REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202512091122
Monalisa Gonçalves Silva
Vitor Romão Pereira
Orientador: Romulo Rodrigues Coelho Delfino Souza
RESUMO
O presente estudo aborda a implantação do BIM 4D e 5D em projetos de pequeno porte, utilizando o Revit e o Navisworks, buscando avaliar como essas ferramentas podem otimizar planejamento, controle de custos e eficiência na execução de obras. A pesquisa parte da questão-problema, que consiste em identificar os benefícios e desafios da adoção do BIM 4D e 5D em comparação aos métodos tradicionais de planejamento e orçamento. O objetivo geral é analisar os impactos da implementação do BIM 4D e 5D em obras de menor porte, enquanto os objetivos específicos incluem explorar suas funcionalidades, identificar desafios e benefícios, aplicar a metodologia em um estudo de caso e comparar os resultados com métodos tradicionais. O método adotado é comparativo e aplicado, com o desenvolvimento de um projeto em BIM para observar diferenças em produtividade, precisão, compatibilização multidisciplinar, geração de quantitativos e simulação 4D/5D. Os resultados indicam que o BIM aumenta a agilidade na produção de documentação, reduz retrabalho, melhora a precisão dos desenhos e quantitativos, facilita a coordenação entre disciplinas e permite simulações confiáveis de cronograma e custos. Apesar dos desafios iniciais, conclui-se que o BIM 4D e 5D proporciona ganhos significativos em eficiência, confiabilidade e planejamento estratégico em obras de pequeno porte.
Palavras-chave: BIM 4D; BIM 5D; Revit; Navisworks; obras de pequeno porte
ABSTRACT
This study addresses the implementation of 4D and 5D BIM in small-scale projects, using Revit and Navisworks, aiming to evaluate how these tools can optimize planning, cost control, and execution efficiency. The research is based on the problem of identifying the benefits and challenges of adopting 4D and 5D BIM compared to traditional planning and budgeting methods. The general objective is to analyze the impacts of implementing 4D and 5D BIM in small-scale projects, while the specific objectives include exploring its functionalities, identifying challenges and benefits, applying the methodology in a case study, and comparing the results with traditional methods. The adopted method is comparative and applied, involving the development of a project in BIM to observe differences in productivity, accuracy, interdisciplinary coordination, quantity takeoffs, and 4D/5D simulation. The results indicate that BIM increases documentation efficiency, reduces rework, improves the accuracy of drawings and quantities, facilitates coordination among disciplines, and enables reliable schedule and cost simulations. Despite initial challenges, it is concluded that 4D and 5D BIM provides significant gains in efficiency, reliability, and strategic planning for small-scale projects.
Keywords: 4D BIM; 5D BIM; Revit; Navisworks; small-scale projects
1 INTRODUÇÃO
Grande parte dos escritórios de Engenharia e Arquitetura utilizam o método CAD (Computer Aided Design) como principal ferramenta de trabalho. Porém no que diz respeito à compatibilização de projetos, existe uma falta de integração e inteligência de dados, o que traz muitas vezes restrições na comunicação entre projetistas, limitando o processo de compatibilização entre disciplinas de projeto (USUDA; RUSCHEL, 2004).
Com a necessidade de interação entre os projetos, quando corretamente implementadas as ferramentas de modelagem virtual como Building Information Modeling (BIM) podem trazer resultados satisfatórios para a otimização do projeto, uma vez que as informações estão concentradas em um único modelo, e qualquer alteração feita será refletida nos demais documentos.
Além disso, o BIM é uma ferramenta de fundamental importância para a gestão nas fases de planejamento e fiscalização do projeto (LUKE, 2014). Ferramentas como o Revit e o Navisworks permitem respostas mais ágeis às mudanças. Além disso, são capazes de simular parâmetros tanto quantitativos quanto qualitativos, possibilitando a integração de custos com uma análise financeira mais precisa e eficiente.
Como benefícios, a adoção do BIM tem propiciado melhorias na eficiência do trabalho, saúde e segurança, produtividade, qualidade e sustentabilidade (Chen et al., 2021). Além disso, o BIM desempenha um papel crucial na concepção de projetos mais sustentáveis, permitindo uma análise detalhada do desempenho energético e ambiental desde as fases iniciais. Com a possibilidade de simular variáveis como consumo de energia, iluminação natural e eficiência térmica, os projetistas conseguem tomar decisões mais fundamentadas, minimizando desperdícios e maximizando a eficiência dos edifícios. Essa abordagem integrada não apenas facilita a compatibilização entre disciplinas, reduzindo conflitos e retrabalhos, mas também impulsiona a viabilidade econômica dos projetos, proporcionando um planejamento mais preciso e uma gestão eficiente dos recursos.
1.1 Objetivo Geral
Analisar os benefícios da implementação do BIM 4D e 5D em obras de pequeno porte, utilizando as ferramentas Revit e Navisworks, a fim de otimizar o planejamento, controle de custos e eficiência na execução da obra.
1.2 Objetivos específicos
- Explorar os conceitos e funcionalidades do BIM 4D e 5D e suas aplicações em projetos de pequeno porte.
- Identificar os desafios e benefícios da adoção do BIM 4D e 5D em projetos menores, considerando planejamento e controle de custos.
- Aplicar a metodologia BIM 4D e 5D em um estudo de caso, demonstrando suas contribuições para o gerenciamento da obra.
- Comparar os resultados obtidos no estudo de caso com métodos tradicionais de planejamento e orçamento, analisando ganhos de eficiência e precisão.
1.3 Justificativa
O bom planejamento de obra é um dos fatores essenciais para o sucesso de qualquer empreendimento. Nesse contexto, o Building Information Modeling (BIM) se destaca como uma ferramenta essencial, mesmo para construções de pequeno porte, pois possibilita uma gestão mais eficiente dos recursos, reduzindo desperdícios e aumentando a previsibilidade dos custos. A implementação do BIM, além de proporcionar maior rapidez na elaboração dos projetos, também permite maior precisão no levantamento de materiais, além de identificação de possíveis problemas antes da execução da obra. Sua aplicação além de contribuir para qualidade da construção, contribui também para a viabilidade econômica do projeto e a sustentabilidade da obra.
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Neste capítulo será representado os conceitos relacionados à temática do trabalho.
2.1 Conceito BIM
O Building Information Modeling (BIM) refere-se aos processos de produção e gestão da informação ao longo do ciclo de vida de uma construção (EASTMAN; SACKS, 2011). Esse modelo tridimensional é amplamente utilizado como um repositório dinâmico, permitindo a centralização e integração dos dados do projeto, proporcionando maior eficiência e precisão no desenvolvimento das edificações.
A tecnologia BIM, traduzida como Modelagem da Informação da Construção, representa uma abordagem inovadora para a concepção e gestão de projetos arquitetônicos e de engenharia. Mais do que uma simples organização de dados, trata-se de um sistema digital que acompanha todas as fases da edificação, desde o planejamento inicial até a manutenção e eventual descarte. Sua aplicação combina tecnologias e processos avançados, otimizando a produção, o intercâmbio de informações e a análise detalhada dos modelos construtivos (ANDRADE; RUSCHEL, 2019).
No setor da construção civil, o BIM exerce um impacto significativo, especialmente nas etapas de planejamento. Ele aprimora a precisão dos projetos, além de facilitar a colaboração entre profissionais de diferentes disciplinas, tornando possível a integração de tecnologias e processos mais avançados. Essa conectividade contribui para um desenvolvimento mais eficiente e sustentável, reduzindo custos e prazos na execução da obra (ANDRADE; RUSCHEL, 2019).
Além disso, o BIM se apresenta como uma ferramenta estratégica para fiscalização e gestão de projetos. Sua capacidade de simular a construção permite a detecção antecipada de erros ainda na fase de planejamento, minimizando riscos e evitando retrabalhos. Dessa forma, possibilita uma adaptação mais ágil às mudanças, assegurando tomadas de decisão mais assertivas e otimizando o desempenho dos processos construtivos (LUKE, 2014).
