INTERNAÇÃO HOSPITALAR DEVIDO AO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO NA PARAÍBA

HOSPITALIZATION DUE TO ACUTE MYOCARDIAL INFARCTION IN PARAIBA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511171833


Nigessia Dutra de Oliveira
Célio Diniz Machado Neto
Marco Aurelio Dantas Rodrigues
Helder Italo Dantas de Sousa


RESUMO

O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) constitui um problema relevante para a saúde pública no Brasil, devido ao seu impacto físico, social e econômico. Na Paraíba, as desigualdades regionais dificultam o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado, tornando fundamental a caracterização do perfil das internações hospitalares. O presente estudo teve como objetivo descrever essas internações no estado entre 2019 e 2024, utilizando abordagem descritiva temporal e espacial, com dados obtidos do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Durante o período analisado, ocorreram 12.273 internações por IAM predominando em homens (59,1%), principalmente na faixa etária de 50 a 69 anos.  Entre as mulheres, as hospitalizações concentraram-se em idades mais avançadas, destacando-se a partir dos 80 anos. O tempo médio de internação foi de aproximadamente sete dias, sendo maior entre pacientes de 65 a 74 anos, refletindo maior gravidade clínica e presença de comorbidades. A mortalidade hospitalar aumentou progressivamente com a idade, alcançando os valores mais elevados em indivíduos com mais de 80 anos, com mulheres idosas apresentando taxas proporcionalmente superiores. Em relação aos custos hospitalares, os maiores gastos concentraram-se em homens de 55 a 69 anos, devido ao maior número de internações e procedimentos de maior complexidade. Entretanto, a partir dos 70 anos, as mulheres também apresentaram aumento expressivo nos custos, associado à maior permanência hospitalar e aos desfechos clínicos desfavoráveis. Os resultados demonstram que o IAM continua sendo uma condição de alta relevância na Paraíba, atingindo sobretudo homens em idade produtiva e mulheres idosas, além de gerar considerável impacto econômico ao SUS. Destaca-se a necessidade de estratégias preventivas voltadas para homens adultos e de ações específicas para diagnóstico precoce e manejo adequado de mulheres idosas, com o objetivo de reduzir desigualdades e melhorar os resultados clínicos.

Palavras-chave: Infarto Agudo do Miocárdio; Internações hospitalares; Mortalidade; Sistema Único de Saúde; Paraíba.

ABSTRACT

Acute Myocardial Infarction (AMI) is a significant public health issue in Brazil, with substantial physical, social, and economic impacts. In the state of Paraíba, regional disparities hinder timely diagnosis and adequate treatment, making it essential to characterize the profile of hospitalizations. This study aimed to describe AMI-related hospital admissions in Paraíba between 2019 and 2024, using a descriptive temporal and spatial approach, based on data from the Hospital Information System of the Brazilian Unified Health System (SIH/SUS). During the study period, 12,273 AMI hospitalizations were recorded, with a predominance of men (59.1%), particularly aged 50–69 years. Among women, hospitalizations were concentrated in older age groups, especially those aged 80 years and above. The average length of stay was approximately seven days, higher among patients aged 65–74 years, reflecting greater clinical severity and comorbidities. Hospital mortality progressively increased with age, reaching the highest rates in individuals over 80 years, with elderly women showing proportionally higher mortality. Regarding hospitalization costs, the highest expenses were observed among men aged 55–69 years, due to the greater number of admissions and complex procedures. However, women over 70 years also showed a marked increase in costs, associated with longer hospital stays and adverse clinical outcomes. The findings indicate that AMI remains a major health concern in Paraíba, affecting mainly men of working age and elderly women, while generating a significant economic burden on the SUS. These results highlight the need for preventive strategies targeted at adult men and specific actions for early diagnosis and appropriate management of elderly women, aiming to reduce health disparities and improve clinical outcomes.

Keywords: Acute Myocardial Infarction; Hospitalizations; Mortality; Brazilian Unified Health System; Paraíba.

INTRODUÇÃO

O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) permanece como uma das principais emergências cardiovasculares em todo o mundo, responsável por parcela significativa da morbimortalidade global. Estima-se que, anualmente, cerca de 18 milhões de pessoas percam a vida em decorrência de doenças cardíacas isquêmicas, com o IAM representando a forma mais dramática dessa condição (Organização Mundial da Saúde, 2023). No Brasil, esse cenário reflete-se tanto nos elevados índices de internação quanto nas taxas de óbito hospitalar, colocando o IAM entre as principais causas de demanda nos serviços de saúde pública (Ministério da Saúde, 2022).

