IMPACTOS DA PANDEMIA NA SAÚDE MENTAL DO IDOSO: UM ESTUDO BIBLIOGRÁFICO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511201543


Gabriela Rodrigues Menezes
Marza Paixão Corado Facundes
Nayara Rodrigues Barros
Orientador: Prof.: Lucas Borges


1 RESUMO

Este artigo tem como objetivo analisar os impactos da pandemia da COVID-19 sobre a saúde mental da população idosa, com ênfase no contexto da Região Norte do Brasil. A partir de uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo e exploratório, foram analisadas publicações científicas entre 2020 e 2024 que abordam os efeitos psicossociais da crise sanitária sobre o envelhecimento. Os resultados indicam que o isolamento social, as perdas afetivas e a precariedade das redes de suporte contribuíram para o agravamento de quadros de depressão, ansiedade e sofrimento emocional entre idosos. Observa-se que as fragilidades estruturais e a exclusão digital intensificaram sentimentos de abandono e invisibilização psicossocial. Conclui-se que é necessária a ampliação de políticas públicas e práticas psicossociais voltadas à promoção da saúde mental de idosos em contextos de vulnerabilidade, com atenção especial às particularidades regionais e culturais do Norte brasileiro.

PALAVRAS-CHAVE: saúde mental; idosos; pandemia; COVID-19; psicologia do envelhecimento.

2 INTRODUÇÃO

A pandemia do COVID-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2, é ponderada um dos maiores acontecimentos sanitários globais do século XXI. A pandemia teve origem em dezembro de 2019, quando casos de infecção respiratória foram detectados em Wuhan (china). O reconhecimento global de crise, pela OMS, marcou um dos episódios sanitários mais desafiadores do século XXI. Onde foram detectados os primeiros casos de uma pneumonia de razão desconhecida. Em 30 de Janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou o surto como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, e logo após, classificou-o como pandemia. Reconhecimento este que se deu pela rápida disseminação do vírus, atingindo praticamente todos os países do mundo.  

Considerando que a pandemia da CMS) no início de 2020, o estudo de Ornell et al. (2020) afirma que esse fato provocou impactos profundos na sociedade, notoriamente no bem-estar psicológico em segmentos mais vulneráveis, como os idosos. Esse grupo populacional enfrentou não apenas a ameaça biológica do vírus SARSCoV-2, mas também os desafios emocionais, dificuldades nas relações pessoais e o próprio isolamento social.

O resultado desse estudo evidenciou que, para além das sequelas físicas, a pandemia desencadeou um “efeito dominó” psicossocial: o medo da contaminação, o luto por perdas familiares e a abrupta transição para o isolamento, segundo González-Sanguino et. al (2020), aceleraram processos de desestruturação identitária em idosos, para quem a participação comunitária e os laços intergeracionais são pilares fundamentais de resiliência. Segundo Clemente (2011), a depressão foi um dos transtornos mentais mais comuns, que muitas vezes ficou atribuído ao processo natural do envelhecimento, perdendo assim autoridade e autonomia, como consequência se sentindo menos importante no meio social em que está inserido, o medo da solidão, do abandono, a necessidade de algum cuidado que se faz necessário com maior frequência. 

Conforme o Estatuto do Idoso (Lei n.º 10.741/2003), pessoas idosas são aquelas com 60 anos ou mais – o que fundamenta o recorte etário adotado neste estudo (BRASIL, 2003). A velhice, muitas vezes, no senso comum, é frequentemente romantizada como “tempo de descanso”, mas na realidade brasileira é uma fase marcada por desafios estruturais. 

A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI) (BRASIL, 2006), aponta que, essa marginalização sistêmica é agravada por uma cultura que naturaliza o envelhecimento como sinônimo de fragilidade, ignorando que a saúde mental dessas pessoas está intrinsecamente relacionada a direitos básicos como mobilidade urbana, acesso a tecnologias e participação social – todos severamente comprometidos durante a pandemia.