2.1.1 Modelação orientada por objetos
O BIM utiliza uma abordagem de modelação orientada por objetos. Refere-se à construção de modelos digitais tridimensionais baseados em elementos paramétricos, cada um contendo propriedades específicas. Diferente de simples representações geométricas, esses objetos possuem atributos inteligentes, como dimensões, materiais, resistência mecânica, propriedades térmicas e informações de custo. Além disso, cada entidade ou objeto não apenas apresenta suas propriedades definidoras e seu modo de representação, mas também engloba todos os operadores responsáveis por sua criação, manipulação, eliminação e atualização. Dessa forma, garante-se o correto funcionamento e a autonomia de cada objeto dentro do sistema (EASTMAN, 1999).
2.1.2 Relações Paramétricas
No contexto metodológico das relações paramétricas, estabelece-se a vinculação entre os diversos elementos que compõem o modelo, atribuindo conexões estruturadas que possibilitam sua interação dinâmica. Essas relações de vizinhança são definidas por parâmetros que determinam restrições e interdependências entre as entidades, garantindo que qualquer alteração em um único elemento provoque ajustes automáticos nos demais. Dessa forma, o modelo torna-se uma estrutura inteligente e adaptável, promovendo maior eficiência na gestão e atualização dos componentes ao longo do desenvolvimento do projeto (MARTINS; MONTEIRO, 2011).
2.1.3 Interoperabilidade
Interoperabilidade define-se como a capacidade de dois ou mais sistemas trocarem dados entre si de forma a ser possível utilizar a informação recebida (MONTEIRO, 2010). O termo é amplamente empregado no âmbito das tecnologias da informação, sendo igualmente aplicável a diversos sistemas que envolvem fatores sociais, políticos e organizacionais. Sua utilização transcende o contexto tecnológico, permitindo análises interdisciplinares que consideram a interação entre diferentes áreas e seus impactos na estrutura e funcionamento dos sistemas.
2..1.4 Níveis de maturidade BIM
O grau de excelência das capacidades BIM refere-se à distinção entre capacidade e maturidade dentro da implementação da metodologia. A capacidade representa a avaliação da habilidade mínima necessária para a execução de determinada atividade, garantindo que um processo ou tarefa possa ser realizado conforme os requisitos básicos. Por outro lado, a maturidade corresponde à evolução da qualidade do processo, refletindo o aprimoramento contínuo adquirido por meio da experiência na execução de uma tarefa ou na entrega de um produto/serviço BIM, resultando em uma maior eficiência e integração dos fluxos de trabalho. Os níveis de maturidade são marcos que identificam a melhoria do desempenho das organizações em trabalharem com o BIM (SUCCAR, 2010).
O nível de maturidade BIM de uma organização é avaliado de forma gradativa, considerando sua capacidade de implementação. À medida que avança, a organização se aproxima da transição para estágios superiores, classificados em: PréBIM, Modelagem, Colaboração, Integração e Integrated Project Delivery (IPD) (SUCCAR, 2009).
Os cinco estágios de capacidade BIM seguem uma progressão estruturada, iniciando-se em um ponto de partida fixo, correspondente à fase pré-BIM, seguido por três fases de capacidade gradativamente superiores, culminando em um ponto final variável. Essa evolução reflete o grau de implementação e domínio da metodologia ao longo do tempo. Os estágios de capacidade são classificados da seguinte forma:
- Estágio 0 (Pré-BIM): Utilização de modelos em plataformas 2D, sem integração digital avançada.
- Estágio 1 (Modelagem 3D): Introdução da modelagem tridimensional, proporcionando maior realismo e detalhamento.
- Estágio 2 (Colaboração BIM): Desenvolvimento de projetos colaborativos entre disciplinas, permitindo a integração de informações.
- Estágio 3 (Integração em Rede): Implementação de soluções em rede para compartilhamento de dados em projetos multidisciplinares.
- Estágio 4 (IPD – Integrated Project Delivery): Modelo avançado de entrega integrada, promovendo maior eficiência e coordenação entre os envolvidos.
O Estágio 1, fundamentado na modelagem de objetos, caracteriza-se pela geração de modelos unidisciplinares tridimensionais voltados para a produção de documentos em 2D. Essa etapa marca a implementação de softwares paramétricos 3D baseados em objetos, como ArchiCAD®, Revit®, Digital Project® e Tekla®, permitindo maior precisão na representação gráfica e facilitando o desenvolvimento dos projetos (TELES JÚNIOR, 2018). Nesse estágio, as diferentes áreas do projeto ainda não estão bem integradas. As informações são compartilhadas de forma limitada e sem muita organização, o que dificulta a comunicação entre os envolvidos.
O Estágio 2, fundamentado na colaboração de modelos, caracteriza-se pela interação entre dois ou mais agentes do processo, permitindo maior integração entre disciplinas. Nesse nível, ocorre a substituição de modelos genéricos por representações mais detalhadas, otimizando o desenvolvimento de projetos de construção e fabricação, resultando em maior precisão e eficiência na execução. Vale ressaltar que nesse estágio já se começa a ter intercâmbios de informações que são suficientes para realizar simulações de cronograma de obra, fazer quantitativos e orçamentos e executar análises mais robustas, como sonoras, térmicas e luminotécnicas nos ambientes (TELES JÚNIOR, 2018).
O Estágio 3, baseado na integração em rede, aprimora a integração e a troca de informações entre disciplinas. Nessa fase, soluções avançadas são implementadas, incluindo compartilhamento de dados em tempo real, garantindo maior eficiência nos projetos colaborativos. Nesse estágio, os modelos são desenvolvidos e gerenciados de forma colaborativa ao longo de todas as fases do projeto, eliminando barreiras entre planejamento, construção e operação. Essa integração otimiza a capacidade de execução, aprimorando eficiência, segurança e gestão do empreendimento. É fundamental destacar que, nesse estágio, torna-se necessária uma reconsideração das relações contratuais, dos modelos de alocação de riscos e dos fluxos de procedimento, garantindo a eficácia e o funcionamento adequado do processo. (SUCCAR, 2008).
O último estágio, o Estágio 4, denominado IPD (Integrated Project Delivery), traduzido como Entrega Integrada de Projetos, foi desenvolvido pelo Institute of Architects California Council (AIA, 2007). Esse estágio representa um avanço futurista no conceito de BIM, funcionando como uma evolução do Estágio 3, com aprimoramentos nos campos da tecnologia, processos e políticas, promovendo maior eficiência e colaboração entre os envolvidos no projeto (TELES JÚNIOR, 2018).
2.1.5 Comparativo BIM e CAD
O sistema CAD é uma ferramenta computacional amplamente utilizada nas áreas de engenharia e arquitetura, responsável por transformar a forma como os projetos são desenvolvidos. Sua implementação possibilitou a migração dos desenhos técnicos para o ambiente digital, trazendo ganhos significativos em precisão, eficiência e qualidade.
Por outro lado, o BIM representa uma evolução tecnológica mais abrangente, indo além da fase de projetos e incorporando todo o processo construtivo. Essa abordagem integrada permite uma gestão mais eficiente dos recursos, maior compatibilização entre disciplinas e uma visão detalhada do ciclo de vida da edificação, tornando-se uma peça fundamental na modernização da indústria da construção (DA COSTA; FIGUEIREDO, 2015).
O AutoCAD é dividido em duas versões principais: o AutoCAD 2D e o AutoCAD 3D. O primeiro é utilizado para a criação de desenhos técnicos, sendo ideal para a representação de projetos hidráulicos, elétricos e arquitetônicos. Já o AutoCAD 3D oferece uma visualização tridimensional mais detalhada, sendo amplamente empregado na modelagem de peças, permitindo um nível superior de refinamento na concepção e análise dos modelos.
Nos sistemas CAD a construção da geometria é realizada com base em coordenadas, possibilitando o desenvolvimento de entidades gráficas que formam os elementos de representação dos projetos (DA COSTA; FIGUEIREDO, 2015). Qualquer alteração em um projeto desenvolvido nessa tecnologia requer ajustes manuais nos objetos, o que demanda mais tempo e esforço para ser realizado, tornando o processo de modificação mais trabalhoso e menos automatizado.
