INFLUENCE OF NUTRITION AND SUPPLEMENTATION ON THE QUALITY OF LIFE OF PATIENTS WITH GASTRIC NEOPLASIA
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511171251
Isis Souza Araújo de Andrade¹
Ana Beatriz de Araújo Belém¹
Lara Dalila Oliveira Chagas¹
Francisca Marta Nascimento de Oliveira Freitas²
Rosimar Honorato Lobo3
RESUMO
O câncer gástrico é uma das neoplasias mais incidentes no mundo e apresenta elevada taxa de mortalidade, configurando-se como um grave problema de saúde pública. Entre os principais fatores de risco destacam-se a infecção por Helicobacter pylori, hábitos alimentares inadequados e predisposição genética. A desnutrição e a sarcopenia são frequentes em pacientes oncológicos, comprometendo a resposta ao tratamento e a qualidade de vida. O objetivo geral do presente estudo é investigar o impacto da terapia nutricional e da suplementação na qualidade de vida de pacientes acometidos por câncer gástrico, foi realizada uma pesquisa de revisão integrativa da literatura que possui caráter amplo que se propõe a descrever o desenvolvimento de determinado assunto mediante análise e interpretação da produção científica existente. Nesse contexto, a terapia associada à suplementação e ao uso de imunonutrientes exerce papel fundamental na prevenção e no manejo das complicações nutricionais, favorecendo a manutenção da massa muscular, a tolerância às terapias antineoplásicas e a recuperação clínica. Esta revisão integrativa analisou a influência da intervenção nutricional e da suplementação na qualidade de vida de pacientes com câncer gástrico, ressaltando a relevância da abordagem dietoterápica como parte essencial do tratamento oncológico multimodal.
Palavras-chave: Câncer gástrico. Terapia nutricional. Suplementação alimentar. Imunonutrição. Qualidade de vida.
ABSTRACT
Gastric cancer is one of the most common neoplasms worldwide and has a high mortality rate, constituting a serious public health problem. The main risk factors include Helicobacter pylori infection, poor dietary habits, and genetic predisposition. Malnutrition and sarcopenia are common in cancer patients, compromising treatment response and quality of life. In this context, nutritional therapy, combined with supplementation and immunonutrient use, plays a fundamental role in the prevention and management of nutritional complications, promoting the maintenance of muscle mass, tolerance to antineoplastic therapies, and clinical recovery. This integrative review analyzed the influence of nutritional intervention and supplementation on the quality of life of patients with gastric cancer, highlighting the relevance of the dietary therapy approach as an essential part of multimodal cancer treatment.
Keywords: Gastric cancer. Nutritional therapy. Dietary supplementation. Immunonutrition. Quality of life.
1 INTRODUÇÃO
O câncer gástrico (CG) representa um dos principais tipos de neoplasia que acometem ambos os sexos. Apesar da redução gradual em sua incidência nas últimas décadas, continua sendo o quinto câncer mais frequente no mundo e a segunda principal causa de morte por neoplasias, caracterizando-se como um grave problema de saúde pública (Ramos et al., 2019).
Entre os fatores de risco associados ao desenvolvimento do CG destacam-se a infecção por Helicobacter pylori, o consumo elevado de sal e alimentos processados, hábitos alimentares inadequados, predisposição genética e obesidade. Nesse contexto, a obesidade merece atenção especial, pois está relacionada ao aumento da produção de hormônios endógenos que estimulam a proliferação celular. Da mesma forma, o consumo excessivo de sal pode lesionar a mucosa gástrica e favorecer a colonização por H. pylori, elevando o risco de carcinogênese (Da Silva et al., 2021).
Histologicamente, os tumores gástricos apresentam-se, em sua maioria, como adenocarcinomas (95%), seguidos de linfomas (3%) e leiomiossarcomas (2%). Embora a etiologia exata ainda não esteja totalmente esclarecida, múltiplos fatores ambientais, genéticos e comportamentais estão envolvidos na sua patogênese (Ribeiro et al., 2000).
De acordo com a Braspen (2025), a desnutrição constitui uma condição frequente entre pacientes oncológicos, resultante tanto da presença do tumor quanto dos efeitos adversos dos tratamentos antineoplásicos, sejam eles clínicos ou cirúrgicos. Essa condição nutricional desfavorável interfere negativamente na qualidade de vida, na resposta imunológica e na tolerância às terapias empregadas. Estima-se que entre 10% e 20% dos indivíduos acometidos por câncer evoluam para óbito em decorrência das complicações associadas à desnutrição, e não propriamente pela progressão tumoral.
