ACTIVE TEACHING IN INDUSTRIAL MAINTENANCE: THE COOLING TOWER AS A CENTRAL ELEMENT IN INTEGRATED TEACHING BENCHES.
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202510241325
Anésio de Lima Bispo1
Enos Santos da Silva1
Yuri Rabelo de Sá1
Diego Moraes Vieira1
Magda Dias Goncalves Rios2
Resumo
Este artigo apresenta uma análise sobre a utilização de torres de resfriamento didáticas como recurso pedagógico no ensino de engenharia e manutenção industrial, destacando seu potencial na promoção de metodologias ativas. A partir de uma revisão bibliográfica e da aplicação de protótipos em escala reduzida, discute-se a importância da integração entre teoria e prática na formação acadêmica, com ênfase na aprendizagem baseada em experimentação. São abordados aspectos como modernização de equipamentos por meio de retrofit, automação e sensores aplicados, bem como práticas de sustentabilidade e eficiência energética. O estudo evidencia que a utilização de protótipos favorece o desenvolvimento de competências técnicas, o engajamento discente e a aproximação com desafios reais da indústria 4.0. Conclui- se que a adoção de torres de resfriamento como ferramenta didática amplia as possibilidades de ensino ativo, promove inovação tecnológica e fortalece a formação de profissionais alinhados às demandas contemporâneas da indústria.
Palavras-chave: Torres de resfriamento. Ensino ativo. Protótipos didáticos. Automação. Sustentabilidade.
Abstract
This article presents an analysis of the use of didactic cooling towers as a pedagogical resource in engineering and industrial maintenance education, highlighting their potential to promote active learning methodologies. Based on a literature review and the application of scaled prototypes, the paper discusses the importance of integrating theory and practice in academic training, with an emphasis on experimentation-based learning. Topics such as equipment modernization through retrofit, automation and applied sensors, as well as sustainability and energy efficiency practices, are addressed. The study shows that the use of prototypes fosters the development of technical skills, student engagement, and a closer connection with real-world challenges of Industry 4.0. It is concluded that the adoption of cooling towers as a didactic tool expands active learning opportunities, promotes technological innovation, and strengthens the training of professionals aligned with contemporary industry demands.
Keywords: Cooling towers. Active learning. Didactic prototypes. Automation. Sustainability.
1 INTRODUÇÃO
O ensino de manutenção industrial demanda abordagens pedagógicas que integrem teoria e prática, promovendo a formação de profissionais aptos a lidar com sistemas complexos. Entre os equipamentos utilizados em diferentes processos industriais, as torres de resfriamento desempenham papel fundamental por permitirem a regulação térmica de fluidos e gases, além de estarem presentes em larga escala em ambientes industriais e laboratoriais.
Nesse contexto, o emprego de torres de resfriamento em bancadas didáticas configura-se como ferramenta estratégica para o ensino ativo, favorecendo o desenvolvimento de competências técnicas e analíticas. A problematização central que orienta esta pesquisa consiste em compreender como a utilização de torres de resfriamento, em versões prototipadas e modernizadas, pode ampliar a aprendizagem significativa no contexto da manutenção industrial.
Assim, justifica-se a investigação pela necessidade de aproximar o estudante de situações práticas de operação, manutenção e otimização de sistemas térmicos, de modo a alinhar a formação acadêmica às exigências da Indústria 4.0. O objetivo do presente trabalho é analisar o papel das torres de resfriamento como elemento central em bancadas didáticas integradas, destacando sua contribuição para o ensino ativo em manutenção industrial, as possibilidades de modernização via retrofit e o impacto da automação e da sustentabilidade nesse processo.
Além disso, o ensino ativo possibilita alinhar a formação acadêmica às demandas contemporâneas da indústria, sobretudo diante dos avanços tecnológicos e da transição para a chamada Indústria 4.0. A inserção de protótipos modernizados nas práticas de ensino aproxima os alunos da realidade produtiva, fomentando competências relacionadas à automação, análise de dados e sustentabilidade. Essa perspectiva é coerente ao enfatizar a necessidade de currículos que articulem competências técnicas e sócio emocionais para a formação de profissionais mais preparados.
