PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA HANSENÍASE NO MARANHÃO: UMA  REVISÃO INTEGRATIVA 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511171919


Richardson Lima Sousa; Isabella Brito dos Santos; Andressa Silva Borgaço; Jossandra Lima Sousa; Hayra de Almeida Silva; Reydson da Silva Reis; Eduarda Silva de Almeida; Natália Verner Leite; Marcela de Oliveira Feitosa; Francisca Jacinta Feitoza de Oliveira


RESUMO 

Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico e a distribuição espacial dos casos de  hanseníase no estado do Maranhão, utilizando dados secundários provenientes do  DATASUS e evidências científicas recentes. Metodologia: Trata-se de uma revisão  integrativa da literatura, associada à análise de dados secundários de caráter  epidemiológico. As informações foram obtidas do Sistema de Informação de Agravos de  Notificação (SINAN) e do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde  (DATASUS), abrangendo o período de 2015 a 2024. Paralelamente, realizou-se uma  busca sistematizada nas bases SciELO, PubMed, BVS, LILACS, MEDLINE,  ScienceDirect e Web of Science, utilizando a combinação booleana dos descritores  “hanseníase” AND “epidemiologia” AND “atenção primária à saúde” AND “Maranhão”.  Foram incluídos estudos revisados por pares e documentos oficiais relacionados à  hanseníase no estado do Maranhão. Resultados: O Maranhão manteve, entre 2015 e  2024, índices de detecção de hanseníase acima da média nacional. Em 2023, foram  notificados 3.165 casos novos, correspondendo a 33,3 casos por 100 mil habitantes. A  análise espacial indicou maior concentração de casos nas regiões centro-sul e leste do  estado, especialmente em municípios como São Luís, Codó, Imperatriz, São José de  Ribamar e Timon. Observou-se predominância de casos multibacilares, incidência maior  entre adultos jovens e discreto predomínio do sexo masculino. Fatores como  vulnerabilidade social, baixa cobertura da Atenção Primária e desigualdade regional  influenciam diretamente a persistência da transmissão. Conclusão: A hanseníase persiste  como um grave problema de saúde pública no Maranhão. O estudo evidencia a  necessidade de ações intersetoriais voltadas à redução das desigualdades sociais,  qualificação da Atenção Primária e fortalecimento da vigilância epidemiológica,  incluindo busca ativa e educação em saúde.  

Palavras-chave: Hanseníase; Atenção Primária à Saúde; Saúde Pública; Maranhão.

ABSTRACT 

Objective: To analyze the epidemiological profile and spatial distribution of leprosy in  the state of Maranhão, Brazil, using secondary data from DATASUS and recent scientific  evidence. Methods: This study is an integrative literature review combined with the  analysis of secondary epidemiological data. Information was obtained from the Notifiable  Diseases Information System (SINAN) and the Department of Informatics of the Unified  Health System (DATASUS), covering the period from 2015 to 2024. A systematic search  was also performed in the SciELO, PubMed, VHL, LILACS, MEDLINE, ScienceDirect,  and Web of Science databases, using the Boolean combination of the descriptors  “leprosy” AND “epidemiology” AND “primary health care” AND “Maranhão.” Peer reviewed studies and official documents related to leprosy in Maranhão were included.  Results: Maranhão exhibited leprosy detection rates consistently above the national  average. In 2023, 3,165 new cases were reported, corresponding to 33.3 cases per 100,000  inhabitants. Spatial analysis showed greater concentration of cases in the south-central  and eastern regions of the state, particularly in the municipalities of São Luís, Codó,  Imperatriz, São José de Ribamar, and Timon. A predominance of multibacillary cases  was observed, mainly affecting young adults, with a slight male predominance. Social  vulnerability, limited primary health care coverage, and regional inequalities directly  influence the persistence of transmission. Conclusion: Leprosy remains a major public  health problem in Maranhão. The findings highlight the need for intersectoral actions  aimed at reducing social inequalities, strengthening primary health care, and enhancing  epidemiological surveillance, including active case finding and health education. 

Keywords: Leprosy; Primary Health Care; Public Health; Maranhão. 

INTRODUÇÃO  

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium  leprae, que atinge principalmente a pele e os nervos periféricos. Apesar de ser uma  enfermidade curável, sua ocorrência em países em desenvolvimento ainda representa um  importante problema de saúde pública, devido ao estigma social e às complicações  decorrentes do diagnóstico tardio (Carneiro, 2020). 

No Brasil, o Ministério da Saúde reconhece a hanseníase como uma doença  negligenciada e endêmica em algumas regiões, especialmente no Norte e Nordeste. O  Maranhão, historicamente, se destaca por apresentar altas taxas de detecção e um número  expressivo de casos multibacilares, o que indica diagnóstico tardio e transmissão ativa  (Brasil, 2024). 

Entre os anos de 2015 e 2024, a hanseníase apresentou comportamento persistente  no Maranhão, sendo identificado um total de 22.857 casos notificados, segundo dados do  Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Apenas no ano de 2023, foram notificados 3.165 casos novos, resultando em uma taxa de detecção de 33,3 casos  por 100.000 habitantes, colocando o Maranhão como o segundo estado com maior  número de casos no Brasil e o primeiro da região Nordeste (Brasil, 2024; Costa et al.,  2024). 

