INTERCEPTIVE ORTHODONTIC INTERVENTION IN MIXED DENTITION: IDEAL TIMING AND IMPACTS ON OCCLUSAL, FUNCTIONAL, AND AESTHETIC DEVELOPMENT
INTERVENCIÓN ORTODÓNCICA INTERCEPTIVA EN DENTICIÓN MIXTA: MOMENTO IDEAL E IMPACTOS EN EL DESARROLLO OCLUSAL, FUNCIONAL Y ESTÉTICO
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512191230
Jéssica Britto Pena Celis1
Sabrina Amaral Abade1
Sara Sobrinho Oliveira1
Meirianny Aparecida Missias Pereira1
Camila Gomes Caires1
Kamily Victória de Oliveira Silva1
Jéssica BritoAndrade1
Daniel Ferraz Lima2
RESUMO
Objetivo: Analisar o momento ideal para a intervenção ortodôntica interceptativa durante a fase de dentição mista e avaliar o impacto do tratamento precoce no desenvolvimento oclusal, funcional e estético de pacientes pediátricos, com base em evidências científicas atuais. Métodos: O presente estudo consiste em uma revisão narrativa da literatura, de caráter qualitativo, com o propósito de identificar, avaliar e interpretar as evidências existentes sobre a ortodontia interceptativa na dentição mista, enfatizando o momento ideal para sua aplicação e seus efeitos no desenvolvimento oclusal, funcional e estético. Revisão Bibliográfica: Reconhecer alterações no desenvolvimento dentário durante a dentição mista é essencial para evitar que pequenas discrepâncias evoluam para condições mais complexas. Determinar o momento ideal para o início da intervenção interceptativa é desafiador, pois requer compreender tanto o estágio de erupção dentária quanto o desenvolvimento ósseo da criança. Dessa forma, avaliações periódicas ao longo dessa fase tornam-se indispensáveis para identificar precocemente desvios e orientar intervenções adequadas. Conclusão: Com diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo, torna-se possível guiar a erupção dentária, evitar agravamentos e promover melhor equilíbrio oclusal e funcional.
Palavras-chave: Ortodontia Interceptativa, Dentição mista, Intervenção ortodôntica, Má Oclusão, Diagnóstico precoce.
ABSTRACT
Objective: To analyze the ideal timing for interceptive orthodontic intervention during the mixed dentition phase and to evaluate the impact of early treatment on the occlusal, functional, and aesthetic development of pediatric patients, based on current scientific evidence. Methods: This study consists of a qualitative narrative literature review aimed at identifying, evaluating, and interpreting existing evidence on interceptive orthodontics in mixed dentition, emphasizing the ideal timing for its application and its effects on occlusal, functional, and aesthetic development. Literature Review: Recognizing alterations in dental development during mixed dentition is essential to prevent small discrepancies from evolving into more complex conditions. Determining the ideal time to begin interceptive intervention is challenging, as it requires understanding both the stage of dental eruption and the child’s bone development. Thus, periodic assessments throughout this phase become essential to identify deviations early and guide appropriate interventions. Conclusion: With early diagnosis and continuous monitoring, it becomes possible to guide tooth eruption, prevent complications, and promote better occlusal and functional balance.
Keywords: Interceptive Orthodontics, Mixed Dentition, Orthodontic Intervention, Malocclusion, Early Diagnosis.
RESUMEN
Objetivo: Analizar el momento óptimo para la intervención ortodóncica interceptiva durante la dentición mixta y evaluar el impacto del tratamiento precoz en el desarrollo oclusal, funcional y estético de pacientes pediátricos, con base en la evidencia científica actual. Métodos: Este estudio consiste en una revisión narrativa cualitativa de la literatura, cuyo objetivo es identificar, evaluar e interpretar la evidencia existente sobre la ortodoncia interceptiva en la dentición mixta, haciendo hincapié en el momento óptimo para su aplicación y sus efectos en el desarrollo oclusal, funcional y estético. Revisión de la literatura: Reconocer las alteraciones en el desarrollo dental durante la dentición mixta es fundamental para prevenir que pequeñas discrepancias se conviertan en afecciones más complejas. Determinar el momento óptimo para iniciar la intervención interceptiva es un reto, ya que requiere comprender tanto la etapa de erupción dental como el desarrollo óseo del niño. Por lo tanto, las evaluaciones periódicas a lo largo de esta fase son esenciales para identificar desviaciones precozmente y guiar las intervenciones adecuadas. Conclusión: Con un diagnóstico precoz y un seguimiento continuo, es posible guiar la erupción dental, prevenir complicaciones y promover un mejor equilibrio oclusal y funcional.