A desnutrição está intimamente relacionada à sarcopenia, caracterizada pela redução da massa magra corporal e pelo comprometimento da função muscular. A perda de peso e da musculatura esquelética são manifestações típicas da sarcopenia associada ao câncer, um processo de caráter progressivo e frequentemente irreversível em pacientes com neoplasias em estágio avançado.
Dessa forma, a avaliação do estado nutricional, incluindo a análise da composição corporal com ênfase na massa magra e no tecido adiposo —, torna-se fundamental para um diagnóstico preciso e para o estabelecimento de uma intervenção nutricional individualizada. Essa abordagem favorece a melhora do estado nutricional, da ingestão alimentar, da capacidade funcional e da qualidade de vida, além de contribuir para o aumento das taxas de sobrevida.
No que se refere à terapia nutricional, a via oral é a forma preferencial de administração. Nesse contexto, destaca-se o uso de suplementos nutricionais orais em associação à alimentação habitual como estratégia eficaz para suprir as demandas energéticas e proteicas, especialmente quando a ingestão alimentar espontânea não é suficiente para atender entre 60% e 70% das necessidades nutricionais diárias (Braspen, 2025).
Diante desse cenário, a intervenção nutricional associada à suplementação alimentar apresenta-se como estratégia essencial para o suporte terapêutico. Assim, este trabalho tem como objetivo investigar o impacto da terapia nutricional e da suplementação na qualidade de vida de pacientes com câncer gástrico, ressaltando a importância da abordagem dietoterápica integrada ao tratamento oncológico.
2 METODOLOGIA
2.1 Tipo de estudo
O presente estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, abordagem metodológica de natureza ampla que tem como propósito sistematizar e descrever o desenvolvimento de um tema específico a partir da análise crítica e interpretação das produções científicas disponíveis. Esse tipo de revisão, ao reunir e sintetizar o conhecimento existente sobre determinado assunto, possibilita a identificação de lacunas teóricas e metodológicas, contribuindo, assim, para orientar futuras investigações e aprofundar a compreensão sobre a temática abordada (Brum et al., 2015)
2.2 Coleta de dados
Os dados foram pesquisados nas seguintes plataformas biblioteca eletrônica Scientific Eletronic Liberany Online (SciElo e na USA National Library of Medicinne (PubMed) e Braspen Journal, por meio da busca avançada utilizando-se dos seguintes termos delimitados de pesquisa, como descritores para o levantamento de dados dos últimos 5 anos.
Utizando-se descritores específicos relacionados a ”intervenção nutricional”, “fatores de risco’’, e “suplementação alimentar” considerando a relevância e a qualidade metodológica dos estudos, além da disponibilidade de textos completos, o processo de seleção seguiu rigorosamente os protocolos éticos e científicos permitindo a identificação de artigos que contribuem de maneira consistente para a compreensão do estudo.
Os dados utilizados para a seleção dos artigos incluídos nesta revisão integrativa obedeceram a critérios específicos de elegibilidade, considerando apenas publicações originais cujo tema apresentasse relevância direta ao objetivo do presente estudo. Foram excluídos os trabalhos que não se enquadravam nesses parâmetros, tais como revisões de literatura, teses, dissertações, relatos de experiência, bem como artigos que, embora abordassem o câncer gástrico, tratassem de contextos ou situações particulares não pertinentes à proposta desta pesquisa.
2.3 Análise de dados
Na pesquisa a análise de dados foi realizada de forma qualitativa, considerando uma leitura crítica e coerente dos estudos selecionados, seguida da categorização dos principais achados. Foram detectadas e organizadas informações de temas que abordam a eficácia da intervenção nutricional no tratamento do câncer gástrico, esse método permitiu a comparação entre diferentes abordagens e evidências, destacando pontos convergentes nos estudos selecionados.
A análise considerou a qualidade metodológica de cada artigo selecionado assegurando que as conclusões fossem embasadas em dados consistentes. Dessa forma, a estratégia de análise adotada possibilitou a integração dos resultados e construção de um projeto teórico sólido, favorecendo o aprimoramento das práticas de terapia alimentar.
Figura 1: Processo de identificação e seleção de artigos.


3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 Câncer Gástrico e Perfil Epidemiológico da Doença no Brasil
A neoplasia gástrica possui origem multifatorial e caracteriza-se pela proliferação desordenada de células que compõem a parede do estômago (LEE, 2019). Trata-se de um relevante problema de saúde pública, uma vez que representa o quarto tipo de câncer mais frequente em todo o mundo e ocupa a segunda posição entre as neoplasias malignas com maior índice de mortalidade (Panduro correa, 2019; Machlowska, 2020).
A classificação do câncer gástrico pode ser realizada com base em critérios histológicos ou macroscópicos. De acordo com a classificação proposta por Lauren, a análise histológica permite a distinção entre os subtipos intestinal e difuso.
