IMPACTO DO USO CONCOMITANTE DE ESTATINAS E ANTI-HIPERTENSIVOS NO METABOLISMO DE NUTRIENTES EM PACIENTES COM SÍNDROME METABÓLICA

 IMPACT OF THE CONCOMITANT USE OF STATINS AND ANTIHYPERTENSIVES ON NUTRIENT METABOLISM IN PATIENTS WITH METABOLIC SYNDROME

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511172117


Cibele de Lima Neves de Castro1
Orientadora: Francisca Marta Nascimento de Oliveira Freitas2
Coorientador: David Silva dos Reis3


RESUMO 

A síndrome metabólica é caracterizada por fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, dislipidemia, resistência à insulina e obesidade abdominal. O objetivo é prevenir complicações associadas ao uso dos medicamentos, pois o tratamento geralmente envolve estatinas e anti-hipertensivos. Essas medicações, quando usadas de forma concomitante, podem alterar o metabolismo de nutrientes. Isso pode resultar em deficiências nutricionais ou redução da biodisponibilidade.A compreensão dessas interações é essencial para o manejo clínico.Uma avaliação nutricional adequada contribui para otimizar os resultados terapêuticos.A integração entre farmacologia e nutrição é estratégica nesse contexto.A revisão investiga os efeitos dessa terapia combinada em pacientes com síndrome metabólica. Assim, reforça-se a importância de abordagens multidisciplinares no cuidado desses pacientes.  

Palavras-chave: Síndrome metabólica; Estatinas; Anti-hipertensivos; Metabolismo de nutrientes; Interações fármaco- nutrientes 

ABSTRACT 

Metabolic syndrome is characterized by cardiovascular risk factors such as hypertension, dyslipidemia, insulin resistance, and abdominal obesity. The main objective is to prevent complications associated with pharmacological treatment, since therapy often involves the concomitant use of statins and antihypertensive drugs. These medications can alter nutrient metabolism, potentially leading to nutritional deficiencies or reduced bioavailability. Understanding these interactions is essential for effective clinical management. A thorough nutritional assessment contributes to optimizing therapeutic outcomes. The integration of pharmacology and nutrition represents a strategic approach in this context. This review investigates the effects of combined therapy in patients with metabolic syndrome, emphasizing the importance of multidisciplinary care in the management of these individuals. 

Keywords: Metabolic syndrome; Statins; Antihypertensive drugs; Nutrient metabolism; Drug-nutrient interactions.

1. INTRODUÇÃO 

A Síndrome Metabólica (SM) é definida como um conjunto de alterações metabólicas inter-relacionadas que aumentam o risco de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2, além de outras complicações crônicas (Grundy et al., 2005; Alberti et al., 2009). Seus principais componentes incluem obesidade abdominal, resistência à insulina, hipertensão arterial, hipertrigliceridemia, redução do HDL-colesterol e alterações do metabolismo da glicose (Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2020, p.12). 

A origem dessa condição é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida, como alimentação inadequada e sedentarismo, que contribuem para disfunções metabólicas e inflamação crônica de baixo grau (Eckel et al., 2010). Estimativas globais indicam que cerca de 25% da população adulta apresenta critérios diagnósticos para a SM, com variações segundo idade, sexo e região geográfica (International Diabetes Federation, 2023). 

No Brasil, a Pesquisa Vigitel (Brasil, 2023) mostra que 22,4% dos adultos apresentam obesidade, condição fortemente associada à síndrome metabólica. Além disso, uma parcela significativa da população convive com hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2, reforçando o caráter emergente dessa condição como problema de saúde pública (Silveira, et al., 2024). 

O tratamento da síndrome metabólica envolve mudanças no estilo de vida, incluindo adoção de hábitos alimentares saudáveis e prática regular de atividade física (Brasil, 2021). Entretanto, quando tais medidas não são suficientes, torna-se necessária a utilização de medicamentos, como estatinas para o controle do perfil lipídico e anti-hipertensivos para a redução da pressão arterial (Ferreira et al., 2020; Grundy et al., 2005). Embora eficazes, essas terapias farmacológicas podem interferir no metabolismo de nutrientes essenciais, gerando repercussões nutricionais que exigem acompanhamento individualizado (Eckel et al., 2010). 

