REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511081036
Náthaly Kawany Nunes Pereira
Orientador: Edson Leandro Biage
RESUMO
O objetivo deste estudo foi analisar a relação entre o uso de telas e a diminuição da prática de atividades físicas em adolescentes de 12 a 18 anos, utilizando uma revisão integrativa conduzida conforme as diretrizes PRISMA 2020. Foram incluídos 10 estudos publicados entre 2019 e 2025. As buscas foram realizadas nas bases de dados CAPES, SciELO, PubMed, LILACS e Google Scholar, utilizando descritores como ‘uso de telas’, ‘atividade física’, ‘sedentarismo’ e ‘adolescentes’, combinados com operadores booleanos (AND/OR). Observou-se que o aumento do tempo de tela está associado à diminuição da prática de atividade física, além de impactos negativos na saúde como obesidade, distúrbios do sono e sintomas psicológicos. Conclui-se que o uso excessivo de telas prejudica a saúde juvenil, ressaltando a necessidade de políticas públicas e estratégias educacionais que promovam hábitos saudáveis e regulem o tempo de uso de tecnologia.
PALAVRAS-CHAVE: Uso de telas; atividade física; sedentarismo; adolescentes; saúde pública.
ABSTRACT
The aim of this study was to analyze the relationship between screen use and decreased physical activity among adolescents aged 12 to 18 years. This integrative review was conducted following PRISMA 2020 guidelines. Ten studies published between 2019 and 2025 were included. Searches were conducted in CAPES, SciELO, PubMed, LILACS, and Google Scholar using descriptors: “screen use,” “physical activity,” “sedentary behavior,” and “adolescents,” combined with Boolean operators (AND/OR). It was observed that increased screen time is associated with lower physical activity, obesity, sleep disorders, and psychological symptoms. This study received no external funding. Excessive screen use negatively affects active behavior, highlighting the need for public policies and educational strategies to promote healthy habits and regulate digital time.
KEYWORDS: Screen use; physical activity; sedentary behavior; adolescents; public health.
1 INTRODUÇÃO
O avanço tecnológico trouxe profundas transformações no cotidiano social e comportamental, especialmente entre adolescentes. A presença de smartphones, computadores e televisores é constante, modificando hábitos de lazer, interação e movimento (Grecaa et al., 2016).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2023), adolescentes devem praticar pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa, porém, pesquisas nacionais indicam que mais de 70% não atingem essa meta (IBGE, 2023). O aumento do tempo de exposição às telas reduz o tempo dedicado às atividades físicas e impacta o desenvolvimento físico, social e emocional dos adolescentes.
Este estudo adota as diretrizes PRISMA 2020 para garantir a transparência e rigor metodológico no processo de revisão. A aplicação dessa metodologia permite uma análise sistemática dos estudos sobre o impacto do uso de telas na prática de atividades físicas, contribuindo para uma base de evidências mais robusta para formular políticas públicas e estratégias educativas. Além disso, a escolha de analisar apenas estudos entre 2019 e 2025 assegura que os dados sejam atualizados e reflitam as tendências mais recentes sobre o tema.
2 Fundamentação teórica
A adolescência é uma fase crucial no desenvolvimento físico e psicológico. O aumento do uso de telas tem sido associado ao sedentarismo, impactando diretamente o desenvolvimento motor e emocional dos adolescentes. Além disso, pesquisas indicam que o uso excessivo de dispositivos eletrônicos contribui para o aumento da ansiedade, distúrbios do sono e redução das interações sociais presenciais, aspectos essenciais para o bem-estar dos adolescentes (Twenge; Campbell, 2019).
2.1 O lazer digital e o uso de telas
Relatórios da UNICEF (2022) e Common Sense Media (2023) revelam que adolescentes passam, em média, oito horas por dia diante de telas, excluindo o tempo escolar. Essa mudança de comportamento transformou o lazer corporal em lazer tecnológico, reduzindo o envolvimento físico e as interações presenciais (Rodrigues et al., 2022).
2.2 Sedentarismo e diminuição da atividade física em adolescentes
A adolescência é uma fase de intensas transformações fisiológicas e sociais. A prática regular de atividade física desempenha papel fundamental nesse processo, promovendo desenvolvimento motor, equilíbrio emocional e bem-estar (SBP, 2023).