Palabras Clave: Ortodoncia interceptiva, Dentición mixta, Intervención ortodóncica, Maloclusión, Diagnóstico.
INTRODUÇÃO
A perda prematura dos dentes decíduos pode desencadear problemas na oclusão, ocasionando o encurtamento do arco, a extrusão do antagonista e inclinações dos dentes vizinhos, possibilitando o aparecimento de apinhamento e impacções nos elementos dentários permanentes. Maus hábitos prejudiciais à fonação podem ser gerados na criança devido às alterações dos maxilares, resultando em uma postura inadequada da língua (GUIMARÃES; OLIVEIRA., 2017).
Quando ocorre a perda precoce de um dente decíduo, antes de haver a formação completa do seu sucessor permanente, o osso é remodelado, formando um tecido fibrótico sobre o germe do dente permanente e gerando retardamento da erupção. Todavia, quando o germe está bem desenvolvido, a erupção do dente permanente pode ocorrer de forma normal, não ocasionando perda de espaço (SOUSA; MOMESSO; ZATTA., 2010; GUIMARÃES; OLIVEIRA., 2017).
O conceito de diagnóstico precoce em ortodontia transcende a simples identificação de mal posicionamento dentário, abrangendo uma avaliação abrangente do crescimento e desenvolvimento craniofacial. Durante a dentição mista, o sistema estomatognático encontra-se em constante transformação, caracterizado por processos complexos de erupção dentária, remodelação óssea e adaptação funcional. Compreender esses processos é essencial para distinguir entre variações normais do desenvolvimento e patologias que requerem intervenção terapêutica (FRANCISCO et al., 2024).
A importância do diagnóstico adequado na dentição mista fundamenta-se em diversos aspectos. Primeiramente, do ponto de vista biológico, este período caracteriza-se por maior plasticidade dos tecidos ósseos e por uma resposta mais favorável aos estímulos ortopédicos. O crescimento ativo dos maxilares nessa fase permite correções que seriam impossíveis ou muito mais complexas na dentição permanente. Além disso, a presença simultânea de dentes decíduos e permanentes oferece oportunidades únicas para guiar a erupção e o posicionamento dos dentes permanentes (FRANCISCO et al., 2024). A ortodontia interceptativa tem o objetivo de deter uma anormalidade já existente, permitindo que a oclusão siga um desenvolvimento normal (MOTA; CURADO, 2019).
Quando as intervenções ortodônticas são realizadas precocemente, observam-se maiores benefícios, com baixo custo tanto econômico quanto biológico (PAULIN et al., 2019). As más oclusões podem ser definidas como a desarmonia da disposição dos dentes nos arcos dentários e sua relação com as bases ósseas e estruturas relacionadas, podendo estabelecer-se tanto na dentição decídua quanto na permanente (LOPEZ et al., 2001; LOPES, 2020; MARTINS et al., 2021). Os fatores etiológicos das más oclusões dividem-se em dois grupos: genéticos e ambientais (GARIB et al., 2013). O código genético envolve a hereditariedade e as alterações genéticas que determinam o tipo facial, o padrão esquelético sagital da face, as discrepâncias dente-osso e diversos tipos de anomalias dentárias (GARIB et al., 2013).
Considerando que muitos dos fatores ambientais associados às más oclusões estão relacionados a hábitos orais inadequados e alterações funcionais, os hábitos bucais deletérios tornam-se componentes relevantes no desenvolvimento dessas alterações Tais hábitos são frequentes causadores de danos na dentição decídua, resultantes das variáveis frequência, duração e intensidade do hábito e, quando excedem a tolerância fisiológica, levam ao desequilíbrio do sistema estomatognático e ao desenvolvimento de deformidades oclusais (SILVA FILHO; GARIB, 2013; SILVA et al., 2018). Nesse contexto, manter o espaço de um dente decíduo perdido através da utilização de aparelhos mantenedores ou recuperadores de espaço é essencial para preservar a estabilidade do sistema estomatognático da criança. Esses aparelhos apresentam fácil confecção e instalação, proporcionando resultados clínicos significativos (SOUSA; MOMESSO; ZATTA., 2010; GATTI, MAAHS; BERTHOLD., 2012).
