INTERFACES ENTRE FAMÍLIA E PROFISSIONAIS DA ENFERMAGEM NA LUTA CONTRA A OBESIDADE INFANTIL

INTERFACES BETWEEN FAMILY AND NURSING PROFESSIONALS IN THE FIGHT AGAINST CHILDHOOD OBESITY

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch102025081108


Susana Maria Bender1
Fernanda Gava Salcher2


Resumo

Identificar a complexidade do fenômeno, tornando imprescindível uma articulação entre os setores da saúde e da educação, com estratégias que promovam a escuta ativa das crianças, o apoio às famílias e a qualificação dos profissionais envolvidos. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura. A coleta de dados foi realizada por meio de busca nas bases da dados SCIELO e BVS. A avaliação e a análise dos dados ocorreram a partir da leitura dos artigos selecionados. Resultados: Inicialmente, foram encontrados 544.060 artigos. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão e a leitura dos resumos, foram descartados 450.947 artigos, restando 11 artigos que compuseram a amostra final. Ao final do processo de revisão, os artigos identificaram as principais abordagens realizadas pela equipe de enfermagem e o papel do enfermeiro nesse processo, e as principais ações para uma assistência humanizada. Considerações finais: Este artigo tem como objetivo analisar as percepções sobre a obesidade infantil a partir da visão de crianças, familiares e profissionais da saúde e da educação, à luz da literatura recente, destacando a importância de uma abordagem integrada e contextualizada.

Palavras-chave: Obesidade Infantil. Enfermagem Pediátrica. Nutrição da Criança. Cuidados de Enfermagem.

1 Introdução

A obesidade infantil é um problema de saúde pública em expansão global e os níveis no Brasil estão cada vez mais preocupantes (World Health Organization, 2022; Brasil, 2020). Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS, 2020), cerca de 12,9% das crianças brasileiras entre 5 e 9 anos apresentam obesidade, enquanto 31,7% estão acima do peso (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE], 2021). No Rio Grande do Sul, os índices seguem tendência semelhante, mostrando um aumento progressivo nos últimos anos, especialmente em áreas urbanas, onde o acesso a alimentos ultraprocessados e o sedentarismo são mais prevalentes (Silva et al., 2022). Essa realidade mostra a necessidade de ações conjuntas voltadas à promoção da alimentação saudável e à prevenção da obesidade desde os primeiros anos de vida, considerando as particularidades regionais e socioeconômicas que permeiam o estado (Souza & Prado, 2023; Ministério da Saúde, 2021).

A influência dos hábitos familiares e da prática de atividade física no índice de massa corporal (IMC) infantil, destacando que o ambiente doméstico desempenha papel essencial na formação dos comportamentos alimentares e de autocuidado das crianças (Erdem & Arıca, 2023; Santos, Reis & Romano, 2021). As práticas parentais e do comportamento alimentar infantil, assim como a forma como os pais conduzem a alimentação — seja por meio de incentivo, diálogo e monitoramento, ou por meio de repressão e restrição — impactam diretamente as escolhas alimentares e o desenvolvimento de hábitos saudáveis (Verga et al., 2022; Birch & Ventura, 2009). O enfrentamento da obesidade infantil exige o envolvimento ativo da família como agente de transformação e modelo de comportamento (Silva et al., 2021; World Health Organization, 2022).

No contexto das práticas em saúde, o enfermeiro tem papel fundamental na promoção da alimentação saudável e na prevenção da obesidade infantil (Oliveira et al., 2020; Santos & Almeida, 2021). Sua atuação envolve o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da criança, a orientação nutricional, o apoio à família e a implementação de ações educativas individuais e coletivas (Silva et al., 2022; Verga et al., 2022). Além disso, o enfermeiro é um elo entre os diferentes níveis de atenção à saúde, contribuindo para a construção de estratégias interdisciplinares e comunitárias que favoreçam a adoção de hábitos saudáveis e a melhoria da qualidade de vida infantil (Souza et al., 2023; Ministério da Saúde, 2021).

