INFLUÊNCIA DA DOENÇA PERIODONTAL PRÉVIA NO SUCESSO  DE IMPLANTES DENTÁRIOS: UMA REVISÃO DOS ÚLTIMOS 5 ANOS

IMPACT OF PREVIOUS PERIODONTAL DISEASE ON DENTAL IMPLANT  SUCCESS: A REVIEW OF THE LAST 5 YEARS 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511051257


Roberto Sales Aguiar Filho1, Vanessa Maria Alves da Silva Pereira Oliveira2, Gustavo  Henrique de Castro3, Carolyne Calixto Camargos4, Beatriz Cristina da Silva Coelho5, Filipe Alves Dietz Ferreira6, Fernanda Gonçalves dos Santos Ribeiro7, Rhuann Ayran Castro  Borburema8, Lyvia Tavares Maciel Leitão9, Gabriela Gaião Pereira10


Resumo 

A doença periodontal é uma condição inflamatória crônica que afeta os tecidos de suporte dos dentes e  representa a principal causa de perda dentária em adultos. Consequentemente, muitos pacientes  candidatos à reabilitação com implantes dentários apresentam histórico de periodontite. Estudos recentes  indicam que essa condição prévia pode aumentar o risco de complicações periimplantares, como a perda  óssea marginal e a peri-implantite. Objetivo: Revisar a literatura científica dos últimos cinco anos acerca  da influência da doença periodontal prévia no sucesso dos implantes dentários, considerando parâmetros  clínicos, microbiológicos e comportamentais. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da  literatura, realizada nas bases de dados PubMed, SciELO, LILACS, Cochrane e Science Direct,  incluindo artigos publicados entre 2020 e 2025. Foram utilizados os descritores “Periodontal Diseases” e “Dental Implants”. Após a triagem e exclusão de duplicatas, sete estudos foram selecionados para  análise. Resultados: Os estudos analisados demonstraram que pacientes com histórico de periodontite  apresentam maior taxa de falha dos implantes, maior perda óssea marginal e maior incidência de peri implantite. Pesquisas recentes (Annunziata et al., 2024; Serroni et al., 2024) evidenciaram risco até  quatro vezes superior de peri-implantite em indivíduos previamente acometidos, além de redução da  taxa de sobrevivência dos implantes (Young et al., 2021). A adesão à terapia periodontal de suporte e ao  controle profissional da placa bacteriana mostrou-se essencial para a estabilidade dos tecidos peri implantares (Gissler et al., 2025; Cimões et al., 2021). Conclusão: A doença periodontal prévia constitui  um fator de risco significativo para o insucesso de implantes dentários. Mesmo após o tratamento e  estabilização periodontal, esses pacientes mantêm predisposição à inflamação peri-implantar e à perda  óssea marginal. A avaliação de risco individual, o controle rigoroso da infecção e a adesão aos programas  de manutenção periódica são fundamentais para garantir o sucesso reabilitador a longo prazo. 

Palavras-chave: Doença periodontal. Implantes Dentários. Periodontite. Sucesso do Implante. 

Abstract 

Periodontal disease is a chronic inflammatory condition that affects the supporting tissues of teeth and  represents the main cause of tooth loss in adults. Consequently, many patients seeking rehabilitation  with dental implants have a history of periodontitis. Recent studies indicate that this condition may  increase the risk of periimplant complications, such as marginal bone loss and peri-implantitis.  Objective: To review the scientific literature of the last five years about the influence of previous  periodontal disease on dental implant success, considering clinical, microbiological and behavioral  parameters. Methodology: This is an integrative literature review, conducted in the PubMed, SciELO,  LILACS, Cochrane and Science Direct databases, including articles published between 2020 and 2025.  The descriptors “Periodontal Diseases” and “Dental Implants” were used. After screening and exclusion  of duplicates, seven studies were selected for analysis. Results: The studies analyzed showed that  patients with periodontitis history have a higher rate of implant failure, greater marginal bone loss and  greater incidence of peri-implantitis. Recent studies (Annunziata et al., 2024; Serroni et al., 2024) have  shown up to four times higher risk of peri-implantitis in previously affected individuals, as well as a  reduction in the survival rate of implants (Young et al., 2021). Adherence to supportive periodontal  therapy and professional control of bacterial plaque was essential for the stability of peri-implant tissues  (Gissler et al., 2025; Cimões et al., 2021). Conclusion: Previous periodontal disease is a significant risk  factor for the failure of dental implants. Even after periodontal treatment and stabilization, these patientsremain predisposed to peri-implant inflammation and marginal bone loss. Individual risk assessment,  strict infection control and adherence to periodic maintenance programs are key to ensuring long-term  rehabilitator success. 