Em face do que foi relatado até aqui, o objetivo do presente estudo foi avaliar a importância da abordagem multidisciplinar no diagnóstico e no manejo interceptativo das alterações presentes durante a dentição mista, destacando como a integração entre áreas como ortodontia, odontopediatria e radiologia contribui para uma identificação mais precisa das desordens e para a definição de condutas terapêuticas mais eficazes. Essa integração permite intervenções oportunas, capazes de prevenir agravamentos, otimizar o desenvolvimento craniofacial e favorecer melhores resultados funcionais e estéticos a longo prazo.
MÉTODOS
A pesquisa em pauta trata-se de uma narrativa da literatura, de natureza qualitativa, cujo propósito foi compilar, examinar e interpretar as evidências científicas disponíveis acerca de analisar a intervenção Ortodôntica Interceptativa na Dentição Mista no Momento Ideal e Impactos no Desenvolvimento Oclusal, Funcional e Estético.
A pesquisa bibliográfica foi conduzida nas bases de dados SciELO, PubMed e Google Escolar, utilizando os descritores: interceptive orthodontics, mixed dentition, early diagnosis. Foram incluídos artigos de 2015 a 2025, disponíveis na íntegra, em português ou inglês, envolvendo seres humanos e relacionados ao tema da revisão.
Os critérios de inclusão consideraram artigos publicados entre 2015 à 2025, disponíveis em texto completo, redigidos em português ou inglês, realizados com seres humanos e que abordassem especificamente analisar a intervenção Ortodôntica Interceptativa na Dentição Mista no Momento Ideal e Impactos no Desenvolvimento Oclusal, Funcional e Estético.
Por se tratar de uma revisão de literatura, não houve participação direta de seres humanos, dispensando a necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa. Ressalta-se que foram observados todos os princípios éticos e legais aplicáveis, assegurando a devida citação e referência de todos os autores e estudos consultados.
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Reconhecer alterações no desenvolvimento dentário ainda na fase de dentição mista é essencial para evitar que pequenas discrepâncias evoluam para problemas maiores. A literatura destaca que essa etapa deve ir além da simples observação clínica, incorporando exames radiográficos e avaliações cefalométricas que ajudam a visualizar assimetrias e padrões iniciais de má oclusão que podem passar despercebidos a olho nu (PROFFIT; FIELDS; SARVER, 2019). Quando esse acompanhamento é realizado de forma contínua, torna-se possível entender melhor o crescimento craniofacial de cada criança e, com isso, planejar intervenções mais assertivas e personalizadas (MCNAMARA; FRANCHI, 2018).
Definir quando iniciar um tratamento interceptativo é um desafio, pois envolve compreender não apenas o estágio dos dentes, mas também o momento de desenvolvimento ósseo. Por isso, avaliações periódicas ao longo da dentição mista são tão importantes. Estudos mostram que sinais como perda precoce de dentes, discrepâncias de espaço e alterações funcionais, combinados com informações radiográficas sobre mineralização e crescimento radicular, ajudam a estabelecer o timing ideal para agir (BACCETTI; FRANCHI; MCNAMARA, 2005). Também se sabe que intervir em fases que coincidem com picos de crescimento pode potencializar os resultados, já que o organismo responde melhor às correções (SATO; VIEIRA, 2020).
A ortodontia interceptativa reúne uma variedade de estratégias pensadas para impedir que más oclusões em formação se tornem mais graves com o tempo. Os mantenedores de espaço, por exemplo, são fundamentais quando há perda precoce de dentes, evitando que o arco dentário se reduza (BELL; LECOMPTE, 2017). Já os expansores palatinos são amplamente utilizados para ampliar a dimensão transversal da maxila. As Pistas de Planas, por sua vez, ajudam a reorganizar padrões funcionais e estimular um equilíbrio muscular adequado. Aparelhos funcionais também são importantes, sobretudo em alterações mandibulares, embora dependam bastante da colaboração da criança para atingir bons resultados (MOYERS, 2016). Cada técnica apresenta vantagens e limites, o que reforça a necessidade de um diagnóstico preciso para escolher a abordagem mais adequada (PROFFIT; FIELDS; SARVER, 2019).
