REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202510241341
Francisco João Guimarães Rocha1
George Washington Denny Júnior2
Camile Chaves Oliveira3
Orientadora: Chimene Kuhn Nobre4
RESUMO
Introdução: A dengue é uma arbovirose transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, a qual apresenta quatro sorotipos (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DEN-V 4), sendo incidente em regiões tropicais e subtropicais. Desse modo, nota-se que no Brasil a doença comporta-se de forma endêmica assolando diferentes regiões do território nacional, principalmente a região Amazônica. Existem várias técnicas que podem ser utilizadas no diagnóstico sorológico do vírus da dengue, incluindo os de inibição de hemaglutinação (HI), fixação de complemento (FC), neutralização (N) e ELISA de captura de IgM. A dengue apresenta correlação ao processo de reinfecção dos diferentes sorotipos que impede a imunização contra o vírus da dengue. Objetivos: Desse modo, o objetivo da pesquisa será avaliar a população acometida com o vírus da dengue e correlacionar com a evolução e disseminação dos casos. Metodologia: o estudo será transversal e descritivo, sendo utilizados dados da plataforma Sistema Único de Saúde do Brasil (DATASUS) e selecionados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAM), segundo aspectos sorológicos, evolução e disseminação da doença no Brasil. Resultados: Assim, através da pesquisa realizada e a análise dos dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAM), a DENV-1 é o sorotipo mais comum em todo território e o aumento de políticas públicas ajudaram na diminuição dos casos em regiões endêmicas.
Palavras chaves: Aedes aegypti; Dengue grave; Perfil epidemiológico; Vírus da Dengue.
ABSTRACT
Introduction: Dengue is an arbovirus transmitted by the mosquito Aedes aegypti, which has four serotypes (DENV-1, DENV-2, DENV-3 and DEN-V 4), occurring in tropical and subtropical regions. Thus, it is noted that in Brazil the disease behaves endemically, plaguing different regions of the national territory, mainly the Amazon region. Several techniques can be used in the serological diagnosis of dengue virus, including hemagglutination inhibition (HI), complement fixation (FC), neutralization (N), and IgM capture ELISA. Dengue is correlated with the process of reinfection of the different serotypes, which prevents immunization against the dengue virus. Objectives: Thus, the objective of the research will be to evaluate the population affected by the dengue virus and correlate it with the evolution and dissemination of cases. Methodology: the study will be cross-sectional and descriptive, using data from the Brazilian Unified Health System (DATASUS) platform and selected from the Notifiable Diseases Information System (SINAM), according to serological aspects, evolution and dissemination of the disease in Brazil. Expected results: Thus, it is expected, through the research, to carry out the analysis of data from the Notifiable Diseases Information System (SINAM) and the relationship between the spread of dengue and the profile of those infected.
Keywords: Aedes aegypti; Dengue vírus; Epidemiological profile; Severe dengue.
1 INTRODUÇÃO
No contexto brasileiro, a dengue representa um dos principais desafios de saúde pública, sendo provocada por um vírus do gênero Flavivirus, cuja transmissão ocorre principalmente através do mosquito Aedes aegypti. Atualmente, quatro sorotipos do vírus circulam no território nacional (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4), tornando a dinâmica epidemiológica ainda mais complexa. O Brasil é considerado um país hiperendêmico para a dengue, ou seja, há circulação simultânea e contínua de mais de um sorotipo viral ao longo do ano, o que contribui para o aumento expressivo da incidência e da gravidade dos casos. A doença permanece presente de forma contínua, com surtos sazonais recorrentes, principalmente durante os meses de maior precipitação pluviométrica.
A incidência elevada da dengue no Brasil está associada a uma combinação de fatores, incluindo o clima tropical, a urbanização sem planejamento e as deficiências em saneamento básico, que favorecem a proliferação do vetor em ambientes urbanos densamente povoados (CAVALCANTI et al., 2024). Em especial, as regiões urbanas e periféricas, onde predominam condições de vulnerabilidade social, oferecem um ambiente propício para a proliferação do vetor, cujos criadouros se formam em recipientes com água parada. A dengue, portanto, apresenta padrão endêmico com surtos epidêmicos periódicos, agravados pela reinfecção por diferentes sorotipos e pela capacidade de mutação do vírus, o que dificulta o controle efetivo e o desenvolvimento de vacinas com ampla cobertura.
