IMPORTANCE OF ENGLISH PROFICIENCY IN ACADEMIC TRAINING AND PROFESSIONAL DEVELOPMENT IN MEDICINE: AN INTEGRATIVE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511171246
Lia Beatriz Andrade Brito1
Lucas da Silva Alves2
Adélia Dalva da Silva Oliveira3
Magda Rogéria Pereira Viana4
Luiz Bezerra Neto5
RESUMO
O domínio da língua inglesa tornou-se componente essencial da formação acadêmica em saúde, visto que o idioma predomina na comunicação científica, em publicações e congressos internacionais. A proficiência em inglês amplia o acesso ao conhecimento e favorece a prática médica baseada em evidências, sendo, portanto, determinante para a qualidade da educação superior na área. Este estudo teve como objetivo analisar a importância da proficiência em língua inglesa na formação acadêmica e no desenvolvimento profissional de estudantes e médicos, identificando seus impactos no aprendizado, na atualização científica e na inserção no mercado de trabalho. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, guiada pelo modelo PICo, utilizando-se os descritores “medical students”, “English proficiency” e “medical education”. Foram incluídos artigos publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português, inglês ou espanhol, indexados nas bases LILACS, PubMed, Scopus e foram excluídos resumos, editoriais, estudos que tratassem apenas do ensino geral de inglês sem foco na área médica, cartas ao editor e revisões não sistemáticas. Após o processo de triagem, nove estudos atenderam aos critérios de inclusão e compuseram a amostra final. Os resultados apontam que o domínio do inglês influencia positivamente o desempenho acadêmico, a compreensão da terminologia médica e o acesso a evidências científicas atualizadas. Estudantes com maior proficiência demonstraram melhor rendimento em disciplinas teóricas, maior engajamento em pesquisa e participação ampliada em eventos e intercâmbios internacionais. Embora a leitura permaneça como a habilidade mais utilizada, a comunicação oral e escrita tem ganhado relevância crescente no contexto científico e clínico. Os estudos revisados destacam, ainda, a necessidade de cursos de English for Specific Purposes (ESP) voltados à medicina, que integrem terminologia técnica, simulações clínicas e práticas comunicativas contextualizadas. Conclui-se que o fortalecimento da proficiência em inglês é fundamental para a formação de médicos mais competentes, críticos e aptos a atuar em cenários globais, científicos e tecnologicamente dinâmicos.
Descritores: Inglês médico. Proficiência em inglês. Formação médica. Educação médica. English for Specific Purposes.
ABSTRACT
The mastery of the English language has become an essential component of academic training in health sciences, as the language predominates in scientific communication, publications, and international conferences. English proficiency broadens access to knowledge and supports evidence-based medical practice, thus determining the quality of higher education in the field. This study aimed to analyze the importance of English language proficiency in the academic education and professional development of medical students and physicians, identifying its impact on learning, scientific updating, and labor market insertion. This is an integrative literature review guided by the PICo model, using the descriptors “medical students,” “English proficiency,” and “medical education.” Articles published between 2015 and 2025, in Portuguese, English, or Spanish, indexed in the LILACS, PubMed, and Scopus databases were included. Abstracts, editorials, studies addressing only general English teaching without a medical focus, letters to the editor, and non-systematic reviews were excluded. After the screening process, nine studies met the inclusion criteria and comprised the final sample. The results indicate that English proficiency positively influences academic performance, understanding of medical terminology, and access to up-to-date scientific evidence. Students with higher proficiency demonstrated better performance in theoretical subjects, greater research engagement, and increased participation in international events and exchange programs. Although reading remains the most frequently used skill, oral and written communication have gained increasing relevance in scientific and clinical contexts. The reviewed studies also highlight the need for English for Specific Purposes (ESP) courses focused on medicine, integrating technical terminology, clinical simulations, and contextualized communicative practices. It is concluded that strengthening English proficiency is essential for training physicians who are more competent, critical, and capable of working in global, scientific, and technologically dynamic environments.
Descriptors: Medical English. English proficiency. Medical education. Medical training. English for Specific Purposes.
