INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO: SINTOMAS, PRIMEIROS SOCORROS E NOVOS TRATAMENTOS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202601221306


Italo Yago Cardoso de Oliveira1
Gabriela Rodrigues Silva de Morais2
Vinicius Fontenele Mesquita3
Fernando Daniel Pereira Barbosa4
Nilma Aparecida da Silva5
Maria Eliane Ramos6
Isadora Fernandes Alves7
Isis Danielle Santana da Silva8
Elizabeth de Azevedo Silva9
Kelcione Pinheiro Lima Joter10


Resumo 

O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é uma condição de emergência que representa uma das principais causas de morbimortalidade no Brasil e no mundo. Ao longo das últimas décadas, avanços em diagnóstico e tratamento têm melhorado os resultados clínicos. Este artigo revisa os principais sintomas, condutas imediatas de primeiros socorros e estratégias terapêuticas emergentes, destacando a importância do reconhecimento precoce e da intervenção eficiente.

Introdução 

O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é uma das principais causas de morbimortalidade cardiovascular no mundo, representando um importante problema de saúde pública, especialmente em países de média e baixa renda. Segundo Bett et al. (2025), o IAM ocorre em decorrência da interrupção súbita do fluxo sanguíneo em uma ou mais artérias coronárias, geralmente por ruptura de uma placa aterosclerótica e formação de trombo, resultando em isquemia e necrose do tecido miocárdico. Esse processo compromete a função cardíaca e pode levar a complicações graves, como arritmias, insuficiência cardíaca e morte súbita. 

No Brasil, as doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de óbitos, sendo o infarto uma das ocorrências mais frequentes. De acordo com o Ministério da Saúde (2025), estima-se que ocorram centenas de milhares de casos de IAM por ano no país, com elevado impacto nos serviços de urgência e emergência e nos custos do Sistema Único de Saúde (SUS). Esse cenário reforça a necessidade de estratégias eficazes de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento oportuno. 

O quadro clínico do IAM é marcado, classicamente, por dor torácica em aperto ou queimação, que pode irradiar para os braços, mandíbula, dorso ou epigástrio, associada a sudorese, náuseas, palidez e dispneia. Contudo, Passinho et al. (2018) destacam que nem todos os pacientes apresentam manifestações típicas, sendo comuns apresentações atípicas, especialmente em idosos, mulheres e pessoas com diabetes mellitus, o que pode retardar o reconhecimento do evento e o início do tratamento. 

A rapidez no diagnóstico e na intervenção é determinante para o prognóstico. Conforme Bett et al. (2025), o tempo decorrido entre o início dos sintomas e a reperfusão coronariana está diretamente relacionado à extensão da necrose miocárdica e à mortalidade do paciente. Assim, atrasos no atendimento aumentam o risco de complicações e sequelas permanentes, como a insuficiência cardíaca crônica. 

Nesse contexto, os primeiros socorros e o atendimento pré-hospitalar desempenham papel crucial. Segundo a Defesa Civil do Paraná (2025), medidas simples como o reconhecimento dos sinais, acionamento imediato do serviço de emergência, repouso do paciente e suporte básico de vida podem reduzir significativamente a mortalidade e melhorar os desfechos clínicos até a chegada do atendimento especializado. 

Paralelamente, nas últimas décadas, houve expressivos avanços no tratamento do IAM, especialmente com a introdução das terapias de reperfusão, como a intervenção coronariana percutânea e o uso de trombolíticos, além do aprimoramento da terapia farmacológica. De acordo com o Ministério da Saúde (2026), essas estratégias, quando aplicadas de forma precoce e adequada, reduzem a mortalidade, o re-infarto e a ocorrência de insuficiência cardíaca. 

Além disso, novas tecnologias vêm sendo incorporadas ao cuidado do paciente infartado, como a utilização de biomarcadores cardíacos de alta sensibilidade e ferramentas de inteligência artificial para interpretação de eletrocardiogramas. Joloudari et al. (2021) destacam que essas inovações contribuem para diagnósticos mais rápidos e precisos, permitindo intervenções ainda mais oportunas. 

Diante da relevância epidemiológica, clínica e social do Infarto Agudo do Miocárdio, torna-se fundamental compreender seus principais sintomas, as condutas imediatas de primeiros socorros e os avanços terapêuticos disponíveis, a fim de subsidiar práticas de saúde mais eficazes e qualificadas. 