2 METODOLOGIA
A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza aplicada, com abordagem qualitativa e caráter descritivo analítico. O procedimento metodológico envolveu três etapas principais: revisão bibliográfica, análise documental e estudo de caso em protótipos de torres de resfriamento didáticas.
Na primeira etapa, realizou-se levantamento de literatura em bases de dados nacionais e internacionais, como SciELO, ScienceDirect, Web of Science e periódicos especializados em ensino de engenharia, sustentabilidade e processos de refrigeração. Foram priorizados artigos publicados entre 2015 e 2025, além de livros clássicos da área de operações unitárias.
Na segunda etapa, foram analisados trabalhos acadêmicos e artigos científicos que descrevem a construção e utilização de protótipos de torres de resfriamento em ambiente acadêmico, com ênfase nos estudos de Leal, Gisoldi e Silva (2021), Ongaratto, Sarkis e Rech (2010) e Narcizo et al. (2018). Essa análise documental permitiu identificar parâmetros construtivos, custos, variáveis monitoradas e estratégias de aplicação pedagógica.
Por fim, a terceira etapa consistiu na sistematização dos dados coletados, organizados em categorias temáticas: ensino ativo, retrofit, automação, sensores aplicados e sustentabilidade. Essa estruturação possibilitou discutir o papel dos protótipos como ferramenta de ensino-aprendizagem e sua relevância no contexto da Indústria 4.0, aproximando a teoria acadêmica das demandas práticas do setor produtivo.
2.1 Sistemas de Refrigeração e Torres de Resfriamento
Os sistemas de refrigeração desempenham papel central em diversos processos industriais e laboratoriais, sendo responsáveis por manter a temperatura controlada de fluidos, gases e equipamentos. Entre as soluções amplamente utilizadas, destacam-se as torres de resfriamento, equipamentos projetados para remover calor de um fluido de processo (geralmente água) por meio de troca térmica com o ar atmosférico (DANTAS, 1988)
O funcionamento básico de uma torre de resfriamento envolve a circulação de água aquecida proveniente do processo até o topo da torre, onde ela é distribuída sobre um enchimento (fill) que aumenta a área de contato com o ar. Ventiladores forçam ou induzem a passagem de ar, promovendo a evaporação parcial da água e, consequentemente, seu resfriamento (DANTAS, 1988).
As torres de resfriamento são classificadas de acordo com critérios como tipo de circulação de ar (tiro forçado ou induzido), direção de fluxo (contracorrente ou cruzado) e aplicação (industrial, comercial ou laboratorial). No contexto educacional, miniaturas e protótipos permitem simular esses processos de forma controlada, favorecendo o aprendizado prático (LEAL ,2021).
Estudos recentes mostram que o controle automatizado desses sistemas, aliado à medição de variáveis críticas como temperatura, vazão e condutividade elétrica, pode gerar ganhos expressivos de eficiência energética e hídrica, além de facilitar a manutenção preditiva (WAN; ZHAO; LI, 2020).
A aplicação das torres de resfriamento transcende o setor industrial e já é objeto de pesquisas voltadas à otimização energética e hídrica. Segundo DANTAS (1988), a eficiência operacional desses sistemas está diretamente relacionada ao equilíbrio entre a transferência de calor e massa, exigindo controle rigoroso das variáveis envolvidas. Em países de clima tropical, como o Brasil, o dimensionamento adequado das torres é ainda mais crítico, pois a elevada umidade relativa do ar pode reduzir a capacidade de evaporação e comprometer o desempenho do processo. Assim, estudos nacionais têm buscado propor soluções de baixo custo, adaptadas às condições ambientais locais, com foco na sustentabilidade.
