IMPORTÂNCIA DO TRATAMENTO E DO ACOMPANHAMENTO DO PACIENTE COM DIABETES

IMPORTANCE OF TREATMENT AND MONITORING OF PATIENTS WITH DIABETES

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202510241448


Leuça Leite de Lima Freitas1
Ailton Leite de Freitas1
Brenda Maia Fonseca1
Jair Alves Maia2


RESUMO

Introdução: O cuidado e monitoramento do paciente com diabetes são vitais para manter a doença sob controle e evitar complicações. Sendo uma condição crônica, o diabetes exige um plano de tratamento adaptado que combine mudanças no estilo de vida, uso de medicamentos e supervisão constante dos níveis de glicose no sangue. O acompanhamento frequente possibilita aos profissionais de saúde ajustar as estratégias terapêuticas conforme necessário, minimizando riscos associados a problemas como doenças cardiovasculares, complicações renais e danos neurológicos. Além disso, essa abordagem contribui significativamente para melhorar a qualidade de vida do paciente, diminuindo a probabilidade de internações e promovendo um gerenciamento mais eficaz da condição. Objetivo: Explicar a importância do tratamento e do acompanhamento do paciente portador de diabetes, seja no contexto da atenção básica ou no contexto hospitalar. Método: trata-se de uma revisão da literatura, a qual se constitui de um estudo com coleta de dados realizada a partir de fontes secundárias. Este método tem a finalidade de reunir e sistematizar resultados de pesquisas sobre o tema ou questão de maneira sistemática e ordenada, contribuindo para o aprofundamento do conhecimento sobre o tema investigado. Resultados: o estudo mostrou que existem uma série de fatores que devem ser seguidos para manter o controle do diabete. Conclusão: Em síntese, tanto o tratamento quanto o acompanhamento regular são indispensáveis para controlar o diabetes e prevenir complicações. Adotando uma abordagem personalizada e consistente, é possível garantir boa qualidade de vida e minimizar os riscos associados a essa condição crônica.

Palavras-chave: Monitoramento; Tratamento; Estratégias terapêuticas.

ABSTRACT

Introduction: The care and monitoring of patients with diabetes are vital to keeping the disease under control and avoiding complications. As a chronic condition, diabetes requires an adapted treatment plan that combines lifestyle changes, medication use, and constant monitoring of blood glucose levels. Frequent monitoring allows healthcare professionals to adjust therapeutic strategies as needed, minimizing risks associated with problems such as cardiovascular disease, kidney complications, and neurological damage. Furthermore, this approach significantly contributes to improving the patient’s quality of life, reducing the likelihood of hospitalizations and promoting more effective management of the condition. Objective: To explain the importance of treating and monitoring patients with diabetes, whether in primary care or in a hospital setting. Method: This is a literature review, consisting of a study with data collected from secondary sources. This method aims to gather and systematize research results on the topic or issue in a systematic and orderly manner, contributing to the deepening of knowledge on the topic under investigation. Results: The study showed that there are several factors that must be followed to maintain diabetes control. Conclusion: In summary, both treatment and regular monitoring are essential to control diabetes and prevent complications. By adopting a personalized and consistent approach, it is possible to ensure a good quality of life and minimize the risks associated with this chronic condition.

Keywords: Monitoring; Treatment; Therapeutic strategies.

INTRODUÇÃO

Entende-se por pré-diabetes uma condição em que os níveis de glicose no sangue estão acima do normal, mas não o suficiente para ser classificado como diabetes propriamente dita. É um sinal de alerta que indica um maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 e outras complicações se não for tratada e nem acompanhada por um profissional de saúde capacitado para realizar essa assistência de forma eficaz. O diagnóstico do pré-diabetes é feito através de exames de sangue, como a glicemia em jejum (entre 100 e 125 mg/dL) ou a hemoglobina glicada (entre 5,7% e 6,4%)1.

Entende-se por diabetes tipo 1 os casos de diabetes insulino-dependente, é uma doença crônica em que o sistema imunológico ataca e destrói as células produtoras de insulina no pâncreas. Sem insulina, a glicose não consegue entrar nas células para produzir energia, causando um acúmulo de açúcar no sangue2.

O diabetes tipo 2 é uma condição em que o corpo não consegue usar a insulina corretamente, ou não produz insulina suficiente para manter os níveis de glicose no sangue adequados. É a forma mais comum de diabetes, representando cerca de 90-95% dos casos da doença na população geral2.

