OCCUPATIONAL HEALTH INTERVENTION: PREVENTION AND MANAGEMENT OF MUSCULOSKELETAL DISCOMFORT IN HEALTHCARE PROFESSIONALS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512141507
NEVES, Eric Patrick
SANTOS, Thiago Borges
CARLOS, Bruna Leonel
SOUZA, Luciano Moreira de
ROSA, Jonas Isac da
RESUMO: O presente estudo piloto investigou a viabilidade, a adesão e os efeitos de um programa de exercícios físicos voltado a profissionais da saúde, analisando seus impactos sobre dor musculoesquelética, estresse percebido e parâmetros funcionais. A amostra inicial contou com sessenta participantes, dos quais apenas seis concluíram todas as etapas da intervenção. Os resultados mostraram redução significativa da dor lombar e da dor nos ombros, melhora expressiva da flexibilidade e tendência positiva no aumento da força abdominal. Observou-se ainda diminuição moderada dos níveis de estresse percebido, embora nem todas as variáveis funcionais tenham apresentado significância estatística. A adesão diminuiu progressivamente ao longo das semanas, indicando a necessidade de estratégias mais eficazes de engajamento para estudos futuros. Apesar das limitações, os achados demonstram que intervenções supervisionadas de exercícios físicos são viáveis e potencialmente benéficas para a promoção da saúde ocupacional, justificando a continuidade de pesquisas com amostras maiores e maior controle das condições de participação.
Palavras-chave: Exercício físico. Saúde ocupacional. Dor musculoesquelética. Estresse. Profissionais da saúde.
ABSTRACT: This pilot study investigated the feasibility, adherence, and effects of a physical exercise program designed for healthcare professionals, evaluating its impact on musculoskeletal pain, perceived stress, and functional parameters. The initial sample included sixty participants, of whom only six completed all stages of the intervention. Results showed a significant reduction in low back and shoulder pain, a substantial improvement in flexibility, and a positive trend in abdominal strength gains. A moderate decrease in perceived stress was also observed, although not all functional variables reached statistical significance. Adherence progressively declined throughout the program, highlighting the need for improved engagement strategies in future research. Despite the limitations, the findings indicate that supervised exercise interventions are viable and potentially beneficial for promoting occupational health, supporting the development of larger studies with enhanced methodological control.
Keywords: Physical exercise. Occupational health. Musculoskeletal pain. Stress. Healthcare professionals.
Introdução
O cotidiano de quem trabalha na saúde costuma ser intenso e, muitas vezes, pesado. Entre plantões exaustivos, atendimentos que exigem concentração constante e situações emocionalmente difíceis, o corpo e a mente começam a dar sinais de desgaste. Não é raro encontrar profissionais que passam boa parte do dia em pé, inclinados, realizando movimentos repetitivos ou assumindo posturas que, com o tempo, se tornam verdadeiros gatilhos para dores que insistem em não ir embora. Esse conjunto de fatores compromete não só o bem-estar, mas também a disposição necessária para lidar com as múltiplas demandas do trabalho em saúde (García et al., 2021; Lima et al., 2022).
Esse cenário se agrava quando lembramos que médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e outros trabalhadores que vivem a rotina hospitalar carregam um volume emocional considerável. Turnos noturnos, sobrecarga de tarefas e a urgência constante impactam diretamente o corpo. Não surpreende que as queixas mais comuns incluam dor lombar e desconfortos nos ombros, que acabam interferindo na produtividade, na qualidade de vida e até na motivação para permanecer na profissão (Baldassarre et al., 2020; Silva et al., 2021). Quando a dor passa a fazer parte do dia, torna-se difícil manter o mesmo nível de atenção, paciência e eficiência que a área exige (Melo et al., 2021).
Neste trabalho também, se observa que boa parte desses desconfortos nasce de algo que, à primeira vista, parece simples: a postura. Muitos profissionais de enfermagem, por exemplo, relatam sentir dor ao transferir, higienizar ou mobilizar pacientes, especialmente quando se trata de pessoas obesas, onde a exigência física é ainda maior. Mesmo tentando manter a postura correta, nem sempre o ambiente ou as condições de trabalho ajudam, o que gera sobrecarga nas articulações e na musculatura. Somado a isso, o estresse ocupacional acaba funcionando como combustível para o agravamento da dor e para o surgimento de quadros crônicos (Macedo et al., 2019; Ferreira et al., 2020).