Diante disso, o presente estudo tem como objetivoidentificar qual é o papel dos profissionais de saúde e da família diante da obesidade infantil, reconhecendo a importância da atuação integrada e do suporte educacional no enfrentamento dessa condição. A relevância do tema está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, especialmente o ODS 3 (Saúde e Bem-Estar)e oODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável), que visam assegurar uma vida saudável e promover o bemestar para todos em todas as idades. Assim, compreender a relação entre o contexto familiar, a prática profissional e a formação de hábitos alimentares é essencial para o desenvolvimento de políticas e intervenções efetivas voltadas à promoção da saúde infantil. Diante disso, “De que forma a família e os profissionais de saúde contribuem para a prevenção e o tratamento da obesidade infantil?”

2 Metodologia 

O presente estudo abordou uma revisão integrativa (RI) da literatura. Do qual objetivou reunir estudos já realizados que vieram de acordo com a questão norteadora. A questão norteadora para a temática escolhida foi “De que forma a família e os profissionais de saúde contribuem para a prevenção e o tratamento da obesidade infantil?”

Para a coleta de dados, foi realizada uma busca na literatura nas bases de dados indexadas SCIELO (Scientific Eletronic Library Online) e BVS (Biblioteca Virtual em Saúde). Os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) para a busca dos artigos foram: Obesidade infantil, Enfermagem pediátrica, Nutrição da criança e Cuidados de enfermagem. Os critérios de inclusão desta pesquisa foram: estudos originais publicados nos últimos cinco anos, que trataram exclusivamente da temática selecionada e abordaram a questão central do estudo, disponíveis em português e inglês. Foram excluídos da análise artigos de revisão, estudos não disponíveis na íntegra, que não exploraram a temática e que não atenderam ao objetivo do estudo, além de textos duplicados ou já incluídos.

Os dados foram avaliados por meio da leitura e análise detalhada, primeiramente dos resumos dos artigos, com o intuito de identificar quais textos respondiam à questão norteadora e após a leitura integral dos artigos selecionados. As informações extraídas foram organizadas em um quadro sinóptico facilitando a visualização e a identificação dos principais dados e estudos. A análise foi conduzida visando compreender as informações obtidas a fim de descobrir se atingiram o objetivo proposto e se responderam à questão central do estudo.

Os resultados do presente estudo foram descritos com o intuito de avaliar a aplicabilidade da revisão conduzida.

Por se tratar de uma revisão integrativa da literatura, esta pesquisa não necessitou de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, de acordo com a Resolução 466/2012 e a Lei nº 14.874/2024 para Pesquisa com Seres Humanos. No entanto, todas as normas éticas foram rigorosamente respeitadas, principalmente no que se refere a veracidade das informações e à devida citação e referência de todos os autores de artigos analisados. 

3 Resultados e discussões 

De acordo com as buscas nas bases de dados BVS e SCIELO , resultou em 5.645 artigos na base Scielo e 538.415 artigos na BVS (Biblioteca Virtual em Saúde). Após aplicação dos primeiros critérios de triagem, como leitura de títulos e resumos, esse número foi reduzido para 1.448 artigos da SciELO e 91.663 da BVS. Com a aplicação de critérios de inclusão e exclusão mais específicos, restaram 417 artigos da SciELO e 1.891 da BVS para análise detalhada. Após a leitura completa e avaliação dos estudos elegíveis, 11 artigos foram selecionados para compor a amostra final deste estudo (Figura 1).

Figura 1: Fluxograma das publicações encontradas nas bases de dados

Fonte: Bender & Salcher (2025).

Ao término do processo de revisão foram encontrados nos artigos Obesidade Infantil; Enfermagem Pediátrica; Nutrição da Criança; Cuidados de Enfermagem. Esses artigos estão apresentados no Quadro 1, a seguir.