1 INTRODUÇÃO
Em um cenário cada vez mais globalizado, a medicina ultrapassa fronteiras geográficas e culturais, e o domínio do inglês torna-se essencial para a comunicação eficaz entre profissionais ao redor do mundo (Chan; Mamat; Nadarajah, 2022). A língua inglesa desempenha um importante papel na formação médica, sendo o principal idioma da literatura científica, congressos internacionais e diretrizes clínicas. A proficiência em inglês permite aos estudantes e profissionais da área o acesso a artigos atualizados, guidelines internacionais, plataformas de aprendizado e redes de colaboração científica que impulsionam o aprimoramento contínuo (Lin et al., 2025; Koum Besson et al., 2025).
A influência do inglês vai além das áreas clínicas tradicionais, o avanço de tecnologias emergentes como a inteligência artificial, a robótica cirúrgica, a bioengenharia e a telemedicina, tem consolidado o idioma como uma ferramenta indispensável para o acesso a cursos, certificações, softwares e publicações especializadas nesses campos (Miller; Reddy, 2020). Muitos dos conteúdos educacionais mais inovadores — como treinamentos em cirurgia assistida por robôs, análises computacionais de imagens médicas e pesquisas em genômica — são produzidos e disponibilizados majoritariamente em inglês. Assim, o idioma também figura como um diferencial competitivo em áreas médicas não convencionais e tecnológicas que vêm ganhando espaço nos currículos e nas práticas de saúde contemporâneas (García; Huang, 2022; Gvenetadze, 2022).
Nesse contexto, o domínio do inglês amplia significativamente as oportunidades acadêmicas e profissionais, como a participação em intercâmbios, especializações em instituições estrangeiras, programas de residência médica internacionais e possibilidades de trabalho no exterior. Além disso, permite maior protagonismo em iniciativas de pesquisa colaborativa e na publicação de artigos em revistas de alto impacto (Lozano; Kim, 2021; Ahmed et al., 2020).
Entretanto, a literatura aponta que a proficiência no idioma ainda representa um desafio para muitos estudantes de Medicina, o que pode limitar seu desenvolvimento acadêmico e profissional. Nesse sentido, este estudo busca analisar produções científicas que discutem a relevância do inglês médico e suas implicações na formação acadêmica e na atuação profissional, contribuindo para a identificação de lacunas e para a reflexão sobre estratégias educacionais que fortaleçam essa competência (Almeida; Rocha, 2021; Ghoreishi et al., 2021).
Espera-se que a discussão proposta sensibilize instituições de ensino, professores e gestores quanto à necessidade de formar profissionais mais preparados para os novos desafios e fronteiras da prática médica contemporânea (Hernández et al., 2022).
1.1 Objetivos
1.1.1 Geral
Analisar a importância da proficiência em língua inglesa na formação acadêmica e no desenvolvimento profissional de estudantes e médicos, identificando seus impactos no aprendizado, na prática clínica e na inserção no mercado de trabalho.
1.1.2 Específicos
– Identificar na literatura científica as principais vantagens da proficiência em inglês durante a formação médica.
– Investigar a influência do domínio do inglês na atualização científica e no acesso a publicações médicas internacionais.
– Analisar o papel do inglês na comunicação médica global, incluindo participação em congressos, cursos e programas de intercâmbio.
– Apontar estratégias de ensino e práticas institucionais que possam contribuir para o aprimoramento da proficiência em inglês entre estudantes e profissionais da área médica.
1.2 Justificativa e relevância
A proficiência em inglês é considerada uma competência essencial na formação médica, sendo o principal idioma da literatura científica, de diretrizes clínicas e da comunicação internacional na área da saúde. Apesar disso, estudos indicam que muitos estudantes e profissionais enfrentam desafios no domínio do idioma, o que pode limitar o acesso a conteúdo atualizado, oportunidades de intercâmbio e participação em áreas médicas inovadoras.
Este estudo justifica-se por propor uma análise integrativa da literatura científica sobre a importância do inglês na formação médica, fornecendo subsídios para refletir sobre lacunas e estratégias pedagógicas que fortaleçam essa competência. Os resultados podem contribuir para orientar instituições de ensino, docentes e gestores educacionais na promoção de uma formação mais completa e preparada para os desafios acadêmicos, profissionais e tecnológicos da Medicina contemporânea.
2 METODOLOGIA
2.1 Tipo de estudo
O estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, método que reúne e sintetiza pesquisas publicadas, permitindo conclusões a partir de uma questão previamente definida. Segundo Whittemore e Knafl (2005), exige o mesmo rigor, clareza e replicabilidade dos estudos primários. Por incluir pesquisas experimentais e não experimentais, constitui a abordagem mais abrangente entre as revisões (Teixeira et al., 2013).