Em termos fisiopatológicos, o IAM decorre da obstrução aguda de um ramo da artéria coronária, geralmente provocada pela ruptura de placas ateroscleróticas e consequente formação trombótica. A isquemia prolongada leva à necrose do miocárdio, situação que exige intervenção médica imediata para minimizar danos irreversíveis. Diversos fatores predisponentes contribuem para esse quadro, destacando-se a hipertensão arterial, o diabetes mellitus, o tabagismo, as alterações lipídicas, o sedentarismo e a obesidade, além da influência genética (Silva et al., 2021; Almeida et al., 2020).

No Nordeste brasileiro, notadamente na Paraíba, o impacto do IAM reveste-se de particular gravidade. Dados recentes da Secretaria de Saúde do Estado apontam que o infarto ocupa o topo das causas de internações por eventos cardiovasculares em hospitais públicos locais, evidenciando não apenas a alta prevalência de fatores de risco, mas também as lacunas no acesso a cuidados especializados (SES-PB, 2022). O problema agrava-se em municípios mais distantes dos centros urbanos, onde a assistência primária apresenta cobertura insuficiente e os leitos de terapia intensiva cardiológica são escassos (Costa et al., 2020).

Além do aspecto clínico-epidemiológico, o IAM impõe pesado ônus econômico ao sistema de saúde. Estimativas do DATASUS (2023) indicam que os custos diretos com internações por infarto atingem centenas de milhões de reais anualmente, decorrentes de procedimentos invasivos, longa permanência hospitalar e necessidade de reabilitação pós-evento. Na Paraíba, essa realidade é exacerbada pela concentração de recursos nas regiões metropolitanas, o que onera ainda mais as redes de transporte e acolhimento de pacientes oriundos de áreas rurais.

Outro desafio relevante é a subnotificação e a fragmentação de dados epidemiológicos, que dificultam a elaboração de políticas públicas coerentes e direcionadas. A ausência de vigilância integrada prejudica a identificação de padrões de ocorrência do IAM nos diferentes estratos sociais e geográficos do estado, comprometendo a efetividade das estratégias preventivas (Santos et al., 2021; Alves et al., 2019).

Considerando este panorama, o presente estudo tem por objetivo geral caracterizar o perfil das internações hospitalares por IAM na Paraíba, no período de 2019 a 2024. Para tanto, propõem-se os seguintes objetivos específicos: 1) mapear a distribuição de casos segundo faixa etária e sexo; 2) quantificar a média de dias de internação e a incidência de óbitos intra-hospitalares; e 3) avaliar os gastos financeiros associados ao tratamento dessas internações. Espera-se que este trabalho forneça subsídios para o aprimoramento da atenção básica, a organização da rede de urgência e a formulação de ações de prevenção e diagnóstico precoce, alinhadas às necessidades regionais.

METODOLOGIA

Este estudo teve como objetivo analisar as internações hospitalares por Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) no estado da Paraíba, considerando o período compreendido entre os anos de 2019 e 2024. A população do estudo foi composta por todos os registros de internações causadas por IAM, conforme dados disponibilizados pelo Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS). A identificação dos casos utilizou a Classificação Internacional de Doenças – 10ª Revisão (CID-10), especificamente o código I21, correspondente ao Infarto Agudo do Miocárdio, conforme diretrizes da Organização Mundial da Saúde.

Foram analisadas variáveis como faixa etária, sexo, ano da internação e município de residência. As faixas etárias foram organizadas segundo os grupos utilizados pelo sistema oficial de registros, iniciando em menores de 1 ano até a faixa de 80 anos ou mais, com intervalos de cinco anos. A residência dos indivíduos foi delimitada ao território do estado da Paraíba. A dimensão temporal contemplou a série histórica de cinco anos, permitindo observar padrões e variações ao longo do tempo.

O delineamento do estudo é descritivo, com abordagem quantitativa e caráter ecológico, incluindo análises de séries temporais e distribuição espacial. Foram utilizados dados secundários de acesso público, extraídos diretamente do site do Departamento de Informática do SUS (DATASUS), por meio das ferramentas Tabwin® e Microsoft Excel®. A análise estatística foi realizada com base na estatística descritiva, utilizando-se frequências absolutas e relativas para caracterizar o perfil das internações por IAM.

