NURSING INTERVENTIONS TO FACE THE MAIN COMPLICATIONS OF HEMODIALYSIS TREATMENT IN CHRONIC KIDNEY PATIENTS: AN INTEGRATIVE REVIEW
INTERVENCIONES DE ENFERMERÍA PARA ENFRENTAR LAS PRINCIPALES COMPLICACIONES DEL TRATAMIENTO DE HEMODIÁLISIS EN PACIENTES RENALES
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202508160122
Camilla da Silva de Andrade1
Flávia da Silva Soares Ozório2
Thyana dos Santos Almeida3
Raquel dos Santos Costa4
Jonatas de Oliveira Caetano da Silva5
Alessandro Almeida Ramos6
Raquel de Almeida Ramos Figueiredo7
Vera Lúcia Freitas8
RESUMO: Introdução: A doença renal crônica é definida por uma lesão renal que leva a perda gradual e irreversível de suas funções. Os procedimentos de hemodiálise podem apresentar complicações potenciais, e é fundamental que o enfermeiro tenha formação necessária para agir em situações adversas. Objetivo: Identificar as principais complicações inerentes ao tratamento hemodialítico em pacientes Renais Crônicos e as Intervenções de Enfermagem implementadas. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, a partir de estudos publicados na base de dados LILACS e bibliotecas eletrônicas BDENF e SciELO. Resultados: Foram selecionados 9 artigos para formar a amostra deste estudo. As seguintes categorias de temática foram evidenciadas: Principais complicações apresentadas pelos pacientes renais crônicos submetidos à hemodiálise; Intervenções de enfermagem frente às intercorrências durante as sessões de hemodiálise; Obstáculos enfrentados pela equipe de enfermagem nas complicações inerentes às terapias hemodialíticas. Discussão: As complicações mais comuns incluem hipotensão, hipertensão, cãibras musculares, prurido, febre e infecções relacionadas ao cateter. A atuação da enfermagem é fundamental para identificar e monitorar esses eventos. Conclusão: A atuação da equipe de Enfermagem é crucial para monitorar, reconhecer e tomar providências frente a essas complicações. Entretanto, é imperativo conduzir mais estudos na área de enfermagem para aprimorar a definição do papel do enfermeiro.
PALAVRAS-CHAVE: Enfermagem; Insuficiência Renal; Diálise Renal
ABSTRACT: Introduction: Chronic kidney disease is defined by kidney damage that leads to gradual and irreversible loss of function. Hemodialysis procedures can present potential complications, and it is essential that nurses have the necessary training to act in adverse situations.Objective: To identify the main complications inherent to hemodialysis treatment in Chronic Kidney Disease patients and the Nursing interventions implemented. Methodology:This is an integrative literature review, with studies published in the LILACS databases and electronic libraries BDENF and SciELO. Results:9 articles were selected to form the sample for this study. The following thematic categories were highlighted: Main complications presented by chronic kidney disease patients undergoing hemodialysis; Nursing interventions regarding complications during hemodialysis sessions; Obstacles faced by the nursing team in complications inherent to hemodialysis therapies. Discussion: The most common complications include hypotension, hypertension, muscle cramps, pruritus, fever, and catheter-related infections. Nursing work is essential to identify and monitor these events. Conclusion: The role of the Nursing team is crucial to monitor, recognize and take action in the face of these complications. However, it is imperative to conduct more studies in the area of nursing to improve the definition of the nurse’s role.