O subtipo difuso, mais comum em mulheres jovens, é composto por pequenos grupos de células em anel de sinete, que não formam glândulas, apresentam baixo grau de diferenciação e estão associados a um prognóstico desfavorável devido à sua tendência de infiltração pela submucosa. Por outro lado, o subtipo intestinal apresenta maior prevalência em indivíduos do sexo masculino, é geralmente bem diferenciado e está frequentemente associado a lesões pré-cancerosas passíveis de detecção precoce (Todescatto, 2017).
A classificação de Bormann categoriza os tumores gástricos com base em suas características macroscópicas, sendo dividida em quatro tipos: tipo I, caracterizado por lesões elevadas e polipoides; tipo II, por lesões ulceradas com margens bem definidas; tipo III, por lesões ulceradas com infiltração parcial e bordas irregulares; e tipo IV, por lesões com infiltração difusa (Santos, 2016).
No que se refere à incidência global, estima-se a ocorrência de aproximadamente 1 milhão de novos casos de câncer gástrico por ano. Essa neoplasia representa o quarto tipo de câncer mais comum entre os homens, com cerca de 631 mil novos casos anuais, e o quinto entre as mulheres, com aproximadamente 320 mil registros. Em escala mundial, observa-se uma maior incidência da doença em homens, com uma razão de 2:1 em relação às mulheres (Mendes, 2019). Aproximadamente das 990.000 pessoas que são diagnosticadas com câncer gástrico no mundo, cerca de 738.000 morrem, sendo considerado o quarto tipo de câncer mais comum e a segunda causa de morte mais comum por câncer. (Machlowska, 2020).
A incidência dessa neoplasia é diferente segundo a variabilidade geográfica. As áreas com maior probabilidade para o desenvolvimento dessa doença é em países na América Central e do Sul, Europa Oriental e Leste da Ásia (China e Japão), já as regiões de baixo risco são Austrália e Nova Zelândia, Sul da Ásia, Norte e Leste da África e América do Norte (Machlowska, 2020) . Além disso, observou-se que nos ultimos anos no mundo, aproximadamente, dois terços dos novos casos registrados são em pacientes do sexo feminino (Coimbra, 2020).
No Brasil, a estimativa do Instituto Nacional de Câncer-INCA, entre os anos 2020 a 2022, é em torno de 21000 novos casos anuais, que correspondem a 12,81 a cada 100 mil homens e 7,34 a cada 100 mil mulheres, sendo a quinta neoplasia mais incidente em geral, a quarta entre os homens e a sexta entre as mulheres. Observa-se, principalmente, uma alta concentração de casos nas regiões amazônica e nordestina e uma incidência crescente em mulheres nascidas após 1960, além de uma maior mortalidade em cidades do Nordeste (INCA, 2019).
O Instituto Nacional do Câncer (INCA), estimou entre os anos de 2018 e 2019,13.540 novos asos de câncer de estômago em homens e 7.750 em mulheres. Nesta época, este tipo de tumor era considerado o quarto tipo mais comum em homens e o sexto entre as mulheres (Kloeckner, 2020).
Nos últimos anos, São Paulo acompanhou a tendência global de decréscimo na incidência de casos e de mortalidade desta patologia, porém, entre adultos jovens, houve um aumento no número de casos comparado há alguns anos atrás. (Ramos, 2020). No Estado do Pará, o câncer de estômago representa o quarto tipo mais comum de neoplasia. Acredita-se que a alimentação dessa população possui uma relação direta com o desenvolvimento e a alta incidência (Mendes, 2019).
Esse tipo de câncer configura-se como um relevante problema de saúde pública, tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento, sendo responsável por mais de seis milhões de mortes anualmente e correspondendo a aproximadamente 12% de todas as causas de óbito no mundo (Ferlay et al., 2012).
O estudo da anatomia patológica deve trazer informações sobre o tipo de peça operatória, as dimensões da pequena e grande curvatura, as dimensões das margens esofágica e duodenal e outros órgãos incluídos, a localização do tumor, a configuração do tumor, as dimensões, a distância às margens, a profundidade da invasão estimada, a restante mucosa e os gânglios linfáticos isolados, seguindo, dessa forma, as condições estabelecidas de Organização Mundial da Saúde (OMS) (ROCHA, 2004).
O câncer gástrico assim como outros tipos de neoplasias, pode ter envolvimento de genes codificadores de proteínas em seu desenvolvimento, porém, apesar de cerca de 90% do genoma humano transcrever e formar RNAs, apenas 2% codificam alguma proteína e, nos últimos tempos, tem-se feito a relação destes RNAs, denominados de micro RNAs (miR) com a patogênese do câncer (Silva et al., 2018).