Considerando que as informações analisadas são de domínio público, sem a identificação individual dos sujeitos, e que não houve intervenção direta sobre seres humanos, o estudo não necessitou de apreciação por Comitê de Ética em Pesquisa, em conformidade com os preceitos da Resolução CNS nº 510/2016.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os dados obtidos foram examinados com base na estatística descritiva e estruturados em tabelas para facilitar a interpretação. Para compreender o impacto do IAM no estado, foi realizada uma análise dos indicadores hospitalares extraídos do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Esses dados incluem a taxa de mortalidade, os valores totais de internação, a quantidade de AIHs (Autorizações de Internação Hospitalar) e a média de permanência hospitalar, todos segmentados por faixa etária e sexo.

A tabela 1 apresenta a distribuição das internações hospitalares por Infarto Agudo do Miocárdio no estado da Paraíba, segmentadas por faixa etária e sexo, permitindo identificar os grupos populacionais mais afetados. O sexo masculino teve maior numero de  internações por IAM, principalmente nas faixas etárias de 60 a 64 anos. Entre as mulheres, os índices mais elevados ocorreram a partir dos 60 anos, com destaque para a faixa de 80 anos ou mais, em que o número de internações femininas superou o masculino.

Tabela 1 – Internação hospitalar devido ao IAM na Paraíba por faixa etária e sexo no período de 2019-2024
Faixa etáriaMasculinoFemininoTotal
Menor de 1ano10313
1 a 4 anos123
5 a 9 anos11
10 a 14 anos112
15 a 19 anos19120
20 a 24 anos371249
25 a 29 anos54559
30 a 34 anos8225107
35 a 39 anos17264236
40 a 44 anos284143427
45 a 49 anos441220661
50 a 54 anos6953351.030
55 a 59 anos0174921.409
60 a 64 anos1.0696461.715
65 a 69 anos1.0546991.753
70 a 74 anos8787311.609
75 a 79 anos6926221.314
80 anos e mais8481.0171.865
Total7.2545.01912.273

Fonte: Ministério da Saúde – Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS)

A parti da analise do número de internações hospitalares por Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) na Paraíba entre 2019 e 2024 aumenta progressivamente com a idade, sendo mais elevado em idosos acima de 65 anos, totalizando 1.753 internações entre 65 e 69 anos e 1.865 internações entre 80 anos ou mais. Observa-se também predominância do sexo masculino em quase todas as faixas etárias, totalizando 7.254 internações, em comparação com 5.019 no sexo feminino, o que corrobora com estudos que apontam maior incidência de IAM entre homens (BRASIL, 2020). 

Nas faixas etárias mais jovens (menores de 30 anos), os números são significativamente menores, refletindo menor vulnerabilidade a eventos cardíacos nessa população. Entretanto, há um aumento considerável a partir dos 40 anos, destacando a importância de políticas de prevenção primária, especialmente em adultos de meia-idade. Entre os idosos, a maior incidência em mulheres após os 80 anos pode estar associada ao envelhecimento e à perda da proteção hormonal que, em mulheres mais jovens, reduz o risco cardiovascular (SANTOS; LIMA, 2021).

Portanto, os dados sugerem que idade e sexo influenciam diretamente a incidência de internações por IAM sendo essencial direcionar estratégias preventivas para grupos de maior risco.

A tabela 2 mostra o tempo médio de permanência hospitalar por IAM segundo faixa etária e sexo, evidenciando variações relacionadas ao perfil etário e às diferenças entre homens e mulheres. O tempo médio de internação manteve-se semelhante entre os sexos, variando em torno de 7 dias. As maiores médias foram encontradas entre os pacientes de 70 a 74 anos, indicando maior complexidade dos casos nessa faixa etária. Sendo um pouco maior no sexo feminino.

Tabela 2 –  Média de permanência hospitalar devido ao IAM na Paraíba  por faixa etária e sexo  no período de  2019-2024
Faixa etáriaMasculinoFemininoTotal
Menor de 1ano8,768,1
1 a 4 anos31,52
5 a 9 anos22
10 a 14 anos333
15 a 19 anos4,694,8
20 a 24 anos3,47,14,3
25 a 29 anos4,264,3
30 a 34 anos4,27,44,9
35 a 39 anos65,15,8
40 a 44 anos5,75,95,8
45 a 49 anos6,96,26,6
50 a 54 anos7,177,1
55 a 59 anos7,17,57,2
60 a 64 anos7,87,27,6
65 a 69 anos8,28,38,3
70 a 74 anos8,38,48,3
75 a 79 anos7,587,7
80 anos e mais6,97,67,3
Total7,47,67,5

Fonte: Ministério da Saúde – Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS)

A análise dos dados apresentados na Tabela 2 revela variações significativas na média de permanência hospitalar por Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) na Paraíba entre 2019 e 2024, com diferenças notáveis entre faixas etárias e sexos. Observa-se que, de forma geral, a média de permanência hospitalar é ligeiramente superior no sexo feminino (7,6 dias) em comparação ao masculino (7,4 dias), embora essa diferença seja pequena.