KEYWORDS: Nursing; Renal insufficiency; Renal Dialysis
RESUMEN:Introducción: La enfermedad renal crónica se define como un daño renal que conduce a una pérdida gradual e irreversible de su función. Los procedimientos de hemodiálisis pueden presentar potenciales complicaciones, siendo fundamental que las enfermeras tengan la formación necesaria para actuar en situaciones adversas. Objetivo: Identificar las principales complicaciones inherentes al tratamiento de hemodiálisis en pacientes con Enfermedad Renal Crónica y las Intervenciones de Enfermería implementadas. Metodología: Se trata de una revisión integradora de la literatura, basada en estudios publicados en la base de datos LILACS y las bibliotecas electrónicas BDENF y SciELO. Resultados:Se seleccionaron 9 artículos para formar la muestra de este estudio. Se destacaron las siguientes categorías temáticas: Principales complicaciones que presentan los pacientes con enfermedad renal crónica sometidos a hemodiálisis; Intervenciones de enfermería sobre complicaciones durante las sesiones de hemodiálisis; Obstáculos que enfrenta el equipo de enfermería en las complicaciones inherentes a las terapias de hemodiálisis. Discusión: Las complicaciones más comunes incluyen hipotensión, hipertensión, calambres musculares, prurito, fiebre e infecciones relacionadas con el catéter. El trabajo de enfermería es fundamental para identificar y monitorear estos eventos. Conclusión: El papel del equipo de Enfermería es crucial para monitorear, reconocer y actuar frente a estas complicaciones. Sin embargo, es imperativo realizar más estudios en el área de enfermería para mejorar la definición del rol del enfermero.
PALABRAS CLAVE: Enfermería; Insuficiencia renal; Diálisis renal
1 INTRODUÇÃO
A Insuficiência Renal (IR) é uma condição na qual os rins não conseguem desempenhar adequadamente suas funções de controle de fluidos, ácidos e substâncias excretadas, a qual o corpo não necessita mais. Quando isso acontece, os resíduos podem atingir níveis críticos, interferindo na química do sangue, desequilibrando-o. Existem dois tipos de IR: Insuficiência Renal Aguda (IRA) e Insuficiência Renal Crônica (IRC) (Souza et al., 2020).
O conceito de Insuficiência Renal Aguda (IRA) é caracterizado como uma circunstância ocasionada por uma diminuição da taxa de filtração glomerular (TFG) durante um curto período de tempo, o qual varia de horas a dia. Normalmente se apresenta como creatinina sérica elevada e, em alguns quadros, oligúria ou anúria. Dessa maneira, períodos de oligúria persistente podem ser causados por mecanismos intactos de concentração de urina operando com capacidade aumentada ou por um sistema que falhou em decorrência da lesão, onde a TFG é muito baixa para sustentar a produção de urina (Poloni; Jahnke; Rotta, 2020).
A Doença Renal Crônica (DRC) é estipulada como anormalidades da função renal ou prejuízos presentes na estrutura dos rins que prejudicam a saúde e mantêm-se por um período superior a três meses. A análise da taxa de filtração glomerular e da albuminúria são indicadores fundamentais que orientam o tratamento da DRC, devendo ser realizadas anualmente como parte do acompanhamento da saúde do paciente, além de serem avaliadas com maior frequência em certas circunstâncias (Gesualdo et al., 2020).
A disfunção Renal se apresenta de diferentes maneiras, desde o estágio 1, caracterizado por lesão renal precoce sem sintomas, até o estágio 5, quando é recomendado tratamento avançado. O tratamento da DRC no estágio 5 inclui terapia medicamentosa rigorosa, dieta e controle de líquidos concomitante com as terapias que suprem o papel dos rins. Esses aspectos são específicos do tratamento da DRC e constituem a base do tratamento influenciando as taxas de morbimortalidade (Dias et al., 2022).
No Brasil, a incidência e a prevalência da doença renal crônica estão cada vez mais elevados, o prognóstico do paciente DRC é desfavorável e o custo do tratamento da doença é muito oneroso para os prestadores de serviço de saúde. O número de pacientes atualmente em diálise no Brasil deverá ultrapassar 130 mil, a um custo de R$1,4 bilhão. Em torno de 84% desses pacientes são tratados pelo Sistema Único de Saúde (Alcade; Kirsztajn, 2018).
