IMPACT OF PREVIOUS PERIODONTAL DISEASE ON DENTAL IMPLANT SUCCESS: A REVIEW OF THE LAST 5 YEARS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511051257
Roberto Sales Aguiar Filho1, Vanessa Maria Alves da Silva Pereira Oliveira2, Gustavo Henrique de Castro3, Carolyne Calixto Camargos4, Beatriz Cristina da Silva Coelho5, Filipe Alves Dietz Ferreira6, Fernanda Gonçalves dos Santos Ribeiro7, Rhuann Ayran Castro Borburema8, Lyvia Tavares Maciel Leitão9, Gabriela Gaião Pereira10
Resumo
A doença periodontal é uma condição inflamatória crônica que afeta os tecidos de suporte dos dentes e representa a principal causa de perda dentária em adultos. Consequentemente, muitos pacientes candidatos à reabilitação com implantes dentários apresentam histórico de periodontite. Estudos recentes indicam que essa condição prévia pode aumentar o risco de complicações periimplantares, como a perda óssea marginal e a peri-implantite. Objetivo: Revisar a literatura científica dos últimos cinco anos acerca da influência da doença periodontal prévia no sucesso dos implantes dentários, considerando parâmetros clínicos, microbiológicos e comportamentais. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases de dados PubMed, SciELO, LILACS, Cochrane e Science Direct, incluindo artigos publicados entre 2020 e 2025. Foram utilizados os descritores “Periodontal Diseases” e “Dental Implants”. Após a triagem e exclusão de duplicatas, sete estudos foram selecionados para análise. Resultados: Os estudos analisados demonstraram que pacientes com histórico de periodontite apresentam maior taxa de falha dos implantes, maior perda óssea marginal e maior incidência de peri implantite. Pesquisas recentes (Annunziata et al., 2024; Serroni et al., 2024) evidenciaram risco até quatro vezes superior de peri-implantite em indivíduos previamente acometidos, além de redução da taxa de sobrevivência dos implantes (Young et al., 2021). A adesão à terapia periodontal de suporte e ao controle profissional da placa bacteriana mostrou-se essencial para a estabilidade dos tecidos peri implantares (Gissler et al., 2025; Cimões et al., 2021). Conclusão: A doença periodontal prévia constitui um fator de risco significativo para o insucesso de implantes dentários. Mesmo após o tratamento e estabilização periodontal, esses pacientes mantêm predisposição à inflamação peri-implantar e à perda óssea marginal. A avaliação de risco individual, o controle rigoroso da infecção e a adesão aos programas de manutenção periódica são fundamentais para garantir o sucesso reabilitador a longo prazo.
Palavras-chave: Doença periodontal. Implantes Dentários. Periodontite. Sucesso do Implante.
Abstract
Periodontal disease is a chronic inflammatory condition that affects the supporting tissues of teeth and represents the main cause of tooth loss in adults. Consequently, many patients seeking rehabilitation with dental implants have a history of periodontitis. Recent studies indicate that this condition may increase the risk of periimplant complications, such as marginal bone loss and peri-implantitis. Objective: To review the scientific literature of the last five years about the influence of previous periodontal disease on dental implant success, considering clinical, microbiological and behavioral parameters. Methodology: This is an integrative literature review, conducted in the PubMed, SciELO, LILACS, Cochrane and Science Direct databases, including articles published between 2020 and 2025. The descriptors “Periodontal Diseases” and “Dental Implants” were used. After screening and exclusion of duplicates, seven studies were selected for analysis. Results: The studies analyzed showed that patients with periodontitis history have a higher rate of implant failure, greater marginal bone loss and greater incidence of peri-implantitis. Recent studies (Annunziata et al., 2024; Serroni et al., 2024) have shown up to four times higher risk of peri-implantitis in previously affected individuals, as well as a reduction in the survival rate of implants (Young et al., 2021). Adherence to supportive periodontal therapy and professional control of bacterial plaque was essential for the stability of peri-implant tissues (Gissler et al., 2025; Cimões et al., 2021). Conclusion: Previous periodontal disease is a significant risk factor for the failure of dental implants. Even after periodontal treatment and stabilization, these patientsremain predisposed to peri-implant inflammation and marginal bone loss. Individual risk assessment, strict infection control and adherence to periodic maintenance programs are key to ensuring long-term rehabilitator success.