Entre as faixas etárias, destaca-se que crianças menores de 1 ano apresentam a maior média de permanência hospitalar, com 8,1 dias, sendo 8,7 dias para os meninos e 6 dias para as meninas. Esse dado pode refletir a complexidade dos casos pediátricos e a necessidade de cuidados intensivos. Em contraste, indivíduos com 80 anos ou mais apresentam uma média de 7,3 dias, com uma leve vantagem para as mulheres (7,6 dias) em relação aos homens (6,9 dias).

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), em levantamento nacional realizado entre 2015 e 2024, identificou que o tempo médio de permanência hospitalar por Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) foi de aproximadamente 7 dias (SBC, 2024). No estado de São Paulo, a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP) registrou média de 6,8 dias entre 2020 e 2024 (SOCESP, 2025). Já no Rio Grande do Norte, estudo publicado na RevistaFT apontou média de 8,7 dias no período de 2010 a 2023 (REVISTAFT, 2023). No contexto da Paraíba, os dados analisados sugerem que a média estadual se mantém dentro dessa faixa, com variações de acordo com a faixa etária e o sexo dos pacientes.

É importante considerar que a maior média de permanência hospitalar em crianças menores de 1 ano pode estar relacionada à necessidade de cuidados intensivos e monitoramento contínuo, dada a vulnerabilidade dessa faixa etária. Por outro lado, a leve diferença entre os sexos em faixas etárias mais avançadas pode refletir fatores biológicos, sociais e culturais que influenciam o acesso e a qualidade do atendimento médico.

A tabela 3 apresenta os percentuais de mortalidade hospitalar por IAM no estado, de acordo com sexo e faixa etária, possibilitando observar a progressão da letalidade em diferentes grupos populacionais. A mortalidade hospitalar apresentou crescimento progressivo com a idade, sendo mais elevada entre os pacientes de 80 anos ou mais. As mulheres apresentaram taxas proporcionalmente superiores às dos homens, especialmente nas faixas acima de 65 anos, atingindo o pico entre 80 anos ou mais.

Tabela 3 –  Taxa de mortalidade hospitalar devido ao IAM na Paraíba  por faixa etária e sexo  no período de  2019-2024, valor em porcentagem (%) – Continua
Faixa etáriaMasculinoFemininoTotal
Menor de 1ano107,69
1 a 4 anos
5 a 9 anos
10 a 14 anos
15 a 19 anos
20 a 24 anos2,78,334,08
25 a 29 anos
30 a 34 anos1,224
35 a 39 anos5,816,255,93
40 a 44 anos5,993,55,15
45 a 49 anos4,316,364,99
50 a 54 anos5,046,575,53
55 a 59 anos6,877,727,17
60 a 64 anos8,048,368,16
65 a 69 anos9,9611,8710,72
70 a 74 anos13,6715,0514,29
75 a 79 anos15,7517,216,44
80 anos e mais21,9324,7823,49
Total10,3813,7711,77

Fonte: Ministério da Saúde – Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS)

A análise da mortalidade hospitalar por Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) evidencia aumento progressivo com a idade, atingindo os valores mais elevados entre pacientes com 80 anos ou mais, especialmente no sexo feminino. Esse padrão está de acordo com estudos nacionais, que apontam maior mortalidade em idosos devido à presença de comorbidades, fragilidade clínica e atraso no diagnóstico (Silva et al., 2020; Oliveira et al., 2020). Além disso, mulheres apresentam apresentação atípica dos sintomas e menor acesso a intervenções invasivas, como angioplastia, o que pode contribuir para taxas proporcionalmente mais altas (Vaccarino et al., 2019). Esses achados reforçam a necessidade de atenção diferenciada a grupos etários mais avançados e ao sexo feminino na prevenção e manejo do IAM. pesquisa, indicando que a idade avançada é um fator crítico na letalidade do IAM, e que homens e idosos representam grupos particularmente vulneráveis, demandando atenção especial das políticas públicas de saúde e das estratégias de prevenção e tratamento.

