REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202510252234
Thais Regina Cavalcante da Costa
Suewa Guerra Marinho
Resumo
As infecções do trato urinário (ITU) são frequentes durante a gestação, decorrentes de alterações fisiológicas no sistema urinário e imunossupressão relativa, predispondo as gestantes a complicações maternas e fetais, como parto prematuro e baixo peso ao nascer. A compreensão da etiologia e do perfil de resistência aos antimicrobianos é fundamental para o manejo adequado dessas infecções. Nesse sentido, foi objetivo desta pesquisa realizar uma revisão da literatura a fim de identificar os principais agentes etiológicos associados às infecções do trato urinário em gestantes, além de verificar os perfis de resistência aos antimicrobianos. A metodologia adotada foi a revisão integrativa da literatura, analisando pesquisas publicadas nos últimos 10 anos (2015-2025). Foram incluídos 22 artigos que apontará para a predominância da Escherichia coli como microrganismo mais isolado A análise da suscetibilidade antimicrobiana revelou altas taxas de resistência à ampicilina, amoxicilina e sulfametoxazol-trimetoprim. Já a nitrofurantoína e a fosfomicina apresentaram boa eficácia na maioria dos contextos investigados. Concluiu-se que há a necessidade de estudos com mais ênfase em realidades regionais e nas prescrições médicas.
Palavras-chave: Gestante. Infecção do Trato Urinário. Resistência antimicrobiana.
Abstract
Urinary tract infections (UTIs) are common during pregnancy, resulting from physiological changes in the urinary system and relative immunosuppression, which predispose pregnant women to maternal and fetal complications such as preterm birth and low birth weight. Understanding the etiology and antimicrobial resistance profile is essential for the proper management of these infections. In this regard, the aim of this research was to conduct a literature review to identify the main etiological agents associated with urinary tract infections in pregnant women, as well as to verify their antimicrobial resistance patterns. The methodology adopted was an integrative literature review, analyzing studies published in the last 10 years (2015–2025). A total of 22 articles were included, pointing to the predominance of Escherichia coli as the most frequently isolated microorganism. Antimicrobial susceptibility analysis revealed high resistance rates to ampicillin, amoxicillin, and trimethoprim-sulfamethoxazole, while nitrofurantoin and fosfomycin showed good effectiveness in most contexts investigated. It was concluded that further studies are needed with greater emphasis on regional realities and medical prescription practices.
Keywords: Urinary Tract Infection. Pregnant Women. Antimicrobial Resistance.
INTRODUÇÃO
As infecções do trato urinário (ITU) são comuns durante a gestação, representando uma preocupação significativa para a saúde materna e fetal. Essas infecções podem ocorrer devido às mudanças fisiológicas no sistema urinário causadas pela gravidez, como a dilatação dos ureteres e a compressão da bexiga pelo útero em crescimento, predispondo as gestantes à estase urinária e ao desenvolvimento de infecções (HOOTON; GUPTA, 2019).
Além disso, a imunossupressão relativa durante a gestação aumenta a vulnerabilidade a essas infecções, que, se não tratadas de forma adequada, podem resultar em complicações graves, como parto prematuro, ruptura prematura de membranas e baixo peso ao nascer (NICOLLE, 2008).
As ITUs podem se manifestar em diferentes formas clínicas, como bacteriúria assintomática, cistite ou pielonefrite, sendo a primeira bastante comum entre gestantes, com prevalência entre 2% e 10% (Carvalho et al., 2023). Apesar de frequentemente assintomáticas, exigem atenção especial durante a gestação, uma vez que há maior risco de evolução para formas sintomáticas e complicações renais, perinatais e obstétricas se não forem devidamente tratadas.
Estudos relatam que a Escherichia coli é o agente etiológico mais prevalente, sendo responsável por aproximadamente 70% a 90% dos casos de ITU em gestantes, seguida por outras bactérias como Streptococcus agalactiae e Enterococcus faecalis (Pigosso; Silva; Peder, 2016). A identificação desses microrganismos e a compreensão de seus perfis de resistência antimicrobiana são essenciais para a escolha de tratamento eficazes e seguros, especialmente devido às restrições no uso de antibióticos durante a gestação.
A crescente resistência bacteriana aos antimicrobianos tem desafiado os protocolos terapêuticos adotados no pré-natal, gerando preocupações quanto à eficácia do tratamento empírico, à segurança fetal e à prevenção de infecções recorrentes. Resultados recentes indicam resistência relevante de cepas de E. coli a antibióticos comumente utilizados, como ampicilina, fluoroquinolonas e cefalosporinas de primeira geração, reforçando a importância do monitoramento constante dos padrões de sensibilidade (Barbalho et al., 2019).