A revisão foi conduzida em seis etapas: formulação da questão, busca dos dados, coleta das informações, análise crítica, discussão e apresentação dos resultados (Souza; Silva; Carvalho, 2010).
2.2 Formulação da questão de pesquisa
Para guiar a investigação, utilizou-se a estratégia PICo (População, Interesse e Contexto), onde o
P: Estudantes e profissionais de medicina;
I: Importância da proficiência em inglês;
Co: Formação acadêmica e desenvolvimento profissional na medicina.
A partir dessa estrutura, delimitou-se a seguinte questão de pesquisa: Qual a importância da proficiência em língua inglesa na formação acadêmica e no desenvolvimento profissional de estudantes e médicos?
2.3 Critérios de inclusão e de exclusão
Foram incluídos artigos publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol, disponíveis na íntegra e que abordavam direta ou indiretamente a relação entre proficiência em inglês e formação médica. Foram excluídos resumos, editoriais, estudos que tratassem apenas do ensino geral de inglês sem foco na área médica, cartas ao editor e revisões não sistemáticas.
2.4 Estratégia de busca
A estratégia de busca foi construída com base na abordagem PICo, utilizando combinações de palavras-chave e descritores:
– População (P): “medical students”, “medical professionals”, “physicians in training”
– Interesse (I): “English proficiency”, “English language skills”, “language competence”
– Contexto (Co): “medical education”, “academic performance”, “professional development”, “research skills”
As palavras-chave foram combinadas com operadores booleanos AND e OR para ampliar ou restringir a busca conforme necessário.
2.5 Processo de seleção dos estudos
A seleção dos estudos seguiu os passos: leitura de títulos e resumos para exclusão de artigos irrelevantes; leitura completa dos textos selecionados para análise crítica; extração dos dados relevantes, incluindo autores, ano, tipo de estudo, população, principais achados e conclusões e síntese e categorização dos resultados para responder à questão de pesquisa.
O processo garantiu rigor metodológico, clareza e replicabilidade, conforme recomendado para revisões integrativas (Whittemore; Knafl, 2005; Souza; Silva; Carvalho, 2010).
2.6 Extração e organização dos dados
Os dados extraídos foram organizados em quadro sinóptico considerando periódico/ano, título, autores, tipo de pesquisa, ideia central e nível de evidência, o que possibilitou identificar convergências, divergências e lacunas entre os estudos, fornecendo uma visão integrada sobre a influência da proficiência em inglês na formação acadêmica e no desenvolvimento profissional em medicina.
Os estudos incluídos nesta revisão foram avaliados quanto à robustez metodológica e à força das recomendações, segundo o Oxford Centre for Evidence-Based Medicine (CEBM, 2011), que organiza os níveis de evidência da seguinte forma:
Nível 1: Evidência derivada de revisões sistemáticas de ensaios clínicos randomizados ou ensaios clínicos randomizados de alta qualidade.
Nível 2: Evidência obtida a partir de ensaios clínicos randomizados individuais ou estudos de coorte de boa qualidade.
Nível 3: Evidência baseada em estudos de coorte ou casos-controle, preferencialmente de boa qualidade e com resultados consistentes.
Nível 4: Evidência derivada de estudos descritivos, séries de casos ou relatórios de casos.
Nível 5: Evidência baseada em opinião de especialistas sem avaliação crítica sistemática ou fundamentação empírica.
2.7 Análise e síntese dos dados
A síntese dos dados foi apresentada de forma descritiva e comparativa, destacando as evidências disponíveis sobre a importância da proficiência em inglês na formação médica. Além disso, identificaram-se lacunas na literatura e foram feitas recomendações para futuras pesquisas e para a prática educacional na área da medicina.
3 RESULTADOS
A partir da combinação dos descritores “proficiência em inglês”, “ensino médico” e “formação acadêmica”, foram obtidos 140 estudos nas bases de dados selecionadas. Após a remoção de duplicatas (n = 25), permaneceram 115 artigos para triagem inicial. Nessa etapa, procedeu-se à leitura dos títulos e resumos, sendo 95 estudos excluídos por não atenderem aos critérios de inclusão estabelecidos — como não abordar o ensino médico, não tratar diretamente da proficiência em inglês ou não estar disponível em texto completo.