A distribuição geográfica da doença revela que os municípios com maior número  absoluto de casos no período foram: São Luís, Codó, Imperatriz, São José de Ribamar e  Timon, configurando-se como áreas prioritárias para ações de controle e vigilância  (Vasconcelos et al., 2024). Outro dado preocupante refere-se à ocorrência de hanseníase  em menores de 15 anos, com 1.964 casos registrados entre 2015 e 2024, o que reforça a  existência de cadeia de transmissão ativa e falhas na detecção precoce (Santos et al.,  2023). 

Embora tenha sido observada uma diminuição relativa nos registros anuais a partir  de 2020, em grande parte devido aos efeitos da pandemia de COVID-19, que impactaram  a capacidade de vigilância e a realização de atividades de busca ativa, estudos recentes  indicam uma tendência de flutuação nos índices de detecção da hanseníase. Tal oscilação  dificultaria significativamente os esforços para a interrupção da cadeia de transmissão,  comprometendo as estratégias de controle e eliminação da doença (Martins et al., 2024). 

O mapeamento epidemiológico da hanseníase é fundamental para subsidiar o  planejamento de ações na Atenção Primária à Saúde (APS). A identificação precisa da  distribuição espacial e do perfil dos casos permite o diagnóstico precoce, o tratamento  oportuno e a redução do estigma social associado à doença, metas centrais para a  eliminação da hanseníase como problema de saúde pública, definida pela Organização  Mundial da Saúde como menos de um caso por 10.000 habitantes (WHO, 2023). 

Apesar de ser curável, a hanseníase permanece como uma doença negligenciada,  com impacto significativo na saúde pública devido ao diagnóstico tardio, à transmissão  persistente e ao estigma social que acomete os pacientes. Em regiões endêmicas como o  Maranhão, tais fatores reforçam a necessidade de estratégias eficazes de vigilância,  prevenção e promoção da saúde (Carneiro, 2020). 

Neste contexto, o estudo se justifica pela necessidade de analisar o perfil  epidemiológico da hanseníase no Maranhão, identificando padrões de detecção e lacunas  no controle da doença, de modo a subsidiar a formulação de políticas públicas mais eficazes. A pesquisa contribui para fortalecer a atuação da APS, promovendo ações de  diagnóstico precoce, acompanhamento clínico adequado e redução do estigma associado  à doença, além de gerar conhecimento que pode ser aplicado em outras regiões endêmicas  (Brasil, 2024; PAHO, 2024). 

METODOLOGIA 

Este estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa de natureza bibliográfica,  associada à análise de dados secundários de caráter epidemiológico. O objetivo foi  compreender e analisar a distribuição espaço-temporal da hanseníase no estado do  Maranhão e contextualizar o cenário epidemiológico com base em evidências científicas  recentes. 

As informações epidemiológicas foram obtidas a partir do Sistema de Informação  de Agravos de Notificação (SINAN) e do Departamento de Informática do Sistema Único  de Saúde (DATASUS), abrangendo o período de 2015 a 2024. Foram considerados casos  confirmados de hanseníase, com dados referentes ao número de notificações por  município, perfil sociodemográfico dos pacientes e indicadores epidemiológicos  relevantes. 

Paralelamente, realizou-se uma revisão bibliográfica sistematizada em bases de  dados científicas reconhecidas, como: PubMed, Scientific Electronic Library Online  (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS),  ScienceDirect, Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE) e  Web of Science, abrangendo publicações entre 2015 e 2024. 

A busca bibliográfica foi conduzida entre janeiro a novembro de 2025, utilizando  descritores controlados baseados no vocabulário DeCS (Descritores em Ciências da  Saúde). Os descritores principais incluíram: “hanseníase”, “epidemiologia”, “atenção  primária à saúde” e “Maranhão”. A combinação dos descritores foi realizada por meio do  operador booleano AND, de modo a ampliar a abrangência sem comprometer a  relevância. 

Os critérios de inclusão contemplaram artigos científicos e documentos oficiais  publicados em periódicos revisados por pares, em qualquer idioma, que abordassem a  hanseníase no Maranhão, com ênfase em distribuição espacial, indicadores  epidemiológicos e estratégias de vigilância e controle. Foram excluídos trabalhos  duplicados, teses, dissertações, resumos de eventos e estudos sem dados pertinentes aos objetivos do trabalho, bem como publicações de acesso restrito e também registros  duplicados ou com informações incompletas sobre município, sexo ou faixa etária. Por se tratar de uma revisão narrativa baseada em dados secundários obtidos de  fontes públicas, este estudo não envolveu a participação direta de seres humanos e,  portanto, dispensou a submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), conforme as  diretrizes da Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. Essa abordagem integrada, combinando dados epidemiológicos oficiais e  evidências científicas, permitiu uma análise abrangente e contextualizada do perfil e da  dinâmica da hanseníase no estado do Maranhão. 