Já os sistemas BIM utilizam modelos paramétricos para representar os elementos construtivos, possibilitando alterações dinâmicas no modelo gráfico. Essas modificações impactam automaticamente todos os desenhos, tabelas e planilhas vinculadas ao projeto, garantindo maior integração e eficiência no processo de desenvolvimento e gestão da construção.
O modelo engloba aspectos fundamentais da construção, incluindo geometria, relações espaciais, indicadores geográficos, bem como as quantidades e propriedades dos componentes e produtos utilizados na obra. Dessa forma, o projeto se torna um repositório abrangente de informações sobre a edificação, contemplando seu ciclo de vida, operação, processos construtivos e sistemas instalados. (FERREIRA, 2007).
Nos softwares que utilizam a tecnologia BIM, a modelagem do projeto exige a atribuição de características específicas aos objetos, como dimensões e materiais. Essas informações são armazenadas em um banco de dados centralizado, permitindo o acesso de todos os envolvidos no processo, desde a concepção até a fase final da construção. Essa abordagem fortalece a integração entre os setores e contribui significativamente para a melhoria da qualidade dos processos e produtos na indústria da construção. (PROTÁZIO; RÊGO, 2010).
A adoção do BIM pelos escritórios ocorre principalmente devido à sua capacidade de melhorar a precisão e a eficiência dos projetos pois permite a identificação antecipada de erros, reduzindo custos e retrabalho. Além disso, a integração entre equipes e o compartilhamento de informações em tempo real contribuem para uma gestão mais eficaz. Com ferramentas avançadas de simulação, os profissionais podem tomar decisões mais assertivas.
A fim de destacar as diferenças entre as tecnologias CAD e BIM, apresenta-se a seguir o quadro comparativo (quadro 1). Essa análise evidencia as principais características de cada sistema, abordando aspectos como modelo de representação, fluxo de trabalho, colaboração, gestão da informação e compatibilização. Com isso, busca-se demonstrar as vantagens do BIM frente ao CAD e sua contribuição para a modernização do setor da construção civil.
Quadro 1 – Comparação entre CAD e BIM
| Aspecto | CAD | BIM |
| Natureza do modelo | Baseado em desenhos 2D e 3D, representando elementos gráficos. | Modelos digitais inteligentes que contêm informações detalhadas sobre cada componente. |
| Fluxo de trabalho | Alterações feitas manualmente em cada vista do projeto, demandando mais tempo e esforço. | Modificações atualizam automaticamente todas as vistas do modelo, tornando o processo mais ágil. |
| Colaboração | Trabalho isolado, exigindo a troca de arquivos entre profissionais | Permite colaboração simultânea, onde diferentes equipes trabalham no mesmo modelo em tempo real. |
| Informação e gestão | Foco na representação gráfica do projeto, sem integração de dados adicionais. | Integra informações sobre materiais, custos, desempenho energético e manutenção, auxiliando na gestão do ciclo de vida da construção. |
| Precisão e compatibilização | Requer verificações manuais para evitar conflitos entre disciplinas | Compatibilização automática entre elementos estruturais, hidráulicos e elétricos, reduzindo erros e retrabalho. |
Fonte: Autor, 2025.
2.2 BIM 4D: Planejamento e gestão do tempo
A simulação 4D no contexto do BIM refere-se à integração de múltiplos modelos geométricos com a variável tempo, permitindo um planejamento mais preciso da construção. Essa abordagem permite a vinculação de elementos construtivos a um cronograma, possibilitando a simulação da sequência de execução da obra e a análise de impactos temporais no projeto.
2.2.1 Integração ferramentas x cronogramas
Segundo Eastman et al. (2011, p. 285-288), o desenvolvimento de modelos 4D oferece diversos benefícios para o setor da construção, incluindo visualização e comunicação aprimoradas, integração entre agentes, estudo logístico, suporte à coordenação e acompanhamento do planejamento. Além disso, os autores destacam ferramentas especializadas que apresentam essas funcionalidades, tais como Tekla Structures Insight, Digital Project, ProjectWise Navigator V8i, Visual Simulation, Navisworks Simulate, Synchro Professional Pi e Virtual Construction.
Essas ferramentas permitem a vinculação de elementos construtivos a atividades planejadas, possibilitando a simulação detalhada da execução do projeto ao longo do tempo. Algumas dessas ferramentas, como Navisworks Simulate e Synchro Professional Pi, permitem a importação de cronogramas de softwares tradicionais, como MS Project e Primavera, garantindo maior compatibilidade e eficiência no gerenciamento do tempo.
A integração do 4D no BIM ocorre por meio da vinculação de elementos construtivos a um cronograma, permitindo a simulação da sequência de execução da obra. O processo inicia-se com a modelagem 3D da edificação, onde cada componente recebe informações detalhadas. Em seguida, o cronograma do projeto é importado de softwares como MS Project ou Primavera para ferramentas especializadas, como o Navisworks. Neste, os elementos do modelo são associados às atividades do cronograma, possibilitando a visualização dinâmica do progresso da construção ao longo do tempo.
Após essa vinculação, é possível realizar simulações para identificar possíveis atrasos, otimizar a alocação de recursos e melhorar a coordenação entre equipes. Dessa forma, o BIM 4D aprimora o planejamento e a gestão do tempo, garantindo maior eficiência e previsibilidade na execução do projeto.
2.3 BIM 5D: Orçamento e controle de custos
2.3.1 Extração de quantitativos
O método tradicional de estimativa de custos baseia-se no uso de planilhas e desenhos impressos, dos quais as quantidades de trabalho são extraídas manualmente. No entanto, essa abordagem apresenta limitações significativas, uma vez que arquitetos e engenheiros estão em constante processo de revisão e ajustes nos projetos. Como resultado, as informações rapidamente se tornam obsoletas, devido à falta de interoperabilidade e à ausência de um sistema de atualizações automáticas e simultâneas. Esse cenário destaca a necessidade de ferramentas mais integradas e dinâmicas para garantir a precisão e a atualização contínua dos dados de custo ao longo do desenvolvimento do projeto.
O uso de softwares de modelagem BIM oferece inúmeras vantagens na extração de quantitativos para orçamentação. De acordo com Azevedo (2009), a precisão se destaca como o principal benefício, uma vez que a extração automática de informações contribui significativamente para a redução do desperdício de materiais e tempo. Além disso, essa tecnologia minimiza a necessidade de alterações durante a execução das obras, proporcionando um planejamento mais eficiente e integrado.
A qualidade e precisão dos quantitativos extraídos de modelos BIM estão diretamente relacionadas à fidelidade das informações inseridas pelo projetista e à compatibilização eficiente dos elementos do projeto. O uso do BIM oferece inúmeras vantagens na extração de quantitativos para orçamentação. Entre os benefícios, destaca-se a precisão, que possibilita a extração automática de informações, reduzindo o desperdício de materiais e tempo, além de minimizar alterações durante a execução das obras (AZEVEDO, 2009).
2.3.2 Parâmetros financeiros e de projeto
A extração de dados quantitativos em projetos bidimensionais de representação pode gerar inconsistências perceptíveis (ANDRADE, 2012). Já a utilização do BIM na fase de levantamento de quantitativos traz três principais vantagens: o aumento da precisão, proporcionado pela extração automática das tabelas de quantitativos; a necessidade de maior reflexão sobre a tecnologia da construção por parte do projetista ou arquiteto; e a melhoria da eficiência no processo de projetar, impulsionada pela evolução do modelo e da tecnologia utilizada. (COSTA; SERRA, 2014).
Nos processos que utilizam BIM, a quantidade de informações cresce de forma inversamente proporcional ao esforço exigido para sua produção em cada etapa do projeto. Isso significa que, quanto mais informações forem incorporadas nas fases iniciais, menor será o esforço necessário nas etapas posteriores. Além disso, essa metodologia proporciona aos proprietários projetos de maior qualidade, com custos reduzidos e maior facilidade para futuras modificações (EASTMAN et al., 2014).
2.4 Plataformas BIM
2.4.1 Revit
O Revit é um aplicativo da AUTODESK dentre os vários softwares que utilizam o modelo BIM. Desenvolvido especificamente para a Modelagem de Informação da Construção (BIM), essa tecnologia baseia-se na criação de objetos 3D inteligentes, permitindo que todas as fases do projeto, desde a concepção até a execução, sejam conduzidas de forma mais coordenada e integrada.