Quadro 1: Síntese dos principais achados sobre Obesidade Infantil, Enfermagem Pediátrica, Nutrição da Criança, Cuidados de Enfermagem. Caxias do Sul – RS, 2025

Fonte: Bender e Salcher (2025).

A partir da análise dos artigos selecionados para este estudo, identificaram-se três principais categorias analíticas relacionadas aos descritores: obesidade infantil, enfermagem pediátrica, nutrição da criança e cuidados de enfermagem. Essas categorias foram definidas conforme os temas centrais abordados nos estudos analisados.

3.1 Influência dos hábitos familiares e da prática de atividade física no índice de massa corporal de crianças 

Os estudos de Erdem e Arıca (2023) e de Santos, Reis e Romano (2021) apresentam contribuições significativas para a compreensão da relação entre fatores familiares e o comportamento alimentar infantil, ainda que abordem contextos e metodologias distintas. Erdem e Arıca (2023), consideram como foco analisar os comportamentos alimentares de crianças em idade pré-escolar (3 a 6 anos) e as atitudes parentais relacionadas à alimentação. Por meio de um estudo descritivo e observacional com 206 pais, os autores observaram que o nível de escolaridade e a renda familiar estiveram positivamente associados a comportamentos alimentares saudáveis nas crianças. Em contrapartida, maior índice de massa corporal (IMC) materno e baixa escolaridade mostraram-se relacionados a comportamentos alimentares negativos. O estudo destacou ainda diferenças de gênero, com meninos apresentando menos comportamentos alimentares negativos do que meninas, sugerindo influência cultural nos hábitos alimentares infantis.

Santos, Reis e Romano (2021), avaliam as práticas parentais e seu impacto no comportamento alimentar de crianças de 1 a 5 anos, participantes de unidades da Estratégia de Saúde da Família em Divinópolis-MG. Com delineamento transversal, a pesquisa identificou que práticas parentais coercitivas, como força física, uso de recompensas e restrição alimentar, estiveram associadas ao aumento do consumo de alimentos ultra processados pelas crianças. Em contrapartida, práticas positivas, como orientação, monitoramento e reforço positivo, estiveram relacionadas a uma alimentação mais saudável. Os autores reforçam a importância da orientação parental como ferramenta para promover hábitos alimentares adequados na infância.

Em termos comparativos, ambos os estudos coincidem ao evidenciar que o comportamento alimentar infantil está diretamente associado às atitudes e condições familiares. Enquanto o artigo de Erdem e Arıca (2023) enfatiza os aspectos socioeconômicos e o perfil materno como fatores determinantes, o de Santos, Reis e Romano (2021) destaca o papel das práticas educativas parentais na formação dos hábitos alimentares das crianças. Assim, pode-se afirmar que ambos os estudos reconhecem a família como núcleo central de influência sobre a alimentação infantil, reforçando a necessidade de políticas públicas e intervenções educativas voltadas ao ambiente familiar.

Em relação a forma de condução, nota-se que ambos os estudos utilizaram abordagens quantitativas e transversais, o que permite identificar associações, mas não estabelecer relações de causalidade. Além disso, os dois artigos indicam a importância de futuras pesquisas longitudinais que investiguem o impacto duradouro das práticas parentais e dos fatores socioeconômicos sobre a saúde nutricional infantil.

 Tanto Erdem e Arıca (2023) quanto Santos, Reis e Romano (2021) apontam que a promoção de comportamentos alimentares saudáveis na infância depende diretamente das práticas e condições familiares, reforçando o papel da educação parental e da assistência multiprofissional como estratégias essenciais para a prevenção de distúrbios nutricionais e o incentivo a hábitos alimentares equilibrados desde os primeiros anos de vida. 