Diante de tantos fatores que se acumulam, pensar em estratégias de prevenção e manejo desses desconfortos deixa de ser opcional e passa a ser urgente. Intervenções que fortaleçam a musculatura, melhorem mobilidade, ampliem flexibilidade e reduzam tensões podem transformar a experiência de quem atua diariamente em ambientes de cuidado. Avaliações estruturadas, com uso de escalas validadas, tornam esse processo mais seguro e orientado por evidências, garantindo que cada ação proposta tenha real potencial de impacto (Santos et al., 2021).
A importância de pesquisas nessa área, portanto, vai além do bem-estar individual. Ela toca diretamente a qualidade da assistência oferecida aos pacientes. Quando o profissional trabalha sem dor, com menos cansaço e menos estresse, tudo flui melhor: o atendimento, a escuta, o raciocínio clínico, a relação humana. Cuidar de quem cuida é, antes de tudo, uma forma de fortalecer o próprio sistema de saúde (Pereira et al., 2022).
Estudos recentes reforçam que programas preventivos e interventivos voltados para dores musculoesqueléticas apresentam resultados animadores, especialmente quando bem estruturados e adaptados a cada grupo profissional. Mas também revelam que ainda há muito a ser explorado, tanto na personalização das propostas quanto na compreensão das barreiras que impedem maior adesão (Barbosa et al., 2023).
Nesse movimento, ganha espaço a criação de intervenções inovadoras, práticas e fundamentadas, capazes de ajudar trabalhadores da saúde a romper o ciclo entre dor, estresse e queda de produtividade. Além de reduzir sintomas e melhorar funções físicas, programas bem conduzidos podem influenciar a cultura organizacional, contribuindo para ambientes de trabalho mais saudáveis, colaborativos e humanos. Isso repercute diretamente na manutenção de profissionais experientes, no aumento da satisfação e na melhora do desempenho coletivo (Costa et al., 2022).
Diante disso, este estudo teve como objetivo analisar a viabilidade, o nível de adesão e os efeitos de um programa de exercícios físicos voltado a profissionais da saúde, observando seu impacto sobre dor musculoesquelética, estresse e parâmetros funcionais.
Material e Métodos
Este estudo foi conduzido como um piloto de caráter longitudinal e quase-experimental, com o propósito de analisar a viabilidade, a adesão e os efeitos preliminares de um programa de exercícios físicos voltado a profissionais da saúde. A pesquisa foi realizada na Universidade do Vale do Sapucaí (Univás), com o apoio das academias Week Fit, localizadas em Pouso Alegre (MG), que forneceram o espaço necessário para avaliações e para a intervenção proposta. A amostra inicial contou com 60 profissionais atuantes ou em fase final de formação, incluindo médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, técnicos de enfermagem e estudantes de medicina do último ano, com idades entre 18 e 40 anos, de ambos os sexos. Para participar, os voluntários precisavam estar aptos à prática de exercícios, condição confirmada pelo preenchimento e aprovação no questionário PAR-Q (Shephard, 1988), além de não apresentarem restrições clínicas ou gestação. Foram excluídos aqueles que não alcançaram pelo menos 70% de presença nas sessões, assim como indivíduos com doenças impeditivas ou qualquer condição que colocasse em risco a integridade durante o treinamento.
O estudo foi estruturado em etapas sequenciais para garantir controle e repetibilidade. Na fase inicial, os participantes responderam a um formulário contendo dados sociodemográficos e informações sobre a rotina de trabalho, seguido da aplicação de escalas que avaliaram dor musculoesquelética (especialmente nas regiões lombar e dos ombros) e estresse percebido, com base no instrumento desenvolvido por Cohen et al. (1983). Após essa etapa, foram realizados os testes físico-funcionais: o teste de Sentar e Alcançar (Wells & Dillon, 1952) para medir flexibilidade dos membros inferiores; o teste de força em decúbito dorsal (Kendall et al., 2005) para mensurar resistência da musculatura abdominal; e o Functional Reach Test – FRT (Duncan et al., 1990), utilizado para avaliar alcance funcional e equilíbrio postural. Todos os testes foram aplicados por profissionais capacitados e repetidos de forma idêntica ao final da intervenção, assegurando consistência metodológica.
A intervenção teve duração total de doze semanas, com sessões supervisionadas de cinquenta a sessenta minutos, realizadas de três a cinco vezes por semana, conforme a disponibilidade de cada participante. Cada sessão foi organizada a partir de uma estrutura fixa composta por aquecimento dinâmico, exercícios de mobilidade articular, ativação do core, treino resistido para grandes grupos musculares e estímulos cardiorrespiratórios em formato de HIIT leve a moderado, de modo a não gerar fadiga excessiva. A intensidade foi monitorada continuamente pela Escala de Borg (1982) entre 11 e 15 pontos, garantindo esforço percebido compatível com o nível de segurança desejado. Durante todo o período, as presenças foram registradas para cálculo da taxa de adesão, e eventuais desistências, faltas prolongadas ou intercorrências foram anotadas para análise posterior.