Segundo Salles et al. (2018), a dengue é uma doença infecciosa sistêmica e dinâmica, com um espectro clínico amplo que varia desde quadros leves até formas graves com risco de morte, como a dengue grave (anteriormente chamada de hemorrágica). A semelhança dos sintomas iniciais com outras viroses, como a influenza, dificulta o diagnóstico clínico, destacando-se sintomas como febre alta, cefaléia intensa, dores musculares, dor retro-orbitária, exantema e artralgia. Dessa forma, o diagnóstico laboratorial torna-se fundamental, especialmente para diferenciar a dengue de outras doenças febris agudas.
Dentre os métodos laboratoriais, destaca-se o teste MAC-ELISA, que permite a detecção de anticorpos IgM específicos contra os sorotipos da dengue. Esse exame é amplamente utilizado na vigilância epidemiológica por ser simples, rápido e por exigir apenas uma amostra de soro. Os anticorpos IgM geralmente se tornam detectáveis a partir do quinto dia de sintomas, sendo úteis tanto para infecções primárias quanto para reinfecções (Sul, 2014).
Embora não exista tratamento antiviral específico para a dengue, a abordagem terapêutica adequada e o diagnóstico precoce são essenciais para prevenir complicações. O manejo clínico baseia-se na hidratação oral ou venosa e no uso de medicamentos sintomáticos como paracetamol e dipirona. Ressalta-se que medicamentos que contenham ácido acetilsalicílico devem ser evitados devido ao risco de sangramentos. Casos mais graves devem ser prontamente encaminhados às Unidades Básicas de Saúde para acompanhamento adequado (Kularatne; Dalugama, 2022; Tayal; Kabra; Lodha, 2022).
Diante da permanente circulação viral e da crescente pressão sobre o sistema de saúde, torna-se evidente a importância de estudos voltados para a caracterização sorológica e epidemiológica da dengue no Brasil. A identificação dos sorotipos circulantes, a distribuição espacial dos casos e o perfil clínico dos infectados são ferramentas indispensáveis para orientar políticas públicas eficazes, promover ações preventivas, e reduzir a morbimortalidade associada à doença.
2 MATERIAL E MÉTODOS
Este estudo é observacional, transversal e descritivo com uma abordagem quantitativa. A população contida no estudo engloba os casos notificados de dengue e seus diferentes sorotipos, DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4, assim como sua distribuição em território brasileiro, entre os anos de 2019 e 2023. Os dados da pesquisa foram obtidos através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), por meio da ferramenta do TABnet presente no site do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (DATASUS).
A população selecionada para a análise consiste na população brasileira, levando em consideração a dispersão da doença no território brasileiro utilizando os casos notificados de dengue e seus demais descritores, considerando também o aspecto socioepidemiológico e a evolução dos pacientes afetados.
A realização do estudo utilizou critérios de inclusão dados disponibilizados no SINAN referente aos casos de diagnóstico de dengue, a qual possui notificação compulsória, como também descritores como os tipos de sorologia (DEN1, DEN2, DEN3 e DEN4), caracterização da evolução da doença (cura ou óbito) associados à distribuição no território brasileiro, usando a população absoluta do Brasil. Fez-se a análise cautelosa dos dados obtidos excluindo subnotificações e informações de outras arboviroses.