Além do aspecto operacional, o reuso da água em torres de resfriamento tem sido um tema recorrente na literatura, sobretudo pela pressão crescente sobre os recursos hídricos. Pesquisas como a de COSTA et al. (2020) apontam que a substituição de água potável por efluentes tratados em torres pode reduzir significativamente o consumo hídrico industrial, desde que sejam monitorados parâmetros de qualidade, como sólidos dissolvidos totais e condutividade elétrica. Essa prática, quando associada a sistemas de monitoramento automatizados, contribui para a redução de custos e para a sustentabilidade ambiental.
Outro fator determinante para o bom desempenho das torres é o projeto construtivo e a seleção do enchimento interno, uma vez que esses elementos afetam diretamente a eficiência da transferência de calor e massa. ENAYATOLLAHI et al. (2017) destacam que o uso de enchimentos modernos, como grades trapezoidais de polipropileno, aumenta a superfície de contato e melhora a eficiência do processo em relação a modelos mais antigos. Esse tipo de tecnologia foi incorporado em protótipos didáticos brasileiros (LEAL; GISOLDI; SILVA, 2021), que mostraram desempenho compatível com torres comerciais, demonstrando o potencial desses dispositivos no ensino e pesquisa aplicada.
Por fim, a utilização das torres de resfriamento como recurso didático reforça a importância de aproximar a teoria da prática em cursos de engenharia e manutenção industrial. ONGARATTO et al. (2010) já indicavam que a construção de torres em escala reduzida favorece a aprendizagem ativa, permitindo que os estudantes analisem variáveis de processo em tempo real. Mais recentemente, NARCISO et al. (2018) mostraram que a prototipagem de baixo custo pode ser incorporada como ferramenta pedagógica no ensino de operações unitárias, tornando a formação acadêmica mais conectada às demandas da indústria e às práticas de sustentabilidade.
2.2 Torres de Resfriamento Didáticas e Protótipos
No ambiente acadêmico, as torres de resfriamento didáticas são ferramentas fundamentais para a formação prática de alunos de engenharia, manutenção industrial e cursos técnicos relacionados. Protótipos em escala reduzida permitem simular operações de forma segura e com custos menores, sem perder a fidelidade dos fenômenos físicos envolvidos (Leal,2021). O uso de protótipos favorece o entendimento de conceitos como transferência de calor e massa, eficiência de troca térmica e impactos da qualidade da água no desempenho do sistema. Narcizo et al. (2018) destacam que modelos físicos equipados com sensores oferecem dados em tempo real, possibilitando análises quantitativas e comparações com modelos teóricos. Além disso, o desenvolvimento de protótipos didáticos incentiva a pesquisa aplicada, pois permite implementar melhorias de design, testar diferentes configurações de enchimento, avaliar efeitos de vazão e até realizar estudos de corrosão e incrustação (CREMASCO, 2015).
No contexto brasileiro, a adoção de protótipos de torres de resfriamento em universidades e faculdades de tecnologia tem aumentado, especialmente em cursos ligados ao eixo tecnológico de Controle e Processos Industriais. Isso possibilita aos estudantes desenvolver habilidades de diagnóstico, manutenção e otimização de equipamentos antes de atuarem em plantas industriais reais (FER REIRA,2018 ;LEAL; GISOLDI; SILVA, 2021).
2.3 Modernização de Equipamentos Didáticos
O termo retrofit refere-se à atualização ou modernização de equipamentos existentes por meio da substituição ou adição de componentes, com o objetivo de melhorar desempenho, segurança e eficiência (POHL; LENZ, 2017). Em protótipos didáticos, essa prática é estratégica, pois permite agregar novas funcionalidades sem a necessidade de construir equipamentos do zero. A modernização de torres de resfriamento didáticas, por exemplo, pode incluir: substituição de bombas e ventiladores por modelos mais eficientes; instalação de sistemas de automação e monitoramento; uso de materiais mais resistentes à corrosão; e adequação às normas de segurança, como NR10, NR12 e NR26 (BRASIL, 2022).