A tabela 4 Exibe os custos totais das internações por IAM, organizados por faixa etária e sexo, refletindo o impacto econômico da doença sobre o sistema de saúde pública. Os maiores custos hospitalares concentraram-se nas faixas de 65 a 69 anos, predominantemente entre os homens. Contudo, a partir dos 70 anos, observa-se aumento expressivo dos gastos também entre as mulheres, refletindo o impacto econômico da maior permanência e mortalidade nessa faixa etária

Tabela 4 –  Valor total da internação hospitalar devido ao IAM na Paraíba  por faixa etária e sexo  no período de  2019-2024 – Continua
Faixa etáriaMasculinoFemininoTotal
Menor de 1ano48.967,7310.225,0859.192,81
1 a 4 anos620,12256,75876,87
5 a 9 anos203,13203,13
10 a 14 anos265,89588,12854,01
15 a 19 anos25.171,674.385,9829.557,65
20 a 24 anos41.014,437.366,5378.380,93
25 a 29 anos111.510,665.264,88116.775,54
30 a 34 anos180.998,5762.825,56243.824,13
35 a 39 anos500.136,02157.607,4657.743,42
40 a 44 anos1.084.742,9514.557,651.599.300,55
45 a 49 anos1.771.646,54797.017,912.568.664,45
50 a 54 anos2.851.296,671.082.043,823.933.340,49
55 a 59 anos3.859.603,151.996.997,005.856.600,15
60 a 64 anos4.594.162,432.546.768,117.140.930,54
65 a 69 anos4.845.389,422.714.373,937.559.763,35
70 a 74 anos3.498.791,032.885.366,486.384.157,51
75 a 79 anos2.578.317,072.428.170,75.006.487,77
80 anos e mais2.418.306,062.968.554,15.386.860,16
Total28.410.940,318.212.573,1466.235.13,5

Fonte: Ministério da Saúde – Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS)

Os custos hospitalares foram mais elevados entre homens de 55 a 69 anos, devido ao maior número de internações e procedimentos complexos. Entre mulheres acima de 70 anos, os gastos também aumentaram, refletindo maior permanência hospitalar e mortalidade, mostrando o impacto econômico do IAM sobre o SUS (ROCHA et al., 2020).

De modo geral, os resultados reforçam que, embora os homens sejam os mais acometidos em termos absolutos, as mulheres apresentam maior vulnerabilidade em termos de gravidade e mortalidade nas faixas etárias mais elevadas (VACCARINO et al., 2019). Estes achados evidenciam a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção em homens adultos e diagnóstico precoce com manejo especializado para mulheres idosas. A segmentação por faixa etária e sexo permite identificar padrões epidemiológicos e assistenciais, auxiliando no planejamento de recursos, prevenção e melhoria da assistência hospitalar no estado da Paraíba.

CONCLUSÃO

O presente estudo permitiu analisar o perfil epidemiológico das internações hospitalares por Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) na Paraíba no período de 2019 a 2024.

Em relação ao número de internações, observou-se que a ocorrência de IAM aumenta com a idade, sendo predominante entre indivíduos acima de 50 anos, e mais frequente no sexo masculino. Crianças e jovens apresentaram baixos números de internação, enquanto idosos, especialmente acima de 65 anos, representaram a maior proporção dos casos.

A análise da média de permanência hospitalar indicou que, em geral, os pacientes permanecem internados cerca de 7 a 8 dias, com pequenas variações entre faixas etárias e sexo. As mulheres apresentaram ligeiramente maior tempo de internação em algumas faixas etárias, possivelmente devido a diferenças clínicas e na apresentação da doença.

Quanto à taxa de mortalidade hospitalar, os dados mostraram aumento progressivo com a idade, sendo mais elevada em idosos, refletindo a maior complexidade clínica e presença de comorbidades.

Por fim, a avaliação dos custos hospitalares evidenciou que os gastos são diretamente proporcionais ao número de internações e ao tempo de permanência, sendo mais elevados nas faixas etárias mais avançadas. Esses resultados reforçam a necessidade de políticas públicas de prevenção e de conscientização da população sobre os fatores de risco para IAM, com atenção especial aos grupos mais vulneráveis.

REFERÊNCIAS

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