O DATASUS é responsável por coletar, processar e disseminar informações sobre a saúde no Brasil. Os procedimentos e instrumentos de coleta de dados no DATASUS envolvem diversos sistemas, como o Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB) e Sistema de Informação de Agravos de Notificações do SUS (SINAN/SUS). Assim, os profissionais de saúde preenchem formulários eletrônicos padronizados para registrar informações sobre atendimentos, enfermidades, e características epidemiológicas e o próprio DATASUS utilizando sistemas informatizados que integram dados de diferentes unidades de saúde, proporcionam uma visão abrangente da situação de saúde. Após a coleta, os dados foram tabulados e analisados, gerando relatórios e indicadores que auxiliam na gestão e formulação de políticas públicas de saúde, garantindo a qualidade e a confiabilidade das informações do sistema de saúde no Brasil.
Após a coleta dos dados, foram produzidos gráficos através do DATASUS, e pôr fim, foi realizada a discussão dos resultados obtidos, com o intuito em identificar o perfil epidemiológico e os principais sorotipos da dengue nos últimos anos. E dessa forma, oferecer bases para novas propostas de políticas públicas, com o uso de tecnologias para facilitar a identificação e resolução de problemas relacionados a essa enfermidade.
3 ASPECTOS SOROLÓGICOS DA DENGUE NO BRASIL
De acordo com os dados obtidos no SINAN, por meio do TABnet, nota-se a presença dos diferentes sorotipos da dengue em relação às regiões do Brasil no período de 2019 a 2023. Observa-se a prevalência do sorotipo DENV-1 em todas as regiões brasileiras, o qual demonstra uma maior circulação no território nacional, portanto, cabe salientar que mesmo o vírus da dengue sendo endêmico na Região Norte observa-se o maior número de casos de notificação na Região Sudeste e o elevado número de sorotipos confirmados na Região Sul, logo, pode-se deduzir que tal ocorrência esteja relacionada a falta de políticas públicas visando o controle dos vetores e a inefetividade na divulgação de medidas profiláticas. (Ver Tabela 1)
Tabela 1 Casos prováveis de dengue por Região de notificação e sorotipo no Brasil no período de 2019 a 2023.

Fonte: Ministério da Saúde/SVS, Sinan Net, 2019-2023.
Nesse viés, percebe-se a maior presença do DENV – 1, respectivamente nas regiões, Sudeste (22.069), Sul (21.861) e Centro-Oeste (13.999), enquanto Norte e Nordeste registram incidências menores, seguida da ocorrência do DENV-2, embora menos frequente, segue a mesma distribuição geográfica, com concentração também nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, segundo os casos totais de notificação de dengue nos anos de 2019 a 2023. (Ver Gráfico 1)
Gráfico 1 Distribuição de casos de dengue por sorotipo (DENV 1/DENV 2) e Região (2019-2023)

Fonte: adaptado do SINAN, 2019-2023.
Os sorotipos DENV-3 e DENV-4 apresentaram o menor número de notificação em relação aos dois primeiros sorotipos em todas as regiões, vale destacar o elevado número de ocorrência de DENV-4 na Região Sul em comparação às demais regiões, com uma diferença de mais de 330 casos comparados a Região Centro Oeste que apresentou o segundo maior registro, portanto, pode-se inferir uma circulação local, assim possibilitando a identificação da crescente infecção do sorotipo DENV-4 e sua necessidade de erradicação e tratamento focado para os pacientes. (Ver Gráfico 2)
Gráfico 2 Distribuição de casos de dengue por sorotipo (DENV 3/DENV 4) e Região (2019-2023)

Fonte: adaptado do SINAN, 2019-2023.
Os sorotipos DENV-3 e DENV-4 apresentaram o menor número de notificações em comparação ao DENV-1 e DENV-2, o que pode estar relacionado a características próprias de circulação viral e ao histórico de exposição da população. A baixa ocorrência desses sorotipos pode indicar tanto uma menor introdução ou disseminação ao longo dos anos, quanto a existência de imunidade cruzada parcial adquirida por surtos anteriores dos sorotipos mais prevalentes, como o DENV-1.