Keywords: Periodontal disease. Dental implants. Periodontitis. Implant success. 

1 INTRODUÇÃO 

O advento dos implantes dentários transformou profundamente a prática odontológica,  oferecendo soluções previsíveis e duradouras para a reabilitação de pacientes parcialmente ou  totalmente edêntulos. Milhões de implantes são instalados anualmente em todo o mundo, e  embora apresentem altas taxas de sucesso, uma parcela significativa pode evoluir com  complicações biológicas, como inflamação dos tecidos peri-implantares e perda óssea marginal.  A previsibilidade desses tratamentos está diretamente relacionada ao planejamento inicial e ao  controle de fatores de risco que, muitas vezes, se assemelham àqueles envolvidos na doença  periodontal (Darby, 2022). 

Diversos estudos apontam que os fatores de risco para periodontite e peri-implantite envolvem tanto aspectos individuais e sistêmicos, quanto comportamentais e socioeconômicos.  Condições como tabagismo, diabetes, distúrbios metabólicos, uso de medicamentos, baixa  condição socioeconômica e higiene oral deficiente estão fortemente associadas à progressão  dessas doenças. Além disso, a carga alostática definida como o efeito cumulativo do estresse  psicossocial e físico ao longo da vida tem sido sugerida como um dos mecanismos que explicam  a maior vulnerabilidade de certos indivíduos à periodontite e, consequentemente, às  complicações peri-implantares (Darby, 2022). 

Com o avanço tecnológico, a cirurgia de implantes guiada por computador, em suas  modalidades estática ou dinâmica, tem sido amplamente adotada para otimizar a precisão da  instalação tridimensional dos implantes, reduzindo riscos e aumentando a previsibilidade  clínica. No entanto, mesmo com essas inovações, o sucesso a longo prazo ainda depende, em  grande parte, do estado periodontal prévio do paciente e de seu comprometimento com  programas de manutenção e controle da placa bacteriana (Darby, 2022). 

A terapia periodontal de suporte (TPS) e o cuidado peri-implantar de suporte (CPI) têm  papel fundamental na prevenção da recorrência da doença, uma vez que envolvem reavaliação  periódica, instruções de higiene oral, re-motivação do paciente e monitoramento de parâmetros  clínicos, como profundidade de sondagem, sangramento e nível de inserção clínica. A  manutenção adequada desses cuidados está diretamente relacionada à estabilidade dos tecidos  periodontais e peri-implantares (Gissler et al., 2025).

A periodontite, considerada a sexta doença mais prevalente do mundo, afeta  aproximadamente 11% da população adulta e tem sido reconhecida como uma condição  inflamatória crônica com impacto sistêmico relevante, comparável a doenças cardiovasculares  e ao diabetes mellitus (Gissler et al., 2025). Assim, a periodontite prévia deve ser entendida não  apenas como um evento localizado, mas como um marcador de risco biológico e imunológico para futuras complicações em reabilitações com implantes. 

Nos últimos anos, a incidência de doenças peri-implantares aumentou  significativamente, acompanhando o crescimento das reabilitações com implantes. Estima-se  que a mucosite peri-implantar acometa entre 43% e 46% dos pacientes, enquanto a peri implantite ocorre em aproximadamente 20% dos casos (Annunziata et al., 2024). Esses dados  reforçam a necessidade de uma abordagem preventiva que inclua anamnese detalhada,  avaliação do perfil de risco, estabilização prévia da condição periodontal e adesão a um  programa de cuidados contínuos antes da instalação dos implantes. 

Mesmo em pacientes com periodonto tratado e estabilizado, o histórico de doença  periodontal continua sendo um fator predisponente à recorrência inflamatória e perda óssea  marginal. Como a periodontite é a principal causa de perda dentária em adultos, grande parte  dos indivíduos candidatos à reabilitação com implantes apresenta esse antecedente clínico, o  que reforça a interdependência entre ambas as condições. Dessa forma, compreender a  influência da doença periodontal prévia no sucesso dos implantes dentários é essencial para  estabelecer protocolos preventivos eficazes e promover reabilitações orais mais duradouras e  previsíveis (Annunziata et al., 2024).