Observa-se que a obesidade infantil é um problema que reflete não apenas escolhas individuais, mas também condições sociais e culturais que envolvem a família e a comunidade na qual a criança está inserida. Considera-se que a prevenção dessa condição deve começar dentro do ambiente familiar, por meio de hábitos alimentares saudáveis e incentivo à prática de atividade física desde a infância. Além disso, entende-se que o papel do enfermeiro é essencial nesse processo, pois sua atuação educativa e de acompanhamento pode orientar as famílias e fortalecer ações de promoção da saúde. Assim, acredita-se que o enfrentamento da obesidade infantil depende do trabalho conjunto entre profissionais de saúde, escola e família, buscando construir um futuro mais saudável para as crianças.

3.2 Obesidade infantil e família: impactos, reorganização e adaptação no processo de cuidado

Erdem e Arica (2023), Santos, Reis e Romano (2021) e Verga et al. (2022) abordam a temática da alimentação infantil, destacando o papel da família e das práticas parentais na formação de hábitos alimentares. Apesar das diferenças metodológicas e de contexto, os três trabalhos coincidem na compreensão de que o ambiente familiar exerce papel central na determinação do comportamento alimentar das crianças. O estudo de Erdem e Arica (2023) teve como objetivo investigar os hábitos alimentares de crianças em idade pré-escolar (3 a 6 anos) e analisar a influência das atitudes familiares, considerando fatores socioeconômicos e o perfil materno. Os resultados indicaram que maior escolaridade e renda familiar estão associadas a comportamentos alimentares mais saudáveis, enquanto o aumento do índice de massa corporal (IMC) materno e a baixa escolaridade correlacionaram-se com hábitos alimentares negativos. Além disso, observou-se diferença entre os sexos, sendo que os meninos apresentaram menos comportamentos alimentares inadequados em comparação às meninas.

Santos, Reis e Romano (2021), por sua vez, avaliou crianças de 1 a 5 anos, investigando as práticas parentais e seu impacto sobre o consumo de alimentos ultra processados. Os achados demonstraram que posturas restritivas como o uso de força física, recompensas e restrição alimentar , estavam associadas ao aumento do consumo desses alimentos, enquanto práticas positivas, como orientação, monitoramento e reforço positivo, favoreceram hábitos alimentares mais saudáveis. O estudo reforça que a educação familiar é determinante na formação dos hábitos alimentares desde os primeiros anos de vida. Já o estudo de Verga et al. (2022) adotou abordagem qualitativa, com entrevistas semiestruturadas, para compreender como as famílias lidam com a obesidade infantil e reorganizam seus comportamentos alimentares. O conceito central emergente, denominado “O sistema familiar buscando a transformação dos padrões de comportamento alimentar diante da obesidade infantil”, evidenciou a família como agente de mudança, capaz de reconhecer padrões inadequados, reorganizar práticas alimentares e responder às necessidades de transformação. Também destacou a relevância da intervenção de profissionais de saúde, incluindo enfermeiros, na orientação e no suporte às famílias durante esse processo. 

Em termos comparativos, os três estudos concordam quanto à relação direta entre as práticas e condições familiares e o comportamento alimentar infantil. Enquanto Erdem e Arica (2023) enfatizam a influência dos fatores socioeconômicos e do perfil materno, Santos, Reis e Romano (2021) ressaltam a natureza das práticas parentais — coercitivas ou positivas — e sua relação com os hábitos alimentares, sobretudo o consumo de alimentos ultra processados. Já Verga et al. (2022) trazem a perspectiva da transformação familiar frente à obesidade infantil, evidenciando a família como um sistema dinâmico que reorganiza seus comportamentos e adota estratégias de mudança alimentar.

Em síntese, a comparação dos três estudos evidencia que a interação entre fatores socioeconômicos, práticas parentais e dinâmica familiar é determinante para o estabelecimento de hábitos alimentares saudáveis ou problemáticos nas crianças. Além disso, aponta-se para a necessidade de políticas públicas e de intervenções educativas que considerem a família como unidade central de promoção da saúde infantil, valorizando tanto o papel parental quanto o apoio de profissionais de saúde na consolidação de práticas alimentares adequadas desde a infância.