Observa-se que, apesar dos números totais reduzidos, o DENV-4 apresentou um crescimento expressivo na Região Sul, seguido do aumento de casos da Região Centro-Oeste. Esse dado sugere uma possível circulação local, indicando que o sorotipo encontrou condições epidemiológicas, ambientais e sociais favoráveis para sua expansão. Assim, nota-se insuficiência na implantação de políticas públicas voltadas ao monitoramento e controle desses sorotipos menos frequentes, uma vez que, historicamente, o foco das ações tende a se concentrar nos sorotipos predominantes.
Os dados analisados evidenciam a complexa dinâmica de distribuição dos sorotipos da dengue no território brasileiro entre 2019 e 2023. A predominância do DENV-1 em todas as regiões, associada à concentração de notificações no Sudeste – mesmo em áreas tradicionalmente endêmicas como o Norte – sugere uma relação direta entre densidade populacional, capacidade de vigilância epidemiológica e subnotificação. A expressiva diferença na ocorrência do DENV-4 no Sul, quando comparado a outras regiões, aponta para possíveis particularidades na transmissão viral neste local, exigindo investigações mais aprofundadas sobre fatores ambientais ou comportamentais específicos.
Esses padrões de distribuição destacam desafios críticos para o controle da dengue no Brasil. A heterogeneidade na circulação dos sorotipos entre regiões reforça a necessidade de políticas públicas diferenciadas que considerem não apenas o controle vetorial, mas também a capacidade diagnóstica local e a educação em saúde. A emergência do DENV-4 no Sul, ainda que em números absolutos reduzidos, serve como alerta para a possibilidade de mudanças no perfil epidemiológico, demandando vigilância ativa e preparação dos serviços de saúde para potenciais surtos. Reforçando que as estratégias nacionais devem ser adaptáveis às realidades regionais para serem efetivas.
3.1 Diagnóstico laboratorial: testes sorológicos e desafios na diferenciação entre infecção primária e secundária
No tocante ao diagnóstico, o RT-PCR em tempo real se destaca como um dos métodos mais precisos para o diagnóstico da dengue na fase aguda, pois permite a detecção direta do RNA viral nas primeiras 24 a 48 horas da doença. Este exame apresenta alta sensibilidade e especificidade, além de possibilitar a identificação do sorotipo do vírus, sendo particularmente útil em situações de co-circulação de diferentes sorotipos ou de outros arbovírus, como zika e chikungunya (Alm et al., 2014). No entanto, o RT-PCR exige infraestrutura laboratorial avançada e profissionais capacitados, o que limita seu uso em áreas remotas ou de difícil acesso.
Nessa óptica, outro método relevante é o MAC-ELISA, que detecta anticorpos IgM específicos contra o vírus da dengue, sendo mais indicado a partir do quinto dia do início dos sintomas. Apesar de ser amplamente utilizado na rede laboratorial, apresenta limitações, como a possibilidade de reações cruzadas com outros flavivírus, o que pode gerar resultados falso-positivos, especialmente em áreas endêmicas de zika ou febre amarela (Puerta-Guardo et al., 2019). Além disso, há uma dificuldade na detecção de IgG na fase aguda da infecção primária.
Ademais, cabe salientar a utilização dos kits rápidos da dengue, o qual realiza o resultado a partir de proteínas, sendo que o vírus da dengue possui sete proteínas não estruturais (NS1, NS2a, NS2b, NS3, NS4a, NS4b e NS5), as quais se relacionam com os quatro sorotipos DENV1, DENV2, DENV3 e DENV4 (ABRAHAM et al., 2021). Assim, células infectadas expressam na sua superfície a proteína NS1, manifestada desde o primeiro dia de infecção até o sexto dia.