2 METODOLOGIA  

 Esta revisão integrativa da literatura possui uma metodologia qualitativa, sendo baseada  no desenvolvimento da seguinte pergunta de pesquisa: “Qual a influência da doença periodontal  prévia no sucesso de implantes dentários, segundo as evidências científicas publicadas nos  últimos cinco anos?” Para isto, foram utilizadas as bases de dados eletrônica: U. S. National  Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Cochrane  Library, Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Science  Direct para pesquisar e identificar estudos que respondessem à pergunta norteadora desta  revisão integrativa da literatura. A base de dados foi pesquisada para estudos realizados entre  2020 e 2025. Obtemos um total de 24.585 artigos, foram excluídos 24.051 após os critérios,  foram encontradas 14 duplicatas e, após a triagem, 7 artigos foram selecionados para compor  esta pesquisa. Esta revisão integrativa baseou-se em cinco etapas: Na primeira etapa foi o  estabelecimento dos descritores para ambas as bases de dados, sendo uma com a utilização de  MeSHterms (PubMed) e DeCS/MeSH (BVS). Em seguida, na segunda etapa, foram feitas uma  busca avançada nas bases e análise do quantitativo dos artigos científicos presentes na íntegra.  Logo em seguida, na terceira etapa, foram selecionados os artigos que se adequaram aos  critérios de elegibilidade estabelecidos pelos pesquisadores. Na quarta e quinta etapa, os  pesquisadores formularam uma tabela descritiva sobre os autores, objetivo de pesquisa,  resultados e conclusão e em seguida, desenvolvimento da discussão dos artigos científicos, a  fim de responder à pergunta norteadora estabelecida no início desta metodologia. Foram  utilizados dois descritores para a composição da chave de pesquisa, sendo os seguintes  (MeSH/DeCS): [(Doenças Periodontais / Periodontal Diseases) AND (Implantes Dentários /  Dental Implants)]. Em seguida, os pesquisadores selecionaram os trabalhos com análise no  título e resumo, com base nos critérios de elegibilidade. Os critérios de elegibilidade foram os  seguintes: artigos publicados em português e inglês; ensaios clínicos randomizados ou não  randomizados; metanálise; revisões sistemáticas e artigos que se adequem à temática. Também  foi utilizado o sistema de formulário avançado para busca e seleção dos artigos utilizando  conector booleano “AND”. Em seguida, artigos que preencheram os critérios de elegibilidade  foram identificados e incluídos na revisão.

3 RESULTADOS 

Os trabalhos que preencheram todos os critérios de seleção foram incluídos no estudo,  os que não preencheram os critérios e/ou não se mostraram relevantes foram excluídos. Os  resultados por análise foram representados na Tabela 1 e estabeleceu-se a construção da  Tabela 2 aos estudos selecionados, com formulação das colunas (Autor/Ano; Objetivo; Resultados e Conclusão). 

Tabela 1 – Seleção dos artigos por análise empregada e estabelecimento dos critérios de  inclusão. 

Íntegra Após critérios Artigos selecionados
PubMed 9.974 355 6
SciELO 1
Cochrane Library 0
LILACS 132 11 0
Science Direct14.471 164 0

Fonte: Elaborado pelo autor, 2025. 

Tabela 2 – Estudos detalhados em tabela de resultados.