Esses miR são RNAs de fita simples não codificadores, que regulam negativamente a expressão do gene através da ligação aos seus alvos de mRNA correspondentes (Silva et al., 2018). Nesse sentido. Atualmente, vem se buscando alguns marcadores moleculares que possam ajudar no entendimento da patogênese do câncer gástrico relacionado à H. pylori. Talvez marcadores como os micro RNAs (miR) que participam da regulação da expressão gênica como é o caso do miRNA 375 no estômago levando à diferenciação imatura das células dendríticas e à indução de câncer gástrico (Zhang et al., 2021) possa a ajudar na compreensão.
O diagnóstico do carcinoma gástrico inclui história clínica do paciente aliado ao exame físico, assim como exames laboratoriais auxiliares de diagnóstico – hemograma completo, o ionograma, a glicemia, a albumina e proteínas totais, função hepática e renal, estudo completo da coagulação e a endoscopia digestiva alta, com a biópsia (BRITO et al., 2014), o relatório da histologia da biópsia, deverá seguir todos os padrões estabelecidos da Organização Mundial de Saúde (OMS, 2010)
O tratamento pode ser cirúrgico, endoscópico, multimodal e paliativo. A escolha dele é feita por meio da estratificação das opções a depender do estado clínico em que se encontra a doença (COLA et al., 2005).
Contudo, nas últimas décadas as taxas de incidência e de mortalidade vem diminuindo na maioria das regiões, tanto em países de maior incidência quanto naqueles em que este câncer é menos frequente. Acredita-se que esse fato possa ser explicado pelo melhor controle dos principais fatores de risco, como, por exemplo, estratégias de erradicação do H. pylori, melhora na conservação dos alimentos e o avanço das condições socioeconômicas da população (Coimbra, 2020).
3.2 Mecanismo dos Fatores De Risco
A neoplasia maligna de estômago tem como seu principal fator de risco a infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori) principalmente as cepas CagA+, o H. pylori foi isolado pela primeira vez em 1984, por Marshall e Warren, e é uma das infecções mais comuns em seres humanos, com uma prevalência estimada de 50% no mundo e de 90% nos países em desenvolvimento.
H. pylori é uma bactéria Gram-negativa portadora de fatores de virulência capazes de gerar inflamação e dano à célula do hospedeira, aumentando o risco do desenvolvimento de doenças gástricas, associando-se também ao surgimento de câncer (Kabamba, 2018). Nesse sentido, o processo de formação do carcinoma gástrico por essa bactéria passa pelas seguintes etapas: infecção da mucosa gástrica, resposta inflamatória cronicamente ativa, perda de células a glândulas, formação de gastrite atrófica, metaplasia intestinal, displasia e, consequentemente, o adenocarcinoma (Martinez Leyva, 2020). Estima-se que 50% da população mundial esteja infectada pela H.pylori e que em torno de 79% dos novos casos de câncer gástricos diagnosticados anualmente estejam relacionados a infecção por esse patógeno. Devido a isso, a Helicobacter pylori é considerada uma carcinogênica classe I pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC) (Park, 2018).
Segundo (Junior Ona et al., 2011) os polimorfismos genéticos humanos parece também ter um papel importante na susceptibilidade a doenças do hospedeiro. A combinação de polimorfismos das citocinas pró-inflamatórias e a infecção com estirpes mais virulentas parecem aumentar o risco de câncer.
A E-caderina, codificada pelo gene CDH1, tem um papel crítico no estabelecimento e manutenção da adesão intercelular, polaridade celular e arquitetura tecidual. O polimorfismo no promotor do CDH1 na posição -160 leva à baixa regulação da transcrição do gene in vitro e foi demonstrado que o alelo A diminui a eficiência em 68% comparando com o alelo C, especulando-se sobre o potencial como marcador da suscetibilidade para o câncer esporádico. Mutações germinativas do gene CDH1 resultando na inativação da E-caderina foram identificadas no carcinoma gástrico difuso hereditário ( Júnior et al., 2011).
Entre os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento do câncer gástrico, destaca-se o consumo excessivo de sal, bem como de alimentos salgados e conservados em sal. A ingestão superior a 6 gramas diárias de sal (equivalente a aproximadamente 2,4 gramas de sódio), provenientes de todas as fontes alimentares, pode provocar lesões no revestimento do estômago, contribuindo para processos inflamatórios e para a atrofia da mucosa gástrica. Tais alterações favorecem a colonização pela bactéria Helicobacter pylori em indivíduos já portadores desse microrganismo, aumentando o risco de desenvolvimento da neoplasia (INCA, 2021).
