). Esse potencial de adoecimento psíquico decorrente da codependência química é perceptível na fala das Entrevistadas A e B, no qual os transtornos de ansiedade e depressão são os mais encontrados:
“Ah, sim! A mais escancarada que a gente vê são crises mesmo de depressão e ansiedade. A gente vê bastante, quando a família já vem pra gente, tanto os acolhidos dependente químico, já vem com esse histórico, familiares também. E não só eu falo assim em questão de, como eu posso dizer, em questão mesmo de diagnóstico, mas a pessoa procurou ajuda por conta do convívio familiar, que veio causando esse adoecimento”. (Entrevistada A)
“Muitas vezes, os membros da família apresentam altos níveis de ansiedade, depressão e até sinais de estresse pós-traumático. É comum ouvirmos relatos de culpa, impotência e um sentimento de desesperança que permeia o ambiente familiar. O dia a dia em uma casa marcada pela dependência química pode se tornar extremamente conturbado e cheio de conflitos. A falta de comunicação saudável, os ressentimentos acumulados e a responsabilidade excessiva pelo outro geram um ambiente que sufoca e impede o crescimento pessoal de todos”. (Entrevistada B)
Ainda sobre as consequências psíquicas sentidas na família, Thompson & Krugman (2001) relata que quando dependente químico é o pai, as crianças podem sofrer consequências graves, como falta de cuidado, agressividade e maior risco de desenvolver problemas com álcool e comportamentos antissociais. Ademais esse convívio pode carregar consigo a atribuição de responsabilidades incompatíveis ou precoces como a parentalização, que se define pela inversão de papéis entre pais e filhos, onde a criança vê-se obrigada a amadurecer fora do tempo adequado, trazendo consequências em desenvolvimento emocional (Zampiere, 2004 b).
Em concordância, Figlie, et al., (2004) argumentam que os conflitos familiares afetam negativamente o desenvolvimento infantil, causando regressão emocional, insegurança, depressão, apatia e repressão. Isso também leva a dificuldades nos relacionamentos, agressividade, baixa autoestima e isolamento.
O papel do Psicólogo
Nesse sentido os psicólogos desempenham papel fundamental na terapia individual e familiar, abordando trauma multigeracional e abuso de substâncias. Eles podem ajudar famílias a superar dificuldades ou situações de vulnerabilidade com terapia e apoio especializado. O acolhimento e escuta ativa são fundamentais para o profissional de psicologia, pois fortalece a saúde mental e promove vínculos saudáveis no núcleo familiar, facilitando reabilitação psicossocial (Oliveira et al., 2022). O terapeuta adota uma abordagem não diretiva, empoderando os membros da família para explorar suas próprias soluções. Esse profissional fomenta a expressão de sentimentos e necessidades, superando dinâmicas de crítica e acusação (Takahara et al., 2017).
O psicólogo desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de habilidades de comunicação assertiva e estabelecimento de limites saudáveis em indivíduos codependentes (Beattie, 2017, p. 120). Essa mesma narrativa é observada no discurso das entrevistadas A e B:
“Através de algumas situações que a gente percebe, a gente faz esse contato, essa mediação, essa conversa, a gente entende qual o lado que está certo. Então, assim, a nossa intervenção, a gente tenta não ser tão, como é que eu posso dizer, delegar alguma coisa, né?A gente sempre informa, olha, aqui a gente está pra apoiar, está pra lhe acompanhar, mas o que você decidir, né? Caso mude de ideia, a gente está aqui novamente para conversar, mas fica mesmo sempre mais à vontade da decisão, tanto do acolhido como da família”. (Entrevistada A)
“O profissional de psicologia atua como um facilitador e mediador. Meu papel é proporcionar um ambiente onde os familiares possam expressar suas emoções sem medo de julgamento. A empatia e a comunicação aberta são alicerces do nosso trabalho. Ajudo as famílias a entenderem melhor a situação, reconhecendo as emoções de cada membro e promovendo um espaço de diálogo que minimiza os conflitos. Esse trabalho muitas vezes envolve reestruturar padrões de comunicação disfuncionais e ajudar na formulação de estratégias que permitam uma convivência mais harmoniosa, mesmo em épocas desafiadoras”. (Entrevistada B)
Portanto, vemos que o papel principal desse profissional é atuar como mediador na comunicação entre adicto e família, a fim de promover uma relação mais equilibrada entre os envolvidos, tornando o convívio mais leve e contribuindo para empatia e apoio mútuo.