Keywords: Periodontal disease. Dental implants. Periodontitis. Implant success.
1 INTRODUÇÃO
O advento dos implantes dentários transformou profundamente a prática odontológica, oferecendo soluções previsíveis e duradouras para a reabilitação de pacientes parcialmente ou totalmente edêntulos. Milhões de implantes são instalados anualmente em todo o mundo, e embora apresentem altas taxas de sucesso, uma parcela significativa pode evoluir com complicações biológicas, como inflamação dos tecidos peri-implantares e perda óssea marginal. A previsibilidade desses tratamentos está diretamente relacionada ao planejamento inicial e ao controle de fatores de risco que, muitas vezes, se assemelham àqueles envolvidos na doença periodontal (Darby, 2022).
Diversos estudos apontam que os fatores de risco para periodontite e peri-implantite envolvem tanto aspectos individuais e sistêmicos, quanto comportamentais e socioeconômicos. Condições como tabagismo, diabetes, distúrbios metabólicos, uso de medicamentos, baixa condição socioeconômica e higiene oral deficiente estão fortemente associadas à progressão dessas doenças. Além disso, a carga alostática definida como o efeito cumulativo do estresse psicossocial e físico ao longo da vida tem sido sugerida como um dos mecanismos que explicam a maior vulnerabilidade de certos indivíduos à periodontite e, consequentemente, às complicações peri-implantares (Darby, 2022).
Com o avanço tecnológico, a cirurgia de implantes guiada por computador, em suas modalidades estática ou dinâmica, tem sido amplamente adotada para otimizar a precisão da instalação tridimensional dos implantes, reduzindo riscos e aumentando a previsibilidade clínica. No entanto, mesmo com essas inovações, o sucesso a longo prazo ainda depende, em grande parte, do estado periodontal prévio do paciente e de seu comprometimento com programas de manutenção e controle da placa bacteriana (Darby, 2022).
A terapia periodontal de suporte (TPS) e o cuidado peri-implantar de suporte (CPI) têm papel fundamental na prevenção da recorrência da doença, uma vez que envolvem reavaliação periódica, instruções de higiene oral, re-motivação do paciente e monitoramento de parâmetros clínicos, como profundidade de sondagem, sangramento e nível de inserção clínica. A manutenção adequada desses cuidados está diretamente relacionada à estabilidade dos tecidos periodontais e peri-implantares (Gissler et al., 2025).
A periodontite, considerada a sexta doença mais prevalente do mundo, afeta aproximadamente 11% da população adulta e tem sido reconhecida como uma condição inflamatória crônica com impacto sistêmico relevante, comparável a doenças cardiovasculares e ao diabetes mellitus (Gissler et al., 2025). Assim, a periodontite prévia deve ser entendida não apenas como um evento localizado, mas como um marcador de risco biológico e imunológico para futuras complicações em reabilitações com implantes.
Nos últimos anos, a incidência de doenças peri-implantares aumentou significativamente, acompanhando o crescimento das reabilitações com implantes. Estima-se que a mucosite peri-implantar acometa entre 43% e 46% dos pacientes, enquanto a peri implantite ocorre em aproximadamente 20% dos casos (Annunziata et al., 2024). Esses dados reforçam a necessidade de uma abordagem preventiva que inclua anamnese detalhada, avaliação do perfil de risco, estabilização prévia da condição periodontal e adesão a um programa de cuidados contínuos antes da instalação dos implantes.
Mesmo em pacientes com periodonto tratado e estabilizado, o histórico de doença periodontal continua sendo um fator predisponente à recorrência inflamatória e perda óssea marginal. Como a periodontite é a principal causa de perda dentária em adultos, grande parte dos indivíduos candidatos à reabilitação com implantes apresenta esse antecedente clínico, o que reforça a interdependência entre ambas as condições. Dessa forma, compreender a influência da doença periodontal prévia no sucesso dos implantes dentários é essencial para estabelecer protocolos preventivos eficazes e promover reabilitações orais mais duradouras e previsíveis (Annunziata et al., 2024).