Os tratamentos que podem substituir parcialmente a função renal em pacientes com Insuficiência Renal Crônica incluem diálise peritoneal e hemodiálise, os quais sustentam a vida, todavia não curam (Matos; Fazenda, 2022).
Cerca de 89,4% dos pacientes com Insuficiência Renal Crônica estão recebendo hemodiálise três vezes por semana, durante 3 a 4 horas por sessão, ao longo de vários anos ou até que ocorra o Transplante Renal, com êxito (Sampaio; Menezes, 2021).
A perda progressiva e irreversível da função renal resulta em barreiras e limitações biopsicossociais as quais impactam diretamente a qualidade de vida e as atividades diária dos pacientes, além das implicações para viver com uma doença crônica, que resulta na mudança brusca em se manter num estilo de vida regrado (Villagrasa; Romanos, 2022).
As sessões de hemodiálise podem ser acompanhadas de inúmeros tipos de complicações clínicas, algumas podem possuir caráter grave e fatal. Nesse sentido, o profissional de enfermagem tem papel de identificar as necessidades de cada paciente durante todo o procedimento, desenvolver ações para monitorar e prevenir os efeitos adversos da terapia hemodialítica (Ribeiro; Jorge; Queiroz, 2020).
Atualmente sabe-se que o desígnio da hemodiálise não é apenas prevenir os sintomas urêmicos, mas também reduzir o risco de complicações e morte inerente ao próprio procedimento. Sob tal perspectiva, o objetivo desta revisão integrativa foi identificar as principais complicações inerentes ao tratamento hemodialítico em pacientes Renais Crônicos e as Intervenções de Enfermagem implementadas.
2. METODOLOGIA
Trata-se de um estudo de revisão integrativa de literatura que se caracteriza por ser um método de investigação que permite a busca, a avaliação crítica e a síntese das evidências disponíveis acerca de um tema investigado, em que o resultado final é o estado do conhecimento do tema investigado. Além disso, fornece aos profissionais de Enfermagem dados relevantes sobre o assunto discutido, mantendo-os atualizados do novo conhecimento para a prática clínica (Sousa et al, 2017).
O método em tela recomenda a utilização de seis etapas para atingir os objetivos propostos. Nesse sentido, a primeira etapa diz respeito à formulação da questão norteadora. Elaborou-se como questão de pesquisa: Quais são as principais complicações apresentadas pelos pacientes Renais Crônicos submetidos ao tratamento hemodialítico e as Intervenções de Enfermagem implementadas?
Na segunda etapa, foram definidos as bases de dados e os critérios de inclusão e exclusão, da produção científica que formou a busca na literatura, para atingir os objetivos traçados. As bases de dados selecionadas para este estudo foram: MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrievel System Online), SCIELO (Scientific Eletronic Liberary Online), Literatura Latino-Americana em ciências da Saúde (LILACS) e National Library of Medicine (PubMed), Bases de dados em Enfermagem (BDENF).
Diante disso, utilizou-se Descritores, nos idiomas português, inglês e espanhol, com aplicação dos operadores booleanos AND/OR caracterizaram-se como: Enfermagem AND “Insuficiência Renal” AND “Diálise Renal”. Para os termos em inglês na base de dados PubMed foi utilizado o Medical Subject Heading (MeSH): “Nursing Care” AND “Renal insufficiency” OR hemodialysis, os quais foram agrupados durante a consulta nas bases de dados, havendo a correlação com o propósito de melhorar a pesquisa.
Na terceira etapa referiu-se à construção de um instrumento para coleta de dados, a fim de reunir e sintetizar as informações chaves a serem extraídas dos estudos selecionados. Fazendo-se necessária a utilização de um instrumento previamente elaborado capaz de assegurar que a totalidade dos dados serão relevantes. Com a finalidade de garantir a fiabilidade dos resultados e das conclusões, que irão gerar o estado do conhecimento atual.