O sedentarismo, por outro lado, está relacionado ao aumento do tempo de inatividade e diminuição do gasto energético. Pesquisas brasileiras mostram que 85% dos adolescentes passam mais de três horas por dia em frente a telas (IBGE, 2023). Tal comportamento resulta em riscos cardiovasculares, sobrepeso e prejuízos cognitivos (Piola et al., 2020).
De acordo com Francisquini et al. (2025), o comportamento sedentário não é apenas ausência de movimento, mas um padrão de vida passivo. O uso de telas cria um ciclo de imobilidade e distração que reduz a motivação para atividades corporais, exigindo intervenções educativas e sociais consistentes.
Esses achados reforçam a importância de políticas públicas e escolares que incentivem hábitos ativos e limitem o tempo de tela na rotina juvenil.
3 Materiais e métodos
3.1 Tipo de estudo
Revisão integrativa de literatura, conduzida conforme as diretrizes do PRISMA 2020 (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses).
3.2 Protocolo e registro
O protocolo da revisão foi delineado conforme as diretrizes do PRISMA 2020, garantindo rigor metodológico e transparência na seleção e avaliação dos estudos. Todos os procedimentos, como a definição de descritores e critérios de inclusão/exclusão, estão documentados para garantir a reprodutibilidade do estudo.
3.3 Fontes de informação e período de busca
Buscas realizadas em 30 de setembro de 2025 nas bases: CAPES, SciELO, PubMed, LILACS e Google Scholar.Descritores utilizados: “uso de telas”, “atividade física”, “sedentarismo”, “adolescentes”, combinados com operadores booleanos (AND/OR).
3.4 Critérios de inclusão
No desenvolvimento deste estudo, foram estabelecidos critérios de inclusão específicos para garantir a relevância e a qualidade das fontes utilizadas. Os estudos considerados para análise foram aqueles que envolvem adolescentes com idades entre 12 e 18 anos, faixa etária que é de particular interesse para compreender os efeitos do uso de telas na atividade física.
Além disso, foram incluídos apenas estudos publicados entre os anos 2019 e 2025, garantindo que as informações sejam recentes e reflitam as tendências e comportamentos atuais. É fundamental que o texto completo do estudo estivesse disponível para uma análise detalhada, o que possibilitou uma compreensão mais aprofundada dos métodos e resultados apresentados.
Todos os estudos selecionados passaram por um processo rigoroso de revisão por pares, o que assegura a credibilidade e a qualidade das informações. Por fim, os estudos incluídos na revisão devem apresentar uma relação direta entre o uso de telas e a atividade física, permitindo avaliar a interação entre essas duas variáveis e suas implicações para o bem-estar dos adolescentes.
Esses critérios de inclusão garantiram a consistência e a relevância dos estudos analisados, assegurando que os resultados obtidos sejam significativos para a compreensão da temática em questão.
3.5 Critérios de exclusão:
Para este estudo, foram definidos critérios de exclusão para garantir que apenas os trabalhos mais relevantes e adequados fossem considerados. Primeiramente, foram excluídos os estudos que envolviam adultos ou crianças, uma vez que o foco deste estudo está em adolescentes, faixa etária que apresenta particularidades importantes para a análise.
Também foram desconsideradas as revisões narrativas que não abordavam especificamente a atividade física, pois o objetivo é investigar a relação entre o uso de telas e a prática de atividades físicas em adolescentes. Estudos que não estavam indexados em bases científicas confiáveis também foram excluídos, uma vez que isso comprometeria a qualidade e a credibilidade das informações apresentadas.
Os estudos duplicados ou que estavam fora do período de análise (2019-2025) também foram removidos, para garantir que os dados fossem atualizados e não houvesse redundâncias nas fontes. Além disso, as revisões sistemáticas que não atendiam aos critérios estabelecidos, como a abordagem específica do uso de telas e atividade física, foram igualmente excluídas para garantir que a análise fosse precisa e focada no tema central de pesquisa.
Esses critérios de exclusão ajudaram a aprimorar a seleção dos estudos, assegurando que a pesquisa estivesse alinhada com os objetivos e com as variáveis de interesse, mantendo a qualidade e a consistência dos resultados.
4 Processo de seleção dos estudos (PRISMA 2020)
Foram identificados 80 artigos. Após remoção de 10 duplicados, 45 estudos foram selecionados para leitura de título e resumo. Desses, 25 foram excluídos após leitura completa, resultando em 10 estudos incluídos na revisão final.