O diabetes gestacional é uma condição temporária em que a mulher desenvolve resistência à insulina e níveis de glicose no sangue elevados durante a gravidez. É uma forma de diabetes mellitus que ocorre apenas durante a gestação e pode trazer riscos tanto para a mãe quanto para o feto e posteriormente para o recém-nascido3.

O diabetes mellitus é uma doença crônica que afeta cerca de 3% da população mundial, com prospecto de aumento até 2030, e tem sua prevalência aumentada dado o envelhecimento populacional. Em 2015, a Federação Internacional de Diabetes (IDF, em inglês) estimou que um em cada 11 adultos entre 20 e 79 anos tinha diabetes tipo 2. O diabetes mellitus ocupa a nona posição entre as doenças que causam perda de anos de vida saudável4.

No Brasil, o diabetes também é reconhecido como um importante problema de saúde pública, com prevalência autorreferida de 6,2%, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2013. Entre as suas principais complicações, ressaltam-se neuropatia, retinopatia, cegueira, pé diabético, amputações e nefropatia5.

O cuidado constante e o acompanhamento regular são fundamentais para indivíduos com diabetes, proporcionando um controle eficaz da glicemia e reduzindo o risco de complicações graves, como perda da visão, problemas renais e doenças cardiovasculares.

Além disso, esses esforços contribuem para uma melhor qualidade de vida6,7

O tratamento atual do DM2 visa manter o controle glicêmico adequado, seja com dieta hipocalórica, aumento da prática de exercícios físicos ou uso de medicações. Existem no momento diversas opções terapêuticas, que podem ser utilizadas isoladamente ou em associações: sensibilizadores da ação de insulina (metformina, tiazolidinedionas), antihiperglicemiantes (acarbose), secretagogos (sulfoniluréias, repaglinida, nateglinida), drogas anti-obesidade e/ou insulina8.

Este estudo teve como objetivo explicar a importância do tratamento e do acompanhamento do paciente portador de diabetes, seja no contexto da atenção básica ou no contexto hospitalar. 

MATERIAIS E MÉTODO

O presente estudo consiste em uma revisão da literatura, a qual se constitui de um estudo com coleta de dados realizada a partir de fontes secundárias. Este método tem a finalidade de reunir e sistematizar resultados de pesquisas sobre o tema ou questão de maneira sistemática e ordenada, contribuindo para o aprofundamento do conhecimento sobre o tema investigado.

Para a busca dos artigos, manuais, relatos de casos e livros para compor o estudo, foram utilizadas as seguintes combinações entre os descritores da pesquisa: fatores de riscos, diabetes, tratamento, acompanhamento do tratamento, complicações. Após a coleta dos dados passou-se para a categorização dos estudos e análise.

Para a busca dos artigos científicos, relatos de casos, manuais e livros foi realizado pesquisa nas seguintes bases eletrônicas de dados, Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDILINE) e Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) Scientific Electronic Library Online (SELO). E também foi pesquisado os manuais do ministério da saúde do Brasil, livros e similares que publicam matérias referente a temática em estudo.

O recorte temporal das publicações a serem pesquisadas foi definido entre o período de 2015 a 2025, pois se trata de um recorte temporal que vem contemplando os estudos publicados nos últimos 10 anos, por serem publicações que tragam as novas descobertas sobre o manejo do tratamento e do acompanhamento do paciente com diabetes.

Após a seleção dos artigos, os mesmos foram analisados os títulos e os resumos de todos os documentos encontrados e selecionado os que se enquadraram nos critérios de inclusão da pesquisas em estudo, para a construção da presente pesquisa, referente a importância do tratamento e do acompanhamento do paciente diabético.

Os critérios de inclusão adotados foram: pesquisa de campo, estudos de caso, relatos de casos, revisão sistemática, revisão narrativa, metanálise, coorte observacional, estudo prospectivos e retrospectivos que foram publicados nos últimos 10 dez anos, esse recorte temporal foi definido visando buscar o que há de inovador no manejo da diabetes.

Este projeto de pesquisa não foi submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) por não envolver pesquisa com seres humanos, ficando apenas em base de dados secundários, mas obedecerá às recomendações da Resolução 466 de 2012 que regulamenta a realização das pesquisas.

REVISÃO DE LITERATURA

De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM, 2016), o Diabetes Mellitus (DM) é definido como uma condição caracterizada pela elevação persistente dos níveis de glicemia. Tal condição decorre de uma deficiência na secreção ou na atuação do hormônio insulina, que é sintetizado pelas células beta do pâncreas9.