Sendo um software de modelagem BIM que integra recursos para arquitetura, engenharia estrutural e construção, permite a colaboração entre profissionais por meio de um modelo centralizado. Sua eficiência reduz o prazo de entrega dos projetos, otimizando o processo de desenho com comandos predefinidos, que facilitam a criação dos elementos construtivos.
Com essa abordagem, os profissionais podem visualizar, planejar e gerenciar os elementos construtivos com maior precisão, garantindo consistência entre as etapas e reduzindo erros ao longo do processo. Além disso, o uso do BIM contribui para a melhoria da colaboração entre as equipes, otimizando decisões e aprimorando a qualidade dos projetos. Além disso, possui ferramentas para compatibilização entre disciplinas, automação de processos e análise de desempenho, tornando-se essencial para projetos integrados e eficientes.
O Autodesk Revit oferece uma ampla gama de recursos que possibilitam um fluxo de trabalho eficiente e integrado na modelagem de projetos arquitetônicos, estruturais e de construção. Entre suas funcionalidades, destacam-se os componentes paramétricos, que permitem a inserção de paredes, portas e janelas em um sistema aberto e gráfico, oferecendo inúmeros parâmetros para a criação de projetos e formas. O software também conta com ferramentas para fazer anotações e detalhar, permitindo a comunicação eficaz do projeto por meio de identificação, dimensionamento e ilustração tanto em 2D quanto em 3D (AUTODESK, 2025).
No que diz respeito à gestão de cronogramas, o Revit possibilita a criação de tabelas para capturar, filtrar, classificar, exibir e compartilhar dados do projeto, proporcionando um controle mais preciso sobre o planejamento e execução das atividades. Sua capacidade de interoperabilidade permite a importação, exportação e vinculação com os principais formatos de arquivo utilizados no setor, incluindo IFC (Industry Foundation Classes), 3DM (Rhinoceros 3D Model), SKP (SketchUp File), OBJ (Wavefront Object) e STEP (Standard for the Exchange of Product model data), facilitando a integração entre diferentes softwares de modelagem e compatibilização (AUTODESK, 2025).
A documentação é outra funcionalidade essencial, permitindo a criação de pranchas de projeto, a adição de desenhos e cronogramas, além da personalização de blocos de títulos e gerenciamento de revisões, garantindo organização e clareza na apresentação dos projetos. Além disso, os conjuntos de ferramentas multidisciplinares possibilitam a criação e documentação de projetos em diferentes áreas, reduzindo o tempo de retrabalho e promovendo a colaboração entre equipes (AUTODESK, 2025).
O Revit também dispõe de configurações e sobreposições de visibilidade, permitindo ocultar, revelar e realçar elementos da construção, bem como utilizar sobreposições para personalizar a aparência dos modelos. No aspecto de compartilhamento de trabalho, o software possibilita salvar, sincronizar, revisar e atualizar os modelos em um ambiente de colaboração centralizada, garantindo que todos os envolvidos no projeto tenham acesso às versões mais recentes do desenvolvimento. Por fim, a funcionalidade de revisões permite o acompanhamento das alterações feitas no modelo de construção após a emissão das pranchas, garantindo um histórico detalhado das modificações realizadas ao longo do desenvolvimento do projeto (AUTODESK, 2025).
2.4.2 Navisworks
O Autodesk Navisworks é um software BIM que integra modelos 3D para análise e colaboração entre equipes. Ele facilita a coordenação de especialidades, identifica conflitos, simula o processo construtivo e auxilia no cálculo de custos do projeto, tornando a gestão mais eficiente.
Este software possibilita que os membros da equipe analisem um modelo conceitual do edifício antes da construção, facilitando a execução do projeto, agilizando processos e reduzindo custos. Este é essencialmente orientado para o planeamento e gestão do projeto antes e durante a construção. (CARREIRÓ, 2017).
O Autodesk Navisworks é um software BIM voltado para a análise e compatibilização de projetos. Entre suas principais funcionalidades, destaca-se o Clash Detective, utilizado para a detecção de interferências geométricas em modelos 3D e conflitos entre linhas, tornando-se ideal para projetos gerados em softwares 2D, como o AutoCAD.
Além disso, o Timeliner permite a vinculação de modelos 3D aos cronogramas físico e financeiro do projeto. Essa funcionalidade integra o Navisworks ao conceito de BIM 5D, pois possibilita a correlação entre o modelo tridimensional e os custos envolvidos na construção.
Outra ferramenta essencial é o Quantification, utilizada para elaboração de orçamentos e extração de dados relevantes, como área de alvenaria ou volume de concreto das fundações. O Navisworks também dispõe de funcionalidades para desenhos, medições e anotações diretamente sobre qualquer elemento do modelo 3D, facilitando a comunicação entre os envolvidos no projeto. (SOUZA, 2019).
2.5 BIM em obras de pequeno porte
A metodologia BIM em projetos residenciais unifamiliares de pequeno porte oferece vantagens sobre o CAD tradicional, como maior precisão na compatibilização de especialidades, redução de erros e retrabalho, melhoria na visualização do projeto e otimização do planejamento e dos custos. Além disso, permite uma comunicação mais eficiente entre os envolvidos, tornando a execução mais ágil e assertiva.
2.5.1 Detalhamentos e modelos construtivos
A metodologia BIM possibilita a criação de um modelo virtual detalhado da edificação, permitindo a antecipação de decisões críticas e minimizando imprevistos durante a construção, evitando prejuízos financeiros. Quando bem implementado, o BIM traz benefícios significativos em comparação com a abordagem tradicional baseada apenas em documentação 2D, impactando positivamente todos os envolvidos no projeto, como proprietários, fornecedores, arquitetos, engenheiros e operadores.
Existe uma antecipação das decisões de projeto de fases futuras para fases iniciais. Um volume maior de decisões é tomado nos primórdios da concepção. Em contrapartida, a extração de documentos de projeto, na forma como estávamos acostumados, passa a acontecer após um amadurecimento maior dos modelos[…]. (ASBEA, 2015, p. 12).
Desta forma, a adoção da metodologia BIM proporciona um aumento significativo na produtividade do projeto como um todo. No entanto, a fase de elaboração tende a ser mais detalhada e demorada, pois diversas informações são antecipadas para as etapas iniciais, permitindo uma maior precisão e eficiência na execução.
2.5.2 Aplicações práticas
Segundo CBIC (2016, v. 1), os principais usos do BIM no Brasil incluem a visualização de projetos, o planejamento logístico do canteiro de obras, a modelagem do cronograma, o levantamento de quantidades, a estimativa de custos e orçamento, a criação de maquetes eletrônicas, a análise de construtibilidade, a coordenação espacial e contratual, o rastreamento de componentes e a gestão de ativos. Essas aplicações contribuem para uma maior eficiência na concepção e execução de empreendimentos.
3 METODOLOGIA
Este trabalho constitui um estudo de caso, tendo como objeto de análise um projeto arquitetônico de residência unifamiliar de dois pavimentos. A pesquisa tem uma abordagem comparativa e aplicada, visando avaliar as diferenças entre o desenvolvimento do projeto utilizando a abordagem tradicional, representada pelo AutoCAD, e a metodologia BIM, por meio das ferramentas Revit e Navisworks.
3.1 Tipo e abordagem de pesquisa
A abordagem metodológica do estudo é predominantemente qualitativa, pois busca analisar os impactos da transição do projeto para o ambiente BIM, considerando aspectos como eficiência na modelagem, integração de informações e benefícios da implementação do BIM 4D e 5D para gestão de prazos e custos. No entanto, também apresenta características quantitativas, uma vez que serão avaliadas métricas relativas à otimização do processo projetual e ao controle financeiro proporcionado pelo BIM.
3.2 Etapas de desenvolvimento do trabalho
Para a realização da análise e implementação do BIM 4D e 5D em projetos de pequeno porte, utiliza-se um estudo de caso baseado em um projeto de residência unifamiliar. O desenvolvimento do trabalho segue uma abordagem comparativa, avaliando as diferenças entre a metodologia tradicional, baseada no AutoCAD, e a modelagem BIM, realizada com as ferramentas Revit e Navisworks.