A coleta de dados ocorreu entre os meses de Novembro e Dezembro de 2023. Os artigos foram selecionados de acordo com os seguintes critérios de inclusão: estudos que abordassem as intervenções de enfermagem nas principais complicações do tratamento hemodialítico em pacientes renais crônicos, disponíveis nos idiomas português, inglês e espanhol, publicados nos referidos bases de dados, levando em consideração o recorte temporal dos últimos 5 anos, de 2018 a 2023.
Os critérios de exclusão especificados foram: publicações em mais de uma base de dados, resumos, textos na forma de projetos, em outros idiomas, fora do recorte temporal definido nos critérios de inclusão e todos os artigos que não colaboraram com o objetivo do trabalho após a leitura dos resumos.
Na Figura 1, mostra-se a trajetória para a seleção das publicações, com base nos critérios de inclusão e exclusão, utilizando o fluxograma PRISMA.
Figura 1. Fluxograma de seleção de artigos elaborado com base no PRISMA 2020
Fonte: Os autores, 2024.
Na quarta etapa os artigos selecionados para a revisão integrativa foram examinados por meio de uma análise crítica dos estudos incluídos, adotou-se uma abordagem sistemática, a fim de verificar a autenticidade, qualidade metodológica, importância das informações e representatividade de cada artigo.
Na quinta etapa foi elaborada a constituição da interpretação dos resultados dos artigos relacionados à questão de pesquisa, observando-se as similaridades e diferenças entre os estudos, buscando-se assim, o alcance do objetivo elencado.
Na sexta etapa deu-se por meio da apresentação da revisão integrativa, que é elaborada de forma clara e abrangente, permitindo ao leitor avaliar criticamente os resultados. Para tal, foi construída uma síntese dos principais resultados por meio de análise temática, baseadas em metodologias contextualizadas, sem omitir qualquer evidência relacionada.
3. RESULTADOS
Após a seleção dos artigos para conclusão deste estudo, foi realizada uma verificação aprofundada do conteúdo, sem esquecer de considerar o tema proposto.
Os resultados estão resumidos em quadros para facilitar a análise e comparação dos dados apresentados.
As revistas evidenciadas dos artigos coletados, de acordo com o Qualis de 2023 são: Avances en Enfermería (B1), Enfermería Nefrológica (B1), Revista Brasileira de Enfermagem (A2), Revista de Enfermagem da UFPI (B4), Revista de Enfermagem do Centro-Oeste Mineiro (B2), Investigación y Educación en Enfermería (B1), Revista de Enfermagem UFPE (online) (B2), VIVE. Revista de Investigación en Salud (sem classificação) e Revista Latino-Americana de Enfermagem (B3).
QUADRO 01: LEVANTAMENTO ESTRUTURAL DOS ARTIGOS SELECIONADOS. RIO DE JANEIRO, RJ, 2024.




Fonte: Os autores, 2024.
Portanto os 9 artigos incluídos nesta revisão integrativa são apresentados no Quadro 02, e todos os resultados foram interpretados e sintetizados comparando os dados evidenciados na análise dos artigos.
QUADRO 02: VALIDAÇÃO DOS ARTIGOS SELECIONADOS E OS NÍVEIS DE EVIDÊNCIAS




Fonte: Os autores, 2024.
De acordo com as buscas realizadas na metodologia, foi possível a criação de três categorias, sendo elas: “Principais complicações apresentadas pelos pacientes renais crônicos submetidos à hemodiálise”, “Intervenções de enfermagem frente às intercorrências durante as sessões de hemodiálise” e “Obstáculos enfrentados pela equipe de enfermagem nas complicações inerentes às terapias hemodialíticas.”
QUADRO 03: CATEGORIZAÇÃO DAS TEMÁTICAS DO ESTUDO.


Fonte: Os autores, 2024.