Atualmente a incorporação de tecnologias de automação e monitoramento remoto em sistemas de resfriamento é tendência crescente, tanto para o aumento da eficiência energética quanto para o atendimento a requisitos de sustentabilidade. No ensino, projetos de retrofit oferecem benefícios adicionais, pois permitem que alunos participem de todas as etapas do processo, desde o diagnóstico do equipamento até a implementação e validação das melhorias, desenvolvendo competências técnicas e de gestão de projetos (NARCIZO et al., 2018).
Silva (2021) destacam que, embora o modelo inicial tenha atendido às demandas didáticas, ajustes estruturais e hidráulicos foram necessários para garantir maior eficiência e segurança no uso em sala de aula. Esse processo de atualização, mesmo em protótipos de baixo custo, evidencia o papel central do retrofit na manutenção da relevância pedagógica e na ampliação da vida útil dos equipamentos.
Além disso, o retrofit em torres didáticas possibilita a integração de tecnologias digitais emergentes, como sensores inteligentes e controladores programáveis. Estudos recentes têm demonstrado que a inserção de sistemas baseados em Arduino e Internet das Coisas (IoT) permite monitoramento em tempo real, coleta de dados históricos e até mesmo a realização de análises preditivas de falhas (MUJTABA et al., 2025). No ambiente educacional, essa integração não apenas prepara os alunos para o uso de tecnologias aplicadas à Indústria 4.0, mas também fortalece a interdisciplinaridade ao unir conceitos de engenharia elétrica, mecânica e química.
Outro aspecto relevante é a adequação dos protótipos às normas de segurança industrial. A modernização de painéis elétricos, a instalação de sistemas de sinalização e o uso de materiais resistentes à corrosão são elementos essenciais para garantir a segurança de estudantes e docentes durante o uso didático. Como salienta NARCIZO et al. (2018), os projetos de retrofit em protótipos acadêmicos também funcionam como laboratórios vivos de manutenção industrial, nos quais os alunos podem vivenciar desafios semelhantes aos encontrados em plantas reais. Cabe ressaltar que o retrofit de protótipos não se limita a ganhos técnicos imediatos. Ele também promove uma mentalidade de inovação e reaproveitamento, alinhada a práticas de sustentabilidade e economia circular. A atualização contínua de equipamentos didáticos evita o descarte prematuro, reduz custos institucionais e amplia o impacto pedagógico.
Assim, o retrofit consolida-se como estratégia fundamental não apenas para modernizar protótipos de torres de resfriamento, mas também para formar profissionais capazes de propor soluções criativas e sustentáveis para a indústria.
A incorporação de tecnologias de automação e monitoramento remoto em sistemas de resfriamento é tendência crescente, tanto para o aumento da eficiência energética quanto para o atendimento a requisitos de sustentabilidade. No ensino, projetos de retrofit oferecem benefícios adicionais, pois permitem que alunos participem de todas as etapas do processo, desde o diagnóstico do equipamento até a implementação e validação das melhorias, desenvolvendo competências técnicas e de gestão de projetos (NARCIZO et al., 2018).
2.4 Automação e Sensores Aplicados a Protótipos
Automação de torres de resfriamento didáticas é uma evolução que possibilita maior precisão no controle de variáveis e facilita o monitoramento em tempo real. A utilização de sensores integrados a controladores programáveis, como Arduino ou CLPs (Controladores Lógicos Programáveis), vem se consolidando como uma prática eficaz tanto no ambiente industrial quanto no acadêmico (POHL; LENZ, 2017). Entre os sensores mais comuns, destacam-se: sensores de temperatura (PT100 ou PT1000); sensores de vazão; sensores de condutividade e pH; sensores de nível ultrassônicos.
O uso desses dispositivos, associado à programação de rotinas automáticas, possibilita o acionamento e desligamento de bombas e ventiladores de forma otimizada, de acordo com parâmetros predefinidos (WAN; ZHAO; LI, 2020). A Internet das Coisas (IoT) também vem sendo incorporada a protótipos de torres de resfriamento, permitindo o envio de dados a plataformas na nuvem e a realização de análises preditivas (WU; CHEN; LU, 2019).
