IMPACTS OF ELECTRONIC CIGARETTE USE ON ORAL HEALTH IN YOUTH
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202510241328
Ana Clara Do Vale Silva
Michele Alves Londono
RESUMO
O presente estudo realiza uma pesquisa bibliográfica sobre os impactos do uso de cigarros eletrônicos na saúde bucal de jovens, visando demonstrar que os e-liquidos são tanto prejudiciais quantos os tabacos convencionais. A análise destaca a importância em alertar a população principalmente jovens sobre os malefícios com a saúde oral dos indivíduos, bem como as alterações bucais decorrentes do uso contínuo deste dispositivo. Além disso o cirurgião-dentista desempenha papel essencial na detecção precoce das alterações bucais, na orientação dos jovens quanto aos riscos e na implementação de estratégias educativas e preventivas. Diante disso, políticas públicas de saúde e programas de educação direcionados à população jovem são fundamentais para conscientizar sobre os malefícios desses dispositivos, promovendo hábitos saudáveis e prevenindo complicações na saúde bucal e geral.
Palavras chaves: Saúde Bucal; Jovens; Nicotina; Cigarros Eletrônicos; Prevenção.
ABSTRACT
The present study conducts a literature review on the impacts of electronic cigarette use on the oral health of young people, aiming to demonstrate that e-liquids are as harmful as conventional tobacco. The analysis highlights the importance of warning the population, especially young people, about the negative effects on individuals’ oral health, as well as the oral changes resulting from continuous use of this device. Furthermore, the dentist plays a crucial role in the early detection of oral changes, in guiding young people on the risks, and in implementing educational and preventive strategies. Therefore, public health policies and education programs targeting the young population are essential to raise awareness about the harmful effects of these devices, promote healthy habits, and prevent complications in both oral and overall health..
Keywords: Oral Health; Youth; Nicotine; Electronic Cigarettes; Prevention.
1 INTRODUÇÃO
Os cigarros eletrônicos são classificados como sistemas eletrônicos de distribuição de nicotina (ENDS). Eles são dispositivos que simulam o ato de fumar e são operados por bateria que foram projetados principalmente para aquecer nicotina e aromatizantes contendo substâncias químicas para produzir um vapor sem fumaça chamado aerossol, que é inalado pelo usuário sendo chamado de uma alternativa “menos nociva”, com o crescente uso tem gerado preocupações em como seu impacto afeta a saúde bucal (Almeida da Silva et al., 2021).
O cigarro eletrônico apresentou nos últimos anos um crescimento significativo de seu consumo, visto que, possui mais de 40 milhões de usuários de e-cigarettes no mundo todo. Em 2019, a indústria foi estimada em mais de US$ 19,3 bilhões por ano de acordo com o evidenciado pelo estudo de Holliday et al. (2021). Além disso, o uso de cigarros eletrônicos se popularizou especialmente entre jovens, como relatado na pesquisa de Malta et al. (2022) que mostra que cerca de 16,8% de escolares em uma amostra de mais de 150.000 já experimentaram cigarro eletrônico. Tal fato tem levantado preocupações significativas sobre os impactos na saúde bucal derivados de seu uso recorrente.
De acordo com Iacob et al. (2024) o mecanismo de ação dos cigarros eletrônicos consiste em uma bateria que gera uma corrente elétrica, que ativa um filamento localizado em um atomizador. Este filamento inflamado faz com que o e- líquido (a substância inalada) evapore no cartucho, gerando um aerossol. Sendo de suma importância destacarmos que esta vaporização não é composta somente por água, dentre seus compostos temos diversos componentes químicos como podemos citar a nicotina, dentre outros componentes prejudiciais à saúde.
Conforme proposto por Seiler-Ramadas et al. (2020) a exposição ao cigarro eletrônico desencadeia diversas reações e inflamações no corpo nas áreas em que ele entra em primeira linha de contato: a boca, a passagem nasal, a traqueia, o sistema brônquico e os pulmões. Ainda neste mesmo estudo foi mostrado que, a exposição ao principal componente do líquido do cigarro eletrônico, o propilenoglicol, incitou irritação em áreas das vias aéreas e gerou aumento de dispneia. Segundo estudos de Patriota e Santiago (2024), os pacientes que são fumantes têm maior riscos de terem doenças como: estomatite nicotínica, doença periodontal, câncer bucal entre outras alterações encontradas em pessoas que usam este dispositivo.