Autor/Ano Objetivo Resultados Conclusão
Darby (2022) Analisar os fatores de 
risco para  periodontite
e peri-implantite
De modo geral, os fatores de risco podem  estar relacionados ao paciente, ao ambiente  ou ao profissional. Os fatores de risco  relacionados ao paciente incluem o nível  socioeconômico, o tabagismo, os  
transtornos por uso de substâncias, o  diabetes, a dieta e os suplementos  
alimentares, os transtornos de saúde  mental, a idade avançada, a higiene bucal  inadequada em casa ou a falta de  compreensão da necessidade de uma boa  higiene bucal e o uso de medicamentos. A  modificação ambiental da resposta do  hospedeiro por meio da função gênica é  um fator de risco emergente. Por fim,  sabe-se agora que os fatores relacionados  ao profissional na implantodontia afetam o  risco.
O risco e os fatores de risco são uma área  em constante evolução, que continuará a  mudar à medida que a compreensão da  periodontite e das doenças peri implantares melhorar. Reduzir o risco é  fundamental durante o tratamento, mas o  manejo eficaz do risco também é  necessário para resultados terapêuticos  satisfatórios e prolongados. Podemos  modificar os fatores de risco, mas os não  modificáveis representam um desafio. O  risco não está necessariamente  
relacionado apenas a fatores do paciente.
Gissler et al.  (2025)Avaliar se a adesão  do paciente aos  cuidados periodontais  de suporte (CPS) e  aos cuidados peri implantares de  suporte (CPI)  influencia os  resultados clínicos a  longo prazo,  particularmente a  profundidade de  sondagem, para  manter a saúde  periodontal e/ou peri implantar.Um total de 3891 artigos foram  selecionados em uma busca inicial.  Posteriormente, sete estudos foram  considerados elegíveis para inclusão nesta  revisão. Nesses estudos, a adesão aos  cuidados de suporte foi consistentemente  associada a melhores resultados clínicos,  incluindo redução da profundidade de  sondagem, menor sangramento à  sondagem e menor perda de dentes ou  implantes. Devido à heterogeneidade dos  dados, nenhuma metanálise foi realizada.A adesão ao SPT/SPIC foi  consistentemente associada a desfechos  clínicos mais favoráveis nos estudos  incluídos. Estudos futuros são  necessários e devem considerar (I) a  aplicação de definições consistentes para  adesão/não adesão com base no estado  clínico em relação à necessidade de  intervenção, (II) o intervalo de tempo  entre as intervenções de SPT/SPIC e (III)  a consistência nos protocolos de coleta  de dados durante as intervenções.
Annunziata et  al. (2024)Esta revisão  sistemática investiga  a eficácia da terapia  com implantes em  pacientes com e sem  histórico de  periodontite em  termos de perda de  implantes, perda  óssea marginal peri implantar (MOM) e  ocorrência de  doenças peri implantares.A metanálise mostrou que pacientes  hiperplásicos apresentaram risco  significativamente maior de perda de  implante (HR: 1.75; 95% CI: 1.28– 2.40; p = 0.0005; I2 = 0%), perda óssea  marginal (MD: 0.41 mm; 95% CI 0.19,  0.63; p = 0.0002; I2 = 54%), e peri implantite (3.24; 95% CI: 1.58– 6.64; p = 0.001; I2 = 57%) em comparação  com pacientes não hiperplásicos, enquanto  nenhuma diferença significativa entre os  grupos foi encontrada para mucosite peri implantar. As análises de subgrupos  revelaram um risco particularmente maior  de perda de implantes em  pacientes com periodontite hipertensiva  (PH) com um período de acompanhamento  ≥ 10 anos (HR: 2,02; IC 95%: 1,06– 3,85; p = 0,03; = 0%) e em pacientes  com histórico de periodontite grau C  (anteriormente agressiva) (HR: 6,16; IC  95%: 2,53–15,01; p < 0,0001; = 0%).  Também foi observado um risco maior de  perda de implantes em estágios III–IV  (grave) de periodontite e em implantes  com superfícies rugosas..Dentro dos limites das definições de caso  heterogêneas e dos métodos de  avaliação, um histórico de periodontite  demonstrou aumentar significativamente  o risco de perda de implantes,  
particularmente em acompanhamento de  longo prazo (≥ 10 anos) e em casos de formas rapidamente progressivas (grau  C), bem como para perda óssea marginal  e peri-implantite.