A introdução de sensores em protótipos acadêmicos amplia as possibilidades de experimentação (FARDIN, 2020), permitindo que os alunos coletem dados em tempo real e os utilizem para análises comparativas com modelos teóricos. Mujtaba et al. (2025) demonstraram que o uso de algoritmos de aprendizado de máquina aplicados a dados obtidos de sensores em torres de resfriamento aumenta a precisão na predição de falhas e possibilita otimizações energéticas em diferentes condições operacionais. Essa perspectiva traz para o ambiente educacional ferramentas avançadas já consolidadas na Indústria 4.0.
Outro ponto de destaque é a viabilidade de baixo custo para implementação desses sistemas. Estudos mostram que microcontroladores como o Arduino e sensores comerciais acessíveis podem ser integrados em protótipos didáticos sem comprometer a confiabilidade dos dados coletados (KHARAT; GAVALI, 2014). Esse fator democratiza o acesso à automação e permite que instituições de ensino implementem práticas modernas mesmo com recursos limitados, favorecendo a formação prática dos estudantes.
A automação também contribui para práticas de sustentabilidade, uma vez que o controle mais preciso de variáveis como temperatura, vazão e qualidade da água reduz desperdícios e aumenta a vida útil dos equipamentos. Segundo Stone (2023), sistemas de controle em múltiplas etapas para torres de resfriamento podem reduzir em até 15% o consumo energético em comparação com controles convencionais. Essa abordagem, aplicada em protótipos acadêmicos, reforça a conscientização ambiental dos futuros profissionais da área.
A integração de sensores e sistemas de automação em protótipos acadêmicos também têm papel relevante na formação de competências digitais. Os estudantes passam a lidar com interfaces de programação, bancos de dados e protocolos de comunicação, compreendendo como a coleta de dados em tempo real pode ser utilizada para otimizar processos. De acordo com Cardoso e Oliveira (2022), a utilização de plataformas abertas como o Arduino no ensino de engenharia contribui para a autonomia e estimula a criatividade, permitindo a customização de experimentos de acordo com os objetivos pedagógicos.
Outro aspecto importante é a possibilidade de utilizar os dados coletados para o desenvolvimento de modelos matemáticos e simulações computacionais. Essa prática permite comparar os valores experimentais com predições teóricas, fortalecendo a aprendizagem baseada em evidências. Estudos como o de Ferrari e Oliveira (2020) demonstram que a associação entre experimentação física e simulação digital favorece o entendimento de fenômenos complexos, além de aproximar o ensino acadêmico das ferramentas de análise utilizadas em ambientes industriais de ponta.
2.5 Sustentabilidade e Eficiência Energética em Sistemas de Refrigeração A sustentabilidade tem se tornado um eixo central nos projetos de refrigeração industrial e acadêmica, devido ao elevado consumo de água e energia associado a esses sistemas. No Brasil, onde a matriz energética ainda depende significativamente de recursos hídricos, a eficiência no uso da água em torres de resfriamento é essencial não apenas para reduzir custos, mas também para minimizar impactos ambientais. Costa et al. (2020) destacam que o reuso de efluentes tratados em torres de resfriamento pode reduzir em até 30% o consumo de água potável, representando uma estratégia de grande relevância em regiões com estresse hídrico crescente.
Outro aspecto de destaque é o impacto energético das torres de resfriamento. Estudos indicam que o consumo de eletricidade em sistemas de ventilação e bombeamento pode representar até 15% do custo operacional em plantas industriais (STONE, 2023). A implementação de controles em múltiplas etapas, sistemas de variadores de frequência e o uso de motores de alta eficiência energética têm se mostrado estratégias eficazes para reduzir esse consumo. Em ambientes acadêmicos, a replicação dessas soluções em protótipos didáticos permite que os alunos compreendam a relação entre automação, eficiência e sustentabilidade.