Percebe-se que os estudos analisados reforçam a importância da família como principal influência na formação dos hábitos alimentares das crianças. Considera-se que o comportamento alimentar infantil é reflexo direto do ambiente em que a criança vive, das atitudes dos pais e das condições socioeconômicas que a cercam. Entende-se também que práticas educativas positivas e o acompanhamento de profissionais de saúde, especialmente enfermeiros, podem ajudar as famílias a adotar escolhas mais equilibradas e conscientes. Assim, acredita-se que o enfrentamento da obesidade infantil deve ser construído a partir da orientação familiar, do apoio multiprofissional e de políticas públicas que promovam a educação alimentar desde os primeiros anos de vida.

3.3 O papel do enfermeiro na obesidade infantil

A promoção da saúde na infância e o enfrentamento da obesidade infantil têm sido temas amplamente discutidos na literatura contemporânea de Enfermagem e Saúde Coletiva. Nesse contexto, três estudos recentes foram selecionados para análise e comparação: Sousa et al. (2023), Baggio et al. (2021) e Janeiro (2020). Cada um deles aborda, sob perspectivas distintas, aspectos fundamentais da atuação profissional, da formação continuada e das percepções sociais acerca da saúde infantil.

Sousa et al. (2023), teve como objetivo analisar as contribuições de uma intervenção de educação continuada para profissionais da Atenção Primária à Saúde, voltada à promoção do desenvolvimento infantil. A pesquisa, de abordagem qualitativa, foi realizada com quinze profissionais de uma unidade de atenção primária de saúde localizada em um bairro de baixa renda da cidade do Recife. A intervenção consistiu em oito oficinas realizadas entre julho e outubro de 2019, e os dados foram obtidos por meio de grupos focais, posteriormente submetidos à análise temática com base no modelo bioecológico de Bronfenbrenner. Os resultados indicaram que a participação nas oficinas favoreceu a reflexão sobre os processos de trabalho e de vida pessoal dos profissionais, contribuindo para a adoção de práticas mais sensíveis às necessidades das crianças. Os autores concluem que a educação continuada constitui um instrumento transformador, capaz de modificar percepções e promover melhorias no cuidado e no desenvolvimento infantil. 

Por sua vez, o estudo de Baggio et al. (2021), buscou compreender a obesidade infantil sob a ótica de crianças, famílias e profissionais da saúde e da educação. Trata-se de uma investigação qualitativa que evidenciou a obesidade infantil como um problema de saúde pública multifatorial, influenciado por hábitos alimentares inadequados, sedentarismo, condições socioeconômicas e aspectos emocionais. O estudo ressalta ainda a importância da atuação integrada entre família, escola e serviços de saúde para o enfrentamento efetivo do problema. 

A principal contribuição desse trabalho é demonstrar que o fenômeno da obesidade infantil não se restringe a questões biológicas, mas envolve determinantes sociais e culturais que requerem uma abordagem interdisciplinar. Já o estudo de Janeiro (2020), disponível no portal da BVS Saúde, tem caráter mais reflexivo e discute a atuação do enfermeiro especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica na educação alimentar em idade escolar. A autora destaca que a obesidade infantil representa um desafio crescente na prática clínica e que o enfermeiro possui papel estratégico na implementação de ações educativas voltadas à prevenção e ao controle dessa condição. Assim, o texto reforça a importância da competência técnica e educativa do enfermeiro no âmbito da promoção da saúde infantil. 

Ao comparar os três estudos, observa-se que todos convergem para a valorização da educação em saúde como estratégia de promoção do bem-estar infantil, embora apresentem enfoques distintos. Sousa et al. (2023) priorizam a formação e capacitação de profissionais da atenção primária de saúde, demonstrando o impacto positivo da educação continuada sobre a prática assistencial. Baggio et al. (2021), por sua vez, enfatizam a compreensão social da obesidade infantil, destacando a necessidade de ações integradas entre os diversos agentes envolvidos no cuidado da criança. Janeiro (2020) concentra-se na atuação específica do enfermeiro especialista, evidenciando o potencial transformador da prática educativa em contextos escolares.