2 METODOLOGIA
Esta revisão integrativa da literatura possui uma metodologia qualitativa, sendo baseada no desenvolvimento da seguinte pergunta de pesquisa: “Qual a influência da doença periodontal prévia no sucesso de implantes dentários, segundo as evidências científicas publicadas nos últimos cinco anos?” Para isto, foram utilizadas as bases de dados eletrônica: U. S. National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Cochrane Library, Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Science Direct para pesquisar e identificar estudos que respondessem à pergunta norteadora desta revisão integrativa da literatura. A base de dados foi pesquisada para estudos realizados entre 2020 e 2025. Obtemos um total de 24.585 artigos, foram excluídos 24.051 após os critérios, foram encontradas 14 duplicatas e, após a triagem, 7 artigos foram selecionados para compor esta pesquisa. Esta revisão integrativa baseou-se em cinco etapas: Na primeira etapa foi o estabelecimento dos descritores para ambas as bases de dados, sendo uma com a utilização de MeSHterms (PubMed) e DeCS/MeSH (BVS). Em seguida, na segunda etapa, foram feitas uma busca avançada nas bases e análise do quantitativo dos artigos científicos presentes na íntegra. Logo em seguida, na terceira etapa, foram selecionados os artigos que se adequaram aos critérios de elegibilidade estabelecidos pelos pesquisadores. Na quarta e quinta etapa, os pesquisadores formularam uma tabela descritiva sobre os autores, objetivo de pesquisa, resultados e conclusão e em seguida, desenvolvimento da discussão dos artigos científicos, a fim de responder à pergunta norteadora estabelecida no início desta metodologia. Foram utilizados dois descritores para a composição da chave de pesquisa, sendo os seguintes (MeSH/DeCS): [(Doenças Periodontais / Periodontal Diseases) AND (Implantes Dentários / Dental Implants)]. Em seguida, os pesquisadores selecionaram os trabalhos com análise no título e resumo, com base nos critérios de elegibilidade. Os critérios de elegibilidade foram os seguintes: artigos publicados em português e inglês; ensaios clínicos randomizados ou não randomizados; metanálise; revisões sistemáticas e artigos que se adequem à temática. Também foi utilizado o sistema de formulário avançado para busca e seleção dos artigos utilizando conector booleano “AND”. Em seguida, artigos que preencheram os critérios de elegibilidade foram identificados e incluídos na revisão.
3 RESULTADOS
Os trabalhos que preencheram todos os critérios de seleção foram incluídos no estudo, os que não preencheram os critérios e/ou não se mostraram relevantes foram excluídos. Os resultados por análise foram representados na Tabela 1 e estabeleceu-se a construção da Tabela 2 aos estudos selecionados, com formulação das colunas (Autor/Ano; Objetivo; Resultados e Conclusão).
Tabela 1 – Seleção dos artigos por análise empregada e estabelecimento dos critérios de inclusão.
| Íntegra | Após critérios | Artigos selecionados | |
| PubMed | 9.974 | 355 | 6 |
| SciELO | 6 | 4 | 1 |
| Cochrane Library | 2 | 0 | 0 |
| LILACS | 132 | 11 | 0 |
| Science Direct | 14.471 | 164 | 0 |
Fonte: Elaborado pelo autor, 2025.
Tabela 2 – Estudos detalhados em tabela de resultados.