Diante dessas questões, torna-se fundamental reunir e analisar o conhecimento científico disponível sobre o tema. Assim, o presente estudo tem como objetivo realizar uma revisão da literatura a fim de identificar os principais agentes etiológicos associados às infecções do trato urinário em gestantes, além de verificar os perfis de resistência aos antimicrobianos.
METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, cujo interesse foi reunir e discutir as evidências científicas sobre os principais agentes etiológicos e os perfis de resistência aos antimicrobianos nas infecções do trato urinário em gestantes. A escolha desse método se justifica pela possibilidade de sistematização de fontes de origens variadas e com diferentes delineamentos (quantitativos, qualitativos e mistos), possibilitando uma compreensão ampla e aprofundada do tema em estudo.
A revisão foi realizada em conformidade com o modelo metodológico proposto por Whittemore e Knafl (2005), que compreende cinco etapas principais: (1) identificação do problema e definição da questão de pesquisa; (2) estabelecimento de critérios para busca e seleção dos estudos; (3) categorização e extração dos dados relevantes; (4) avaliação crítica dos estudos incluídos; e (5) síntese e interpretação dos achados.
A formulação da pergunta de pesquisa foi guiada pela estratégia PICO, amplamente utilizada em revisões baseadas em evidências na área da saúde. Assim, definiu-se: P (população): gestantes; I (intervenção ou condição) = infecção do trato urinário; C (comparação): não aplicável; e O (desfecho): identificação dos microrganismos causadores e seus perfis de resistência antimicrobiana.
A busca dos estudos foi realizada entre agosto e setembro de 2025, nas seguintes bases de dados eletrônicas: PubMed, BVS (LILACS e Medline) e Portal de Periódicos da CAPES. Utilizou-se a combinação de descritores (DeCS/MeSH), em português e inglês, com a seguinte estratégia de busca adaptada para cada base: (“Infecção do Trato Urinário” OR “Urinary Tract Infection”) AND (“Gestantes” OR “Pregnant Women”) AND (“Resistência a Antimicrobianos” OR “Drug Resistance, Microbial”) AND (“Agente Etiológico” OR “Etiology”).
Os critérios de inclusão estabelecidos foram: a) artigos publicados entre 2015 e 2025; b) disponíveis para download gratuito; c) que abordassem gestantes com diagnóstico de ITU, com dados sobre agentes causadores e/ou perfil de sensibilidade a antimicrobianos. Foram excluídos artigos de revisão, meta análises, relatos de caso, teses, dissertações, editoriais e estudos com outras populações.
A seleção dos artigos foi realizada em três etapas: leitura dos títulos, leitura dos resumos e leitura completa dos textos. Os dados extraídos dos estudos incluídos foram organizados em: autor(es), ano de publicação, país de origem, tipo de estudo, agentes etiológicos identificados, antimicrobianos testados, perfil de resistência e principais conclusões. O fluxograma abaixo (Figura 1), evidencia as etapas de seleção dos artigos:
Figura 1 – Fluxograma de seleção dos artigos

Fonte: Elaborado pelas autoras (2025)
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram incluídos, nesta revisão, 22 estudos publicados entre 2015 e 2025, abrangendo diferentes regiões geográficas, com destaque para a África (Nigéria, Etiópia, Uganda, Somália, Somalilândia e Gana), o Oriente Médio (Iraque, Arábia Saudita e Irã), a Ásia (Bangladesh e Indonésia) e a América Latina (Brasil e Cuba). A maior parte dos trabalhos apresentou delineamento transversal, seguido de estudos retrospectivos e prospectivos. Em geral, os artigos foram conduzidos em hospitais de referência e centros de saúde materno-infantil, refletindo a realidade local do rastreamento de infecções do trato urinário (ITU) em gestantes.
A tabela 1, abaixo, sistematiza as principais características dos estudos reunidos, considerando o objetivo proposto, qual seja, identificação dos principais agentes etiológicos associados às ITU, além de verificar os perfis de resistência aos antimicrobianos.