Inicialmente, realiza-se a caracterização do projeto, destacando sua estrutura e os elementos-chave que são convertidos para o ambiente BIM. Em seguida, ocorre a modelagem no Revit, na qual o projeto originalmente desenvolvido em AutoCAD é transformado em um modelo BIM, com a parametrização dos elementos construtivos e a verificação da compatibilidade e integridade do modelo. Após a modelagem, importa-se o arquivo para o Navisworks, permitindo a simulação BIM 4D, que envolve o planejamento temporal da obra. Também se aplica a metodologia BIM 5D, incorporando estimativas de custos associadas às diferentes fases do empreendimento.
A partir disso, realiza-se uma análise comparativa entre as abordagens tradicional e BIM, considerando fatores como eficiência no desenvolvimento do projeto, integração das informações e impacto na gestão de custos e prazos. Os resultados obtidos são discutidos com base nos benefícios e desafios identificados durante a implantação do BIM no projeto, avaliando os impactos na produtividade e eficiência do processo projetual, assim como a viabilidade da aplicação do BIM 4D e 5D em projetos de pequeno porte. Por fim, apresentam-se as conclusões do estudo, sintetizando os principais achados e sugerindo direções para pesquisas futuras e melhorias na metodologia.
3.3 Elaboração do projeto arquitetônico
3.3.1 Contextualização e localização
O presente estudo tem como base o projeto arquitetônico que se refere a uma residência unifamiliar localizada em Cardoso Moreira, RJ. A edificação possui 2 pavimentos e uma área total construída de aproximadamente 231,01m², distribuída de maneira a atender aos princípios de funcionalidade, conforto e eficiência espacial.
O programa de necessidades do projeto contempla 10 cômodos, incluindo espaços como salas de estar e jantar, dormitórios, banheiros, cozinha e áreas de serviço. O terreno onde a edificação está implantada possui uma área de 240m² e leva em conta elementos como orientação solar, condições climáticas da região e características topográficas. A infraestrutura disponível no entorno também foi analisada, considerando acessibilidade, viabilidade construtiva e impacto urbano do empreendimento.
A escolha desse projeto para o estudo foi motivada pela necessidade de avaliar a aplicabilidade do BIM 4D e 5D em empreendimentos de pequeno porte. A modelagem realizada por meio das ferramentas Revit e Navisworks permitirá a integração de informações essenciais para o planejamento e gestão da obra, garantindo maior precisão nas etapas de desenvolvimento e execução.
3.3.2 Características e legislação edilícia
O Código de Obras do Município de Cardoso Moreira – RJ, instituído pela Lei Nº 039/97 de 24 de dezembro de 1997, estabelece diretrizes essenciais para o planejamento urbano, normas construtivas e requisitos técnicos, garantindo a organização e segurança das edificações na cidade.
As normas urbanísticas, regulam o uso do solo, zoneamento e ocupação territorial, garantindo um crescimento ordenado da cidade. O Art. 90 determina que todas as edificações devem respeitar alinhamento, recuo obrigatório e afastamentos mínimos. Para edificações residenciais, o Art. 91 estabelece um recuo obrigatório de 3 metros e afastamentos laterais e de fundos de 1,50 metros para construções de até três pavimentos.
O Código de Obras define regras para construção, reforma e manutenção de edificações. Segundo o Art. 2º, qualquer construção só pode ser realizada após a aprovação do projeto e concessão de licença pela Prefeitura Municipal, sendo obrigatória a responsabilidade de um profissional legalmente habilitado.
O processo de licenciamento é essencial para garantir que as edificações sigam as normas municipais. O Art. 3º reforça que os projetos devem estar em conformidade com a legislação vigente, incluindo a Lei de Zoneamento e Uso do Solo e a Lei de Parcelamento do Solo.
A acessibilidade é um aspecto essencial para garantir inclusão e mobilidade. O Art. 38 determina que todos os prédios públicos devem ser projetados para permitir acesso adequado a pessoas com deficiência, garantindo circulação segura e confortável.
A legislação também aborda práticas sustentáveis. O Art. 88 exige que as coberturas das edificações sejam construídas com materiais impermeáveis e de isolamento térmico, reduzindo impactos ambientais. Além disso, o Art. 132 prevê a instalação de fossas sépticas em locais sem rede de esgoto, garantindo um tratamento adequado dos resíduos.
A segurança estrutural é garantida por normas sobre materiais, técnicas construtivas e prevenção de riscos. O Art. 57 determina que nenhuma construção pode ser edificada sobre terrenos úmidos ou pantanosos sem prévio saneamento. Já o Art. 58 exige que as fundações sejam executadas de forma que a carga sobre o solo não ultrapasse os limites indicados pela ABNT.
O Plano Diretor estabelece estratégias para o desenvolvimento urbano e expansão da cidade, garantindo que o crescimento seja sustentável e organizado. O Art. 3º reforça que qualquer modificação na legislação deve ser acompanhada de adaptações na Lei de Zoneamento e Uso do Solo, assegurando coerência entre as regulamentações.
3.4 Projeto Estrutural
3.4.1 Características de projeto
- Quanto às sapatas
As sapatas desempenham papel essencial na distribuição uniforme das cargas da estrutura para o solo, prevenindo recalques diferenciais e assegurando a estabilidade da edificação. No projeto em análise, utilizam-se sapatas do tipo isolada, com dois diferentes tamanhos — 100×100 cm e 100×70 cm —, adequando-se às exigências específicas de suporte e carga em cada ponto da fundação. O dimensionamento segue os critérios estabelecidos pelas normas técnicas vigentes, considerando a capacidade de suporte do solo, as cargas aplicadas e a distribuição estrutural, o que garante a segurança e a durabilidade da construção.
- Quanto aos pilares
Os pilares constituem elementos verticais fundamentais para a sustentação da edificação, transmitindo as cargas provenientes das vigas e lajes para as fundações. No projeto em análise, adotam-se pilares com seção retangular de 14×30 cm, distribuídos de forma estratégica para minimizar os esforços estruturais. As alturas variam conforme as exigências da estrutura, assegurando equilíbrio e eficiência na transmissão das cargas. O dimensionamento dos pilares considera os momentos fletores, as cargas axiais e os fatores de segurança, conforme as diretrizes da NBR 6118, garantindo estabilidade e durabilidade à construção.
- Quanto às cintas e vigas
As cintas e as vigas exercem função fundamental na distribuição das cargas, na redução de tensões concentradas e no controle de deformações estruturais. No projeto em análise, dimensionam-se vigas com seção de 14×60 cm, proporcionando rigidez e estabilidade ao conjunto estrutural. As cintas são aplicadas com o objetivo de absorver cargas horizontais e reduzir eventuais deslocamentos, sendo posicionadas em pontos estratégicos da estrutura.
- Quanto às lajes
As lajes atuam na distribuição uniforme das cargas verticais, garantindo conforto e resistência às solicitações estruturais. Foram adotadas lajes do tipo pré fabricada, com espessura de 15 cm, projetadas para suportar cargas permanentes e acidentais conforme a NBR 6120. O arranjo estrutural levou em conta a rigidez do sistema, além da compatibilidade com os elementos arquitetônicos e instalações prediais.
3.4.2 Normas aplicadas
O projeto estrutural segue as normas técnicas vigentes, assegurando segurança, estabilidade e eficiência na execução da obra. A NBR 6118 rege o dimensionamento de estruturas de concreto armado, estabelecendo requisitos para o cálculo, detalhamento e execução dos elementos estruturais. A NBR 6120, por sua vez, define os critérios para a consideração de cargas permanentes e acidentais, aspectos fundamentais para o adequado planejamento das lajes.
Adicionalmente, o dimensionamento das fundações é realizado com base na NBR 6122, norma que especifica os procedimentos para o cálculo e execução de fundações diretas, garantindo que as sapatas isoladas atendam aos requisitos de capacidade de carga e segurança contra recalques diferenciais.