| Autor/Ano | Objetivo | Resultados | Conclusão |
| Darby (2022) | Analisar os fatores de risco para periodontite e peri-implantite | De modo geral, os fatores de risco podem estar relacionados ao paciente, ao ambiente ou ao profissional. Os fatores de risco relacionados ao paciente incluem o nível socioeconômico, o tabagismo, os transtornos por uso de substâncias, o diabetes, a dieta e os suplementos alimentares, os transtornos de saúde mental, a idade avançada, a higiene bucal inadequada em casa ou a falta de compreensão da necessidade de uma boa higiene bucal e o uso de medicamentos. A modificação ambiental da resposta do hospedeiro por meio da função gênica é um fator de risco emergente. Por fim, sabe-se agora que os fatores relacionados ao profissional na implantodontia afetam o risco. | O risco e os fatores de risco são uma área em constante evolução, que continuará a mudar à medida que a compreensão da periodontite e das doenças peri implantares melhorar. Reduzir o risco é fundamental durante o tratamento, mas o manejo eficaz do risco também é necessário para resultados terapêuticos satisfatórios e prolongados. Podemos modificar os fatores de risco, mas os não modificáveis representam um desafio. O risco não está necessariamente relacionado apenas a fatores do paciente. |
| Gissler et al. (2025) | Avaliar se a adesão do paciente aos cuidados periodontais de suporte (CPS) e aos cuidados peri implantares de suporte (CPI) influencia os resultados clínicos a longo prazo, particularmente a profundidade de sondagem, para manter a saúde periodontal e/ou peri implantar. | Um total de 3891 artigos foram selecionados em uma busca inicial. Posteriormente, sete estudos foram considerados elegíveis para inclusão nesta revisão. Nesses estudos, a adesão aos cuidados de suporte foi consistentemente associada a melhores resultados clínicos, incluindo redução da profundidade de sondagem, menor sangramento à sondagem e menor perda de dentes ou implantes. Devido à heterogeneidade dos dados, nenhuma metanálise foi realizada. | A adesão ao SPT/SPIC foi consistentemente associada a desfechos clínicos mais favoráveis nos estudos incluídos. Estudos futuros são necessários e devem considerar (I) a aplicação de definições consistentes para adesão/não adesão com base no estado clínico em relação à necessidade de intervenção, (II) o intervalo de tempo entre as intervenções de SPT/SPIC e (III) a consistência nos protocolos de coleta de dados durante as intervenções. |
| Annunziata et al. (2024) | Esta revisão sistemática investiga a eficácia da terapia com implantes em pacientes com e sem histórico de periodontite em termos de perda de implantes, perda óssea marginal peri implantar (MOM) e ocorrência de doenças peri implantares. | A metanálise mostrou que pacientes hiperplásicos apresentaram risco significativamente maior de perda de implante (HR: 1.75; 95% CI: 1.28– 2.40; p = 0.0005; I2 = 0%), perda óssea marginal (MD: 0.41 mm; 95% CI 0.19, 0.63; p = 0.0002; I2 = 54%), e peri implantite (3.24; 95% CI: 1.58– 6.64; p = 0.001; I2 = 57%) em comparação com pacientes não hiperplásicos, enquanto nenhuma diferença significativa entre os grupos foi encontrada para mucosite peri implantar. As análises de subgrupos revelaram um risco particularmente maior de perda de implantes em pacientes com periodontite hipertensiva (PH) com um período de acompanhamento ≥ 10 anos (HR: 2,02; IC 95%: 1,06– 3,85; p = 0,03; I² = 0%) e em pacientes com histórico de periodontite grau C (anteriormente agressiva) (HR: 6,16; IC 95%: 2,53–15,01; p < 0,0001; I² = 0%). Também foi observado um risco maior de perda de implantes em estágios III–IV (grave) de periodontite e em implantes com superfícies rugosas.. | Dentro dos limites das definições de caso heterogêneas e dos métodos de avaliação, um histórico de periodontite demonstrou aumentar significativamente o risco de perda de implantes, particularmente em acompanhamento de longo prazo (≥ 10 anos) e em casos de formas rapidamente progressivas (grau C), bem como para perda óssea marginal e peri-implantite. |
| Marty et al. (2024) | Avaliar o papel do histórico de periodontite na falha de implantes. | De 10.775 artigos potencialmente elegíveis, 8 foram incluídos na análise qualitativa e 10 na síntese quantitativa. | Esta meta-análise sugere que o histórico de periodontite tem um impacto significativo na taxa de peri-implantite, na taxa de sobrevivência, na perda óssea média e na profundidade da bolsa periodontal. |