Em relação à metodologia, o trabalho de Sousa et al. (2023) apresenta uma estrutura mais robusta, fundamentada em uma intervenção empírica e análise teórica consistente. Os estudos de Baggio et al. (2021) e Janeiro (2020) têm natureza qualitativa e reflexiva, abordando percepções e experiências, mas com menor detalhamento metodológico. Apesar dessas diferenças, todos reforçam o papel central do enfermeiro como educador em saúde e agente de transformação social. No que se refere aos resultados e implicações práticas, constata-se que Sousa et al. (2023) evidenciam a efetividade da educação continuada como meio de aprimorar o cuidado infantil na atenção primária de saúde. Baggio et al. (2021) destacam a necessidade de abordagens intersetoriais e de sensibilização das famílias para mudanças de hábitos, enquanto Janeiro (2020) propõe o fortalecimento da atuação especializada do enfermeiro em programas educativos escolares.

Dessa forma, os três estudos se complementam ao oferecer uma visão abrangente que integra a formação profissional, a prática educativa e a dimensão social da promoção da saúde infantil. Conclui-se, portanto, que a literatura analisada demonstra a relevância da educação , tanto a continuada dos profissionais quanto a alimentar das crianças , como eixo estruturante das políticas de promoção da saúde na infância. A integração entre profissionais, famílias e instituições educativas é apresentada como caminho essencial para enfrentar a obesidade infantil e promover o desenvolvimento saudável das crianças.

Observa-se que o texto mostra, de forma clara, a relevância da educação em saúde e do trabalho interdisciplinar no enfrentamento da obesidade infantil. Percebe-se que o enfermeiro desempenha papel fundamental nesse processo, atuando como mediador entre o conhecimento científico e as práticas cotidianas das famílias. Acredita-se que a capacitação profissional contínua e a educação alimentar desde a infância são estratégias essenciais para a promoção da saúde e a prevenção da obesidade. Assim, entende-se que a integração entre profissionais de saúde, famílias e instituições educativas representa um caminho eficiente para fortalecer o cuidado infantil e construir hábitos saudáveis que possam durar ao longo da vida.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os estudos de Erdem e Arıca (2023), Santos, Reis e Romano (2021) e Verga et al. (2022) evidenciam a família como núcleo central na formação dos hábitos alimentares, reforçando que a promoção de comportamentos saudáveis na infância exige intervenções educativas que valorizem o papel parental e o acompanhamento profissional. Já as pesquisas de Sousa et al. (2023), Baggio et al. (2021) e Janeiro (2020) ampliam essa discussão ao destacar a importância da educação em saúde e da atuação do enfermeiro como agente de transformação, tanto na atenção primária quanto nos espaços escolares, por meio de ações educativas e intersetoriais.

Constata-se, portanto, que a obesidade infantil e os distúrbios alimentares na infância devem ser compreendidos sob uma perspectiva multifatorial, que considere os aspectos biológicos, sociais, culturais e emocionais. A articulação entre família, escola e serviços de saúde revela-se essencial para a construção de estratégias eficazes de prevenção e promoção da saúde. Dessa forma, conclui-se que a educação, seja ela voltada aos pais, às crianças ou aos profissionais de saúde  constitui o eixo estruturante das políticas e práticas de enfrentamento da obesidade infantil. A integração entre ações educativas, acompanhamento multiprofissional e políticas públicas voltadas à saúde da criança é fundamental para promover uma alimentação equilibrada e o desenvolvimento saudável desde os primeiros anos de vida.

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1Discente do Curso Superior de Enfermagem do Instituto Faculdade da Serra Gaúcha Campus Caxias do Sul. E-mail: susana_bender@hotmail.com
2Docente do Curso Superior de Enfermagem do Instituto Faculdade da Serra Gaúcha Campus Caxias do Sul. Mestre em Medicina Pediatria e Saúde da Criança (PUCRS). E-mail: fernanda.salcher@fsg.edu.br