Além disso, o consumo prolongado de determinados alimentos, especialmente aqueles ricos em gorduras, carne vermelha, frituras, molhos à base de maionese, leite integral e seus derivados, bem como produtos embutidos como bacon, presunto, salsicha, linguiça e mortadela, também está relacionado ao risco aumentado de câncer gástrico. Muitos desses alimentos industrializados contêm nitritos e nitratos como conservantes, compostos que atuam como importantes agentes carcinogênicos (Freitas et al., 2015).
Esses aditivos, ao serem metabolizados no ambiente ácido do estômago, podem ser convertidos em nitrosaminas, substâncias reconhecidamente cancerígenas. O consumo frequente e em grandes quantidades desses alimentos tem sido associado a elevadas taxas de incidência de câncer gástrico (INCA, 2010).
A alimentação desempenha um importante papel na prevenção e , também, na carcinogênese do câncer de estômago. Recentemente o World Cancer Research Fund (WCRF) e o American Institute for Cancer Research (AICR) concluíram que o câncer de estômago é prevenível principalmente por dietas adequadas. Outro importante fator de risco para o câncer de estômago é o tabagismo, aproximadamente 18% dos casos de câncer gástrico podem ser atribuídos ao tabaco.
Embora a incidência desse tipo de neoplasia tenha apresentado uma tendência de queda nos últimos anos, as taxas de mortalidade ainda permanecem elevadas. Mesmo com as variações nos índices de incidência e nas estratégias de detecção precoce adotadas em países orientais e ocidentais, a taxa de sobrevida em cinco anos continua relativamente baixa, situando-se em aproximadamente 30% nos países desenvolvidos e em torno de 20% nas nações em desenvolvimento (Smyth et al., 2020).
O histórico familiar de câncer de estômago configura outro fator de risco importante, presente em cerca de 10 a 15% dos casos. Este percentual aumenta de duas a três vezes em pacientes com parentes de primeiro grau que tiveram câncer de estômago (Júnior et al, 2011).
Embora a etiologia do câncer gástrico ainda não esteja completamente elucidada, diversos fatores hereditários e não hereditários estão claramente associados ao seu surgimento e desenvolvimento. Entre os principais fatores de risco identificados, destacam-se: infecção pela bactéria Helicobacter pylori; idade avançada; sexo masculino; e determinados hábitos de vida, como a adoção de dietas pobres em alimentos de origem vegetal, consumo elevado de sal e de alimentos conservados por defumação ou em conserva, além da exposição a substâncias nocivas, como o tabaco. Outros fatores relevantes incluem condições gástricas pré-existentes, como gastrite atrófica crônica, metaplasia intestinal da mucosa gástrica, anemia perniciosa, presença de pólipos adenomatosos no estômago e gastrite hipertrófica gigante. Também se destacam os antecedentes pessoais ou familiares de doenças hereditárias associadas, como a polipose adenomatosa familiar e o próprio câncer gástrico (Joshi; Badgwell, 2021).
O Brasil apresenta um padrão decrescente na mortalidade por câncer de estômago semelhante ao abservado no resto do mundo. A melhora na conservação e na estocagem dos alimentos com adoção da refrigeração e uma dieta variada com o consumo de frutas e verduras da população podem ser possíveis explicações para diminuição no Brasil. (Júnior et al, 2011).
3.3 Impacto da Intervenção Nutricional
Para a formulação da intervenção nutricional é necessário analisar as seguintes informações: Necessidades nutricionais, estado nutricional, estado clínico, restrições dietéticas, tolerâncias, função gastrointestinal e efeitos colaterais atuais e separados ao decorres do tratamento. Essas informações são fundamentais para o nutricionista, em conjunto com o responsável técnico, possa atender de forma adequada a todas as necessidades e exigências específicas desse indivíduo (Bokhorst, 2017)
Uma alimentação equilibrada, rica em frutas e verduras, desempenha um papel importante na quimioprevenção, principalmente devido à presença significativa de micronutrientes, como os antioxidantes. Esses compostos auxiliam na neutralização dos radicais livres de oxigênio, contribuindo para a redução dos danos ao DNA e, consequentemente, preservando o comprimento dos telômeros. Telômeros mais curtos têm sido associados ao estresse oxidativo acumulado por fatores ambientais, sendo comumente observados em indivíduos com câncer gástrico (Abnet et al., 2015).
Além disso, o suporte nutricional tem como principal objetivo melhorar o estado nutricional do paciente, promovendo o aumento do apetite, da ingestão alimentar e da composição corporal. Essa intervenção também visa manter a funcionalidade do organismo, ao mesmo tempo em que ajuda a minimizar os efeitos adversos provocados pelos tratamentos oncológicos (Rivadeneira et al., 1998).