Marty et al. (2024)Avaliar o papel do  histórico de  periodontite na falha  de implantes.De 10.775 artigos potencialmente  elegíveis, 8 foram incluídos na análise  qualitativa e 10 na síntese quantitativa.Esta meta-análise sugere que o histórico  de periodontite tem um impacto  significativo na taxa de peri-implantite,  na taxa de sobrevivência, na perda óssea  média e na profundidade da bolsa  periodontal.
Serroni et al.  (2024)Avaliar o histórico de  periodontite como  fator de risco para  falha de implantes e  incidência de peri implantite.Foram incluídas 14 publicações que  relataram 12 estudos de coorte  prospectivos. A baixa certeza/qualidade da  evidência, devido à ausência de ensaios  clínicos randomizados, revelou uma  probabilidade significativamente maior de  falha em pacientes com histórico de  periodontite nos acompanhamentos, tanto  após ≤5 anos (RR = 1,62; IC 95%: 1,71- 2,37; p = 0,013) quanto após >5 anos (RR  = 2,26; IC 95%: 1,12-4,53; p = 0,023). A  incidência de peri-implantite (RR = 4,09;  IC 95%: 1,93-8,58; p < 0,001) e a média  ponderada (MP) da perda óssea marginal  (diferença MP = 0,75 mm; IC 95%: 0,18- 1,31; p < 0,05) foram estatisticamente  significativamente maiores no grupo com  comprometimento periodontal, enquanto  não houve diferença significativa entre os  dois grupos em relação à profundidade de  sondagem peri-implantar.Um histórico de periodontite pode ser  considerado um fator de risco  significativo para falha de implantes,  peri-implantite e maior perda óssea  marginal.
Young et al.  (2021)Avaliaram o impacto  do histórico de  periodontite (HP) na  sobrevivência do  implante, perda óssea  radiográfica,  profundidade de  sondagem e  
sangramento à  
sondagem ao redor  do implante dentário.
A taxa de sobrevivência do implante foi  avaliada como o desfecho primário. Os  desfechos secundários avaliados foram  perda óssea radiográfica, profundidade de  sondagem, sangramento à sondagem e  índices de placa. Em implantes com  superfícies rugosas, o grupo HP apresentou  uma taxa de sobrevivência reduzida (RR:  0,96, IC 95%: 0,94-0,98, P < 0,001),  mesmo com tratamento pós-implante de  suporte regular. Também apresentaram  maior perda óssea marginal radiográfica  (DMP: 0,34 mm, IC 95%: 0,2-0,48, P <  0,001), maior profundidade de sondagem  (DMP: 0,47 mm, IC 95%: 0,19-0,74, P <  0,001) e maior sangramento à sondagem  (DMP: 0,08 mm, IC 95%: 0,04-0,11, P <  0,001) quando comparados ao grupo não HP. Em implantes com superfície usinada,  o grupo HP apresentou novamente maior perda óssea radiográfica (DMP: 0,88 mm,  IC 95%: 0,65-1,11, P < 0,001) do que o  grupo não-HP. No entanto, em implantes  com superfícies usinadas, não houve  diferença estatisticamente significativa na  taxa de sobrevivência entre os grupos HP e  não-HP (RR: 0,98, IC 95%: 0,92-1,04, P =  0,895).Em implantes com superfícies rugosas, o  histórico de doença periodontal tem um  impacto negativo na taxa de  sobrevivência, mesmo com terapia  periodontal de suporte.
Cimões et al.  (2021)Avaliar o impacto da  perda dentária devido  à doença periodontal  no prognóstico da  reabilitação.Os fatores preditivos de perda dentária em  pacientes com periodontite devem ser  avaliados pelos dentistas para orientar suas  decisões clínicas durante o planejamento  do tratamento odontológico. Isso fornecerá  informações individualizadas detalhadas e  o nível de risco dos pacientes considerados  aptos para a reabilitação dentária.O tratamento reabilitador realizado com  próteses dentárias fixas ou removíveis,  ou implantes dentários, sempre  
representará um desafio. Isso ocorre  porque o design e a infraestrutura  inadequados das próteses parciais  removíveis, a adaptação marginal com  sobreposição das próteses parciais fixas e  as próteses dentárias  
implantossuportadas favorecem uma  maior retenção de biofilme. Portanto, a  saúde bucal desses pacientes também  dependerá de mudanças em seu  comportamento, tanto em relação à  adesão ao tratamento periodontal quanto  ao controle em casa. Além disso, os  pacientes necessitarão de controle  profissional da placa bacteriana com  Manutenção Preventiva Periódica  realizada durante consultas regulares,  sendo essa uma estratégia essencial para  preservar a saúde periodontal dos  pacientes reabilitados.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2025. 