Tabela 1 – Artigos incluídos na revisão
| Autor (Ano), País, Referência | Desenho do estudo | Amostra | Idade (anos) | Método de mensuração tempo de tela |
| Fidencio et al. (2018), Brasil, RBONE | Estudo transversal, descritivo e exploratório | 47 adolescentes (59,57% meninas) de uma escola privada de Joinville-SC | 11-14 anos | Questionário sobre horas de consumo de tela (TV, videogame, internet) |
| Greca et al. (2016), Brasil, Rev Paul Pediatr | Estudo transversal | 480 estudantes de uma escola pública de Londrina, PR | 8-17 anos | Questionário sobre tempo de tela (TV, computador, videogame) |
| Silva et al. (2022), Brasil, Rev Paul Pediatr | Estudo transversal | 162 estudantes de escolas públicas de Tocantinópolis | 13-17 anos | Questionário sobre tempo de tela (TV, videogame, celular, computador) |
| Rodrigues et al. (2024), Brasil, Cuadernos de Educación | Estudo quantitativo, exploratório, descritivo | 100 adolescentes de uma escola de ensino médio em Gurupá, PA | 14-17 anos | Questionário QueST de Knébel et al.(2020) |
| Silva et al. (2023), Brasil, Rev Paul Pediatr | Estudo transversal | 517 pais/responsáveis de crianças e adolescentes de escolas públicas e privadas no Brasil | 7 -18 anos | Questionário MAF-P para medir o tempo de uso de mídias |
| Santos et al. (2024), Brasil, SciELO Preprints | Estudo observacional exploratório | 1668 estudantes de escolas privadas no Rio de Janeiro | 10-18 anos | Questionário IPAQ e Media Activity Form(MAF-P) |
| Piola et al. (2022), Brasil, Ciência & Saúde Coletiva | Estudo transversal | 899 adolescentes de escolas públicas em São José dos Pinhais, PR | 15-18 anos | Questionário Adolescent Sedentary Activity Questionnaire (ASAQ) |
| Brito et al. (2020), Brasil, Rev Bras Ativ Fís Saúde | Estudo transversal | 342 adolescentes de escolas públicas em Curitiba, PR | 12-17 anos | Questionário sobre tempo de uso de TV, videogame, celular e computador |
| Francisquini et al. (2025), Brasil, Rev Paul Pediatr | Estudo transversal | 982 adolescentes de escolas públicas em Jacarezinho, PR | 12-15 anos | Questionário sobre tempo de tela, incluindo TV, videogame, computador e smartphone |
| Antoniassi et al. (2024), Brasil, Ciência & Saúde Coletiva | Estudo transversal | 1.200 adolescentes de escolas estaduais de Curitiba, PR | 12-19 anos | Questionário sobre o tempo de uso de TV, videogame e telas portáteis |
Fonte: Elaborado pela autora (2025)
4.1 Declaração PRISMA:
Este estudo seguiu os critérios e checklist PRISMA 2020, garantindo transparência, reprodutibilidade e rigor metodológico em todas as etapas da revisão.
4.2 Processo de seleção e extração
O processo de seleção e extração dos estudos foi conduzido em três fases distintas, com o objetivo de garantir a inclusão de fontes relevantes e de alta qualidade. A primeira fase consistiu na eliminação de duplicatas, a fim de evitar que os mesmos estudos fossem considerados mais de uma vez, o que poderia distorcer os resultados da pesquisa.
Na segunda fase, foi realizada a triagem por título e resumo. Nessa etapa, os estudos foram avaliados com base em seus títulos e resumos para verificar se atendiam aos critérios de inclusão definidos anteriormente. Estudos que não apresentavam relevância para o tema ou que não cumpriam os requisitos estabelecidos foram descartados.
A terceira fase envolveu a leitura integral dos estudos selecionados. Durante essa fase, cada estudo foi analisado em detalhes para avaliar sua elegibilidade de acordo com os critérios de inclusão e exclusão. Somente os estudos que atendiam completamente aos critérios estabelecidos passaram para a fase final de análise.
Esse processo de seleção e extração em três etapas garantiu a precisão e a relevância dos estudos incluídos na revisão, permitindo que os resultados finais fossem baseados em fontes robustas e diretamente relacionadas ao tema da pesquisa.