A qualidade da água também exerce influência direta na sustentabilidade dos sistemas de refrigeração. O acúmulo de sais e contaminantes pode causar incrustações, corrosão e perda de eficiência térmica, exigindo tratamento adequado. Pohl e Lenz (2017) ressaltam que o aproveitamento de efluentes tratados em sistemas automotivos e industriais depende do monitoramento contínuo da qualidade da água, destacando a importância da integração entre engenharia ambiental e de processos. Essa perspectiva ganha relevância em cursos técnicos e superiores, onde o ensino baseado em práticas de reuso fomenta a conscientização ambiental dos futuros profissionais.
A utilização de tecnologias digitais, como a Internet das Coisas(IoT) e a análise de dados em nu vem, amplia as possibilidades de controle sustentável em torres de resfriamento. Wu, Chen e Lu (2019) demonstraram que a integração de sensores inteligentes a plataformas digitais permite prever padrões de consumo de energia e água, possibilitando ajustes automáticos para reduzir desperdícios. Essa abordagem, quando aplicada em protótipos acadêmicos, aproxima os estudantes de práticas industriais inovadoras, além de estimular pesquisas em automação verde e manutenção preditiva sustentável.
O investimento em materiais mais duráveis e de baixo impacto ambiental também tem avançado no setor. Leal, Gisoldi e Silva (2021) mostram que a construção de protótipos didáticos com PVC reciclado e enchimentos de polipropileno apresenta boa eficiência e baixo custo, além de reduzir a geração de resíduos. Essa prática evidencia que a sustentabilidade pode estar presente desde a escolha dos insumos até o descarte, favorecendo a adoção de uma mentalidade de economia circular. Além da eficiência operacional, a sustentabilidade em sistemas de refrigeração deve ser compreendida como uma questão estratégica para a indústria 4.0. Mujtaba et al. (2025) apontam que algoritmos de aprendizado de máquina aplicados ao controle de torres de resfriamento permitem identificar padrões de falha e propor soluções de forma autônoma, aumentando a confiabilidade e reduzindo perdas. Esse tipo de abordagem não apenas eleva a eficiência energética, mas também contribui para metas globais de redução de emissões de gases de efeito estufa.
Deve-se enfatizar que os investimentos em sustentabilidade aplicados aos sistemas de refrigeração representam um diferencial competitivo. Empresas que adotam soluções inovadoras em reúso de água, automação e eficiência energética tendem a reduzir custos de produção e a atender a padrões internacionais de governança ambiental (ESG). No ambiente acadêmico, a inclusão desses temas em projetos didáticos fortalece a formação de profissionais preparados para enfrentar os desafios contemporâneos da indústria, contribuindo para a criação de tecnologias limpas e sustentáveis.
2.6 Desafios e Perspectivas Futuras
O uso de torres de resfriamento em ambientes industriais e acadêmicos apresenta desafios que vão além da eficiência energética e hídrica. Um dos principais é a necessidade de conciliar produtividade com práticas sustentáveis, em um contexto de crescente cobrança por indicadores ESG (Environmental, Social and Governance). Segundo Zhao et al. (2021), a busca por tecnologias que reduzam o consumo de água e energia em processos térmicos está diretamente ligada às metas globais de neutralidade de carbono, o que torna urgente a inovação em sistemas de resfriamento.
Outro desafio é a adaptação das torres de resfriamento às condições climáticas locais. Em países de clima tropical, como o Brasil, a elevada umidade relativa do ar compromete a eficiência da evaporação, exigindo soluções híbridas ou complementares, como sistemas de resfriamento seco ou uso de materiais avançados nos enchimentos (RODRIGUES et al., 2017). Essa realidade abre espaço para pesquisas aplicadas no ambiente acadêmico, permitindo que estudantes testem protótipos adaptados às realidades ambientais regionais.