5. DISCUSSÃO
5.1 Principais complicações apresentadas pelos pacientes Renais Crônicos submetidos à Hemodiálise.
Durante as sessões de hemodiálise é comum a existência de intercorrências. Observa-se que essa relação está associada com as condições clínicas do paciente, à qualidade da diálise e ao desequilíbrio do volume de água e de eletrólitos (Budhart et al., 2019).
Os homens são mais suscetíveis a Doenças Crônicas, como hipertensão e diabetes, que são os principais fatores de risco para insuficiência renal. Com isso, há uma discreta predominância masculina em diálise renal (Evaristo et al., 2020).
As complicações clínicas mais comuns da hemodiálise estão associadas à elevada morbidade e mortalidade dos pacientes que recebem esse tratamento. Desse modo, esses indivíduos apresentam distúrbios clínicos como hipotensão, náuseas, convulsões e dores de cabeça, além das doenças cardiovasculares, algumas são causadas pela retenção da ingestão de líquidos e eletrólitos e podem ser graves e irreversíveis (Budhart et al., 2019).
O mal-estar é um sinal ou sintoma fisiológico que pode surgir em pacientes durante o procedimento de diálise, frequentemente provocado pelo aumento excessivo de peso nesse período. Os principais sintomas incluem hipotensão, hipertensão, náuseas, vômitos, espasmos musculares e cefaleia (Silva; Mattos, 2019).
A prevalência da hipotensão como complicação intradialítica está relacionada à fragilidade hemodinâmica do paciente e também principalmente devido à grande quantidade de líquido corporal extraído do volume plasmático durante as sessões regulares de diálise e a água acumulada durante a diálise é extraída diretamente por meio de um mecanismo de ultrafiltração (Evaristo et al., 2020).
As cãibras musculares são comumente relatadas pelos pacientes, tanto como complicação da Doença Renal Crônica quanto durante a hemodiálise, e podem afetar membros inferiores, mãos e abdômen. A hipovolemia, hipomagnesemia, deficiência de carnitina e níveis séricos elevados de leptina parecem estar envolvidos no evento (Pretto et al., 2020).
O ganho excessivo de peso pode ocorrer entre sessões de HD e é uma das principais causas de hipertensão. O aumento do volume sanguíneo e a ação inadequada do sistema renina-angiotensina-aldosterona durante a hemodiálise interferem nos mecanismos compensatórios da vasodilatação e aumentam a pressão arterial do paciente (Silva; Mattos, 2019).
O manejo inadequado da Fístula arteriovenosa, FAV, pode ocasionar edemas, trombos, hematomas, infecções e nos casos mais graves o rompimento da anastomose. Sendo um dos principais fatores de risco para internação hospitalar (Evaristo et al., 2020).
Outro problema comum relacionado à pressão arterial durante a diálise é a crise hipertensiva, tendo como principais causas o excesso de sódio, retenção de líquidos e ganho de peso entre diálises (Budhart et al., 2019).
Febre e calafrios são considerados desfechos recorrentes apresentados pelos pacientes durante a terapia dialítica, possivelmente por estarem associados a infecções de acesso vascular e reações febris. Além disso, a diarreia pode estar relacionada com a duração do tratamento de hemodiálise e pode ser um sinal de infecção parasitária intestinal (Pretto et al., 2020).
Os episódios de náuseas e vômitos podem ser ocasionados por episódios de hipotensão durante a diálise, distúrbios gastrointestinais (gastroparesia) ou níveis elevados de sódio ou cálcio no dialisado (Evaristo et al., 2020).
A hipervolemia pode estar relacionada ao excesso de volume de líquidos corporais. As principais características dessa intercorrência foram azotemia, diminuição do hematócrito, edema, alterações eletrolíticas, oligúria, alterações na pressão arterial, ingestão maior que a produção e ansiedade (Pretto et al., 2020).
A dor geralmente é comum em pacientes em diálise, principalmente na região lombar e abdômen, e é relatada com bastante frequência (Evaristo et al., 2020).