3.4.3 Processo de dimensionamento
O processo de dimensionamento é conduzido com base nos esforços atuantes na estrutura, considerando as cargas verticais e horizontais que incidem sobre os elementos estruturais. Para as sapatas, o dimensionamento leva em conta a distribuição das cargas provenientes dos pilares e a capacidade de suporte do solo, garantindo que os dois tamanhos adotados (100×100 cm e 100×70 cm) sejam adequados à fundação da edificação.
Os pilares são dimensionados considerando os momentos fletores, as cargas axiais e os esforços solicitantes, assegurando que a seção de 14×30 cm suporte as cargas e distribua os esforços de forma eficiente. Em relação às vigas, o projeto prevê um dimensionamento apropriado para minimizar deformações excessivas, respeitando os critérios estabelecidos pela NBR 6118 para elementos estruturais de concreto.
As lajes pré-fabricadas, com espessura de 15 cm, são calculadas com base nas cargas permanentes e acidentais, garantindo sua resistência às solicitações previstas. Durante o dimensionamento, verifica-se a compatibilidade entre os elementos, a rigidez estrutural e a integração com as instalações prediais, assegurando o desempenho ideal da edificação.
3.5 Projeto de instalações prediais
3.5.1 Projeto de instalações elétricas
- Quanto aos pontos de consumo
O projeto de instalações elétricas é desenvolvido com base na distribuição equilibrada das cargas e na acessibilidade aos pontos de uso. Instalam-se tomadas do tipo hexagonal (NBR 14136) de 10A e 20A, além de tomadas universais retangulares 2P+T de 15A, distribuídas conforme a funcionalidade dos cômodos e os equipamentos previstos.
No primeiro pavimento, utilizam-se 14 luminárias de sobrepor para lâmpadas incandescentes de 100W, 15 arandelas de 60W e 29 plafoniers de 4″, conectados a interruptores de 1 até 3 teclas, com placas 2×4″ e retangulares. No segundo pavimento, especificam-se 13 plafoniers, 11 luminárias de 100W, além de diversas placas para funções simples e múltiplas, assegurando controle eficiente da iluminação e plena conectividade elétrica.
- Quanto à proteção
A proteção dos circuitos é assegurada por meio da instalação de disjuntores termomagnéticos unipolares, bipolares e tripolares de 10A, todos em conformidade com a norma UL. Os circuitos são distribuídos em quadros de distribuição embutidos, com barramento trifásico e capacidade para até 11 disjuntores, o que proporciona organização e permite futras expansões. O sistema de aterramento é constituído por haste de aço cobreado com 2,4 m de comprimento, caixa de inspeção e isoladores de porcelana, atendendo às exigências de segurança contra descargas elétricas e fuga de corrente.
- Quanto à compatibilidade e eficiência energética
Utilizam-se cabos unipolares de cobre com seção de 1,5 mm², isolação HEPR e enchimento em EVA, com tensão nominal de 0,6/1kV, modelo Afumex (Pirelli), totalizando 803,90 m no primeiro pavimento e 575,20 m no segundo. Essa especificação favorece a resistência mecânica, a durabilidade e a baixa emissão de gases tóxicos em caso de incêndio. Os eletrodutos flexíveis e com rosca em PVC, de diferentes diâmetros, permitem condução eficiente dos cabos, assegurando compatibilidade entre os componentes e facilidade de manutenção. A separação dos circuitos e a utilização de disjuntores por setor contribuem para o controle do consumo de energia e a prevenção de sobrecargas.
3.5.1.1 Normas aplicadas
O dimensionamento e a execução das instalações elétricas são realizados conforme os parâmetros definidos na NBR 5410, que regula as instalações elétricas de baixa tensão em edificações, assegurando proteção contra choques elétricos, sobrecargas, curto-circuitos e falhas de isolamento. Além disso, seguem-se as recomendações da NBR NM 280, relativa aos condutores elétricos, e da NBR 5444, no que se refere à identificação dos cabos por cores.
3.5.1.2 Processo de dimensionamento
O dimensionamento considera separadamente os circuitos de iluminação e de tomadas, com base no balanceamento da carga total e nos comprimentos dos ramais, visando à redução de quedas de tensão. Os disjuntores são selecionados de acordo com as correntes admissíveis nos condutores e os potenciais elétricos específicos de cada ambiente. As bitolas dos cabos, os pontos de luz e os dispositivos de comando são planejados conforme a demanda estimada para uso residencial, aplicando-se fatores de simultaneidade e critérios de segurança definidos pelas normas técnicas. A escolha dos materiais leva em conta a qualidade, a durabilidade e a conformidade normativa, assegurando uma instalação segura, eficiente e passível de futuras ampliações.
3.5.2 Projeto de instalações hidráulicas
- Quanto ao abastecimento de água fria
O sistema de abastecimento de água fria da edificação é projetado com o uso de tubulações de PVC rígido soldável e PVC soldável com bucha de latão, cujos diâmetros variam entre 20 mm, 25 mm e 32 mm, conforme as exigências de vazão de cada ponto de consumo. Utilizam-se joelhos, tês de redução e engates flexíveis para garantir a funcionalidade e a acessibilidade da rede.
Entre os aparelhos instalados, destacam-se chuveiros, torneiras de lavatório, pias de cozinha, bidês, bebedouros, torneiras de tanque e máquinas de lavar roupa, com ligações específicas (geralmente de 1/2″ ou 3/4″) que asseguram a compatibilidade. Cada ambiente conta, ainda, com registros de gaveta e de pressão cromados, o que possibilita o controle setorizado da rede.
- Quanto ao sistema de esgoto sanitário
Embora os materiais do sistema de esgoto não estejam listados detalhadamente, a presença de bolsas de ligação para vasos sanitários (1.1/2″), bem como das conexões e registros correspondentes, indica que os ramais de esgoto são planejados para atender de forma adequada aos aparelhos sanitários. O escoamento segue as normas técnicas vigentes, considerando declividades mínimas e ventilação apropriada, a fim de evitar o retorno de gases e garantir o correto funcionamento hidráulico da rede.
- Quanto ao sistema de águas pluviais
A lista de materiais não apresenta dispositivos específicos voltados para drenagem pluvial, como calhas, ralos e tubos de queda. No entanto, a edificação deve prever, conforme estabelecido pela NBR 10844, um sistema de captação e condução das águas pluviais, direcionando-as para áreas permeáveis ou para o sistema de drenagem urbana, de modo a evitar alagamentos e potenciais danos estruturais.
- Quanto à compatibilidade com a arquitetura e instalações
Os materiais utilizados favorecem a integração entre a rede hidráulica e os demais projetos da edificação. O emprego de joelhos com bucha de latão, registros embutidos com canoplas e engates flexíveis facilita a instalação em paredes revestidas, mantendo a estética e a eficiência do ambiente. O planejamento da rede considera, ainda, as interferências com os elementos estruturais e com o projeto elétrico, assegurando plena compatibilidade entre os sistemas.
- Quanto à eficiência no uso da água
Especificam-se vasos com caixa acoplada e torneiras com registros independentes, contribuindo para o uso consciente da água. Além disso, a utilização de engates flexíveis e a setorização por meio de registros de gaveta permitem manutenções localizadas sem desperdício, auxiliando na prevenção de vazamentos. Embora não constem dispositivos economizadores de forma explícita na lista de materiais, a infraestrutura hidráulica encontra-se preparada para futuras adaptações com sistemas mais eficientes, como torneiras com arejadores ou válvulas de descarga com duplo fluxo.
3.5.2.1 Normas aplicadas
O projeto hidrossanitário é desenvolvido com base nas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), assegurando o dimensionamento adequado, a segurança e a eficiência dos sistemas. Entre as principais referências técnicas utilizadas estão a NBR 5626, que trata das instalações prediais de água fria; a NBR 8160, que regulamenta os sistemas prediais de esgoto sanitário; e a NBR 7198, aplicável nos casos de instalações de água quente. Considera-se, ainda, a NBR 10844, que estabelece os critérios para o projeto e a execução das instalações de águas pluviais. A aplicação dessas normas garante que os sistemas hidráulicos da edificação apresentem desempenho satisfatório, vida útil prolongada e conformidade com as exigências técnicas e legais.