Dessa forma, 20 artigos foram considerados elegíveis para leitura na íntegra. Após essa leitura completa, 11 estudos foram excluídos por apresentarem recorte temporal anterior ao definido, metodologia não compatível ou foco fora do contexto educacional médico, resultando em 9 artigos incluídos na revisão final.
A Figura 1 apresenta o fluxograma referente ao processo de seleção dos artigos incluídos nesta revisão integrativa:
Figura 1. Fluxograma do processo de seleção dos estudos segundo o modelo PRISMA ADAPTADO, Teresina, 2025.

Quadro 1. Quadro sinóptico considerando Periódico/Ano, Título, Autores, Tipo de pesquisa, Ideia central e Nível de evidência, TERESINA, 2025


Dentre os estudos analisados, destacou-se o trabalho de PONNUDURAI e CASZO (BMC Medical Education, 2025), um estudo diagnóstico de natureza descritiva, por apresentar abordagem contemporânea e foco específico na avaliação da proficiência em língua inglesa entre estudantes de Medicina. O estudo se sobressai por investigar diretamente as competências linguísticas aplicadas ao contexto médico-acadêmico, contribuindo para a compreensão das lacunas de aprendizagem e para a formulação de estratégias pedagógicas voltadas ao desenvolvimento da proficiência. Ademais, por ser o estudo mais recente da amostra e publicado em periódico de ampla visibilidade internacional, oferece evidências relevantes e atualizadas para a discussão sobre o papel do inglês na formação médica.
4 DISCUSSÃO
Os resultados deste estudo sugerem que a proficiência em inglês é um fator determinante para o desempenho acadêmico e o desenvolvimento profissional de estudantes de Medicina. Os achados apontam que o domínio do idioma facilita o acesso à literatura científica internacional, potencializa o desempenho em disciplinas médicas, amplia oportunidades de pesquisa e favorece a inserção em contextos profissionais globalizados.
Segundo Fischer et al. (2021) e Alqahtani et al. (2020), estudantes proficientes em inglês demonstram maior desempenho em avaliações acadêmicas, compreensão de conteúdos teóricos e facilidade no acesso à literatura científica especializada, uma vez que, no contexto da Arábia Saudita e da Índia, onde se passam suas pesquisas, esse idioma é o mais utilizado nos meios de avaliação, de instrução e de acesso aos materiais, sendo, na Índia, até uma questão de barreira linguística definida.
De forma semelhante, Al-Mously et al. (2013) ressaltam a questão da escolaridade inteiramente árabe como um obstáculo no ensino superior, e identificam que a proficiência linguística constitui um fator preditor mais forte do desempenho acadêmico do que o gênero, reforçando a necessidade de fortalecer o ensino do idioma desde os períodos iniciais do curso de Medicina.
É evidenciado em um dos artigos incluídos, segundo Azikiyah (2020), que o inglês, apesar da sua importância, em contextos educacionais onde não é o meio oficial de instrução ou depende de escolhas voluntárias dos professores, pode apresentar uma relação entre proficiência linguística e desempenho acadêmico menos evidente, sugerindo que o impacto do idioma varia conforme o contexto institucional. Chan et al. (2022) corroboram essa observação ao relatarem que, em programas médicos internacionais, o domínio do inglês não apenas influencia o desempenho acadêmico, mas também a adaptação dos estudantes a metodologias de ensino baseadas em discussões, trabalho em grupo e aprendizagem ativa, características centrais de currículos médicos globalizados.
No que tange às habilidades específicas, embora a leitura de artigos científicos continue sendo a habilidade mais valorizada na graduação médica, observa-se uma crescente relevância das habilidades produtivas, como fala e escrita,
essenciais para apresentações acadêmicas, comunicação em eventos internacionais e interações clínicas. Segundo Chan et al. (2022), Lodhi et al. (2018) e Wahyuni (2020), as dificuldades nessas competências podem limitar o desempenho em avaliações orais, trabalhos escritos, apresentações e participação em intercâmbios, congressos e projetos de pesquisa colaborativa. Entre os estudos analisados, alguns apontam lacunas na compreensão da terminologia médica, evidenciando deficiências na formação linguística voltada ao contexto profissional (Alrashed, 2024; Fischer et al., 2021).