O acesso venoso através do cateter duplo lúmen temporário (CTDL), também pode levar a complicações intradialíticas. Os pacientes podem apresentar falta de fluxo de acesso vascular e coagulação do filtro ou sistema. Ressalta-se que esses casos decorrem do possível entortamento do cateter no acesso vascular e da formação de coágulos no dispositivo, afetando a eficácia da aspiração do fluxo sanguíneo através do cateter (Silva; Mattos, 2019).
As infecções estão associadas diretamente aos recorrentes manuseios dos Cateteres, de modo simultâneo com outros pacientes, por um longo período. Onde a propagação ocorre pelo contato indireto e direto em superfícies, equipamentos e pelos profissionais que prestam assistência (Budhart et al., 2019).
Assim, pela observação dos dados analisados, pode-se afirmar que é indispensável que a Equipe de Enfermagem tenha um entendimento claro sobre as principais complicações da hemodiálise e o funcionamento do seu circuito, a fim de proporcionar uma assistência que seja tanto segura quanto de alta qualidade.
5.2 Intervenções de Enfermagem frente às intercorrências durante as Sessões de Hemodiálise.
Nesta categoria buscou-se identificar as intervenções de enfermagem implementadas diante das complicações durante as sessões de hemodiálise.
A hipotensão é o reflexo de um grande volume de plasma que é removido durante a HD. As intervenções de Enfermagem baseiam-se na administração de agentes fisiológicos e hipertônicos, de acordo com a prescrição médica e se necessário posicionar o paciente na posição de Trendelenburg (Spigolon et al.,2018).
No que se refere às complicações como náuseas, é essencial controlar os fatores que agravam esse sintoma, concomitante à terapia medicamentosa de antieméticos, monitorização da ingesta alimentar (Riegel; Sertório; Siqueira, 2018).
As intervenções de enfermagem nas complicações que envolvem o acesso vascular, como a fístula arteriovenosa (FAV), aconselham a interrupção da sessão de HD. Deve-se retirar a agulha, realizar compressão do local até a completa homeostasia e aplica-se gelo no local na primeira horas. Após avaliação, é necessário avaliar e repuncionar com um calibre de agulha menor, para que seja possível o retorno da terapia (Spigolon et al.,2018).
Quando se trata de pacientes que apresentam hipertensão durante a hemodiálise, deve-se ter cuidado para corrigir a causa, ou seja, a hipervolemia. O principal cuidado de enfermagem é observar e controlar a ingestão, edema periférico, alterações no peso do paciente antes e após a diálise e também monitorar a resposta hemodinâmica do indivíduo durante a hemodiálise (Ferreira et al., 2018).
A importância dos cuidados de enfermagem na avaliação clínica do paciente, está relacionada a ações preventivas contra complicações, demonstrando as intervenções determinadas pelo enfermeiro com o objetivo de contribuir para uma melhora de acordo com o tratamento, recuperação e progresso na qualidade de vida do paciente em hemodiálise (Riegel; Sertório; Siqueira, 2018).
5.3 Obstáculos enfrentados pela equipe de Enfermagem nas complicações inerentes às Terapias Hemodialíticas.
A equipe de enfermagem enxerga a ausência de uma educação que combine uma abordagem ativa com o acompanhamento do paciente como um desafio significativo. . Essa metodologia é fundamental para que essas pessoas consigam entender melhor a natureza de sua condição, identificar os fatores de risco e as possíveis complicações resultantes de efeitos adversos.(Corgozinho et al., 2022).
Na prática clínica, ao implementar intervenções de enfermagem padronizadas, o cuidado pode tornar-se automático, logo insuficiente para atender a complexidade e individualidade de cada paciente (Quelca, 2024).
É importante mencionar que a sobrecarga de trabalho e os impasses para implementar diretrizes na assistência continuam a apresentar desafios para a adoção de novas estratégias. Além disso, é preciso destacar que a efetividade e eficácia das intervenções estão intimamente relacionadas à capacitação e ao treinamento dos integrantes da equipe de enfermagem, que frequentemente são considerados como prioridade secundária.