Metodologia 

Trata-se de um estudo de revisão narrativa da literatura, de caráter descritivo e exploratório, com abordagem qualitativa, que teve como objetivo reunir, analisar e sintetizar evidências científicas sobre o Infarto Agudo do Miocárdio, com ênfase nos sintomas, primeiros socorros e novos tratamentos. Esse tipo de metodologia permite a integração de diferentes produções científicas e documentos técnicos, favorecendo uma compreensão ampla do tema, conforme preconizado por Gil (2019). 

A busca dos estudos foi realizada em bases de dados científicas e fontes institucionais, incluindo SciELO, PubMed, Google Scholar e documentos oficiais do Ministério da Saúde, como as Linhas de Cuidado do Infarto Agudo do Miocárdio e manuais de primeiros socorros. Foram utilizados os descritores “infarto agudo do miocárdio”, “sintomas”, “primeiros socorros”, “terapia de reperfusão” e “tratamento do infarto”, combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR. 

Foram incluídos artigos científicos, diretrizes clínicas e documentos institucionais publicados entre 2018 e 2026, em língua portuguesa e inglesa, que abordassem aspectos clínicos, assistenciais ou terapêuticos relacionados ao IAM. Excluíram-se estudos duplicados, publicações que não abordavam diretamente o tema e trabalhos com enfoque exclusivo em modelos experimentais sem aplicação clínica. 

A análise dos dados ocorreu de forma qualitativa, por meio da leitura crítica e interpretação dos textos selecionados, buscando identificar consensos, avanços e divergências na literatura. Os resultados foram organizados em categorias temáticas: sintomas do IAM, condutas de primeiros socorros e tratamentos atuais, permitindo uma apresentação sistematizada dos achados. 

Por se tratar de um estudo de revisão de literatura, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, conforme as diretrizes da Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, uma vez que não foram utilizados dados primários envolvendo seres humanos. 

Resultados e discussão 

A análise da literatura evidenciou que o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) permanece como uma das principais causas de mortalidade cardiovascular, sendo o reconhecimento precoce dos sintomas e a rápida instituição de medidas terapêuticas fatores decisivos para a sobrevida do paciente. Segundo Bett et al. (2025), a extensão da necrose miocárdica está diretamente relacionada ao tempo de isquemia, reforçando a máxima de que “tempo é músculo” no contexto do infarto. 

Os sintomas mais frequentemente descritos incluem dor torácica em aperto ou queimação, com irradiação para membros superiores, mandíbula ou dorso, associada a sudorese, náuseas, palidez e dispneia (PASSINHO et al., 2018). No entanto, o Ministério da Saúde (2025) destaca que apresentações atípicas são comuns, especialmente em mulheres, idosos e pacientes diabéticos, o que dificulta o diagnóstico e contribui para atrasos no atendimento. Esses achados explicam, em parte, a elevada taxa de complicações observadas nos serviços de urgência. 

Em relação aos primeiros socorros, a literatura aponta que o acionamento imediato do serviço de emergência e o suporte básico de vida são intervenções determinantes. De acordo com a Defesa Civil do Paraná (2025), manter o paciente em repouso, monitorar sinais vitais e iniciar reanimação cardiopulmonar quando indicado pode reduzir a progressão do dano cardíaco e prevenir a morte súbita. Aguiar et al. (2025) reforçam que a atuação precoce da equipe de enfermagem e dos socorristas no ambiente pré-hospitalar melhora significativamente os desfechos clínicos. 

No que se refere ao tratamento, os estudos analisados convergem para a centralidade da terapia de reperfusão. Conforme as diretrizes do Ministério da Saúde (2026), a intervenção coronariana percutânea primária é o método de escolha, quando disponível em tempo oportuno, por apresentar melhores taxas de patência coronariana e menor risco de reinfarto. Quando essa intervenção não é possível, a terapia trombolítica permanece como alternativa eficaz, especialmente se administrada nas primeiras horas após o início dos sintomas. 

Além da reperfussão, o tratamento farmacológico adjuvante, incluindo antiagregantes plaquetários, anticoagulantes, betabloqueadores e estatinas, é essencial para reduzir a progressão da doença e prevenir novos eventos isquêmicos (BETT et al., 2025). Esses fármacos atuam na estabilização da placa aterosclerótica, na redução da carga trombótica e na proteção do miocárdio. 

A literatura também aponta avanços relevantes no diagnóstico e monitoramento do IAM. Joloudari et al. (2021) destacam o uso de inteligência artificial para interpretação automatizada do eletrocardiograma e a dosagem de troponinas de alta sensibilidade como ferramentas que aumentam a precisão diagnóstica e permitem intervenções mais precoces. Esses recursos tecnológicos representam uma importante evolução no cuidado ao paciente infartado, especialmente em serviços de emergência de alta demanda. 