4 DISCUSSÃO 

A análise dos estudos incluídos nesta revisão evidencia que o histórico de doença  periodontal prévia constitui um fator de risco significativo para falhas de implantes dentários,  maior perda óssea marginal e incidência aumentada de peri-implantite, corroborando achados  consistentes da literatura recente. 

De acordo com Annunziata et al. (2024), pacientes com antecedentes de periodontite  apresentaram risco 1,75 vezes maior de perda de implantes, além de aumento significativo da  perda óssea marginal peri-implantar e da incidência de peri-implantite, quando comparados a  indivíduos sem histórico periodontal. Esses achados sugerem que a história inflamatória prévia  pode comprometer a resposta do tecido peri-implantar, possivelmente devido à colonização  bacteriana persistente e à suscetibilidade imunológica individual. Corroborando esses  resultados, Marty et al. (2024) e Serroni et al. (2024) confirmam que o histórico de periodontite  influencia negativamente a taxa de sobrevivência dos implantes e favorece o desenvolvimento  de peri-implantite. Serroni et al. (2024) destacam ainda que pacientes periodontais  apresentaram uma probabilidade significativamente maior de falha em acompanhamentos superiores a cinco anos, com maior perda óssea marginal (0,75 mm em média). Tais dados  reforçam que a manutenção periodontal prévia e contínua é essencial para o sucesso reabilitador  a longo prazo. 

O estudo de Young et al. (2021) acrescenta um componente clínico relevante ao  demonstrar que, mesmo em pacientes sob terapia periodontal de suporte, o histórico de doença  periodontal reduz a taxa de sobrevivência dos implantes, principalmente em implantes com  superfícies rugosas. Isso sugere que fatores como a topografia da superfície do implante podem  potencializar o risco de inflamação e colonização bacteriana em indivíduos predispostos. Sob  uma ótica mais ampla, Darby (2022) aborda que os fatores de risco para periodontite e peri implantite vão além do histórico clínico, envolvendo aspectos sistêmicos, comportamentais e  profissionais. Elementos como tabagismo, diabetes, idade, higiene bucal deficiente e falta de  adesão ao tratamento foram identificados como determinantes importantes na manutenção da  saúde peri-implantar. Isso reforça a necessidade de um manejo multidimensional do paciente,  contemplando tanto o controle de fatores biológicos quanto comportamentais. 

De maneira complementar, Gissler et al. (2025) enfatizam o papel fundamental da adesão  aos cuidados de suporte periodontal e peri-implantar (SPT/SPIC). A análise desses autores  demonstrou que pacientes aderentes apresentaram menor profundidade de sondagem, menos  sangramento e menor taxa de perda de dentes e implantes, comprovando que o  acompanhamento profissional periódico é indispensável para a estabilidade a longo prazo das  reabilitações com implantes. Por fim, Cimões et al. (2021) reforçam que o sucesso das  reabilitações implantossuportadas não depende apenas do procedimento cirúrgico, mas também  de uma adequada avaliação de risco, planejamento protético e adesão do paciente às medidas  preventivas. A manutenção periódica e a educação em saúde oral são essenciais para reduzir a  retenção de biofilme e preservar a saúde peri-implantar. 

Em conjunto, os estudos analisados convergem para a conclusão de que o histórico de  doença periodontal prévia influencia negativamente o prognóstico de implantes dentários,  especialmente quando não há controle adequado da inflamação e adesão ao suporte periodontal  contínuo. O manejo desses pacientes deve, portanto, incluir avaliação criteriosa do risco,  controle prévio da infecção, protocolos de manutenção regulares e acompanhamento  interdisciplinar, visando à longevidade e à estabilidade dos implantes.

5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A análise dos estudos revisados evidencia, de forma consistente, que o histórico de doença  periodontal prévia exerce influência direta e significativa sobre o sucesso dos implantes dentá rios, impactando tanto a taxa de sobrevivência quanto a ocorrência de peri-implantite e a perda  óssea marginal. Pacientes que apresentam antecedentes de periodontite demonstram maior sus cetibilidade a complicações peri-implantares, mesmo quando submetidos a terapias de manu tenção e controle periodontal adequadas. As metanálises recentes, como a de Serroni et al.  (2024), reforçam essa associação, apontando um risco até quatro vezes maior de peri-implantite em pacientes com histórico periodontal, chegando a oito vezes mais após dez anos de acompa nhamento. Esses resultados revelam que a doença periodontal, ainda que tratada, deixa uma  marca biológica e imunológica que predispõe o paciente a uma resposta inflamatória exacer bada ao redor dos implantes. 

