DENTAL CARE FOR CHILDREN WITH DOWN SYNDROME: CLINICAL CHALLENGES AND THERAPEUTIC APPROACHES
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511171624
Maria Edhuarda Ferreira Teodoro
Julia Pereira Monteiro de Sá
Orientadora: Ana Lucia Roselino Ribeiro
Resumo
A Síndrome de Down, ou Trissomia do 21, é uma condição genética caracterizada pela presença de um cromossomo adicional nas células. Crianças com essa síndrome apresentam traços fenotípicos distintivos, como crânio achatado, cabelos lisos e olhos com formato amendoado. No contexto odontológico, manifestações como macroglossia e taurodontia são comuns. Este estudo tem como objetivo explorar as alterações bucais frequentes em pacientes pediátricos com Síndrome de Down e discutir estratégias para o atendimento odontológico adequado. Entre dezembro de 2020 e abril de 2021, realizamos uma busca em plataformas como Google Acadêmico, National Library of Medicine e Scientific Electronic Library Online para encontrar estudos relevantes sobre o tema. Discutiremos as modificações bucais típicas em crianças com essa condição e as práticas de atendimento mais adequadas. Sabemos que esses pacientes têm uma predisposição maior a desenvolver problemas dentários, por isso, é essencial que eles visitem o dentista com frequência.
Neste artigo, apresentaremos diversas técnicas e abordagens para tornar as consultas odontológicas mais agradáveis e menos estressantes. É crucial que o profissional de odontologia não só ganhe a confiança da criança, mas também a dos seus responsáveis, criando um ambiente acolhedor e seguro durante o tratamento.. Considerando que esses pacientes apresentam uma maior propensão a desenvolver problemas bucais, é fundamental que as consultas odontológicas sejam realizadas com frequência. Serão apresentadas diversas técnicas e métodos para que os atendimentos se tornem mais agradáveis, menos traumáticos e mais regulares. O profissional deve conquistar não apenas a confiança da criança, mas também de seus responsáveis.
Palavras-chave: Síndrome de Down,Alterações bucais, odontologia, atendimento odontológico.
Abstract
Down syndrome, also known as trisomy 21, results from the addition of a chromosome in cells. Children affected by this condition have common characteristics, such as a flat head shape, straight hair, and almond-shaped and slanted eyes. In dentistry, this syndrome manifests itself in several ways, including macroglossia and taurodontia. The objective of this study is to discuss the oral changes observed in pediatric patients with Down syndrome, as well as the dental care provided to these individuals. Between December 2020 and April 2021, studies were selected through searches in the Google Scholar, National Library of Medicine, and Scientific Electronic Library Online databases. The discussion covers the oral changes that occur in children with Down syndrome and appropriate dental care practices. Considering that these patients are more likely to develop oral problems, it is essential that dental appointments are carried out frequently. Various techniques and methods will be presented to make consultations more pleasant, less traumatic and more regular. The professional must gain not only the trust of the child, but also that of their guardians. Keywords: Down syndrome, Oral changes, dentistry, dental care
Keywords: Down syndrome, oral changes, dentistry, dental care.
Introdução
A Síndrome de Down (SD) caracteriza-se como uma anomalia que impacta todos os sistemas corporais, tendo sido inicialmente descrita por Langdon Down, em 1866, como um quadro clínico com características próprias. Trata-se da anomalia congênita mais comum, apresentando a maior taxa de incidência e afetando indivíduos de todas as etnias e classes sociais, englobando não apenas alterações cognitivas e comportamentais, mas também malformações físicas e orais. Os indivíduos com SD são considerados especiais, e é fundamental compreender que o termo “paciente especial” refere-se a qualquer pessoa, seja adulta ou infantil, que se desvia fisicamente, socialmente ou emocionalmente dos padrões estabelecidos para o crescimento e desenvolvimento, necessitando de educação suplementar, ensino especial e intervenções apropriadas ao longo de sua vida.