| Serroni et al. (2024) | Avaliar o histórico de periodontite como fator de risco para falha de implantes e incidência de peri implantite. | Foram incluídas 14 publicações que relataram 12 estudos de coorte prospectivos. A baixa certeza/qualidade da evidência, devido à ausência de ensaios clínicos randomizados, revelou uma probabilidade significativamente maior de falha em pacientes com histórico de periodontite nos acompanhamentos, tanto após ≤5 anos (RR = 1,62; IC 95%: 1,71- 2,37; p = 0,013) quanto após >5 anos (RR = 2,26; IC 95%: 1,12-4,53; p = 0,023). A incidência de peri-implantite (RR = 4,09; IC 95%: 1,93-8,58; p < 0,001) e a média ponderada (MP) da perda óssea marginal (diferença MP = 0,75 mm; IC 95%: 0,18- 1,31; p < 0,05) foram estatisticamente significativamente maiores no grupo com comprometimento periodontal, enquanto não houve diferença significativa entre os dois grupos em relação à profundidade de sondagem peri-implantar. | Um histórico de periodontite pode ser considerado um fator de risco significativo para falha de implantes, peri-implantite e maior perda óssea marginal. |
| Young et al. (2021) | Avaliaram o impacto do histórico de periodontite (HP) na sobrevivência do implante, perda óssea radiográfica, profundidade de sondagem e sangramento à sondagem ao redor do implante dentário. | A taxa de sobrevivência do implante foi avaliada como o desfecho primário. Os desfechos secundários avaliados foram perda óssea radiográfica, profundidade de sondagem, sangramento à sondagem e índices de placa. Em implantes com superfícies rugosas, o grupo HP apresentou uma taxa de sobrevivência reduzida (RR: 0,96, IC 95%: 0,94-0,98, P < 0,001), mesmo com tratamento pós-implante de suporte regular. Também apresentaram maior perda óssea marginal radiográfica (DMP: 0,34 mm, IC 95%: 0,2-0,48, P < 0,001), maior profundidade de sondagem (DMP: 0,47 mm, IC 95%: 0,19-0,74, P < 0,001) e maior sangramento à sondagem (DMP: 0,08 mm, IC 95%: 0,04-0,11, P < 0,001) quando comparados ao grupo não HP. Em implantes com superfície usinada, o grupo HP apresentou novamente maior perda óssea radiográfica (DMP: 0,88 mm, IC 95%: 0,65-1,11, P < 0,001) do que o grupo não-HP. No entanto, em implantes com superfícies usinadas, não houve diferença estatisticamente significativa na taxa de sobrevivência entre os grupos HP e não-HP (RR: 0,98, IC 95%: 0,92-1,04, P = 0,895). | Em implantes com superfícies rugosas, o histórico de doença periodontal tem um impacto negativo na taxa de sobrevivência, mesmo com terapia periodontal de suporte. |
| Cimões et al. (2021) | Avaliar o impacto da perda dentária devido à doença periodontal no prognóstico da reabilitação. | Os fatores preditivos de perda dentária em pacientes com periodontite devem ser avaliados pelos dentistas para orientar suas decisões clínicas durante o planejamento do tratamento odontológico. Isso fornecerá informações individualizadas detalhadas e o nível de risco dos pacientes considerados aptos para a reabilitação dentária. | O tratamento reabilitador realizado com próteses dentárias fixas ou removíveis, ou implantes dentários, sempre representará um desafio. Isso ocorre porque o design e a infraestrutura inadequados das próteses parciais removíveis, a adaptação marginal com sobreposição das próteses parciais fixas e as próteses dentárias implantossuportadas favorecem uma maior retenção de biofilme. Portanto, a saúde bucal desses pacientes também dependerá de mudanças em seu comportamento, tanto em relação à adesão ao tratamento periodontal quanto ao controle em casa. Além disso, os pacientes necessitarão de controle profissional da placa bacteriana com Manutenção Preventiva Periódica realizada durante consultas regulares, sendo essa uma estratégia essencial para preservar a saúde periodontal dos pacientes reabilitados. |
Fonte: Elaborado pelo autor, 2025.
4 DISCUSSÃO
A análise dos estudos incluídos nesta revisão evidencia que o histórico de doença periodontal prévia constitui um fator de risco significativo para falhas de implantes dentários, maior perda óssea marginal e incidência aumentada de peri-implantite, corroborando achados consistentes da literatura recente.