Os kits de diagnóstico a partir da proteína NS1, possuem vantagens por sua rapidez de resultado e confiabilidade, no entanto, deve-se salientar que a amostra necessita ser avaliada na fase inicial da infecção. De acordo, com o estudo realizado com 147 amostras e kits de diagnóstico rápido, como Platelia NS1 (Bio-Rad), Early Elisa NS1 (Panbio), Duo Test (BIOEASY) e NS1 Ag Strip (Bio-Rad) apresentaram baixa sensibilidade após o terceiro dia de infecção, uma condição esperada pelo aumento da produção de anticorpos IgM. O kit NS1 Ag Strip (Bio-Rad) apresentou maior sensibilidade na detecção da proteína, entretanto, possui a menor especificidade entre os kits tratados no estudo. Segundo a variável de sensibilidade para os sorotipos, os kits utilizados demonstraram maior afinidade para DENV-1 e DENV-3, porém o sorotipo DENV-2 exibiu sensibilidade menor que 80% em todos os kits testando, sendo o kit Platelia Dengue NS1 (Bio-Rad), o qual mostrou sensibilidade superior ao DENV-2 de 78% (Silva et al., 2011).
A melhora na sensibilidade dos testes de NS1 pode ser alcançada por meio da combinação com teste de IgM, a qual demonstra aumento de VPN de mais 80% comparados aos testes isolados de NS1, entretanto, o grau de especificidade que mostra o sorotipo específico da dengue foi reduzido em mais de 85% (Zhang et al., 2014). Portanto, identifica-se uma melhor abordagem do teste NS1 combinado com IgM para teste de triagem, visto que possui maior sensibilidade para detecção do vírus da dengue, possibilitando um tratamento precoce para o paciente, enquanto, o teste isolado de NS1 por possuir maior especificidade seria utilizado para o diagnóstico e diferenciação do sorotipo, principalmente DENV- 1 e DENV-3 dos sorotipos DENV-2 e DENV-4 (Andries et al., 2012).
Diante da análise realizada, percebe-se que o diagnóstico laboratorial da dengue apresenta desafios significativos, principalmente no que tange à diferenciação entre infecções primárias e secundárias. Embora o RT-PCR se destaque como método de alta precisão na fase aguda, suas exigências técnicas limitam sua aplicabilidade em contextos com recursos escassos. Os testes sorológicos e os kits rápidos, por sua vez, embora mais acessíveis, enfrentam limitações relacionadas à sensibilidade, especificidade e possibilidade de reações cruzadas. A estratégia de combinar diferentes metodologias, como a detecção simultânea de NS1 e IgM, demonstra potencial para superar essas limitações, oferecendo maior confiabilidade nos resultados. Portanto, evidencia-se a necessidade de contínuo aprimoramento dos métodos diagnósticos, bem como de uma abordagem criteriosa na seleção e interpretação dos testes, visando assegurar não apenas a acurácia do diagnóstico, mas também o manejo clínico adequado dos casos de dengue.
3.2 Impacto da reinfecção na evolução clínica dos pacientes
A reinfecção por diferentes sorotipos do vírus da dengue representa um dos principais fatores de risco para a progressão clínica para formas graves da doença. Esse agravamento ocorre por meio do mecanismo imunológico chamado potencialização dependente de anticorpos (ADE), no qual anticorpos gerados na infecção anterior, em vez de neutralizar, facilitam a entrada do novo sorotipo viral nas células, aumentando a carga viral e intensificando a resposta inflamatória (GUO et al., 2017). Essa condição favorece complicações como extravasamento plasmático, choque, sangramentos severos e disfunção orgânica, o que torna a reinfecção um desafio no manejo clínico dos pacientes. Ademais, indivíduos com infecção secundária apresentam risco significativamente maior de desenvolver dengue grave, com aumento das taxas de internação, complicações hemorrágicas e até óbito (Halstead, 2019).
Além disso, a reinfecção impõe um desafio relevante ao controle das fases clínicas da dengue. Mesmo que o paciente apresente uma melhora aparente após a fase febril, há o risco de uma piora súbita durante o período crítico — fase em que ocorre a defervescência e maior vulnerabilidade ao extravasamento capilar, geralmente entre o terceiro e o sétimo dia da doença. Esse ‘reverso clínico’ é mais comum em casos de reinfecção, já que os mecanismos de compensação vascular podem se esgotar abruptamente, culminando em choque, hemorragias ou falência de órgãos. Observações clínicas relatam que pacientes reinfectados frequentemente manifestam essa evolução bifásica, com aparente recuperação seguida de piora súbita, o que demanda vigilância intensiva e manejo precoce de sinais de alarme (Instituto Butantan, 2023).