Os estudos analisados evidenciam que o ensino de inglês geral não é suficiente para atender às demandas específicas da Medicina, sobretudo em currículos de orientação internacional. Segundo Lodhi et al. (2018) e Ponnudurai & Caszo (2025), a implementação de cursos de *English for Specific Purposes* (ESP), integrando vocabulário médico, comunicação científica, escrita acadêmica e situações clínicas autênticas, é necessária. Intervenções permanentes, como clubes de leitura, debates, role-plays e simulações baseadas em cenários clínicos reais, demonstram eficácia na melhora da proficiência e da confiança comunicativa dos estudantes. (Chan et al., 2022; Fischer et al., 2021; Wahyuni, 2020). Além disso, alguns estudos sugerem incentivos, como créditos extras para participação em cursos de inglês, como forma de estimular o aprimoramento contínuo (Fischer et al., 2021).
Apesar dos benefícios observados, persistem limitações estruturais na forma como as instituições de ensino superior abordam o inglês médico, ainda centrado em estruturas gramaticais e vocabulário geral, sem integrar contextos clínicos e comunicativos reais. Segundo os estudos revisados, os resultados convergem na necessidade de reformular currículos e políticas educacionais, incorporando módulos integrativos de inglês médico, metodologias ativas, uso de simulações clínicas e incorporação de terminologia técnica, visando preparar os futuros médicos para os desafios acadêmicos, científicos e profissionais de uma medicina cada vez mais internacionalizada.
5 CONCLUSÃO
A revisão integrativa permitiu concluir que a proficiência em inglês é um fator determinante para o desempenho acadêmico e o desenvolvimento profissional de estudantes de Medicina, atendendo ao objetivo de identificar as principais vantagens do domínio do idioma na formação médica. Entre as vantagens, destacam-se o impacto positivo no desempenho acadêmico, o acesso ampliado a literatura científica, a consolidação de um currículo médico de alcance internacional, o maior engajamento em intercâmbios e em programas realizados em outros países e a contribuição para a inserção do médico em contextos profissionais globalizados e tecnologicamente avançados.
Em relação à comunicação global, os resultados demonstram que, embora a leitura de textos científicos seja a habilidade mais requisitada na graduação, a comunicação oral e escrita torna-se fundamental para o exercício profissional e para a colaboração internacional.
Além disso, a revisão evidencia lacunas na educação superior, indicando a necessidade de currículos mais integrados, programas de reforço contínuo e metodologias ativas que desenvolvam competências linguísticas desde os primeiros períodos do curso. O ensino de inglês deve, portanto, ser direcionado e contextualizado, privilegiando o inglês médico (English for Specific Purposes – ESP), com a integração de terminologia técnica, simulações clínicas, práticas de comunicação e atividades que reproduzam situações reais do cotidiano médico. A implementação dessas estratégias pode reduzir barreiras de comunicação, aprimorar o desempenho acadêmico e preparar médicos mais aptos a atuar em um cenário globalizado, científico e tecnologicamente dinâmico.
Por fim, sugere-se que pesquisas futuras explorem a eficácia de programas de inglês médico integrados, o impacto de intervenções pedagógicas específicas e o desenvolvimento de avaliações objetivas de proficiência, a fim de garantir que todos os estudantes alcancem níveis adequados de domínio do idioma.
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1 Graduanda do Curso de Medicina do Centro Universitário Tecnológico de Teresina (UNI-CET). E-mail: liabeatrizbrito@hotmail.com
2 Graduando do Curso de Medicina do Centro Universitário Tecnológico de Teresina (UNI-CET). E-mail: lucassk4@hotmail.com
3 Professora do Curso de Medicina do Centro Universitário Tecnológico de Teresina (UNI-CET).
Doutora e Mestra em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Piauí – UFPI. Pós-Doutora em Enfermagem Fundamental pela Universidade de São Paulo – USP. E-mail: adeliaoliveira091127@gmail.com
4 Professora do Curso de Odontologia do Centro Universitário Tecnológico de Teresina (UNI-CET).
Mestra em Saúde da Família pelo Centro Universitário – UNINOVAFAPI. Doutora em Engenharia Biomédica, pela Universidade do Vale do Paraíba – UNIVAP. E-mail: adgamairegor@gmail.com
5 Professor do Curso de Medicina do Centro Universitário Tecnológico de Teresina (UNI-CET).
Residência médica em Cardiologia Clínica pelo Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. Especialista em ecocardiografia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia – SBC. E-mail: luizbezerraneto78@gmail.com