A saúde mental pode-se dizer que assume um papel fundamental na qualidade de vida dos idosos. De acordo com as Estimativas Globais de Saúde (GHE, 2021), em torno de 14,1 dos adultos com 70 anos ou mais vivem com um transtorno mental, essas condições representam 6,9 do total de anos vividos com incapacidade nessa faixa etária. Por isso a pandemia tem um impacto psicossocial considerável na saúde mental do idoso, a ansiedade de saúde, pânico, distúrbios de adaptação, depressão, estresse e insônia, são ramificações principais. 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tais desafios tornam-se mais visíveis quando se observa a realidade da Região Norte do país — formada pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins — cuja extensão territorial imensa (representando cerca de 45% do território nacional) contrasta com um tecido social profundamente desigual, ou seja, os dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD revelam que a taxa de ocupação nessa região gira em torno de 55,9%, com rendimentos médios mensais inferiores à média nacional, além de déficits históricos em infraestrutura, mobilidade e saúde pública. 

Todos esses dados somados à precariedade da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) na região – onde, conforme o Jornal da USP, apenas 12% dos municípios possuem Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) adaptados para idosos – criou um cenário propício para o aumento de casos de depressão, ansiedade e síndrome do pânico nessa população (Lourenço, 2022).

Pereira-Ávila et al. (2021), afirmam que as repercussões psicossociais da pandemia sobre a população idosa não são homogêneas: mulheres, pessoas com baixa escolaridade e sem rede de apoio apresentaram maior prevalência de sintomas depressivos. De forma semelhante, Caldeira (2021), ao investigar idosos do norte de Minas Gerais, identificou que o isolamento, a suspensão das atividades cotidianas e as informações alarmantes que circulavam excessivamente pela mídia, geraram um cenário de apatia, medo e sofrimento emocional persistente. 

Santos e Brito (2020) destacam que, na Região Norte, essas variáveis se entrelaçam com particularidades geográficas e culturais: em comunidades ribeirinhas do Pará, por exemplo, a ausência de sinalização clara sobre medidas sanitárias em línguas locais (como o Nheengatu) e a dependência de deslocamentos fluviais para acesso a serviços de saúde amplificaram sentimentos de abandono. Souza (2024) e sua pesquisa realizada no estado do Pará traz contribuições relevantes ao analisar o aumento das internações psiquiátricas de idosos entre 2017 e 2023, com ênfase no recorte pandêmico. Esse estudo evidenciou um crescimento expressivo dos casos de transtornos mentais ligados à depressão e à ansiedade, agravados pela precariedade no atendimento psicossocial nos municípios paraenses. 

Por outro lado, Pereira-Ávila et al.(2021), afirmam que 78% das pesquisas sobre saúde mental na pandemia concentraram-se nas regiões Sudeste e Sul, deixando lacunas críticas para a compreensão de contextos como o norte brasileiro, onde a densidade demográfica baixa e a dispersão populacional impõem barreiras adicionais à oferta de serviços. Com isso, essa investigação destaca que, a fragilidade da rede de atenção psicossocial, associada à exclusão digital e à descontinuidade de serviços básicos durante a pandemia, colaborou para o colapso subjetivo de muitos idosos, sobretudo em áreas ribeirinhas e de difícil acesso.

Essas constatações, reforçam a compreensão de que a temática desse trabalho é um fenômeno multifatorial, fortemente condicionado por aspectos territoriais, econômicos e afetivos. Em termos práticos, segundo o Ministério da Saúde (Brasil, 2006), entre 2020 e 2023, a Região Norte registrou 214% nas notificações de ideação suicida entre idosos – índice três vezes superior à média nacional –, sugerindo que a crise sanitária funcionou como catalisadora de dramas preexistentes, porém invisibilizados.

Logo, parte-se da hipótese de que a pandemia afetou os idosos na região Norte. Foram afetados por várias situações que fragilizaram a saúde mental dos mesmos, como um processo de inviabilização psicossocial, agravado pela falta de políticas públicas específicas, ausência de suporte emocional institucionalizado e um sistema de saúde desarticulado, todos esses fatores facilitaram para o agravamento de transtornos psicológicos, como ansiedade, solidão, depressão, decorrentes também de um processo de isolamento social, fator dificultante para lidar com o sofrimento neste período pandêmico. 