É fundamental destacar que essa condição não deve ser classificada como uma doença; trata-se, na verdade, de uma particularidade do indivíduo. Nesse contexto, não se discute a possibilidade de cura ou tratamento, mas sim a gestão das circunstâncias que surgem em decorrência dessa anomalia, que podem se manifestar de maneira sistêmica ou localizada. Crianças que convivem com a síndrome tendem a apresentar estatura inferior e seu desenvolvimento físico, mental e intelectual pode ocorrer de forma mais lenta em comparação a outras crianças de sua faixa etária (Vilela et al., 2018). No Brasil, estima-se que haja um caso para cada 700 nascimentos, o que resulta em cerca de 270 mil indivíduos com Síndrome de Down; globalmente, a taxa estimada é de 1 em cada 1 mil nascidos vivos (Brasil, 2020).
Na área da odontologia, é imprescindível que pacientes portadores dessa síndrome recebam um atendimento personalizado e distinto, uma vez que são classificados como especiais e apresentam significativas modificações bucais, tais como: alterações na oclusão, variações na tonicidade muscular, ressecamento da mucosa oral, bruxismo, macroglossia, entre outras condições (Camera et al., 2011). Além disso, esses indivíduos podem enfrentar dificuldades para manter uma higiene bucal adequada, bem como apresentar respiração bucal e seguir uma dieta propensa à cárie, o que contribui para a elevada prevalência de cáries e gengivite (Pini et al., 2016). Contudo, alguns pesquisadores ainda consideram os estudos sobre a cárie dentária em pessoas com síndrome de Down como controversos (Moreira et al., 2015).
A reação emocional e as atitudes de uma criança durante o atendimento odontológico constituem uma significativa preocupação para profissionais da odontopediatria e pesquisadores (Khandelwal et al., 2019). Comportamentos relacionados ao medo e à falta de cooperação, manifestados por meio de choro, gritos e agitação, podem comprometer e retardar a eficácia do atendimento odontológico. Caso essa questão não seja abordada,de maneira adequada, é viável que uma recusa contínua ocorra, configurando-se como um empecilho para a prática odontológica habitual (Khandelwal et al., 2019). Nesse contexto, é imperativo que os cirurgiões-dentistas, especialmente os odontopediatras e suas respectivas equipes, estejam devidamente capacitados para empregar técnicas de manejo comportamental, estando prontos para lidar com eventuais circunstâncias que possam provocar ansiedade, temor ou outros comportamentos adversos manifestados por esses pacientes (Albuquerque et al., 2010).
A falta de colaboração por parte do paciente geralmente está relacionada a aspectos como experiências traumáticas anteriores, níveis de ansiedade e condições fisiológicas (Brandenburg & Marinho-Casanova, 2013). É fundamental que o profissional de odontologia possua a competência necessária para compreender e lidar com as particularidades de cada criança, reconhecendo que cada uma possui sua própria trajetória, costumes e desafios (Moura et al., 2015). No que tange às necessidades especiais, como ocorre na Síndrome de Down, a realização de uma anamnese minuciosa e a colaboração entre diferentes profissionais se tornam ainda mais essenciais (Moura et al., 2015). Além disso, é crucial que os pais ou responsáveis preparem a criança, utilizando sempre abordagens positivas que ajudem a reduzir a ansiedade em relação ao tratamento odontológico (Moura et al., 2015).Considerando que o paciente portador de Síndrome de Down (SD) é um indivíduo singular, é imprescindível que a abordagem em seu atendimento seja adaptada e diferenciada. Nesse contexto, observa-se que esses pacientes frequentemente apresentam diversas modificações orais e condições que demandam a atenção do cirurgião-dentista. Assim, o foco primordial deste estudo foi delinear as estratégias de gerenciamento comportamental aplicadas no atendimento odontopediátrico de crianças com Síndrome de Down, além de identificar os aspectos mais relevantes da conduta do cirurgião-dentista durante os procedimentos odontológicos, incluindo uma descrição das principais alterações e condições, bem como uma visão abrangente da síndrome no âmbito da odontologia.