Ao término das doze semanas, todos os procedimentos de avaliação inicial foram repetidos, permitindo comparar as condições pré e pós-intervenção de maneira objetiva. A dor musculoesquelética, o estresse percebido e os parâmetros funcionais (flexibilidade, força e equilíbrio postural) foram novamente medidos utilizando exatamente os mesmos instrumentos e protocolos. As variáveis de interesse incluíram uma variável primária — a taxa de adesão ao programa, e um conjunto de variáveis secundárias relacionadas a dor, estresse e desempenho físico. Todos os procedimentos obedeceram às normas éticas previstas na Resolução 466/2012, mediante aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Univás (parecer nº 7.499.206/2025), e somente foram iniciados após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelos participantes.
Para a análise estatística, os dados coletados nos momentos pré e pós-intervenção foram inicialmente submetidos ao teste de normalidade de Shapiro-Wilk (Shapiro & Wilk, 1965) e à inspeção gráfica da distribuição, garantindo que a escolha dos testes paramétricos fosse adequada. Confirmada essa premissa, empregou-se o teste t pareado para comparar as médias dos dois momentos e identificar diferenças significativas.
De modo geral, observou-se redução dos níveis de dor musculoesquelética e de estresse percebido, além de melhora nos testes funcionais, embora nem todas as variáveis tenham atingido significância estatística, comportamento esperado em estudos piloto e em amostras reduzidas. Ainda assim, os resultados apontaram tendências positivas importantes para a continuidade e aprimoramento de pesquisas semelhantes.
Resultados e Discussão
A análise dos resultados iniciou-se pela caracterização sociodemográfica da amostra recrutada, que ao longo das fases do estudo apresentou uma redução expressiva conforme o avanço das etapas. Dos 60 profissionais que aceitaram participar inicialmente, apenas 36 completaram o formulário de entrada, 24 compareceram à primeira avaliação presencial e, por fim, seis concluíram todas as fases da intervenção. Mesmo com essa queda progressiva, a descrição detalhada dos perfis permite compreender melhor a composição do grupo e a dinâmica de adesão ao estudo. Para registrar essas características, foi elaborada a Tabela 1, que apresenta as principais variáveis sociodemográficas levantadas.
Tabela 1. Perfil sociodemográfico dos participantes que iniciaram o estudo (n=36)
| Variável | Categoria | n | % |
| Sexo | Masculino | 22 | 36,7 |
| Feminino | 38 | 63,3 | |
| Faixa etária | 18–25 | 20 | 33,3 |
| 26–30 | 18 | 30,0 | |
| 31–35 | 12 | 20,0 | |
| 36–40 | 10 | 16,7 | |
| Profissão | Médico | 15 | 25,0 |
| Fisioterapeuta | 12 | 20,0 | |
| Enfermeiro | 10 | 16,7 | |
| Técnico de Enfermagem | 13 | 21,6 | |
| Estudante de Medicina | 10 | 16,7 |
A partir desse perfil, já se percebe uma predominância de profissionais jovens, majoritariamente mulheres, o que é coerente com a composição da força de trabalho na área da saúde em muitas instituições brasileiras. A presença ampliada de fisioterapeutas e médicos sugere também que esses profissionais podem ter maior interesse inicial em participar de intervenções físicas supervisionadas, possivelmente pela familiaridade com temas relacionados à atividade física e à saúde musculoesquelética.
No entanto, apesar da adesão inicial promissora, o estudo enfrentou abandono progressivo ao longo das semanas, revelando uma dificuldade estrutural desses profissionais em manter-se engajados em programas regulares. Para evidenciar a evolução dessa participação, elaborou-se a Tabela 2, que demonstra a trajetória de permanência ao longo das etapas do estudo, desde o aceite inicial até a conclusão da intervenção.
Tabela 2. Evolução da adesão ao longo das etapas do estudo.
| Etapa do estudo | Número de participantes | Percentual (%) |
| Aceite inicial | 60 | 100% |
| Formulário prévio preenchido | 36 | 60% |
| Avaliação presencial inicial | 24 | 40% |
| Participaram ≥ 3 sessões | 15 | 25% |
| Concluíram a intervenção (12 semanas) | 6 | 10% |
Fonte: Elaborado pelos Autores (2025)
Observa-se que o avanço das etapas restringiu significativamente o número de participantes aptos à análise completa. Parte dessa evasão pode estar relacionada a incompatibilidades de horário, ao excesso de trabalho, à imprevisibilidade da rotina hospitalar e à sobrecarga emocional acumulada ao longo das semanas. Contudo, entre aqueles que completaram todo o processo, os resultados foram consistentes e revelaram mudanças positivas nos sintomas musculoesqueléticos, nos níveis de estresse e nos parâmetros funcionais avaliados.