Em concordância, Young et al. (2021) demonstraram que, em implantes com superfícies  rugosas, o histórico de doença periodontal está associado a uma redução significativa na taxa  de sobrevivência, mesmo com terapia periodontal de suporte. Já Marty et al. (2024) observaram  que implantes com rugosidade moderada apresentaram desempenho superior aos de baixa rugosidade, especialmente em pacientes fumantes, sugerindo que características do implante tam bém modulam a resposta tecidual e o risco de falha. Além disso, Cimões et al. (2021) destacam  que o êxito reabilitador não depende exclusivamente do procedimento cirúrgico ou da superfí cie do implante, mas da adesão do paciente aos cuidados de higiene e manutenção periódica. O  controle profissional da placa bacteriana, aliado à motivação e às mudanças comportamentais,  é determinante para preservar a saúde peri-implantar e prevenir a recorrência inflamatória. De modo geral, os achados desta revisão reforçam que a doença periodontal prévia deve  ser considerada um fator de risco relevante no planejamento implantodôntico, exigindo abor dagem preventiva individualizada. A avaliação criteriosa do risco, o tratamento e estabilização  periodontal prévios e a adesão contínua à terapia de suporte são fundamentais para assegurar a  longevidade dos implantes e minimizar complicações a longo prazo. Portanto, o sucesso da  reabilitação com implantes em pacientes com histórico de periodontite depende de um manejo  interdisciplinar, que envolva acompanhamento clínico regular, controle rigoroso da infecção e  educação em saúde bucal. Investigações futuras, com metodologias padronizadas e seguimen tos prolongados, são necessárias para aprimorar os protocolos de prevenção e manutenção, for talecendo a previsibilidade terapêutica nesses pacientes.

REFERÊNCIAS 

ANNUNZIATA, Marco et al. Effectiveness of Implant Therapy in Patients With and Without  a History of Periodontitis: A Systematic Review With Meta‐Analysis of Prospective Cohort  Studies. Journal of Periodontal Research, v. 60, n. 6, p. 524-543, 2025. 

CIMÕES, Renata et al. Impact of tooth loss due to periodontal disease on the prognosis of  rehabilitation. Brazilian Oral Research, v. 35, p. e101, 2021. 

DARBY, Ivan. Risk factors for periodontitis & peri‐implantitis. Periodontology 2000, v. 90, n.  1, p. 9-12, 2022. 

GISSLER, Bernita Bush et al. Does Patient Adherence Influence the Ability of Supportive  Periodontal Therapy to Maintain Stability Around Teeth and Dental Implants-A Systematic  Review. Oral health & preventive dentistry, v. 23, p. 615-627, 2025. 

MARTY, Léa et al. Implant Health in Treated Periodontitis Patients: A Systematic Review and  Meta-Analysis. Dentistry Journal, v. 12, n. 8, p. 240, 2024. 

SERRONI, Matteo et al. History of periodontitis as a risk factor for implant failure and  incidence of peri‐implantitis: a systematic review, meta‐analysis, and trial sequential analysis  of prospective cohort studies. Clinical Implant Dentistry and Related Research, v. 26, n. 3, p.  482-508, 2024. 

YOUNG, Lindsey et al. Does a history of periodontal disease affect implant  survival?. Evidence-Based Dentistry, v. 22, n. 1, p. 24-25, 2021.


1Mestre em Clínica Odontológica pela Faculdade Paulo Picanço, Fortaleza – CE, E-MAIL: robertosalesaguiar@gmail.com;
2Discente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário INTA-UNINTA, Campus Itapipoca;
3Graduado do Curso Superior de Odontologia pela Faculdade de Patos de Minas;
4Especialista em Implantodontia pela Faculdade Batista Brasileira – FBB;
5Discente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário Tocantinense Presidente Antônio Carlos;
6Discente do Curso Superior de Odontologia pela Universidade Salgado de Oliveira, Goiânia;
7Discente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário – UNIESP;
8Discente do Curso Superior de Odontologia pela Faculdade Maurício de Nassau de Campina Grande;
9Discente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ;
10Discente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário – UNIFACISA