Referencial Teórico
A Síndrome de Down, também conhecida como trissomia do cromossomo 21, resulta de uma anomalia genética que ocorre devido a um erro na divisão celular durante a formação do embrião. Indivíduos afetados por essa síndrome apresentam, em vez de dois cromossomos no par 21, três, sendo que a origem dessa alteração permanece desconhecida.
O Ministério da Saúde divulgou as Diretrizes de Atenção à Pessoa com Síndrome de Down, nas quais se sugere que o acompanhamento odontológico comece no primeiro ano de vida. Não há nenhuma condição odontológica que seja exclusiva para os pacientes com essa síndrome, permitindo que qualquer cirurgião-dentista possa prestar atendimento a esses indivíduos.
Em relação às condições orais mais comuns entre pessoas com Síndrome de Down, podem ser mencionados o subdesenvolvimento da maxila, a presença de um céu da boca profundo, o aumento do tamanho da língua e a hipotonia muscular, fatores que favorecem a respiração bucal e o desalinhamento dentário. Esses pacientes frequentemente mantêm a boca aberta, apresentam salivação excessiva e, em muitas ocasiões, surgem fissuras nos cantos dos lábios, onde infecções por cândida podem se manifestar devido ao acúmulo de saliva e microrganismos.
O objetivo deste estudo é elucidar a atuação do cirurgião-dentista no que tange ao manejo comportamental de pacientes que apresentam Síndrome de Down. Para isso, a pesquisa é classificada como qualitativa, com um enfoque exploratório e apresentada sob a forma de uma revisão da literatura. Foram consultados artigos científicos provenientes de bases de dados como Google Acadêmico, Web of Science, PubMed, Medline e Scielo, dos quais 25 foram escolhidos para uma análise mais detalhada, em virtude de suas semelhanças e relevância em relação ao tema abordado. Assim, constata-se que métodos como dizer-mostrar-fazer, controle vocal, musicalização, reforço positivo, anestesia geral, sedação com óxido nitroso, distração, estabilização protetora e dessensibilização foram claramente delineados e debatidos como estratégias de manejo comportamental. Isso leva à conclusão de que é imprescindível que o cirurgião-dentista esteja familiarizado com essas técnicas, a fim de proporcionar um tratamento que evite complicações e inseguranças.
A colaboração entre diferentes especialidades é essencial para o atendimento de pacientes que apresentam necessidades especiais. Os dentistas devem unir esforços com fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e educadores, visando à promoção da saúde bucal e geral dessas pessoas. Ademais, a instrução em saúde voltada tanto para os pacientes quanto para seus familiares se revela vital para a formação de hábitos de higiene apropriados e para a prevenção de enfermidades bucais.
Metodologia
Primeiramente,foi realizada uma revisão literária para identificar abordagens teóricas e práticas para um atendimento odontológico humanizado e preciso em pacientes portadores desta alteração genética, Síndrome de Down. A pesquisa se baseou em artigos científicos já publicados, que exploram práticas de como esses pacientes devem ser atendidos de forma humanizada para não haver grandes intercorrências. Essa pesquisa também caracteriza-se como uma pesquisa exploratória e descritiva.
A coleta de dados realizada em uma etapa principal:
revisão bibliográfica: Serão selecionados artigos científicos, estudos de caso,normas e diretrizes voltadas para o atendimento de pacientes portadores de Síndrome de Down, e inovações que ajudam no atendimento.
Resultados e Discussão
Os resultados obtidos a partir da revisão de literatura indicam que pacientes pediátricos com Síndrome de Down apresentam uma série de alterações bucais que afetam diretamente sua saúde oral e a forma como o atendimento odontológico deve ser conduzido. As principais alterações identificadas incluem macroglossia, palato ogival, hipodontia, taurodontia, maloclusão, gengivite e doença periodontal precoce. Essas condições, combinadas com a hipotonia muscular e dificuldades motoras, impactam diretamente na mastigação, deglutição, fonação e higienização bucal desses pacientes.