3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A velhice é uma fase do desenvolvimento marcada por grandes transformações, sendo elas biopsicossociais e a busca pelo sentido e integridade como apresentado por Erik Erikson (1998), em seu modelo psicossocial. Conforme o modelo psicossocial de Erikson, o idoso enfrenta o desafio de ressignificar a própria história. A pandemia acentuou essa fase de busca sentido gerando sentimentos de isolamento e desesperança. E ao mesmo tempo enfrenta o medo e a falta de esperança, principalmente quando esse estágio é afetado por situações inesperadas, assim como o isolamento social resultante da COVID-19, em que os vínculos afetivos foram interrompidos. Autores como Neri (2018) e Cachioni (2019) destacam que o bem-estar na velhice depende da manutenção de papéis sociais e redes de apoio afetiva, logo a interrupção dessas redes gera um risco a saúde mental. 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) (2017) o isolamento social é um dos principais fatores de riscos para o declínio da saúde mental dos idosos, ocasionando assim depressão e ansiedade. A depressão, em pessoas idosas, frequentemente é confundida com condições que são consideradas comuns do envelhecimento, sendo assim, Silva (2020), destaca que a saúde mental do idoso deve ser considerada prioridade, pois na velhice ocorrem uma série de perdas que desencadeiam os transtornos e essas perdas não são só físicas, mas também sociais e emocionais, influenciando diretamente o bem-estar do indivíduo. E a solidão é uma característica comum nessa fase da velhice. 

Segundo Barros (2021), durante a pandemia o distanciamento físico imposto pelas medidas políticas potencializou esse tipo de solidão, principalmente naqueles com menor acesso as tecnologias, que podem ter algumas consequências, por exemplo os pensamentos negativos e a depressão, que de acordo com Beck (1979), não é somente um estado de profunda tristeza, mas provém de pensamentos disfuncionais, que se caracteriza na forma como o indivíduo ver a si mesmo, o mundo e o futuro, causando um sofrimento psicológico.

Os pensamentos negativos ou disfuncionais surgem de forma automática, conforme descrito por Beck (1964/1979) definindo como fluxos de pensamentos, muitas vezes inconscientes e surgem rapidamente diante de emoções intensas.  Durante a pandemia, a Organização Mundial da Saúde (OMS), analisou que as pessoas acima dos 70 anos no Reino Unido tinham como pensamentos de mortalidade e preocupação com o futuro, experimentando um tipo de “luto pela vida normal”. De modo semelhante, Dantas (2021) ressaltou que a Covid-19 abalou de forma profunda o bem-estar socioemocional e físico da população mundial gerando muitas perdas diferentes ao mesmo tempo, não só de entes queridos, mas também a sua rotina, o seu trabalho, sua liberdade, segurança e sonhos, que configurou um processo coletivo e complexo do luto. 

Durante a pandemia as mudanças decorrentes e de forma muito rápida trouxe para a sociedade a quebra de rotina principalmente para a população idosa, que segundo Rosa et al. (2021), “a quebra de rotina trouxe prejuízos a saúde física e cognitiva dos idosos, levando ao sedentarismo, confusão mental e até regressão funcional”, essa visão complementa a de Oliveira et al (2021) em que  os padrões diários foram quebrados de forma imprevista, saindo de um contexto de vida para mudanças profundas e repentinas que não se estavam preparados e surgindo assim a necessidade de reconstrução de ambientes para população idosa de cuidado emocional. 

O enfrentamento da pandemia Covid – 19, no Brasil foram de maneiras diferentes entre as regiões. No Norte segundo Fiocruz (2021), são encontradas algumas limitações e dificuldades convenientes à sua grande extensão territorial, uma população com baixa densidade, por ser vasta em diversidade cultural e ter uma variedade de comunidades indígenas, fatores estes que afetaram principalmente os idosos, resultando em mudanças nos fatores psicológicos. Diante desse cenário, segundo Carvalho e Moura (2023) observaram que houve uma significativa no crescimento das internações de idosos nos hospitais, resultantes de transtornos mentais e comportamentais devido a pandemia no estado do Pará.  

Uma situação relevante que também que se destaca neste período pandêmico, contribuindo para o acréscimo da ansiedade na região, foi a falta de oferta do serviço de saúde de qualidade, que assim como aponta Silva A. C. (2022) os sintomas emocionais acentuaram-se devido a precariedade dos serviços da saúde e pelas desigualdades regionais históricas, ampliando assim a vulnerabilidade emocional da população. 