A insulina desempenha um papel fundamental ao facilitar a absorção da glicose pelas células, permitindo sua utilização em uma série de processos metabólicos essenciais ao funcionamento do organismo. A ausência desse hormônio ou a presença de falhas em sua função resultam no acúmulo de glicose no plasma sanguíneo, fenômeno denominado hiperglicemia9.

Quando crônica, a hiperglicemia pode induzir danos significativos tanto na microcirculação quanto na macrocirculação, prejudicando o desempenho funcional de diversos órgãos, como o coração, os rins, os olhos e os nervos periféricos. Dessa forma, o diagnóstico precoce e a implementação de um tratamento adequado para o DM tornam-se medidas indispensáveis para minimizar seus impactos clínicos10.

O diabetes mellitus (DM) pode ser classificado em dois tipos mais comuns: o diabetes tipo 1 (DM1) e o diabetes tipo 2 (DM2). O DM1 ocorre quando o sistema imunológico do indivíduo ataca erroneamente as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. Como consequência, os pacientes apresentam níveis elevados de glicose no sangue10.

Essa forma da doença é geralmente diagnosticada em crianças e jovens, e seu tratamento envolve a administração de insulina por via injetável. Por outro lado, o DM2 está relacionado à incapacidade do organismo em utilizar a insulina de maneira eficiente. Nesse caso, o paciente pode produzir insulina em quantidade normal, insuficiente ou até mesmo apresentar resistência ao hormônio11.

Assim como no DM1, há um acúmulo de glicose no sangue. Esse tipo de diabetes é mais frequentemente identificado em adultos e idosos. Quando diagnosticado precocemente, pode ser tratado por meio de mudanças no estilo de vida, como prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e uso de medicamentos orais6.

A escolha do tratamento adequado requer a consideração de critérios que influenciam diretamente sua eficácia e adesão. Entre os parâmetros que devem ser avaliados estão os níveis de glicemia em jejum, a eficiência comprovada da intervenção terapêutica, o custo associado ao medicamento e as preferências individuais do paciente7.

QUADRO 1: Principais drogas usadas no tratamento do diabetes, modo de uso e mecanismo de ação das drogas.

Fonte: (ADAPTADO DE RENAME, 2017).

Os medicamentos mencionados anteriormente são utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e têm como principal objetivo regular os níveis de glicose no sangue, evitando complicações associadas à doença. Ao optar por esses tratamentos, diversos aspectos devem ser analisados para garantir eficácia e segurança12.

Em primeiro lugar, é essencial compreender que cada medicamento possui um mecanismo de ação único, sendo desenvolvido para atender às necessidades individuais de cada paciente. Por exemplo, os inibidores da DPP-4 e os agonistas do receptor de GLP-1 ajudam a estimular a secreção de insulina e reduzir a liberação de glucagon, enquanto os inibidores da alfa-glicosidase atrasam a absorção de carboidratos no intestino delgado13.

Outro ponto relevante são os possíveis efeitos colaterais e contraindicações. Os inibidores da DPP-4, por exemplo, podem aumentar a predisposição a infecções respiratórias, enquanto agonistas do receptor de GLP-1 frequentemente causam náuseas e vômitos. Já os inibidores da alfa-glicosidase podem provocar flatulência e diarreia14.

Assim, a escolha dos medicamentos deve considerar essas características para evitar adversidades. A personalização do tratamento é igualmente crucial, uma vez que as necessidades variam entre os pacientes. Indivíduos com insuficiência renal ou hepática, por exemplo, podem demandar ajustes nas doses ou até a seleção de medicamentos específicos15.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O diabetes mellitus é uma condição crônica que acomete milhões de pessoas em todo o mundo. Caracteriza-se por níveis elevados de glicose no sangue, os quais podem resultar em complicações graves caso não sejam devidamente controlados. Seu tratamento requer uma abordagem abrangente, incluindo mudanças no estilo de vida, como uma alimentação equilibrada e a prática regular de atividades físicas, além do uso de medicamentos para manter os níveis de glicose sob controle.

O acompanhamento constante é essencial para avaliar a eficácia do tratamento e realizar ajustes conforme necessário, o que envolve monitorar os índices de glicose no sangue, realizar exames periódicos e investigar a presença de complicações. A importância de um manejo adequado do diabetes não pode ser subestimada. Quando bem controlada, a doença apresenta menor probabilidade de desencadear complicações sérias, como cardiopatias, falência renal e neuropatias.