Outro aspecto relevante é a maior suscetibilidade à doença periodontal em indivíduos com Síndrome de Down. Estudos demonstram que, devido à resposta imunológica comprometida e à dificuldade de manter hábitos de higiene bucal adequados, esses pacientes têm um maior acúmulo de biofilme dental, contribuindo para a gengivite e, posteriormente, para a progressão rápida da periodontite. Assim, a frequência de consultas odontológicas deve ser intensificada para prevenção e tratamento dessas condições.
A análise das técnicas de manejo comportamental demonstrou que a abordagem do profissional é um fator determinante para o sucesso do atendimento odontológico desses pacientes. A técnica “dizer-mostrar-fazer” tem sido amplamente recomendada, pois permite que a criança se familiarize com os procedimentos antes de sua execução, reduzindo o medo e a ansiedade. O reforço positivo também se mostrou eficaz, pois motiva o paciente a colaborar durante o atendimento.
Ademais, observa-se que a musicalização e o uso de histórias infantis são estratégias que podem tornar o ambiente odontológico mais acolhedor e menos estressante para a criança. A distração por meio de vídeos ou brinquedos também tem demonstrado bons resultados na redução da ansiedade e do comportamento negativo durante a consulta.
Quando o paciente apresenta dificuldades extremas de colaboração, medidas como a sedacão consciente com óxido nitroso ou, em casos mais complexos, a anestesia geral são recomendadas para a realização de procedimentos mais invasivos. No entanto, o uso dessas técnicas deve ser avaliado cuidadosamente, levando em consideração os riscos e benefícios para cada paciente.
Outro ponto relevante é o papel fundamental da equipe multidisciplinar no acompanhamento de pacientes com Síndrome de Down. A integração entre cirurgiões-dentistas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas é essencial para melhorar a função oral, contribuindo para a mastigação, deglutição e desenvolvimento da fala. Além disso, a orientação e o envolvimento da família são fundamentais para o sucesso do tratamento, pois a adoção de hábitos saudáveis e o acompanhamento regular são cruciais para a prevenção de complicações bucais.
Portanto, os dados analisados corroboram a importância da atenção odontológica especializada para pacientes pediátricos com Síndrome de Down. A implementação de técnicas de manejo comportamental adequadas e a atuação de uma equipe multidisciplinar podem promover uma experiência mais positiva e eficaz durante o atendimento odontológico, minimizando traumas e garantindo melhores condições de saúde bucal para esses indivíduos.
Referências
ALBUQUERQUE, L. N. et al. Atendimento odontológico à criança com Síndrome de Down. Research, Society and Development, v. 10, n. 14, e552101422602, 2021.
BRANDENBURG, O.; MARINHO-CASANOVA, M. L. A influência de fatores emocionais no comportamento da criança durante o atendimento odontológico. RSM – Revista Saúde Multidisciplinar, v. 7, 2020.
BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Pessoa com Síndrome de Down. Brasília, 2020.
CAMERA, V. et al. O papel do cirurgião-dentista na manutenção da saúde bucal de portadores de Síndrome de Down. Revista Odonto, 2011.
KHANDELWAL, P. et al. Behavioral considerations in pediatric dental patients. Journal of Clinical Pediatric Dentistry, 2019.
MOREIRA, R. N. S. et al. Condições e manifestações bucais em pacientes com Síndrome de Down. Brazilian Journal of Health, 2015.
MOURA, L. F. A. D. et al. Manejo comportamental em odontopediatria: aspectos psicológicos e estratégias práticas. 2015.
PINI, D. M. et al. Manifestações bucais em portadores de Síndrome de Down. Journal of Applied Oral Science, 2016.