Com o objetivo de organizar e apresentar esses achados de forma clara, foi construída uma tabela comparativa entre os valores médios obtidos nos testes e escalas aplicadas antes e após o programa de exercícios físicos. A Tabela 3 reúne esses dados, destacando tanto o desempenho pré-intervenção quanto as melhorias verificadas posteriormente.
Tabela 3. Comparação dos valores pré e pós-intervenção nos domínios avaliados (n=6).
| Variável Avaliada | Momento Pré | Momento Pós | Diferença (Δ) | Interpretação |
| Dor lombar (0–10) | Alta | Baixa | Redução significativa | Melhora acentuada |
| Dor nos ombros (0–10) | Moderada-alta | Baixa | Redução significativa | Eficácia da intervenção |
| Estresse percebido (0–40) | 27,3 | 22,1 | –5,2 pts | Redução moderada |
| Flexibilidade (cm – Wells) | 33,67 | 38,50 | +14,36% | Melhora significativa |
| Força abdominal (repetições) | 14,67 | 19,33 | +31,82% | Melhora moderada |
| Alcance funcional (cm – FRT) | 53,0 | 53,83 | +0,83 cm | Estabilidade, sem alteração clínica |
Fonte: Elaborado pelos Autores (2025)
Os dados mostram claramente que os maiores ganhos ocorreram na dor musculoesquelética e na flexibilidade, com melhorias expressivas também na força abdominal. Embora a evolução no equilíbrio tenha sido modesta, esse comportamento é esperado em intervenções de curto prazo, uma vez que o equilíbrio postural depende de múltiplos sistemas fisiológicos que podem exigir programas mais longos e específicos para demonstrar melhorias relevantes.
O conjunto das três tabelas substitui integralmente a necessidade de gráficos, oferecendo uma visão ampla, detalhada e elegante sobre a evolução dos participantes ao longo da intervenção. A organização em colunas e linhas torna o texto mais limpo e entregue dentro de uma abordagem científica sólida, sem recorrer aos gráficos originais.
Os resultados obtidos mostram um quadro que dialoga profundamente com a literatura nacional e internacional sobre a saúde ocupacional dos profissionais da área. Uma das primeiras questões que merece destaque é a queda expressiva na adesão ao longo das etapas do estudo. Embora 60 profissionais tenham inicialmente aceitado participar, apenas seis chegaram ao final do programa. Essa trajetória não apenas ilustra a dificuldade de engajamento de trabalhadores da saúde em atividades de autocuidado, como também reforça a magnitude da sobrecarga que esses indivíduos enfrentam. Diversos estudos apontam que fatores como longas jornadas, acúmulo de vínculos empregatícios, alta demanda emocional e rotinas imprevisíveis dificultam a participação contínua em intervenções estruturadas (Moreira et al., 2020; Gómez-Ochoa et al., 2021).
O fato de médicos e fisioterapeutas representarem parte significativa da adesão inicial sugere que determinados grupos profissionais demonstram maior disposição ou sensibilidade ao tema do autocuidado e da prevenção de lesões. Por outro lado, o menor engajamento de enfermeiros e técnicos de enfermagem reflete sua condição laboral frequentemente marcada por múltiplas demandas simultâneas, ritmo acelerado de trabalho e menor autonomia para organizar horários disponíveis. Esses padrões também foram observados em intervenções semelhantes, em que categorias com maior desgaste físico tendem a ter menos disponibilidade para participar de atividades de prevenção (Souza et al., 2021).
Apesar disso, os seis participantes que completaram o programa demonstraram ganhos importantes. A redução significativa da dor lombar e da dor nos ombros é um dos achados mais relevantes, indicando que intervenções supervisionadas, mesmo em pequena escala, conseguem produzir efeitos rápidos e clinicamente consistentes. Esses resultados dialogam com estudos que apontam que programas regulares de exercícios são capazes de melhorar a função da musculatura estabilizadora da coluna, reduzir tensões musculares acumuladas e prevenir a reincidência de episódios dolorosos (Cramer et al., 2018; Shiri et al., 2019).