RESULTADOS E DISCUSSÃO  

A análise dos dados secundários revela que o Maranhão manteve, ao longo da  última década, índices de detecção de hanseníase superiores à média nacional. Em 2015,  por exemplo, a taxa de detecção geral foi de 42.1 casos por 100 mil habitantes no  Maranhão, enquanto a média brasileira foi de 17,9 casos/100 mil (MS, 2023). 

Com base na análise da hanseníase no Maranhão, é possível identificar que,  embora haja variações anuais, o estado mantém um padrão de endemicidade sustentada.  Municípios com menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) e maior percentual  de população rural apresentam taxas mais elevadas da doença, pois a vulnerabilidade  social limita o acesso a serviços de saúde, dificulta o diagnóstico precoce e reduz a adesão  ao tratamento. 

Além disso, a menor cobertura da Atenção Primária à Saúde nessas áreas contribui  para a transmissão persistente do Mycobacterium leprae, mantendo a endemicidade local.  Estes fatores socioeconômicos e estruturais demonstram que o controle da hanseníase não  depende apenas do tratamento individual, mas também de políticas públicas voltadas à  redução das desigualdades regionais e ao fortalecimento da vigilância em saúde (Pereira;  Lima, 2019). 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A hanseníase permanece como uma grave questão de saúde pública no Maranhão,  especialmente devido à persistência da transmissão ativa e ao diagnóstico tardio. O  mapeamento epidemiológico evidencia desigualdades regionais significativas,  relacionadas a determinantes sociais e à fragilidade da atenção primária em áreas  endêmicas.

É urgente a implementação de estratégias que articulem ações de vigilância,  educação em saúde e combate ao estigma, fortalecendo a atuação da Atenção Primária à  Saúde como porta de entrada prioritária para o diagnóstico precoce e o acompanhamento  adequado dos casos. Investimentos em capacitação profissional, busca ativa de casos e  integração entre os níveis de atenção são fundamentais para romper o ciclo de  transmissão. 

Além disso, políticas públicas que enfrentem as desigualdades sociais podem  contribuir para a redução da incidência e das incapacidades associadas à hanseníase,  promovendo equidade no acesso aos serviços e favorecendo a reinserção social das  pessoas acometidas. 

Sugere-se que futuras pesquisas aprofundem a análise por microrregiões e  incorporem abordagens qualitativas que explorem as percepções da população e dos  profissionais de saúde sobre o enfrentamento da doença, de modo a subsidiar intervenções  mais sensíveis ao contexto local e cultural. 

REFERÊNCIAS 

BARROS, M. S. et al. Perfil epidemiológico da hanseníase em municípios  hiperendêmicos do Maranhão. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 24, n. 1, p.  e210004, 2021. 

BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico de Hanseníase 2023. Brasília,  DF, 2023.  

CARNEIRO, M. S. A. et al. Panorama da hanseníase no Brasil: desafios para o controle  da doença. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 36, n. 1, e00012319, 2020.  Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/MZFBZPyZv6j8GcjykGpTc9Q. 

CARNEIRO, R. M. A hanseníase no Brasil: desafios para o controle da doença. Cadernos  de Saúde Pública, v. 36, n. 5, p. e00029819, 2020. 

COSTA, A. S. et al. Perfil epidemiológico da hanseníase no Maranhão entre 2022 a 2024:  evidências do DATASUS. Revista Faculdade de Tecnologia, São Paulo, v. 2, n. 42, p.  150-165, 2024. Disponível em: https://revistaft.com.br/perfil-epidemiologico-da hanseniase-no-maranhao-entre-2022-a-2024-evidencias-do-datasus. 

MARTINS, F. R. et al. Hanseníase na região Nordeste do Brasil entre 2017 e 2023: uma  análise epidemiológica e espacial. Revista Diagnóstico & Ciência, São Paulo, v. 18, n.  2, p. 98–111, 2024. Disponível em:  https://www.revistas.usp.br/revistadc/article/view/236363.

MINISTÉRIO DA SAÚDE (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de  Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Boletim  Epidemiológico – Hanseníase 2023. Brasília: MS, 2023. 

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Hanseníase – OPAS/OMS. 2024. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/hanseniase. Acesso em: 15 ago. 2025. 

PEREIRA, T. F.; LIMA, E. S. Distribuição espacial da hanseníase no estado do Maranhão:  um estudo ecológico. Saúde em Debate, v. 43, n. 3, p. 132–140, 2019. 

SANTOS, F. M. et al. Hanseníase em menores de 15 anos: uma análise espaço-temporal  para o Maranhão (2010-2021). Hygeia – Revista Brasileira de Geografia Médica e da  Saúde, Uberlândia, v. 19, n. esp., p. 1-15, 2023. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/hygeia/article/view/69818. 

VASCONCELOS, E. S. et al. Perfil epidemiológico da hanseníase no Maranhão entre  2019 e 2023. In: CONGRESSO REGIONAL EM SAÚDE PÚBLICA, 2024, São Luís.  Anais […]. São Luís: Even3, 2024. Disponível em:  https://www.even3.com.br/anais/congresso-regional-em-saude-publica-456104/909170-perfil-epidemiologico-da-hanseniase-no-maranhao-entre-2019-e-2023/.