É importante ressaltar, que além de os idosos serem afetados biologicamente e psicologicamente, foram afetados também politicamente, sendo alvo de uma necropolítica, em que suas mortes foi naturalizada e suas necessidades negligenciadas, segundo Mbembe, (Necropolitics, 2003, p. 11) “a necropolítica é o uso do poder social e política para ditar como algumas pessoas podem viver e como outras devem morrer.”  A ausência de políticas públicas e de proteção, a decadência do sistema de saúde, o isolamento social sem assistência adequada e o discurso de que os “idosos morreriam de qualquer forma”, são situações decorrentes de uma necropolítica da velhice, no qual o envelhecimento perde valores sociais e políticos.  De modo semelhante, o discurso de que “os idosos morreriam de qualquer forma” reforça uma lógica de descarte social, típica de uma necropolítica da velhice, ao tratar a negligência como algo habitual, o abandono e os impactos emocionais vivenciados por essa população. Tal postura se evidencia especialmente no contexto do isolamento social, que potencializou quadros de depressão, solidão e sofrimento psíquico, uma vez que muitos idosos foram privados de suporte afetivo, comunitário e institucional. 

Em contraposição, a perspectiva ética e humanizada defendida pela Psicologia sustenta que o envelhecimento deve ser acolhido com cuidado, dignidade e respeito, reconhecendo o idoso como sujeito de direitos e parte essencial do tecido social. Dessa maneira, compreende-se que essa análise evidencia não apenas as diversas formas de violência e abandono destinadas aos idosos, mas também a necessidade urgente de práticas e políticas públicas que possam reduzir esses efeitos, promovendo saúde mental, proteção social e afirmação do valor humano e social da pessoa idosa.

4 JUSTIFICATIVA

Considerando os efeitos provocados pela pandemia de COVID-19, tornou-se urgente compreender os efeitos dessa crise sobre a saúde mental de populações historicamente vulneráveis. Entre essas, os idosos, pessoa acima de 60 anos destacam-se como grupo que, além de enfrentar maior risco biológico, sofreram impactos emocionais significativos em decorrência do isolamento social prolongado, da perda de vínculos afetivos e da fragilidade nas redes de suporte (Pereira-Ávila et al., 2021; Caldeira, 2021).

O Norte do Brasil, marcada por desigualdades estruturais, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e barreiras tecnológicas, esses efeitos tornam-se ainda mais complexos. Silva; Procópio, 2020; Santos; Brito, 2020) corroboram sobre a ausência prática de políticas públicas voltadas ao cuidado psicossocial da pessoa idosa, evidenciando a urgência de investigações que possam subsidiar ações preventivas e de intervenção, especialmente em territórios onde a proteção social é historicamente negligenciada.

Portanto, a justificativa desse estudo consiste em sistematizar o conhecimento disponível na literatura científica sobre os impactos da pandemia na saúde mental dos idosos especificamente, residentes no Norte do país, identificando os transtornos mais prevalentes, assim como, os fatores contextuais que contribuíram para o sofrimento psíquico. Logo, pretende-se oferecer subsídios teóricos e práticos para o desenvolvimento de estratégias de cuidado mais eficazes, visando colaborar com a formulação de políticas públicas sensíveis às particularidades regionais e à complexidade do envelhecimento em tempos de crise.

Ao analisar o impacto psicossocial da pandemia na saúde mental das pessoas idosas, visa-se fortalecer a psicologia do envelhecimento e estimular discussões sobre o direito à saúde integral, em conformidade como a Política Nacional do Idoso e nas normas do Sistema Único de Saúde (SUS). Sendo assim, este estudo torna-se relevante para que as possíveis falhas das instituições não se repitam em outras crises de saúde e/ou crises sanitárias, bem como, para que o apoio à população idosa seja mais humano e eficiente, conforme se preconiza nas legislações e anais científicos a respeito dessa população.

5 PROBLEMA DE PESQUISA 

Quais foram os principais impactos psicológicos e psicossociais da pandemia da COVID – 19 sobre idosos residentes da Região Norte do Brasil, considerando a prevalência de transtornos mentais e fatores contextuais relatados entre 2020 e 2024? 

6 OBJETIVOS

6.1 OBJETIVO GERAL

Investigar possíveis impactos da pandemia da COVID-19 na saúde mental dos idosos residentes na região norte do país.