Este estudo propõe investigar se o uso concomitante de estatinas e anti-hipertensivos pode comprometer o metabolismo e o estado nutricional de indivíduos com síndrome metabólica. 

2. METODOLOGIA 

2.1 Tipo de estudo 

Este estudo trata-se de uma revisão bibliográfica de literatura narrativa, com o objetivo de identificar e analisar os efeitos do uso concomitante de estatinas e antihipertensivos no metabolismo de nutrientes em pacientes com síndrome metabólica. A revisão foi conduzida com base em estudos previamente publicados, incluindo artigos científicos, dissertações, teses e outras fontes relevantes encontradas em bases de dados acadêmicas.  

2.2 Coleta de dados 

A coleta de dados foi realizada em bases de dados científicas amplamente reconhecidas, como PubMed, Scopus, Web of Science, Google Scholar e ScienceDirect. Foram selecionados artigos disponíveis em texto completo, publicados entre os anos de 2013 e 2024, nos idiomas português, inglês ou espanhol. Os termos de busca utilizados incluíram: “estatinas”, “anti-hipertensivos”, “drogas”, “metabolismo dos nutrientes”, “síndrome metabólica”, “deficiência de nutriente”, entre outros, tanto em português quanto em inglês, a fim de abranger uma variedade maior de estudos relevantes. 

Foram elegíveis artigos e revisões científicas publicadas nos últimos 10 anos, que abordassem a interação entre o uso de estatinas e anti-hipertensivos e o metabolismo de nutrientes essenciais, envolvendo pacientes com síndrome metabólica, hipertensão ou dislipidemia, e que tratassem das implicações nutricionais do uso desses medicamentos, incluindo deficiências de vitaminas e minerais.   

2.3 Análise de dados 

Após a seleção dos artigos, a análise foi realizada de forma qualitativa, considerando a relevância dos estudos. Foram extraídas e organizadas informações sobre: mecanismos de ação das estatinas e anti-hipertensivos; alterações no metabolismo e na biodisponibilidade de nutrientes; deficiências nutricionais associadas a esses medicamentos; e estratégias e recomendações para minimizar os impactos nutricionais, como suplementação e ajustes alimentares. 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 

3.1 Síndrome Metabólica e Seus Impactos na Saúde 

A síndrome metabólica (SM) é um distúrbio multifatorial caracterizado por alterações metabólicas inter-relacionadas, incluindo resistência à insulina, hipertensão, dislipidemia e acúmulo de gordura abdominal, que elevam o risco de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2 (Eckel et al., 2020). Fatores genéticos, hábitos de vida inadequados, como sedentarismo e alimentação desequilibrada, contribuem para alterações fisiológicas graduais e inflamação crônica de baixo grau, comprometendo o metabolismo de nutrientes essenciais e a biodisponibilidade de vitaminas e minerais, o que pode agravar a progressão da SM (Grant et al., 2022). 

A prevalência da SM tem aumentado globalmente, com cerca de 25% da população adulta atendendo aos critérios diagnósticos, sendo influenciada por dietas hipercalóricas, consumo excessivo de açúcares e gorduras saturadas, sedentarismo e envelhecimento populacional (IDF, 2023). Além do risco cardiovascular, a SM está associada a complicações renais, como nefropatia diabética e progressão para insuficiência renal crônica, bem como impactos na saúde mental, incluindo depressão, ansiedade e baixa autoestima, especialmente devido ao estigma relacionado à obesidade e às limitações físicas (Barbalho et al., 2015; Oliveira et al., 2024; Tarozo; Pessa , 2020; Marques, 2021).  

O manejo da SM baseia-se principalmente em mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, atividade física regular e controle do peso corporal, que se mostram eficazes na redução dos componentes da síndrome e na prevenção de complicações (Ortega et al., 2020). Complementarmente, políticas públicas que promovam educação em saúde e acesso a cuidados médicos adequados são essenciais para reduzir a prevalência da SM e melhorar os desfechos de saúde da população (Brasil, 2023). 