Conforme Doyle et al. (2006), a rotina da terapia nutricional deve contemplar avaliações nutricionais periódicas, uma vez que a presença de desnutrição torna o indivíduo mais vulnerável a infecções e pode comprometer a eficácia da resposta ao tratamento. Essa condição interfere diretamente no prognóstico clínico e na identificação precoce de sintomas relacionados às terapias adotadas.
De acordo com o Conselho Federal de Nutricionistas, é atribuição do nutricionista realizar o diagnóstico nutricional com base em dados clínicos, bioquímicos, antropométricos e dietéticos, além de prescrever uma alimentação adequada e promover ações de educação nutricional. Essas práticas têm como finalidade a promoção, a manutenção e a recuperação da saúde (Brasil, 2018).
Os tratamentos oncológicos, como a cirurgia, quimioterapia e radioterapia, embora essenciais, são frequentemente agressivos e podem impactar negativamente tanto a alimentação quanto o estado nutricional do paciente. Nesse contexto, a intervenção dietoterápica torna-se fundamental, uma vez que contribui para a minimização dos efeitos colaterais do tratamento, favorecendo uma melhor ingestão alimentar e promovendo melhora na qualidade de vida (Santos; Cruz, 2001).
Dessa forma, o manejo adequado dos sintomas relacionados ao tratamento oncológico é fundamental para aumentar a aceitação alimentar, garantir o fornecimento adequado de nutrientes, prevenir a desnutrição e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida dos pacientes. No contexto cirúrgico oncológico, a principal meta da Terapia Nutricional (TN) é assegurar o aporte energético e proteico necessário para favorecer a recuperação clínica. Com o objetivo de reduzir a perda de peso, otimizar o processo de cicatrização e minimizar respostas inflamatórias no pós-operatório, recomenda-se a utilização de fórmulas nutricionais enriquecidas com compostos imunomoduladores — como ômega-3, arginina e nucleotídeos — tanto no período pré-operatório quanto no pós-operatório. Além disso, é fundamental que a dieta seja adaptada às necessidades individuais e à tolerância de cada paciente (SBNO, 2021).
Além disso, evidências científicas apontam que a inclusão de alimentos ricos em minerais como magnésio, zinco, cobre e molibdênio exerce um papel protetor sobre o material genético. Esses micronutrientes também possuem propriedades imunomoduladoras, capazes de fortalecer o sistema imunológico e otimizar sua resposta frente às agressões do tratamento oncológico (Ferrari; Torres, 2002).
A alimentação adequada desempenha um papel fundamental nos processos de recuperação e regeneração celular, favorecendo a desintoxicação do organismo e contribuindo para a manutenção da integridade dos tecidos e órgãos. Evidências científicas indicam que os componentes da dieta podem interferir diretamente no desenvolvimento do câncer, sobretudo nas etapas iniciais da carcinogênese, influenciando positivamente o diagnóstico e o desfecho clínico. Nesse sentido, a adoção de um padrão alimentar equilibrado é considerada uma estratégia relevante na prevenção do câncer e na promoção da saúde (Antunes et al., 2010).
A terapia nutricional exerce um papel essencial na prevenção da desnutrição em pacientes oncológicos, além de contribuir significativamente para a redução dos efeitos adversos provocados pelos tratamentos. Essa abordagem visa atender às demandas energéticas específicas de cada indivíduo, considerando a aceitação alimentar, a consistência apropriada dos alimentos e a divisão das refeições ao longo do dia. Quando necessário, adaptações são realizadas para garantir uma melhor tolerância e adesão à dieta proposta (Torres; Ferreira, 2009).
A desnutrição pode ser impeça através de um diagnóstico precoce, logo dando início às intervenções nutricionais que auxiliam os pacientes, oferecendo um tratamento adequado. Mediante a tanta tecnologia ainda é relativo a cura de uma neoplasia, porém é necessário o auxílio de terapias nutricionais para o alívio de sintomas decorrentes da patologia, além de todas as outras alterações de vida do paciente.
Portanto a conduta nutricional deverá ser feita embasada no diagnóstico nutricional, a avaliação nutricional deve ser executada de forma adequada, pois através da mesma será possível identificar os sinais e sintomas que serão reparados com a conduta nutricional (Oliveira, 2008).
Método de triagem nutricional: A Avaliação Subjetiva Global Produzida pelo Próprio Paciente (ASG-PPP) é um instrumento subjetivo utilizado para triagem do estado nutricional. Sua estrutura é composta por três etapas, sendo a primeira respondida pelo próprio paciente e as demais realizadas por um profissional de saúde capacitado. A aplicação da ASG-PPP visa identificar precocemente alterações no estado nutricional, permitindo intervenções adequadas e direcionadas (Costa et al., 2020).