Conforme Garcia (2018, p. 24), a atuação do psicólogo está inserida na Psicologia Social, que analisa o indivíduo em sua totalidade, considerando fatores ambientais e sociais. A demanda crescente por profissionais capacitados em dependência química justifica uma revisão das grades curriculares das graduações em psicologia, proporcionando conhecimento sólido desde a formação inicial (Erzog et al., 2013).
Intervenções
A psicologia adaptada para codependentes químicos enfoca na recuperação e reestruturação de padrões de comportamento disfuncionais. Essa abordagem considera a complexidade da codependência química, envolvendo aspectos emocionais, cognitivos e comportamentais.
Sob esse mesmo aspecto, as intervenções psicológicas desempenham papel crucial no apoio a esse público, fornecendo orientação e estratégias para lidar com desafios emocionais, nas quais dentre tais técnicas, destacam-se as práticas em grupo. Tal informação também foi encontrada no relato da Entrevistada A, onde apontam os grupos de apoio, às terapias de grupo, e eventualmente alguma mediação individualizada:
“Nós temos a reunião do ‘amor vencerá’, que é toda sexta-feira, três horas da tarde, que é o encontro das famílias aqui no escritório. Que é esse encontro aqui da gente, da equipe, com as famílias. E é sempre em grupo. E aí, quando é necessário, a gente faz a intervenção individualizada. Aqui da gente, como eu falei, a nossa atuação é social, então a gente não tem esse atendimento sempre com a família, clínica no caso […] Ou quando a gente percebe realmente que é necessária a nossa intervenção, é que a gente atua com a família, mas não tem aquela, como é que eu posso dizer, algo rotineiro”. (Entrevistada A)
Terapias como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) são utilizadas para ajudar os codependentes a identificar e mudar pensamentos e comportamentos prejudiciais, desenvolver habilidades e estabelecer limites saudáveis. Do mesmo modo, essas características são explícitas na descrição dada pela Entrevistada B:
“As intervenções para os familiares geralmente começam com uma fase de conscientização. Utilizamos terapias de grupo e sessões individuais, onde podemos explorar as dinâmicas familiares e os padrões de comportamento que perpetuam a codependência. Ensinar técnicas para desenvolver a autorregulação emocional e o fortalecimento de limites saudáveis é essencial. Também incentivamos a participação em grupos de apoio, como Al-Anon, que oferecem um espaço seguro para troca de experiências. O foco é criar um ambiente onde os familiares possam se sentir compreendidos e acolhidos… para que possam cuidar de si mesmos”. (Entrevistada B)
Grupos de apoio são ferramentas que trazem resultados significativos a cuidadores, familiares e dependentes, suscitando sentimentos de acolhimento, pertencimento e superação (Cavaggioni et al;2017). Grupos proporcionam aos familiares um ambiente seguro para compartilhar sentimentos, recebendo escuta empática e apoio, tornando-se um instrumento terapêutico eficaz, permite a troca de experiências, redefinição de desafios e o desenvolvimento de resiliência em seus participantes. A utilização de grupos de apoio como recurso terapêutico contribui significativamente para uma prática assistencial humanizada e centrada no paciente (Alvarez et al., 2012).
Além desses, alguns programas também auxiliam a família a lidar com o dependente, onde parte deles focam no aprendizado de habilidades que contribuam para contornar situações gerados pela abstinência, fortalecendo a comunicação e a promoção da reintegração social (Schenker & Minayo, 2004). De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome [s.d], os grupos Al-Anon e Nar-anon conectam pessoas afetadas pela dependência e tem como objetivo exclusivo oferecer apoio e assistência a familiares e amigos de pessoas dos dependentes. Essas técnicas envolvem o familiar em cuidados e promove o desenvolvimento de habilidades emocionais e resiliência.