Tabela 1 – Sistematização dos estudos incluídos na revisão integrativa
| Autor(es)/Ano | País | Tipo de estudo | Agentes etiológicos identificados | Antimicrobianos testados | Perfil de resistência | Principais conclusões |
| González; Rodriguez; Delgado – 2019 | Cuba | Descritivo, transversal e retrospectivo | E. coli | Cefotaxima, Ceftriaxona, Amoxicilina, Ciprofloxacino, Meropenem, Nitrofurantoína | Alta resistência a ácido nalidíxico e sulfaprim; menor resistência a ciprofloxacino. | E. coli predominou; resistência significativa em gestantes com urosepsis. |
| Oladeinde; Omoregie; Oladeinde – 2015 | Nigéria | Transversal | E. coli, S. aureus, Klebsiella spp., Proteus spp., P. aeruginosa, E. faecalis, Candida | Fluoroquinolonas, gentamicina, amoxicilina, SMX-TMP, nitrofurantoína | Alta resistência a SMX-TMP, amoxicilina, ácido nalidíxico; melhor com fluoroquinolonas. | ITU assintomática em 55% das gestantes; E. coli predominou. |
| Taha – 2024 | Iraque | Transversal | E. coli (56,45%), Klebsiella, Proteus, Enterobacter, S. agalactiae, E. faecalis | Ampicilina, Ceftriaxona, Cefepime, Meropenem, Fosfomicina, Nitrofurantoína | E. coli sensível a fosfomicina, meropenem, nitrofurantoína; resistente à ampicilina. | Prevalência 12,4%; destaque para eficácia da fosfomicina. |
| Lee et al. – 2020 | Bangladesh | Transversal | E. coli, Klebsiella, S. saprophyticus, S. agalactiae | Ampicilina, Amoxicilina, Ceftriaxona, Ciprofloxacino, Nitrofurantoína | Resistência elevada a ampicilina; alta sensibilidade a nitrofurantoína. | Prevalência de bacteriúria 9,8%; E. coli predominou. |
| Nunes et al. – 2024 | Brasil | Retrospectivo | E. coli (45,9%), Klebsiella, E. faecalis | Nitrofurantoína, SMX-TMP, cefalosporinas, amoxicilina-clavulanato | Alta resistência à ampicilina; nitrofurantoína eficaz. | Prevalência de bacteriúria 84,3%, mais comum no 1º trimestre. |
| Menezes et al. – 2020 | Brasil | Retrospectivo | E. coli (87,3%), Enterobacter, Enterococcus, Proteus | Amoxicilina, Ampicilina, Ceftriaxona, Nitrofurantoína, Fosfomicina | Baixa sensibilidade à ampicilina; nitrofurantoína eficaz (96%). | E. coli principal agente; nitrofurantoína recomendada. |
| Vidal et al. – 2016 | Brasil | Prospectivo | E. coli | Amoxicilina, Ampicilina, Cefalexina, Nitrofurantoína | Resistência a amoxicilina/ampicilina; sensível a nitrofurantoína. | Prevalência de ITU 20%, todas por E. coli. |
| Pigosso et al. – 2016 | Brasil | Transversal | E. coli (77,8%), E. faecalis, S. agalactiae | Ceftriaxona, Gentamicina, Nitrofurantoína, Amicacina, Ampicilina | E. coli sensível a ceftriaxona/nitrofurantoína; resistente à ampicilina. | Incidência 18%, mais no 3º trimestre. |
| Abu et al. – 2021 | Etiópia | Transversal | E. coli, Klebsiella, S. aureus, CoNS | Ampicilina, Tetraciclina, Meropenem, Ceftriaxona, Gentamicina | Alta resistência a ampicilina e tetraciclina; MDR 74%. | Prevalência 13,8%; E. coli predominante. |
| Opare-Asamoah et al. – 2025 | Gana | Transversal | E. coli, Klebsiella, Pseudomonas, Enterobacter, leveduras | Cefuroxima, Ceftriaxona, Amoxicilina-clavulanato, Nitrofurantoína | Baixa sensibilidade a amoxicilina-clavulanato; melhor a nitrofurantoína. | Prevalência 21,5%; variação grande no perfil de resistência. |
| Biset et al. – 2020 | Etiópia | Transversal | E. coli, CoNS, S. aureus, Klebsiella, Enterobacter | Ampicilina, Nitrofurantoína, Gentamicina, Amicacina, Ciprofloxacino | MDR em 60%; Gram-negativos resistentes a ampicilina. | Alta resistência múltipla; tratamento deve ser guiado por antibiograma. |