Em uma meta-análise notou-se que participantes previamente infectados tiveram maior probabilidade de desenvolver dengue grave, com uma razão de chances de 2,91 (IC 95%: 1,23–6,87; p = 0,0149) (Macchia et al, 2024), os quais não foram observadas diferenças significativas nas taxas de hospitalização ou mortalidade entre os indivíduos com e sem infecção prévia. Isso sugere que, embora as reinfecções possam elevar o risco de formas graves, o impacto clínico geral pode variar conforme fatores como idade, resposta imune individual, sorotipo circulante e acesso a cuidados médicos adequados (SHIH et al., 2024).
Em estudo de coorte realizado por um período de 19 anos de observação, analisou-se a relação entre o sorotipo viral e o status imunológico na gravidade clínica da dengue. Assim, observou-se que a ordem dos sorotipos nas infecções sucessivas exerce influência direta sobre a gravidade, como relatado na primeira infecção por DENV-1 seguida de DENV-2 foi associada a maior probabilidade de manifestações graves, como extravasamento plasmático e choque, enquanto outras combinações apresentaram risco relativamente menor (Narvaez et al, 2025). Esses achados sugerem que a relação antigênica entre os sorotipos, logo, a distância imunológica entre eles determina o grau de reação cruzada e a intensidade do ADE, o que explica a variabilidade clínica observada entre diferentes epidemias (Wang L. et al, 2024).
Do ponto de vista epidemiológico e prognóstico, a presença de reinfecções afeta diretamente a distribuição de casos graves e as demandas hospitalares. A literatura sugere que o risco relativo de dengue grave em infecções secundárias varia de duas a sete vezes em relação à infecção primária (Macchia et al., 2024). Em áreas hiperendêmicas, onde múltiplos sorotipos co-circulam, a probabilidade de ocorrer reinfecção é elevada, o que significa que uma parcela significativa da carga de dengue grave pode estar associada a episódios secundários.
Essa realidade demanda uma estrutura de atenção à saúde capaz de identificar precocemente riscos, priorizar o monitoramento de pacientes mais suscetíveis e fortalecer estratégias de vigilância, prevenção e educação em saúde, a fim de reduzir o impacto clínico e social dessas evoluções graves.
4 PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA DENGUE NO BRASIL
A dengue tem se consolidado como uma doença endêmica no Brasil, com variações significativas de incidência entre as regiões. Estudos apontam que a Região Centro-Oeste apresenta as maiores taxas de incidência, seguida pelas regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Norte (Campos et al., 2023). Por exemplo, em 2020, a taxa de incidência no Centro-Oeste foi de 1.212,1 casos por 100 mil habitantes, enquanto na Região Norte foi de apenas 119,5 casos por 100 mil habitantes (Brasil, 2024). (Ver Gráfico 3)
Gráfico 3 Taxa de incidência (/100 mil hab.) de dengue, por região e unidade federada, Brasil, 2020

Fonte: Brasil, 2021.
Análises do período de 2017 a 2021 indicam que a Região Centro-Oeste se manteve com maior prevalência, com variações anuais associadas à circulação de diferentes sorotipos do vírus (Holland Lins, 2023). (Ver Gráfico 4)
Gráfico 4 Taxa de prevalência de Dengue por Unidade Federativa (UF), Brasil, 2017-2021.

Fonte: Holland Lins, 2023.
As condições socioeconômicas desempenham papel crucial na disseminação da dengue. Populações que vivem em áreas com infraestrutura precária, acesso limitado ao saneamento básico e alta densidade populacional estão mais expostas à infecção, especialmente nas periferias urbanas (Cavalcanti et al., 2024).
Além disso, fatores climáticos, como aumento das temperaturas e períodos chuvosos, favorecem a reprodução do mosquito Aedes aegypti. A ocorrência de eventos extremos, como o fenômeno El Niño, tem contribuído para a expansão da dengue em regiões anteriormente menos afetadas, como o Sul do país (FIOCRUZ, 2024). Com as mudanças climáticas e o desmatamento, espera-se um aumento ainda maior da área geográfica de risco da doença.