3.5.2.2 Processo de dimensionamento
O dimensionamento da rede hidráulica considera os pontos de consumo, o tipo de aparelho, a pressão mínima necessária e o número simultâneo de usuários. Para isso, adota-se o uso de tubulações com diâmetros variados (20 mm, 25 mm e 32 mm), respeitando o limite de perda de carga e garantindo eficiência no fornecimento de água.
O projeto leva em conta também o tipo de material utilizado nos tubos e conexões — PVC rígido e soldável —, o que influencia diretamente na resistência mecânica, estanqueidade e facilidade de instalação. A distribuição dos ramais assegura acessibilidade para manutenções futuras, enquanto os registros são posicionados estrategicamente para permitir o controle independente por ambiente ou por uso.
3.6 Compatibilização de projetos em BIM
A compatibilização de projetos representa uma etapa estratégica no desenvolvimento de edificações e demonstra-se especialmente eficiente quando conduzida em ambiente BIM. Neste trabalho, adota-se a metodologia BIM para integrar e coordenar os sistemas arquitetônico, estrutural, elétrico e hidrossanitário de uma residência unifamiliar com dois pavimentos.
O software Revit é utilizado como plataforma de modelagem integrada, permitindo que todas as disciplinas técnicas sejam inseridas em um único ambiente tridimensional. A partir dessa integração, é possível analisar de forma precisa as interações entre os diferentes sistemas da edificação, garantindo que não haja conflitos entre componentes projetados por equipes distintas.
São verificadas, por exemplo:
- Interferências entre tubulações sanitárias e elementos estruturais, como lajes e vigas;
- Sobreposições de eletrodutos com componentes arquitetônicos ou hidráulicos;
- Posições inconsistentes de louças sanitárias e suas conexões hidráulicas;
- Incompatibilidades entre pontos de iluminação e forros ou mobiliários.
Posteriormente, o modelo é exportado para o Navisworks, onde são realizados procedimentos de clash detection. Esse recurso automatizado identifica interferências e emite relatórios, possibilitando ajustes técnicos com base em prioridades construtivas e operacionais. Com isso, todas as interações passam a ser testadas e ajustadas antes da obra ser iniciada.
A visualização dessas situações em 3D favorece também a comunicação entre os envolvidos no projeto, pois permite que problemas antes difíceis de detectar em plantas 2D sejam compreendidos de forma intuitiva. A compatibilização em BIM, portanto, proporciona precisão, segurança e previsibilidade e se mostra perfeitamente aplicável — e vantajosa — mesmo em obras de pequeno porte, como a deste estudo.
3.7 Ferramentas utilizadas e critérios de análise
O presente trabalho utiliza ferramentas computacionais que possibilitam tanto a elaboração do projeto arquitetônico e estrutural quanto a modelagem e simulação baseadas na metodologia BIM (Building Information Modeling). As plataformas selecionadas — AutoCAD, Revit e Navisworks — são escolhidas por sua ampla aplicação no mercado e por oferecerem recursos complementares que permitem avaliar de forma comparativa os fluxos de trabalho entre os métodos tradicional e BIM.
Na fase inicial do projeto, emprega-se o AutoCAD para a elaboração das plantas arquitetônicas em formato bidimensional (2D), representando o método tradicional de desenho técnico amplamente utilizado em obras de pequeno porte. Essa planta serve como base para comparação direta com a modelagem desenvolvida em ambiente BIM.
A plataforma Revit é utilizada para a modelagem da residência unifamiliar, permitindo a representação tridimensional dos elementos da edificação (paredes, pisos, coberturas, lajes, esquadrias e instalações hidráulicas e elétricas), com a incorporação de parâmetros físicos e construtivos. A modelagem possibilita a extração automática de informações, como quantitativos, vistas técnicas e cortes, além da geração de documentação gráfica atualizada em tempo real.
A partir do modelo gerado no Revit, aplica-se o Navisworks para a simulação da construção no tempo (4D), vinculando o cronograma à sequência executiva da obra. Essa integração permite visualizar o avanço físico da edificação ao longo do tempo, detectar interferências entre disciplinas (clash detection) e gerar simulações que apoiam a coordenação da obra.
Com base nas ferramentas utilizadas, definem-se os seguintes critérios para a análise comparativa entre a abordagem tradicional (AutoCAD) e a metodologia BIM:
- Produtividade: tempo necessário para modelagem/projeto em cada plataforma;
- Precisão: facilidade na identificação de erros ou inconsistências gráficas;
- Integração entre disciplinas: interoperabilidade e compatibilização entre arquitetura, estrutura e instalações;
- Geração de quantitativos: confiabilidade e automação no levantamento de materiais;
- Planejamento visual (4D): capacidade de vincular cronograma às etapas da obra;
- Aplicabilidade em obras de pequeno porte: análise da viabilidade técnica e operacional da metodologia BIM em edificações residenciais.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Este capítulo apresenta os resultados obtidos a partir da aplicação das metodologias tradicional e BIM no desenvolvimento de um projeto arquitetônico de residência unifamiliar de dois pavimentos. A análise é conduzida com base nos critérios definidos na metodologia — produtividade, precisão, integração entre disciplinas, geração de quantitativos, planejamento visual (4D) e aplicabilidade em obras de pequeno porte —, buscando avaliar os impactos da transição do processo projetual para o ambiente BIM.
A abordagem comparativa entre o AutoCAD, representando o método tradicional e as plataformas Revit e Navisworks, que compõem a metodologia BIM, permite identificar ganhos em eficiência, qualidade da informação e gestão integrada do projeto. Os resultados são discutidos à luz dos objetivos da pesquisa, com foco na viabilidade técnica e operacional da implementação do BIM 4D e 5D em projetos de pequeno porte, especialmente no contexto residencial.
A seguir, os dados obtidos são organizados por critério de análise, com destaque para os aspectos qualitativos e quantitativos que evidenciam as diferenças entre os métodos adotados.
4.1 Produtividade
A produtividade no desenvolvimento de projetos é um fator essencial para a viabilidade técnica e econômica de obras de pequeno porte. Neste estudo, a comparação entre o método tradicional (AutoCAD) e a metodologia BIM (Revit) revela diferenças significativas na forma como o tempo é empregado ao longo do processo projetual.
No AutoCAD (figura 1), a elaboração das plantas arquitetônicas exige a construção manual de cada elemento gráfico, demandando atenção constante à organização das layers, cotas e simbologias. A ausência de parametrização e a necessidade de atualizações manuais em diferentes vistas tornam o processo mais moroso e suscetível a retrabalho.
Figura 1 – Modelo 2D no AutoCAD. Sem escala.

Fonte: Autor, 2025.
Por outro lado, o uso do Revit (figura 2) proporciona ganhos expressivos em produtividade, especialmente após a fase inicial de adaptação à plataforma. A modelagem tridimensional permite a criação simultânea de vistas, cortes e elevações, com atualização automática de todas as representações gráficas. A inserção de elementos paramétricos e a possibilidade de reutilização de famílias aceleram o processo e reduzem o tempo de desenvolvimento.
Figura 2 – Modelo 3D integrado no Revit. Sem escala.

Fonte: Autor, 2025.
Embora não tenham sido mensurados os tempos exatos de modelagem, observou-se que a metodologia BIM favorece uma maior agilidade na produção de documentação técnica, além de facilitar alterações e revisões ao longo do projeto. Esse ganho de produtividade é ainda mais evidente na etapa de compatibilização entre disciplinas, que no método tradicional exige verificações manuais e no BIM pode ser realizada de forma automatizada.
4.2 Precisão
No método tradicional, representado pelo AutoCAD, a representação bidimensional exige atenção redobrada à coerência entre plantas, cortes e elevações, que são desenhados separadamente. Essa fragmentação aumenta o risco de inconsistências gráficas, como divergências de medidas, omissões de elementos e erros de sobreposição.
Durante o desenvolvimento do projeto no AutoCAD, foram observadas dificuldades na atualização simultânea de diferentes vistas, especialmente após alterações no layout arquitetônico. A ausência de vínculo automático entre os desenhos exige revisões manuais, o que pode comprometer a precisão do projeto e gerar conflitos na obra.