4.3 Avaliação da qualidade metodológica
A qualidade dos estudos foi avaliada com JBI Critical Appraisal Checklist (para estudos transversais/coorte) ou CASP (para estudos qualitativos), classificando risco de viés como alto, moderado ou baixo. Critérios avaliados: clareza dos objetivos, adequação da amostra, descrição de medidas de exposição/desfecho, controle de vieses e consistência entre resultados e conclusões.
5 Síntese dos dados
Observou-se correlação negativa entre tempo de tela e prática de atividade física. Evidências destacam impactos sobre IMC, sono e saúde psicológica. A síntese foi narrativa e temática, com quadro resumido (Tabela 1) e fluxograma PRISMA (Figura 1).
Limitações: recorte temporal 2019–2025, ausência de metanálise e diferenças metodológicas entre estudos.
5.1 LIMITAÇÕES DA REVISÃO INTEGRATIVA
Esta revisão integrativa apresenta limitações, como o recorte temporal entre 2019 e 2025, que pode restringir a amplitude das evidências. Além disso, não foi realizada metanálise quantitativa, o que limita comparações estatísticas. Ainda assim, os resultados obtidos são consistentes e refletem as principais tendências observadas nas pesquisas atuais sobre o tema.
6. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise dos estudos revela uma correlação negativa entre o tempo de tela e a prática de atividades físicas, com evidências consistentes de que o uso excessivo de telas está associado à obesidade, distúrbios do sono e impactos psicológicos. Essas evidências reforçam a necessidade urgente de políticas públicas que incentivem a prática regular de atividades físicas entre os adolescentes, promovendo um equilíbrio saudável entre o uso de tecnologia e o lazer ativo.
Neste contexto, a criação de programas educacionais e campanhas de conscientização voltadas para adolescentes, escolas e pais pode ser uma solução estratégica para equilibrar o tempo de tela e a prática de atividades físicas. Essas campanhas podem focar em hábitos saudáveis, como a importância da prática de atividades físicas diárias, e em técnicas para gerenciar o tempo de tela de maneira equilibrada.
Além disso, o uso de aplicativos para monitoramento do tempo de tela pode ser uma ferramenta eficaz, se aliado à educação sobre os benefícios da atividade física. Aplicativos podem ser utilizados para rastrear o tempo gasto em frente às telas e alertar sobre períodos excessivos, permitindo que os adolescentes se conscientizem e ajustem seus hábitos. Esse tipo de intervenção tecnológica poderia ser complementado com a promoção de atividades físicas como parte das rotinas diárias dos jovens.
7 Impactos do uso de telas na saúde física e mental
Fisicamente: problemas posturais, obesidade, distúrbios visuais (Lopes; Moura, 2022).
Psicologicamente: aumento de ansiedade, irritabilidade, dependência tecnológica e sintomas depressivos (Twenge; Campbell, 2019).
Políticas de saúde devem envolver escola, família e comunidade, orientando uso equilibrado da tecnologia e prática de atividade física regular.
8 Considerações finais
A revisão integrativa confirmou a forte associação entre o uso excessivo de telas e a diminuição da prática de atividades físicas entre adolescentes. Este comportamento está diretamente relacionado ao aumento do sedentarismo, obesidade, distúrbios psicológicos e redução da qualidade de vida. A implementação de políticas públicas e estratégias educacionais, que promovam a regulação do tempo de tela e incentivem a prática de atividades físicas, é essencial para reverter esse quadro e promover o bem-estar dos adolescentes.
9 Limitações da revisão integrativa
As principais limitações desta revisão integrativa estão relacionadas ao tipo de estudo e ao recorte temporal adotado. A maioria dos estudos incluídos é de natureza transversal, o que dificulta a inferência causal entre as variáveis analisadas. Além disso, o recorte temporal estabelecido, que abrange apenas os anos de 2019 e 2025, pode restringir a generalização dos resultados para períodos anteriores ou posteriores.
Outra limitação refere-se às medidas autorrelatadas de tempo de tela e atividade física, que podem estar sujeitas a viés de memória ou a subestimação ou superestimação dos comportamentos dos participantes.
9.1 Declaração de conflito de interesse
A autora declara não haver conflito de interesse relacionado à elaboração deste trabalho e informa que o estudo não recebeu qualquer tipo de financiamento externo.
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