Além disso, a dengue afeta indivíduos de todas as idades, porém, a faixa etária de 20 a 60 anos apresenta maior incidência no período analisado, o que pode estar relacionado à maior mobilidade e exposição a ambientes com maior risco (Carvalho et al., 2021). (Ver Gráfico 5)
Gráfico 5 Distribuição de casos de dengue por Faixa Etária e Região (2019-2023)

Fonte: adaptado do SINAN, 2019-2023.
Em relação ao sexo, observa-se uma ligeira predominância de casos em mulheres. Durante faixa temporal de 2019 a 2024, 54,56% dos casos registrados no Brasil afetaram o sexo feminino conforme gráfico 6 .Em todos os anos, mulheres apresentaram mais casos notificados que homens, representando ao todo 3.504.884 milhões. Essa diferença pode refletir tanto fatores biológicos quanto de procura dos serviços de saúde. (Ver Gráfico 7)
Gráfico 6 Distribuição percentual dos casos de dengue segundo no período de 2019 a 2023

Fonte: adaptado do SINAN, 2019-2023.
Gráfico 7 Casos prováveis de dengue por ano de notificação e sexo no período de 2019 a 2024.

Fonte: adaptado do SINAN, 2019-2023.
Outro ponto relevante é o processo de urbanização acelerada e, em muitos casos, desorganizada, que contribui diretamente para o aumento dos casos de dengue no país. O crescimento das cidades, sem infraestrutura adequada e sem expansão proporcional dos serviços públicos essenciais, favorece a formação de criadouros e a multiplicação do Aedes aegypti (Cavalcanti et al., 2024).
Além disso, a alta densidade populacional e a intensa mobilidade urbana favorecem a rápida disseminação da doença. As cidades tornaram-se epicentros da transmissão da dengue, tornando mais difícil a contenção de surtos mesmo com campanhas regulares de prevenção (Nexo Jornal, 2024).
Consoante os dados apresentados, fica evidente que a dengue no Brasil é influenciada por uma combinação de fatores ambientais, sociais e urbanos. A alta densidade populacional, a urbanização desordenada e a falta de infraestrutura adequada criam um cenário propício para a proliferação do Aedes aegypti, enquanto as condições climáticas e a mobilidade da população contribuem para a rápida disseminação da doença. Essa realidade evidencia que, para enfrentar a dengue de forma eficaz, não basta apenas ações pontuais de combate ao vetor; é necessário integrar planejamento urbano, políticas de saneamento, fortalecimento dos serviços de saúde e educação da população. Somente abordando esses aspectos de maneira conjunta será possível reduzir a incidência da doença e minimizar os impactos de futuros surtos.
5 IMPACTO DA COVID-19 NA DINÂMICA DA DENGUE
No contexto da evolução dos casos notificados de dengue no Brasil, observam-se avanços importantes no âmbito curativo. Entre 2019 e 2023, observou-se um salto expressivo de 760 para mais de 900.000 registros de recuperação, refletindo o aprimoramento das técnicas de diagnóstico, atendimento e acompanhamento terapêutico. No entanto, a pandemia da COVID-19 causou uma distorção significativa na notificação e análise desses dados.
Os chamados ‘casos ignorados’ — registros incompletos ou sem diagnóstico conclusivo — se tornaram um ponto crítico. No biênio 2018/2019, houve um aumento alarmante de mais de 120.000%, revelando uma possível falha nos processos de vigilância epidemiológica. Após esse pico, observou-se uma queda até 2022, seguida de novo crescimento em 2023, possivelmente relacionado à reorganização dos sistemas de notificação após o período pandêmico. Isso indica que, durante a pandemia, os esforços concentrados no enfrentamento da COVID-19 podem ter comprometido a acurácia da notificação de outras doenças, como a dengue. (Ver Gráfico 8)
Gráfico 8 Casos prováveis de dengue com Evolução “Ignorado/ Em Branco” por Ano de Notificação, Brasil (2019 -2023)

Fonte: adaptado do SINAN, 2019-2023.