Além de reduzir tais riscos, o tratamento eficaz contribui significativamente para a melhoria na qualidade de vida dos pacientes, possibilitando que mantenham rotinas ativas e produtivas. O acompanhamento regular também permite a detecção precoce de potenciais problemas, possibilitando intervenções mais eficientes e menos invasivas. A colaboração estreita entre pacientes e profissionais de saúde é fundamental para o desenvolvimento de um plano de tratamento personalizado.

Este plano deve incluir metas específicas para controle glicêmico, ajustes na medicação, monitoramento contínuo e instruções detalhadas sobre como administrar a doença no cotidiano. A educação sobre o diabetes desempenha um papel crucial nesse processo. Pacientes informados sobre sua condição e com ferramentas para gerenciá-la adequadamente têm maior probabilidade de seguir as orientações médicas e atingir os resultados esperados.

Em síntese, tanto o tratamento quanto o acompanhamento regular são indispensáveis para controlar o diabetes e prevenir complicações. Adotando uma abordagem personalizada e consistente, é possível garantir boa qualidade de vida e minimizar os riscos associados a essa condição crônica.

Nota-se uma demanda crescente por assistência médica focada na otimização do uso de medicamentos e na melhoria dos serviços de saúde. Essa abordagem busca diminuir os gastos tanto no sistema público quanto no privado, solucionar problemas relacionados aos fármacos e oferecer ao paciente maior segurança e qualidade no tratamento.

REFERÊNCIAS

1 Siller AF, Tosur M, Relan S, Astudillo M, McKay S, Dabelea D, Redondo MJ. Challenges in the diagnosis of diabetes type in pediatrics. Pediatr Diabetes. 2020.

2 American Diabetes Association. Diagnosis, classification of diabetes. Diabetes Care. 2015.

3 Classification of diabetes mellitus. Geneva: World Health Organization; 2019.

4 GBD 2013 Mortality and Causes of Death Collaborators. Global, regional, and national agesex specific all-cause and cause-specific mortality for 240 causes of death, 1990-2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2015.

5 Costa AF, Flor LS, Campos MR, Oliveira AF, Costa MFS, Silva RS, et al. Carga do diabetes mellitus tipo 2 no Brasil. Cad. Saúde Pública 2017.

6 SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2017.

7 BRASIL. Ministério da Saúde (MS). Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Estrategia para o cuidado da pessoa com doença crônica – DM. Caderno de Atenção Básica. Brasília, 2013.

8 ARAÚJO, Leila Maria Batista; BRITO, Maria M. dos Santos; CRUZ, Britto Thomaz R. Porto. Tratamento do Diabetes Mellitus do Tipo 2: Novas Opções. Arquivos Brasileiro de Endocrinologia. Vol. 44. N 6 de dezembro de 2020. 

9 ZHANG, B. Efeito do exercício na resistência à insulina em pacientes com diabetes tipo 2 obesos. Rev Bras Med Esporte, Vol.28, N.01, Jan-Feb, 2022.

10 CUNHA, G, H, et al. Insulinoterápica realizada por pessoas Prática com diabetes na Atenção Primária em Saúde. Rev. esc. enferm. USP. Vol.54, N.03, 2020.

11 PINHO, S, et al. Diabetes Mellitus tipo 2 e depressão: haverá relação entre estas duas patologias? Psic., Saúde & Doenças, Vol.22, No.2, Lisboa set, 2021.

12 MARQUES, J, S, et al. Qualidade de vida de pessoas com Diabetes Mellitus acompanhadas pela Unidade Básica de Saúde. Rev Cubana Enfermer Vol.37 No.1 Havana City Jan.-Mar. 2021.

13 OREM, D.E. Nursing: concepts of practice. 6. ed. St. Louis: Mosby-Yearbook, 2001.

14 OLIVEIRA, N. F. et al. Diabetes Mellitus: desafios relacionados ao autocuidado abordados em Grupo de Apoio Psicológico. Rev. Bras. Enferm., v. 64, n. 2, p. 301-307, 2011.

15 LIMA, E. K. S. Eficácia de Jogo Educativo no Conhecimento de Pessoas com Diabetes Mellitus Tipo 2 e suas Repercussões ao Tratamento da Doença. Trabalho de Conclusão de Curso (graduação), Universidade Estadual do Ceará, Centro de Ciências da Saúde, Graduação em Enfermagem, Fortaleza, 2018. 69 f.

16. FERREIRA, D. L. et al. O efeito das equipes multiprofissionais em saúde no Brasil em atividades de cuidado com o diabetes. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 17, n. 17, p. 1-7, 2018.


1Acadêmicos do Curso de Graduação em Enfermagem.
2Professor do curso de graduação em enfermagem.