Na primeira parte do instrumento, o paciente fornece informações sobre o histórico de peso corporal, incluindo medidas da última semana, do mês anterior e de seis meses anteriores. Também são coletados dados sobre variações ponderais (perda ou ganho de peso), ingestão alimentar nos últimos trinta dias e sintomas gastrointestinais, como náuseas, vômitos, odinofagia e disfagia. Além disso, o paciente relata alterações na capacidade funcional, como limitação para realização de atividades diárias (Mota, 2021).
A segunda parte do formulário é de responsabilidade de um profissional de saúde habilitado, que avalia a presença e a duração de quadros febris, bem como o uso de corticosteroides. Esta etapa inclui também a realização de exame físico com foco na avaliação clínica dos compartimentos musculares e adiposos, a fim de detectar sinais de depleção nutricional (Sampaio et al., 2016).
Na etapa final, os dados obtidos são analisados e é atribuída uma pontuação que permite classificar o paciente em três categorias: A – bem nutrido ou em estado anabólico; B – em risco nutricional ou com desnutrição moderada; e C – desnutrido grave. Essa classificação contribui significativamente para a tomada de decisão clínica, permitindo o planejamento de condutas nutricionais específicas de acordo com a necessidade do paciente (Costa et al., 2020).
A adoção de uma alimentação equilibrada e adequada é essencial para a manutenção da saúde e para a prevenção de diversas doenças. Uma nutrição apropriada contribui significativamente não apenas para a redução de fatores de risco, mas também para a restauração da homeostase em situações de enfermidade. Por meio da alimentação é possível favorecer processos de recuperação, reabilitação, desintoxicação e reparo celular, promovendo, assim, maior vitalidade aos tecidos e órgãos do corpo humano (Oliveira et al., 2014).
3.4 Efeito da Suplementação Alimentar no Tratamento do Câncer gástrico
A utilização de suplementos nutricionais combinados com a alimentação oral entra como uma alternativa para atender às demandas dietéticas em situações em que a ingestão alimentar não alcança as necessidades nutricionais (60% a 70%) (Braspen, 2019).
Para aprimoramento alimentar métodos como mudanças de texturas, preparos das refeições e fracionamentos são alternativas que possibilitam a melhor aceitabilidade, promovendo o tratamento de sintomas como mucosite, emese, abdômen distendido e outros sintomas que limitam a aprovação alimentar (Marín; Laviano, 2007).
Corriqueiramente pacientes oncológicos apresentam alterações nutricionais devido a doença e os métodos terapêuticos utilizados como radioterapia, cirurgia, quimioterapia, imunoterapia e hormonioterapia, com o intuito de aliviar os sintomas relacionado aos métodos, as orientações nutricionais são de suma importância (Marín et al. 2007; Ravasco, 2015).
Os ácidos graxos ômega-3 demonstraram capacidade de atenuar respostas inflamatórias sistêmicas e processos oxidativos, além de favorecer o apetite e promover o ganho ponderal em pacientes caquéticos com câncer. Esse achado é particularmente relevante, visto que a inflamação crônica constitui um fator de risco reconhecido para o desenvolvimento do câncer e está associada à progressão da caquexia e de outras complicações que comprometem o estado nutricional e o prognóstico geral de indivíduos com neoplasias do trato gastrointestinal (Castro et al., 2022). Assim, de forma abrangente, as evidências indicam que a suplementação com ômega-3 pode representar uma estratégia terapêutica promissora para o suporte nutricional e para a melhoria dos desfechos clínicos nesses pacientes
A tabela a seguir difunde estratégias para melhor manejo dos sintomas mais recorrentes. (INCA, 2016; Ackerman et al, 2018).