Intervir cedo é importante, mas dificilmente um único profissional consegue abordar todas as dimensões envolvidas no crescimento orofacial. Muitas más oclusões têm origem em fatores musculares, respiratórios ou hábitos orais inadequados, o que exige a colaboração de diferentes áreas da saúde. Trabalhar em conjunto com odontopediatras, fonoaudiólogos, otorrinolaringologistas e fisioterapeutas permite atuar não apenas no dente, mas também na função, garantindo resultados mais completos e estáveis (MILANESI et al., 2021). Alterações como respiração oral, sucção de dedo e deglutição atípica, quando não tratadas, podem comprometer ou até mesmo reverter os ganhos obtidos com o tratamento ortodôntico (Marchesan, 2019).
A tecnologia tem ampliado as possibilidades na ortodontia interceptativa, tornando os tratamentos mais eficientes e confortáveis. O escaneamento intraoral e os modelos digitais substituem moldagens tradicionais e oferecem maior precisão. Ferramentas como softwares de planejamento e impressão 3D permitem simulações detalhadas e confecção de aparelhos personalizados, incluindo alinhadores voltados especificamente para a dentição mista (GRIBEL et al., 2020). Além disso, materiais bioativos, capazes de interagir positivamente com estruturas dentárias e ósseas, abrem caminho para abordagens menos invasivas. No horizonte, tendências como inteligência artificial e monitoramento remoto prometem tornar o acompanhamento do crescimento craniofacial ainda mais dinâmico e preditivo, trazendo novas possibilidades para a interceptação precoce (KAPILA, 2021)
DISCUSSÃO
A literatura evidencia, de forma consistente, que a aparência dentofacial exerce forte influência nas interações sociais, constituindo um fator sensível especialmente durante a adolescência. Nesse período, características como espaços dentários, dentes ausentes, coloração alterada e incisivos superiores proeminentes figuram entre os principais motivos de agressões e apelidos pejorativos, demonstrando uma relação direta entre má oclusão e vulnerabilidade ao bullying (AL-OMARI et al., 2014; AL-BITTAR et al., 2013).
Artese (2019) destaca que adolescentes expostos a esse tipo de violência apresentam até três vezes mais chances de relatar pior qualidade de vida relacionada à saúde bucal, evidenciando o impacto psicossocial significativo dessas alterações. Além disso, o autor ressalta que tais repercussões podem ultrapassar a adolescência, predispondo a quadros de ansiedade, depressão e prejuízos sociais e escolares na vida adulta, conforme também apontado por Wolke e Lereya (2015). Nesse cenário, Artese (2019) reforça que o ortodontista deve assumir um papel ampliado, atento não apenas aos aspectos dentários, mas também aos fatores emocionais, realizando acolhimento adequado, orientando famílias e encaminhando para suporte psicológico quando necessário.
A intervenção ortodôntica interceptativa na dentição mista adquire destaque quando analisada sob a perspectiva do desenvolvimento global da criança. A perda prematura de dentes decíduos, por exemplo, não se configura como um evento isolado, mas desencadeia uma série de alterações estruturais no arco dentário. Guimarães e Oliveira (2017) descrevem que essas perdas podem levar ao encurtamento do arco, inclinações e extrusões dos dentes adjacentes, favorecendo o surgimento de apinhamentos e dificultando a trajetória eruptiva dos permanentes. De modo complementar, Sousa, Momesso e Zatta (2010) observam que, quando a formação radicular do dente permanente ainda não está concluída, o processo de cicatrização óssea pode resultar em barreiras fibrosas que retardam sua erupção, reforçando a importância de um acompanhamento clínico contínuo durante essa fase de intensa dinâmica biológica.
A etiologia multifatorial das más oclusões reforça essa necessidade de abordagem abrangente. Garib et al. (2013) demonstram que fatores genéticos influenciam o padrão ósseo e facial, enquanto fatores ambientais especialmente os hábitos bucais deletérios exercem impacto significativo no equilíbrio funcional do sistema estomatognático. Silva Filho e Garib (2013) enfatizam que, quando persistentes, esses hábitos podem ultrapassar limites fisiológicos, ocasionando deformidades estruturais. Para uma avaliação completa, exames complementares como radiografias e análises cefalométricas tornam-se indispensáveis, uma vez que permitem a visualização de estruturas não perceptíveis clinicamente (PROFFIT; FIELDS; SARVER, 2019).