Embora os grupos de apoio tragam um bom nível de suporte às famílias, funcionando como uma descarga emocional e apoio no constructo da resiliência proporcionadas pelas trocas de experiência, percebe-se que se aplicada de maneira individual são insuficientes para lidar com as subjetividades do codependente, sendo necessário o trabalho conjunto com as terapias individuais.
As dificuldades
Na literatura, dentre os principais motivos citados como barreiras no desenvolvimento e na execução dessas intervenções estão: 1) a estigmatização da codependência, que pode limitar a procura por ajuda e o engajamento no tratamento; 2) A falta de instrumentos de avaliação válidos e confiáveis para codependência, limitando a eficácia das intervenções; 3) Amostragem pequena e a falta de diversidade nos estudos sobre codependência limitam a generalização dos resultados; 4) A intervenção na codependência requer uma abordagem individualizada, considerando as necessidades específicas de cada paciente; 5) como também a possibilidade da intervenção psicológica ser insuficiente para superar a codependência (Zampieri, 2004, p. 130; Hayes, 2004, p. 120).
Referente as dificuldades encontradas na aplicação do presente estudo, foram apontados principalmente a escassez de recursos que impedem uma assistência eficaz e adaptada, bem como as próprias particularidades da codependência como a desinformação e o isolamento social decorrente da dependência química que pode reforçar o estigma, destacados pelas Entrevistada A e B:
“A principal dificuldade, às vezes, é que a gente não, pelo menos de comunidade terapêutica, a gente não consegue se adequar a tudo que eles necessitam, né? Porque, assim, diferentemente da clínica, aqui não tem o médico, não tem aquele psiquiatra, então, nem tudo a gente vai conseguir suprir, e também, assim, é necessária uma equipe melhor, mais atividades para eles estarem participando dentro da comunidade também, algo assim, mais diário, então a gente percebe que é essa questão”. (Entrevistada A)
“Uma das maiores dificuldades é a resistência que muitos familiares apresentam ao reconhecer sua própria codependência. O estigma associado à dependência química faz com que eles se sintam culpados ou envergonhados por buscar ajuda. Além disso, a escassez de recursos e serviços adequados torna a situação mais complicada. É desafiador promover o comprometimento e a motivação em um cenário onde, muitas vezes, existe uma falta de apoio externo e um desespero silencioso. Portanto, enfrentamos um desafio contínuo em tornar essa jornada mais acessível e menos intimidante”. (Entrevistada B)
A codependência por ser uma condição comportamental, emocional e psicológica é caracterizada por padrões recorrentes e permanentes, afetando o funcionamento individual, relacional e familiar, e quando não diagnosticada, pode perpetuar o sofrimento emocional sendo um problema capaz de atingir várias camadas sociais (Albuquerque & Alves, 2016). Portanto, a necessidade de mediações que consigam dar suporte ao sofrimento psíquico às famílias, incide diretamente sobre as respostas no tratamento do dependente, fundamentado pela reciprocidade relacional entre dependência e codependência (Oliveira, et al.; 2019). Logo, o suporte voltado às famílias carecem da atenção de políticas públicas que ampliem seu acesso (Alvarez, et. al.; 2012).
A Procura
Em contrapartida aos obstáculos, estudos indicam que codependentes que buscam tratamento geralmente apresentam características específicas, como maior autoconsciência e motivação para mudança (Cermak, 1986, p.25), maior sofrimento emocional (Whitfield, 1991, p.160) e melhorias na autoestima e redução de sintomas depressivos (Beattie, 2017, p.150).