Dessa forma, os resultados demonstram que a integração entre educação em saúde, primeiros socorros adequados, acesso rápido à reperfusão e utilização de tecnologias inovadoras constitui a base para a redução da mortalidade e das sequelas associadas ao Infarto Agudo do Miocárdio. 

Conclusão 

O Infarto Agudo do Miocárdio permanece como uma das principais causas de mortalidade no Brasil e no mundo, configurando-se como um grave problema de saúde pública. A análise da literatura evidenciou que o reconhecimento precoce dos sintomas, a adoção imediata de medidas de primeiros socorros e a rápida instituição das terapias de reperfusão são determinantes para a redução da mortalidade e das complicações associadas ao evento isquêmico. 

Observou-se que a variabilidade na apresentação clínica, especialmente em idosos, mulheres e pacientes com diabetes, contribui para atrasos no diagnóstico, reforçando a necessidade de capacitação contínua dos profissionais de saúde e de educação da população. Além disso, a atuação do enfermeiro e das equipes de emergência no atendimento inicial mostrou-se essencial para garantir a estabilização do paciente e o encaminhamento adequado aos serviços especializados. 

Os avanços terapêuticos, incluindo a intervenção coronariana percutânea, os trombolíticos, a terapia farmacológica moderna e o uso de tecnologias como biomarcadores de alta sensibilidade e inteligência artificial, têm ampliado significativamente as possibilidades de diagnóstico rápido e tratamento eficaz. Esses recursos, quando integrados a protocolos clínicos bem estruturados, contribuem para melhores desfechos clínicos e maior sobrevida. 

Dessa forma, conclui-se que o enfrentamento do Infarto Agudo do Miocárdio exige uma abordagem integrada, envolvendo prevenção, educação em saúde, atendimento pré-hospitalar eficiente e acesso oportuno às terapias de reperfusão. O fortalecimento dessas estratégias é fundamental para reduzir o impacto do IAM sobre os indivíduos, os serviços de saúde e a sociedade. 

Referências  

AGUIAR, A. L. C. et al. Nursing care for patients with acute myocardial infarction. Research, Society and Development, v. 14, n. 1, 2025. 

BETT, M. S. et al. *Acute myocardial infarction: From diagnosis to intervention*. Research, Society and Development, v. 14, n. 1, 2025. 

PASSINHO, R. S. et al. *Sinais, sintomas e complicações do infarto agudo do miocárdio*. Revista de Enfermagem UFPE On Line, v. 12, n. 4, 2018. 

MINISTÉRIO DA SAÚDE. *Infarto*. Brasília: MS, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/i/infarto](https://www.gov.br/ saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/i/infarto). Acesso em: 14 jan. 2026. 

MINISTÉRIO DA SAÚDE. *Manejo inicial do infarto agudo do miocárdio*. Linhas de Cuidado, 2026. 

DEFESA CIVIL DO PARANÁ. *Socorros de urgência: Infarto Agudo do Miocárdio*. Curitiba, 2025. 

JOLOUDARI, J. H. et al. *Application of artificial intelligence techniques for automated detection of myocardial infarction: A review*. arXiv, 2021.


1Médico formado pela Universidade Federal de Goiás, e-mail: yago.italo@gmail.com
2Cirurgiã-dentista pela Universidade Federal de Goiás, e-mail: gabrielamorais@discente.ufg.br
3Graduando em farmácia pelo Centro universitário Uninta,  e-mail: viniciusfontenele.mesquita@gmail.com
4Estudante medicina pela UniRv, e-mail:  fernando.barbosa@academico.unirv.edu.br
5Enfermeira especialista em enfermagem em saúde do trabalhador e ecologia humana pela Fiocruz. Formada pela Universidade Estadual de Minas Gerais Polo Passos MG. Email: nursenilma@gmail.com
6Enfermeira pela Uninta, e-mail: 2004eliane@gmail.com
7Estudante de Medicina pela  UNIARA, e-mail: isadorafernandes.dra@gmail.com
8Enfermagem UNINASSAU Aracaju, e-mail isisdaniellesantana@gmail.com
9Enfermeira, e-mail: elizabethazevedo2003@gmail.com
10Enfermeira – mestre em gestão em saúde pela Universidade estadual do Ceará – UECE, Fortaleza – Ceará, e-mail: kelcione@gmail.com

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