3.2 Estatinas e Anti-hipertensivos: Mecanismos de Ação e Efeitos no Metabolismo 

As estatinas são amplamente utilizadas no manejo da dislipidemia por sua capacidade de reduzir os níveis plasmáticos de LDL-colesterol, considerado um dos principais fatores de risco cardiovascular (Silva; Moura; Almeida; 2021).Seu mecanismo de ação consiste na inibição da enzima HMG-CoA redutase, etapa chave da síntese hepática de colesterol (Endo, 2020). Contudo, essa via também está envolvida na produção de substâncias essenciais, como a coenzima Q10 e a vitamina D, o que explica parte dos efeitos colaterais metabólicos associados ao uso prolongado desse fármaco (Billingsley; Carlson, 2019; Taylor; Ward, 2020). Tais alterações podem impactar a produção de energia, a função muscular e a imunidade, tornando necessário o acompanhamento nutricional desses pacientes (Fernandez – Martinez et.al., 2020). 

No tratamento da hipertensão arterial, diferentes classes de fármacos são indicadas conforme o perfil clínico do paciente (Franco; Mendes, 2023).  Os diuréticos promovem a excreção de sódio e água, reduzindo o volume sanguíneo e a pressão arterial (Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2020).  

Já os inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA) e os antagonistas dos receptores da angiotensina II atuam sobre o sistema renina-angiotensinaaldosterona, favorecendo a vasodilatação e diminuindo a retenção hídrica (Whelton et al., 2018). Betabloqueadores e bloqueadores dos canais de cálcio também são amplamente utilizados, reduzindo a frequência cardíaca, o débito cardíaco e promovendo o relaxamento vascular (Ferreira et al., 2020; Messerli et al., 2018). 

Apesar da eficácia clínica, o uso crônico de anti-hipertensivos pode interferir no estado nutricional, pois os diuréticos, por exemplo, estão associados à maior excreção de eletrólitos como potássio, magnésio, zinco e sódio, favorecendo desequilíbrios hidroeletrolíticos que se manifestam em fraqueza, câimbras e arritmias (Sica, 2011; Grant et al., 2022). Os betabloqueadores, por sua vez, reduzem a sensibilidade à insulina e podem prejudicar a captação celular de glicose, agravando quadros de resistência insulínica (Lithell, 2019; Barroso et al., 2019). 

Nos pacientes com síndrome metabólica, é frequente a associação entre estatinas e anti-hipertensivos como estratégia de controle do risco cardiovascular global (Rodrigues, et al., 2023). Entretanto, estudos apontam que essa combinação farmacológica pode afetar a absorção e o metabolismo de nutrientes essenciais, aumentando a probabilidade de deficiências nutricionais que comprometem a resposta terapêutica (Gilligan et al., 2021; Mach et al., 2020). Esses achados reforçam a necessidade de acompanhamento multiprofissional, com integração entre médicos e nutricionistas, a fim de prevenir repercussões adversas no estado nutricional.

Tabela 1 – Principais estudos sobre o impacto do uso de estatinas e anti-hipertensivos no metabolismo de nutrientes.

3.3 Absorção e Biodisponibilidade de Nutrientes em Pacientes com Polifarmácia 

O uso concomitante de vários medicamentos, conhecido como polifarmácia, é uma prática frequente entre indivíduos com condições crônicas, como os portadores de síndrome metabólica (Pereira et.al.,2023). Embora essa estratégia seja muitas vezes essencial para o controle clínico, ela pode desencadear efeitos adversos relacionados à nutrição, ao interferir em processos como a absorção intestinal, o metabolismo hepático e a excreção renal de diversos nutrientes, impactando o estado nutricional do paciente e a eficácia terapêutica (Tomova et al., 2019). 

Certos medicamentos, como as estatinas, ao inibirem a via do mevalonato (é uma via metabólica essencial para a síntese de diversos produtos, incluindo colesterol, isoprenóides e outras moléculas importantes para a função celular) fundamental na produção endógena de colesterol, também reduzem a síntese de coenzima Q10 (Almeida, 2024). Essa substância é crucial para o funcionamento mitocondrial, e sua diminuição pode comprometer a geração de energia, afetando principalmente a função muscular e cardíaca (Nikkila et al., 2022).  