Com base nessas características, destaca-se na fala das Entrevistadas A e B que além da escassez de assistência, o familiar muitas vezes é resistente em buscando apoio apenas quando os efeitos da codependência já causaram uma grande exaustão física e mental:
“Depende do nosso contato aqui também e insistência mesmo para estar trazendo a família, né, para esse apoio, mas o que depende mesmo é a relação do acolhido com o familiar. (Entrevistada A)
“A realidade é que a assistência psicológica para as famílias de adictos ainda é bastante escassa. Muitas vezes, essas famílias se sentem tão sobrecarregadas que acabam relegando suas próprias necessidades emocionais a um segundo plano”. (Entrevistada B)
“A busca por ajuda geralmente ocorre em momentos de crise, quando uma situação extrema, como um evento grave ligado ao uso de substâncias, se torna impossível de ignorar” (Entrevistada B)
Contudo esse padrão tem sofrido mudanças, devido à maior percepção sobre a saúde mental. Consoante aos autores Kessler et al., (2020), que em seus estudos revela o aumento dessa conscientização na população brasileira de 42% entre 2012 e 2019, a Entrevistada B ratifica essa tendência crescente:
“É comum que eles achem que ajudar o adicto é a prioridade, esquecendo-se do quanto isso pode afetar sua própria saúde mental. Porém, aos poucos, tenho percebido uma mudança. Com o aumento da conscientização sobre a saúde mental, mais famílias estão se dando conta da importância de buscar apoio para si mesmas, e isso é um sinal positivo”. (Entrevistada B)
Para vencer a codependência, é essencial reconhecer o problema, desenvolver autoconsciência, expressar necessidades de forma assertiva, estabelecer limites e buscar orientação especializada. Essa ajuda é fundamental para o codependente químico, pois permite romper o ciclo de dependência emocional e desenvolver estratégias para superar padrões de comportamento disfuncionais.
O Acesso
Em geral, esses serviços são encontrados em instituições especializadas em saúde mental, onde há presença de equipes multidisciplinares garantindo uma abordagem holística e eficaz. Segundo Oliveira (2017, p.165), a abordagem integrativa, combinando psicologia, sociologia e trabalho familiar, é fundamental para o sucesso terapêutico. Entretanto, Figueiró & Dimenstein, (2020) destacam que desafios políticos, sociais e morais obstaculizam o acesso a serviços de saúde mental, deixando usuários e famílias sem suporte adequado, elevando o número de pessoas em busca de comunidades terapêuticas, as quais nem sempre possuem ferramentas assistenciais eficazes.
De acordo com Scaduto, et al; (2015) as Comunidades Terapêuticas (CT) baseiam-se em um modelo estruturado de interações sociais, em ambiente controlado e monitoradas por equipes, com regras que promovem relações autênticas, responsabilidade e auto avaliação. Já os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são dispositivos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) que visam organizar a demanda de saúde mental, promovendo acompanhamento longitudinal sendo fundamentalmente pública, municipal e fiscalizada por controle social, conforme preconiza a Reforma Psiquiátrica (Ministério da Saúde, 2024, p.25-26).
O tratamento de codependência no CAPS inicia-se com uma avaliação inicial compreensiva, envolvendo entrevistas e questionários, visando identificar necessidades específicas (Cermak, 1986, p.45). Por esse motivo, para garantir o acompanhamento do codependente, é essencial estabelecer comunicação com essas instituições, conforme destacado pelas entrevistadas A e B:
“Na comunidade, por exemplo, se surgir alguma demanda dele. Ele vai conversar com a coordenação porque lá ficam coordenadores. São pessoas que também passaram pelo programa terapêutico, realizaram curso de conselheiro químico e hoje em dia estão atuando…que vão estar apoiando ali dentro da comunidade, né? ”. (Entrevistada A)
“O acesso às intervenções pode ocorrer por meio de serviços de saúde mental, tanto públicos quanto privados. Muitas vezes, o contato com um médico ou assistente social pode ser o primeiro passo para o encaminhamento a serviços mais especializados”. (Entrevistada B)
À vista disso, outro ponto significativo é a integração da psicologia com tecnologias inovadoras capazes de ampliar o alcance de instituições de saúde mental, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Congruente com Jahanzeb et al., (2024) e Amichai et al., (2014), quando trazem que a inteligência artificial pode mudar a forma como fazemos psicologia, com tratamentos feitos sob medida, otimizando a adesão ao tratamento e os resultados clínicos especialmente para populações vulneráveis. Através desse mesmo panorama destaca-se o discurso da entrevistada B:
“Além disso, a tecnologia tem sido uma aliada, com grupos de terapia online e recursos educativos que podem ser uma alternativa valiosa, especialmente para aqueles que enfrentam barreiras físicas ou emocionais para buscar ajuda presencial. O importante é que esses indivíduos saibam que não estão sozinhos e que há apoio disponível”. (Entrevistada B)
Por ser um problema complexo e multifacetado pesquisas sobre essas intervenções químicos devem focar na formação contínua de profissionais, na colaboração interdisciplinar e na adaptação dessas mediações às necessidades psicológicas e específicas para os codependentes. Além disso, a psicologia adaptada para codependentes químicos também aborda questões como trauma, negação, resgate e dependência emocional, promovendo autoconhecimento, resiliência e crescimento pessoal.