| Tadesse et al. – 2018 | Etiópia | Transversal | E. coli, Klebsiella, S. aureus, S. saprophyticus, Proteus | Ampicilina, Amoxicilina, Ciprofloxacino, Ceftriaxona, Nitrofurantoína | Resistência universal à ampicilina; boa sensibilidade a ceftriaxona. | Prevalência 21,2%; E. coli principal agente. |
| Taye et al. – 2018 | Etiópia | Transversal | E. coli, Klebsiella, Serratia, Pseudomonas, Citrobacter | Ampicilina, Amoxicilina, Cefotaxima, Gentamicina, Nitrofurantoína | Alta sensibilidade a amoxicilina-clavulanato, gentamicina, norfloxacino. | Prevalência 26%; E. coli e Klebsiella predominantes. |
| Gessese et al. – 2017 | Etiópia | Transversal | E. coli, S. aureus, CoNS, Proteus, Klebsiella, Citrobacter | Ampicilina, Ciprofloxacino, Gentamicina, Nitrofurantoína, SMX-TMP | Resistência elevada em todos os patógenos; MDR universal. | Prevalência 18,7%; perfil preocupante de resistência. |
| Ali et al. – 2022 | Somaliland | Transversal | E. coli, CoNS, S. aureus, Klebsiella, Pseudomonas, Proteus | Ampicilina, Tetraciclina, Meropenem, Ceftriaxona, Nitrofurantoína | Alta resistência a ampicilina e tetraciclina; boa resposta a meropenem. | Prevalência 16,4%; MDR em 85% dos isolados. |
| Al‑Shahrani; Belali – 2024 | Arábia Saudita | Transversal | E. coli, Klebsiella, Pseudomonas, Proteus, S. agalactiae, S. aureus | Ampicilina, Ceftriaxona, Ciprofloxacino, Piperacilina-tazobactam, Nitrofurantoína | Baixa sensibilidade a beta-lactâmicos; MDR frequente. | Prevalência alta de MDR; piperacilina-tazobactam e gentamicina mais eficazes. |
| Mohamed et al. – 2024 | Somália | Transversal | E. coli, S. aureus, Klebsiella, Proteus, Pseudomonas | Amikacina, Nitrofurantoína, Meropenem, Amoxicilina, Gentamicina | Alta sensibilidade a amikacina e nitrofurantoína; resistente a ampicilina. | Prevalência 19%; necessidade de rastreamento. |
| Rosana et al. – 2020 | Indonésia | Transversal multicêntrico | E. coli, Klebsiella, S. agalactiae, Enterobacter, E. faecalis | Fosfomicina, Ampicilina, Cefepime, Ciprofloxacino, Meropenem | E. coli 100% sensível a fosfomicina e meropenem; baixa a ampicilina. | Prevalência 10%; fosfomicina eficaz até contra ESBL. |
| Medani et al. – 2025 | Arábia Saudita | Transversal | E. coli, Klebsiella, S. aureus, S. agalactiae, Candida | Vancomicina, Carbapenêmicos, Amikacina, Nitrofurantoína | Alta sensibilidade a carbapenêmicos; resistência elevada a penicilina. | Prevalência 19%; fatores de risco: obesidade, anemia, diabetes. |
| Gharabeigi et al. – 2023 | Irã | Transversal | Streptococcus agalactiae (sorotipos II, Ib, Ia, III) | Penicilina, Ampicilina, Clindamicina, Vancomicina, Eritromicina | Resistência a tetraciclina (86%) e ampicilina (82%); MDR em 43%. | Predomínio do sorotipo II de GBS; resistência impacta profilaxia. |
| Nteziyaremye et al. – 2020 | Uganda | Transversal | E. coli, S. aureus, Klebsiella, Pseudomonas, Enterococcus | Imipenem, Gentamicina, Ciprofloxacino, Cefotaxima, Nitrofurantoína | Alta sensibilidade a imipenem/gentamicina; resistência universal a SMX-TMP. | Prevalência 3,7%; MDR muito elevada, ESBL presente. |
Fonte: Elaborado pelas autoras (2025)
Os resultados desta revisão evidenciam que as infecções do trato urinário em gestantes apresentam um perfil etiológico homogênio, ou seja, entre os diferentes contextos estudados as pesquisas apresentaram as mesmas características como, por exemplo, a Escherichia coli ter sido identificada como o principal microrganismo isolado, confirmando seu papel predominante na etiologia dessas infecções e corroborando achados de revisões sistemáticas internacionais que apontam a espécie como responsável por mais de 70% dos casos de ITU na população feminina (González; Rodriguez; Delgado et al., 2019; Oladeinde; Omoregie; Oladeinde et al., 2015; Tadesse et al., 2018; Nteziyaremye et al., 2020).