De acordo com Annunziata et al. (2024), pacientes com antecedentes de periodontite apresentaram risco 1,75 vezes maior de perda de implantes, além de aumento significativo da perda óssea marginal peri-implantar e da incidência de peri-implantite, quando comparados a indivíduos sem histórico periodontal. Esses achados sugerem que a história inflamatória prévia pode comprometer a resposta do tecido peri-implantar, possivelmente devido à colonização bacteriana persistente e à suscetibilidade imunológica individual. Corroborando esses resultados, Marty et al. (2024) e Serroni et al. (2024) confirmam que o histórico de periodontite influencia negativamente a taxa de sobrevivência dos implantes e favorece o desenvolvimento de peri-implantite. Serroni et al. (2024) destacam ainda que pacientes periodontais apresentaram uma probabilidade significativamente maior de falha em acompanhamentos superiores a cinco anos, com maior perda óssea marginal (0,75 mm em média). Tais dados reforçam que a manutenção periodontal prévia e contínua é essencial para o sucesso reabilitador a longo prazo.
O estudo de Young et al. (2021) acrescenta um componente clínico relevante ao demonstrar que, mesmo em pacientes sob terapia periodontal de suporte, o histórico de doença periodontal reduz a taxa de sobrevivência dos implantes, principalmente em implantes com superfícies rugosas. Isso sugere que fatores como a topografia da superfície do implante podem potencializar o risco de inflamação e colonização bacteriana em indivíduos predispostos. Sob uma ótica mais ampla, Darby (2022) aborda que os fatores de risco para periodontite e peri implantite vão além do histórico clínico, envolvendo aspectos sistêmicos, comportamentais e profissionais. Elementos como tabagismo, diabetes, idade, higiene bucal deficiente e falta de adesão ao tratamento foram identificados como determinantes importantes na manutenção da saúde peri-implantar. Isso reforça a necessidade de um manejo multidimensional do paciente, contemplando tanto o controle de fatores biológicos quanto comportamentais.
De maneira complementar, Gissler et al. (2025) enfatizam o papel fundamental da adesão aos cuidados de suporte periodontal e peri-implantar (SPT/SPIC). A análise desses autores demonstrou que pacientes aderentes apresentaram menor profundidade de sondagem, menos sangramento e menor taxa de perda de dentes e implantes, comprovando que o acompanhamento profissional periódico é indispensável para a estabilidade a longo prazo das reabilitações com implantes. Por fim, Cimões et al. (2021) reforçam que o sucesso das reabilitações implantossuportadas não depende apenas do procedimento cirúrgico, mas também de uma adequada avaliação de risco, planejamento protético e adesão do paciente às medidas preventivas. A manutenção periódica e a educação em saúde oral são essenciais para reduzir a retenção de biofilme e preservar a saúde peri-implantar.
Em conjunto, os estudos analisados convergem para a conclusão de que o histórico de doença periodontal prévia influencia negativamente o prognóstico de implantes dentários, especialmente quando não há controle adequado da inflamação e adesão ao suporte periodontal contínuo. O manejo desses pacientes deve, portanto, incluir avaliação criteriosa do risco, controle prévio da infecção, protocolos de manutenção regulares e acompanhamento interdisciplinar, visando à longevidade e à estabilidade dos implantes.
5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise dos estudos revisados evidencia, de forma consistente, que o histórico de doença periodontal prévia exerce influência direta e significativa sobre o sucesso dos implantes dentá rios, impactando tanto a taxa de sobrevivência quanto a ocorrência de peri-implantite e a perda óssea marginal. Pacientes que apresentam antecedentes de periodontite demonstram maior sus cetibilidade a complicações peri-implantares, mesmo quando submetidos a terapias de manu tenção e controle periodontal adequadas. As metanálises recentes, como a de Serroni et al. (2024), reforçam essa associação, apontando um risco até quatro vezes maior de peri-implantite em pacientes com histórico periodontal, chegando a oito vezes mais após dez anos de acompa nhamento. Esses resultados revelam que a doença periodontal, ainda que tratada, deixa uma marca biológica e imunológica que predispõe o paciente a uma resposta inflamatória exacer bada ao redor dos implantes.