As limitações deste estudo estão relacionadas principalmente ao fato de que apesar de conhecida as demandas e dificuldades que permeiam o acolhimento do codependente, existe uma insuficiência de pesquisas no campo da psicologia que detalhem essas intervenções e de acesso a profissionais com experiência nessa demanda, impossibilitando escrutinar-se sobre o aperfeiçoamento de técnicas adaptadas às necessidades do familiar codependente.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo propôs discutir as intervenções psicológicas voltadas ao familiar codependente químico, consolidando e identificando essas mediações, a fim de fomentar o debate sobre o aperfeiçoamento de estratégias adaptadas ao sofrimento psíquico, considerando particulares e reforçando a necessidade de uma abordagem psicológica que vá além do cuidado ao adicto. Ao abordar a codependência como uma problemática que merece atenção especializada, reafirma-se o papel do psicólogo como agente de transformação, não apenas na vida do dependente químico, mas também no fortalecimento dos vínculos familiares, promovendo o bem-estar e a saúde mental de todos os envolvidos no contexto da dependência química.
Partindo do princípio de que a pesquisa contribuiu satisfatoriamente para transmissão dos conhecimentos, o presente trabalho provou-se relevante. Todavia, houve grande dificuldade de acesso aos profissionais participantes, devido a barreiras burocráticas e escassez de especialistas com atuação na área. Tampouco foram achados na literatura dados significativos em relação às práticas, uma vez que os materiais se mostraram defasados, com ênfase principalmente em causas sociais.
A ausência de dados confiáveis sobre um tema específico tem implicações profundas, incluindo lacunas no conhecimento científico, dificuldades na construção de teorias e decisões baseadas em intuição, em vez de evidências empíricas, além de estigmatização, preconceitos e falta de políticas públicas eficazes. Sob esse prisma, o argumento anterior apoia-se na crítica de Cavaggioni et. al. (2017), a respeito da deficiência na elaboração de conhecimentos científicos, sobretudo da psicologia, que transcendam o modelo tradicional dos grupos de apoio e visem desenvolver técnicas viáveis, acessíveis e sobressalentes a espaços de informação, educação e acolhimento. É fundamental explorar as particularidades desses familiares aliando-as ao uso de tecnologias digitais para ampliar o acesso ao suporte psicológico.
Pretende-se, portanto, que o atual estudo seja examinado e complementado, pois embora tenha conseguido êxito em seus objetivos, considera a significância de se aprofundar sobre alguns elementos, como a carência de atendimento individual e clínico para esse público, reiterado a necessidade de mais pesquisas multidisciplinares integrando psicologia, saúde pública e sociologia que enriqueçam o entendimento da codependência e incluam o desenvolvimento de intervenções culturalmente adaptadas que considerem variáveis sociais, econômicas e culturais.
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1Graduando em Psicologia pelo Centro Universitário Mauricio de Nassau – UNINASSAU (Redenção)
2Graduando em Psicologia pelo Centro Universitário Mauricio de Nassau – UNINASSAU (Redenção)
3Graduando em Psicologia pelo Centro Universitário Mauricio de Nassau – UNINASSAU (Redenção)
4Graduando em Psicologia pelo Centro Universitário Mauricio de Nassau – UNINASSAU (Redenção)
5Doutorado em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC MINAS) e Professor da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA)