6. CONCLUSÃO
As evidências disponíveis na literatura apontam quais são as intercorrências mais comuns e as intervenções implementadas, corroboram para garantir a segurança e o bem-estar dos pacientes submetidos ao tratamento da Hemodiálise.
Diante do exposto, observa-se que as complicações mais frequentes enfrentadas por pacientes em tratamento dialítico incluem: hipotensão, hipertensão arterial, cãibras musculares, náuseas, cefaleia, febre, infecções e prurido.
Na realização deste estudo, foi possível compreender que para conduzir essas intercorrências, as intervenções de enfermagem devem estar pautadas na avaliação contínua dos sintomas, administração de medicamentos prescritos, monitoramento da pressão arterial, técnica asséptica rigorosa durante a hemodiálise e educação dos pacientes sobre a importância de seguir as orientações médicas e as práticas de higiene adequadas.
Enfatiza-se que a limitação do estudo está relacionada ao fato de não abranger todas as complicações desenvolvidas durante a hemodiálise, mas sim as intercorrências que estão ligadas aos artigos incluídos nesta revisão. Portanto, é necessário levar em consideração esta recomendação para a realização de pesquisas que avaliem o efeito dos cuidados de enfermagem, não apenas para a eliminação de problemas, mas também para a sobrevivência dos pacientes em hemodiálise. Isto permite uma abordagem holística e centrada no paciente para o desenvolvimento de intervenções de enfermagem.
Em síntese, os achados demonstraram a importância do conhecimento da equipe de enfermagem na identificação de sinais e sintomas inerentes ao processo de Hemodiálise que deve estar vinculado à ciência. Isto pode incentivar a investigação e o desenvolvimento de métodos de cuidados baseados em evidências e melhorar a prática de enfermagem nesta área.
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1Enfermeira. Especialista em Enfermagem Clínica e Cirúrgica. Universidade Federal do Estado do Rio de
Janeiro – UNIRIO. Email: andradecamilla4@gmail.com ORCID:https://orcid.org/0000-0002-7557-0556
2Enfermeira. Especialista em Enfermagem Clínica e Cirúrgica. Universidade Federal do Estado do Rio de
Janeiro – UNIRIO. Email:flaviasoaresfv@gmail.com ORCID: https://orcid.org/0009-0003-7191-8193
3Enfermeira. Especialista em Enfermagem Clínica e Cirúrgica. Universidade Federal do Estado do Rio de
Janeiro – UNIRIO. Email: tsalmeida1234@gmail.com ORCID: https://orcid.org/0009-0001-3973-674X
4Enfermeira. Especialista em Enfermagem Obstétrica. Faculdade Bezerra de Araújo – FABA. Email: raquel.costa.2607@gmail.com ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5250-7370
5Enfermeiro. Pós Graduado em Enfermagem em Saúde Pública com ênfase em ESF. FAVENI. Pós Graduado em Urgência e Emergência Hospitalar e Enfermagem em Estomaterapia. Prominas. Email:jonatasdeoliveira96@gmail.com ORCID: https://orcid.org/0009-0002-7546-2579
6Enfermeiro. Pós Graduado em Enfermagem no Trauma, Urgência e Emergência e Unidade de Terapia Intensiva. Instituto Enfermagem de Valor. Email: alessandroaramos.enf@gmail.com ORCID: https://orcid.org/0009-0007-2180-6299
7Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Especialista em Enfermagem Cirúrgica. Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Email: rramos1809@gmail.com ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5175-588X
8Enfermeira. Doutora em Enfermagem. EEAN / UFRJ. Coordenadora do Curso de Pós Graduação em
Nível de Especialização Sob a Forma de Treinamento em Serviço para Enfermeiros, nos Moldes de Residência.
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO. Email: cpgemr.coordenacao@unirio.br ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1324-5640