Os óbitos por dengue também acompanharam essa tendência de oscilação. Destaca-se o aumento expressivo entre 2018 e 2019, com cerca de 800 casos a mais, além das variações no período pós-pandêmico, quando os sistemas de vigilância começaram a se restabelecer. Tais dados apontam para a importância de um sistema de notificação robusto e estável, mesmo em situações de crise sanitária, para garantir a confiabilidade das informações e a eficácia das ações de saúde pública. (Ver Gráfico 9)
Gráfico 9 Casos Prováveis de Dengue com Evolução para óbito por Ano de notificação, Brasil (2019-2023)

Fonte: adaptado do SINAN, 2019-2023.
A coincidência temporal entre os surtos de dengue e COVID-19 em diferentes regiões brasileiras impôs grandes desafios aos serviços de saúde, sobretudo pela semelhança clínica inicial entre as duas doenças. A sobreposição de sintomas, como febre, cefaleia e mialgia, dificultou o diagnóstico diferencial e resultou em subnotificações ou erros de classificação (Silva et al., 2021).
Além disso, foram relatados episódios de coinfecção simultânea pelos vírus da dengue e da COVID-19, condição que pode agravar o quadro clínico e elevar o risco de complicações, exigindo manejo cuidadoso e acompanhamento mais rigoroso dos pacientes (Rodrigues et al., 2022).
Diante desse cenário, é possível perceber que a evolução dos casos de dengue no Brasil entre 2018 e 2023 reflete não apenas o comportamento epidemiológico da doença, mas também a capacidade e a resiliência dos sistemas de saúde frente a situações de crise. As oscilações nos registros, especialmente durante o período da pandemia, evidenciam a necessidade de fortalecer a vigilância epidemiológica, investir em capacitação profissional e garantir a integração entre as diferentes esferas de gestão em saúde.
Além disso, torna-se essencial aprimorar os mecanismos de diagnóstico e notificação, para que as informações coletadas representem de forma mais fiel a realidade vivenciada pela população. Somente com dados consistentes e estratégias de prevenção bem estruturadas será possível reduzir o impacto da dengue e responder de forma mais eficiente a futuras emergências sanitária
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir dos dados coletados e analisados, percebe-se que existe prevalência do sorotipo DENV-1 e DENV- 2 em todas as regiões brasileiras, e elevado número de notificações em regiões não endêmicas, onde o enfoque no combate a Dengue é menor.
Além disso, nos últimos 5 anos observou-se aumento nos casos de cura da dengue, em contrapartida, houve variações no número de óbitos devido aos desafios de notificações durante o período da pandemia, pelo fato de tanto a dengue quanto o COVID-19 apresentarem sintomas semelhantes. Logo, a vigilância epidemiológica e ações de controle são essenciais para lidar com a propagação do vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti.
Recomenda-se atualizações frequentes dos dados sobre a dengue, por meio do portal do Ministério da Saúde, para obter informações específicas sobre a doença para manejo adequado dos pacientes atendidos diariamente.
REFERÊNCIAS
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1Acadêmico de Medicina. E-mail: fjoao7459@gmail.com. Artigo apresentado a FIMCA, como requisito para obtenção do título de Bacharel em Medicina, Porto Velho/RO, 2024;
2Acadêmico de Medicina. E-mail: dennygeorgejr@gmail.com. Artigo apresentado a FIMCA, como requisito para obtenção do título de Bacharel em Medicina, Porto Velho/RO, 2024;
3Acadêmica de Medicina. E-mail: camilechaves.cc@gmail.com. Artigo apresentado a FIMCA, como requisito para obtenção do título de Bacharel em Medicina, Porto Velho/RO, 2024;
4Professora Orientadora. Professora do curso de Medicina. E-mail: prof.chimene@fimca.com.br