Portanto, o objeto de estudo deste trabalho é evidenciar os impactos causados na saúde bucal de jovens com o uso recorrente de cigarros eletrônicos. Diante do exposto os dentistas devem permanecer atentos ao surgimento de novas informações, a fim de educar os pacientes e alertá-los sobre os riscos que essa prática pode ter sobre sua saúde bucal.
2 METODOLOGIA
A metodologia deste estudo foi estruturada com o objetivo de garantir rigor científico e abrangência temática, utilizando o método de raciocínio dedutivo. Partindo de teorias e pesquisas consolidadas na literatura científica sobre o uso de cigarros e seus impactos a saúde bucal, com ênfase para a população jovem. O estudo se configura como uma revisão bibliográfica, na qual foi realizada uma análise crítica de literaturas publicadas em revistas científicas, artigos acadêmicos, teses e dissertações.
Esse projeto é uma abordagem qualitativa sobre os impactos do uso de cigarro eletrônico na saúde bucal de jovens. Esta pesquisa busca gerar conhecimento sobre os efeitos do uso recorrente de cigarros eletrônicos com a saúde bucal.
A coleta de dados foi realizada por uma busca sistemática nas bases de dados acadêmicas: Google Acadêmico, Pubmed, Scielo (Scientific Eletronic Library Online), entre os anos de 2018 a 2024.Utilizando os descritores em português e inglês: Cigarros eletrônicos e saúde bucal, Saúde bucal de fumantes, Electronic cigarettes components.
Foram incluídos neste projeto artigos atualizados e relevantes que abordem o uso do cigarro eletrônico na saúde bucal dos jovens, e artigos desatualizados serão excluídos deste projeto. Os critérios de exclusão incluíram estudos que não focam especificamente em saúde bucal em decorrência do uso de cigarros eletrônicos, artigos publicados em revistas sem reconhecimento acadêmico, artigos sem fundamentação teórica.
Por fim, a metodologia neste estudo busca oferecer uma revisão abrangente da literatura sobre o tema, buscando contribuir para demonstrar que os e-líquidos são tanto prejudiciais quanto os tabacos convencionais e alertar a população quanto aos riscos para a saúde oral dos indivíduos.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram identificados nos últimos anos um crescimento significativo do consumo, visto que, possui mais de 40 milhões de usuários de e-cigarettes no mundo todo. Além disso, estudos demonstram que o uso de cigarros eletrônicos se popularizou especialmente entre jovens, como relatado na pesquisa de Malta et al. (2022) que mostra que cerca de 16,8% de escolares em uma amostra de mais de 150.000 já experimentaram cigarro eletrônico. Tal fato tem levantado preocupações significativas sobre os impactos na saúde bucal derivados de seu uso recorrente.
Os resultados das análises indicam que cigarro eletrônico foi escolhido como uma forma “mais segura” que os meios de consumos tradicionais de tabaco (cigarro), pois os cigarros eletrônicos foram considerados 95% menos perigosos do que os cigarros de tabaco. (Seiler-Ramadas et al., 2020). Devido a isso muitas pessoas utilizam por acreditarem serem totalmente nocivos ao ser humano.
Outro aspecto abordado nas pesquisam destacam uma série de efeitos adversos associados ao uso recorrente desses dispositivos, pois, a toxicidade dos aerossóis dos cigarros eletrônicos é governada pela toxicidade intrínseca do e- líquido que serve como fonte de aerossol e pela toxicidade dos produtos químicos produzidos quando o e- líquido é vaporizado pelo contato com a bobina de aquecimento. Ocasionando em uma série de efeitos que são observados na cavidade oral: lesões da mucosa oral, doenças periodontais, manchas e pigmentações e câncer de boca. (Gordon et al., 2022)
Além disso, o estudo brasileiro realizado por Menezes et al. (2023) com 9.004 indivíduos, correspondendo a um extrapolo de 134 milhões de brasileiros com 18 anos ou mais descreve que os adultos jovens (18-24 anos) tiveram a maior prevalência de experimentação de cigarro eletrônico e aproximadamente 2,5% dos participantes afirmaram ser usuários atuais, embora não diários, de cigarros 11 eletrônicos ou narguilé. Portanto, os cigarros eletrônicos foram criados para ajudar as pessoas a reduzirem ou pararem de fumar e estão se tornando mais populares no mundo todo, especialmente entre os jovens como visto nas literaturas, mesmo com os possíveis danos à saúde que podem causar.