A transformação digital e os conceitos da Indústria 4.0 abrem novos horizontes para o setor, com a integração de sensores inteligentes, algoritmos de aprendizado de máquina e plataformas de análise em nuvem, que permitem prever falhas e otimizar a operação de torres em tempo real. Mujtaba et al. (2025) destacam que esses recursos, antes restritos a grandes plantas industriais, tornaram-se cada vez mais acessíveis, inclusive em ambientes educacionais. Essa evolução reforça o papel dos protótipos acadêmicos como espaços de experimentação e inovação em tecnologias digitais aplicadas à engenharia.
No campo educacional, os desafios incluem a necessidade de atualização contínua dos protótipos utilizados em sala de aula. Ongaratto, Sarkis e Rech (2010) apontam que a construção de torres de resfriamento de bancada exige manutenção e modernização frequentes para manter a relevância pedagógica. O retrofit desses equipamentos, aliado à automação e ao reúso de água, pode transformar as bancadas acadêmicas em laboratórios vivos de sustentabilidade e inovação, aproximando os alunos da realidade industrial (BARROS,2020)
Perspectivas futuras também apontam para o uso de materiais avançados na construção de torres de resfriamento. Estudos sobre polímeros modificados e nano materiais têm demonstrado potencial para aumentar a resistência à corrosão e reduzir a incrustação nos enchimentos (GEANKOPLIS; HERSEL; LEPEK, 2018). A adoção dessas tecnologias, quando levada ao ambiente acadêmico, pode preparar profissionais para lidar com soluções emergentes que deverão ganhar espaço no setor industrial.
Outro campo promissor é a integração de sistemas de realidade aumentada e simuladores virtuais ao ensino de operações unitárias. Segundo Oliveira e Barbosa (2022), a utilização de recursos imersivos no ensino de engenharia facilita a compreensão de fenômenos complexos e amplia a motivação dos estudantes. Aplicados às torres de resfriamento, esses recursos poderiam permitir a visualização de processos invisíveis, como fluxos de calor e massa, de maneira interativa.
Finalmente, o alinhamento entre inovação tecnológica e responsabilidade socioambiental é uma das maiores perspectivas para o futuro das torres de resfriamento. A união de práticas sustentáveis, automação inteligente e ensino ativo pode consolidar esses equipamentos como plataformas de experimentação para novos paradigmas da indústria. Dessa forma, os protótipos acadêmicos de torres de resfriamento não apenas reproduzem equipamentos industriais, mas também atuam como incubadoras de soluções inovadoras, contribuindo para a formação de profissionais comprometidos com a transição para uma economia mais limpa e eficiente.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A revisão bibliográfica e a análise dos protótipos estudados evidenciam que as torres de resfriamento didáticas cumprem papel fundamental no ensino ativo, pois permitem a simulação de operações industriais em condições controladas e seguras. Estudos nacionais e internacionais confirmam que o uso desses equipamentos em sala de aula favorece a aprendizagem significativa, ao possibilitar a visualização prática de conceitos como transferência de calor, balanços de massa e eficiência energética. Dessa forma, a experimentação aproxima o estudante de fenômenos complexos de forma concreta e contribui para a consolidação da teoria.
Os resultados também mostram que a prática do retrofit amplia a vida útil dos protótipos e permite a incorporação de novas tecnologias. Atualizações em bombas, ventiladores e materiais de enchimento, aliadas à instalação de sistemas de automação, transformam os protótipos em plataformas modernas de ensino. Essa modernização tem impacto direto na qualidade do aprendizado, pois coloca os alunos em contato com soluções alinhadas às demandas da Indústria 4.0, estimulando a criatividade, o pensamento crítico e a capacidade de propor inovações tecnológicas.
Outro ponto de destaque é a automação integrada a sensores digitais. A literatura aponta que a inclusão de sensores de temperatura, vazão e condutividade, associados a controladores programáveis, torna os protótipos mais dinâmicos e atrativos do ponto de vista pedagógico. Além de reforçar a aprendizagem ativa, essa prática prepara os estudantes para ambientes industriais digitalizados, nos quais a coleta e análise de dados em tempo real são fundamentais para a eficiência dos processos.