Os anti-hipertensivos da classe dos diuréticos, por sua vez, estão associados à perda aumentada de minerais pela urina, incluindo potássio, magnésio, cálcio e zinco. Esses micronutrientes são indispensáveis para o equilíbrio eletrolítico e a condução neuromuscular, sendo sua deficiência potencialmente prejudicial à saúde global do paciente (Guerra et al., 2018). 

Outro ponto relevante é que o uso contínuo de fármacos pode modificar parâmetros fisiológicos gastrointestinais, como o pH gástrico e o tempo de trânsito intestinal, além de impactar negativamente a composição da microbiota intestinal. Essas alterações comprometem a absorção de vitaminas lipossolúveis, assim como a vitamina D e minerais importantes, como ferro e cálcio, podendo levar a deficiências nutricionais mesmo quando a ingestão alimentar é considerada adequada (Tomova et al., 2019). 

3.4 Deficiências Nutricionais Associadas ao Uso Concomitante de Medicamentos 

Embora o uso conjunto de estatinas e medicamentos anti-hipertensivos seja uma estratégia amplamente adotada para reduzir complicações cardiovasculares em indivíduos com síndrome metabólica, essa combinação pode gerar efeitos adversos relacionados ao estado nutricional. O comprometimento da absorção intestinal, alterações no metabolismo hepático e modificações na biodisponibilidade de nutrientes essenciais são algumas das consequências possíveis dessa terapêutica prolongada (Fernandez-Martinez et al., 2020). 

As estatinas, ao inibir a enzima HMG-CoA redutase, não apenas reduzem a síntese de colesterol, mas também impactam negativamente a produção de coenzima Q10, um cofator essencial para o funcionamento das mitocôndrias. A redução nos níveis dessa coenzima pode prejudicar a produção de energia celular e está associada a queixas frequentes como fadiga, dores musculares e menor tolerância à atividade física (Ghosh, 2022). 

Já os anti-hipertensivos, especialmente os diuréticos de alça e tiazídicos, elevam significativamente a excreção renal de minerais importantes como potássio, magnésio, cálcio e zinco. A deficiência desses eletrólitos pode desencadear sintomas clínicos como arritmias cardíacas, fraqueza muscular, espasmos, além de possíveis distúrbios neurológicos em casos mais severos (López et al., 2021). 

A literatura científica (Santos et.al.,2021) aponta que a associação entre estatinas e anti-hipertensivos pode comprometer o status de diversos micronutrientes essenciais. A ação das estatinas sobre a via do mevalonato reduz significativamente a síntese endógena de coenzima Q10, afetando a função mitocondrial e a produção de energia celular. Além disso, esse grupo de fármacos pode interferir na síntese hepática e na absorção intestinal da vitamina D, contribuindo para níveis séricos insuficientes mesmo em indivíduos com ingestão adequada (Lima; Costa; Pereira, 2023).  

Os diuréticos, frequentemente utilizados no tratamento da hipertensão arterial, aumentam a excreção urinária de minerais como potássio, magnésio, cálcio e zinco, elevando o risco de desequilíbrios eletrolíticos. Adicionalmente, certos anti-hipertensivos, como os inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA), podem impactar negativamente o metabolismo de vitaminas do complexo B, especialmente o ácido fólico e a vitamina B12, favorecendo o acúmulo de homocisteína no organismo, sendo um fator de risco para complicações cardiovasculares (Fernandez-Martinez et al., 2020). 

Adicionalmente, alterações gastrointestinais decorrentes do uso de múltiplos medicamentos, como mudanças no pH estomacal, no tempo de esvaziamento gástrico e na composição da microbiota, também podem impactar a absorção de diversos nutrientes (Ghosh; 2022). 