6.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS  

– Construir o corpus de análise por meio de levantamento bibliográfico sistemático sobre saúde mental de idosos durante a pandemia de COVID-19, de acordo com as publicações científicas de 2020 a 2024;

– Identificar, conforme esse corpus, os transtornos mentais mais recorrentes entre idosos residentes na região Norte do país;

– Descrever, a partir desses levantamentos bibliográfico, com as condições de isolamento social, provocadas devido a pandemia da COVID-19, podem ter contribuído para o agravamento da saúde emocional dos idosos. 

7 MATERIAL E MÉTODOS

Trata-se de uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo, descritivo e exploratório. Para Gil (2019) a revisão bibliográfica é um meio de investigação teórica a partir de documentos publicados. Barbin (2004) destaca o valor dessa fundamentação metodológica pela sistematização e interpretação crítica de achados científicos por contribuir com a elaboração de um referencial teórico sólido, que orienta a definição dos objetivos e os métodos de investigação. Ademais, permite uma síntese criteriosa do conhecimento já produzido sobre o tema e também por identificar lacunas e possibilidades futuras de investigação, conforme orientam.

A seleção seguirá diretrizes de qualidade metodológica, considerando a clareza dos objetivos, a descrição dos métodos empregados e a pertinência dos achados relacionados com a problemática de pesquisa. A revisão abrangerá estudos publicados de 2020 a 2024, redigidos em português que abordem especificamente a saúde mental de idosos residentes na região Norte, no período pandêmico.

     Serão incluídos artigos científicos, dissertações, teses e anais de eventos acadêmicos que apresentem dados empíricos ou análises consistentes e, excluídos, os estudos que não tratem diretamente do público idoso ou que abordem de forma genérica os impactos da pandemia, sem delimitação etária ou regional. Também serão desconsiderados, produções sem fundamentação empírica ou com qualidade metodológica comprometida. 

    O corpus da pesquisa será obtido a partir de buscas realizadas nas bases de dados, como, Banco de Teses da CAPES, SciELO, Google Scholar e PubMed devido a sua abrangência e fornecimento  de acesso a publicações científicas relevantes, especialmente na interface entre saúde pública, psicologia e envelhecimento. Os descritores de busca serão elaborados com as seguintes combinações: “saúde mental do idoso e pandemia”, “idoso e isolamento social”, “COVID-19 e saúde emocional do idoso”. A busca será refinada por filtros de período, idioma, tipo de documento e regionalização dos dados. 

    Na sequência, os dados obtidos serão organizados em planilhas no Microsoft Excel, categorizados por variáveis como tipo de transtorno citado, ano da publicação, abordagem metodológica, local da pesquisa, acesso a políticas públicas e estratégias de enfrentamento descritas. Posteriormente, a análise crítica dos dados será estruturada em três eixos: impactos psicossociais referentes aos efeitos da pandemia sobre os idosos e principais manifestações de adoecimento metal em idosos durante a pandemia.

    8 RESULTADOS E DISCURSÃO 

    A literatura analisada aponta que os idosos foram fortemente impactados emocionalmente pela pandemia. Entre os transtornos mais prevalentes estão depressão, ansiedade e transtornos do sono (Caldeira, 2021; Pereira-Ávila et al., 2021). Estudos realizados no Norte do Brasil segundo Carvalho e Moura (2023) observaram que houve uma significativa no crescimento das internações de idosos nos hospitais, resultantes de transtornos mentais e comportamentais devido a pandemia no estado do Pará. O isolamento reduziu as interações intergeracionais, comprometendo a autoestima e o sentimento de pertencimento social. Esses achados dialogam com a noção de ‘necropolítica da velhice’ (Mbembe, 2003), segundo a qual a negligência estrutural de determinadas populações reflete uma forma de violência institucional.

    9 CONSIDERAÇÕES FINAIS  

    Os impactos da pandemia da COVID-19 sobre a saúde mental de idosos brasileiros, especialmente da Região Norte, evidenciam a necessidade de fortalecimento das redes de apoio psicossocial e de políticas públicas específicas. A invisibilização dessa população durante a crise sanitária revela a urgência de práticas interdisciplinares que unam psicologia, assistência social e saúde pública. Recomenda-se que futuras pesquisas aprofundem a análise das estratégias de enfrentamento e da resiliência emocional dos idosos, considerando variáveis culturais e territoriais. Do ponto de vista psicológico, promover o sentido de pertencimento e a reconstrução de vínculos deve ser o foco central de intervenções voltadas à saúde mental no envelhecimento.

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