Nesse contexto, o diagnóstico precoce assume papel central. Ele não se limita à observação das posições dentárias, mas envolve a interpretação integrada dos sinais de crescimento e desenvolvimento craniofacial. Francisco et al. (2024) ressaltam que a dentição mista corresponde a um período de elevada plasticidade óssea, constituindo uma janela biológica favorável para intervenções ortodônticas mais eficazes e menos invasivas do que aquelas realizadas na dentição permanente. Assim, a identificação oportuna de desvios do padrão normal é essencial para o planejamento racional e eficiente da conduta terapêutica.
O momento da intervenção, ou timing, constitui outro elemento determinante na ortodontia interceptativa. Baccetti, Franchi e McNamara (2005) evidenciam que parâmetros como mineralização dentária e estágio de crescimento radicular devem ser utilizados para definir o momento correto de intervir. Além disso, intervenções realizadas durante picos de crescimento podem potencializar os resultados, tornando o tratamento mais biológico e previsível, como destacado por Sato e Vieira (2020).
Dentro desse contexto, as estratégias interceptativas desempenham papel fundamental na prevenção de agravamentos oclusais. Mantenedores de espaço, conforme indicam Bell e Lecompte (2017), são indispensáveis após a perda prematura de dentes decíduos, prevenindo o colapso do arco. Da mesma forma, aparelhos funcionais e ortopédicos como expansores palatinos, pistas de Planas e dispositivos miofuncionais contribuem para a reorganização funcional, ampliação transversal e modulação muscular (MOYERS, 2016). Contudo, a seleção de qualquer recurso terapêutico deve ser pautada em diagnóstico individualizado e análise criteriosa, como reforçado por Proffit, Fields e Sarver (2019).
Outro aspecto de grande relevância é a natureza interdisciplinar dessa abordagem. Alterações funcionais como respiração oral, postura inadequada da língua e deglutição atípica frequentemente participam do surgimento e da manutenção de más oclusões. Milanesi et al. (2021) e Marchesan (2019) demonstram que a integração entre ortodontistas, fonoaudiólogos, otorrinolaringologistas, fisioterapeutas e odontopediatras é essencial para uma abordagem que não apenas trate o sintoma, mas elimine a causa, reduzindo o risco de recidivas.
Adicionalmente, os avanços tecnológicos têm ampliado significativamente a precisão diagnóstica e o controle terapêutico. O uso de scanners intraorais, modelos digitais, softwares de planejamento e tecnologias aditivas, como a impressão 3D, tem proporcionado maior acurácia, previsibilidade e conforto ao paciente (GRIBEL et al., 2020). Kapila (2021) destaca que a incorporação da inteligência artificial representa um caminho promissor, permitindo monitoramento contínuo do tratamento e predições mais assertivas do crescimento craniofacial e das respostas biomecânicas.
Em síntese, a ortodontia interceptativa na dentição mista constitui uma ferramenta essencial para promover o desenvolvimento oclusal e facial saudável. Seu sucesso depende da combinação entre diagnóstico precoce, compreensão dos mecanismos de crescimento, definição apropriada do timing, atuação interdisciplinar e incorporação de tecnologias avançadas. Quando conduzida de maneira criteriosa, essa abordagem contribui significativamente para a prevenção de complicações futuras, promovendo funcionalidade, estética e melhor qualidade de vida.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A intervenção ortodôntica interceptativa na dentição mista evidencia-se como uma estratégia fundamental para prevenir e controlar o desenvolvimento de más oclusões, especialmente diante de fatores como perda precoce de dentes decíduos, hábitos orais deletérios e discrepâncias de espaço. A literatura destaca que essa fase do desenvolvimento apresenta grande plasticidade óssea e oportunidades únicas para guiar a erupção e corrigir alterações ainda iniciais, o que torna o tratamento mais simples, assertivo e biologicamente favorável.
Além disso, o diagnóstico precoce, aliado ao uso de exames complementares e ao suporte multiprofissional, potencializa os resultados e contribui para uma abordagem mais completa e individualizada. Os avanços tecnológicos, como escaneamento digital e impressão 3D, reforçam a precisão das intervenções e ampliam as possibilidades terapêuticas. Assim, intervir no momento ideal da dentição mista não só evita agravamentos futuros, como também promove equilíbrio oclusal, funcional e estético, garantindo melhor qualidade de vida ao paciente.
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1Faculdade Independente do Nordeste (FAINOR), Vitória da Conquista – Bahia. *E-mail: jessica.brittopena@gmail.com
2Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE), Governador Valadares – MG.