Diante do impacto que a polifarmácia pode exercer sobre o estado nutricional de pacientes com síndrome metabólica, o acompanhamento nutricional torna-se uma ferramenta essencial na prática clínica (Cardoso, 2022). A avaliação periódica por meio de exames laboratoriais, anamnese detalhada e observação de sinais clínicos permite a identificação precoce de possíveis carências nutricionais, favorecendo intervenções eficazes. Entre as estratégias recomendadas, destaca-se a suplementação de coenzima Q10 em casos de sintomas relacionados à sua deficiência ou confirmação laboratorial da sua redução, especialmente em pacientes em uso prolongado de estatinas (Park et.al., Almeida et.al.,2024)  

Além disso, o monitoramento constante dos níveis séricos de eletrólitos, como potássio e magnésio, é crucial para indivíduos que fazem uso contínuo de diuréticos, a fim de prevenir complicações decorrentes de perdas excessivas (Zhou et.al.,2022). A reposição de vitamina D também pode ser necessária, principalmente quando há comprovação de insuficiência ou deficiência, situação comum nesses pacientes (Martins et.al., 2023). Por fim, uma alimentação orientada para o consumo de alimentos ricos em micronutrientes antioxidantes é fundamental para reduzir o estresse oxidativo, proteger a integridade mitocondrial e melhorar a resposta clínica ao tratamento farmacológico (Nikkilä et al., 2022). 

A integração entre o cuidado nutricional e o tratamento farmacológico é uma abordagem essencial e estratégica na condução de pacientes com síndrome metabólica, especialmente aqueles em uso contínuo de múltiplos medicamentos. Ao considerar os efeitos que fármacos como estatinas e anti-hipertensivos exercem sobre o metabolismo de nutrientes, torna-se evidente a importância de uma atuação conjunta entre nutricionistas e profissionais da saúde (Souza; Lima; Carvalho, 2023). Essa colaboração permite não apenas prevenir ou corrigir deficiências nutricionais silenciosas, mas também otimizar a eficácia terapêutica, reduzir efeitos adversos e melhorar a adesão ao tratamento (Almeida; Rodrigues; Santos, 2024). 

Diante disso, adotar uma visão integrada do cuidado, que reconheça o impacto dos medicamentos sobre o estado nutricional e vice-versa, representa um avanço significativo na promoção da saúde e na qualidade de vida desses pacientes, além de reforçar a atuação do nutricionista como peça-chave no manejo clínico interdisciplinar. 

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O uso prolongado dessas medicações pode comprometer a biodisponibilidade e o metabolismo de nutrientes essenciais, como vitaminas do complexo B, vitamina D, Coenzima Q10, zinco e magnésio, contribuindo para o desenvolvimento de carências nutricionais que, por sua vez, podem agravar o estado clínico dos pacientes. 

Constatou-se que os principais mecanismos envolvidos incluem a interferência na absorção intestinal, alterações enzimáticas no metabolismo energético e modificações na disponibilidade de cofatores importantes para processos metabólicos. Esses efeitos ressaltam a importância do acompanhamento nutricional regular em pacientes em uso contínuo de estatinas e anti-hipertensivos, visando prevenir ou corrigir possíveis deficiências. 

Além disso, verificou-se que estratégias nutricionais e suplementações específicas, descritas na literatura, podem minimizar tais impactos, reforçando a necessidade de atuação integrada entre nutricionistas, médicos e farmacêuticos. Essa abordagem multidisciplinar mostra-se fundamental para otimizar os resultados terapêuticos, reduzir riscos associados às deficiências nutricionais e promover maior adesão ao tratamento. 

Por fim, destaca-se a carência de estudos longitudinais e ensaios clínicos mais robustos que aprofundem a compreensão sobre as interações fármaco-nutrientes nesse contexto. Assim, este trabalho contribui para ampliar a base de conhecimento disponível, ao mesmo tempo em que sinaliza a necessidade de novas pesquisas que sustentem protocolos clínicos direcionados, com vistas à melhoria da qualidade de vida dos pacientes com síndrome metabólica. 

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1Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail:cibelenevesc@gmail.com
2Orientadora do TCC, Doutora em Biotecnologia pela Universidade Federal do Amazonas. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: francisca.freitas@fametro.edu.br
3Coorientadora do TCC, Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Católica de Santos- UNISANTOS. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: david.reis@fametro.edu.br