Em contraste, a modelagem realizada no Revit demonstrou maior confiabilidade na representação dos elementos construtivos (quadro 2). A abordagem tridimensional e paramétrica permite que qualquer modificação realizada no modelo seja automaticamente refletida em todas as vistas e documentos associados. Isso reduz significativamente a ocorrência de erros gráficos e garante maior consistência entre os desenhos técnicos.
Quadro 2 – Comparação da Precisão no Fluxo Tradicional (AutoCAD) e no Fluxo BIM (Revit)


Fonte: Autor, 2025.
4.3 Integração entre disciplinas
A integração entre disciplinas é um dos pilares da metodologia BIM, especialmente relevante para garantir a compatibilidade entre os projetos arquitetônico, estrutural, elétrico e sanitário. No método tradicional, essa integração depende da troca manual de arquivos entre profissionais, o que pode gerar inconsistências, atrasos e retrabalho. A ausência de interoperabilidade entre os desenhos dificulta a verificação de conflitos e a coordenação eficiente do projeto.
Durante o desenvolvimento do projeto no AutoCAD, observou-se a necessidade de constante revisão cruzada entre os arquivos das diferentes disciplinas. A sobreposição de plantas e cortes exigiu ajustes manuais e atenção redobrada para evitar interferências, como o posicionamento inadequado de tubulações em relação à estrutura ou conflitos entre pontos elétricos e elementos arquitetônicos.
Com a adoção do Revit a integração entre disciplinas foi significativamente aprimorada. O ambiente BIM permite a modelagem colaborativa, onde os elementos de cada especialidade são inseridos em um modelo único e coordenado (figura 3).
Essa abordagem facilita a compatibilização entre os sistemas, reduzindo erros e promovendo maior eficiência no desenvolvimento do projeto.
Figura 3 – Disciplinas interagem no mesmo ambiente. Sem escala.

Fonte: Autor, 2025.
A utilização do Navisworks para a detecção de interferências (clash detection) foi especialmente eficaz. A ferramenta identificou conflitos entre componentes estruturais e instalações prediais, permitindo ajustes antes da fase de execução. Essa funcionalidade representa um avanço importante em relação ao método tradicional, contribuindo para a redução de custos e para o aumento da confiabilidade do projeto.
4.4 Geração de quantitativos
A geração de quantitativos a partir do modelo BIM mostrou-se mais ágil e confiável do que a extração manual de medidas no método tradicional (figura 4). No Revit, os elementos modelados carregam propriedades paramétricas que permitem a extração automática de tabelas de áreas, volumes, comprimentos e contagens, além de possibilitar filtros por tipo, material e fase do projeto (figura 5). Essa extração direta do modelo reduz o tempo gasto com levantamentos manuais e minimiza divergências entre desenhos e listas de materiais, pois os quantitativos se atualizam automaticamente sempre que o modelo é alterado.
A personalização das tabelas permite cortes por pavimento, por tipo de acabamento ou por disciplina conforme a necessidade do projeto. A padronização de famílias e a utilização de parâmetros compartilhados diminuem omissões e duplicidades em medições, facilitando a rastreabilidade das quantidades e a integração com planilhas ou softwares de orçamento para composição de custos.
Entretanto, a qualidade dos quantitativos depende diretamente da modelagem correta e do nível de detalhamento: famílias mal definidas ou ausência de parâmetros relevantes exigem intervenções manuais para correção, o que pode comprometer parte do ganho de produtividade se não houver critérios claros de modelagem.
Figura 4 – Quadro de esquadrias feito manualmente no AutoCAD. Sem escala.

Fonte: Autor, 2025.
Figura 5 – Quadro de esquadrias gerado automaticamente no Revit.

Fonte: Autor, 2025.
4.5 Cronograma físico-financeiro
No desenvolvimento deste trabalho, o software Navisworks foi empregado como ferramenta de apoio na verificação da coerência entre o cronograma físicofinanceiro e os componentes modelados (figura 6). Embora não tenha sido utilizado para simulação 4D, sua aplicação possibilitou uma análise visual complementar das fases construtivas, favorecendo a identificação de inconsistências na ordem das atividades e reforçando a compreensão da lógica executiva. Essa integração visual contribuiu para alinhar a interpretação entre projetistas, executores e demais envolvidos no processo.
A associação entre o cronograma físico-financeiro e a visualização do modelo no Navisworks permitiu detectar trechos críticos, organizar adequadamente as etapas de execução e antecipar ajustes no planejamento. No entanto, a precisão do cronograma depende diretamente da qualidade dos dados inseridos, como quantidades, custos, produtividade e detalhamento das atividades.
A vinculação entre atividades e componentes do modelo também serviu como poderosa ferramenta de comunicação entre projetistas, empreiteiros e clientes, alinhando expectativas sobre a execução e reduzindo ruído interpretativo.
Tabela 1 – Cronograma físico-financeiro gerado automaticamente no Navisworks.




Fonte: Autor, 2025.
4.6 Aplicabilidade em obras de pequeno porte
A implantação do BIM 4D e 5D em projetos de pequeno porte demonstrou benefícios concretos (quadro 3), sobretudo na produção de documentação atualizada, no controle de quantitativos, na redução de conflitos entre disciplinas e na melhoria da comunicação por meio de visualizações 3D e 4D. Esses ganhos tendem a ser particularmente relevantes em obras pequenas, onde retrabalhos e inconsistências têm impacto proporcionalmente elevado sobre o custo total.
Em contrapartida, os custos iniciais com licenças, treinamento e maior tempo de modelagem nas primeiras obras podem ser representativos para pequenos escritórios, exigindo uma análise custo-benefício e estratégias para diluir o investimento, como padronização de processos, criação de bibliotecas de famílias e reutilização de templates.
A curva de aprendizagem exige capacitação focalizada, mas o retorno aparece quando a equipe atinge produtividade e aplica rotinas padronizadas; por isso, recomenda-se uma adoção escalonada: iniciar com modelagem arquitetônica e extração de quantitativos básicos, avançar para compatibilização multidisciplinar e, conforme a maturidade, integrar 4D/5D. Com processos enxutos, padrões claros e capacitação direcionada, o BIM 4D/5D é viável e traz ganhos operacionais e de confiabilidade mesmo em projetos de pequeno porte.
Quadro 3 – Aplicabilidade do BIM 4D/5D em Obras de Pequeno Porte

Fonte: Autor, 2025.
5 CONCLUSÃO
Com base na análise comparativa entre o método tradicional (AutoCAD) e a metodologia BIM (Revit e Navisworks), este estudo demonstra que o BIM proporciona vantagens notáveis no desenvolvimento de projetos, inclusive em obras de pequeno porte. Os resultados indicam melhorias significativas em produtividade, precisão, integração multidisciplinar, quantificação e planejamento visual, otimizando a tomada de decisões e minimizando retrabalhos.
A automação de vistas e a modelagem paramétrica impulsionaram a produtividade, acelerando a criação e revisão do projeto. A precisão foi aprimorada pela coerência automática entre as representações, reduzindo erros e aumentando a confiabilidade da documentação. A integração multidisciplinar foi facilitada pela coordenação de modelos e detecção de interferências, evitando conflitos onerosos na execução.
A geração de quantitativos tornou-se mais ágil e confiável com a extração direta de dados do modelo, enquanto o planejamento 4D proporcionou uma visualização clara do cronograma e um controle mais eficaz do avanço da obra.
A aplicação do BIM 4D e 5D em projetos de menor escala é, portanto, viável e benéfica, desde que haja uma estratégia de implementação, treinamento e padronização bem definida. Apesar dos custos iniciais e da curva de aprendizado, os benefícios observados, como a redução de retrabalhos, maior previsibilidade e melhor comunicação, justificam o investimento e elevam a qualidade e eficiência dos projetos.
Em suma, a adoção do BIM representa um avanço significativo no processo de projetos de pequeno porte, oferecendo soluções integradas, precisas e produtivas, transformando positivamente a prática profissional, especialmente em cenários onde a otimização de recursos é fundamental.
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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AUTODESK. Revit – Visão geral do produto. Autodesk, [2025?]. Disponível em: <https://www.autodesk.com/br/products/revit/overview>. Acesso em: 23 jun. 2025.
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