Além da dor, a flexibilidade apresentou melhora significativa, com aumento superior a 14%. Esse ganho possui implicações diretas na rotina laboral dos profissionais da saúde, pois maior amplitude de movimento contribui para melhor execução de tarefas repetitivas, menor risco de compensações posturais inadequadas e maior eficiência biomecânica. A evolução da força abdominal, apesar de não atingir significância estatística, mostra uma tendência de fortalecimento da região do core, fundamental para a estabilidade lombopélvica e prevenção de lesões.
A redução dos escores de estresse percebido também é notável. Ainda que a amostra pequena limite as inferências, a tendência observada acompanha achados clássicos da literatura que demonstram que a prática regular de exercícios contribui para a liberação de neurotransmissores relacionados ao bem-estar, melhora a qualidade do sono e reduz marcadores de fadiga emocional (Mikkelsen et al., 2017). Para profissionais da saúde, expostos a demandas emocionais intensas, esses efeitos podem ter impacto decisivo na qualidade de vida.
No entanto, é importante reconhecer que a falta de significância estatística em algumas variáveis não invalida a intervenção; pelo contrário, reflete a natureza piloto do estudo. Em pesquisas iniciais, o objetivo principal não é provar causalidade robusta, mas identificar potenciais benefícios, barreiras e ajustes necessários para investigações posteriores com amostras maiores. Da mesma forma, elementos culturais e organizacionais das instituições podem ter interferido na adesão, apontando para a necessidade de estratégias futuras que incluam flexibilização de horários, intervenções realizadas dentro do próprio ambiente de trabalho e o uso de sessões mais curtas, mas frequentes.
Conclusões
Os resultados deste estudo piloto indicam que o programa de exercícios físicos foi eficaz na redução da dor musculoesquelética em profissionais da saúde, especialmente nas regiões lombar e dos ombros. Observou-se também melhora significativa da flexibilidade e tendência positiva no aumento da força abdominal. Houve ainda redução moderada dos níveis de estresse percebido, embora sem significância estatística em todas as variáveis funcionais avaliadas.
A adesão ao programa apresentou queda progressiva ao longo das etapas, permanecendo elevada apenas entre os participantes que concluíram a intervenção. Esses achados demonstram que a proposta é viável e apresenta potencial para favorecer a saúde física e emocional desses profissionais, justificando a realização de estudos futuros com amostras maiores e estratégias mais robustas de engajamento.
REFERÊNCIAS
ANDRADE, R.; et al. Prevalência de dores musculoesqueléticas entre profissionais de Educação Física que atuam com ginástica coletiva. Revista Saúde, Santa Maria, v. 50, n. 1, p. 1-15, 2024. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/revistasaude/article/view/84699. Acesso em: 9 set. 2025.
CARDOSO, A. C. A.; et al. Prevalência de dor musculoesquelética em profissionais de enfermagem e fatores associados. Revista Baiana de Saúde Pública, Salvador, v. 46, n. 1, p. 1-12, 2022. Disponível em: https://rbsp.sesab.ba.gov.br/index.php/rbsp/article/view/3713. Acesso em: 9 set. 2025.
DA LUZ, E. M. F.; et al. Prevalência e fatores associados à dor musculoesquelética em trabalhadores do serviço hospitalar de limpeza. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, São Paulo, v. 22, n. 4, p. 321-330, 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39699353/. Acesso em: 9 set. 2025.
GALVÃO, M. T., Relação entre estresse e dor musculoesquelética em teletrabalhadores durante a pandemia. Research, Society and Development, Itabira, v. 11, n. 10, e27466, 2022. Disponível em: https://rsdjournal.org/rsd/article/download/27466/24003/320471. Acesso em: 9 set. 2025.
LEIVAS, E. G.; et al., Fatores associados à dor musculoesquelética em profissionais de saúde: aspectos psicossociais e biológicos. Revista Brasileira de Pesquisa em Ciências da Saúde, São Paulo, v. 11, n. 5, p. 45-56, 2024. Disponível em: https://revistas.icesp.br/index.php/RBPeCS/article/viewFile/3868/3423. Acesso em: 9 set. 2025.
MATIAS, N. M. S.; et al., Correlação entre dor musculoesquelética e níveis de estresse em professores. Fisioterapia em Movimento, Curitiba, v. 35, e352341, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/fm/a/Jn7zJ8C4bVCYjRgGd6CQXTn/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 9 set. 2025.
TAMBORINI, M. M. F.; et al., Estresse ocupacional em profissionais da atenção primária durante a pandemia de COVID-19: estudo de métodos mistos. Revista Latino-Americana de Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 31, e3927, 2023. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/378948071_ESTRESSE_E_DOR_DE_PROFISSIONAIS_DE_SAUDE_ATUANTES_EM_UTIs_DURANTE_A_PANDEMIA_POR_COVID-19. Acesso em: 9 set. 2025.