Outros agentes que foram relatados são Klebsiella pneumoniae, Staphylococcus aureus, Streptococcus agalactiae e, em menor frequência, Enterococcus spp. e Pseudomonas spp., variando em proporção conforme a região geográfica. cuja distribuição variou de acordo com o contexto geográfico. Por exemplo, no Irã, observou-se predomínio do Streptococcus agalactiae (GBS), especialmente do sorotipo II (Gharabeigi; Bafroee; Amini, 2023), enquanto em países da América Latina como Brasil e Cuba a E. coli manteve-se como agente quase exclusivo (González; Rodriguez; Delgado, 2019; Vidal et al., 2016).
Em relação ao perfil de suscetibilidade, observou-se alta resistência aos antimicrobianos tradicionalmente empregados como de primeira opção, em especial ampicilina, amoxicilina e sulfametoxazol-trimetoprim (SMX-TMP), com taxas superiores a 50% em diversos estudos, o que apontam para sua ineficácia clínica (Lee et al., 2020; Al-Shahrani; Belali, 2024; Mohamed et al., 2024). Por outro lado, a nitrofurantoína e a fosfomicina mostraram-se eficazes, apresentando elevada sensibilidade em quase todas as populações analisadas, reforçando sua relevância clínica como opções de tratamento segura durante a gestação (Taha, 2024; Rosana et al., 2020; Menezes et al., 2020).
Também chama atenção a elevada prevalência de isolados multirresistentes (MDR) que chegaram a atingir mais de 70% dos microrganismos testados em alguns estudos africanos (Ali et al., 2022; Nteziyaremye et al., 2020), além da detecção de cepas produtoras de β-lactamases de espectro estendido (ESBL) em E. coli e Klebsiella spp. (Biset et al., 2020; Nteziyaremye et al., 2020), o que aumenta a gravidade do problema da resistência antimicrobiana no cuidado com a presença das ITU em gestantes. Além disso, esses achados aqui relatados sugerem que o uso desses medicamentos vem sendo feito sem a devida prescrição médica e, portanto, sem exames laboratoriais que comprovem a presença das bactérias, o que tende a aumentar sobremaneira a resistência aos medicamentos, não somente em contextos obstétricos.
Diante desses resultados, é importante destacar que os parâmetros internacionais sugerem que a E. coli é reconhecidamente o principal agente etiológico das infecções do trato urinário em gestantes, responsável por mais de 70% dos casos (ACOG, 2023). Com relação à suscetibilidade e a elevada resistência à ampicilina e à amoxicilina, as recomendações internacionais que já desaconselham o uso rotineiro desses antimicrobianos no tratamento da ITU em gestantes devido à baixa eficácia (Gupta et al., 2011; ACOG, 2023).
Este estudo também evidenciou que, em alguns contextos analisados como no continente africano e em algumas regiões do Oriente Médio, os níveis de resistência são ainda mais críticos, com taxas de multirresistência superiores a 70% e detecção frequente de cepas produtoras de β-lactamases de espectro estendido, o que significa dizer que número significativo das bactérias encontradas eram resistentes a vários antibióticos ao mesmo tempo, chamando atenção para questões sérias de resistência antimicrobiana, o que coloca em risco tanto a saúde da gestante quanto a do feto (WHO, 2021).
Nesse sentido, essa resistência na população obstétrica, está dentro do espectro maior de resistência antimicrobiana. Alguns relatórios internacionais, como o Global Antimicrobial Resistance and Use Surveillance System (GLASS), destacaram a emergência de cepas de E. coli resistentes a cefalosporinas de terceira geração e fluoroquinolonas (WHO, 2021), sugerindo que drogas como nitrofurantoína e fosfomicina são opções terapêuticas alternativas, mais seguras e eficazes (CORRALES et al., 2022; ACOG, 2023).
CONCLUSÃO
As evidências reunidas nesta revisão integrativa apontam a Escherichia coli como principal agente etiológico das infecções do trato urinário em gestantes, com elevada resistência a antimicrobianos de uso rotineiro. Em contrapartida, a nitrofurantoína e a fosfomicina mantiveram alta taxa de sensibilidade, destacando-se como alternativas seguras para o tratamento na população obstétrica. Tais informações reforçam a necessidade de vigilância contínua dos perfis de resistência, sobretudo pelo fato de que a resistência antimicrobiana tem sido apontada como um problema de saúde a nível global. Assim, para pesquisas futuras, sugere-se a realização de estudos com ênfase em realidades locais e nas prescrições médicas.
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