Os estudos analisados ainda reforçam a relevância da sustentabilidade como eixo transversal. O reuso de água, a redução do consumo energético e a utilização de materiais recicláveis em protótipos didáticos são estratégias que contribuem para a formação de profissionais comprometidos com práticas ambientais responsáveis. Essa dimensão pedagógica é especialmente importante no contexto brasileiro, em que o uso racional de recursos hídricos e energéticos é um desafio recorrente.
Por fim, as discussões apontam que a utilização de protótipos de torres de resfriamento transcende a função de recurso didático e se configura como uma oportunidade de pesquisa aplicada. Ao integrar conceitos de automação, sustentabilidade e inovação, os protótipos tornam-se laboratórios vivos que conectam ensino, pesquisa e extensão, fortalecendo a formação de profissionais aptos a atuar em um cenário industrial cada vez mais tecnológico e sustentável.
4 CONCLUSÕES
A análise apresentada confirma que as torres de resfriamento, em sua versão didática, constituem um recurso pedagógico de alto impacto no ensino de engenharia, manutenção industrial e cursos técnicos correlatos. Protótipos em escala reduzida permitem que estudantes compreendam de maneira prática fenômenos complexos, como transferência de calor e massa, balanços de energia e influência da qualidade da água no desempenho do sistema (LEAL; GISOLDI; SILVA, 2021; ONGARATTO; SARKIS; RECH, 2010). Essa proximidade entre teoria e prática contribui para a consolidação de metodologias de ensino ativo, nas quais o aluno desempenha papel central na construção do conhecimento.
Os estudos revisados também mostram que a modernização e o retrofit de protótipos didáticos ampliam seu potencial educacional e aproximam as práticas acadêmicas das demandas industriais. A integração de materiais mais eficientes, sensores digitais e controladores programáveis prepara os futuros profissionais para lidar com tecnologias emergentes da Indústria 4.0 (NARCIZO et al., 2018; WU; CHEN; LU, 2019). Assim, os protótipos deixam de ser apenas ferramentas de demonstração e passam a constituir laboratórios vivos de inovação tecnológica.
A automação e a aplicação de sistemas de análise de dados em tempo real, apoiadas por sensores de temperatura, vazão, condutividade e pH, fortalecem ainda mais o papel das torres no ensino e na pesquisa. A literatura recente destaca que a Internet das Coisas e o aprendizado de máquina já são utilizados para otimizar o desempenho e prever falhas em torres de resfriamento industriais (MUJTABA et al., 2025; WAN; ZHAO; LI, 2020). Ao serem incorporadas em protótipos didáticos, essas tecnologias expõem os alunos a ferramentas digitais alinhadas à realidade industrial contemporânea.
Outro eixo central é a sustentabilidade. Investimentos em reuso de água, redução do consumo energético e escolha de materiais de menor impacto ambiental reforçam o compromisso das instituições de ensino e da indústria com práticas responsáveis (COSTA et al., 2020; POHL; LENZ, 2017). Além de preparar engenheiros e técnicos conscientes, esses projetos formam profissionais capazes de propor soluções para desafios globais de uso racional de recursos e mitigação de impactos ambientais.
Portanto, pode-se concluir que o desenvolvimento e a modernização de protótipos de torres de resfriamento em ambientes acadêmicos extrapolam o campo do ensino tradicional. Eles se configuram como instrumentos estratégicos de aprendizagem ativa, pesquisa aplicada e inovação sustentável. Ao integrar ciência, tecnologia e responsabilidade socioambiental, essas iniciativas não apenas qualificam a formação dos estudantes, mas também contribuem para o avanço da indústria em direção a sistemas mais eficientes e sustentáveis.
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1Discente do Curso Superior de Tecnologia em Manutenção Industrial do Instituto FATEC Campus Professor Hirant Sanazar – Osasco/SP;
2Docente do Curso Superior de Tecnologia em Manutenção Industrial do Instituto FATEC Campus Professor Hirant Sanazar – Osasco/SP e mail riosmagda@hotmail.com