Quadro 1 – Estratégias de manejo nutricional de acordo com os efeitos adversos mais frequente
| Efeitos Colaterais | Estratégias de Aconselhamento Nutricional |
| Disfagia | – Encaminhar o paciente para avaliação com fonoaudiólogo. – Adaptar a consistência da alimentação conforme o grau de disfagia (líquida, pastosa, etc.). – Aumentar a quantidade de calorias e proteínas nas refeições. Usar suplementos orais quando necessário. – Evitar alimentos secos e duros. – Oferecer alimentos mais úmidos e fáceis de engolir. – Manter a cabeceira elevada durante a alimentação. Em casos graves, considerar o uso de sonda (TNE). |
| Odinofagia | – Ajustar a consistência dos alimentos de acordo com a tolerância do paciente. – Garantir maior aporte calórico e proteico. – Utilizar suplementos nutricionais quando indicado. – Evitar alimentos que possam irritar, como: secos, duros, cítricos, salgados, picantes e condimentados.- Não oferecer alimentos muito quentes ou muito frios |
| Disgeusia | – Incentivar o consumo dos alimentos preferidos do paciente. – Tornar os pratos visualmente atrativos e coloridos. – Usar temperos naturais e ervas para realçar o sabor dos alimentos. |
| Xerostomia | – Oferecer líquidos durante as refeições para ajudar na deglutição. – Adaptar a textura dos alimentos conforme aceitação. – Umedecer os alimentos com caldos, molhos ou azeite. – Adicionar gotas de limão para estimular a salivação. – Oferecer balas cítricas ou mentoladas sem açúcar |
| Mucosite oral | – Ajustar a consistência da dieta conforme a intensidade da mucosite. – Evitar alimentos irritantes como: salgados, ácidos, secos, duros e picantes. – Preferir alimentos mornos ou em temperatura ambiente.- Reduzir o uso de sal e temperos fortes. – Utilizar suplementos orais se necessário para garantir a nutrição. – Encaminhar o paciente para avaliação com estomatologista. |
| Nauseas e vômitos | – Oferecer bebidas naturais com gengibre (chá ou suco).- Fazer refeições em ambientes tranquilos e bem ventilados. – Mastigar devagar e em pequenas porções. – Evitar cheiros fortes e locais abafados durante as refeições. – Dar preferência a alimentos leves, secos e sem gordura. – Alimentos gelados e cítricos podem ajudar. – Evitar líquidos junto com as refeições; oferecer 30 a 60 minutos antes ou depois. |
| Diarreia | – Evitar alimentos que contenham lactose, glúten e açúcar refinado (sacarose). – Reduzir o consumo de alimentos gordurosos e muito temperados. – Aumentar a ingestão de líquidos para evitar desidratação. – Preferir alimentos com fibras solúveis (como aveia, maçã sem casca, banana) e evitar fibras insolúveis (como cascas e grãos crus). |
| Constipação | – Incluir alimentos ricos em fibras e com efeito laxativo (como mamão, ameixa, laranja com bagaço). – Estimular o consumo de água ao longo do dia. – Incentivar a prática de atividade física, se permitido pelo médico. |
| Inapetência | – Oferecer orientação nutricional individualizada. – Aumentar o valor calórico dos alimentos sem aumentar o volume (ex: usar óleos vegetais, leite em pó, ovos). – Dividir a alimentação em pequenas porções ao longo do dia. – Usar suplementos hipercalóricos e hiperproteicos entre as refeições. |
FONTE: Adaptado do INCA (2016).
Em relação a pacientes com riscos nutricionais sujeitos a cirurgias de médio a grande porte e operações relacionadas ao trato digestivo, recomenda-se suplementações hiperproteicas com imunonutrientes (arginina, ácidos graxos ômega-3 e nucleotídeos), sendo administrada por via oral ou enteral no pré-operatório as formulações imunomoduladores tem favorecido os pacientes reduzindo a permanência hospitalar e complicações pós-operatórias. (Gianotti, 1997; Manzanares et al., 2017).
Em 2016, a imunonutrição cedida para pacientes que realizaram gastrectomias em seu pós-operatório beneficiou resultando em períodos curtos de internação comparado a outras formulações padrão, resultado de uma meta- analise. (Qiang H, Hang L et al., 2017)
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente revisão integrativa reuniu evidências científicas que demonstram a importância da terapia nutricional e da suplementação alimentar como estratégias complementares no cuidado de pacientes com câncer gástrico. Os estudos analisados indicam que a intervenção nutricional contribui para a melhora do estado nutricional, aumento da tolerância aos tratamentos antineoplásicos, redução das complicações clínicas e, consequentemente, elevação da qualidade de vida.
Esses achados reforçam a nutrição como eixo fundamental do tratamento multimodal do câncer gástrico, ao lado das terapias médicas e cirúrgicas. Além disso, evidenciam a necessidade de protocolos individualizados que considerem as demandas energéticas, a composição corporal e os efeitos adversos decorrentes do tratamento.
Portanto, a inclusão sistemática da terapia nutricional e da suplementação alimentar no manejo clínico de pacientes oncológicos representa não apenas uma medida de suporte, mas também uma intervenção com impacto direto na sobrevida e na qualidade de vida. Recomenda-se que novas pesquisas ampliem o conhecimento sobre a eficácia de fórmulas imunomoduladoras, micronutrientes e estratégias dietéticas específicas, de modo a consolidar práticas baseadas em evidências na área de nutrição oncológica.
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¹Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: andradeisis879@gmail.com; abab08902@gmail.com; laradalilacontato@gmail.com.
²Orientadora do TCC, Doutora em Biotecnologia pela Universidade Federal do Amazonas. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: francisca.freitas@fametro.edu.br
3Co-orientador(a) do TCC, Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Cirurgia – Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição da FAMETRO. E-mail: rosimar.lobo@fametro.edu.br