Em concordância, Young et al. (2021) demonstraram que, em implantes com superfícies rugosas, o histórico de doença periodontal está associado a uma redução significativa na taxa de sobrevivência, mesmo com terapia periodontal de suporte. Já Marty et al. (2024) observaram que implantes com rugosidade moderada apresentaram desempenho superior aos de baixa rugosidade, especialmente em pacientes fumantes, sugerindo que características do implante tam bém modulam a resposta tecidual e o risco de falha. Além disso, Cimões et al. (2021) destacam que o êxito reabilitador não depende exclusivamente do procedimento cirúrgico ou da superfí cie do implante, mas da adesão do paciente aos cuidados de higiene e manutenção periódica. O controle profissional da placa bacteriana, aliado à motivação e às mudanças comportamentais, é determinante para preservar a saúde peri-implantar e prevenir a recorrência inflamatória. De modo geral, os achados desta revisão reforçam que a doença periodontal prévia deve ser considerada um fator de risco relevante no planejamento implantodôntico, exigindo abor dagem preventiva individualizada. A avaliação criteriosa do risco, o tratamento e estabilização periodontal prévios e a adesão contínua à terapia de suporte são fundamentais para assegurar a longevidade dos implantes e minimizar complicações a longo prazo. Portanto, o sucesso da reabilitação com implantes em pacientes com histórico de periodontite depende de um manejo interdisciplinar, que envolva acompanhamento clínico regular, controle rigoroso da infecção e educação em saúde bucal. Investigações futuras, com metodologias padronizadas e seguimen tos prolongados, são necessárias para aprimorar os protocolos de prevenção e manutenção, for talecendo a previsibilidade terapêutica nesses pacientes.
REFERÊNCIAS
ANNUNZIATA, Marco et al. Effectiveness of Implant Therapy in Patients With and Without a History of Periodontitis: A Systematic Review With Meta‐Analysis of Prospective Cohort Studies. Journal of Periodontal Research, v. 60, n. 6, p. 524-543, 2025.
CIMÕES, Renata et al. Impact of tooth loss due to periodontal disease on the prognosis of rehabilitation. Brazilian Oral Research, v. 35, p. e101, 2021.
DARBY, Ivan. Risk factors for periodontitis & peri‐implantitis. Periodontology 2000, v. 90, n. 1, p. 9-12, 2022.
GISSLER, Bernita Bush et al. Does Patient Adherence Influence the Ability of Supportive Periodontal Therapy to Maintain Stability Around Teeth and Dental Implants-A Systematic Review. Oral health & preventive dentistry, v. 23, p. 615-627, 2025.
MARTY, Léa et al. Implant Health in Treated Periodontitis Patients: A Systematic Review and Meta-Analysis. Dentistry Journal, v. 12, n. 8, p. 240, 2024.
SERRONI, Matteo et al. History of periodontitis as a risk factor for implant failure and incidence of peri‐implantitis: a systematic review, meta‐analysis, and trial sequential analysis of prospective cohort studies. Clinical Implant Dentistry and Related Research, v. 26, n. 3, p. 482-508, 2024.
YOUNG, Lindsey et al. Does a history of periodontal disease affect implant survival?. Evidence-Based Dentistry, v. 22, n. 1, p. 24-25, 2021.
1Mestre em Clínica Odontológica pela Faculdade Paulo Picanço, Fortaleza – CE, E-MAIL: robertosalesaguiar@gmail.com;
2Discente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário INTA-UNINTA, Campus Itapipoca;
3Graduado do Curso Superior de Odontologia pela Faculdade de Patos de Minas;
4Especialista em Implantodontia pela Faculdade Batista Brasileira – FBB;
5Discente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário Tocantinense Presidente Antônio Carlos;
6Discente do Curso Superior de Odontologia pela Universidade Salgado de Oliveira, Goiânia;
7Discente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário – UNIESP;
8Discente do Curso Superior de Odontologia pela Faculdade Maurício de Nassau de Campina Grande;
9Discente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ;
10Discente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário – UNIFACISA