Outros fatores sociais de suscetibilidade entre os jovens foram citados no estudo de Santiago-Mogena et al. (2024) seus resultados mostram que o uso entre os amigos mais próximos e receber ofertas para usar cigarros eletrônicos estão ligados à experimentação. Isso indica que estar em um ambiente social onde o uso de cigarros eletrônicos é incentivado aumenta as chances de começar a usar e continuar consumindo. Esse efeito pode estar relacionado às ofertas de consumo dentro do grupo social, já que os amigos são uma das principais fontes de obtenção de cigarros, junto com os familiares
Ademais, a nicotina é um produto químico altamente viciante presente nas folhas de tabaco, geralmente combinada com propilenoglicol, glicerina e água, com a exposição crônica a baixas doses o propilenoglicol pode causar irritação pulmonar e reações alérgicas, bem como compostos carbonílicos cancerígenos conhecidos e suspeitos (formaldeído, acetaldeído e acroleína). As concentrações de nicotina são variáveis, foi realizado um estudo de dados de vendas de cigarros eletrônicos entre março de 2013 e novembro de 2018, as concentrações de nicotina de mais de 1350 produtos contendo e-líquidos variaram de 0 a 87,2 mg/mL. (Cao et al., 2020)
Diante do exposto, é de suma importância enfatizar que o uso reco rrente de cigarros eletrônicos representa um risco significativo à saúde bucal, sendo comparável, em diversos aspectos, aos prejuízos causados pelo tabagismo convencional. Tal situação é especialmente preocupante entre a população jovem, principal grupo de usuários desses dispositivos. O alto potencial de dependência da nicotina, associado à exposição contínua a substâncias tóxicas e irritantes liberadas durante o aquecimento dos líquidos presentes nos dispositivos eletrônicos, contribui para alterações inflamatórias na mucosa oral, maior suscetibilidade a doenças periodontais e lesões potencialmente malignas.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo revela que o uso de cigarros eletrônicos, embora frequentemente percebido pelos jovens como uma alternativa mais segura ao tabagismo convencional, representa um importante fator de risco para a saúde bucal. As evidências científicas demonstram que os aerossóis liberados por esses dispositivos contêm substâncias irritantes, tóxicas e potencialmente malignas, capazes de provocar inflamação na mucosa oral, alterações na microbiota bucal, e maior predisposição a doenças periodontais. A popularização desses dispositivos entre os jovens reflete não apenas uma tendência social, mas também um déficit na conscientização sobre seus efeitos adversos na saúde bucal, evidenciando a emergência em conscientização sobre tal assunto perante a população jovem.
Nesse cenário, o cirurgião-dentista assume papel essencial, tanto na detecção precoce das alterações bucais relacionadas ao uso dos cigarros eletrônicos quanto na promoção de ações educativas e preventivas que visem reduzir seu consumo. Ademais o cirurgião-dentista tem papel fundamental em orientar os jovens quanto aos efeitos adversos do uso dos cigarros eletrônicos que mesmo parecendo inofensivos.
Portanto, torna-se indispensável o fortalecimento de estratégias de saúde pública voltadas à educação e ao esclarecimento da população jovem sobre os riscos associados ao uso. Somente por meio da conscientização e da atuação profissional integrada será possível minimizar os impactos nocivos dos cigarros eletrônicos na saúde bucal e geral dessa população.Tais medida acarretam ações contínuas de conscientização nas escolas, universidades, com o objetivo de desmistificar a falsa ideia de segurança associada a esses dispositivos e reforçar seus prejuízos.
Este estudo conclui que seja fundamental um maior engajamento interprofissional entre cirurgiões-dentistas, médicos, e gestores de saúde, a fim de promover estratégias integradas de prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento clínico de usuários. O incentivo à adoção de hábitos saudáveis, aliado ao fortalecimento das redes de atenção básica e ao controle da comercialização e propaganda desses produtos, constitui passo essencial para reduzir sua disseminação e mitigar os impactos nocivos que os cigarros eletrônicos exercem sobre a saúde individual e coletiva.
REFERÊNCIAS
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